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Entrevistão: Depois de superar um susto no coração, Marquinho Art’Samba encontra na Tijuca a virada da própria história

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Foto: Marcos Marinho/CARNAVALESCO

Há sambas que chegam na hora certa. Foi o que aconteceu com Marquinho Art’Samba quando ouviu, pela primeira vez, o refrão que a Unidos da Tijuca levaria para a Sapucaí em 2026. Intérprete de um dos mais aclamados sambas da Estação Primeira de Mangueira, Marquinho encontrou no samba da Tijuca deste ano uma metáfora para a própria vida. Depois de superar um problema sério de saúde, vive um momento de virada de chave pessoal e celebra a oportunidade de seguir construindo sua carreira como intérprete oficial, enquanto acompanha, com orgulho, o filho trilhar o mesmo caminho como intérprete de apoio do Império Serrano. Nesta edição do “Entrevistão”, Marquinho fala sobre tudo isso: a saúde, a carreira e o que significa, ainda hoje, ter fome de provar seu valor no samba.

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Hoje, você está no Especial, mas recentemente no nosso prêmio cantou com seu filho, que é do Império Serrano. O que sentiu naquele momento? E fica feliz se ele seguir a carreira?

Marquinho Art’Samba: A gente fica muito feliz e, ao mesmo tempo, preocupado. Porque a minha chegada até aqui foi uma chegada muito árdua. Quando a gente vem de família que já é do meio, as coisas ficam um pouco mais facilitadas; quando não vem, é diferente. Minha preocupação, com relação ao meu filho, é justamente para ele não passar o que eu passei. Para que, amanhã, se ele receber um “não” e ficar frustrado com alguma coisa, ele não desista. É muito bacana ver o meu primogênito seguindo o mesmo passo do pai, ainda mais hoje, com o mundo tão violento, está tão difícil criar um filho. E, graças a Deus, acho que o mais importante é que eu já criei um homem: ele já está com 24 anos, casado, já me deu uma neta. Isso é muito legal.

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Você cantou Mangueira 2019. É o samba da sua vida? O que foi aquele ano?

Marquinho Art’Samba: Costumo dizer que todas as escolas por onde passei têm os seus momentos. Desde criança, sempre dizia que um dia seria o cantor da Mangueira, por ser a escola de samba da minha família. Muita gente não acreditava nisso. Quando cheguei lá e, logo no primeiro ano, fomos campeões com um samba que, pra mim, é um dos mais importantes da Estação Primeira de Mangueira, um dos dez sambas mais importantes da escola, fico muito grato por isso, e por ter ficado nessa história da Estação Primeira.

O que sentia quando ouvia dos mangueirense que tinha a voz parecida com Jamelão?

Marquinho Art’Samba: Até hoje, já vou para o meu segundo ano de Tijuca, o mangueirense ainda não assimila me ver cantando em outra escola. Dá aquele saudosismo neles. Acho isso legal, mas já passou. E quando falam que tenho uma voz parecida com a do Jamelão, a sensação é a melhor possível. Poxa, ser comparado ao mestre… Costumo dizer que o Jamelão é o Pelé do samba. Não sei se ele gostaria de ser chamado assim, se estivesse aqui, mas ele é o nosso mestre do samba.

Você foi cantor da Unidos de Padre Miguel e viu a escola sofrer e não subir. O slogan dela é que lá se aprende a amar o samba. Aquela escola é diferente?

Maquinho Art’Samba: A UPM foi a escola que me projetou para o mundo do carnaval. Até então eu tinha passado por outras escolas, mas como cantor de apoio. Quando a UPM me deu a oportunidade de ser cantor oficial, de 2012 para 2013, ela ainda estava no Grupo B. Fiquei 2013, 2014, 2015. O carnaval em que acho que a UPM merecia mais foi o de 2015, com o enredo de Ariano Suassuna. A escola ganhou praticamente todos os prêmios daquele ano; só não ganhou o desfile. Também acho que merecia o de 2017, mas eu já não estava mais lá. O carinho que tenho por essa escola é grandioso. Sou grato a tudo.

Você cantou Zezé e Luciano na Imperatriz. Um samba maravilhoso. Por aqui o desfile não aconteceu?

Marquinho Art’Samba: Talvez, se fosse hoje, fosse diferente. Hoje enxergo a Imperatriz com mais pulso, com mais vontade. Aquele carnaval de 2016 tinha tudo para ser arrebatador, inclusive pelo samba: foi um sambaço. Acho que, naquela época, a Imperatriz não tinha o pulso que tem hoje. Faltou isso. Hoje a escola está mais aguerrida, mais próxima da comunidade. Embora tenha ficado em sexto lugar naquele ano, se fosse com o pulso de hoje, a Imperatriz brigaria muito firme lá em cima pelo título.

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Agora chegando aqui na Tijuca: o que você sentiu quando recebeu o convite do presidente Fernando Horta para vir pra cá?

Maquinho Art’Samba: Quando o Fernando Horta me ligou, eu estava dirigindo. O telefone tocou e apareceu o emblema da Tijuca no WhatsApp. Fiquei tenso, encostei o carro e atendi. Era ele: “Marquinho, queria bater um papo, almoçar com você amanhã. Dá pra ser?”. Eu falei: “Claro, seu filho, dá pra ser. Qual o horário?”. A conversa durou uns 20 minutos; o resto foi ele contando da vida dele, da passagem pelo Vasco, de como chegou na Tijuca. É um presidente muito presente, que sabe de tudo o que acontece na escola. E tem uma coisa que eu nunca comentei com ninguém: ele não me perguntou sobre o meu problema de saúde, que foi muito grave. Ele simplesmente confiou: “vamos trabalhar”. Isso me toca muito. Sou muito grato a ele por ter confiado em mim e no meu trabalho. Hoje estou muito feliz nessa escola. Já recebi outras propostas, mas não penso em sair daqui.

Quando essa ligação aconteceu, você ainda estava na Mangueira, ou já tinha saído?

Marquinho Art’Samba: Já tinha saído, e estava quase fechando com a Barroca Zona Sul, em São Paulo. Quase, quase. Mas Deus disse assim: ‘dá uma segurada aí, encosta o carro aí, ainda tem coisa pra você aqui, o teu momento no Rio de Janeiro não acabou não’. E não acabou mesmo. Sou muito grato a essa escola. Hoje ser abraçado por toda a comunidade, por todo o Borel, só me dá a responsabilidade de trabalhar cada vez mais e de me cuidar.

E como está a saúde agora?

Marquinho Art’Samba: Graças a Deus, estabilizada. Voltei a ser um garoto. Acho que, a partir do momento em que você leva uma porrada dessas, você entende que precisa se cuidar. E hoje, graças a Deus, estou bem. Todo mundo sabe que tenho um problema no coração, insuficiência cardíaca, mas hoje é uma coisa bem acompanhada… tenho um médico que é um dos maiores cardiologistas do Brasil. Estou na mão dele e faço tudo que ele determina. Não bebo mais, já tem quatro anos. As pessoas acham que só dei um tempo, mas não: o guerreiro não para, o guerreiro dá um tempo (Risos). Cumpro tudo que o médico determina. Meu grande sentido é a minha família, em primeiro lugar, e depois é a minha carreira. Tomo os remédios todo santo dia, faço fono, aula de canto, cuido da alimentação e do horário de dormir. Isso está me ajudando muito, hoje levo uma vida normal.

Sua equipe de música tem duas mulheres e os cantores estão cada vez mais abertos. Qual sua análise do trabalho delas e acredita que o sucesso da Jéssica na Beija-Flor vai ajudar outras mulheres?

Marquinho Art’Samba: Antes da Jéssica teve a Grazzi [Brasil], de quem as pessoas falam pouco. E antes da Grazzi, lá atrás, teve a Elza Soares e a Surica. Aqui na Tijuca teve a Wic [Tavares] que também foi cantora oficial. Elas estão aí chegando, invadindo mesmo, e acho isso muito bacana. A Lissandra é muito minha amiga, de muitos anos. Eu não prendo as pessoas que trabalham comigo; coloco todo mundo para aparecer, porque fizeram isso comigo também. Para que todo mundo entre na vitrine, apareça e siga o seu caminho… e me deixar aqui na Tijuca (Risos).

Em 2026, você canta o samba “Muda essa história” aqui na Tijuca. Muitas vezes você ficou emocionado nos ensaios. Como foi esse processo todo?

Marquinho Art’Samba: Olha, o samba de 2019 foi o meu primeiro ano de Mangueira, com toda aquela potência que todo mundo conhece; fiquei muito emocionado com aquele samba. O de 2026 foi um samba que, por tudo que passei na Mangueira, me fez ver ali também a possibilidade de mudar a minha própria história. Os compositores sempre mandam o samba pronto para a gente ouvir. De cara, quando veio o trecho “muda essa história, Tijuca, tira do meu verso a força pra vencer, reconheço seu lugar e luta, esse é o nosso jeito de viver”, comecei a chorar. Eu sou muito emocionado com esse samba. Posso dizer que foi o samba mais importante da minha vida até agora, porque foi a virada de chave. Não é só a mudança da história da escola: ali também estava mudando a minha história.

O que mudou pra você, pessoalmente, como artista e como sambista, depois de ter cantado esse samba e vindo pra Tijuca?

Marquinho Art’Samba: Voltar a acreditar no meu trabalho de novo. Não tenho vergonha de dizer que passei três anos na Mangueira dividindo o carro de som com outra pessoa, o Dowglas [Diniz], que eu adoro, isso não tem nada a ver com ele, mas eu podia ter sido um pouco mais olhado pela história. Quando venho para uma escola grandiosa como a Tijuca, é aquela sensação de que ainda tenho muito para contribuir com o carnaval. A gente não tem que provar nada pra ninguém, mas esse samba era uma coisa minha, do meu interior. E agora, no ano que vem, é fazer valer; porque a gente tem que estar sempre se provando. Já retomei as aulas de canto, o trabalho de fono, tudo de novo. 2027 já começou.

É fácil cantar com uma bateria como a da Tijuca? Como a bateria do mestre Casagrande ajuda no seu trabalho?

Marquinho Art’Samba: É uma bateria para cantor, porque tem cadência o tempo inteiro. Foi o que entendi logo de cara, embora já conhecesse a bateria do Casão há muitos anos sem tê-la vivido de dentro. No meu primeiro ensaio já comecei a entender isso, e veio um samba maravilhoso… aí foi mamão com açúcar, um casamento perfeito. E esse casamento também é a relação entre as pessoas; o ritmista olhar para o cantor e acreditar nele. Vi muito isso vindo dos ritmistas da escola, me abraçando também, sem falar do Casão e da diretoria. Foi muito legal.

Hoje existe uma rotina de cuidado da voz. Como é o seu ritmo pra aguentar essa maratona do carnaval?

Marquinho Art’Samba: Depois do carnaval a gente relaxa um pouco, porque não é o tempo todo naquela cobrança. Por incrível que pareça, já voltei para a fono e para as aulas de canto. Sou muito rígido e cumpridor do meu dever com médico, fono e aula de canto. E o resultado está sendo maravilhoso.

Você sente que os intérpretes estão mais valorizados hoje? O que pensa da análise de Harmonia estar em vocês?

Marquinho Art’Samba: Acho que, à medida que o carnaval vai tomando outro rumo, todos os setores (intérprete, carnavalesco, coreógrafo) precisam se profissionalizar mais. Hoje o quesito harmonia está muito em cima do carro de som, então a tendência é essa valorização crescer a cada ano, com mais profissionais envolvidos. Hoje, no carnaval, não cabe mais o cantor desleixado, bêbado, cantando mal. Temos que estar sempre atentos e trabalhando para continuar no páreo.

E sobre o peso do carro de som no quesito Harmonia?

Marquinho Art’Samba: É uma boa solução, mas acho que, por ser o lado artístico da escola de samba, a avaliação deveria ser um pouco mais livre. É só por isso.

Para fechar, qual é a sua análise do novo sistema de som da Sapucaí?

Marquinho Art’Samba: A melhor possível. É um sistema que valoriza o cantor. Podemos cantar em qualquer parte da avenida, com a bateria a 100 metros de distância e ainda assim trazê-la pra perto de você pelo fone. Pra mim, foi a melhor coisa que o Gabriel [David, presidente da Liesa], junto com a equipe, colocou. No início ficamos receosos, mas já no mini-desfile percebemos que o negócio ia funcionar, e deu certo. Não tem volta. Foi um presente para os cantores.

Arranco promove mudanças para o Carnaval 2027: saída de carnavalesco e chegada de nova madrinha

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Foto: Divulgação/Arranco

O Arranco do Engenho de Dentro anunciou duas importantes novidades para o projeto do Carnaval 2027. A primeira delas é a saída do carnavalesco André Tabuquine, que dividia com Driko Rodrigues o desenvolvimento artístico do desfile da escola. A segunda é a chegada de Tatiana Breia como nova madrinha da agremiação. Em comunicado oficial, a direção informou que André Tabuquine optou por encerrar sua passagem pela escola, decisão tomada em comum acordo durante a preparação do próximo desfile.

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“A presidenta Dina Santos, a vice-presidenta Tatiana Santos e toda a comunidade do Arranco agradecem pela dedicação no período de trabalho em que esteve conosco. Desejamos sucesso em seus próximos trabalhos”, destacou a nota divulgada pela agremiação.

Apesar da mudança na equipe artística, o Arranco reforçou que o planejamento para o Carnaval 2027 segue normalmente. O próximo compromisso da escola será o lançamento oficial do enredo, marcado para o dia 12 de julho, durante a tradicional feijoada da agremiação.

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Além da novidade nos bastidores, o Arranco também oficializou a chegada de Tatiana Breia como madrinha para o Carnaval 2027. Conhecida no meio carnavalesco como “Musa da Educação”, ela acumula passagens de destaque pela Marquês de Sapucaí e construiu uma trajetória marcada pela atuação no samba, aliando elegância, carisma e dedicação à cultura popular.

Ao anunciar a novidade, a escola destacou as qualidades da nova representante. “Conhecida como a Musa da Educação, Tati construiu uma trajetória marcada pela elegância, carisma e amor ao carnaval. Com passagens de destaque pela Marquês de Sapucaí e presença constante no universo do samba, ela leva para a avenida a força de quem acredita na cultura como instrumento de transformação”.

O Arranco também ressaltou que a energia, o comprometimento e o respeito de Tatiana Breia pela festa fizeram dela o nome escolhido para representar a escola neste novo ciclo. “Seja muito bem-vinda à sua nova casa! Que essa caminhada seja repleta de emoção, conquistas e momentos inesquecíveis rumo ao Carnaval 2027. O Arranco te recebe de braços abertos, Tati!”, concluiu a agremiação.

Mangueira promove aula aberta de dança afro com foco em movimento, cultura e bem-estar

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Foto: Divulgação/Mangueira

A Estação Primeira de Mangueira realiza, no sábado, às 10h, uma aula aberta de dança afro intitulada “Oyá em Movimento”, na quadra da escola. A atividade será conduzida pelo professor Fábio Batista e convida o público a vivenciar a dança afro como expressão artística, cultural e de conexão com o corpo, em uma experiência inspirada no universo do enredo da Verde e Rosa para o Carnaval de 2027. A oficina é aberta ao público e propõe uma imersão nos movimentos e na ancestralidade das danças de matriz africana, valorizando a cultura afro-brasileira por meio da prática corporal. Para participar, a organização orienta que os inscritos utilizem roupas leves e com elasticidade, proporcionando mais conforto durante a atividade.

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“O projeto ‘Oyá em Movimento’ amplia o diálogo do enredo para além da avenida, permitindo que o público vivencie, por meio da dança, a força, a espiritualidade e a ancestralidade que inspiram o Carnaval 2027 da Mangueira. É uma oportunidade de celebrar nossa cultura e fortalecer os laços entre a escola e a comunidade”, ressalta Fábio Batista, instrutor da oficina e diretor da Cia Clanm.

Os interessados em participar da oficina podem realizar as inscrições previamente por meio do formulário on line disponível na bio do Instagram oficial da Mangueira. Também haverá possibilidade de inscrição presencial, na quadra da escola, até 15 minutos antes do início da aula, mediante disponibilidade de vagas.

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A iniciativa integra as ações culturais e de preparação da Estação Primeira de Mangueira para o Carnaval de 2027, aproximando a comunidade e o público em geral do universo do enredo “Oyá por Nós” por meio de experiências que unem arte, tradição, conhecimento e participação coletiva.

“A dança é uma das formas mais potentes de preservar e transmitir a nossa ancestralidade. Com essa aula aberta, queremos proporcionar uma experiência de conexão com a cultura afro-brasileira, valorizando os saberes que inspiram o nosso enredo e convidando a comunidade a vivenciar esse movimento de forma coletiva, acolhedora e transformadora”, destaca Sidnei França, carnavalesco da escola.

Ele ainda reforça que, além da dimensão estética presente nas alegorias e fantasias, o enredo “Oyá por Nós” também se expressa por meio da corporeidade. A proposta amplia a compreensão do Carnaval como uma manifestação que atravessa os corpos, valorizando a dança, o movimento e a ancestralidade como elementos fundamentais da narrativa construída pela Escola.

“Quando pensamos o enredo, é comum que ele seja associado apenas à plasticidade das alegorias e das fantasias. Mas também se manifesta nos corpos, no movimento e na forma como cada pessoa expressa essa narrativa. Essa perspectiva dialoga diretamente com o pensamento afro-brasileiro e com a tradição do candomblé, em que o corpo é um espaço de manifestação e de ancestralidade. É uma dimensão mais sutil, mas absolutamente fundamental para compreender a força e a profundidade de ‘Oyá por Nós’”, finaliza o carnavalesco Sidnei França.

Beija-Flor abre espaço para o Pará e coloca Belém na corrida pelo samba campeão

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Foto: Divulgação/Beija-Flor

A Beija-Flor de Nilópolis promoverá uma etapa do concurso de samba-enredo em Belém do Pará. A iniciativa reforça a conexão da escola com o estado que inspira o enredo de 2027, em homenagem à pajé Zeneida Lima. Cada escola de samba paraense filiada à ESA (Escolas de Samba Associadas) poderá indicar um samba para a disputa. A escolha dos sambas de Belém será realizada no dia 15 de agosto, com a classificação de até dois sambas. As obras selecionadas serão incorporadas à disputa geral no Rio de Janeiro e concorrerão com as demais na fase semifinal, marcada para 3 de setembro.

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Assim como acontece no Rio, os compositores paraenses terão acesso a encontros de esclarecimento com a equipe de enredistas da Beija-Flor. O objetivo é oferecer todo o suporte necessário para que as obras contem, com fidelidade e sensibilidade, a trajetória da homenageada. O diretor de Carnaval da Beija-Flor, Marco Antônio Marino, destaca que o calendário foi estruturado para garantir igualdade de condições entre os compositores de Belém e do Rio de Janeiro. Ele afirma que a proposta é assegurar o mesmo tempo de desenvolvimento das obras, além de acesso às informações e acompanhamento da equipe de enredo.

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Já o presidente da Beija-Flor, Almir Reis, afirma que realizar uma etapa do concurso em Belém é uma forma de valorizar os compositores locais e aproximar ainda mais a escola da cultura paraense. “É fundamental levar essa disputa para Belém, pois teremos a oportunidade de ouvir os poetas locais, que conhecem de perto a realidade, a cultura e o cotidiano vividos por nossa homenageada, Zeneida Lima. Essa participação certamente enriquecerá ainda mais o processo de escolha do nosso samba-enredo”, afirma o presidente.

No Carnaval de 2027, a Beija-Flor de Nilópolis levará para a Marquês de Sapucaí um enredo em homenagem à pajé Zeneida Lima, uma das maiores referências da cultura e da espiritualidade amazônica. A escola será a segunda a desfilar no domingo de Carnaval, levando para a Avenida uma celebração da ancestralidade, dos saberes tradicionais e da riqueza cultural da Amazônia.

Festa Junina da Acadêmicos do Tucuruvi encanta público com samba, quadrilhas e gastronomia

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Fotos: Renato Cipriano/Divulgação Tucuruvi

A quadra da Acadêmicos do Tucuruvi, localizada na Zona Norte da capital paulista, foi palco de uma grande celebração no último domingo, durante a tradicional Festa Junina da agremiação. O evento reuniu integrantes, torcedores, moradores da região e convidados especiais em um dia repleto de música, gastronomia, cultura popular e muita diversão. Conhecida carinhosamente como Arraiá do Zaca, a celebração contou com uma programação diversificada que agradou públicos de todas as idades. Um dos pontos altos foi o animado show sertanejo ao vivo, que colocou o público para cantar e dançar ao longo da tarde.

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A festa também teve o ritmo contagiante da bateria “Zaca”, comandada pelo mestre Serginho, que levantou os presentes com muito samba e energia, mostrando que o espírito carnavalesco também combina perfeitamente com as tradições juninas.

Outro momento bastante aguardado foi a grande competição de quadrilhas entre os diversos setores da escola. Com muita criatividade, figurinos caprichados e coreografias bem ensaiadas, os grupos deram um verdadeiro espetáculo, disputando voto a voto o título da melhor quadrilha da edição. Os vencedores receberam um troféu e um grandioso cheque simbólico, representando a premiação em dinheiro, arrancando aplausos e muita comemoração.

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Como toda boa festa junina, a gastronomia também foi protagonista. As barracas ofereceram uma grande variedade de comidas típicas, com delícias para todos os gostos, entre elas milho-verde, pamonha, canjica, curau, bolo de fubá, arroz-doce, cachorro-quente, espetinhos, doces típicos e muitas outras opções que fizeram sucesso entre os visitantes.

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Entre as personalidades da escola que prestigiaram o evento, um dos destaques ficou por conta da rainha de bateria, Carla Prata. Esbanjando simpatia e elegância, ela chegou radiante usando um look exclusivo, especialmente desenvolvido para a ocasião, chamando a atenção dos presentes e sendo bastante fotografada ao longo da festa, sempre demonstrando sintonia e carisma com toda a comunidade.

À frente dos ritmistas da tradicional Bateria do Zaca rumo ao quinto ano consecutivo, Carla é considerada a primeira rainha de bateria com uma doença rara, tendo sido diagnosticada com miastenia gravis (MG), uma doença neurológica autoimune, rara e incurável. A condição afeta a comunicação entre os nervos e os músculos, impedindo a contração muscular normal e causando episódios severos de fraqueza e paralisia.

Outra beldade que também chamou atenção foi a musa fitness Isis Camargo, que consolidou-se como um dos grandes símbolos de sofisticação, performance e influência da nova temporada. Sua passagem pela quadra da Tucuruvi traduziu mais do que beleza: revelou disciplina, estética refinada, força cênica e identidade — atributos que definem a nova geração de musas do carnaval brasileiro.

Com silhueta esculpida pelo rigor do treino e uma presença magnética que une moda, arte e lifestyle saudável, Isis representa uma imagem contemporânea de luxo: a da mulher que constrói sua própria excelência.

“É uma alegria enorme ver nossa quadra cheia de famílias, componentes e amigos da Tucuruvi celebrando juntos. O Arraiá do Zaca já faz parte da nossa história e reforça o compromisso da escola em manter viva a cultura popular e fortalecer os laços com a comunidade durante todo o ano”, diz Rodrigo Delduque, atual presidente da agremiação, que ainda completou: “Ver a participação de todos os nossos segmentos nas barracas, além de todos juntos brincando nas quadrilhas e de tantas famílias prestigiando o evento, nos enche de orgulho. A escola vive o carnaval, mas também tem um importante papel social e cultural, mantendo suas portas abertas para eventos que aproximam ainda mais a comunidade.”

Mais do que uma celebração típica, a Festa Junina da Acadêmicos do Tucuruvi reforçou o espírito de união da comunidade e a forte ligação da escola com seus componentes e simpatizantes. Com música, dança, tradição e muita alegria, o evento consolidou mais uma edição de sucesso, deixando o público já na expectativa para a próxima festa promovida pela agremiação.

Para o carnaval de 2027, a Acadêmicos do Tucuruvi levará ao Sambódromo do Anhembi o enredo “Ogbódirin, Ògbóni”, assinado pelo enredista Cleiton Almeida e pelo carnavalesco Nícolas Gonçalves, uma saudação à fraternidade iorubá Ògbóni, cuja percepção de mundo pode ser traduzida no lema “Ogbódirin”, que significa “envelhecer e continuar forte como ferro”.

Portela realiza sua tradicional feijoada neste sábado com show de Délcio Luiz

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Foto: Léo Nogueira/Divulgação Portela

A Portela realiza, neste sábado, mais uma edição da tradicional Feijoada da Família Portelense, na quadra da escola, em Oswaldo Cruz. A programação terá show de Délcio Luiz, atrações musicais e apresentação dos segmentos da azul e branca. Os ingressos e mesas estão disponíveis pelo site Meu Bilhete. O público também poderá visitar a exposição “Contos de Norival Reis”, promovida pelo Departamento Cultural da Portela em homenagem ao compositor e um dos autores do samba-enredo “Contos de Areia”, de 1984, um dos mais marcantes da história da azul e branca.

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A exposição apresenta fotos, documentos e curiosidades sobre a trajetória de Norival Reis e destaca também outros sucessos de sua coautoria, como Ilu Ayê, a Terra da Vida (1972), Macunaíma, Herói de Nossa Gente (1975) e Hoje Tem Marmelada (1980).

A programação musical da feijoada terá como atração principal o cantor e compositor Délcio Luiz, um dos grandes nomes do samba e do pagode nacional. A abertura ficará por conta de Leonardo Bessa. O evento também conta com apresentações da Velha Guarda Show e do elenco da Portela, reunindo sambistas e torcedores da Majestade do Samba em uma grande celebração da cultura portelense.

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Em 2027, a Portela levará para a Avenida o enredo “Ao Mestre, com Carinho”, do carnavalesco Paulo Barros, que homenageará o baluarte Monarco. A escola será a primeira a desfilar na terça-feira de Carnaval em busca do 23º título de sua história.

É ela! Bellinha Delfim é a nova rainha de bateria da Viradouro

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Foto: Divulgação/Viradouro

A Unidos do Viradouro anunciou, nesta quarta-feira, Belinha Delfim como a nova rainha de bateria da “Furacão Vermelho e Branco”. O anúncio foi feito pelas redes sociais da escola e marca o início de um novo ciclo para a agremiação de Niterói rumo ao Carnaval de 2027. Após uma trajetória de destaque na vermelho e branco, ela assume um dos cargos mais simbólicos do carnaval carioca. Reconhecida pelo samba no pé, pela elegância e pela forte ligação com a comunidade, a sambista sucede Juliana Paes. A festa de coroação da rainha Bellinha Delfim está prevista para 25 de julho.

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A escolha de Belinha era aguardada por grande parte dos torcedores da Viradouro. Desde a despedida de Juliana, o nome da musa aparecia entre os favoritos para comandar a “Furacão Vermelho e Branco”, graças à sua dedicação à escola e à presença marcante nos desfiles e ensaios.

Em publicação nas redes sociais, a Viradouro oficializou a chegada da nova rainha, celebrando a continuidade de uma história construída dentro da própria agremiação. A coroação representa o reconhecimento de uma trajetória de amor ao pavilhão e de compromisso com a comunidade. Emocionada, Belinha Delfim inicia uma nova etapa em sua caminhada no carnaval, agora à frente da bateria comandada pelo mestre Ciça. A expectativa é de que sua estreia como rainha de bateria seja um dos momentos mais aguardados da preparação da escola para o próximo desfile na Marquês de Sapucaí.

Com a nomeação, a Viradouro reforça sua aposta na valorização de quem construiu sua história dentro da escola. Mais do que uma mudança de posto, a escolha de Belinha simboliza a continuidade de uma tradição pautada pelo samba e pela paixão pela vermelho e branco.

Sobre Bellinha Delfim

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Foto: Divulgação/Viradouro

Bellinha Delfim, 29 anos, estreou na Unidos do Viradouro em 2019, como passista. Em 2022, passou a integrar o time de musas da atual campeã do carnaval carioca. Ex-corredora de atletismo, Bellinha é mãe de Mel, de três anos. Formada em dança, Bellinha também é CEO e estilista de sua própria marca de figurinos, a Delfim Atelier, tendo assinado criações para artistas consagradas como as cantoras Alcione e Anitta. Desde março deste ano, faz parte do corpo de baile do quadro “Batalha do Lip Sync”, do Domingão com Huck, da TV Globo.

‘Vamos continuar fazendo desta escola uma máquina de desfilar’, afirma Marcelinho Calil nos 80 anos da Viradouro

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Foto: CARNAVALESCO

O presidente da Unidos do Viradouro, Marcelinho Calil, fez um dos discursos mais emocionantes da festa em comemoração aos 80 anos da escola, realizada no último sábado, na quadra da agremiação, em Niterói. Diante da comunidade e dos profissionais que ajudaram a construir a trajetória recente da vermelho e branco, o dirigente relembrou as dificuldades encontradas quando assumiu a escola com seu pai, o presidente de honra, Marcelão Calil, destacou a força do trabalho coletivo e reafirmou o compromisso de manter a Viradouro entre as grandes potências do varnaval. Em uma fala carregada de emoção, ele ressaltou que a reconstrução da escola foi resultado de muito planejamento, dedicação e inúmeras noites de trabalho em busca de soluções para tornar a Viradouro cada vez mais competitiva.

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“A gente sempre primou pelo coletivo. Quando chegamos na escola, a situação era lastimável. Só a gente sabe de tudo o que passamos. Perdi ou ganhei muitas noites pensando em como construir os carnavais que fizemos. Tentando tirar o coelho da cartola. O que a Viradouro poderia fazer diferente. Sonhando. Acordando cedo e trabalhando muito para conquistar tudo que conquistamos. Quebramos muitos recordes e marcas nesse caminho. Com muito suor fomos conquistando tudo o que estamos colhendo hoje”, declarou.

Um dos momentos mais simbólicos da cerimônia aconteceu quando o presidente convidou toda a equipe responsável pelo Carnaval 2027 para subir ao palco. Segundo ele, o gesto representava o reconhecimento àqueles que participaram diretamente da transformação da Viradouro em uma das principais referências do carnaval carioca.

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“Ao longo desse trajeto foram decisões muito difíceis. Fizemos tudo do fundo do nosso coração pelo melhor para a Viradouro. Chamei toda a equipe ao palco para que entendam de onde a escola saiu e onde ela chegou. Isso é fruto do trabalho de vocês. Ralamos muito e não pretendo sair desse lugar”, afirmou, sendo bastante aplaudido pelo público.

Durante o discurso, Marcelinho também fez questão de prestar homenagem ao pai (Marcelão Calil) e ao saudoso Monassa, personagens fundamentais na história da agremiação, além de agradecer à comunidade e a todos os profissionais que contribuíram para o crescimento da escola nos últimos anos.

“Agradecer ao meu pai, ao Monassa, que não está entre nós, mas é um protagonista da história dessa escola, além de agradecer à comunidade e aos profissionais da Viradouro”, disse.

Encerrando sua fala, o presidente reforçou que o maior objetivo da atual gestão é preservar o legado construído e manter a escola disputando os primeiros lugares na Marquês de Sapucaí.

“O sentimento é de dar continuidade a tudo que essa escola construiu. Vamos continuar disputando e botando projetos maravilhosos na Avenida, tendo essa força competitiva que temos. Meu pedido é que a gente continue fazendo dessa escola uma máquina de desfilar”, concluiu.

Ouvidos atentos e coração salgueirense: As metas de Dudu Botelho como novo vice-presidente

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Fotos: Mariana Santos/CARNAVALESCO

Em uma conversa com o CARNAVALESCO, Dudu Botelho, eleito vice-presidente Academia do Samba, compartilhou a profunda emoção e os novos desafios ao assumir o cargo. Com uma trajetória marcada pelo sucesso na ala de compositores, ele agora transita do papel de criador para o de gestor, mantendo o mesmo objetivo que o guiou durante anos: a busca incessante pela vitória. Para o  sambista, o cargo é mais do que uma posição administrativa; é o reconhecimento de uma vida inteira dedicada ao pavilhão vermelho e branco.

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“Representa uma emoção muito grande, porque, querendo ou não, tem a história da minha vida aí, um pouco do reconhecimento do amor que eu dediquei a essa escola”, afirmou o dirigente.

Dudu vê essa nova etapa como a continuidade de um sonho. Se antes sua obsessão era conquistar o 10º título do Salgueiro no Grupo Especial como compositor, agora o foco se expande para o sucesso coletivo de toda a agremiação.

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“Eu persegui o 10º título como compositor e agora eu vou perseguir como vice-presidente. Esse é o grande objetivo”, declarou.

Gestão de ouvidos atentos à comunidade

Questionado sobre o que o salgueirense pode esperar de sua gestão, Dudu Botelho destacou que sua principal promessa é a proximidade e a escuta ativa. Em um momento onde o diálogo com a comunidade é fundamental, o vice-presidente se coloca como uma ponte para as demandas dos componentes.

“O que eu quero prometer ao salgueirense é alguém que está com o ouvido muito atento para poder ouvir demandas, poder estudar o que dá e o que não dá para melhorar”, explicou. Para ele, a união de propósitos é a chave, acreditando que todos que amam o Salgueiro de verdade compartilham o mesmo objetivo final.

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Embora tenha construído sua fama através dos sambas-enredo, Dudu deixou claro que sua função em relação à trilha sonora da escola mudou. Ao ser provocado sobre como garantir um “sambaço” para o próximo carnaval, ele respondeu com bom humor e confiança na sua “escola de origem”.

“Garantir um sambaço para o próximo ano já não é problema meu mais. É só torcida”, brincou o dirigente. No entanto, a convicção na qualidade do trabalho que será entregue para o enredo de 2027 é total . Dudu aposta suas fichas nos companheiros de ala para pavimentar o caminho rumo ao campeonato: “Tenho a convicção de que essa ala que me formou… vai produzir um samba à altura do título que o Salgueiro vai conquistar”.

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Águia de Ouro 50 anos: componentes históricos relembram momentos marcantes

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Fotos: Will Ferreira/CARNAVALESCO

Completar o Jubileu de Ouro é um marco para qualquer instituição – ainda mais para uma escola de samba, representante máxima de uma comunidade. Com o Águia de Ouro não é diferente. Nascida no dia 09 de maio de 1976, a azul e branca da Pompeia comemorou a data com uma grande feijoada de aniversário na quadra da agremiação – na qual também revelou detalhes sobre o enredo “Águia na Encantaria de Fés, Folguedos e Milagres que Deságuam no Sertão”. A reportagem do CARNAVALESCO conversou com algumas figuras históricas da escola para saber qual o momento mais marcante que cada um deles viveu com o Águia de Ouro.

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Presidente com memória

Desde 1982 presidente do Águia de Ouro, quando assumiu a direção da agremiação que estava desde a fundação da escola a cargo de Gilson, irmão do atual mandatário, Sidnei Carriuolo Antônio relembrou uma situação muito polêmica para valorizar a força da agremiação: “Um dos tantos momentos marcantes foi em 2019 – no ‘Brasil, Eu Quero Falar de Você’. Tivemos um problema com uma pessoa que, num ensaio técnico, se vestiu inadequadamente. Naquele momento, de turbulência política, nós fomos muito tensos para a avenida. E, na avenida, o que eu vi de retorno, de samba, de arquibancada… para mim, foi muito marcante. Me emocionou realmente”, destacou.

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O incidente em questão teve muita repercussão à época: no primeiro ensaio técnico da escola, um componente fantasiou-se de Adolf Hitler para fazer uma crítica ao fascismo. A agremiação pediu desculpas e explicou-se posteriormente – conquistando a apoteose em um desfile que conquistou a sexta colocação logo no ano em que retornou ao Grupo Especial.

Laços familiares

Tal qual outras tantas escolas de samba, o Águia de Ouro também se orgulha de ter um forte componente familiar. Jacqueline Meira, diretora de carnaval da agremiação emocionou-se ao falar de uma data de forte impacto em toda a vida dela própria:

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“Eu tenho muitos momentos, já que eu estou na escola e sou apaixonada pela escola há 39 anos. O Águia me trouxe muita coisa: aumentou minha família, minha irmã é casada com uma pessoa aqui, minha filha é ritmista, meu filho já desfilou aqui. O Águia é tão importante para mim que, no dia em que a minha mãe faleceu, estávamos gravando o clipe da Liga-SP do ano seguinte. Aquele dia foi muito marcante porque eu estava com a comunidade, o presidente me deu a palavra e a comunidade me abraçou e me acolheu. Naquele momento, eu pedi para que desfraldassem o pavilhão como se nunca tivessem desfraldado, façam o maior ritmo possível, cantem com a alma e com o coração por mim e pela minha mãe. Foi no dia 08 de outubro de 2024. Sou muito grata ao Águia de Ouro porque, talvez, eu não estivesse por aqui mais se não fosse por toda essa resposta que todos sempre me deram como pessoa e como profissional. Aqui a gente vive momentos únicos – ora de alegria, ora de tristeza. O mais marcante aqui é que, aqui, ninguém nunca soltou a mão de ninguém de fato. Quem é Águia de Ouro de verdade não solta a mão do outro”, orgulhou-se.

Mestre com dois momentos

Rodrigo Neves, popularmente conhecido como mestre Moleza, pediu licença para relembrar duas situações com a agremiação – e foi prontamente atendido: “Passa um filme na cabeça de toda a minha história com a escola. Quero citar dois momentos: em 1998, a escola estava no Grupo de Acesso I, foi campeã em um desfile inquestionável, voltou para o Grupo Especial em 1999 e, no Desfile das Campeãs, a bateria inteira estava com cabelo azul, choveu e escorreu toda aquela tinta na cara. Eu era moleque, com uma paixão imensa e me marcou demais na minha trajetória. O segundo momento foi ter esse cargo de mestre de bateria no momento em que a escola completa o Jubileu de Ouro. Isso fica marcado na história, o meu nome está lá. Conseguimos deixar um resultado satisfatório, com muito empenho e trabalho, no Carnaval. Que venham muitas outras histórias para contar!”, previu.

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Em 1998, o Águia de Ouro desfilou com o enredo “Assim Caminha a Humanidade”, assinado pelo carnavalesco Virgílio Ramos, e foi campeão com três pontos de vantagem para a terceira colocada – primeira instituição que não subiu para o Grupo Especial do ano seguinte.

Desfiles memoráveis

A histórica dupla de intérpretes do Águia de Ouro preferiu focar em desfiles de grande impacto para a agremiação. Douglinhas Aguiar é um deles: “Para mim, não tem como não citar como grande momento na escola a hora do título. Era um título que nós já estávamos correndo atrás há muito tempo. Eu cheguei na bateria da escola em 1984 e, pouco a pouco, a gente foi crescendo. Já merecíamos uma taça há algum tempo, e 2020 foi o momento de todo mundo aqui na escola”, rememorou.

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Já Serginho do Porto foi ainda mais longe, comprovando o quanto a exibição de tal ano foi impactante: “O meu grande momento com o Águia de Ouro foi o desfile de 2007. Um desfile marcante, vai ficar na minha mente para o resto da minha vida. Era um momento de muita dificuldade para a gente do Carnaval e para todo mundo no Águia e aquele desfile aconteceu. Os deuses do Carnaval transformaram aquele desfile em algo magnífico. A avenida toda cantou o samba. Foi maravilhoso!”, finalizou.

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