Por Gustavo Lima e Pedro Ribeiro

A Dragões da Real realizou na noite do último sábado sua final de samba-enredo. Com o objetivo de escolher o hino definitivo, a escola da Vila Anastácio se deparou com uma decisão completamente acirrada. As apresentações mostraram que todas as parcerias deram o máximo de si, com obras de nível bastante equilibrado. Desta vez, não havia um favorito claro, e também era evidente que a comunidade estava dividida. São poucas as ocasiões em que o povo da Dragões não define previamente um favorito, mas, desta vez, até entre os componentes a escolha estava em aberto. Entretanto, o time formado por Pedroca, Chanel, Ailson Picanço, Daniel e Santos saiu vencedor, apresentando um refrão de cabeça com alto nível de animação e uma apresentação marcada pela energia da torcida.

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Fotos: Gustavo Lima e Pedro Ribeiro/CARNAVALESCO

“Foram 365 dias desde que estivemos aqui, no ano passado, disputando um samba. Sabemos que a Dragões da Real tem uma disputa muito difícil, concorrida e estruturada. O mais importante de tudo isso é mostrar que novos compositores também conseguem chegar. Essa é a principal mensagem para quem pensa em escrever samba-enredo, mas acha que nada funciona. Funciona, sim. É preciso insistir, persistir e acreditar que vai dar certo. Hoje, um ano depois, voltamos à Dragões da Real e conquistamos o samba do carnaval da escola. É uma alegria imensurável. Faltam palavras para descrever”, disse o jovem compositor Pedroca, que encabeçou a parceria vencedora.

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Jovem compositor Pedroca

A Dragões da Real será a quarta escola a desfilar na sexta-feira de carnaval com o enredo “Sob as Bênçãos de Xangô, a Coroação do Príncipe Reinaldo”, em homenagem ao príncipe do pagode. O tema é assinado pelo carnavalesco Jorge Freitas.

Processo de composição e o prazer de vencer na Dragões

O compositor Wagner Forte, que formou parceria com o escritor Santos, revelou que não foi fácil compor para Reinaldo.

“Foi bem complicado, porque tentávamos pensar em melodias e em alguma coisa que remetesse a ele. Tanto que trouxemos o nosso cantor, o Dinho, para defender o samba. Algumas pessoas confundiram e acharam que era o próprio Reinaldo, porque ele tem um timbre muito parecido”.

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Compositor Wagner Forte

Wagner também revelou que, em oito finais disputadas, conquistou sete vitórias, e se disse muito feliz com o desempenho na escola.

“Esta foi a minha oitava disputa de final na Dragões da Real. Ganhei sete, graças a Deus. Tenho essa felicidade ímpar de conquistar o meu sétimo título aqui na escola. Eu nunca vi uma apresentação como a de hoje. Os outros sambas eram de um nível elevadíssimo, e isso engrandeceu ainda mais a nossa vitória. Esse foi o pontapé inicial. Também preciso citar o Chanel, que faz parte da nossa parceria, e o Ailson Picanço. A partir daí, o samba deslanchou. Fomos construindo a obra, tudo aconteceu e deu certo”.

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Parceria vencedora na Dragões

Pedroca completou a fala sobre a importância da vitória. “Nós estávamos em uma semifinal com cinco sambas maravilhosos e chegamos à final com três obras igualmente fortes. Conseguir sair campeão de uma final como essa é incrível. Isso mostra todo o trabalho e todo o cuidado que tivemos com o samba da Dragões da Real”.

Samba diferente do habitual

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Presidente Tomate

O presidente Tomate avalia que a obra é animada e diferente do que a Dragões da Real está acostumada. Segundo ele, o objetivo agora é trabalhar em busca do título. “É um samba diferente do que a gente está habituado. É um samba literalmente para levantar arquibancada! Um samba para homenagearmos ele, um ídolo para todo mundo que ama o samba e ama o pagode. E o samba caiu nas graças do nosso povo. Agora é trabalhar um samba maravilhoso, junto com uma plástica maravilhosa, e, se Deus quiser, ao final dessa jornada, a gente vai poder homenagear o Reinaldo com o campeonato 2027”.

Samba que contagia e escola que se reinventa

Empolgado com o samba, o diretor de carnaval, Márcio Santana, revelou que a obra foi escolhida por detalhes e tem a cara da escola. “Eliminatória é sempre um assunto delicado em escola de samba. Mas, graças ao Papai do Céu, esse ano a gente foi presenteado. Costumo dizer que enredo bom dá em bons sambas. Tivemos 13 obras, todas em condições de competir aqui na quadra. Cinco vieram em toque de semifinal e três seguiram para a final. Uma disputa acirrada, tecnicamente com três grandes obras. Os compositores nos colocaram um problema mesmo para a final, mas um problema positivo, e, por detalhe, a obra de número 90 acabou se sagrando vencedora. Um samba alegre, que contagia e que tem a cara da escola. Sem dúvida nenhuma, vai trazer muita alegria para a gente ao longo de todo esse processo, porque o samba é aquele embrião do qual vamos colher efetivamente os frutos dessa escolha no dia do desfile. Sem dúvida nenhuma, tenho certeza de que teremos bons frutos com essa grande obra”.

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Diretor de carnaval, Márcio Santana

De acordo com Márcio, o fato de a Dragões da Real se reinventar a cada ano é uma das chaves para o sucesso nos carnavais. “A Dragões tem uma característica muito marcante: a de se reinventar a cada carnaval e começar praticamente do zero. E talvez seja isso que dê a jovialidade da nossa escola, a energia para o nosso povo. E, sem dúvida nenhuma, esse enredo traz isso. Uma homenagem que, acima de tudo, traz essa identidade aguerrida da escola. Ele traz a história de um homem vencedor, que é o Reinaldo. Isso é o que vai nos inspirar e nos embalar até o carnaval”.

Sentindo o samba para impor seu ritmo

A partir da escolha do samba-enredo, mestre Klemen revelou como pretende trabalhar o ritmo da bateria dentro da trilha sonora. “O Reinaldo nos proporciona fortes emoções, sambas muito bons e um carnaval da Dragões que está vindo para arrebentar com tudo. Não tem como pensar pequeno quando se fala de um sambista desse tamanho. O processo que eu e minha diretoria sempre pensamos é sentir primeiro o samba na quadra, para identificar onde ele está explodindo e onde precisa de uma bossa, inclusive nos pontos mais fracos. Todo samba tem aquele momento em que precisamos dar uma crescida. Daí nós colocamos uma bossa para ganhar um pouco mais de força. Nos pontos altos, fazemos uma parada ou uma bossa para provocar aquela explosão. Esse é o processo”.

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Mestre Klemen

Questionado sobre uma possível ousadia, Klemen declarou que não é possível fazer muitas mudanças por causa do regulamento. “Por mim, eu faria dez bossas. Mas o nosso regulamento não permite. Ele acaba nivelando o nosso trabalho por baixo. Então, vai ser aquele clichê de fazer dois ou três arranjos e, talvez, um apagão para a nossa comunidade cantar”.

Final disputada e uma ótima música

De acordo com o carnavalesco Jorge Freitas, que chegou à escola em 2022 para trabalhar no Carnaval 2023, esta foi a final mais difícil que presenciou na Dragões da Real. Apesar disso, ele está satisfeito com o resultado. “Pelo menos nos meus anos aqui, foi a final mais difícil. Tivemos três sambas muito fortes na decisão. Na semifinal, já tínhamos deixado pelo caminho obras muito boas, mas acho que o resultado está aí: nossa comunidade cantando firme e mostrando que está realmente comprometida com aquilo que se propõe a fazer. Tenho certeza de que vem aí mais um grande carnaval da Dragões da Real. Estamos desempenhando um trabalho muito bom e, agora, com esse hino tão impactante, que mexeu com toda a nossa comunidade, temos tudo para fazer um grande desfile”.

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Carnavalesco Jorge Freitas

Jorge costuma colocar o conceito da letra do samba-enredo em segundo plano, pois entende que esse aspecto pode ser ajustado. Para ele, o mais importante é ter uma trilha sonora que permita aos componentes cantar e se envolver com a obra. “Todos os sambas estavam de acordo com aquilo que projetamos. Eu sempre falo que a letra você ainda consegue ajustar. O que vale é ter uma música bonita, que seja cantada e tenha momentos realmente impactantes, que mexam com o corpo. Quando você ouve a música e começa a se movimentar, é porque ela está funcionando. Nosso componente está muito feliz. Tenho certeza e afirmo: estamos preparando um grande carnaval e, acima de tudo, uma comunidade muito bem preparada para executar essa obra maravilhosa na avenida”.

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De acordo com o artista, a partir da próxima semana, a escola iniciará o trabalho interno e está confiante na realização de um grande desfile. “Nós temos um calendário a seguir. A partir da próxima semana, já teremos nossas atividades internas. Vocês sabem que a Dragões é uma escola que zela muito pelo trabalho com a sua comunidade dentro da quadra. A partir de agora, com o samba escolhido e o hino que vamos executar na avenida, nossa comunidade está feliz e cantando como nunca. Temos certeza de que vamos iniciar um trabalho muito bom para fazer um grande desfile, executar um grande projeto e proporcionar um espetáculo na avenida”.

Samba popular

O intérprete Emerson Dias elogiou a escolha da obra para o Carnaval 2027. De acordo com o cantor, o samba tem a cara dele, pois é forte e popular. “Achei a escolha acertada. É uma opção de desfile da escola, um desfile alegre, para cima e vibrante. As características desse samba são totalmente voltadas para isso. É um tema que vai ser muito cantado no Anhembi, um tema muito divertido e gostoso de ser executado, porque é de sambista para sambista, é de samba para samba, é do Carnaval para o Reinaldo, Príncipe do Pagode. Então, acho que tem tudo a ver. Para executar o meu trabalho, o samba já me ajuda bastante, porque ele tem as características que eu mais gosto em um samba. Tem uma magia gostosa de cantar, é simples, forte e popular. Acho que o grande segredo dessa música é a popularidade. Vai ser um samba muito fácil de ser assimilado. Para aquele folião que chegar em cima da hora no desfile, dão dois minutos e ele já vai estar cantando, porque a característica é essa”.

Emerson também exaltou o trabalho de Jorge Freitas junto a parte musical e a direção do carro de som. O cantor está entusiasmado com uma boa performance que poderá ter no Anhembi. “Acho que esse é o grande ganho que a gente vai ter. Isso vai facilitar muito o trabalho da ala musical, porque vamos levar muito, através da regência. Apesar de ser um carnavalesco, o Jorge é um regente, e o trabalho de direção do Cicinho vai facilitar demais a nossa execução. Então, ali, juntamente com os meus companheiros, vamos fazer um trabalho maravilhoso neste carnaval de 2027”.

Trabalho em equipe por uma dança de excelência

O mestre-sala Rubens de Castro revelou que já estudava todos os sambas antes mesmo da final e que, na próxima semana, começará o trabalho específico com a obra escolhida. “A proposta minha e da Jéssica veio com uma parte técnica já montada. Agora, com o samba definido, a gente passa a fazer uma leitura desse samba específico. Estávamos estudando todos, para trazer toda nossa criatividade e interpretação, porque nós somos dois personagens. Vamos fazer um grande show para o público do Anhembi, dentro desse samba campeão. É um samba campeão aguerrido! Senti um samba forte, para cima e alegre. Eu sou o rei, eu sou Reinaldo; muito prazer. Quarta-feira começa o nosso estudo em cima desse samba”.

A porta-bandeira Jéssica Gioz contou que o samba será importante para o desenvolvimento da coreografia. “O samba vai nos ajudar muito a fazer a coreografia. A gente já tem algumas coreografias na cabeça, porque já vem estudando desde a semifinal. Quando os sambas foram apresentados, qualquer um dos três estava dentro da proposta. Vai dar show; dar jogo. A gente tem um apoio, uma equipe. Mas a coreografia em si é pensada por mim e pelo Rubens. Fazemos a coreografia e temos essa equipe que avalia, além dos nossos apoios. É uma equipe que trabalha junto, mas a gente não tem um profissional que passa essa coreografia para a gente, não. Vem tudo da nossa criatividade mesmo”.

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Casal Rubens de Castro e Jéssica Gioz

Rubens exaltou o trabalho coletivo, principalmente a participação da porta-bandeira na construção da apresentação. “Nossa bagagem é enorme. Há muitos anos, eu vi a Jéssica pequena, e estamos juntos aqui hoje. Olha o mundo como é. A nossa experiência nos traz meios de criar muita coisa. Como a gente não consegue se ver dançando, nós somos muito ‘pé no chão’ ao trabalharmos em equipe. O Vado deixa a gente fluir, criar e encenar. E, de repente, ele vem como se fosse uma régua, falando: ‘isso aqui está fora do julgamento; isso não está, isso está muito exagerado ou não’. Mas a Jéssica tem um carinho muito especial pelos apoios, e isso é perfeito, porque todo mundo pode dar opinião. Todo mundo ‘tem’ que dar opinião. É um pedido da Jéssica. Todo mundo faz parte da nossa nota! A escola faz parte da nossa nota”.