
A Unidos de Vila Isabel apresentou, na noite da última quarta-feira, a sinopse do enredo “Torto Arado: sobre a terra há de viver sempre o mais forte”, assinado pelos carnavalescos Gabriel Haddad e Leonardo Bora e pelo pesquisador Vinícius Natal. Adaptação do aclamado livro do escritor baiano Itamar Vieira Júnior, o projeto levará para a Marquês de Sapucaí a resistência quilombola e a tradição religiosa do Jarê. O presidente Luiz Guimarães não escondeu o entusiasmo: a proposta foi apresentada, e ele a abraçou de imediato.
“É um grande livro, com uma grande história, que tem tudo a ver com a Vila Isabel. Nenhuma outra escola poderia contar esse enredo como a Vila, como já fizemos em outros carnavais”, afirmou Guimarães.
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A conexão entre a narrativa de Itamar e a identidade da escola foi, segundo ele, se tornando ainda mais evidente ao longo do processo de imersão na pesquisa. “Fiquei encantado. Essa sinergia já vem desde o início. Foi uma conexão que potencializou essa sinopse tão rica, e tenho certeza de que faremos um grande carnaval”, disse.
Dia de desfile não muda os planos
Com o enredo já definido antes mesmo do sorteio da ordem dos desfiles, realizado em abril, a posição do dia na grade de competição passou a ser fator secundário para a direção da escola. A Vila Isabel vai desfilar como última escola no domingo de carnaval, dia que, historicamente, não é o preferido entre as agremiações. Para Guimarães, porém, o assunto está encerrado antes de começar.
“O dia de desfile é indiferente à nossa escolha de enredo. Já estávamos com isso bem desenhado”, disse o presidente.
Disputa de samba enxuta e respeitosa
A disputa de samba-enredo de 2027 também já tem formato definido. A Vila Isabel optou por uma competição mais compacta, com previsão de duração entre três e quatro semanas. O calendário foi pensado para atender à agenda dos compositores e amortizar o impacto financeiro que disputas longas costumam gerar.
“Será uma disputa muito forte, mais um ano de grandes obras. Uma disputa bem simples para otimizar o tempo e o financeiro dos compositores. Procuramos pensar em todos os lados. As portas do barracão da Vila Isabel vão estar sempre abertas para que todas as parcerias possam conversar conosco. É um ambiente acolhedor, e a gente sempre trata todo mundo com o maior respeito”, afirmou.
Evento na Chapada Diamantina?
Quem acompanhou o lançamento do enredo de 2026, quando a Vila Isabel levou o público à Pedra do Sal, reduto histórico do homenageado Heitor dos Prazeres, e depois retornou ao espaço para a final do samba, sabe que a escola sabe criar experiências fora da quadra. O sucesso daquelas duas edições acendeu uma pergunta natural: a Vila vai repetir o formato para “Torto Arado”?
Luiz Guimarães não fechou a porta. “Quem sabe a gente não faça, ainda nesse processo deste ano, um evento lá na Chapada”, disse, sinalizando que a possibilidade está sendo avaliada. A confirmação, por ora, fica para os próximos capítulos.










