
Para 2027, o Vai-Vai terá uma dupla de carnavalescos: Alexandre Louzada e Victor Santos. Juntos, eles desenvolverão o enredo “Três Obás de Xangô – A Mãe Bahia em Cantos, Cores e Memórias”, no qual cantará a amizade entre Jorge Amado, Dorival Caymmi e Carybé – três dos grandes artistas da história do Brasil. A dupla, nova, falou sobre como está a convivência e a divisão do trabalho entre eles ao longo do ciclo para o desfile à reportagem do CARNAVALESCO.
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Comparações e citações
Algo que chamou atenção no início das falas de cada um dos carnavalescos vaivaenses foi a menção a alguns outros nomes importantes no mundo do Carnaval de maneira espontânea.
Victor foi o primeiro a ter tal atitude. Ele citou Nicolas Gonçalves, carnavalesco da coirmã Acadêmicos do Tucuruvi, ao falar sobre o início da jornada dele no universo das escolas de samba:
“Eu e o Nicolas somos amigos de adolescência e de infância. Eu o convidei para estar no carnaval comigo lá em Guaratinguetá – depois, ele saiu e eu fiquei. A gente ganhou no primeiro ano, também fui carnavalesco no Uruguai, em Uruguaiana também cheguei a ganhar lá. Tive, também, além de participar de Direção de Carnaval, passeei como carnavalesco Brasil afora – e até fora do país”, comentou.
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A recíproca é verdadeira: no PodCarnavalesco SP #13, Nicolas citou o caminho da jornada do atual carnavalesco da Acadêmicos do Tucuruvi citando Victor Santos:
Já Louzada fez uma comparação direta de Victor com um integrante de uma dupla de carnavalescos muito celebrada e já campeã no Carnaval do Rio de Janeiro: “Primeiro de tudo: o Victor me lembra muito o Gabriel Haddad, que foi o primeiro carnavalesco da nova geração com quem eu trabalhei. Ele tem as características dele. A gente conversa, eu posso acrescentar alguma coisa no trabalho que ele esteja desenvolvendo e ele no meu, mas sem tropeços. A coisa se dividiu naturalmente – tanto é que, para escrever a sinopse para o enredo de 2027, eu falei para o Victor emendar o texto dele com o de tão semelhante e perto do que uma única pessoa escreveu. Ele é um cara muito organizado, ele tem uma cultura que transcende a juventude dele. Isso é uma coisa que me fascina e também me ajuda, porque eu não vou ensinar nada a ninguém”, disse.

Haddad, que assina desfiles juntamente com Leonardo Bora, foi, durante muito tempo, assistente de Alexandre Louzada – sobretudo nos períodos do atual carnavalesco alvinegro na Mocidade Independente de Padre Miguel e na Portela.
Eleição em pauta
Louzada revelou que o nome da dupla também era especulado para chapa que foi derrotada na eleição do Vai-Vai de 2026, realizada no dia 16 de março, na Câmara Municipal de São Paulo: “A gente tinha o plano de trabalhar junto e respeitou o momento que o Vai-Vai passava em relação à eleição. Eu já tinha sido sondado por outra chapa, mas eu quis honrar meus compromissos para saber se isso ia acontecer. E foi quase que no apagar das luzes que surgiu esse convite. Com o Milato, a gente tinha aquela coisa de ser quase que um pai; mas, com o Victor, não. O Victor é uma pessoa que veio com uma ideia formada, me ofereceu essa ideia, foi generoso de me oferecer parte do plano que ele tinha e combinou muito bem”, destacou, citando outro carnavalesco carioca – contratado para 2027 pela Unidos da Tijuca.
Parceiro inspirador
Como não poderia deixar de ser, Victor mostra-se bastante feliz em atuar junto com um dos grandes carnavalescos da história da folia: “Eu falo para o Louzada, já falei várias vezes e em outros lugares, que eu cresci vendo ele fazer e ganhar Carnaval. Se eu tenho um senso estético hoje, foi baseado no que eu entendo como receita para ganhar Carnaval. E, se a gente for pegar, historicamente falando, a receita para ganhar Carnaval é dele. Claro que eu tenho outras pessoas que são minhas referências como Sidnei França, Rosa Magalhães e Renato Lage – que são pessoas que eu admiro muito. Trabalhei com o Sidnei e fui assistente dele por oito anos, muito da minha formação vem dele, também”, destacando outras inspirações no cargo que ocupa atualmente.

Mostrando conhecimento da carreira de Louzada, Victor pontua grandes momentos do parceiro de Vai-Vai para ilustrar a grandeza do companheiro no posto: “É preciso entender que, quando tem o boom do Carnaval do Rio de Janeiro para mim, quando eu começo a entender como começa a se formar uma escola de samba e como uma escola de samba se organiza, era ele que estava ganhando – isso em 2006, 2007 e 2008. Carnavais que não foram campeões, como o do banho e como o próprio Carnaval da Portela de 2014, o do ‘Rio de Mar a Mar’, que eu também acho maravilhoso, são dele. Eu, que observava a história acontecer de fora, agora faço parte de quem escreveu essa história em outros tempos – e colaborando com isso”, disse.
Polivalente
Ao falar do parceiro carnavalesco, Louzada destacou que cargos anteriores deram a ele uma visão mais ampla de um desfile – e dos integrantes da escola como um todo: “Com a experiência de Diretor de Carnaval que ele teve, o Victor tem algumas manias em relação a entender o que a comunidade quer de fato – como desenhar uma saia e ouvir que as integrantes queriam se mostrar mais. São toques normais, ele estuda mais o corpo da escola do que eu”, comentou.
A fusão da cultura e das experiências que carrega com ele fazem de Vitor um profissional muito gabaritado, na visão de Louzada: “Enquanto literatura, ele é muito onírico, mas ele tem o pé no chão do Diretor de Carnaval de saber se essa ala é mista, se nessa ala a gente vai precisar inserir uma cena, um grupo cênico para poder explicar melhor a coisa. Quando o que sai daqui vai para outras áreas da escola, o trabalho pertence a todos nós: é uma criação coletiva, não é só minha ou dele. Existe a contribuição. Está sendo, muito tranquilo e, ao mesmo tempo, uma ansiedade sem tamanho, uma responsabilidade”, pontuou.
Emoção
Louzada aproveitou para contar o quanto já existe uma ligação muito forte entre a dupla de carnavalescos, a escola de samba e os parentes dos homenageados – todos já falecidos: “Nós tivemos uma reunião com a filha do Jorge Amado e, talvez, um pouco das lágrimas da gente conversando com ela foi desse peso e dessa responsabilidade que nós temos. Nós não estamos falando de qualquer coisa. Nós estamos nos colocando ao lado do Vai-Vai como obás. Nós estamos incrementando, aumentando essa contribuição do Vai-Vai como obá do samba, como uma representante digna. E, talvez, sem menosprezar nenhuma outra escola, acho que não seria outra escola que não fosse o Vai-Vai para fazer um enredo como esse. Eu, que já fui à Bahia com a escola, vejo que eles levam muito a sério essa coisa da mensagem que vai passar para o público. Isso que é muito legal, que a gente está encantado com o trabalho”, suspirou.
Peso do pavilhão
Estar na maior campeã do Grupo Especial de São Paulo motiva ainda mais os dois carnavalescos: “Para mim, é de uma honraria absurda e é louvável que, além de trabalhar com uma pessoa que eu sempre admirei, eu também chego na festa pela porta da frente. Quem começa pelo Vai-Vai, quem tem essa honra de estar carnavalesco dentro do Vai-Vai com 26 anos? Eu não me recordo disso. Eu preciso, para além disso, honrar as expectativas de quem está comigo, as minhas próprias e de uma escola desse porte, desse tamanho que me dá essa chance”, comemorou Victor.
Iniciando a quarta passagem dele pelo Vai-Vai (a primeira foi entre 2011 e 2012; a segunda, em 2015; e, a terceira, entre 2017 e 2018), Louzada preferiu brincar com a situação: “Se você analisar a grafia do Vai-Vai, já é uma dupla. Eu quero fazer uma camiseta – ele ‘Vai’ e eu ‘Vai’, também”, finalizou.









