
O Festival Folclórico de Parintins, que acontece de maneira tradicional no último final de semana do mês de junho, terminou oficialmente nesta segunda-feira, dia 29, com a apuração que sacramentou a vitória do Boi-bumbá Caprichoso. Com o tema “Brinquedo que canta seu chão”, o boi azul conquistou sua vigésima sétima estrela, contra 33 do Boi-bumbá Garantido.
Antes de iniciarmos possíveis comparações entre o Festival e os carnavais do Brasil, independente das praças, é preciso compreender a disputa dos bois-bumbás como algo pertencente a cultura local, que movimenta de maneira integral a economia da cidade e atrai cerca de 120 mil turistas nas três noites de competição.
Apesar de terem sido fundados em 1913, a disputa de boi surge oficialmente em 1966 com o objetivo de arrecadar fundos para construção da Catedral de Nossa Senhora do Carmo, padroeira de Parintins. Em 1975 a prefeitura assume a organização da disputa. Mais tarde, em 1988, o Bumbódromo, palco onde o festival acontece até hoje, é inaugurado.
Principais diferenças entre Festival de Parintins X Carnaval
Enquanto no carnaval as agremiações são julgadas em 9 quesitos, no festival os dois bois são avaliados em 21 itens: apresentador, levantador de toadas, marujada/batucada, ritual indígena, porta-estandarte, amo do boi, sinhazinha da fazenda, rainha do folclore, cunhã-poranga, boi-bumbá (evolução), toada, pajé, povos indígenas, tuxauas, figura típica regional, alegorias, lenda amazônica, vaqueirada, galera, coreografia e organização do conjunto folclórico.
Um detalhe importante, e que precisa ser destacado, é a ‘administração’ do bumbódromo durante cada apresentação dos bois. Enquanto o Caprichoso se apresenta, toda estrutura do palco é gerida pela equipe contratada do próprio boi. Ou seja, de luzes a iluminação cênica, passando pelas projeções holográficas, tudo é controlado por um profissional contratado, ciente da importância da sua função para que determinados itens alcancem a nota máxima. O mesmo acontece nas apresentações do boi Garantido.
Neste ano, o boi vermelho sofreu inúmeras críticas quanto ao som nas apresentações. As justificativas divulgadas escancararam o problema e ficou provado que uma boa técnica, também é crucial para vencer um campeonato.
Iluminação cênica bem usada é essencial para um grande espetáculo
Gargalo nos últimos anos no Carnaval do Rio de Janeiro, a iluminação cênica parece estar mais para solução do que para problema no Festival de Parintins.

Os bois parecem já ter compreendido que a iluminação faz parte do espetáculo principalmente naquilo que fazem de melhor: o efeito de ilusionismo. O bumbódromo possui 140 metros de comprimento e 60 metros de largura, totalizando 8.400 m2. Um espaço consideravelmente grande para múltiplas apresentações de itens. Os artistas realizam um efeito muito comum utilizado por grandes ilusionistas, fazem o espectador olhar exatamente para onde eles querem, enquanto a pouquíssimos metros dali, uma alegoria de 30 metros de altura está sendo montada para apresentação. A iluminação é essencial para que o efeito aconteça. O ‘breu’, escuridão total, parece não ser bem-vindo. Sempre há algo bem iluminado.
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Outro detalhe importante no assunto iluminação, é a utilização forte das cores em neon, muito tradicional nas alegorias do atual campeão, Caprichoso. Mesmo quando há a necessidade de pouca luz, as alegorias ainda sobressaem com suas cores vivas, somadas aos leds, efeitos de fumaça e chuva de prata que estão frequentemente sendo disparadas.
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Artistas Parintinenses adaptam suas técnicas quando ‘migram’ para o Carnaval
No festival de Parintins as alegorias chegam aos seus 30 metros de altura e são montadas em módulos. Que entram, se posicionam e somente dentro da arena, são vistos de forma completa, como foram idealizados. Algo que difere bastante dos desfiles de escola de samba é a simetria. Enquanto Parintins parece não se preocupar muito com certos “exageros”, como um pescoço ou outro maior que o tradicional, no espetáculo do carnaval isso é canetado sem muita parcimônia pelos jurados.
Uma coisa já dita há mais tempo pelo Capixabices e pelo Carnavalesco sobre os carnavais do Rio de Janeiro, São Paulo e Espírito Santo, é de que é impossível sacramentar uma escola campeã através das lentes da emissora de transmissão do desfile. O carnaval acontece enquanto a TV te mostra aquilo que ela acha que você quer ver naquela hora. Equalização de áudio, cor, corte de câmera, consegue transformar um desfile 9,8 em nota 10, se bem dirigido.
No Festival de Parintins não é diferente. O que a emissora mostra não é 50% do que está acontecendo para além de onde o foco da câmera está. Num espetáculo que é estático e que gira o tempo inteiro, vê-lo in loco é essencial para compreender a dimensão daquilo que está sendo apresentado.
Conteúdo colaborativo entre CARNAVALESCO e Capixabices, durante a cobertura do Festival de Parintins 2026.









