O segundo setor da Imperatriz Leopoldinense foi denominado “Canta, Salgueiro! A revolução africana na vermelho e branco”, em alusão à marcante passagem do carnavalesco pela escola do bairro da Tijuca. Uma das alas que relembraram este período da trajetória de Arlindo foi a ala “Xica da Silva – A personagem negra em destaque”.

Arlindo Rodrigues propôs o enredo sobre Xica da Silva para o carnaval de 1963, contando a história da escrava que, alforriada, alçou à fidalguia, ingressando na alta sociedade em Diamantina, Minas Gerais. Por conta do sucesso do desfile do Salgueiro, a personagem se tornou uma notória figura do país, servindo de tema para o teatro, o cinema e para a televisão.

No carnaval de 1963 os desfiles ocorreram pela primeira vez na Avenida Presidente Vargas, mais larga e mais espaçosa do que a avenida Rio Branco, onde as escolas desfilavam até então. Dessa forma, Arlindo modificou a idealização dos trajes, aumentando o volume das fantasias para preencher melhor o espaço e assim ocupar toda a pista.

Por isso, as fantasias da ala de Xica da Silva utilizavam grandes ancas nas roupas femininas, que é uma marca da apresentação. A roupa era predominantemente vermelha e branca, com alguns detalhes em preto e dourado. A ala recebeu uma maquiagem facial branca, com direito a uma pinta na bochecha, batom vermelho e uma sombra verde, amarela e vermelha ao redor dos olhos.

Aline Lima, 43 anos, mecânica de automóveis fez sua estreia na Imperatriz Leopoldinense. “Tô amando representar Xica da Silva! Tem seu desconforto, um pouquinho, mas é normal. São dois anos longe do carnaval, voltar com essa energia é maravilhoso”.

Xica da Silva foi eternizada como símbolo maior do primeiro campeonato solo conquistado por Arlindo. Anos depois, em 1965, Xica seria destaque novamente nas criações do artista, revisitada no enredo “História do carnaval carioca”, quando Rodrigues foi outra vez consagrado como campeão.

Lucilene Alves, 53 anos, advogada, revelou o sentimento às vésperas de entrar na avenida do samba: “Uma renovação depois dessa pandemia. Todo mundo estava com uma expectativa muito grande pra isso”. Ela contou que a preparação de maquiagem foi intensa: “Desde às 14h estamos nos preparando… Fizemos um treinamento bem puxado, porque a ala é coreografada”.

Renata Rocha, 50 anos, costureira, é moradora de Ramos e revelou estar emocionada ao viver Xica da Silva no desfile da Imperatriz. “É um orgulho muito grande. Uma satisfação enorme. Não sei nem explicar. Para quem conhece toda a história de Xica é uma emoção muito grande”.

Guaraciara Campos, 53 anos, professora, disse que vale o esforço de suportar o peso da roupa: “A fantasia é um pouco pesada porque caracteriza ela (Xica da Silva) mesmo, então tem que aguentar”.

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