Documentário ‘Chegou o Carnaval’ mostra expectativa das escolas de samba para a retomada da folia
A maior festa popular do país está de volta. Após dois anos sem desfiles, a ansiedade toma conta dos integrantes das escolas de samba do Rio de Janeiro que enfrentaram inúmeros desafios para fazer o Carnaval acontecer em 2022. Faltando uma semana para a emoção invadir a avenida, a GloboNews exibe o documentário original ‘Chegou o Carnaval’ neste domingo, dia 17, às 23h, com relatos de pessoas envolvidas na construção do espetáculo diante das incertezas que cercavam a sua realização. A produção mostra como as escolas e seus componentes enfrentaram a pandemia de Covid-19 e, mesmo sem seu principal meio de sustento, buscaram superar esse momento para retomar a sua maior paixão – o Carnaval.

Profissionais que trabalham o ano inteiro para dar vida ao ‘maior espetáculo da Terra’ relembram as dificuldades que passaram com o cancelamento da festa. “Eu tive amigos diretores de bateria e até ritmistas próximos a mim que não tinham nada. Me ligavam pedindo socorro porque não tinham dinheiro para comprar um botijão de gás. Eu tirava do meu bolso para dar a eles”, conta Casagrande, mestre de bateria da Unidos da Tijuca.
“O povo do samba entendeu que era momento de se recolher, que tínhamos que esperar pela chegada da vacina, que não era a única esperança só para o mundo do samba, mas para toda a humanidade. Foram momentos muito difíceis, de olhar pela janela e perguntar: o que vai acontecer amanhã?”, diz Selminha Sorriso, porta-bandeira da Beija-Flor de Nilópolis.
Durante a pandemia, as escolas de samba criaram uma série de alternativas para auxiliar os trabalhadores que têm a folia como a sua principal fonte de renda, como as costureiras das agremiações, que passaram a produzir máscaras de proteção para serem distribuídas em troca de cestas básicas. O documentário também mostra que, com a chegada dos imunizantes contra a Covid-19, as quadras das agremiações se tornaram postos de vacinação. “Com isso, a escola de samba mostra a sua importância de estar no meio da comunidade, porque ela tem essa relação com os outros atores sociais que estão no seu entorno” ressalta o jornalista Leonardo Bruno, comentarista dos desfiles das escolas de samba da Série Ouro do Rio de Janeiro na TV Globo.
De acordo com o economista ouvido pelo documentário, Cláudio Considera, a não realização do Carnaval no ano passado representou uma perda de R$ 5,5 bilhões para a cidade do Rio de Janeiro, o que representa 1,5% do PIB carioca. “O setor de serviços é a principal atividade econômica do Rio de Janeiro. É uma perda que não tem volta”.
Também no documentário, o prefeito Eduardo Paes reforça que o ISS, principal arrecadação municipal, despencou em fevereiro do ano passado, mês em que geralmente é realizado o Carnaval. “Os dados são muito importantes porque não só nos ajudam a identificar, monitorar e divulgar a importância dessa celebração, mas também para termos clareza de quais segmentos da nossa sociedade foram impactados e, assim, produzirmos políticas públicas para ajudar essas pessoas”.
A expectativa é que a realização dos desfiles em abril consolide a retomada da folia e resulte em aumento de arrecadação. Para o mundo do samba, esse Carnaval tem tudo para ser o maior da história. “Para mim vai ser um momento de grande emoção. A expectativa está muito grande. Imagina a emoção que irei sentir quando eu der o grito de guerra”, ressalta o intérprete Neguinho da Beija-Flor.
“Acho que vai ser uma festa muito bonita, vai parecer que nem teve pandemia. Esse ano não precisa ter medo se o povo estará frio na avenida. Não vai estar. Está todo mundo doido para ver uma escola de samba. Talvez seja o Carnaval mais privilegiado de todos”, afirma a carnavalesca Rosa Magalhães.
O documentário tem direção conjunta de Daniel Botelho, João Mariano, Pedro Umberto e Sandro Arieta. A direção de fotografia é de Rafael Quintão e Luiz Paulo Mesquita.
O documentário ‘Chegou o Carnaval’ vai ao ar no próximo domingo, dia 17, às 23h, na GloboNews.
Beija-Flor perdeu 12 décimos em enredo e apenas um em bateria, casal e harmonia nos últimos cinco carnavais
Maior campeã da Era Sambódromo, a Beija-Flor virou o bicho papão da avenida a partir dos anos 2000. Os sambistas eram unânimes, para ganhar o carnaval, era preciso superar a Deusa da Passarela. Mas nos últimos anos isso mudou um pouco. Apesar de campeã duas vezes na última década, segundo o levantamento da série “De olho nos quesitos”, a escola não gabaritou nenhum quesito nos últimos cinco anos.

Acostumada a comemorar notas 10 na apuração, a azul e branca nilopolitana tem na sua bateria o quesito de maior sucesso, com apenas um décimo perdido desde 2016. Enredo vem sendo o calcanhar de aquiles da escola, com 1,2 ponto perdido no período. Foi um total de 47 penalizações, a maioria no catastrófico desfile de 2019.
Confira o desempenho quesito a quesito da Beija-Flor:
Alegorias e Adereços
Reconhecida por sua opulência volumétrica, a Beija-Flor perdeu sua pujança de alegorias nos últimos desfiles, até mesmo naquele em que foi campeão. A última nota 30 em alegorias foi no ano de 2017, quando a escola impressionou com um conjunto alegórico belíssimo. Em 2018 e 2020 dois décimos ficaram pelo caminho e em 2019 foram três, totalizando sete em cinco carnavais.

Bateria
Acostumada a impulsionar o canto e a dança nilopolitana, a bateria da Beija-Flor é um dos quesitos mais fortes da escola no levantamento feito pela reportagem do site CARNAVALESCO. Apenas um décimo perdido em 2016 e mesmo assim houve muita polêmica à época com as notas aplicadas para os ritmistas de mestre Rodney. Desde 2017 a escola alcançou a pontuação máxima em bateria.
Comissão de Frente
Não fosse a catastrófica comissão de frente no desfile de 2019, que perdeu impressionantes seis décimos nos módulos de julgamento, o quesito também seria um dos melhores da Beija-Flor nos últimos carnavais. Porém a equivocada concepção daquela apresentação vitimou este quesito, que só não perdeu mais décimos que alegorias, fantasias e enredo.

Enredo
Muito criticada por concepções de enredo equivocadas nos últimos anos, a Beija-Flor sente nas notas as falhas apresentadas neste quesito na avenida. No título de 2018 a escola perdeu um décimo e em 2020 mais um. Nos polêmicos desfiles de 2016, 2017 e 2019 os jurados puniram bastante a escola com um total de 1 ponto de desconto, fazendo com que enredo seja o pior quesito da Beija-Flor desde 2016.
Evolução
Acostumada a dar aula de evolução na avenida, já fazem dois carnavais em que a Beija-Flor não consegue sair da apuração com a excelência no quesito. Mais uma vez o desfile de 2019 contamina a média geral, uma vez que foi meio ponto perdido de uma vez, que viram seis décimos se somados com o décimo perdido em 2020.

Fantasias
Com propostas estéticas diferentes em cada ano, a Beija-Flor não agradou os jurados com seus figurinos nos últimos desfiles. A estética indígena de 2017 respondeu pela perda de 40% dos décimos do levantamento dos últimos cinco anos. Foram mais três décimos em 2017, um em 2018 e dois em 2019. Apenas enredo teve desempenho inferior no período estudado. Em 2020 a escola conseguiu os 30 pontos, totalizando 1 ponto perdido desde 2016.
Harmonia
Assim como bateria, harmonia também beirou a excelência nos últimos desfiles da Beija-Flor. Não chega a ser novidade, já que o canto nilopolitano é reconhecido como um dos mais fortes da avenida. Apenas em 2019 a escola saiu da apuração sem os 30 pontos, quando perdeu um décimo.

Mestre-Sala e Porta-Bandeira
Claudinho e Selminha Sorriso são um dos maiores casais da história do carnaval e refletem isso em notas alcançadas. Desde 2016, perderam apenas um décimo desde 2016, também no acidentado desfile de 2019. Ao lado de bateria e harmonia o melhor desempenho da escola.
Samba-Enredo
Desempenho irregular da Deusa da Passarela em um dos quesitos tradicionais historicamente. Até mesmo o samba de 2017, muito premiado, não obteve os 30 pontos, perdendo um décimo. Com os dois décimos perdidos em 2019, totalizam três de penalização total nos últimos cinco anos.
Prefeitura do Rio apresenta planejamento para o Carnaval 2022 com ponto facultativo na quarta e sexta-feira
A Prefeitura do Rio apresentou na tarde desta quinta-feira o planejamento para o Carnaval das escolas de samba. Os desfiles acontecerão no Sambódromo da Marquês de Sapucaí e na Intendente Magalhães. Haverá também shows no Terreirão do Samba. A operação com o deslocamento dos carros alegóricos começará às 23h, de segunda-feira, dia 18 de abril. o Centro de Operaçõs estará ligado ao monitoramento feito pela Liesa, com câmeras ligadas na Sala de Controle. A Prefeitura do Rio e o Estado decretaram ponto facultativo na quarta-feira, dia 20 de abril, e na sexta-feira, dia 22 de abril. Segundo a Associação Brasileira da Indústria de Hotéis (ABIH), o nível de ocupação da rede hoteleira será de 85%. A Prefeitura do Rio informou que haverá cobrança do passaporte vacinal na Sapucaí, Intendente e Terreirão do Samba.

“Vamos ter uma posição com o Centro de Operações utilizando diversas ferramentas para fazer a integração com outros agentes. Haverá também a transmissão das câmeras internas que a Liesa coloca no Sambódromo. Os operadores do Centro de Operações vão ter acesso. Teremos câmeras no entorno do Sambódromo para fazer monitoramento dos carros alegóricos”, disse Alexandre Cardeman, Chefe do Centro de Operações.
A secretaria municipal de Saúde montou a operação com sete postos hospitalares no Sambódromo, sendo 32 leitos, com oito de suporte avançado. A localização será na concentração, na apoteose e nos setores 2, 7, 8, 10 e 11. Serão 71 profissionais trabalhando por dia com 26 médicos, 18 enfermeitos, 27 técnicos de enfermagem. A Intendente Magalhães terá 1 posto médico e quatro ambulâncias.

“Vamos fiscalizar a cobrança do passaporte vacional. A Liesa fez isso nos ensaios técnicos e funcionou muito bem. Serão 65 servidores que farão a fiscalização nas dependências do Sambódromo, no Terreirão e nas áreas públicas no entorno”, disse Rodrigo Prado, secretário de Saúde.
A Comlurb colocará quase 4400 funcionários. Serão 33 veículos, 14 mini varredeiras, 16 sopradores, e, pela primeira vez, haverá varredeiras na Intendente. A limpeza interna do Sambódromo será feita por 496 garis, com 25 veículos por dia. A externa terá 138 garis com 9 veículos por dia. Na Intendente vão ser 115 garis.
A Guarda Municipal vai atuar mais de 3 mil funcionários, sendo 512 por dia. Para o ordenamento do trânsito serão 1800, 300 por dia. Vão ser colocadas duas bases operacionais para suporte ao coletiva. Na Intendente, o efetivo será de 264, sendo 44 por dia, com 60 guardas municipais para atuação exclusiva no trânsito.
Todas linhas de ônibus das Zonas Norte e Oeste para o Centro e Zona Sul farão o desvio pelo Rio Comprido. As linhas provenientes da Zona Sul vão circular pela pista lateral da Avenida Presidente Vargas, sentido Praça da Bandeira.



Série Barracões São Paulo: Gaviões da Fiel convoca público para iniciar uma ‘revolução’ na avenida
Os Gaviões da Fiel receberam a equipe do site CARNAVALESCO em seu barracão para falar dos preparativos para o Carnaval 2022. Segunda escola a desfilar no sábado, dia 23, a Torcida que Samba escolheu externar a indignação com todas as formas de preconceito e a hipocrisia da sociedade na forma do enredo intitulado “Basta!”, que teve como gatilho para seu desenvolvimento o assassinato do afroamericano George Floyd em maio de 2020.

O tema começou a ser desenvolvido por Paulo Barros, que se desligou da escola em setembro do mesmo ano. Assumiram em seguida a equipe comandada pelo carnavalesco Zilkson Reis, que assinou diversos carnavais recentes dos Gaviões. Os preparativos finais estão sendo conduzidos pelo enredista Júlio Poloni, outro profissional já conhecido da folia paulistana, que explicou como o enredo será abordado no Sambódromo do Anhembi.
“O ‘Basta!’ da Gaviões da Fiel é um grito contra diversas injustiças que nos aflige hoje em dia. É um desfile que vai apontar diversos desses problemas que o brasileiro enfrenta hoje, e vamos dar um grande ‘basta’ contra todos eles. A gente começa abordando a questão do racismo. Evidencia como a questão do racismo é um problema estrutural no Brasil de hoje. A gente fala também de pobreza, de miserabilidade, de desvalorização do trabalhador, e acabamos chegando na questão da desigualdade, que é um problema que a gente não suporta mais viver com ele. Precisamos da superação das nossas desigualdades sociais, que no Brasil são extremamente profundas, evidentes e machucam a todos nós”, disse.

A partir do segundo setor a escola apresentará, de forma explícita, alguns dos grandes crimes contra a humanidade que estão sendo cometidos diariamente e que precisam ser vistos como inaceitáveis por todos. Da bonança dos ricos contrastada com a miséria dos pobres à questão ambiental, que ganhou muita evidência nos últimos anos.
“Também vamos fazer um grito contra a devastação ambiental, a desvalorização das vidas indígenas, que também é um problema que tem se acentuado ultimamente, e vamos colocar um ‘basta’ contra a ascensão de governos fascistas que temos observado. Aí também entra a questão da intolerância religiosa, da censura de imprensa. Esses são os principais gritos que vamos trazer, os principais ‘bastas’ que vamos trazer para a avenida”.
A comunidade alvinegra pretende iniciar uma revolução na avenida com um desfile muito diferente do que costumamos ver em São Paulo, mas que tem eclodido em outros carnavais já a algum tempo. Seu setor final é dedicado exatamente para a promoção desse movimento, onde através de nomes marcados na história projeta ser a voz na luta por um futuro de paz.

“Por fim, faremos uma revolução em plena pista, um ‘levante’ à moda brasileira, utilizando do carnaval para fazer uma revolução. E no nosso desfile nos inspiramos em figuras históricas internacionais como Ghandi, Mandela, Frida Kahlo, e em personalidades brasileiras como Raoni, Irmã Dulce, Paulo Freire, Sócrates, Marielle, para fazer a nossa revolução. Por uma sociedade em que a natureza é preservada, tenhamos saúde e educação para todos, democracia e igualdade a gente atinja. Esse é o nosso objetivo no nosso carnaval”.
Um enredo que se atualiza como o jornal do dia
Foi usando essa definição que Júlio detalhou as mudanças que a temática abordada sofreu desde quando Zilkson e sua equipe assumiram o projeto. À época a pandemia da covid-19 estava apenas começando, e ela foi responsável por dar holofotes a inúmeros acontecimentos que causaram indignação no Brasil e no mundo. Para que o desfile não fosse marcado por pautas frias, que já não são mais debatidas pelas pessoas, elementos do enredo idealizado para 2021 precisaram ser revisados.

“Fizemos diversas modificações por diferentes motivos. O primeiro deles é porque foi um enredo pensado em 2020, e como é um enredo muito atual tivemos que atualizar algumas coisas em relação a assuntos que deveríamos abordar ou não. Como por exemplo, naquela época tinham menções ao Trump, que resolvemos nesse momento retirar porque seria uma coisa fria para o desfile. Alterações desse tipo tiveram que ser feitas. Além disso, adicionamos novos ‘temperos’ em relação ao que estava previsto inicialmente, justamente porque hoje temos pontos que estão mais em alta do que na época, como por exemplo a questão indígena, e demos uma readequada em toda a linguagem para ficar mais com a cara da Gaviões da Fiel, com o nosso momento vivido hoje”.
Questionado se o público verá alguma herança dos tempos de Paulo Barros, que foi um dos responsáveis pelo desfile anterior, o enredista foi bem claro a respeito, mas garantiu que não é por isso que a escola deixará de apresentar novidades.

“Já preparando o público, nós não teremos um desfile ‘paulobarriano’. Teremos um desfile esteticamente mais tradicional. No entanto nós viremos com outros elementos, principalmente de impacto, de leitura visual, que acreditamos que dará um impacto no público tão grande ou muito maior do que essas inovações que são conhecidas dele”.
Um desfile que quer gerar indignação
Desde quando o enredo foi anunciado, já era possível deduzir que o desfile planejado pelos Gaviões da Fiel não seria comum. A intenção de fazer um carnaval carregado de absurdos que sabemos que existem não é escondida por ninguém, e promete ser um marco na história do carnaval se for bem executado. Júlio quer que esses sentimentos sejam externados por todos, e todo o projeto está sendo voltado para de fato fazer o público soltar esse grito entalado na garganta ao reproduzir artisticamente cenas chocantes.

“Todas aquelas pessoas que vão assistir ao desfile, e que estão com esse grito de ‘basta’ preso na garganta, irão se emocionar. Vão sentir raiva, mas é uma raiva que não gera violência, e sim uma raiva que gera cultura, assim como faremos na avenida. Mas precisamos ter raiva contra essas coisas que mostraremos na pista. Será um desfile muito emocional. O público vai entender claramente a mensagem, e certamente as pessoas que estiverem com esse grito engasgado vão se emocionar certamente. Esse é o ponto que eu destaco. Todas as nossas alegorias são muito fortes, com mensagens muito fortes”.
Indagado se em algum momento da apresentação o público pode se manifestar de alguma forma diferente do que se costuma ver em desfiles de escolas de samba, o artista acredita que sim.
“Muito difícil prever a manifestação do público, mas acho que é um desfile que engaja, que chama o público para gritar junto. Então acredito que sim, é uma possibilidade”.
Um trabalho dividido com todos
Em meio aos preparativos finais da concepção do carnaval, a escola precisou lidar com um incidente interno lamentável. O carnavalesco Zilkson Reis foi brutalmente agredido dentro da quadra após um dos ensaios promovidos, e até o momento permanece internado na Santa Casa de Misericórdia de São Paulo. Júlio Poloni precisou assumir as funções de Zilkson e tem trabalhado com bravura para colocar os Gaviões da Fiel na avenida. Falou sobre esse desafio inesperado e aproveitou para mandar seus votos ao líder da equipe de barracão.

“A ausência do Zilkson tem nos demandado muito. Não só de mim, mas de toda a equipe. Todos nós tomamos a frente de alguma parte que seria dele. Estamos com unhas e dentes para fazer o nosso melhor, e estamos todos nós na torcida para que Zilkson tenha sua saúde totalmente restabelecida o quanto antes”.
Um resumo do que passará na avenida
“O nosso desfile não é setorizado, mas tem uma sequência lógica. Começamos colocando a questão do racismo, então vamos resgatar desde o início, lá antigamente, desde quando as populações africanas eram reis e rainhas em suas terras até serem escravizados e chegarem ao Brasil nessa condição. A partir daí abordamos o consequente racismo estrutural. Falamos da pobreza, da miséria, da desvalorização do trabalhador. Colocamos a questão da vida nas comunidades, da falta da infraestrutura, da falta de condições e oportunidades de vida. Desembocamos na desigualdade social. Na sequência falamos de governos fascistas, depois apresentamos a luta indígena e encerramos com a gente adentrando a nossa revolução”.
Ficha Técnica
Enredo: “Basta!”
Alegorias: 4 + 1 tripé
Alas: 10
Componentes: 2000
Sabrina Sato lança reality #CarnavaldaSabrina no GNT
Prepare o fôlego: vem aí uma nova temporada do #CarnavaldaSabrina. O reality vem cheio de novidades e promete mostrar ainda mais a intimidade e os desafios de uma das maiores celebridades do país, Sabrina Sato, durante o carnaval. E este ano faz sua estreia na programação do GNT.

O #CarnavaldaSabrina será dividido em quatro episódios, trazendo a correria, os melhores momentos, os bastidores da Rainha de bateria de duas grandes escolas de samba: Vila Isabel, no Rio de Janeiro, e Gaviões da Fiel, em São Paulo; e musa dos Camarotes N1 (RJ) e Bar Brahma (SP). Além dos ensaios, provas de roupa, e todas os compromissos de Carnaval, o público acompanhará sua agenda (sem cortes) com as gravações dos programas ‘Desapegue se for Capaz’ e ‘Saia Justa’. Os episódios ainda contarão com entrevistas, depoimentos e quadros, de Sabrina com sua equipe e muitos personagens que cruzam sua rotina nesta época do ano.

Os teasers do primeiro episódio já revelam toda essa adrenalina. Em paralelo, todas as mudanças na vida pessoal e profissional que impactaram a vida de Sabrina nos últimos meses, com destaque ao relacionamento com o marido Duda Nagle e a sua chegada à Rede Globo, serão mostrados também no episódio número um.
“A nova temporada do #CarnavaldaSabrina está uma loucura. Acho que nunca esperamos tanto por um Carnaval, e o Reality traduz toda essa nossa correria. Ansiedade e emoção nesses dias frenéticos que antecedem os desfiles. Entre toda maratona do carnaval, vocês também vão acompanhar, sem filtro, todas as mudanças na minha vida pessoal e profissional que impactaram meus últimos dias. E pra ficar ainda mais maravilhoso, este ano faremos nossa estreia na programação do GNT. Não poderia estar mais feliz e realizada”.

Achou que acabou? Calma, tem mais. Em um dos últimos episódios mostrará a preparação para o consagrado Baile da Vogue, que fecha seu Carnaval com chave de outro.
O reality criado por Sabrina Sato será lançado nessa terça-feira (12), às 23h30, na grade do GNT e no seu Canal da Sabrina, no YouTube. A atração contará ainda com uma maratona de exibição dos quatro episódios no GNT, no sábado, dia 7 de maio, das 17h às 18h30.
Fábio Ricardo destrincha desfile da Mocidade na série ‘Barracões Grupo Especial Rio’: ‘Escola precisava de um enredo afro’
A espera foi longa, mas a Mocidade Independente de Padre Miguel, enfim, levará um enredo afro para a Marquês de Sapucaí. Com o ‘Batuque ao Caçador’, a escola vai homenagear o orixá Oxóssi, além de fazer uma reverência à bateria ‘Não Existe Mais Quente’ e aos grandes mestres que a comandaram. À reportagem, o carnavalesco Fábio Ricardo revelou que a temática afro já era um desejo antigo da comunidade e explicou como a ideia do enredo chegou até ele.

“Quando eu fui contratado pelo presidente Flávio, já havia a ideia de fazer esse enredo. A escola já queria fazer um enredo afro que há muitos anos não fazia. E aí se uniu essa ideia a fazer uma homenagem ao padroeiro da escola e da bateria. Rolou até aquele boato que ia ser Azeite, mas é papo que surge por aí. A partir daí eu entro, e começo a me reunir com as pessoas da escola para pensar o enredo. Por sempre respeitar onde estou pisando, fui entender o que a escola estava precisando”, disse Fábio, que emendou:
“Um, ela precisava de um enredo afro, com toda uma plástica afro; dois, ela quer fazer essa homenagem ao padroeiro; e três, que é homenagear a bateria. Essas três vontades se uniram e surgiu esse enredo. O presidente me deu toda liberdade para desenvolver o enredo e eu fui montando. Poderia se chamar ‘Oxóssi’, ‘Odé’, ‘Caçador’, mas dentro dessa atmosfera de estudo, a gente optou pelo ‘Batuque ao Caçador’, pela forma como a gente iria montar o enredo”, completou.

O último enredo afro da Mocidade havia sido em 1976, com ‘Mãe menininha do Gantois’, do gênio Arlindo Rodrigues. Candomblecista, Fábio Ricardo explicou que a construção do Carnaval passou por várias pessoas, desde o historiador André Luis Júnior, ao jornalista Fábio Fabato, que escreveu a sinopse do enredo, até o diretor Marino, que trouxe a essência da escola ao tema. O carnavalesco, que demonstrou preocupação em não transformar 2022 em um ‘Vira, Virou’ (enredo campeão em 1990), falou sobre o que lhe chamou mais atenção durante a pesquisa para o desfile.
“O que mais me chamou atenção nessa pesquisa foi conhecer mais sobre a Mocidade. Porque antes, eu só via os grandes carnavais que a escola já tinha feito. Então, eu tive a grande e grata surpresa de logo no meu primeiro ano de escola fazer um enredo que aprendi a história da escola a fundo. Isso que para mim foi o mais legal. É muito bom fazer esse serviço para a Mocidade e ao mesmo tempo aprender sobre ela, porque todo ano o carnavalesco tem uma grande aula de história”, contou Fábio, antes de completar:

“Eu trabalho tudo dentro do barracão, faço meus horários aqui, crio, desenho, pesquiso na Cidade do Samba. E eu, nessa pandemia, tive a felicidade de fazer isso tudo em um momento único meu. Eu acho que também estava com a essência do orixá vibrando em mim. Foi muito marcante para mim essa montagem de enredo, de um orixá muito respeitado, que tem importância gigante na escola e na vida de qualquer pessoa, além de ser o orixá que eu sou feito”, revelou o artista.
Aos 47 anos, Fábio Ricardo faz seu primeiro ano na Mocidade. Antes, o carnavalesco já havia somado trabalhos por outras grandes escolas, como: Grande Rio, São Clemente, Império Serrano, Rocinha e Unidos de Padre Miguel. Presente no mini desfile na Cidade do Samba, o artista afirmou ter ficado impressionado com a força da comunidade e rasgou elogios ao samba, comissão de frente, e ao casal de Mestre-Sala e Porta-Bandeira. Ao CARNAVALESCO, Fábio afirmou que o grande trunfo da Mocidade será a retomada da grandiosidade da escola, e os componentes se sentirem parte do enredo.

“A palavra campeonato é consequência do que vai acontecer lá na hora, na Sapucaí. Não estou sendo pessimista, pelo contrário, estou muito otimista. Vou tentar fazer o meu melhor com todos os recursos que eu tenho à disposição. Agora, sobre o desfile, independente das fantasias, carros alegóricos, quero respeitar a escola e trazer de volta a imagem de grandeza que é característica da Mocidade, sem desmerecer que passou por aqui. O grande diferencial acho que vai ser a própria escola enxergar o que ela queria e precisava ver na Avenida. A força dos componentes vai levar à Mocidade a um grande desfile”, comentou Fábio.
Em 2020, em um enredo sobre Elza Soares, rodeado de expectativas, a Mocidade não fez grande desfile na questão plástica. No quesito fantasia, a Estrela Guia perdeu três décimos, que lhe renderia o título caso gabaritasse o quesito. A agremiação ainda levou um 9,8 em Alegorias e Adereços, mas a nota foi descartada. Por conta disso, a escola optou por uma troca de carnavalescos e trouxe Fábio Ricardo, que conseguiu nota máxima nos quesitos citados no desfile pela Unidos de Padre Miguel há dois anos.

“A escola me contratou exatamente por conta disso, das fantasias e alegorias. Eu desenhei todas as fantasias e fiz todos os pilotos, agora elas estão sendo reproduzidas. As alegorias, a mesma coisa. O meu melhor eu estou dando para conseguir sempre as notas 10, como tem acontecido nos últimos anos. Eu gosto de ser elegante nos meus carros, de ser limpo e de fácil entendimento. Não adianta fazer luxo pelo luxo, ou coreografia por coreografia. Eu faço tudo com base e conhecimento, dentro do que foi proposto, não fazer por fazer”, explicou o carnavalesco.
No desfile, a Mocidade trará Oxóssi com uma anunciação em um primeiro momento, passando por suas origens e orixás relacionados. Na sequência, a Estrela Guia contará histórias e lendas de Oxóssi, seguida da chegada do orixá ao Brasil. Por fim, a escola fará uma grande homenagem à bateria ‘Não Existe Mais Quente’ e seus mestres citados no samba, com a tradicional batida do agueré para o orixá. O último setor terá fantasias de baterias de desfiles históricos da Mocidade. Fábio Ricardo encerrou com uma explicação do desfile setor a setor.
Entenda o desfile da Mocidade Independente de Padre Miguel
1° SETOR
“Nosso primeiro setor vai ser uma grande anunciação a esse grande orixá, um tributo a Oxóssi. Nesse setor já vamos abordar a ancestralidade desse grande batuque que surgiu há milhares de anos, com o toque do agueré. Nós vamos pedir permissão a Orum, para que Orunmilá determine o caminho certo que a Mocidade vai tomar para contar essa história. Então, já teremos no início esse toque do agueré com os tambores africanos, com uma grande falange de olodés, que é um conjunto de caçadores”.

2° SETOR
“No segundo momento, a escola vem falando sobre a origem desse orixá, onde nasceu, quem está envolvido e qual a família dele, representado pelos idilés. E entre as alas vem toda família dele, Exú, Ogum, Iemanjá. Neste setor, a gente explica porque Oxóssi é o senhor da prosperidade, da caça. Então tudo sobre a forma dele entra nesta parte. Falamos da importância de Ogum, irmão que deu a ferramenta e ensinou ele a caçar. Vamos abordar também Ossain, que é o orixá do plantio, onde Oxóssi aprendeu o poder da cura e feitiços através da planta”.

3° SETOR
“No terceiro momento, vamos mostrar os itans, que são as lendas de passagens de Oxóssi por alguns outros orixás, como: Iansã, por qual Oxóssi foi extremamente apaixonado; Otim, que foi uma amiga caçadora inseparável dele; Oxumaré, que foi a cobra que ele não podia matar, como tem na letra do samba; e Oxalá, o deus maior que deu muitas missões para Oxóssi. Então são esses itans, que são contados em casas de candomblé e em rodas de xirê, e a gente transmite isso para a Sapucaí”.
4° SETOR
“O quarto setor é a passagem dessa essência e energia do orixá e chegada dele ao Brasil. E aí, por aqui, já chega de uma forma discriminada, onde entra o sincretismo religioso, no qual Oxóssi é representado por São Sebastião. E nesse setor, os negros chegam ao Brasil como escravos e tem contato com os indígenas que já estavam aqui. E aliados os dois povos, também nasce a Umbanda. E a gente fecha esse quarto momento da escola com uma grande reverência a todas as casas de candomblé por todo o Brasil que tocam esse agueré. E esses tambores, que saem da ancestralidade, passam pela família, dos itans, de guerra e chegam às casas de candomblé, que são os atabaques. E é justamente em uma dessas casa, a da Tia Chica, que nasce e é levado o agueré para dentro da bateria da Mocidade”.

5° SETOR
“O último setor vai ser uma grande bateria, homenageando todos esses grandes mestres que fizeram história na Mocidade. E a gente termina o desfile justamente com a ancestralidade, só que dessa vez dos grandes mestres que marcaram a bateria com o toque do agueré aqui dentro. Nessa constelação de estrelas dentro da estrela maior, que é a Mocidade, a gente tem o conjunto de pessoas que são parte da história da escola. A gente retorna, então, à essa ancestralidade não só de Oxóssi, como a da bateria da escola”.

Ficha técnica:
Número de alegorias: 5
Número de tripés: 1
Número de alas: 31
Número de componentes: 3500
Carnavalesco: Fábio Ricardo
Diretores de barracão: Wagner Félix e Alex Furtado
Aderecistas de carros alegóricos: Luciano Furtado e Junior Fontoura (Mineiro)
Projetistas de alegorias: Fernanda Teixeira e Renato Esteves
Entrevistão com Phelipe Lemos e Denadir Garcia: ‘o julgamento do quesito muitas vezes é subjetivo demais’
Casal formado para desfilarem juntos na Unidos da Tijuca no próximo carnaval, Denadir e Phelipe não veem a hora de poderem voltar ao solo sagrado da Sapucaí. Anunciados em 2020, a dupla que já nutre uma amizade de longo tempo, teve que se virar durante a pandemia e Phelipe conta que buscou novas fontes de receita para manter a casa e sustentar a família. Agora, com pouco tempo faltando para o desfile oficial, os preparativos estão a todo vapor para que a estreia do casal possa acontecer de forma maravilhosa.

Em entrevista ao site CARNAVALESCO, Phelipe e Denadir comentam o que admiram na dança de cada um, contam as dificuldades de quase dois anos sem pisar na Sapucaí e sobre as consequências de terem ficado muito tempo parados, citam os casais que são referência no carnaval, além de explicarem alguns conceitos que preferem na dança e na caracterização com a fantasia.
Como vocês receberam o convite para dançarem juntos?
Denadir: “Foi o Casagrande que indicou, se eu não me engano, o Phelipe também, mas a mim foi o Casagrande e a Geissa (assessora da Unidos da Tijuca) que me indicaram para a escola, e aí o Casagrande me ligou marcando uma reunião com o seu Fernando Horta no dia seguinte. E eu adorei o convite porque a Tijuca sempre foi uma escola que eu sempre quis desfilar, tem samba exaltação que é maravilhoso, e é uma escola que empolga muito”.
Phelipe:”Depois do rebaixamento da União da Ilha algumas escolas entraram em contato comigo para ver uma possível contratação. E aí o Casagrande, ele falou comigo em uma ligação e perguntou se eu tinha o interesse de vir para a Tijuca, de defender o pavilhão da Tijuca, e eu fiquei muito feliz, principalmente por ser ele um ícone da escola, um mestre muito renomado no carnaval, só que eu não sabia quem seria a porta-bandeira. Daí eu fiquei muito contente em saber na hora que eu fui conversar com o presidente Fernando Horta que a porta-bandeira seria a Denadir, que é minha amiga de mais de 20 anos, que me deu grandes oportunidades também no mundo do samba e isso me deixou mais feliz e mais empenhado para eu poder vir para a Unidos da Tijuca. É claro que também agora é uma responsabilidade muito maior por ela ser uma porta-bandeira experiente, a mais experiente que eu já tive. Adquiri muita experiência também com a Rafaela (Theodoro) e com a Dandara (Ventapane), mas elas eram menos experientes. E agora também me dá muita tranquilidade porque eu tenho uma grande porta-bandeira do meu lado”.

De um para o outro. Citem características que gostam do outro na dança?
Denadir:”Eu gosto do modo como ele se veste, da elegância dele, eu gosto do riscado dele, e assim, o que eu mais gosto na dança do Phelipe é que não tem como dançar com ele sério. Não digo sério de não estar sorrindo, você está sorrindo, mas ele está o tempo todo ali fazendo sempre uma brincadeira, inventando sempre um passo novo, e isso eu gosto muito, é muito legal, o trabalho se torna muito descontraído”.
Phelipe:”A Denadir é muito guerreira, é uma porta-bandeira muito tradicional, uma dança característica de força, aguerrida, também tem seus momentos de leveza, bailarina, mas não é tão bailarina assim, ela uma porta-bandeira mais raiz, que reproduz o que Maria Helena fazia, até mesmo da Lúcia (Lucinha Nobre), que é uma porta-bandeira que tem um pouco do balé na dança, mas é aquilo mais tradicional. Eu acho que essa tradição que ela carrega na dança dela é o que me encanta”.
Ficar dois anos sem desfilar é puxado para todos os casais? Pode impactar no desfile?
Denadir:” Eu espero que não fique, mas eu acredito que não é impactante para gente porque o casal de mestre-sala e porta-bandeira, ele não pára, acabou o carnaval a gente descansa, vamos botar aí um mês, no máximo dois meses, depois estamos ensaiando de novo, tem que colocar o corpo em movimento, teve a pandemia, ficamos um ano e pouco, quase dois, sem desfilar, eu e o Phelipe, a gente estava a todo tempo colocando o corpo em movimento, todo o tempo ensaiando, sempre fazendo funcional, porque o corpo não pode parar”.

Phelipe: “Provavelmente vai impactar. Pode ser que positivamente ou negativamente para alguns. Eu fiquei um ano e oito meses sem praticar a dança, mas cuidando da minha saúde física, cuidando do meu psicológico principalmente porque eu acho que o que vai contar muito nesse carnaval é o psicológico. Então, fez uma diferença grande. Nós ficamos sem ensaiar por conta das incertezas, nós tivemos que cada um correr para o seu lado, até por uma questão de prevenção a saúde, e também buscar uma fonte de renda extra. Eu sou funcionário do samba, eu trabalho no carnaval, não tenho outra fonte de renda, então eu tive que achar um meio de sustentar a minha família no meio disso tudo, então a gente deu uma parada e aí após os estudos serem feitos, e com as possibilidades que foram tendo, a gente foi retomando as atividades físicas e o trabalho de dança”.
O que vocês aperfeiçoariam no quesito de vocês?
Denadir: “Eu acredito que o que poderia melhorar, é os jurados não serem tão criteriosos como eles são. Porque já vi dançar muito bem na cabine e na quarta-feira de Cinzas o resultado não ser tão legal como a gente espera. Às vezes a gente olha aquele casal, ‘caraca, com certeza vai dar 10’, aí chega no dia, não é, e aí a gente quer saber o que aconteceu, lógico, que o olhar dos jurados é um, eu que estou ali na pista as vezes acompanhando, que quando é um amigo meu eu acompanho, as vezes eles até pedem, são olhares diferentes, mas a gente que é entendedor da dança, a gente que está ali de perto vendo, a gente acha que está tudo maravilhoso e tudo muito perfeito. Eu acho que o jurado podia olhar com mais carinho todos nós. Falta detalhamento na justificativa, bastante, até para gente não repetir no próximo ano, porque eles às vezes utilizam certos tipos de palavras que você entende de uma forma e não é aquilo que ele quer. Não fica claro”.

Phelipe: “É subjetivo demais, não concordo com muita coisa que é imposta pelos jurados, porque muitas vezes eles escrevem uma coisa para um movimento de um colega que eu fiz e ganhei 10 e vice-versa. Então, é muito gosto, esse gosto de julgar teria que ser excluído, eu acho que teria que ter um parâmetro, um grau de dificuldade de coreografia, e desenvolvimento de movimentos, seria bacana para poder incrementar esse julgamento, e não só o gosto pessoal de cada um”
Phelipe quando você decidiu fazer o passo de ficar na ponta do pé?
Phelipe: “Isso foi um presente, eu sempre admirei muito o Chiquinho, eu trabalhei na Alegria da Zona Sul, fui segundo mestre-sala dele e da Maria Helena, assim que eles saíram da Imperatriz, e assim que eu fui contratado para a Imperatriz, eu tinha que achar alguma maneira de me identificar com a comunidade, até porque eu vinha depois de Verônica e Ubirajara, Verônica havia dançando antes com Marcinho Diamante, e a Maria Helena e o Chiquinho ainda continuavam muito vivos ali, e eu tinha que achar uma maneira de ‘linkar’ o meu trabalho, que era jovem, com a história da escola que era de Maria Helena e Chiquinho, e foi onde eu tive a ideia de reproduzir um passo do Chiquinho. Obviamente da minha forma, com o meu tempo, com a minha velocidade, e eu vinha aprimorando durante estes dez anos aí, e agora já consigo ficar mais tempo na ponta e tudo mais. Mas, foi graças ao Chiquinho que eu cheguei aqui”.
Como funciona a produção da fantasia com vocês?
Denadir: “O Jack (Vasconcelos) foi bem legal, nós vamos vir em uma cor que nós pedimos, no setor que a gente pediu, a fantasia está bem bacana, e a gente acompanha tudo, a partir de ele desenhar, ele mostra, esse ano ele fez dois desenhos, mostrou e nós escolhemos o mais bonito, o que ficaria melhor para a gente, e o Fernando Magalhães foi quem a gente perturbou depois, porque é quem produziu a roupa”.

Phelipe: “A minha relação com o Jack é muito boa, a gente conversa muito, inclusive ele tem a preocupação de saber como a gente gosta de vir na Avenida. Eu particularmente gosto muito de vir de capa, não gosto muito de colocar peso nas costas porque na aerodinâmica dificulta o movimento, o giro por exemplo da pirueta. Eu acho que a capa dá o movimento que o esplendor tem, talvez até mais bonita porque é maior e dá um movimento melhor. Então, ele teve essa preocupação de perguntar o que cada um queria e colocou dentro da ideia dele o nosso pedido”.
Qual o desfile inesquecível de vocês? E porquê?
Denadir: “Eu tenho vários. Na realidade eu costumo dizer no ponto positivo, eu digo 2015, 2016 e 2019, e em um ponto negativo que eu nunca vou esquecer é 2018, porque era uma roupa que me incomodava muito, era muito pesada, e atrapalhou bastante os meus movimentos. Eu costumo dizer que o desfile é um conjunto, se o samba é bom, se a escola entra empolgada, aquilo tudo entra para dentro de você e você consegue fazer um bom desfile. Eu lembro que 2015 foi um desfile maravilhoso porque quando eu cheguei no Setor 1, que eu gosto muito de me apresentar no Setor 1, ali eu senti uma energia muito boa, na época do público comigo, comigo e com o meu parceiro, o Fabrício Pires, e ali ele olhou para mim, eu olhei para ele, eu chego a me arrepiar quando eu falo disso, eu falei ‘eu acho que esse ano é nosso ‘, ele disse que tinha certeza. E, nos outros anos no decorrer da Avenida sempre tem algo especial, parece, quando você acha ‘ah, tá chovendo ‘, ou eu já desfilei, eu lembro que em 2019 teve uma pessoa da frisa que estourou um champanhe na frente do jurado na primeira cabine, e eu pisei em cima, eu falei agora já era porque é escorregadio, e graças a Deus deu tudo certo, e assim a gente vê que acontece várias coisas e você consegue driblar aquilo tudo e fazer um bom desfile, aí sim se torna especial”.

Phelipe: “Foi 2014 com certeza, eu sou flamenguista, apesar de estar dançando agora em uma escola de raiz vascaína. Eu sou flamenguista e eu conheci o maior ídolo da minha vida, o Zico, depois do Zeca Pagodinho é claro, porque o Zeca eu vi, e o Zico não, eu não vi jogar, mas meu pai me contou muitas histórias do Zico e eu consegui apresentar ao meu pai o ídolo dele. Meu pai se emocionou. E, por ter conseguido garantir 40 pontos na Avenida, de ter garantido diversos prêmios”.
Qual porta-bandeira e qual mestre-sala são referências para vocês?
Denadir: “Eu tenho vários. Eu costumo dizer que todos são muito bons, mas alguns se destacam. Gosto muito da Selminha e do Claudinho, incomparável a dança deles, é maravilhosa. Gosto da Rute e do Julinho, gosto muito da Lúcia (Lucinha Nobre) e do Marlon. Os que chamam mais a minha atenção, são esses, gosto dos outros, mas os que me inspiram, cada um com suas características”.

Phelipe: “Eu tenho o Julinho como referência, tive o prazer de ser o segundo dele durante dois anos na Vila Isabel. Dele com a Rute. E, eu acho que eu me encontrei, eu acho que eu encontrei o Phelipe juntando a dança do Julinho e a dança do Raphael. Mas o Raphael é jovem que nem eu, e eu não cheguei a trabalhar com ele. E o Julinho eu trabalhei de perto, por isso que eu digo que o Julinho é minha referência. Mas, eu tenho o Claudinho também como referência de tradição, Selminha como referência de tradição também, que eu sempre gosto de enaltecer o trabalho do dois porque é a referência não só para mim, mas para todos os casais de mestre-sala e porta-bandeira de tradição de dança, a Selminha e o Claudinho”.
Como aliar a dança com a coreografia sem impactar a tradição do quesito?
Denadir: “Eu gosto mais do tradicional. Eu costumo dizer que eu gosto de arroz, feijão, bife e batata frita. É um prato que todo mundo gosta. Então, eu gosto do tradicional, mas com uma pitada de ousadia. Não tem um segredo, é durante o ensaio. Tem coisas que a gente quer fazer, acha bonito na coreografia, mas não se encaixa em uma dança de mestre-sala e porta-bandeira para o jurado. Às vezes na quadra a gente pode até colocar aquela coreografia, mas para o jurado não se encaixa, aí a gente tira, limpa de uma forma, vamos trocar, fazer de outra forma, até encaixar tudo”.
Phelipe: “Então aí é o segredo, é o pulo do gato que cada um tem que descobrir o seu. Eu gosto muito de inovar em movimentos principalmente dentro da letra do samba porque isso é o que a dança pede. A gente tem que dançar, diz o ditado, a gente tem que dançar conforme a música. Só que às vezes a música tem um ritmo diferente, uma batida diferente, e a gente não pode mudar a tradição do mestre-sala, por exemplo, para uma dança indígena, mas a gente pode colocar a dança indígena dentro da dança do mestre-sala e da porta-bandeira. É um pouco complicado esse limite entre o tradicional e a ousadia, mas graças a Deus, a parceria que eu tenho com a Denadir e com a nossa coreógrafa também, a Carol Villanova, que é bailarina do Carlinhos de Jesus, já trabalha com carnaval há muito tempo, a gente conseguiu achar o termo certo, nem o meio termo, a gente achou o termo completo para poder chegar na Avenida e poder fazer uma apresentação tradicional, mas também, homenagear a quem está sendo representado neste enredo ‘Waranã’ que é o povo indígena”.
Bandeira grande ou pequena? E por que?
Denadir: “Pequena, eu sou pequena, então tem que ser pequena. Prefiro a pequena. É bem melhor para que eu possa manusear, eu sou miudinha, então se eu ficar com uma bandeira muito grande, vai me atrapalhar bastante, então eu prefiro a bandeira pequena, que é de acordo com a minha estatura. Já senti comentários por conta da bandeira, várias pessoas já perguntaram porque que sua bandeira é pequena, parece de porta-bandeira mirim, eu sou pequena, eu não sou uma porta-bandeira mirim, mas eu sou pequena. Então, eu acho que tudo tem que ser de acordo, não adianta eu colocar um salto muito alto para desfilar se não vai ser legal para a fantasia”.
Phelipe: “Tem preconceito sim, e eu era um desses preconceituosos até começar a trabalhar com ela. Porque na risca, na risca, no regulamento a bandeira ela tem o seu tamanho, só que se for para a Avenida e o jurado ficar lá na concentração medindo a bandeira de todo mundo, a metade dos mestres-salas e porta-bandeiras vão entrar com algum décimo a menos. E assim, existem porta-bandeiras maiores, existem porta-bandeiras menores, mestres-salas também, o Júlio, por exemplo, o braço dele é gigante, e é a aerodinâmica, como eu falei, o esplendor nas minhas costas incomoda porque ele vai tirar a minha movimentação. E, no caso da minha porta-bandeira, ela é uma porta-bandeira que não tem uma estatura muito alta, e eu acho que deve assim acompanhar, e é uma coisa que deve até ser levada para plenária, para não haver mais esse tipo de preconceito. Bandeira tem que ser de conformidade ao tamanho da pessoa”.
O que esperam do desfile de 2022 para Tijuca e todas escolas no geral? O que vão sentir quando pisarem novamente na Sapucaí pra valer?
Denadir: “Eu acho que o próximo desfile vai ser um desfile emocionante para todos. Porque ficamos um carnaval sem desfilar, para Tijuca eu espero campeonato. Mas, eu acho que vai ser um desfile que vai ficar na história porque quem é do samba, quem ama o carnaval, sente falta, então está todo mundo aguardando, está todo mundo esperando esse dia, vai ser um desfile muito emocionante para todos”.
Phelipe: “O que eu vou sentir eu não posso te dizer porque a gente está aguardando isso há muito tempo. A gente está aí, é como você tirar a vida de alguém. Carnaval para mim é a minha vida, até me emociono porque foram longos meses de espera para poder estar de volta e ver muita gente cantando samba, fazendo o que ama. Eu amo carnaval, eu vivo o carnaval 24 horas podia, 32 anos de vida, eu não sei o que te dizer que eu vou sentir, mas eu espero que seja um carnaval mais feliz. O carnaval vem sendo muito batido nessa questão porque é aglomeração e tudo mais, mas eu acho que vai ser o redentor dessa pandemia, vai ser o fim da pandemia. Eu acho que se tivesse acontecido o carnaval antes a pandemia já teria acabado”.
Viradouro tem em bateria sua ‘excelência’; escola perdeu em média 0,6 décimos por ano em todos os quesitos
Escola a ser batida do momento a Unidos do Viradouro é a agremiação a ser abordada na série ‘De olho nos quesitos’. O site CARNAVALESCO se debruçou sobre as notas aplicadas por todos os jurados entre 2016 e 2020 para traçar um perfil dos melhores e piores desempenhos das escolas em cada quesito. Cabe ressaltar que nossa reportagem usou as notas da Viradouro na então Série A, entre 2016 e 2018.

Mesmo passando um longo período no acesso, até a reestruturação promovida na escola a partir de 2017, a Viradouro tem uma média de perda de décimos de 0,6 por ano em todos os quesitos. O complicado desfile de 2016 foi o mais frágil em termos de notas (268,3 no total) e desde 2018 a escola vem repetindo o seu desempenho nas notas, 269,7 pontos. Em 2020 foi o suficiente para o título após 23 anos.
Confira o desempenho da Viradouro quesito a quesito:
Alegorias e Adereços
É importante ressaltar que até 2016 a Viradouro não era administrada pela gestão atual e se via às voltas com defeitosidades nos quesitos plásticos. Com nove décimos perdidos em alegorias entre 2016 e 2020, o desfile de 2016 representou 55% de toda a perda no período estudado. Foram cinco décimos perdidos no quesito naquele carnaval. Apesar do campeonato em 2020, alegorias foi o único quesito onde a vermelha e branca não gabaritou, deixando três décimos.
Bateria
No acesso ou no Especial a tônica da Furacão Vermelha e Branca segue a mesma. Seja com Maurão, Paulinho ou Ciça, os últimos mestres, a nota 10 é sempre lida na apuração do quesito. É o único quesito da Viradouro a garantir 150 pontos entre 2016 e 2020, 100% de aproveitamento.

Comissão de Frente
Desde a gestão que vem revolucionando a Viradouro, o quesito não perdeu mais pontos. Mas em 2016 foram três décimos perdidos e 2017 mais um, totalizando um total de quatro décimos, média inferior a um décimo perdido por ano.
Enredo
Outro quesito que pode ser dividido em antes e depois da gestão de Marcelinho Calil. Mesmo com o elogiado enredo ‘Alabê de Jerusalém’ apresentado em 2016, os problemas daquele desfile levaram dois décimos no quesito. O que se repetiu em 2017. O total de décimos perdidos em cinco anos também chegou a quatro.
Evolução
Quesito de excelência da Viradouro atualmente, nem sempre foi assim nos carnavais passados. Em 2016 a escola perdeu dois décimos no julgamento da Série A e em 2017 a perda foi de três décimos, o que dá um total de 0,5 ponto perdido ao longo de cinco anos.

Fantasias
O desempenho dos figurinos da Viradouro só não é superior ao do casal de mestre-sala e porta-bandeira e da bateria nos últimos cinco anos. O enredo ‘Alabê de Jerusalém’ foi o último em que a escola foi penalizada no quesito, com dois décimos de perda. A partir de 2017, Jorge Silveira, Edson Pereira, Paulo Barros, Marcus Ferreira e Tarcísio Zanon garantiram a pontuação máxima de 2017 em diante.
Harmonia
Já fazem três carnavais em que a harmonia da vermelha e branca de Niterói não perde décimos no carnaval. Porém em 2016 a penalização foi de dois décimos e no ano seguinte de mais, totalizando 0,3 ponto de desconto em cinco anos, o que representa quase 10% do total de todos os quesitos.

Mestre-Sala e Porta-Bandeira
Não fosse o acidental desfile de 2016, onde a Viradouro gabaritou apenas Bateria e Samba-Enredo, Mestre-Sala e Porta-Bandeira teriam o mesmo desempenho dos ritmistas. Foi apenas o décimo perdido naquele ano que não faz com que este quesito não tenha gabaritado em todos os anos da análise. O que demonstra o nível de excelência da dupla de dançarinos viradourenses.
Samba-Enredo
Com uma das obras mais aclamadas de 2022, a Viradouro possui um desempenho irregular no quesito nos últimos cinco carnavais. Meio ponto perdido, com uma média de um por ano. O quesito, junto de alegorias, afastou a escola do título em 2019. E mesmo campeã da Série A em 2018, perdeu três décimos.

