Rodrigo Atração será o responsável por conduzir a ala musical da Dom Bosco de Itaquera no Carnaval 2027, substituindo Rodrigo Xará. Recentemente, o intérprete deixou a Imperador do Ipiranga, onde teve uma longa passagem. No último Carnaval, integrou o carro de som da Barroca Zona Sul, sob comando de Dodô Ananias e Rafael Tinguinha. Com trajetória consolidada no samba, Atração é um intérprete conhecido por diferentes atuações como apoio e cantor oficial em diversas agremiações. Um dos momentos mais marcantes de sua carreira foi a parceria com Chitão Martins na Colorado do Brás. Agora, ele assume a responsabilidade de interpretar o enredo “O Auto do Boi”, da Dom Bosco de Itaquera, para o desfile do próximo ano. Em entrevista ao CARNAVALESCO, Rodrigo Atração demonstrou empolgação com o novo desafio.
Animado com o novo desafio, Rodrigo Atração demonstra entusiasmo com a nova fase e afirma estar confiante em realizar um dos maiores desfiles da história da entidade de Itaquera. “Estou muito motivado e feliz com essa oportunidade. Se Deus permitir, vamos realizar um grande trabalho. A responsabilidade está conosco, para que possamos fazer um dos melhores carnavais, ou talvez o melhor da história da escola”, disse.
O cantor fez questão de elogiar o ex-intérprete da Dom Bosco, Rodrigo Xará, que marcou época na escola e construiu uma forte identificação com a comunidade, sendo responsável pela criação do grito “Vai pensando que a gente só reza”. Atração destacou a dimensão do desafio e a responsabilidade da nova fase. “Substituir o Rodrigo Xará é uma responsabilidade muito grande. Ele é um grande intérprete, não por acaso foi premiado. Realizou um excelente trabalho, com uma ala musical maravilhosa e grandes cantores. O grito de guerra virou um verdadeiro mantra da escola e vai permanecer. Por aqui, nada muda: ‘E vai pensando que a gente só reza’. Vamos fazer um trabalho muito bacana”, declarou.
Recepção animada
Ao falar sobre o início na escola, Rodrigo destacou a receptividade da comunidade. “A comunidade tem me recebido de forma muito acolhedora. Só tenho a agradecer às baianas e a toda a diretoria. Tem sido um início de parceria muito positivo. Tenho sentido o calor da comunidade de Itaquera e espero que seja apenas o começo de uma trajetória ainda melhor. Assim como o Rodrigo Xará, também quero escrever a minha história dentro da Dom Bosco”, afirmou.
Aguardando um grande samba para 2027
Por fim, o intérprete exaltou o samba-enredo do Carnaval 2026, que foi bem visto pelo público do carnaval. Para o próximo desfile, a Dom Bosco terá como tema o “Auto do Boi”, e Rodrigo Atração demonstrou confiança em um grande resultado da obra. “A expectativa é muito alta, porque já vem com o ‘Mariama’ um grande samba, uma obra muito melodiosa e poética. A gente espera que o ‘Auto do Boi’ não decepcione, e tenho certeza de que não vai decepcionar”, completou.
A União de Maricá revelou os detalhes do enredo que marcará sua estreia no Grupo Especial do Carnaval do Rio de Janeiro em 2027. A escola abrirá os desfiles da Marquês de Sapucaí no domingo, 7 de fevereiro, com uma homenagem ao antropólogo, educador, escritor, indigenista e homem público Darcy Ribeiro, apresentando na Avenida o ideal de um Brasil mais justo, democrático e consciente de sua própria identidade.
A proposta da agremiação é revisitar a trajetória de Darcy Ribeiro a partir do sonho de país que norteou toda a sua vida. O desfile mostrará como cada etapa de sua caminhada contribuiu para a construção dessa utopia brasileira, tendo como fio condutor uma metáfora utilizada pelo próprio homenageado. Darcy costumava dizer que se parecia com as cobras por possuir muitas peles, imagem que inspirará a narrativa desenvolvida pela escola.
A apresentação percorrerá as diferentes facetas do intelectual: o menino de Montes Claros (MG), que sonhava ser Imperador do Brasil durante a Festa do Divino; o antropólogo dedicado à defesa dos povos originários; o educador que via a escola como instrumento de transformação social; e o homem público responsável por iniciativas marcantes, como a criação dos CIEPs e a idealização do Sambódromo da Marquês de Sapucaí.
O carnavalesco Edson Pereira destacou que o enredo busca valorizar não apenas a trajetória de Darcy Ribeiro, mas também seu pensamento sobre o Brasil.
“Esse enredo fala do sonho de um brasileiro múltiplo, de um homem que dedicou sua vida à educação, à cultura e ao povo. Darcy Ribeiro sonhava com um Brasil real, ainda inacabado, mas que valorizasse sua gente, sua história e sua identidade. Enxergar Darcy pelo olhar de quem estudou profundamente o povo brasileiro vai muito além de desenvolver um enredo. É valorizar um grande pensador, um artista da educação, alguém que cuidava do nosso povo e acreditava, acima de tudo, na construção de um futuro melhor para o Brasil”, afirmou.
Outro aspecto importante da narrativa será a ligação entre Darcy Ribeiro e Maricá. Foi na cidade fluminense que o intelectual concluiu O Povo Brasileiro, considerada a síntese de décadas de estudos sobre a formação do país. Essa relação reforça o simbolismo da homenagem promovida pela escola justamente em sua estreia na elite do carnaval carioca.
O enredista Mauro Cordeiro explicou que o conceito de “Utopia Brasil” sintetiza a proposta do desfile. “Darcy Ribeiro foi um grande brasileiro e a União de Maricá contará a sua história na Avenida a partir da ideia de ‘Utopia Brasil’, que representa a forma como ele interpretou, estudou e lutou pela construção de um país mais justo, democrático e igualitário. Esse é o fio condutor da nossa narrativa e também de toda a trajetória de Darcy. Ele foi um homem plural, que abraçou diferentes causas e dedicou sua vida à construção de um Brasil melhor. Não está circunscrito a uma única bandeira, mas às muitas frentes em que atuou e às diferentes ‘peles’ que vestiu ao longo da vida. É essa riqueza que pretendemos levar para a Avenida no nosso carnaval”, explicou.
Responsável por abrir os desfiles do Grupo Especial em 2027, a União de Maricá promete levar à Marquês de Sapucaí um desfile que une educação, cultura, identidade nacional e a trajetória de um dos maiores pensadores da história do Brasil, transformando a vida e o legado de Darcy Ribeiro em uma celebração da esperança e da construção de um futuro melhor para o país.
Na noite desta sexta-feira, durante o evento de lançamento do enredo da União de Maricá para o Carnaval 2027, realizado na Cidade do Samba, o ex-presidente da Liesa e presidente de honra da Vila Isabel, Capitão Guimarães, exaltou a infraestrutura da agremiação. Em um discurso enfático, ele defendeu que a estrutura montada pela escola deveria servir de exemplo para todo o Rio de Janeiro.
“Vi que a nova ‘Cidade do Samba’ já foi construída. Aqui nós temos que filmar tudo isso e passar para as imagens coirmãs e para o prefeito do Rio como deve ser um barracão de escola de samba. Se o quesito barracão fosse fazer parte do julgamento, a Maricá seria hors concours com 10 disparada. A gente lê na imprensa e às vezes algumas críticas dizendo que a Maricá está gastando dinheiro do contribuinte; isso tudo é inveja, porque se o senhor (prefeito Quaquá) gastasse 10 vezes mais o que está investindo na escola, não daria a divulgação que a escola dará a Maricá“, declarou.
Durante sua fala, o Capitão Guimarães também rebateu críticas veiculadas na imprensa sobre os gastos municipais com a escola de samba. Ele classificou os comentários negativos como “inveja” e afirmou que o retorno em visibilidade para o município é imensurável.
“Se o senhor gastasse 10 vezes mais o que está investindo na escola, não daria a divulgação que a escola dará a Maricá”, afirmou, dirigindo-se ao prefeito, ressaltando que o investimento faz parte de uma meta política para transformar a cidade num dos maiores municípios do país.
O enredo de 2027 da União de Maricá homenageará Darcy Ribeiro, um tema que toca pessoalmente o Capitão Guimarães. Ele relembrou sua trajetória na Vila Isabel em 1987, quando levou à avenida o enredo “Raízes”, baseado na obra “Maíra”, de Darcy. Além da admiração profissional, Guimarães revelou uma proximidade pessoal com o intelectual. Sobre a construção do desfile, Guimarães elogiou a escolha da síntese da obra de Darcy pelo carnavalesco Edson Pereira, com quem já trabalhou na Vila Isabel. Ele destacou que o desfile dará foco especial aos CIEPs e à revolução educacional proposta pelo mestre Darcy Ribeiro. No entanto, aproveitou o momento para fazer um desabafo sobre a situação atual dessas instituições.
Ao finalizar, Guimarães celebrou a “energia positiva” e o vigor da diretoria e dos componentes da escola, citando nomes como o presidente da agremiação, o prefeito e profissionais como o casal Julinho e Rute. Ele previu que a força da União de Maricá permitirá que a escola se “ombreie” com as grandes coirmãs que já estão há anos no grupo de cima.
“Sem sombra de dúvida, será um impacto importante na avenida para abrir o carnaval de 2027”, concluiu, reforçando que o exemplo do barracão de Maricá deve ser seguido por todos.
O Festival Folclórico de Parintins, que acontece de maneira tradicional no último final de semana do mês de junho, terminou oficialmente nesta segunda-feira, dia 29, com a apuração que sacramentou a vitória do Boi-bumbá Caprichoso. Com o tema “Brinquedo que canta seu chão”, o boi azul conquistou sua vigésima sétima estrela, contra 33 do Boi-bumbá Garantido.
Antes de iniciarmos possíveis comparações entre o Festival e os carnavais do Brasil, independente das praças, é preciso compreender a disputa dos bois-bumbás como algo pertencente a cultura local, que movimenta de maneira integral a economia da cidade e atrai cerca de 120 mil turistas nas três noites de competição.
Apesar de terem sido fundados em 1913, a disputa de boi surge oficialmente em 1966 com o objetivo de arrecadar fundos para construção da Catedral de Nossa Senhora do Carmo, padroeira de Parintins. Em 1975 a prefeitura assume a organização da disputa. Mais tarde, em 1988, o Bumbódromo, palco onde o festival acontece até hoje, é inaugurado.
Principais diferenças entre Festival de Parintins X Carnaval
Enquanto no carnaval as agremiações são julgadas em 9 quesitos, no festival os dois bois são avaliados em 21 itens: apresentador, levantador de toadas, marujada/batucada, ritual indígena, porta-estandarte, amo do boi, sinhazinha da fazenda, rainha do folclore, cunhã-poranga, boi-bumbá (evolução), toada, pajé, povos indígenas, tuxauas, figura típica regional, alegorias, lenda amazônica, vaqueirada, galera, coreografia e organização do conjunto folclórico.
Um detalhe importante, e que precisa ser destacado, é a ‘administração’ do bumbódromo durante cada apresentação dos bois. Enquanto o Caprichoso se apresenta, toda estrutura do palco é gerida pela equipe contratada do próprio boi. Ou seja, de luzes a iluminação cênica, passando pelas projeções holográficas, tudo é controlado por um profissional contratado, ciente da importância da sua função para que determinados itens alcancem a nota máxima. O mesmo acontece nas apresentações do boi Garantido.
Neste ano, o boi vermelho sofreu inúmeras críticas quanto ao som nas apresentações. As justificativas divulgadas escancararam o problema e ficou provado que uma boa técnica, também é crucial para vencer um campeonato.
Iluminação cênica bem usada é essencial para um grande espetáculo
Gargalo nos últimos anos no Carnaval do Rio de Janeiro, a iluminação cênica parece estar mais para solução do que para problema no Festival de Parintins.
Os bois parecem já ter compreendido que a iluminação faz parte do espetáculo principalmente naquilo que fazem de melhor: o efeito de ilusionismo. O bumbódromo possui 140 metros de comprimento e 60 metros de largura, totalizando 8.400 m2. Um espaço consideravelmente grande para múltiplas apresentações de itens. Os artistas realizam um efeito muito comum utilizado por grandes ilusionistas, fazem o espectador olhar exatamente para onde eles querem, enquanto a pouquíssimos metros dali, uma alegoria de 30 metros de altura está sendo montada para apresentação. A iluminação é essencial para que o efeito aconteça. O ‘breu’, escuridão total, parece não ser bem-vindo. Sempre há algo bem iluminado.
Outro detalhe importante no assunto iluminação, é a utilização forte das cores em neon, muito tradicional nas alegorias do atual campeão, Caprichoso. Mesmo quando há a necessidade de pouca luz, as alegorias ainda sobressaem com suas cores vivas, somadas aos leds, efeitos de fumaça e chuva de prata que estão frequentemente sendo disparadas.
Artistas Parintinenses adaptam suas técnicas quando ‘migram’ para o Carnaval
No festival de Parintins as alegorias chegam aos seus 30 metros de altura e são montadas em módulos. Que entram, se posicionam e somente dentro da arena, são vistos de forma completa, como foram idealizados. Algo que difere bastante dos desfiles de escola de samba é a simetria. Enquanto Parintins parece não se preocupar muito com certos “exageros”, como um pescoço ou outro maior que o tradicional, no espetáculo do carnaval isso é canetado sem muita parcimônia pelos jurados.
Uma coisa já dita há mais tempo pelo Capixabices e pelo Carnavalesco sobre os carnavais do Rio de Janeiro, São Paulo e Espírito Santo, é de que é impossível sacramentar uma escola campeã através das lentes da emissora de transmissão do desfile. O carnaval acontece enquanto a TV te mostra aquilo que ela acha que você quer ver naquela hora. Equalização de áudio, cor, corte de câmera, consegue transformar um desfile 9,8 em nota 10, se bem dirigido.
No Festival de Parintins não é diferente. O que a emissora mostra não é 50% do que está acontecendo para além de onde o foco da câmera está. Num espetáculo que é estático e que gira o tempo inteiro, vê-lo in loco é essencial para compreender a dimensão daquilo que está sendo apresentado.
Conteúdo colaborativo entre CARNAVALESCO e Capixabices, durante a cobertura do Festival de Parintins 2026.
Para 2027, o Vai-Vai terá uma dupla de carnavalescos: Alexandre Louzada e Victor Santos. Juntos, eles desenvolverão o enredo “Três Obás de Xangô – A Mãe Bahia em Cantos, Cores e Memórias”, no qual cantará a amizade entre Jorge Amado, Dorival Caymmi e Carybé – três dos grandes artistas da história do Brasil. A dupla, nova, falou sobre como está a convivência e a divisão do trabalho entre eles ao longo do ciclo para o desfile à reportagem do CARNAVALESCO.
Algo que chamou atenção no início das falas de cada um dos carnavalescos vaivaenses foi a menção a alguns outros nomes importantes no mundo do Carnaval de maneira espontânea.
Victor foi o primeiro a ter tal atitude. Ele citou Nicolas Gonçalves, carnavalesco da coirmã Acadêmicos do Tucuruvi, ao falar sobre o início da jornada dele no universo das escolas de samba:
“Eu e o Nicolas somos amigos de adolescência e de infância. Eu o convidei para estar no carnaval comigo lá em Guaratinguetá – depois, ele saiu e eu fiquei. A gente ganhou no primeiro ano, também fui carnavalesco no Uruguai, em Uruguaiana também cheguei a ganhar lá. Tive, também, além de participar de Direção de Carnaval, passeei como carnavalesco Brasil afora – e até fora do país”, comentou.
A recíproca é verdadeira: no PodCarnavalesco SP #13, Nicolas citou o caminho da jornada do atual carnavalesco da Acadêmicos do Tucuruvi citando Victor Santos:
Já Louzada fez uma comparação direta de Victor com um integrante de uma dupla de carnavalescos muito celebrada e já campeã no Carnaval do Rio de Janeiro: “Primeiro de tudo: o Victor me lembra muito o Gabriel Haddad, que foi o primeiro carnavalesco da nova geração com quem eu trabalhei. Ele tem as características dele. A gente conversa, eu posso acrescentar alguma coisa no trabalho que ele esteja desenvolvendo e ele no meu, mas sem tropeços. A coisa se dividiu naturalmente – tanto é que, para escrever a sinopse para o enredo de 2027, eu falei para o Victor emendar o texto dele com o de tão semelhante e perto do que uma única pessoa escreveu. Ele é um cara muito organizado, ele tem uma cultura que transcende a juventude dele. Isso é uma coisa que me fascina e também me ajuda, porque eu não vou ensinar nada a ninguém”, disse.
Haddad, que assina desfiles juntamente com Leonardo Bora, foi, durante muito tempo, assistente de Alexandre Louzada – sobretudo nos períodos do atual carnavalesco alvinegro na Mocidade Independente de Padre Miguel e na Portela.
Eleição em pauta
Louzada revelou que o nome da dupla também era especulado para chapa que foi derrotada na eleição do Vai-Vai de 2026, realizada no dia 16 de março, na Câmara Municipal de São Paulo: “A gente tinha o plano de trabalhar junto e respeitou o momento que o Vai-Vai passava em relação à eleição. Eu já tinha sido sondado por outra chapa, mas eu quis honrar meus compromissos para saber se isso ia acontecer. E foi quase que no apagar das luzes que surgiu esse convite. Com o Milato, a gente tinha aquela coisa de ser quase que um pai; mas, com o Victor, não. O Victor é uma pessoa que veio com uma ideia formada, me ofereceu essa ideia, foi generoso de me oferecer parte do plano que ele tinha e combinou muito bem”, destacou, citando outro carnavalesco carioca – contratado para 2027 pela Unidos da Tijuca.
Parceiro inspirador
Como não poderia deixar de ser, Victor mostra-se bastante feliz em atuar junto com um dos grandes carnavalescos da história da folia: “Eu falo para o Louzada, já falei várias vezes e em outros lugares, que eu cresci vendo ele fazer e ganhar Carnaval. Se eu tenho um senso estético hoje, foi baseado no que eu entendo como receita para ganhar Carnaval. E, se a gente for pegar, historicamente falando, a receita para ganhar Carnaval é dele. Claro que eu tenho outras pessoas que são minhas referências como Sidnei França, Rosa Magalhães e Renato Lage – que são pessoas que eu admiro muito. Trabalhei com o Sidnei e fui assistente dele por oito anos, muito da minha formação vem dele, também”, destacando outras inspirações no cargo que ocupa atualmente.
Mostrando conhecimento da carreira de Louzada, Victor pontua grandes momentos do parceiro de Vai-Vai para ilustrar a grandeza do companheiro no posto: “É preciso entender que, quando tem o boom do Carnaval do Rio de Janeiro para mim, quando eu começo a entender como começa a se formar uma escola de samba e como uma escola de samba se organiza, era ele que estava ganhando – isso em 2006, 2007 e 2008. Carnavais que não foram campeões, como o do banho e como o próprio Carnaval da Portela de 2014, o do ‘Rio de Mar a Mar’, que eu também acho maravilhoso, são dele. Eu, que observava a história acontecer de fora, agora faço parte de quem escreveu essa história em outros tempos – e colaborando com isso”, disse.
Polivalente
Ao falar do parceiro carnavalesco, Louzada destacou que cargos anteriores deram a ele uma visão mais ampla de um desfile – e dos integrantes da escola como um todo: “Com a experiência de Diretor de Carnaval que ele teve, o Victor tem algumas manias em relação a entender o que a comunidade quer de fato – como desenhar uma saia e ouvir que as integrantes queriam se mostrar mais. São toques normais, ele estuda mais o corpo da escola do que eu”, comentou.
A fusão da cultura e das experiências que carrega com ele fazem de Vitor um profissional muito gabaritado, na visão de Louzada: “Enquanto literatura, ele é muito onírico, mas ele tem o pé no chão do Diretor de Carnaval de saber se essa ala é mista, se nessa ala a gente vai precisar inserir uma cena, um grupo cênico para poder explicar melhor a coisa. Quando o que sai daqui vai para outras áreas da escola, o trabalho pertence a todos nós: é uma criação coletiva, não é só minha ou dele. Existe a contribuição. Está sendo, muito tranquilo e, ao mesmo tempo, uma ansiedade sem tamanho, uma responsabilidade”, pontuou.
Emoção
Louzada aproveitou para contar o quanto já existe uma ligação muito forte entre a dupla de carnavalescos, a escola de samba e os parentes dos homenageados – todos já falecidos: “Nós tivemos uma reunião com a filha do Jorge Amado e, talvez, um pouco das lágrimas da gente conversando com ela foi desse peso e dessa responsabilidade que nós temos. Nós não estamos falando de qualquer coisa. Nós estamos nos colocando ao lado do Vai-Vai como obás. Nós estamos incrementando, aumentando essa contribuição do Vai-Vai como obá do samba, como uma representante digna. E, talvez, sem menosprezar nenhuma outra escola, acho que não seria outra escola que não fosse o Vai-Vai para fazer um enredo como esse. Eu, que já fui à Bahia com a escola, vejo que eles levam muito a sério essa coisa da mensagem que vai passar para o público. Isso que é muito legal, que a gente está encantado com o trabalho”, suspirou.
Peso do pavilhão
Estar na maior campeã do Grupo Especial de São Paulo motiva ainda mais os dois carnavalescos: “Para mim, é de uma honraria absurda e é louvável que, além de trabalhar com uma pessoa que eu sempre admirei, eu também chego na festa pela porta da frente. Quem começa pelo Vai-Vai, quem tem essa honra de estar carnavalesco dentro do Vai-Vai com 26 anos? Eu não me recordo disso. Eu preciso, para além disso, honrar as expectativas de quem está comigo, as minhas próprias e de uma escola desse porte, desse tamanho que me dá essa chance”, comemorou Victor.
Iniciando a quarta passagem dele pelo Vai-Vai (a primeira foi entre 2011 e 2012; a segunda, em 2015; e, a terceira, entre 2017 e 2018), Louzada preferiu brincar com a situação: “Se você analisar a grafia do Vai-Vai, já é uma dupla. Eu quero fazer uma camiseta – ele ‘Vai’ e eu ‘Vai’, também”, finalizou.
O presidente da Porto da Pedra, Fabrício Montibelo, esteve no Consulado de Angola, no Rio de Janeiro, para apresentar oficialmente a sinopse do enredo que a vermelha e branca de São Gonçalo levará para a Marquês de Sapucaí no Carnaval 2027. O encontro marcou o início de uma aproximação entre a escola e representantes angolanos, que puderam conhecer os detalhes do projeto carnavalesco e a proposta desenvolvida pela agremiação para o próximo desfile.
Recebido pela equipe do consulado, Fabrício destacou a importância desse primeiro contato, reforçando o compromisso da Porto da Pedra em construir um enredo pautado no respeito, na pesquisa e no diálogo com aqueles que representam a história e a cultura do país.
“Foi um encontro muito importante para apresentarmos o nosso projeto e estreitarmos essa relação. Queremos construir um desfile à altura da grandiosidade da história que vamos contar, ouvindo quem conhece e representa Angola. Esse diálogo é fundamental para que a Porto da Pedra leve para a Avenida um trabalho feito com responsabilidade, sensibilidade e verdade”, afirmou o presidente.
Evelyn Bastos, sambista, empresária e liderança mangueirense, será homenageada com o Prêmio Marielle Franco. A iniciativa proposta pela deputada Dani Monteiro (PSOL) foi aprovada pelo plenário da Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro, em reconhecimento à sua trajetória marcada pela atuação cultural, política e comunitária dentro da Mangueira.
Evelyn iniciou sua relação com o carnaval ainda na infância, na escola mirim Mangueira do Amanhã, e construiu ao longo dos anos uma trajetória que passa pela atuação como passista, pelo posto de rainha de bateria e pela consolidação como liderança comunitária. Sua atuação extrapola o carnaval e se afirma também no campo social, com participação ativa em iniciativas voltadas à juventude e à valorização da cultura como instrumento de transformação.
Para a deputada Dani Monteiro, a homenagem reconhece uma trajetória feminina que rompe estereótipos e afirma a força política do samba.
“É um orgulho enorme poder entregar o Prêmio Marielle Franco à Evelyn Bastos. Cria da Mangueira, acompanho sua trajetória há muitos anos dentro da comunidade e sempre vi nela uma liderança que não se limita à avenida. É uma mulher de grande inteligência, que não foge de se posicionar politicamente e que defende os direitos humanos, o feminismo e a luta antirracista. Além de tantos predicados, Evelyn articula cultura, gestão e compromisso com a comunidade, com uma presença firme e, ao mesmo tempo, profundamente conectada com o território. Ela representa essa mulher do samba que pensa, organiza, luta e, principalmente, transforma. Como mangueirense, fico muito feliz em ver sua trajetória de tanto sucesso finalmente reconhecida com esta homenagem”, afirmou Dani Monteiro.
A tradição junina vai tomar conta da Barra Funda com mais uma edição do Arraiá da Mancha, que começa neste sábado, a partir das 18h, com entrada gratuita e programação para toda a família. Reconhecida por reunir comunidade, samba e cultura popular, a festa promete quatro sábados consecutivos de muita animação, com apresentações do grupo cênico da escola, música ao vivo, barracas de comidas típicas e um Espaço Kids especialmente preparado para as crianças.
Além do entretenimento, a programação também traz uma oportunidade especial para quem sonha em fazer parte do desfile da escola. Durante os três primeiros sábados, estarão abertas as inscrições para a Ala da Comunidade. Os participantes ainda concorrem ao sorteio de uma moto elétrica, incentivando a participação e o envolvimento com o carnaval.
O encerramento, no dia 25, será marcado por um dos momentos mais aguardados pelos apaixonados pelo samba: a grande final do concurso de samba-enredo para o Carnaval 2027, reunindo compositores, comunidade e torcedores em uma noite de celebração e escolha do hino que representará a escola na avenida.
O Arraiá da Mancha acontece na Rua Norma de Lucca, 550, na Barra Funda, em São Paulo. Mais informações podem ser acompanhadas pelas redes sociais oficiais: @manchacarnaval.
Serviço
Arraiá da Mancha
Datas: 4, 11, 18 e 25 de julho
Horário: a partir das 18h
Local: Rua Norma de Lucca, 550 – Barra Funda – São Paulo/SP
Entrada: gratuita
Em um movimento considerado histórico para o futuro do Império Serrano, as duas chapas que disputavam o processo eleitoral da verde e branca de Madureira anunciaram, nesta quinta-feira, um acordo que culminou na formação de uma chapa de consenso. A decisão põe fim ao impasse que cercava a eleição da escola e abre caminho para a realização da Assembleia Geral de Eleição, marcada para o próximo dia 12 de julho. A chapa de consenso será formada por Flavio França, candidato à presidência, tendo como vice-presidente de Carnaval Paula Maria. O Conselho Diretor ainda contará com José Luiz Escafura na vice-presidência Financeira, Ana Paula Arruda na vice-presidência Social e Hélio Oliveira na vice-presidência Cultural. Já o Conselho Deliberativo terá Valdir Carola como presidente e Wanderley Marzano na vice-presidência.
Segundo comunicado conjunto divulgado pelas duas correntes, o entendimento foi construído após um amplo diálogo baseado no respeito mútuo, na responsabilidade institucional e no compromisso com o futuro da agremiação. A nova composição reúne representantes dos dois grupos, em um gesto que busca fortalecer a unidade política e administrativa do Reizinho de Madureira.
As lideranças destacaram que o consenso representa a superação das divergências em favor dos interesses da escola, colocando o Império Serrano acima de projetos individuais e reafirmando o compromisso coletivo com a reconstrução da agremiação.
Com o acordo firmado, também foram superados os entraves que impediam o andamento regular do processo eleitoral. Assim, a Assembleia Geral de Eleição será realizada conforme previsto no edital de convocação, no dia 12 de julho de 2026.
No comunicado, os representantes das duas correntes agradeceram o apoio recebido de associados, segmentos, torcedores e da comunidade imperiana durante todo o processo eleitoral. A partir de agora, segundo o texto, o objetivo passa a ser a atuação conjunta em prol da reconstrução da escola, do fortalecimento institucional e da valorização da história do Império Serrano.
O documento encerra destacando que a união construída por meio do diálogo demonstra que as diferenças podem ser superadas quando o interesse maior é o da agremiação, reforçando os princípios da democracia, da transparência e do compromisso com o futuro da tradicional escola de Madureira.
A Unidos de Bangu anunciou, nesta quinta-feira, Diego Moreira como o novo 1º mestre-sala da agremiação. Ele retorna à vermelho e branco para defender o primeiro pavilhão ao lado da porta-bandeira Bárbara Moura, que fará seu terceiro desfile consecutivo na escola.
O reencontro marca a continuidade de uma história iniciada em 2017, quando Diego participou do concurso promovido pela Unidos de Bangu para a escolha do segundo e do terceiro casais de mestre-sala e porta-bandeira. No Carnaval de 2018, estreou como 3º mestre-sala da escola e, nos anos seguintes, passou a integrar o 2º casal, permanecendo na agremiação até o Carnaval de 2022.
Diego iniciou sua trajetória no samba na Independentes da Praça da Bandeira. Ao longo da carreira, também integrou a ala de casais da Acadêmicos do Grande Rio, teve passagem pela Unidos da Ponte e defendeu, por vários carnavais, o primeiro pavilhão da Botafogo Samba Clube. Desde 2022, atua como 2º mestre-sala da Mocidade Independente.
Agora, o mestre-sala retorna à Unidos de Bangu para assumir a responsabilidade de conduzir e defender o primeiro pavilhão da escola no desfile de 2027. No próximo carnaval, a Unidos de Bangu levará para a Marquês de Sapucaí o enredo “A Outra Ceia”, uma homenagem ao cantor e compositor Marquinho PQD. Com a definição do primeiro casal de mestre-sala e porta-bandeira, a escola dá mais um passo na preparação para o desfile que marcará essa homenagem na Avenida.