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Em homenagem a Cartola, Jamelão e Delegado, Mangueira abre o desfile com mar verde e rosa

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Mangueira03bCom um enredo muito aguardado, “Angenor, José e Laurindo”, em homenagem a Cartola, Jamelão e Delegado, a Estação Primeira de Mangueira foi a segunda escola a pisar na Marquês de Sapucaí, na primeira noite de desfiles do Grupo Especial. Para exaltar seus baluartes, a escola abriu seu desfile com intenso uso das cores do seu pavilhão, o verde e rosa.

Em seu sexto carnaval na Mangueira, o carnavalesco Leandro Vieira desenvolveu o projeto com maior uso das cores da escola. Logo no início do desfile, o artista formou um mar verde e rosa. A tradicional ala de baianas, por exemplo, vestia uma bela fantasia, toda em verde e rosa, atrás de um elemento cenográfico que as representava.

Mangueira03aEm entrevista ao Site CARNAVALESCO, algumas componentes da Mangueira relataram a emoção de vestir as cores da escola em sua fantasia. Confiantes, admitem o orgulho de ver o mar verde e rosa, no palco sagrado da Marquês de Sapucaí. É o que conta a baiana Paula, apaixonada mangueirense.

“A gente está nas cores da escola representando a nossa ancestralidade, os guerreiros que fundaram a Mangueira e hoje estão sendo homenageados pela escola. É uma honra estar vestida nas cores da escola, o verde e rosa, que foi escolhida pelo Cartola, Dona Zica, Nelson Sargento e tantos outros baluartes que já nos deixaram”, disse.

A emoção de vestir o verde e rosa de Paula é compartilhada com a analista jurídica Raquel Nery, que exalta a capacidade da escola de unir pessoas de pensamentos diferentes.

Mangueira03c“Eu sou suspeita para falar porque a Mangueira é e sempre foi minha escola do coração. Hoje, não sei como vou fazer para segurar a emoção, ainda mais com a escola carregada com as suas cores. Eu costumo dizer que a Mangueira é a única instituição capaz de congregar, em suas cores, flamenguistas e vascaínos, petistas e bolsonaristas. Estação Primeira de Mangueira só existe uma”, afirmou.

Veterano na Sapucaí com a Mangueira, DamiãoPereira afirmou nunca ter visto a escola tão carregada em suas cores. O historiador relatou sua emoção ao ver a abertura da Estação Primeira, carregada no verde e rosa.

“Eu já desfilo na Mangueira há muito tempo e hoje, pela primeira vez, estou vendo essa quantidade de verde e rosa na avenida. É extremamente significante porque essas cores significam o que de fato é a Mangueira, é Verde e Rosa, a melhor escola que existe”, contou.

Diretamente do Rio Grande do Sul para a Avenida Marquês de Sapucaí, a psicóloga Bruna Madrid se emocionou ao pisar no solo sagrado com a Mangueira, em sua estreia como desfilante.

“Eu estou muito emocionada porque eu sempre acompanhei o carnaval e Mangueira na TV e agora poder estar aqui fazendo parte disso e com escola exaltando as suas cores, é mágico. Está tudo muito lindo”, relatou.

Ouça a bateria e arrancada do samba no desfile do Salgueiro 2022

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Com fantasia verde e rosa, bateria da Mangueira encanta Marquês de Sapucaí

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Mangueira02aCom homenagem a Cartola, Jamelão e Delegado, a Mangueira foi a segunda escola a pisar na Sapucaí, na primeira noite do Grupo Especial. No enredo “Angenor, José e Laurindo”, a bateria ganhou um lugar especial, homenageando o eterno intérprete da escola, Jamelão.

A fantasia, desenvolvida pelo bicampeão Leandro Vieira, fez referência a Gradim, o responsável por levar Jamelão à Estação Primeira de Mangueira. O figurino, além de um terninho verde e rosa, tinha um belo chapéu, com papagaios nas cores da escola.

Em entrevista ao Site CARNAVALESCO, os ritmistas comandados por mestre Wesley aprovaram a roupa desenvolvida por Leandro Vieira. Confiantes, os componentes acreditam no título da Verde-Rosa. É o caso do músico Roberto Malaguete, de 65 anos.

Mangueira02b“A fantasia é um pouco volumosa. Para a gente que transporta o instrumento, ela dá uma atrapalhada, mas nada que nossa boa vontade não possa compensar. De qualquer forma, vai dar tudo certo. A Mangueira está além do título, ela tem uma características muito pessoais, como a batida do surdo, que caracteriza nossa escola. Todo mundo sabe para pra ver a Mangueira, quer saber como está a escola, já existe essa consciência coletiva, de pelo menos, olhar e respeitar toda história da Mangueira”, disse.

Além disso, o músico, com apresentações de percussão mundo afora, se disse emocionado ao pisar na Marquês de Sapucaí. “Sou músico e sempre trabalhei com cultura brasileira. Aqui, estou premiado um ano de felicidade, por viver esse momento maravilhoso, que tem a ver com a nossa cidade, com meu amor pela música e pela percussão. Eu vou estar agradecendo aos meus orixás pela benção de participar desse evento, uma ópera a céu aberto”.

O sentimento de Roberto sobre a fantasia é compartilhado com Kleber Assumpção, já veterano na bateria da Mangueira. O motorista também disse acreditar no título da Supercampeã.

“A fantasia é bem levinha, muito tradicional para a gente poder tocar e ficar bem à vontade, homenageando nosso mestre Jamelão, ídolo do samba e da nossa escola. Vamos que vamos, pra cima. Vamos entrar na avenida com garra para trazer esse título pra Mangueira”, afirmou.

O mais novo dos entrevistados, Sérgio Paiva, de 34 anos, não teve dúvidas quanto a sua aprovação da fantasia dos ritmistas. “A nossa fantasia está leve, muito boa para a gente poder tocar e fazer nossa apresentação. Acredito muito no título, tem alguns anos que a gente não ganha. Se Deus quiser, esse ano a gente levanta mais um caneco”, contou.

Com forte crítica social dentro do carnaval, Tucuruvi encanta com seu canto e comissão de frente

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O Tucuruvi abriu o Carnaval 2022 do Grupo Especial de São Paulo com o enredo “Carnavais… De lá pra cá o, que mudou? Daqui pra lá, o que será?”. O desfile foi marcado pelo forte canto da comunidade, uma comissão de frente que emocionou, onde homenageou todas as escolas do Grupo Especial e, principalmente, pela crítica social feita. Os carnavalescos Dione Leite e Fernando Dias, conseguiram desenvolver isso de uma forma lúdica. Todos conseguiram entender a mensagem. Vale destacar as inúmeras vezes que sambistas e outras agremiações foram lembrados na apresentação. As fantasias foram de fácil entendimento. A escola optou por não usar nenhum tipo de luxo. Por fim, o ‘Zaca’ fez um desfile técnico, justamente para tentar se manter no Grupo Especial, visto que voltar e ser a primeira de todas, desfilando na pista ‘fria’, não é uma tarefa fácil. A apresentação da agremiação fechou com 1h04m. * VEJA FOTOS DO DESFILE

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Comissão de frente

A ala da escola, lidera pelo coreógrafo Fernando Lee, veio simbolizando a mensagem: “A força da nossa raiz ninguém pode calar”, contando com 15 dançarinos. Desses integrantes, 14 representavam ‘os guardiões do legado’ e um deles, a ‘força da ancestralidade’. A fantasia foi composta por uma saia e uma cauda. Nessa saia, dentro da apresentação, ela abria e o grupo se alinhava e, juntos, formavam a frase ‘sou resistência’ e, na cauda, havia uma abertura, onde o efeito se dava em um pavilhão de todas as escolas. Cada componente da ala trajado com o símbolo de uma escola de samba do Grupo Especial nesse costeiro. Um ótimo efeito que arrancou muitos aplausos do público presente no Anhembi.

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Para a abertura dos desfiles, realmente foi algo que de se reverenciar, pois essa questão se identifica muito com tudo que o carnaval passou atualmente também. Além de ter sido uma abertura para a apresentação do Tucuruvi, de fato, passou a sensação de ser uma abertura para todas as escolas pisarem na pista nos desfiles que estão para acontecer.

Mestre-sala e Porta-bandeira

O casal Luan Caliel e Waleska Gomes, representando “A forma mais pura de alegria”, bailaram de maneira satisfatória. A fantasia era leve, e isso fez com que a porta-bandeira pudesse realizar os seus movimentos no sentido horário e anti-horário sem problemas. O mestre-sala sambou de forma intensa e fez movimentos rápidos juntos aos giros de Waleska Gomes. A coreografia dentro do samba também foi executada com sucesso e, quando mostraram o pavilhão para a cabine de jurado frente ao recuo, arrancou aplausos do jurado. Sobre as vestimentas, a porta-bandeira vestiu uma roupa dourada com a saia na cor vinho. Luan Caliel, também usou o dourado brilhoso, mas a combinação feita foi com uma espécie de cor laranja claro.

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Harmonia

A ansiedade e responsabilidade de abrir os desfiles do Grupo Especial, fez com que a comunidade do Tucuruvi entoasse o hino com uma força tremenda. Na questão do volume do canto, tudo o que se viu nos ensaios técnicos, se confirmou na apresentação oficial. Esse quesito sempre foi uma característica da escola e a felicidade estampada no rosto dos componentes era nítida.

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O carro de som, liderado por Leonardo Bessa, teve uma apresentação dentro do que se pede. Levantou o astral da comunidade e do Anhembi. No carnaval paulistano, a primeira agremiação que desfila nas noites, sempre tende a levantar as arquibancadas e, o ‘Zaca’, junto ao seu carro de som e canto, de certa forma, conseguiu.

Enredo

A escola teve uma apresentação satisfatória dentro do que se pede. É interessante observar um gesto legal, onde durante grande parte do desfile, a agremiação fez alusões às coirmãs. Vimos várias vezes pavilhões das outras escolas do Especial, principalmente as mais antigas e que marcaram época, afinal, o tema volta ao passado para resgatar a história dos baluartes e tudo o que foi feito para chegarmos até aqui.

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Porém, a proposta principal do enredo da comunidade da Cantareira, é fazer uma crítica social ao que virou o carnaval nos dias de hoje e, notou-se isso em todos os setores do desfile, onde se fala muito de dinheiro e que a ganância ficou em primeiro lugar. O destaque vai para o terceiro setor, onde o carro “Cassino Carnaval” abriu as alas fazendo fortes questionamentos.

Evolução

O departamento de harmonia foi extremamente técnico nesse quesito. Optou por colocar a bateria no primeiro setor para assim, se ‘livrar’ do recuo rapidamente. A batucada entrou de forma correta, respeitando o limite técnico. Sobre as alas, elas evoluíram de maneira correta. Bem como a alegria do samba, a evolução funcionou. Um complementou o outro. Com qualquer tipo de fantasia dá para evoluir bem, mas as leves, como o Tucuruvi usou, fez com que muitos componentes, sambassem no pé em vários momentos. Alas coreografadas também foram de bastante destaque, onde interagiam com o público a todo instante. Destaque para a primeira encenação, que ficava posicionada no carro abre-alas.

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Samba-enredo

Apesar de teoricamente, o samba do Tucuruvi ter uma melodia para baixo, a bateria e o carro de som, liderados por mestre Serginho e Leonardo Bessa, respectivamente, desde os ensaios, fizeram estratégias para isso mudar. A aceleração do ritmo da batucada culminou bastante para essa mudança. A letra fala muito de como o carnaval de antigamente era melhor e mais alegre, de ganância dentro do carnaval, de baluartes esquecidos e, sobretudo, de resistência. Porém, também enaltece algum tipo de esperança.

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As partes mais cantadas são os dois últimos versos: ‘o choro da velha baiana, a esperança no olhar, a força da nossa raiz ninguém pode calar’. Após essa parte, entra o primeiro refrão que também é muito entoado pela comunidade. Destaque para a frase ‘sou resistência e você tem que respeitar’, onde alguns componentes até batiam no peito ao cantar essa parte forte do samba.

Fantasias

A escola optou por fazer igual o seu enredo. Não quis nada de luxo nas fantasias. Apesar disso, os materiais utilizados e o acabamento, estavam bons. A proposta foi muito clara, sendo esquecer toda a beleza luxuosa e optar pelo simples com o intuito de propor uma fácil leitura ao público e aos jurados. Quem assistiu o desfile e prestou atenção, com certeza prestou atenção em cada detalhe.

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Vale destacar a ala 2: “O trevo do Camisa Nairanã chegou”, onde homenageava a escola de samba Camisa Verde e Branco. Alas 3 e 4 que faziam uma homenagem à Mocidade Alegre, respectivamente e, por fim, a ala 8: “Nova realidade: Gaviões da Fiel Torcida e seu manto preto e branco”, uma homenagem aos Gaviões da Fiel, onde os componentes carregavam bandeiras.

Alegorias

Assim como as fantasias, o entendimento da alegoria foi muito claro. A primeira alegoria veio representando o carnaval elitizado e não elitizado, com alas coreografadas que interagia e encenava para o público. Tais integrantes, dançavam no chão, pois o carro tinha aberturas.

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Segunda alegoria simbolizou a Avenida Tiradentes, palco dos desfiles mais épicos e populares da história do carnaval de São Paulo. Um carro colorido e recheados de destaques no centro e lados. No topo, uma grande figura do Henricão com uma coroa, segurando um bastão. A escultura se mexia o tempo todo, acenando para o público.

O terceiro carro representava um cassino. Aparentemente, fazia uma referência às apostas que as pessoas fazem dentro do carnaval para ver quem sai vencedor ou não.

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A quarta alegoria simbolizava a resistência, onde nele, havia a velha guarda e, também, os pavilhões das escolas do Grupo Especial e Acesso. Como dito anteriormente, na questão do entendimento e proposta de enredo, ficou muito claro o que a escola quis passar.

Outros destaques

A Bateria do Zaca, comandada pelo mestre Serginho, teve um desempenho seguro. A batucada executou bossas esporadicamente. A batucada se destacou por marcar o samba e dar sustentação rítmica ao samba e carro de som, para assim, a harmonia funcionar com fluidez. A bossa destaque vai para o último refrão, onde a bateria brinca com todos os instrumentos e, no final, a batucada faz uma paradinha no verso ‘sou resistência e você tem que respeitar’.

Eterno Jamelão: velha guarda presta homenagem ao ídolo da escola em desfile

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Mangueira01aCom enredo homenageando três dos maiores ícones de sua história, os escolhidos da Estação Primeira de Mangueira foram Cartola, Jamelão e Mestre Delegado. Tendo isso em vista, a velha-guarda da escola realizou um verdadeiro tributo a Jamelão. A ala apresentou dados biográficos do homenageado, deixando muitos mangueirenses saudosos e emocionados.

Em entrevista ao CARNAVALESCO, alguns componentes dessa ala tão querida por todos os sambistas, fizeram questão de relatar um pouco de suas relações com o saudoso intérprete da escola Jamelão.

Mangueira01b“Tenho a honra de dizer que conheci Jamelão, fui ao enterro dele inclusive. Ele foi um dos maiores intérpretes que esse mundo já viu. Nós não éramos tão amigos, ele era um pouco ranzinza”, brincou, “Mas sempre que me via, me cumprimentava”, afirmou o senhor Ari Rios, componente da Mangueira há 25 anos.

Também parte da velha-guarda da escola, Iracema da Silva se mostrou bastante emocionada em prestar tal homenagem. Com mais de 30 anos de escola, disse também ter conhecido Jamelão.

Mangueira01c“Não cheguei a ter tanta intimidade com ele, mas éramos muito amigos na quadra, nos amávamos. Tenho certeza que não só para mim, mas ele faz muita falta, por isso me sinto muito feliz em poder lhe prestar essa homenagem”.

Roberto da Silva, veterano de Mangueira com mais de 40 anos, também não deixou de contar parte de sua vivência com o homenageado.

“Me sinto honrado por ter conhecido ele, temos muitas histórias. Ele era muito bacana, gente finíssima, só não gostava de dar entrevistas. Me lembro que ele só dava entrevista a quem o pagasse”, riu ao relembrar.

“Confesso que eu tinha um pouco de medo de brincar com ele, já que ele era bem grosso, sempre expulsava a gente. Ele costumava manter sempre uma postura de bastante autoridade, mas ainda sim um querido por todos e gente boníssima”, finalizou.

Tucuruvi 2022: galeria de fotos do desfile

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Ouça a bateria e arrancada do samba no desfile da Mangueira 2022

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Ouça a bateria e arrancada do samba no desfile da Imperatriz 2022

Inspirado no Theatro Municipal, abre-alas da Imperatriz relembra todo o luxo e opulência de Arlindo Rodrigues

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Imperatriz04aA Imperatriz Leopoldinense abriu a primeira noite de desfiles do Grupo Especial com o enredo “Meninos, eu vivi… Onde cantam Dalva e Lamartine”, recordando os grandes trabalhos de Arlindo Rodrigues. Além de homenagear o carnavalesco, a escola de Ramos também presta reverência a dois grandes nomes do carnaval carioca: a cantora Dalva de Oliveira e o compositor Lamartine Babo.

A trajetória de Arlindo Rodrigues se inicia no Theatro Municipal do Rio de Janeiro, com o encanto provocado pelo belíssimo universo de formas e movimentos do lugar. É o que retrata o carro abre-alas da Imperatriz, que trouxe uma coroa grandiosa toda decorada com os rocailles e luminárias fascinantes do interior do Municipal.

A alegoria foi intitulada “À luz de um nobre destino – O universo fascinante do Theatro Municipal”, abrindo com muito luxo e opulência o conjunto alegórico da escola. O carro foi dividido em dois módulos. Na segunda parte, muitos espelhos decoravam a alegoria. Foi Arlindo Rodrigues quem introduziu este tipo de material no desfile das escolas de samba.

Imperatriz04bO destaque central baixo veio com uma luxuosa fantasia representando a “Folia carnavalesca” e, mais acima, o destaque central alto simbolizou “A opulência dos carnavais do Theatro”, em referência aos famosos bailes de carnaval do Municipal, dos quais Arlindo participou em seu início de carreira.

Na parte superior da alegoria, em frente ao proscênio clássico, um grupo cênico representava a dramaturgia simulando a apresentação de uma peça teatral. A ideia do carro era que esse universo majestoso guiasse o futuro carnavalesco Arlindo Rodrigues ao encontro da arte, a sua vocação.

“É uma grande homenagem ao Theatro Municipal, onde tudo começou para o Arlindo nas artes”, explica o diretor executivo da Imperatriz, João Felipe Drummond. Ele ainda completa: “A Rosa, gênia que é, usou características como os lustres, como o barroco… É uma arquitetura claramente barroca, com várias características presentes na arquitetura do Theatro”.

Imperatriz04cAs composições da primeira parte do carro abre-alas eram as “Jóias do teatro”, ao redor do símbolo da escola. Já as composições da segunda parte eram os “Guardiões do esplendor”, que vinham sobre as escadas do templo das artes cariocas carregando adereços espelhados que provocaram um lindo impacto visual.

Viviane Alves, 46 anos, cabeleireira, contou a sensação de desfilar como composição no carro abre-alas da Imperatriz: “É maravilhoso! Depois da pandemia, é sensacional! A emoção chega a corroer o peito. A gente fica nervosa, mas muito feliz”.

A atendente de telemarketing, Vanessa Souza, 32 anos, confessou estar ansiosa antes do desfile. “É uma mistura de emoção com a responsabilidade de representar as jóias da coroa, que é símbolo da Imperatriz”.

Ala da Imperatriz traz a história de Xica da Silva de volta para a Sapucaí

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Imperatriz03aO segundo setor da Imperatriz Leopoldinense foi denominado “Canta, Salgueiro! A revolução africana na vermelho e branco”, em alusão à marcante passagem do carnavalesco pela escola do bairro da Tijuca. Uma das alas que relembraram este período da trajetória de Arlindo foi a ala “Xica da Silva – A personagem negra em destaque”.

Arlindo Rodrigues propôs o enredo sobre Xica da Silva para o carnaval de 1963, contando a história da escrava que, alforriada, alçou à fidalguia, ingressando na alta sociedade em Diamantina, Minas Gerais. Por conta do sucesso do desfile do Salgueiro, a personagem se tornou uma notória figura do país, servindo de tema para o teatro, o cinema e para a televisão.

No carnaval de 1963 os desfiles ocorreram pela primeira vez na Avenida Presidente Vargas, mais larga e mais espaçosa do que a avenida Rio Branco, onde as escolas desfilavam até então. Dessa forma, Arlindo modificou a idealização dos trajes, aumentando o volume das fantasias para preencher melhor o espaço e assim ocupar toda a pista.

Por isso, as fantasias da ala de Xica da Silva utilizavam grandes ancas nas roupas femininas, que é uma marca da apresentação. A roupa era predominantemente vermelha e branca, com alguns detalhes em preto e dourado. A ala recebeu uma maquiagem facial branca, com direito a uma pinta na bochecha, batom vermelho e uma sombra verde, amarela e vermelha ao redor dos olhos.

Aline Lima, 43 anos, mecânica de automóveis fez sua estreia na Imperatriz Leopoldinense. “Tô amando representar Xica da Silva! Tem seu desconforto, um pouquinho, mas é normal. São dois anos longe do carnaval, voltar com essa energia é maravilhoso”.

Imperatriz03bXica da Silva foi eternizada como símbolo maior do primeiro campeonato solo conquistado por Arlindo. Anos depois, em 1965, Xica seria destaque novamente nas criações do artista, revisitada no enredo “História do carnaval carioca”, quando Rodrigues foi outra vez consagrado como campeão.

Lucilene Alves, 53 anos, advogada, revelou o sentimento às vésperas de entrar na avenida do samba: “Uma renovação depois dessa pandemia. Todo mundo estava com uma expectativa muito grande pra isso”. Ela contou que a preparação de maquiagem foi intensa: “Desde às 14h estamos nos preparando… Fizemos um treinamento bem puxado, porque a ala é coreografada”.

Renata Rocha, 50 anos, costureira, é moradora de Ramos e revelou estar emocionada ao viver Xica da Silva no desfile da Imperatriz. “É um orgulho muito grande. Uma satisfação enorme. Não sei nem explicar. Para quem conhece toda a história de Xica é uma emoção muito grande”.

Guaraciara Campos, 53 anos, professora, disse que vale o esforço de suportar o peso da roupa: “A fantasia é um pouco pesada porque caracteriza ela (Xica da Silva) mesmo, então tem que aguentar”.