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União de Jacarepaguá tempera a Intendente com fé e tradição

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A décima terceira escola a cruzar a avenida no primeiro dia da Série Prata do Carnaval carioca fez mais do que desfilar: contou uma história. A União de Jacarepaguá levou para a Intendente Magalhães o enredo Quingombô: Entre Dois Mundos, assinado pelo carnavalesco Ney Jr., e transformou o quiabo em protagonista de uma travessia ancestral na passarela popular do samba.

O fruto, presença marcante na culinária brasileira, surgiu na avenida como elo entre continentes. Originário da África, o quiabo atravessou o oceano não apenas nos porões dos navios, mas entranhado na memória e na resistência de mulheres escravizadas. Diz a tradição que suas sementes vinham escondidas nas tranças, guardadas como quem guarda um futuro possível. Entre dois mundos, o alimento virou herança.

A escola apresentou a íntima relação do quiabo com o sagrado. Nas religiões de matriz africana, ele não é apenas ingrediente: é elemento ritual. Na leitura carnavalesca, ganhou forma de devoção ao orixá Xangô, no amalá que lhe é ofertado, e também no caruru dedicado aos ibejis, símbolo de pureza e alegria. Cada ala parecia temperada de fé, cada fantasia bordada de memória. A escola de Campinho, mesmo com algumas falhas no percurso, conseguiu finalizar seu desfile dois minutos antes do tempo máximo.

COMISSÃO DE FRENTE

A comissão de frente, assinada pelo coreógrafo Daniel Napoleão, abriu o desfile como um portal simbólico para o enredo. Em cena, o amalá de Xangô surgia como elemento central da narrativa, evocando o alimento sagrado partilhado também pelos ibejis.

As bailarinas representavam mulheres negras escravizadas que, em gesto de resistência silenciosa, teriam trazido sementes de quiabo escondidas nas tranças, numa travessia forçada da África ao Brasil.

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Fotos: S1 Comunicação/Divulgação

A coreografia reunia onze bailarinos e nove mulheres, que dançavam à frente de um tripé cenográfico representando o amalá oferecido ao orixá. Dentro da estrutura, dois bailarinos davam vida aos ibejis e interagiam com o público, distribuindo doces e gestos que reforçavam a cena. Visualmente, a comissão apostou em cores simbólicas: saias amarelas, túnicas verdes com acabamento em palha e folhagens adornando a cabeça das bailarinas. Nos pés, sandálias que, em alguns casos, destoavam na coloração — pequeno detalhe que chamava atenção em meio à harmonia do figurino.

Nas duas primeiras cabines de julgamento, a apresentação transcorreu sem intercorrências. Contudo, na terceira cabine, o tripé cenográfico enfrentou dificuldades: emperrou durante a evolução e acabou deslizando por conta do desnível da pista, chegando a tocar a grade lateral. O incidente provocou um breve desencontro na coreografia, exigindo jogo de cintura dos componentes para manter a fluidez da cena.

Ainda assim, a comissão demonstrou entrega e capacidade de reação, atributos essenciais quando o espetáculo precisa seguir apesar dos imprevistos da avenida.

MESTRE-SALA E PORTA-BANDEIRA

O casal de mestre-sala e porta-bandeira, Paulo Erick e Joyce Santos, surgiu na avenida como um dos pontos de maior brilho do desfile. Lindíssimos, desfilaram com elegância e segurança, exibindo um bailado sincronizado que evidenciava entrosamento, técnica e, sobretudo, sintonia. Havia carisma no olhar, firmeza nos giros e delicadeza nos movimentos, ingredientes que sustentam a nobreza do pavilhão.

O figurino apostava em cores vibrantes, com predominância de amarelo e coral, criando uma harmonia visual que dialogava com a ala que vinha logo atrás, como se o casal costurasse, com passos coreografados, a continuidade estética do cortejo.

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Um ponto que destoou foi a saia da porta-bandeira. Para o padrão tradicional, encontrava-se mais suspensa do que o habitual, deixando as pernas bastante aparentes, ainda que devidamente cobertas por meia-calça. O detalhe, embora não comprometesse a performance, chamou atenção em meio à elegância do conjunto.

No balanço final, prevaleceu a beleza da apresentação e a segurança de um casal que compreende a responsabilidade de conduzir o símbolo maior da escola com graça e imponência.

HARMONIA E SAMBA-ENREDO

A União de Jacarepaguá apresentou um desfile marcado pela alegria e pela leveza visual, mas o canto da comunidade ficou em um patamar apenas mediano. Curiosamente, o samba tinha potência para incendiar a avenida, tanto pela força da letra quanto pela condução do intérprete Rogerinho e seu carro de som, que cumpriram bem o papel de puxar a escola “para cima”.

O samba-enredo destacava-se pela construção interessante, explicando de forma criativa como o quingombô, o nosso quiabo, pode ser ofertado ao sagrado e também apreciado à mesa, na culinária brasileira. A obra conseguia equilibrar religiosidade e cotidiano, tradição e sabor, mantendo coerência com o enredo apresentado.

Em termos organizacionais, a escola mostrou-se bem estruturada. Alas alinhadas e fantasias bem distribuídas indicavam planejamento. No entanto, quando o assunto foi evolução e intensidade do canto, faltou aquele algo a mais, a vibração coletiva que contagia e transforma um bom desfile em um momento arrebatador.

No conjunto, ficou a imagem de uma apresentação correta e alegre, sustentada por um samba consistente, mas que poderia ter alcançado voos maiores caso a comunidade tivesse cantado com a mesma força que o enredo pedia.

ALEGORIAS E ADEREÇOS

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Com apenas duas alegorias na pista, a União de Jacarepaguá apostou na força das alas para preencher a avenida e conseguiu. Foram 11 alas bem coloridas, que garantiram volume visual.

O ponto alto ficou por conta da ala das crianças, vestidas de ibejis. Com fantasias cheias de simbolismo, elas arrancaram sorrisos do público e reforçaram o elo entre o sagrado e a alegria, marca presente em todo o desfile. A leveza da infância contrastava com a profundidade histórica do tema, criando um dos momentos mais sensíveis da apresentação.

Outro destaque foram as baianas, que desfilaram com fantasias especialmente caprichadas. Como guardiãs da tradição, reafirmaram a importância da ala, considerada o coração de qualquer escola de samba.

Mesmo com estrutura enxuta em alegorias, a escola mostrou que criatividade, cor e organização podem preencher a avenida com a mesma grandiosidade de um desfile mais robusto.

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OUTROS DESTAQUES

Entre os destaques do desfile da União de Jacarepaguá, a bateria Ritmo União, comandada por Mestre Demetrius, mostrou consistência e pulsação firme. Com fantasias em preto e vermelho, os ritmistas imprimiram cadência segura, em sintonia com o carro de som, sustentando o andamento do samba ao longo da avenida.

À frente da bateria, o rei Igor Almeida e a rainha Pamela Carvalho esbanjaram presença e energia, reforçando o brilho do segmento. A interação com os ritmistas e o público ajudou a manter o clima festivo que a escola propôs desde o início.

O ponto alto emocional do desfile, no entanto, ficou por conta da distribuição de doces promovida pelos componentes da comissão de frente e pela ala das crianças. O gesto simples transformou a avenida em extensão da festa, aproximando escola e público e dando materialidade ao simbolismo dos ibejis, numa celebração que misturou fé, doçura e pertencimento.

Com poesia e resistência, Lins Imperial transforma a Intendente em rio vivo

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Vinda das águas e exaltando a criação, a Lins Imperial mergulhou na Intendente Magalhães com o enredo “Macacu – No caminho das águas cristalinas, reflete a alma da criação”. A proposta evocou natureza, espiritualidade e identidade, conduzindo o público por um percurso imagético inspirado em rios, cachoeiras e na força ancestral das águas. Sob a presidência de Flávio Melo e com desenvolvimento dos carnavalescos Agnaldo Corrêa e Edcley Cunha, a agremiação apostou em leveza estética e entrega comunitária para traduzir sua narrativa na avenida.

COMISSÃO DE FRENTE

A comissão de frente apresentou-se com energia e entrega, chamando atenção pelo canto alto e pela participação dos bailarinos. Os integrantes vieram com figurinos que remetiam a vestes indígenas, assim como a coreografia, executada com passos firmes e imponentes.

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Fotos: S1 Comunicação/Divulgação

O quesito também trouxe um elemento cenográfico verde, semelhante ao tronco de uma árvore, que contava com três surpresas: uma explosão de fumaça; um integrante vestido de azul no topo, com figurino e movimentos que remetiam ao vento; e uma representação de Oxum na parte inferior, que, ao surgir, recebia a reverência dos demais componentes. A proposta dialogava com a ideia das águas como fonte de vida, reforçando o aspecto simbólico do enredo.

MESTRE-SALA E PORTA-BANDEIRA

O primeiro casal, Jackson Senhorinho e Manoela Barbosa, defendeu o pavilhão com elegância e técnica. No entanto, sentiu-se a falta de maior interação do mestre-sala com o público, elemento que poderia ter elevado ainda mais a apresentação e contagiado as arquibancadas.

Ainda assim, o casal manteve postura e compromisso com o quesito ao longo do desfile, trazendo inovações na coreografia, com passos firmes, deslocando-se lateralmente e com movimentos de mãos ao centro, remetendo a danças da cultura indígena em trechos do samba, como: “Na procissão, o som do ijexá faz ecoar os rios e corredeiras / Povo d’Oxum, mantendo a devoção, axé de Odé, oração das benzedeiras…”. No geral, o casal não apresentou falhas durante o percurso.

ENREDO

Com o enredo “Macacu – No caminho das águas cristalinas, reflete a alma da criação”, a escola apresentou uma narrativa que propôs um mergulho poético em Macacu, exaltando as águas e os rituais. O desfile buscou construir essa atmosfera por meio de referências naturais e espirituais, associando rios e cachoeiras à força e à renovação.

A leitura foi sensível, apostando na simbologia e na representatividade da natureza, da memória e da religiosidade.

EVOLUÇÃO

A escola apresentou evolução regular, mas com alguns pontos de atenção. A fantasia de um componente da primeira ala acabou se soltando, gerando um momento de tensão, e os apoios precisaram agir rapidamente para corrigir a situação antes da chegada à cabine de jurados.

Já a ala das baianas evoluiu com destaque no canto, sendo uma das que mais sustentou o samba. Contudo, o adereço de cabeça dificultou a movimentação em determinados momentos e, consequentemente, a liberdade na evolução.

O penúltimo carro enfrentou dificuldade de locomoção e precisou ser conduzido com auxílio, impactando o fluxo no trecho. Ainda assim, as últimas alas atravessaram a avenida com mais animação que as primeiras, recuperando o ritmo e encerrando o desfile em alta.

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HARMONIA

O carro de som contou com as vozes de Ciganerey, Pedro Vapor e Vitão, além da presença de duas mulheres que reforçaram o conjunto vocal. Algumas alas se destacaram no canto, como a ala com cestos na cabeça e a penúltima ala do costeiro verde, que cantava e dançava com entusiasmo. A ala das baianas também manteve o samba na ponta da língua.

No entanto, o desempenho foi irregular em outros setores, onde faltaram canto e maior entusiasmo.

SAMBA-ENREDO

O samba acompanhou a proposta lírica do enredo, buscando traduzir em versos a fluidez das águas e a força da criação. Em alguns momentos, encontrou sustentação nas alas mais animadas, especialmente no fim do desfile, quando a escola apresentou maior empolgação coletiva.

FANTASIAS E ALEGORIAS

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As fantasias eram leves e funcionais, com presença marcante de costeiros que enriqueciam o visual. A leveza facilitou a evolução, embora alguns problemas pontuais tenham surgido, como a fantasia que se soltou logo no início. Ainda assim, o conjunto dialogava com a temática natural proposta.

As alegorias reforçaram o imaginário, com elementos que remetiam à natureza. O penúltimo carro, entretanto, apresentou dificuldade de locomoção e precisou ser conduzido, comprometendo parcialmente o andamento naquele setor. Visualmente, mantiveram coerência com o enredo.

OUTROS DESTAQUES

A bateria, comandada por Mestre Leozinho Bradock, mostrou presença marcante de chocalhos e tamborins, além de bossas que remetiam a rios e cachoeiras, dialogando diretamente com o enredo. A rainha Bianca Ramos desfilou com energia, embora, em alguns momentos, estivesse mais distante da bateria.

A ala das passistas também se destacou pela entrega e desempenho; todas sambaram bastante e demonstraram animação. No conjunto, a escola apostou na sensibilidade do tema e na animação das alas finais para deixar sua marca na avenida.

União de Maricá renova com Zé Paulo Sierra para estreia no Grupo Especial em 2027

A União de Maricá já iniciou o planejamento para o Carnaval 2027 e confirmou um passo importante rumo à estreia no Grupo Especial. A escola anunciou, na manhã desta segunda-feira, a renovação com o intérprete Zé Paulo Sierra, que seguirá como voz oficial da agremiação no próximo desfile.

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Foto: Renata Xavier/Divulgação Maricá

Zé Paulo chegou à escola no último ano, visando o desfile de 2026, e rapidamente conquistou o carinho da comunidade. Com forte identificação com os componentes, tornou-se um dos principais nomes do ciclo que culminou com o título da Série Ouro. No último Carnaval, o intérprete também defendeu a Portela.

Ao celebrar a permanência na União de Maricá, agora na elite do Carnaval carioca, o cantor destacou a solidez do projeto e a confiança no futuro.

“Quando cheguei aqui há quase um ano, disse que o projeto me chamava a atenção por ser algo estruturado e que seria a médio e longo prazo. A União de Maricá me motiva porque é uma escola que pensa grande e, acima de tudo, nos dá estrutura para trabalhar. Vivemos um Carnaval 2026 lindo e, com certeza, 2027 será ainda melhor no Grupo Especial”, disse Zé Paulo.

O presidente Matheus Santos também ressaltou a importância da continuidade do intérprete neste novo momento da agremiação.

“Quando pensamos no Zé Paulo após o desfile de 2025, buscamos uma pessoa que pudesse criar uma relação próxima com a nossa comunidade e que fosse referência. Felizmente, ao longo desse tempo, ele conseguiu fazer isso e estamos muito satisfeitos com todo o trabalho realizado. A continuidade é natural porque foi provado que deu certo”, afirmou o dirigente.

Campeã da Série Ouro com o enredo “Berenguendéns e Balangandãs”, sobre a joalheria preta do Brasil, a União de Maricá se prepara agora para escrever um novo capítulo de sua história, desta vez no Grupo Especial, em 2027.

De volta ao ninho da águia, Paulo Barros é o novo carnavalesco da Portela

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Após quase uma década da conquista do último título, a Portela anunciou, na tarde desta segunda-feira, o retorno de Paulo Barros para o Carnaval de 2027. O reencontro marca um novo capítulo na trajetória da Azul e Branca de Oswaldo Cruz e Madureira, reafirmando o compromisso da agremiação com toda sua comunidade.

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Foto: Divulgação/Portela

Com a carreira iniciada na tradicional e quase centenária Vizinha Faladeira, Paulo Barros construiu um percurso marcado por inovação. Ganhou projeção nacional à frente da Unidos da Tijuca, onde despontou entre 2004 e 2006 com desfiles impactantes, como o emblemático carro do DNA. Ainda como Carnavalesco da escola, conquistou três títulos para a comunidade do Borel no Grupo Especial (2010, 2012 e 2014), consolidando seu nome entre os grandes carnavalescos da era moderna.

Além da Unidos da Tijuca, Paulo Barros teve passagem pela Unidos do Viradouro, Paraíso do Tuiuti e a Unidos de Vila Isabel.

Em 2016, chegou à Portela para desenvolver o enredo “No voo da águia, uma viagem sem fim…”, conquistando o terceiro lugar. No ano seguinte, assinou o enredo “Quem nunca sentiu o corpo arrepiar ao ver esse rio passar…”, que quebrou o jejum de 33 anos da Portela sem campeonatos no Grupo Especial.

Feliz no reencontro com a Águia, Paulo Barros ressaltou a emoção e o desafio de retornar à escola.

”Dez anos se passaram e é um sentimento único. Estou muito feliz por estar de volta. Eu e toda a minha equipe vamos trabalhar unidos, com dedicação e garra, para conduzir a Portela a um novo ciclo de sucesso, declara Paulo.

Para o presidente da Portela, Junior Escafura, a volta de Paulo Barros reforça o posicionamento da escola na busca do campeonato.

O Paulo é um profissional que conhece a grandeza da nossa comunidade, já contribuiu de forma decisiva para a nossa história e reúne experiência e capacidade de liderança para conduzir este novo ciclo com responsabilidade e dedicação, e é disso que a Portela precisa agora”, afirma Escafura.

Tradição aposta na alegria e vence imprevistos em desfile vibrante na Intendente

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A Tradição atravessou a Intendente Magalhães com leveza, grandiosidade e entusiasmo, trazendo a história da apresentadora Gardênia Cavalcanti. A tradicional escola da Zona Norte do Rio de Janeiro levou muita cor à sua apresentação e chegou à pista buscando levantar o público antes mesmo das alas oficiais. Os “Amigos da Gardênia” vieram logo à frente da escola, puxando o público e animando as arquibancadas.

Visualmente bonita e marcada por fantasias criativas, a escola sustentou uma apresentação animada, mesmo com oscilações no canto ao longo do percurso e questões envolvendo adereços.

COMISSÃO DE FRENTE

A comissão de frente trouxe um figurino representando o condor imperial, símbolo da escola, em uma roupagem colorida e volumosa que, com os movimentos da coreografia dos bailarinos, criava um impacto visual bonito e chamativo para quem assistia ao espetáculo.

Comandada pelo coreógrafo Tony Tara, a comissão apresentou um olhar lúdico da Gardênia criança na avenida, com uma atriz mirim representando a infância da homenageada e, em seguida, a transição para a fase adulta e o estrelato como apresentadora, exemplificada no momento em que a bailarina que representava Gardênia era coroada no trecho “Vem coroar Gardênia Cavalcanti”. Ao final, as duas versões — criança e adulta — se encontravam, fechando o ciclo da vida da homenageada.

No entanto, o quesito enfrentou imprevistos importantes. Na segunda cabine de jurados, a apresentação ocorreu sem a coroa que compunha o figurino, após o adereço cair. Na terceira cabine, não foi possível recolocar o item, que ficou preso à roupa do bailarino responsável por carregá-lo, o que impactou a leitura completa da proposta, que seguiu o restante do desfile sem o objeto. Ainda assim, o grupo manteve a execução coreográfica e buscou sustentar a narrativa diante do imprevisto.

MESTRE-SALA E PORTA-BANDEIRA

O primeiro casal de mestre-sala e porta-bandeira, Gabriel Galvão e Thaissa Soares, desfilou com figurino de base preta, com penas e pedras coloridas, seguindo a linha apresentada pela escola. O casal contou com a presença de oito guardiões ao seu redor, reforçando o simbolismo da proteção e a importância do pavilhão.

A apresentação foi energizada, com a dupla cantando alto o samba e dançando com passos firmes e bem desenhados. A rapidez dos movimentos de Gabriel chamava a atenção e dava brilho à performance.

Contudo, o casal enfrentou um contratempo quando o adereço de cabeça apresentou problema logo à frente dos jurados, caindo durante a apresentação. A dupla seguiu para a segunda cabine sem o item, mesmo tentando recolocá-lo ao longo do desfile, o que comprometeu parte do figurino originalmente proposto. Apesar disso, manteve postura e compromisso com a dança, defendendo o pavilhão com elegância dentro das possibilidades.

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ENREDO

A Tradição apostou em uma narrativa que dialogava com memória, identidade e trajetória da homenageada, trazendo elementos afetivos ligados à vida pessoal e profissional de Gardênia. A proposta buscou exaltar as raízes nordestinas e os laços familiares da apresentadora, que veio em destaque no primeiro carro da escola, interagindo com o público e cantando o samba.

A escola contou com a facilidade de ter a própria homenageada representada na avenida, com riqueza de detalhes e informações para compor a narrativa. Isso foi perceptível nas alas que carregavam significados e em componentes que fazem parte da vida da apresentadora. A leitura foi simples e emocional, priorizando exuberância e conexão afetiva.

EVOLUÇÃO

A escola desfilou de forma leve, brincando e sem grandes intercorrências ao avançar pela pista. O conjunto manteve fluidez e ocupação adequada dos espaços, ainda que o entusiasmo nem sempre tenha sido acompanhado por canto alto e uniforme dos desfilantes.

Sem dúvidas, a animação dos “Amigos da Gardênia” à frente ajudou a manter o ritmo e a energia durante o percurso.

HARMONIA

No desfile da Tradição, algumas alas se destacaram positivamente no canto, especialmente as posicionadas atrás do primeiro casal e aquelas que traziam fotos de família, evidenciando forte identificação com o enredo e maior envolvimento emocional com a história apresentada. Esses setores ajudaram a sustentar a energia da escola em momentos importantes do percurso.

No entanto, de maneira geral, o canto não foi um ponto forte da apresentação, já que boa parte dos componentes não acompanhava o samba com a mesma intensidade. O carro de som teve papel importante, contribuindo para dar mais corpo ao conjunto vocal e melhor entrosamento. Ainda assim, a voz do intérprete principal não se sobressaiu como esperado, o que impactou a projeção do samba ao longo da avenida.

SAMBA-ENREDO

O samba, escrito por Lico Monteiro, Leandro Thomas, João Perigo, Telmo Augusto, Gigi da Estiva, Filipe Zizou, João Neto, Rafael Gonçalves, Salgado Luz, Denis Moraes, Júlio César e Valtinho Botafogo, cumpriu seu papel ao levar a proposta afetiva da escola, mas encontrou dificuldades de projeção, mesmo sendo de fácil entendimento.

Com parte dos componentes cantando com menos intensidade — ou sequer cantando — a obra perdeu força em determinados trechos. Ainda assim, a bateria contribuiu para manter o clima animado e ajudou a sustentar o andamento.

FANTASIAS

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Fotos: S1 Comunicação/Divulgação

As fantasias foram um dos pontos altos do desfile. Desenvolvidas pelo carnavalesco Leandro Valente, os figurinos foram criativos e bem executados dentro da proposta apresentada, dando colorido e identidade ao conjunto.

As baianas merecem destaque especial pela criatividade nas vestimentas. Usando um contraste de azul e amarelo, traziam saias feitas de material semelhante a papel laminado azul, que enriqueceram visualmente o desfile e reforçaram o cuidado com o acabamento.

ALEGORIAS

As alegorias trouxeram muita cor e brilho, com acabamento que chamava a atenção e dialogava com o enredo, compondo um conjunto harmonioso, colorido, chamativo e visualmente agradável. A escolha das cores vibrantes e dos elementos decorativos reforçou a ideia apresentada pela escola.

Com tamanhos medianos, as alegorias contribuíram para manter a estética alegre e coerente da escola. O acabamento foi perceptível na pintura, na aplicação de materiais e na finalização dos detalhes, garantindo um resultado visual que valorizou os elementos alegóricos e fortaleceu a identidade apresentada pela Tradição.

OUTROS DESTAQUES

A bateria, por onde passava, contagiava o público com uma batida impactante, forte e envolvente, sendo um dos pilares da apresentação. Seu ritmo firme ajudou a sustentar a energia da escola do início ao fim.

Junto aos ritmistas, o rei de bateria, Bruno Pinheiro, chamou a atenção pela interação com o público. No geral, a Tradição apresentou um desfile bonito e alegre, superando imprevistos com espírito carnavalesco e fortalecendo sua ligação com a comunidade.

Independentes de Olaria leva Jackson do Pandeiro à Intendente em desfile vibrante, com oscilações na evolução

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A Zona da Leopoldina é uma fonte inesgotável de samba, território onde o ritmo ecoa entre ruas e praças, moldando identidades e fortalecendo comunidades. Vinda desse chão, a Independentes de Olaria levou para a passarela popular da Intendente Magalhães um enredo dedicado a um dos filhos dessa terra, Jackson do Pandeiro, que viveu durante muitos anos no bairro de onde a escola é oriunda e ali construiu parte de sua trajetória artística e afetiva. Ao transformar a memória em desfile, a azul e branca reafirmou sua ligação com o território e com as histórias que nasceram em seu entorno.

O homenageado, cantor, compositor e percussionista conhecido como “Rei do Ritmo”, imprimia sua identidade ao misturar estilos e gêneros musicais. Em sua obra, a ironia e as críticas sociais caminhavam juntas, consolidando um legado que atravessou gerações. Com isso, a escola apostou na força de um artista que fez da mistura seu principal instrumento e transformou o ritmo em assinatura.

COMISSÃO DE FRENTE

Abrindo o desfile, a comissão, sob o comando da coreógrafa Ranna Jalilahs, apostou na teatralidade para apresentar o universo de Jackson. Os dançarinos, vestidos com batas, compunham o cenário com elementos como uma bacia e um livro com os escritos “cabra da peste” e “não se avexe, não”, além de punhados de ervas. Com a bacia, encenavam uma lavagem de roupa; com o livro, a leitura; e, com as ervas, uma bênção.

A coreografia iniciava com movimentos sutis e lentos, e a mudança ocorria quando os bailarinos trocavam as batas por figurinos que representavam diferentes danças e estilos musicais, como samba, forró e frevo. A transição contava com o apoio de um elemento cenográfico — um baú onde eram guardadas as trocas de roupa — e a apresentação tinha como grande finalização um dos bailarinos representando o homenageado, que sambava com seu pandeiro no centro do grupo.

MESTRE-SALA E PORTA-BANDEIRA

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Fotos: S1 Comunicação/Divulgação

O primeiro casal trouxe em seu figurino o azul da escola mesclado a estampas que remetiam à cultura nordestina. Com muitos giros, Adryano Silva e Lays Menezes apresentaram uma coreografia predominantemente clássica, mantendo a tradição para garantir os pontos do quesito.

Com passos de forró inseridos nos momentos em que o samba entoava o verso “Olaria é forró, forró de paraibano / Traz o rei do pandeiro, remelexo insano!”, a dupla garantiu um toque de inovação e ajudou a levantar o público. No entanto, em determinado momento da apresentação para a segunda cabine de jurados, em meio aos giros, a porta-bandeira Lays Menezes se desequilibrou, e uma pequena parte da fantasia se soltou, atrapalhando o desempenho do casal, que, mesmo mantendo o sorriso e o ritmo, aparentou ter se abalado com o ocorrido.

ENREDO

Contar a trajetória de Jackson do Pandeiro de forma não literal, mas destacando fases que construíram sua história, foi a proposta dos carnavalescos Ariel Portes e Ester Domingos em “O balanço do cabra que embolou o som e, no compasso da mistura, fez um Brasil pandeiro”.

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Foram evidenciadas, em diversos momentos, sua origem paraibana e as referências nordestinas. O desfile mergulhou na infância do artista, passou por suas marcas e influências e chegou ao legado de brasilidade e criatividade deixado à música e à cultura brasileira. Merece destaque a conexão entre o samba-enredo e a narrativa apresentada, que seguiram a mesma linha e se fizeram compreender.

EVOLUÇÃO

Com espontaneidade dos componentes e bom ritmo no início, a escola apresentou oscilações do meio para o fim do percurso. A harmonia demonstrava preocupação com o tempo regulamentar e atenção redobrada para evitar buracos na pista.

A partir dos 35 minutos de desfile, houve aceleração perceptível, especialmente quando a bateria passava pela quarta cabine. O último carro, “Brasil Pandeiro”, intensificou ainda mais o ritmo nos dois minutos finais, exigindo esforço redobrado dos componentes para que a escola não ultrapassasse o tempo máximo, conseguindo finalizar nos últimos segundos.

HARMONIA

De volta à Independentes de Olaria, o intérprete Tuninho Júnior mostrou-se à vontade à frente do carro de som, comandando o canto da comunidade. Apesar de problemas no retorno de som na Intendente, a entrega ao vivo surpreendeu.

Mesmo com ajustes no andamento, os componentes demonstraram disposição e comprometimento. Duas alas posicionadas à frente do segundo casal contavam com diversos integrantes cantando o samba com entusiasmo, reforçando a presença sonora da escola. Em alguns setores, porém, a correria comprometeu a constância do canto e da evolução.

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Com refrão marcante e melodia que remetia à cadência do pandeiro de Jackson, o samba de Claudio Russo, Marquinhos Beija-Flor, Gabriel Simões, Mateus Pranto, Raphael Gravino e Leandro Vicente conduziu e levantou a escola.

A obra valorizou a irreverência e a musicalidade do homenageado, trazendo misturas rítmicas. Ainda assim, alguns fatores podem ter prejudicado o canto, como componentes que não acompanharam integralmente o samba e o andamento acelerado na parte final, dificultando a sustentação em determinados trechos.

FANTASIAS E ALEGORIAS

A escola apresentou fantasias menos elaboradas em algumas alas, mas que proporcionaram conforto aos componentes para desfilar e brincar o carnaval. Destacaram-se as referências à cultura nordestina, além da mistura de estampas e cores que dialogavam com a originalidade da obra de Jackson.

Predominantemente bem acabadas, reforçaram a identidade do enredo e contribuíram para a narrativa visual.

Os carros alegóricos ilustraram passagens da vida e da obra do artista, com destaque para o último módulo, que representava o auge da carreira do “Rei do Ritmo”. No entanto, sentiu-se falta de elementos visuais mais impactantes na composição estrutural das alegorias.

OUTROS DESTAQUES

A bateria destacou-se pelo andamento firme e buscou traduzir as características do homenageado, como a mistura e a irreverência, incluindo toques de forró. A comunidade sustentou o desfile e brincou o carnaval durante os quarenta minutos de apresentação. Entre ajustes e acertos, a Independentes de Olaria fez da avenida um palco para reafirmar sua ligação com a música e com a história de um de seus filhos mais ilustres.

Unidos de Lucas reescreve revoltas sociais com desfile seguro na Intendente

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Nona escola a desfilar no primeiro dia de desfiles, a Unidos de Lucas veio para a Intendente contar a história das principais revoltas sociais que marcaram o Brasil, como a Revolta da Vacina, a Revolta da Chibata, entre outras. Foi um desfile marcado por recados fortes na comissão de frente e que passou com segurança pela avenida.

COMISSÃO DE FRENTE

A comissão, assinada pela coreógrafa Taty Amparo Bekl, retratou a Batalha de Uçurumim, quando os indígenas conseguiram expulsar os franceses das terras cariocas, no ano de 1567.

A dança mostrava os indígenas que viviam no Rio de Janeiro enfrentando o Império Francês, que tentava invadir a cidade. Ao final, quando conseguiam vencer os franceses e expulsá-los do território, a comissão apresentava um cartaz com a frase de que o Brasil, hoje, amanhã e sempre, será uma terra indígena — um recado forte e bastante significativo.

MESTRE-SALA E PORTA-BANDEIRA

O casal Ewerton Anchieta e Alana Couto utilizou figurinos em homenagem às tribos Tamoios e Temiminós, que participaram da Batalha de Uçurumim retratada pela comissão de frente. As fantasias, predominantemente vermelhas com detalhes em amarelo, formavam um conjunto visual muito bonito.

Na dança, a dupla preferiu a segurança, sem grandes ousadias. Houve ótima química entre os dois, e a sintonia com o samba rendeu aplausos do público presente, em um momento marcante do desfile.

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Fotos: S1 Comunicação/Divulgação

ENREDO

A proposta do carnavalesco Lucas Lopes, com o enredo intitulado “O povo escreve sua história em seu sublime pergaminho”, foi recontar a trajetória das principais revoltas sociais que aconteceram no Brasil, especialmente ao longo do século passado.

O que se viu na passarela foi fiel à proposta apresentada: uma nova versão de cada revolta estudada nos livros escolares, que tradicionalmente destacam figuras específicas. Desta vez, o desfile colocou outros personagens como protagonistas desses momentos tão importantes da nossa história.

EVOLUÇÃO

A escola evoluiu com tranquilidade, sem necessidade de correria. Fez um desfile seguro, administrando bem o tempo e encerrando sua apresentação em 40 minutos, com serenidade e sem sustos nos instantes finais.

HARMONIA

Além da boa sintonia entre o carro de som e a bateria, a comunidade de Parada de Lucas cantou bem o samba-enredo. Não foi um espetáculo extraordinário no quesito canto, mas houve entrega suficiente para agradar ao público presente.

FANTASIAS E ALEGORIAS

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Fotos: S1 Comunicação/Divulgação

As fantasias eram leves e representavam, em cada ala, diferentes batalhas e revoltas que marcaram a história do país. Destaque para as belas fantasias que retrataram o cangaço e o setor que trouxe a mensagem “O povo na rua e a rua é do povo”.

As alegorias estavam muito bonitas e bem detalhadas. O primeiro carro abordou a chamada revolta vermelha, representando os indígenas na luta por seus direitos, sem apresentar qualquer problema técnico. O segundo carro trouxe a campanha das Diretas Já, também muito bem executado e sem falhas.

SAMBA-ENREDO

O samba, composto por Rafael Gigante, Vinícius Ferreira, Charles Silva, Kaique Gigante, Lucas Martins, Guilherme Kauã, Jefferson Oliveira e João Vidal, mostrou-se bonito e bem estruturado, detalhando a proposta de reparação histórica apresentada ao longo do desfile.

OUTROS DESTAQUES

A bateria, comandada pelo mestre Átila Gomes, apresentou ritmo firme, seguro e com boas bossas. Os ritmistas estavam vestidos com trajes inspirados em pais de santo, dentro de uma proposta estética muito bonita. A rainha de bateria, Tânia Waleska, destacou-se pela beleza e pelo gingado, chamando a atenção do público.

Mar ancestral encanta, mas atraso compromete desfile da Vizinha Faladeira

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Oitava escola a desfilar no primeiro dia de apresentações, a Vizinha Faladeira contou a história do mar ancestral na Baía de Guanabara por meio de uma voz misteriosa, auxiliada pela sereia, símbolo da escola. O desfile da azul, vermelha e branca, que começou com dois minutos e meio de atraso, terminou com a agremiação ultrapassando o tempo limite regulamentar.

COMISSÃO DE FRENTE

A comissão, com coreografia de Naty Menezes, formada por uma equipe totalmente feminina, apresentou a ajuda da sereia na busca pelo mar ancestral. Durante as três apresentações diante das cabines de jurados, duas integrantes perderam um adereço azul e a peruca também azul, mas isso não comprometeu a execução da coreografia.

A dança destacou o brilho da sereia na condução dessa busca, contando ainda com a presença de Iemanjá para revelar de onde vinha a voz ancestral.

MESTRE-SALA E PORTA-BANDEIRA

O casal Luiz Felipe e Jéssica Barreto vestia fantasias em tons de azul, com referências ao mar detalhadas nas roupas. A dupla demonstrou elegância na dança e excelente química durante a apresentação.

Diante das cabines de jurados, optaram por uma performance segura, sem grandes ousadias, priorizando a precisão para evitar problemas. Não houve intercorrências no bailado.

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Fotos: S1 Comunicação/Divulgação

ENREDO

Intitulado “A voz que vem do mar é ancestral”, o enredo dos carnavalescos Leandro e Vitor Mourão apresentou uma proposta interessante para a Intendente ao abordar a ancestralidade ligada ao mar. A narrativa tratou da busca por raízes feridas na Baía de Guanabara, resgatando a memória e a espiritualidade associadas às águas.

EVOLUÇÃO

A evolução começou comprometida. Quando o cronômetro já marcava dois minutos e 30 segundos, a escola efetivamente iniciou seu desfile na pista da Intendente, o que impactou diretamente o planejamento.

Mesmo com cuidados ao longo do percurso e a percepção de que poderiam ultrapassar o tempo, a Vizinha Faladeira acelerou o andamento após a comissão de frente e o primeiro casal passarem pela última cabine de jurados. Ainda assim, a agremiação excedeu o limite de 40 minutos em dois minutos e 11 segundos, evidenciando falha no controle do tempo.

HARMONIA

Houve boa química entre o carro de som e a bateria, o que contribuiu para a harmonia musical. No entanto, muitos componentes não cantaram o samba-enredo, o que pode prejudicar a escola na avaliação do quesito. Embora poucos soubessem a letra integralmente, os que cantavam o faziam com intensidade, amenizando parcialmente o problema.

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FANTASIAS E ALEGORIAS

As fantasias estavam leves e confortáveis, permitindo que os componentes desfilassem com tranquilidade. Todas estavam bem caracterizadas de acordo com os temas propostos em cada setor.

As alegorias eram bonitas e alinhadas aos temas apresentados no enredo. Não houve problemas técnicos, inclusive na iluminação dos carros, que funcionou corretamente ao longo do desfile.

SAMBA-ENREDO

O samba-enredo se mostrou de fácil compreensão e bem estruturado. A sonoridade permitiu que o público acompanhasse a letra com clareza, reforçando a proposta temática da escola.

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OUTROS DESTAQUES

A bateria, comandada pelos mestres Lippe e Polinho, foi um dos destaques do desfile. Mesmo diante do problema na evolução, os ritmistas passaram com segurança, sem ousadias excessivas, apostando no simples e eficiente. A rainha de bateria Kamilla Cardoso mostrou muito gingado e encantou o público presente.

Chatuba homenageia Benedita, mas estoura o tempo e pode perder pontos

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Sétima escola a desfilar no primeiro dia de apresentações da Série Prata, a Chatuba de Mesquita homenageou a deputada Benedita da Silva. A verde e branca de Mesquita vinha realizando um desfile seguro, contando a história da menina criada na favela do Chapéu Mangueira até os dias atuais, passando pelos cargos de vereadora e de primeira mulher negra eleita senadora. No entanto, duas componentes da velha guarda precisaram ser carregadas por integrantes da escola no fim do percurso, e a agremiação ultrapassou o tempo limite em um minuto e seis segundos.

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Fotos: S1 Comunicação/Divulgação

COMISSÃO DE FRENTE

A comissão, assinada pela coreógrafa Luciana Xavier, mostrou a conexão entre a infância pobre e a trajetória da mulher Benedita da Silva, ressaltando suas origens africanas.

A coreografia começou com os dançarinos misturando a infância humilde na favela do Chapéu Mangueira com a cultura africana, representada pela presença dos orixás, destacando como essa base foi importante para que a menina Bené chegasse onde chegou. Ao final, um painel se abriu para revelar a mulher que se tornou e os feitos importantes realizados por ela como mulher negra no Brasil, o que arrancou aplausos do público presente.

MESTRE-SALA E PORTA-BANDEIRA

O casal Renato Madureira e Anna Beatriz vestia fantasias em tons de vermelho, com um globo mundial feito de palha africana, simbolizando a importância de Benedita não apenas na política, mas também na vida social.

Na dança, o casal demonstrou muita química durante a coreografia, evidenciando sintonia nos passos. Diante da cabine de jurados, optaram por uma apresentação segura, sem grandes ousadias. A dupla não teve intercorrências durante o bailado e manteve o gingado ao longo de todo o desfile.

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ENREDO

“Benedita do Povo”, desenvolvido pelo carnavalesco Thales, mostrou a trajetória de uma das mulheres mais importantes da política brasileira. Da infância na favela aos cargos de deputada, senadora, governadora de estado e ministra, o enredo destacou a luta, o trabalho e o período em que Benedita atuou como empregada doméstica. A escola conseguiu apresentar essas etapas, além de evidenciar conquistas importantes para o Brasil e para o povo brasileiro.

EVOLUÇÃO

A evolução seguia em ritmo tranquilo, com a escola desfilando bem e os componentes se divertindo. No entanto, no fim do percurso, a agremiação precisou acelerar para tentar não ultrapassar o tempo. Duas integrantes da velha guarda precisaram ser carregadas no colo para que o cronômetro fosse parado, gerando correria na dispersão. Ainda assim, a escola excedeu o tempo limite em um minuto e seis segundos.

Pelas regras da Superliga, caso a escola ultrapasse o tempo máximo de 40 minutos, perde 0,1 ponto para cada minuto excedido.

HARMONIA

Muitos componentes não cantaram o samba-enredo durante o desfile. O intérprete Gabriel Chocolate, porém, passou segurança à frente do carro de som, que transcorreu sem problemas e com boa projeção sonora. Houve excelente entrosamento entre o carro de som e a bateria, o que ajudou a abrilhantar a apresentação na Intendente.

FANTASIAS

As fantasias estavam leves e confortáveis para o desfile, retratando diferentes momentos da vida de Benedita da Silva. Destaque para as alas que representaram a vereadora eleita, a Constituição, da qual ela participou, o período como senadora e a PEC das Domésticas.

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ALEGORIAS

As alegorias se mostraram elegantes e atravessaram a Avenida sem intercorrências. O destaque foi o último carro, no qual uma atriz interpretando a deputada surgiu e encantou o público pela semelhança com Bené, que não esteve presente no desfile.

SAMBA-ENREDO

O samba-enredo é bonito e de fácil compreensão. Quando cantado, deixa clara a homenagem e reforça a importância da trajetória de Benedita, contribuindo positivamente para o conjunto do desfile.

OUTROS DESTAQUES

A bateria, comandada pelos mestres Luiz Guilherme e Hugo, mostrou ritmo seguro, com poucas inovações e bossas mais tradicionais, priorizando a estabilidade para evitar perdas de pontos. Os ritmistas usavam roupas rosas caracterizados como Benedita. A rainha de bateria Mulher Abacaxi também encantou o público com seu samba no pé.

Praça da Bandeira exalta ancestralidade negra, mas falha na evolução

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No último domingo, o “Grande Sertão Negro” chegou à Intendente Magalhães no desfile da Independente da Praça da Bandeira. A escola de São João de Meriti foi a sexta a se apresentar no dia de inauguração dos desfiles da Série Prata em 2026 e exaltou a ancestralidade e a herança deixada pelo povo preto africano no Nordeste brasileiro. A comunidade, contudo, poderia ter reconhecido com mais intensidade a força do enredo e cantado o samba com maior presença.

COMISSÃO DE FRENTE

A comissão de frente, do coreógrafo Alisson Coutinho, apostou em levar a essência do maculelê para a Avenida. Todos, incluindo ele, usavam vestimentas tradicionais da dança e tinham pinturas brancas espalhadas pelo corpo. O grupo demonstrava sua força no verso “É preto o Nordeste do meu país”, seguido por um grito de guerra. A expressão corporal, a sincronia entre os dançarinos e o bater de bastões em momentos estratégicos do enredo foram destaques da apresentação.

MESTRE-SALA E PORTA-BANDEIRA

O casal de mestre-sala e porta-bandeira, Douglas Valle e Priscila Costa, executou a performance com segurança em todos os módulos de julgamento. Excelente condução do pavilhão, que em nenhum momento se deixou enrolar. Douglas acompanhou os passos de Priscila com agilidade, sem ficar para trás.

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Fotos: S1 Comunicação/Divulgação

ENREDO

Desenvolvido pelos carnavalescos Ricardo Paulino e Robson Goulart, o enredo da Praça da Bandeira para o Carnaval 2026 colocou no holofote o protagonismo negro na formação da identidade nordestina. Da comissão de frente ao último carro alegórico, o “Grande Sertão Negro” mostrou que, além da ancestralidade cultuada no candomblé, a culinária, a música e a dança também possuem raízes nas manifestações culturais africanas, que, durante séculos, resistiram ao apagamento promovido pela colonização no Brasil.

EVOLUÇÃO

A agremiação chegou à dispersão e finalizou o desfile com tempo de sobra, faltando três minutos para o limite estabelecido. Em um breve momento, a distância entre a comissão de frente, o primeiro casal e o abre-alas se acentuou na Avenida. Menção honrosa ao trabalho da ala de passistas, que deu um show de samba e carisma ao longo da Passarela Popular do Samba.

HARMONIA

Apesar do trabalho consistente do intérprete Diego Nascimento à frente do carro de som, a resposta da comunidade deixou a desejar. Eram poucos os componentes que cantavam a plenos pulmões pela escola. Alguns passavam pelos módulos de julgamento até cabisbaixos, contrariando a proposta e a energia do samba-enredo. Vale atenção a esse quesito nos próximos desfiles.

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SAMBA-ENREDO

O samba-enredo da Praça da Bandeira contou com a assinatura do grupo formado por Marquinhos Beija-Flor, Claudia Rossa, Rafael Gravino, Gabriel Simões e Breno Santos Amaral. O refrão reforçava a proposta central da temática, reverenciar o legado deixado pelo povo preto: “E a minha Praça da Bandeira sai do gueto / Pra saudar o povo preto, Inaê Mojubá”.

FANTASIAS E ALEGORIAS

O abre-alas da Praça da Bandeira chegou poderoso ao ponto de largada, com o nome da escola em evidência. No entanto, a iluminação do carro falhou próximo à terceira cabine de jurados, permanecendo assim até a dispersão. Já a segunda alegoria, “Mesa farta das mães pretas”, apresentou a força ancestral do tempero da baiana em pratos típicos da culinária nordestina. Por fim, o terceiro carro, “Festanças e frevança com muita dança, aí”, concluiu a passagem da Praça da Bandeira pela Intendente com a totalidade da obra.

De modo geral, a história contada pela agremiação era de fácil compreensão por meio das alegorias, mas o acabamento poderia ter sido mais aprimorado.

A diversidade de cores reinou no conjunto de fantasias. As roupas do primeiro casal e das baianas, sobretudo, estavam luxuosas e muito bem acabadas.

OUTROS DESTAQUES

A bateria “Terremoto”, dos mestres Josué Lourenço e Jefferson, representou os “Filhos de Gandhy”, maior grupo de afoxé de Salvador, e implementou elementos rítmicos do jongo nas bossas. Destaque também para o muso Tarso Alessandro, que apresentou a terceira alegoria com muito samba no pé e sorriso no rosto.