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Casal brilha e Mangueira homenageia Cartola, Jamelão e Delegado em desfile com conjunto visual caprichado, mas com erros de evolução

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Um presente para os mangueirenses, assim pode ser definido o desfile da Estação Primeira de Mangueira nesta noite, predominante verde e rosa, foi a primeira vez que o carnavalesco Leandro Vieira utilizou tanto as cores da escola nas fantasias e alegorias desde que chegou na escola. O capricho nas fantasias impressionou, foi um show de bom gosto de Leandro, com muito volume, as alas tinham acabamentos maravilhosos e leitura era fácil, o mesmo vale para as alegorias, que contaram o enredo de forma clara. A comissão de frente emocionou com homenagem a Nelson Sargento, o mesmo vale para Squel e Matheus, o primeiro casal de mestre-sala e porta-bandeira desfilou na frente da bateria e contou com umas fantasias mais bonitas que já usaram na Mangueira. * VEJA FOTOS DO DESFILE DA MANGUEIRA

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Fotos de Allan Duffes e Nelson Malfacini/Site CARNAVALESCO

Como destaque negativo, fica a iluminação dos carros, o primeiro passou com algumas luzes apagadas e um produto de limpeza foi esquecido na parte de trás da alegoria, já o segundo carro passou com a parte superior apagada pelos setores 6 e 10. A evolução da escola foi outro ponto a ser observado, o início se mostrou um pouco travado e o final foi mais corrido, com alas passando em ritmo acelerado. No final, um espaço considerável ocorreu no momento em que a bateria se apresentava na última cabine de julgamento.

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Apresentando o enredo “Angenor, José e Laurindo”, assinado pelo carnavalesco Leandro Vieira, a Mangueira homenageou três dos seus maiores baluartes e foi a segunda escola a cruzar a passarela do samba na primeira noite de desfiles do Grupo Especial. A verde e rosa terminou sua apresentação com 67 minutos.

Comissão de Frente

Intitulada “Tempos Idos”, nome de uma canção de Cartola, a comissão de frente assinada pelos coreógrafos Priscilla Mota e Rodrigo Negri fez um resgate das antigas comissões, quando a velha-guarda era o centro das atenções, 15 dançarinos usavam o tripé como uma espécie de palco e três crianças representavam Cartola, Jamelão e Delegado ainda meninos. A apresentação foi uma síntese do enredo, o sambista do morro de Mangueira foi evidenciado, dando destaque para o momento em que ao vestir o verde e rosa, ele vira estrela na avenida.

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A apresentação foi marcada pela emoção, e arrancou aplausos por onde passou, nenhum erro foi observado durante os módulos de julgamento. O ápice ocorreu em cima do tripé, com uma caracterização incrível, os homenageados surgiram ao lado das crianças que os representavam, posteriormente, através de uma troca de roupa impressionante, os sambistas passavam das roupas simples, para o manto verde e rosa. Na letra do samba que remetia a composição “As rosas não falam”, rosas surgiam no palco e Cartola se apresentou para os jurados. O público recebeu com muito entusiasmo a comissão, a apresentação finalizou com um tributo a Nelson Sargento, trazendo ainda mais emoção.

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Mestre-sala e Porta-bandeira

O primeiro casal de mestre-sala e porta-bandeira, Matheus Olivério e Squel Jorgea, diferentemente do habitual, não veio no início da escola, eles desfilaram na frente da bateria, no setor que homenageou Jamelão, com uma fantasia nomeada “Dinastia Verde e Rosa”, o casal personificava a própria Mangueira, as cores da escola estavam presentes e o primor da fantasia chamou atenção, uma das mais bonitas que já vestiram na escola.

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Apresentando uma dança de ritmo cadenciado, sincronizada e com gestos graciosos, a dupla não cometeu falhas expressivas nos módulos de julgamento e impressionou pela garra, as terminações de movimentos estiveram perfeitas, a troca de olhares e o romance entre eles foi de emocionar. O bailado fez menção simbólica aos antigos desfiles da escola, bebendo da fonte dos casais que fizeram história na verde e rosa. Ambos cantaram o samba o tempo todo, o sorriso de Squel encantou mais uma vez todo o público, assim como a presença marcante de Matheus.

Harmonia

A harmonia da escola foi muito satisfatória, como de costume, o mangueirense cantou com muita garra o samba, que mesmo criticado no pré-carnaval, rendeu e ofereceu para escola um canto uniforme. Pode-se destacar a ala 1, “Velhas Baianas”, até mesmo as alas coreografadas cantaram com bastante empolgação, como por exemplo a ala 17, “Eu vi seu Laurindo beijando a bandeira”. No geral, os componentes cantaram com força, apesar de algumas fantasias um pouco abafadas.

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Enredo

A Mangueira levou à avenida a vida e obra de Cartola – o seu maior compositor; Jamelão – seu maior cantor; e Mestre Delegado, o grande mestre-sala da escola. O enredo “Angenor, José e Laurindo”, de autoria do carnavalesco Leandro Vieira, emocionou e encantou todo o público do Sambódromo. As alegorias e fantasias conseguiram passar com clareza a história que era contada, Leandro dividiu os setores de forma clara, começou com uma homenagem a comunidade do Morro de Mangueira, local em onde os grandes homenageados do enredo cresceram e fizeram história.

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Posteriormente, o carnavalesco optou por separar cada homenageado em um setor, no segundo vimos um tributo ao Mestre Cartola, algumas alas representaram músicas compostas por ele e o carro que fechou o setor trouxe “As rosas não falam”. O terceiro setor da Mangueira foi reservado a Jamelão, intitulado “A voz do meu terreiro”, o setor trouxe o primeiro casal de mestre-sala e porta-bandeira e a bateria, ambos representando a Mangueira e os antigos carnavais da Verde e Rosa. O setor que encerrou o desfile foi destinado ao Mestre Delegado, o carro que fechou a história chamava-se “O bailarino Negro”.

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Evolução

A evolução da escola foi o quesito que pode preocupar mais na apuração oficial, o início se mostrou lento e um pouco travado, mesmo com os componentes brincando e se divertindo, foi observado que a escola não foi uniforme como se espera do quesito, já a parte final da escola foi mais acelerada que o normal, na altura do setor seis, as últimas alas passaram correndo em frente a cabine de julgamento, a situação se normalizou na última cabine, porém, durante o final da apresentação da bateria, o carro que estava à frente seguiu e deixou um buraco considerável em frente ao módulo, a rainha de bateria Evelyn Bastos tentou ocupar o espaço, mas ele já havia sido observado. Vale ressaltar também, que no setor 6, uma componente da ala 19 embolou a fantasia com outra da ala 20, o carnavalesco Leandro Vieira ajudou a desembolar.

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Samba-Enredo

Criticado no pré-carnaval, o samba da Mangueira foi cantado por todos os componentes e por boa parte da Sapucaí. A composição de Moacyr Luz e companhia rendeu no Sambódromo e mostrou sua força. Marquinho Art Samba também fez ótimo trabalho e a todo momento impulsionava a escola, representando o lendário Jamelão, ele conduziu o samba com brilhantismo. O destaque do samba fica para o verso ‘A voz do meu terreiro’, essa parte até o fim do refrão, foi o momento que o mangueirense cantou com mais afinco, enquanto a virada do samba apresentou leve queda.

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Alegorias e Adereços

A escola optou por levar o número mínimo de carros para a avenida, ao todo, foram quatro carros, um tripé e dois elementos cenográficos. Rico em detalhes e com excelentes acabamentos, os carros eram cenográficos, mas sem perder a carnavalização. Porém, a escola deve perder pontos preciosos por conta de alguns deslizes. O desfile começou com dois elementos alegóricos representando as baianas, muito bonito, eles vieram em frente a ala de baianas, o primeiro carro, “Teu cenário é poesia”, representou o próprio morro de Mangueira, apesar de muito bonito, o carro apresentou falhas em algumas luzes e foi observado um produto de limpeza esquecido na parte de trás da alegoria, o segundo trouxe Cartola e sua música mais famosa, “As rosas não falam”, o carro soltava aroma de rosas pela avenida, entretanto, o carrossel da parte de cima da alegoria passou apagado pela avenida. O terceiro carro fez uma homenagem a Jamelão, predominantemente vermelho, o carro recriou o ambiente noturno de um antigo dancing carioca. No último carro, “O bailarino negro”, a escola trouxe a figura de mestre Delegado, o carro lembrava uma caixinha de música e a escultura em cima estava muito bem acabada.

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Fantasias

Um show de Leandro Vieira, mais uma vez, o carnavalesco apresentou um conjunto de fantasias de encher os olhos, volumosas, criativas e de boa leitura, foi um dos pontos altos do desfile. Pela primeira vez, Leandro abusou do verde e rosa em toda a escola e deixou todo mangueirense orgulhoso. Como destaque, pode-se citar a primeira ala, “Velhas Baianas”, a sétima ala, que representava o sol, impressionou pelo volume apresentado, a fantasia da ala 11 mostrou uma criatividade enorme, representando a gafieira. A ala 13 trouxe estandartes com os títulos da escola e mais uma vez o bom gosto foi visto. A ala de baianas, apesar de lindas, passou com algumas matriarcas segurando a cabeça da fantasia, outro detalhe observado foi que talvez por conta do volume, um número excessivo de componentes passaram mal.

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Outros Destaques

A bateria do Mestre Wesley se apresentou de forma impecável pela avenida, representando a “Saudosa Mangueira”, a fantasia impressionou pela riqueza de detalhes. A rainha da bateria, Evelyn Bastos mais uma vez encantou o público na avenida, com muito samba no pé, a rainha desfilou com as cores da escola. A frente do carro em homenagem a Jamelão, desfilaram Alcione e Rosemary, ambas foram muito aplaudidas pelo público.

Ritmistas da São Clemente comentam irreverente fantasia da bateria no desfile de 2022

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SC01aNo carnaval de 2022 a São Clemente passou na avenida homenageando o ator e humorista Paulo Gustavo. No coração da escola, a ‘Fiel bateria’ veio representando a mais famosa personagem de Paulo, a Dona Hermínia. Surgida nos palcos do teatro com o espetáculo ‘Minha mãe é uma peça’, a personagem caiu no gosto do público e ganhou novas dimensões ao ver sua história adaptada para as telas do cinema. Com três filmes de sucesso na bilheteria, Dona Hermínia voltou a aparecer nas telas através do programa 220 voltz do Multishow. Criado por Paulo Gustavo, o programa trazia diversos personagens de diferentes personalidades que falavam sobre temas polêmicos da sociedade com o humor leve e provocativo característico do trabalho de Paulo. O programa foi sucesso enquanto esteve no ar e a personagem fazia parte de uma das esquetes mais esperadas pelo telespectador.

O que muitos não sabem, é que Dona Hermínia nasce de uma leitura do humorista a respeito da própria mãe, a Dona Déia. Paulo sempre que podia, mencionava como a mãe era figura fundamental para a formação do ser que ele era, portanto, nada mais justo que a ‘Fiel bateria’ que nunca abandona a São Clemente e é responsável por dar o ritmo a comunidade, vir homenageando a mãe do Paulo, ou melhor, a mãe de todos os brasileiros. Lembra o mestre Caliquinho.

“Hoje o coração está batendo forte, é muito bom estar de volta na avenida e homenagear a Dona Deia, que representa a mãe de todo o Brasil. Ela é aquela mãe que grita e que dá carinho, quando conheceu nossa comunidade e nossa quadra contagiou todo mundo”.

SC01bAlém da alegria que marca a figura de Dona Déia, a bateria usou uma fantasia que trazia clara referência à Dona Hermínia. Os ritmistas usavam um vestido longo na cor amarela e detalhes em preto e branco. Na parte da frente da fantasia, um avental que remetia ao avental que sempre estava “grudado” na personagem de Paulo Gustavo. Na cabeça uma peruca cheia de bobs e um lenço preto. Bonita e bem acabada, a fantasia esteve bela, porém, despertou incômodo nos ritmistas.

“Embora a fantasia esteja bonita, ela está com muito tecido. O tecido não deixou a fantasia pesada não, mas ela está bastante volumosa para uma bateria”, contou Mônica Jordão.

Ainda que a fantasia tenha causada incômodo, Mônica ressaltou para a equipe do site CARNAVALESCO que está muito feliz com o enredo e a homenagem.

“Esse ano me sinto muito feliz em vir na bateria, porque a dona Deia é a cara da mãe brasileira. Fora isso, eu sou a única mulher desfilando no repique, então eu sei a importância de você ser representado. Vai ser muito bom ver os homens sabendo como é estar de vestido”.

Sentimentos compreendidos e compartilhados pelo colega de bateria, Miguel Lino. Tocador do surdo de segunda, Miguel comentou o seguinte para o site CARNAVALESCO.

“Estou feliz de vestir uma homenagem a dona deia. Como diz no samba, ‘anunciando a mãe de todo brasileiro’. Assisti a todos os filmes do Paulo, eu era fã dele e agora da mãe dele. É uma honra participar dessa homenagem”.

“A fantasia está leve, mas está abafada. Na medida do possível eu acredito que ela esteja dentro da proposta do enredo e pela São Clemente a gente faz até o impossível”.

Com apresentação técnica, Colorado do Brás faz desfile que cresceu ao longo da avenida

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A Colorado do Brás foi a segunda escola a desfilar no Sambódromo do Anhembi na primeira noite de desfiles do Grupo Especial de São Paulo. Com o enredo “Carolina – A Cinderela Negra do Canindé”, a vermelho e branco contou a história da escritora Carolina de Jesus, uma das mais importantes autoras da literatura brasileira, e que ganhou fama na época em que morou na antiga favela do Canindé, nas proximidades de onde hoje é o barracão da agremiação. * VEJA FOTOS DO DESFILE

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Com uma apresentação técnica, a Colorado fez um desfile que cresceu ao longo da apresentação e representou com determinação a homenageada que é tão querida por sua comunidade. Quesitos específicos, porém, como comissão de frente, deixaram a desejar e não conseguiram apresentar a escola de maneira adequada, com erros de execução. O desfile encerrou com 64 minutos.

Comissão de Frente

Apresentando “O ‘Grande Baile’ de Carolina, a Cinderela Negra do Canindé”, a comissão de frente retratou a época em que o talento de Carolina de Jesus foi descoberto pelo jornalista Audálio Dantas. Enquanto fazia uma reportagem sobre a favela do Canindé, Audálio leu o diário da então catadora de papelão intitulado “Quarto de Despejo”, e fascinado, ajudou a publicar a obra.

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Liderados pelo coreógrafo Kelson Barros, os dançarinos interpretaram Carolina e Audálio, além da entidade Zé Pilintra, e personagens que fizeram o papel da Elite Literária, que via com preconceito a ascensão da escritora, e a Realeza Negra, que após tantos anos subjugada, encontrou em uma mulher preta e favelada uma voz que lhes representasse.

A comissão trouxe uma coreografia de interpretação difícil, muito longa e de poucos destaques. Em alguns momentos, faltou sincronia entre os casais que formavam o elenco e Zé Pilintra derrubou o chapéu próximo a segunda cabine. A falta de um ponto claro de início e fim da apresentação, que aparentou durar mais de quatro passagens, pode comprometer a avaliação do quesito.

Mestre-Sala e Porta-Bandeira

O primeiro casal da escola, representado por Ruhanan Pontes e Ana Paula, veio vestido de libélulas. Esses insetos, cujo nome deriva de liber (“livro” em latim) são considerados símbolos de transformação, inspiração e renascimento, e são características que se assemelham com a trajetória de vida de Carolina de Jesus.

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A dupla conseguiu executar sua dança com proeza. Em determinados momentos do samba, como nos versos “livre feito uma borboleta”, imitaram uma revoada e causou um efeito agradável de se ver. Houve sincronia em seus movimentos, e no conjunto poderá impactar em boas notas para a Colorado.

Harmonia

O carro de som apostou em bossas e apagões em diferentes momentos ao longo do desfile. A resposta da comunidade, porém, não se fez presente em todos os momentos. Algumas alas apresentaram canto fraco, em especial a ala “Carolina do Diabo”, que foi inaudível em momento importante do refrão principal. Os dois primeiros carros passaram em grande silêncio, com componentes aparentando desânimo na parte final da apresentação.

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Enredo

O desfile da Colorado apresentou a jornada de vida de Carolina de Jesus desde a sua juventude sofrida na região onde hoje se encontra a cidade mineira de Sacramento até se mudar para a paulista Franca. Entre várias mudanças em busca do sonho de uma vida melhor, chegou a morar brevemente para o Rio de Janeiro, mas retornou para São Paulo, onde o destino lhe agraciou com a fama anos depois. Graças a sua primeira obra, “Quarto de Despejo – Diário de uma Favelada”, seu nome ganhou o Brasil e o mundo, com o livro sendo traduzido para 13 idiomas e superando obras de escritores consagrados, como Jorge Amado. Sua história virou de peça de teatro até documentários, e até os dias de hoje é reconhecida como uma das mais importantes representantes da cultura negra do país.

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A cabeça da escola foi de difícil leitura. Da comissão de frente até o primeiro carro, não estava claro de fato do que se tratava o enredo. A partir do segundo setor o desfile ganhou nova cara, e foi fácil saber do que se tratavam fantasias e alegorias. Foi um quesito que cresceu de qualidade ao longo do desfile.

Evolução

Sem sustos, conforme já se esperava de um carnaval com limite máximo de elementos reduzidos, porém com tempo de desfile mantido. A Colorado não passou sustos e conseguiu evoluir com fluidez ao longo de boa parte do desfile. Na parte final foi percebida uma leve acelerada, mas não que comprometesse o bailado dos componentes, que em geral sambaram com desenvoltura.

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Samba-Enredo

O samba da Colorado do Brás foi um dos mais comentados no pré-carnaval. Narrado em primeira pessoa, a obra interpretada por Chitão Martins apresenta a história de Carolina de Jesus com riqueza poética e refrão marcante.

Na avenida, o carro de som da escola correspondeu às expectativas. Completando 10 anos neste mesmo microfone, o intérprete conseguiu melhorar ainda mais seu desempenho em relação aos ensaios, e foi um dos pontos altos do desfile. A letra do samba ajudou na leitura do enredo ao longo da apresentação, e é um quesito que passou segurança para a escola durante toda a avenida.

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Fantasias

As fantasias vieram representando com riqueza de detalhes as diferentes passagens da vida de Carolina de Jesus. Neta de escravos que fizeram parte dos momentos finais do tráfico negreiro, as roupas dos componentes apresentaram a ancestralidade africana de Carolina, e retrataram dos seus primeiros momentos na cidade grande até a consagração como renomada escritora, que chegou a inclusive gravar músicas de própria autoria.

Com um conjunto simples. Com leves exceções, as roupas dos componentes conseguiram transmitir bem sua mensagem, com destaque especial para as alas “O Colono e o Fazendeiro” e principalmente “A Cor da Fome é Amarela”, que teve significado marcante no enredo.

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Alegorias

As alegorias da Colorado do Brás cresceram ao longo do desfile no quesito interpretação, mas o acabamento andou no sentido contrário. O Abre-alas foi de significado genérico, e poderia se encaixar em qualquer enredo com temática similar. Mas a partir da segunda alegoria, os elementos ganharam riqueza de significado, com destaque para do terceiro carro, que representou “O Quarto de Despejo – A Carruagem”, uma referência ao livro de maior sucesso de Carolina de Jesus.

Outros destaques

Figura que marcou presença inclusive nos ensaios técnicos, a filha da homenageada, Vera Eunice de Jesus, não deixou de marcar presença e foi um dos destaques da Colorado do Brás, que encerrou sua apresentação de forma satisfatória.

No desfile do Salgueiro, a resistência negra no futebol

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Salgueiro02O futebol chegou ao Brasil, em 1894, trazido pelos europeus e estudantes de classe alta que voltavam de seus estudos no Reino Unido Charles Miler e Oscar Cox. Dando continuidade ao enredo resistência, a décima sétima ala “O negro e o futebol carioca”, arremeteu a relatar o preconceito que os negros sofreram no esporte por, incialmente, ser uma atividade realizada com jogadores majoritariamente brancos, trazendo para os dias atuais, que mesmo após muita luta, os negros ainda tem que se firmar neste cenário. Mario Sérgio, em entrevista ao site, relatou a importância de trazer essa temática para o desfile.

“A fantasia veio representando a dificuldade que os negros enfrentaram há décadas atrás para se inreriem no futebol, tanto no Rio de Janeiro. O Vasco e o Bangu foram pioneiros a contribuírem para dar um basta nesse preconceito. Nós viemos com para uma época mais contemporânea representando o que eles viveram tempos atrás.”

O Bangu Atlético Clube, fundado por ingleses mas formado, em sua maioria, por operários da Fábrica de Tecidos de Bangu, foi o primeiro clube no estado a escalar um atleta negro no ano de 1905. Tomada esta atitude, no ano de 1907 a Liga Metropolitana de Football proibiu que atletas “de cor” fossem escalados, com isso, o clube branco e vermelho decidiu abandonar a competição.

O acontecimento de 1905 poderia ter ficado só no passado, porém, nos dias atuais ainda podemos observar diversos casos em que negros sofrem preconceito no futebol. Marcelo Jaqueta, que desfila há 3 anos na escola, relatou em entrevista ao site CARNAVALESCO sua opinião sobre esses atos.

“É triste nós observarmos essa realidade nos dias de hoje porque todos somos iguais, não tem cor, somos seres humanos, o sangue que corre na nossa veia é vermelho, é igual, não tem diferença. Então, a gente tem que lutar e sempre falar em resistência, temos que acabar com esse preconceito hoje. O Salgueiro trouxe isso, vamos acabar com o preconceito!”, concluiu.

‘Saber que nossa luta continua e que nós nunca iremos para de lutar’, diz atriz Aline Dias sobre vir na última alegoria do Salgueiro

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Salgueiro01bA terceira escola a se apresentar nesta sexta-feira na Sapucaí, trouxe um desfile retratando críticas sociais que, mesmo no século 21, têm de ser debatidas e a resistência a esses ataques. No seu último carro apresentado “A resistência continua!” teve sua parte da frente representada por uma praça estilizada e o termo racismo sendo utilizado, a última alegoria do Salgueiro mostrou para os espectadores como é necessário estimular o debate sobre temas ligados à discriminação contra a população negra no Rio de Janeiro.

Para instigar ainda mais quem assiste ao desfile, na alegoria pudemos observar uma cena em que um grupo de manifestantes envolve a alegoria e ocupa o cenário urbano, formado pela praça estilizada e os prédios que a contornam. Reunindo as pessoas na praça e assim gerando uma mobilização, os protestantes se expressaram contra as injustiças e violências contra os negros e, firmando assim, o Morro do Salgueiro como lugar de resistência afro-brasileira até os dias atuais. Um dos diretores da Escola, em entrevista para o site CARNAVALESCO, contou alguns detalhes do carro.

Salgueiro01c“Esse carro é o desfecho do enredo, representou justamente a resistência contra o racismo. Pudemos contar na composição com vários personagens do movimento negro, a velha guarda da escola também veio nessa alegoria. É a representação do enredo”.

Em certo momento do desfile, o preconceito e o racismo são derrubados, no sentido literal da palavra, providos de cartazes e bandeiras, utilizando-se de algumas imagens e palavras de ordem, o grupo ocupou o obelisco que está localizado na praça. Já na parte traseira da quinta alegoria, a vermelho e branco trouxe um cenário inspirado na favela criada para o desfile de Skindô de 1984.

“Representar a luta antirracista, representar o povo preto, é muito necessário, é muito importante passar essa mensagem para o público e saber que a nossa luta continua e que nós não iremos para de lutar.”, comentou a a atriz Aline Dias que veio compondo a última alegoria.

Análise da bateria da Imperatriz no desfile

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A bateria Swing da Leopoldina de Mestre Lolo fez uma grande apresentação. Uma exímia afinação de surdos foi notada, amparando o ritmo da bateria da Imperatriz Leopoldinense de forma eficaz. O balanço dos surdos de terceira preencheram a sonoridade junto a um toque de caixas uniforme e ressonante, além de repiques complementando o molho da cozinha da bateria. Peças leves acompanharam e contribuíram com qualidade inegável. Uma ala de tamborins com ótimo volume, coesão rítmica, que tocou chapado a convenção que explorou a melodia do samba com um desenho baseado em simplicidade. Um naipe de chocalhos exemplar, assim como cuícas seguras também foram percebidas.

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O leque de paradinhas esbanjou concepção musical refinada. A bossa do refrão do meio inseriu um arranjo musical com retomada que remetia à bateria da Mocidade Independente. Os chocalhos fizeram subida “cascavel”, com marcadores tocando o surdo de maneira invertida, além das caixas fazendo a batida da bateria da Mocidade. A paradinha da segunda unia bom gosto musical e uma sonoridade de notório destaque.

As passagens da bateria da Imperatriz diante dos julgadores ocorreram sem qualquer transtorno musical evidenciado da pista de desfile. Inclusive, a apresentação na última cabine dupla de jurados arrancou aplausos e boa receptividade. Uma abertura de início dos trabalhos muito boa do ritmo da escola de Ramos. A única ressalva negativa fica por conta do chapéu da bateria. De altura elevada, prejudicou as sinalizações das paradinhas por parte dos diretores, que foram bravos e garantiram com muito sacrifício que nenhum problema ocorresse.

Colorado 2022: galeria de fotos do desfile

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Fotos: desfile da Imperatriz Leopoldinense no Carnaval 2022

Imperatriz cumpre promessa de maior abertura do Especial e faz desfile com grande qualidade estética

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A Imperatriz voltou ao Grupo Especial e fez jus à missão de abrir o principal grupo do Rio de Janeiro após mais de dois anos sem carnaval devido à pandemia. O encontro Rosa Magalhães, Imperatriz e Arlindo Rodrigues trouxe alegorias e fantasias luxuosas, misturando a estética dos dois carnavalescos que mais representam o estilo clássico da Imperatriz. O início da escola impressionava pelo alinhamento entre a enorme locomotiva da comissão de frente, o tripé trazendo a figura do homenageado e o abre-alas com o Theatro Municipal. Destaque também para a bateria de mestre Lolo e para a comissão de frente com bons efeitos e traduzindo com irreverência e bom humor o enredo. As fantasias com boa leitura eram luxuosas, de bom gosto e com materiais que foram consagrados pelo carnavalesco homenageado. Único ponto negativo foi a irregularidade na harmonia, que alternou algumas alas cantando muito e outras nem tanto. Com o enredo “Meninos eu vivi…Onde Canta o sabiá, onde cantam Dalva e Lamartine”, a Imperatriz abriu a primeira noite de desfiles do Grupo Especial encerrando com o tempo de 67 minutos. * VEJA FOTOS DO DESFILE DA IMPERATRIZ

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Fotos de Allan Duffes e Nelson Malfacini/Site CARNAVALESCO

Comissão de Frente

Coreografada por Thiago Soares, a comissão de frente “O trem das lembranças” apresentou uma proposta coreográfica lúdica, respeitando as características da Imperatriz Leopoldinense e promovendo o reencontro da escola com suas marcas de identidade. O elemento alegórico do grupo recriou a imagem mais simbólica do desfile de 1981, o trem que se tornou vedete da apresentação em homenagem a Lamartine Babo. De seu vagão, há a referência ao espelho, material lançado no carnaval por Arlindo. No elenco, o pioneirismo na inserção de mulheres no quesito, as bailarinas dançavam com saias que se transformavam em capas e outros elementos de figurino.

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Depois, em um segundo momento a comissão de frente interagia com o vagão de trem e portas espelhadas, até um segundo elenco todo prateado aparecer. Uma bailarina também realizava um truque de troca rápida de roupa os outros integrantes se aproximavam, o que levava o publico ao delírio. Outro ponto forte, era um drone totalmente caracterizado de sabiá que voava no final da apresentação da comissão. Importante ser citado que na primeira cabine de julgamento um pouco antes da apresentação ter início uma das bailarinas parou para ajustar a roupa com uma assistente e depois no segundo módulo , um dos espelhos girou um pouquinho antes da hora na troca de elenco.

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Mestre-Sala e Porta-Bandeira

O primeiro casal, Thiaguinho Mendonça e Rafaela Theodoro, vestiu a fantasia “Imperatriz- a manequim dos sonhos de Arlindo” representando as formas sinuosas, arabescas e barrocas, ideias constantes em toda obra do carnavalesco homenageado e que também caracterizam o estilo romântico, histórico, barroco e tradicional da Rainha de Ramos desde sua fundação. A apresentação nos três módulos aconteceu sem problemas, com a bandeira sendo bem desfraldada mesmo com o vento que começou a atingir a pista com um pouco mais de força. A dupla da Imperatriz preferiu trazer uma coreografia mais tradicional com destaque para o fato de conseguirem alinhar ao mesmo tempo intensidade e leveza com uma postura corporal impecável. Apenas algumas terminações de passos faziam maior referência ao samba como em “Salve a Mocidade”, em que faziam um referência com os braços ao alto. A dupla também seguiu o ritmo de uma bossa de mestre Lolo com um ritmo de pagode no trecho “Seu samba nascendo no morro”.

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Harmonia

O ponto negativo a ser citado da escola, pois o canto não foi tão uniforme e nem tão intenso como visto em alguns ensaios. A imperatriz alternou alas cantando com mais vigor como ” Africanidades – a raiz africana nas peles e no vime”, e outras nem tanto como algumas do terceiro setor. O canto começou até mais intenso no início do desfile mas foi perdendo um pouco dessa vitalidade a partir da segunda cabine. Outras alas que se destacaram no canto foram “Zumbi dos Palmares – o herói da revolução” no segundo setor, e “Sincretismo religioso – Oxalá do Bonfim” no quarto setor. Do samba, o trecho “Amada Imperatriz” era o de maior destaque com os componente entoando e erguendo o braço para cima.

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Enredo

O enredo “Meninos, eu vivi… Onde canta o sabiá, onde cantam Dalva e Lamartine” trouxe o reencontro da Imperatriz Leopoldinense com o seu grande mentor artístico Arlindo Rodrigues, pontuando o momento de renascimento da escola que se olha no espelho e se reconhece outra vez como uma referência do carnaval. A escola dividiu o desfile em cinco setores. No primeiro “Da Ribalta à Avenida” – À Luz do Destino, o Menino e o Dom”, a revolução que Arlindo trouxe do Theatro Municipal para o carnaval. Em seguida “Canta, Salgueiro!- A Revolução Africana na Vermelho e Branco”, apresentou a chegada de Arlindo e Pamplona ao Salgueiro nos anos 60.

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No terceiro setor “”Salve a Mocidade! – Onde Arlindo descobriu o Brasil”, foi representado a mudança de Arlindo para a Mocidade, no quarto setor “Reluzente como a luz do dia – O encontro romântico e barroco entre Arlindo Rodrigues e a Imperatriz”, foi retratado a chegada do homenageado à escola de Ramos. E por fim, em “Meninos, eu vivi … Onde canta o sabiá, onde cantam Dalva e Lamartine”, a escola celebrou a consolidação da Imperatriz como potência por Arlindo no desfile sobre Lamartine. O enredo foi apresentado de forma coerente, no geral de fácil leitura e como se esperava da carnavalesca Rosa Magalhães, com um tom didático e bastante claro.

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Evolução

A Imperatriz Leopoldinense realizou uma evolução fluida, sem correria e sem grandes paradas, apesar de algumas fantasias serem de um material um pouco mais pesado . Não foram observados buracos ou alas emboladas. O segundo setor que fazia referência ao Salgueiro e o último brindando a força dos carnavais de Arlindo na Imperatriz eram os que traziam um evolução mais espontânea e alegra. Nesse sentido, a fantasia parece ter ajudado um pouco.

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Samba

O samba interpretado pela dupla Arthur Franco e Bruno Ribas foi beneficiado pelo andamento cadenciado introduzido pela “Swing da Leopoldina” de mestre Lolo, facilitando o canto e a evolução dos componentes. A dupla de intérpretes mostrou grande entrosamento com Arthur trazendo intensidade à obra e Bruno Ribas realizando boas intervenções harmônicas e vocalizações. Destaque para o trecho “Amada Imperatriz”, em que alguns momentos a bateria de mestre Lolo secava os instrumentos e o trecho era entoado pelos componentes com bastante vigor. O trecho “Seu samba nascendo no morro”, mais melódico e com uma outra bossa de mestre Lolo em ritmo de pagode também era cantando com intensidade.

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Fantasias

O conjunto de fantasias da Imperatriz foi um dos grandes destaques do desfile trazendo uma mistura do estilo Rosa com o Estilo Arlindo Rodrigues, e se consolidando naquela estética clássica, romântica da Imperatriz que há algum tempo não era vista com tanto vigor e bom gosto na Sapucaí. A utilização da renda e de babados, estilo de material aliado tanto a estética de Rosa como de Arlindo era visto em diversas fantasias principalmente no primeiro e no último setor que faziam maior referência a produção do Arlindo.

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Destaque para as alas “Imersão teatral -Inspiração no drama e na comédia”, e “Corpo de baile – A arte em movimento”, ambas do primeiro setor, e a fantasias das composições do último carro ” Meninos eu vivi” que também esbanjavam bom gosto no uso da renda. No segundo setor houve a mudança de cor fazendo homenagem ao Salgueiro e trouxe a presença de um estilo mais afro com destaque para figurinos com mais vime, outro material de preferência de Arlindo como nas ” baianas de todos os deuses – matriarcas afro-brasileiras” e “Zumbi dos Palmares – o herói da revolução”. Em geral um banho de bom gosto com materiais de primeira qualidade.

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Alegorias

A escola trouxe cinco alegorias e dois tripés. O primeiro tripé que funcionava como um “pede passagem” “Arlindo a contemplação” trazia o homenageada admirando a entrada de sua amada Imperatriz para contar sua história. O carro abre-alas “À luz de um nobre destino, o universo fascinante do Theatro Municipal” com a primeira parte apresentando a coroa da Imperatriz Leopoldinense decorada com os rocailles magníficos do interior do Theatro Municipal, além das luminárias fascinantes que adornam o lugar. Na segunda parte, os espelhos – introduzidos por Arlindo no carnaval e abundantes na decoração do Theatro.

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O segundo carro “A raça encarnada na Negritude do Salgueiro – Formas estampas e natureza: A África de Arlindo” trouxe um retrato da verdadeira identidade do negro brasileiro e das raízes africanas plantadas no Brasil”. A escultura de Zumbi era muito alta. No último carro “Meninos, eu vivi…e ainda vivo! A eterna influência” trouxe no final uma bonita homenagem a Joaosinho Trinta com o cristo de “ratos e urubus”. Joaozinho trabalhou com Arlindo, o substituiu no Salgueiro e foi seu contemporâneo na disputa de carnavais com um estilo oposto ao clássico que formou a identidade da Imperatriz. Apesar da beleza e do bom gosto dos carros, as luzes do segundo tripé “Decorações de rua – o caminho enfeitado pelas mãos de Arlindo e Pamplona”, estavam apagado próximo a terceira cabine de julgamento. A ultima alegoria também apresentou alguns problemas de acabamento quando um pano voava com o vento e deixava a mostra a parte interna.

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Outros Destaques

Antes do desfile, Joao Drumond discursou prestando uma homenagem ao avô falecido em 2021, o eterno patrono da Imperatriz, Luiz Pacheco Drumond. A cantora Iza esbanjou simpatia a frente da Swing da Leopoldina com a fantasia “matriz brasileiro – as cores da Terra”, representando os matizes que coloriram o avistamento dos portugueses no descobrimento do país. Os ritmistas vieram representando o descobrimento do Brasil, um dos temas que Arlindo mais gostava de contar na Avenida.

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Mestre Lolo e seus diretores fez uma homenagem a mestre André o icônico comandante da “Não Existe Mais Quente” inventor das famosas paradinhas. O último carro, além de trazer imagens de Arlindo em um telão também trouxe vídeos com seu Luizinho Drumond, o responsável pela escolha do enredo e a volta de Rosa a Imperatriz. Já a carnavalesca veio sentada na última alegoria da escola. O ex mestre-sala Chiquinho causou bastante emoção ao vir sozinho no carro “A sagração no altar da Bahia”, sua falecida mãe, a porta-bandeira Maria Helena originalmente também viria na alegoria.

Ala das baianas faz referência aos antigos carnavais da Mangueira

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Mangueira04aA tradicional ala das baianas da Estação Primeira de Mangueira, esse ano reforçam o mergulho na memória dos aspectos afetivos da escola, assim revivendo antigos carnavais.

Com bastante forro apesar de leve, a saia é composta por cor predominante rosa, porém com a barra esverdeada, fazendo referência as conhecidas cores da escola. Na parte superior do corpo, um chapéu com flores e penas de cor rosa.

Em entrevista ao CARNAVALESCO, algumas baianas relataram suas opiniões quanto as suas respectivas fantasias, as quais aparentemente foram de total agrado das componentes.

“Esse é o meu quarto ano como baiana. Nossa fantasia está lindíssima, e além de clássica, está honrando a verdadeira tradição das baianas. Me sinto muito feliz e emocionada em poder rodar bastante minha baiana ao estilo dos antigos carnavais”, contou a fotógrafa Andréia Nestreia, de 51 anos.

Mangueira04bA baiana Nara Cristina, de 65 anos, também compartilhou parte de sua emoção em estar de volta a Sapucaí e não mediu elogios a sua fantasia.

“Está linda a minha fantasia, da até gosto de desfilar. Muita emoção esse ano com a Mangueira, mas o importante é se divertir e torcer para o título sair na terça feira, antiga clássica quarta feira de cinzas”.

Estreando como baiana na escola, Claudia Coelho se mostrou muito emocionada em desfilar na sua escola do coração. Torcedora há mais de 20 anos, quando questionada sobre a emoção em estar desfilando, respondeu: “Meu coração está explodindo de felicidade! Eu sempre quis desfilar, mas demorei a tomar coragem. O desfile exige muita responsabilidade, principalmente na ala das baianas, mas finalmente estou aqui, antes tarde do que nunca”, brincou.