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Com apresentação técnica, Colorado do Brás faz desfile que cresceu ao longo da avenida

Desfile da Colorado apresentou a jornada de vida de Carolina de Jesus desde a sua juventude sofrida na região onde hoje se encontra a cidade mineira de Sacramento até se mudar para a paulista Franca

A Colorado do Brás foi a segunda escola a desfilar no Sambódromo do Anhembi na primeira noite de desfiles do Grupo Especial de São Paulo. Com o enredo “Carolina – A Cinderela Negra do Canindé”, a vermelho e branco contou a história da escritora Carolina de Jesus, uma das mais importantes autoras da literatura brasileira, e que ganhou fama na época em que morou na antiga favela do Canindé, nas proximidades de onde hoje é o barracão da agremiação. * VEJA FOTOS DO DESFILE

Com uma apresentação técnica, a Colorado fez um desfile que cresceu ao longo da apresentação e representou com determinação a homenageada que é tão querida por sua comunidade. Quesitos específicos, porém, como comissão de frente, deixaram a desejar e não conseguiram apresentar a escola de maneira adequada, com erros de execução. O desfile encerrou com 64 minutos.

Comissão de Frente

Apresentando “O ‘Grande Baile’ de Carolina, a Cinderela Negra do Canindé”, a comissão de frente retratou a época em que o talento de Carolina de Jesus foi descoberto pelo jornalista Audálio Dantas. Enquanto fazia uma reportagem sobre a favela do Canindé, Audálio leu o diário da então catadora de papelão intitulado “Quarto de Despejo”, e fascinado, ajudou a publicar a obra.

Liderados pelo coreógrafo Kelson Barros, os dançarinos interpretaram Carolina e Audálio, além da entidade Zé Pilintra, e personagens que fizeram o papel da Elite Literária, que via com preconceito a ascensão da escritora, e a Realeza Negra, que após tantos anos subjugada, encontrou em uma mulher preta e favelada uma voz que lhes representasse.

A comissão trouxe uma coreografia de interpretação difícil, muito longa e de poucos destaques. Em alguns momentos, faltou sincronia entre os casais que formavam o elenco e Zé Pilintra derrubou o chapéu próximo a segunda cabine. A falta de um ponto claro de início e fim da apresentação, que aparentou durar mais de quatro passagens, pode comprometer a avaliação do quesito.

Mestre-Sala e Porta-Bandeira

O primeiro casal da escola, representado por Ruhanan Pontes e Ana Paula, veio vestido de libélulas. Esses insetos, cujo nome deriva de liber (“livro” em latim) são considerados símbolos de transformação, inspiração e renascimento, e são características que se assemelham com a trajetória de vida de Carolina de Jesus.

A dupla conseguiu executar sua dança com proeza. Em determinados momentos do samba, como nos versos “livre feito uma borboleta”, imitaram uma revoada e causou um efeito agradável de se ver. Houve sincronia em seus movimentos, e no conjunto poderá impactar em boas notas para a Colorado.

Harmonia

O carro de som apostou em bossas e apagões em diferentes momentos ao longo do desfile. A resposta da comunidade, porém, não se fez presente em todos os momentos. Algumas alas apresentaram canto fraco, em especial a ala “Carolina do Diabo”, que foi inaudível em momento importante do refrão principal. Os dois primeiros carros passaram em grande silêncio, com componentes aparentando desânimo na parte final da apresentação.

Enredo

O desfile da Colorado apresentou a jornada de vida de Carolina de Jesus desde a sua juventude sofrida na região onde hoje se encontra a cidade mineira de Sacramento até se mudar para a paulista Franca. Entre várias mudanças em busca do sonho de uma vida melhor, chegou a morar brevemente para o Rio de Janeiro, mas retornou para São Paulo, onde o destino lhe agraciou com a fama anos depois. Graças a sua primeira obra, “Quarto de Despejo – Diário de uma Favelada”, seu nome ganhou o Brasil e o mundo, com o livro sendo traduzido para 13 idiomas e superando obras de escritores consagrados, como Jorge Amado. Sua história virou de peça de teatro até documentários, e até os dias de hoje é reconhecida como uma das mais importantes representantes da cultura negra do país.

A cabeça da escola foi de difícil leitura. Da comissão de frente até o primeiro carro, não estava claro de fato do que se tratava o enredo. A partir do segundo setor o desfile ganhou nova cara, e foi fácil saber do que se tratavam fantasias e alegorias. Foi um quesito que cresceu de qualidade ao longo do desfile.

Evolução

Sem sustos, conforme já se esperava de um carnaval com limite máximo de elementos reduzidos, porém com tempo de desfile mantido. A Colorado não passou sustos e conseguiu evoluir com fluidez ao longo de boa parte do desfile. Na parte final foi percebida uma leve acelerada, mas não que comprometesse o bailado dos componentes, que em geral sambaram com desenvoltura.

Samba-Enredo

O samba da Colorado do Brás foi um dos mais comentados no pré-carnaval. Narrado em primeira pessoa, a obra interpretada por Chitão Martins apresenta a história de Carolina de Jesus com riqueza poética e refrão marcante.

Na avenida, o carro de som da escola correspondeu às expectativas. Completando 10 anos neste mesmo microfone, o intérprete conseguiu melhorar ainda mais seu desempenho em relação aos ensaios, e foi um dos pontos altos do desfile. A letra do samba ajudou na leitura do enredo ao longo da apresentação, e é um quesito que passou segurança para a escola durante toda a avenida.

Fantasias

As fantasias vieram representando com riqueza de detalhes as diferentes passagens da vida de Carolina de Jesus. Neta de escravos que fizeram parte dos momentos finais do tráfico negreiro, as roupas dos componentes apresentaram a ancestralidade africana de Carolina, e retrataram dos seus primeiros momentos na cidade grande até a consagração como renomada escritora, que chegou a inclusive gravar músicas de própria autoria.

Com um conjunto simples. Com leves exceções, as roupas dos componentes conseguiram transmitir bem sua mensagem, com destaque especial para as alas “O Colono e o Fazendeiro” e principalmente “A Cor da Fome é Amarela”, que teve significado marcante no enredo.

Alegorias

As alegorias da Colorado do Brás cresceram ao longo do desfile no quesito interpretação, mas o acabamento andou no sentido contrário. O Abre-alas foi de significado genérico, e poderia se encaixar em qualquer enredo com temática similar. Mas a partir da segunda alegoria, os elementos ganharam riqueza de significado, com destaque para do terceiro carro, que representou “O Quarto de Despejo – A Carruagem”, uma referência ao livro de maior sucesso de Carolina de Jesus.

Outros destaques

Figura que marcou presença inclusive nos ensaios técnicos, a filha da homenageada, Vera Eunice de Jesus, não deixou de marcar presença e foi um dos destaques da Colorado do Brás, que encerrou sua apresentação de forma satisfatória.

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