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Cabine a cabine: como foi o desfile da Mangueira na avaliação do site CARNAVALESCO

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Segunda escola a desfilar na abertura dos desfiles do Grupo Especial, a Estação Primeira de Mangueira apresentou o enredo “Angenor, José e Laurindo”. A reportagem do CARNAVALESCO esteve disposta nos módulos de julgamento do Sambódromo e realizou uma análise da apresentação da agremiação em oito quesitos, exceto bateria.

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Comissão de Frente
A comissão de frente, comandada pelos vitoriosos coreógrafos Priscilla Mota e Rodrigo Negri, começou sua apresentação no modulo 1 em cerca de 10 minutos de desfile, apresentando uma das comissões mais emocionantes dos dois dias de desfile. Representando do jovem ao velho, mostrou os mangueirenses reverenciando os homenageados Cartola, Jamelão e Delegado, contando com eles crianças, jovens e velhos, com o seu ápice com eles vestindo o verde e rosa da escola. Sem dúvidas, uma das melhores do ano, precisa, bem executada, com destaque para a troca de roupas e pela sutileza com o aparecimento das rosas ao final, referência as rosas não falam. Não ocorreram falhas de execução ao longo da Avenida.

Mestre-Sala e Porta-Bandeira
O casal Matheus Oliverio e Squel Jorge tiveram dificuldades ao se apresentarem no modulo 1, com erros de sincronia por mais de uma vez, em momentos que ele finalizava partes da coreografia antes dela, por exemplo. Ponto alto, contudo, foi a belíssima coreografia, com um bailado que trouxe elementos tradicionais e outros momentos de maior vigor e garra na coreografia, bem bonitos. Diferente de outros desfiles, o casal não veio no início, mas sim a frente da bateria. Nos demais módulos, o casal passou bem, porém, a impressão é de que casal e bateria dividiram a atenção ao mesmo tempo, tirando certo brilho de ambas as apresentações.

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Harmonia
A harmonia da Mangueira mostrou a força da escola, com os mangueirenses cantando forte o samba, ainda que em certos momentos, do meio para o fim do desfile, algumas alas foram perdendo a força, rareando o canto um pouco. Destaque para as alas iniciais que, talvez por estarem abrindo o desfile, chegarem com muito vigor, cantando com muita força e intensidade. A agremiação foi bastante ajudada pela torcida que cantava boa parte da letra. A ala de compositores, bastante animada, cantou a obra com um orgulho emocionante, contagiando a arquibancada do módulo que passou a cantar mais alto junto a eles. A ala 5 “O arengueiro que escolheu verde e rosa” cantava interagindo com a letra do samba.

Enredo
Leandro Vieira, carnavalesco, mostrou que no quesito enredo, a Mangueira da aula: muito bem contado, de forma clara, precisa. A história foi muito bem contada, com emoção e beleza. Não ficou nada a desejar nesse quesito. A própria Estação Primeira foi exaltada por sua tradição e representatividade para o carnaval carioca. O morro também não ficou de fora, já que é fundamental para o pertencimento de sua agremiação, até chegar aos seus homenageados. O poeta Angenor de Oliveira foi o primeiro a aparecer, abrindo o segundo setor com o tributo à Cartola. Dados biográficos de José Bispo Clementino dos Santos, o Jamelão, vieram no terceiro setor. Seu Laurindo abriu o quarto e último setor.

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Evolução
A evolução foi sem dúvidas o quesito decisivo das duas noites. Diversas foram as escolas que enfrentaram problemas com isso. Mas ao menos a Mangueira conseguiu escapar disso, com uma evolução boa, fluindo bem e harmonicamente ao passar pelo módulo 1. Já a partir da metade da Avenida, a escola teve que acelerar o passo, gerando um descompasso com o que estava sendo realizado até então, mas que se ajustou para o final do desfile. A ala 6 “O rei da Mangueira” passou em dois polos, a primeira metade bastante solta e animada, enquanto na segunda alguns componentes não dançavam e por consequência também não cantavam.

Samba
O samba da Mangueira cresceu muito na avenida, empolgando, porém com momentos de queda no rendimento, com componentes mais desanimados cantando, especialmente alas do final da escola. O ponto alto, porém, ficou com as paradinhas no samba, momento em que as arquibancadas responderam forte cantando a capela – o trecho ‘A voz do meu terreiro’, com o mangueirense cantando forte. Marquinho Art Samba a todo tempo tentando impulsionar a escola, representando o lendário Jamelão. Em sua letra, faltou riqueza de rimas em suas terminações. Destaque para o excesso de finalizações em “ado”. Apesar de melodicamente bem trabalhado, a letra ficou a desejar. Alongamentos presentes no verso “lustrando sapato…” não soaram bem.

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Foto: Site CARNAVALESCO

Fantasias
Leandro Vieira deu show com as fantasias da mangueira, imponentes, bonitas, de boa leitura e entendimento, mas em alguns momentos o tamanho delas atrapalhou o andamento. A ala 19 – “Nota Dez”, por exemplo, e a 20 – “Eles e Elas” – se embolaram em certo momento, mesmo com distância boa entre elas, por conta dos tamanhos, momento em que o próprio Leandro Vieira, que estava por perto da primeira cabine, foi desenrolar os componentes que se enrolaram. Apesar de excessivo, o verde e rosa foi justificado e trouxe um belo efeito ao enredo contado.

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Alegorias
Talvez um dos quesitos que mais penalizarão a escola, com diversos erros que podem comprometer um melhor resultado. Dentre esses erros: o abre-alas passou com algumas de suas lâmpadas apagadas e um dos elementos cenográficos veio para a avenida com um produto de limpeza em cima, esquecido por lá. No segundo carro, uma pessoa não identificada estava de pé na alegoria, atrás de uma escultura. O segundo carro “As rosas não falam” era um lindo jardim com grandiosas rosas dando um clima poético, contudo, o carrossel, destaque central da alegoria passou totalmente apagado no terceiro módulo, acendendo somente após passar pelo campo de visão do júri.

Participaram da cobertura: José Luiz Moreira, Yuri Neri e Dyego Terra

Cabine a cabine: como foi o desfile da Imperatriz na avaliação do site CARNAVALESCO

Primeira escola a desfilar na abertura dos desfiles do Grupo Especial, a Imperatriz Leopoldinense apresentou o enredo “Meninos, eu vivi… Onde canta o sabiá, onde cantam Dalva e Lamartine”. A reportagem do CARNAVALESCO esteve disposta nos módulos de julgamento do Sambódromo e realizou uma análise da apresentação da agremiação em oito quesitos, exceto bateria.

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Comissão de Frente
A comissão de frente, comandada pelo coreógrafo Thiago Soares, começou sua apresentação com 8 minutos de desfile, representando as memórias carnavalescas de Arlindo Rodrigues, com o pioneirismo da inserção de mulheres no carnaval. Contudo, em sua execução no primeiro módulo, alguns erros de sincronia foram observados. Durante a troca entre as primeiras bailarinas e as que saem de heroínas dos espelhos, uma das componentes se precipitou antecipando a virada do espelho, dentre outros pequenos deslizes de sincronia e de execução da própria. Nas demais cabines, o incidente não se repetiu.

Mestre-Sala e Porta-Bandeira
O casal de mestre-sala e porta-bandeira Thiaguinho Mendonça e Rafaela Teodoro realizou a sua apresentação em todos os módulos de julgamento com forte presença, abrindo a noite com bastante vigor, empenho. Vestindo a Imperatriz, manequim dos sonhos de Arlindo, com influências do barroco, do estilo romântico e todas as influências históricas que são parte da história da escola, o casal fez uma belíssima apresentação, mesclando um bailado mais tradicional com interações com o ritmo da bateria. No momento em que o samba citava Xica e Zumbi, os dois erguiam o punho em sinal de resistência. A porta-bandeira girou com uma das mãos na cintura, esbanjando leveza, e os dois pararam sincronizadamente e se encontravam em um toque de mãos. Pavilhão muito bem conduzido e desfraldado, impecável do início ao fim.

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Harmonia
A escola começou bem na avenida no assunto samba / canto, com destaque para a boa parceria entre os intérpretes, Arthur Franco e Bruno Ribas. Porém, no começo do desfile, a escola não manteve constância, oscilando o canto em diversos momentos. Enquanto algumas alas cantavam forte – exemplo a ala “Zumbi dos Palmares”, outras não demonstravam saber nem a letra do samba. Entretanto, em grande maioria a comunidade abraçou o samba e realizou um espetáculo ao longo do desfile na medida em que a Avenida esquentava.

Enredo
Didática, a escola dividiu o desfile em cinco setores: “Da Ribalta à Avenida” – À Luz do Destino, o Menino e o Dom”, “Canta, Salgueiro! – A Revolução Africana na Vermelho e Branco”, falando da passagem do carnavalesco pela escola coirmã, “Salve a Mocidade! – Onde Arlindo descobriu o Brasil”, “Reluzente como a luz do dia – O encontro romântico e barroco entre Arlindo Rodrigues e a Imperatriz”, e “Meninos, eu vivi … Onde canta o sabiá, onde cantam Dalva e Lamartine”. No geral, contudo, um didatismo e clareza bem grandes em alguns setores como o do Salgueiro bem maiores que de outros, não tão claros, ou não da mesma forma, como em “Meninos, eu vivi”, com uma ou outra ala com leitura menos claras. Ainda assim, no geral, a escola passou bem no quesito. No cortejo, foi possível identificar traços da personalidade criativa de Arlindo e o inevitável reencontro da escola consigo mesma.

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Evolução
Em se tratando de evolução, a escola mostrou a importância de se pensar muito bem nas fantasias: alas com fantasias mais leves, mais confortáveis, como as do setor sobre o Salgueiro, ajudaram bastante aos componentes / desfilantes a passarem mais facilmente pela avenida. Também por isso, uma ou outra ala, especialmente das primeiras alas, passaram bem mais lentas. Ao longo da Avenida, a escola manteve um ritmo constante, mas em alguns momentos, um pouco travada.

Samba
Um destaque positivo do samba da Imperatriz foi a parceria entre Bruno Ribas e Arthur Franco. Funcionou muito bem essa dupla, conduzindo e empolgando bem a avenida. Conseguiram empolgar até aqueles componentes e arquibancadas que ainda não estava familiarizados com o samba, mas se sentiram inspirados ali, na hora, com o bom desempenho do canto da escola, além do destaque que foi a avenida toda ecoando o trecho “Amada Imperatriz” a capela. Belo e variado harmonicamente, o único adendo fica para o trecho em que ocorre a reverência à Mocidade, onde o “de” da última sílaba parecia subtraído nas passagens.

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Fantasias
A Imperatriz mostrou que Rosa Magalhães realmente e uma professora quando o assunto e fantasia, trazendo o trabalho bem feito dela com a inspiração do estilo de Arlindo, com bastante rendas, babados, mas também um estilo mais barroco, histórico, tudo muito bem feito. Defeito a ser criticado foi o fato de algumas alas passarem mais “pesadas”, mais desconfortáveis com as fantasias, como a ala Zumbi de Palmares – ainda que a ala tenha cantado forte apesar disso. O mesmo com outras como “Africanidades”, por exemplo. Em frente ao segundo módulo, um dos laços da fantasia de baianas caiu e foi retirado pela equipe que conduziu a agremiação.

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Alegorias
A Imperatriz estava extremamente imponente com suas alegorias, com carros grandes, muito bem acabados, de grande beleza. Um lindo abre-alas com detalhes que remetiam ao Teatro Municipal do Rio, luminárias majestosas, espelhos. No aspecto negativo, destaque para o segundo tripe, “Decorações de rua – o caminho enfeitado pelas mãos de Arlindo e Pamplona”, que passou apagado no primeiro módulo, prejudicando a parte estética, a beleza do elemento. Inclusive, na questão luz, a escola poderia ter abusado delas ainda mais. No terceiro carro, “Posludio”, um dos destaques estava perdendo suas penas enquanto passava. No segundo e terceiro módulo, essa mesma alegoria passou com a lateral apagada. Ocorreu também uma pequena falha de iluminação em uma das lâmpadas do primeiro tripé, mas nada que tirasse a beleza do elemento.

Participaram da cobertura: José Luiz Moreira, Yuri Neri e Dyego Terra

Tucuruvi acredita que o recado foi dado: ‘O samba é resistência e tem que ser respeitado’

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Os Acadêmicos do Tucuruvi finalizaram sua apresentação na primeira noite de desfiles, no Sambódromo do Anhembi, com a sensação de tudo ter conspirado a favor da escola. Voltando ao Grupo Especial, resistiram a ansiedade de ter que aguardar um ano a mais por conta da pandemia da Covid-19, e lavaram a alma na avenida com um desfile que pretendeu levar uma mensagem importante mas de forma alegre e carnavalizada.

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O primeiro casal de Mestre-Sala e Porta-Bandeira teve como responsáveis pela dança a veterana Waleska Gomes e o jovem Luan Caliel, de apenas 20 anos e estreante no posto. A dançarina avaliou a atuação. “Foi muito boa. Satisfatória e surpreendente. Por incrível que pareça, tem uns errinhos internos que vocês não veem, e hoje não teve nada que não deu certo. Depositamos tanta energia nisso que até o universo conspirou de uma forma mágica com o tempo, com o vento, com a chuva e com o andamento da escola. Foi uma parada muito louca”.

Para Luan, a sua estreia foi da melhor forma possível. “Mesmo ensaiando dois anos sempre pode acontecer alguma coisa. E sempre, de vez em quando, acontecia algum problema, alguma batida que não acontecia, o que é normal na dança. Nenhuma dança é perfeita. Tudo na dança acontece. Mas parece que hoje parece que, eu não sei o que aconteceu, foi tudo perfeito! Pisamos na avenida, tudo batia, foi tudo cravado. E acho que só temos que agradecer pelo nosso empenho, para a nossa escola e nós mesmos”.

Para o intérprete Leonardo Bessa, o mais importante foi o recado dado pela escola na avenida. “Foi uma emoção muito grande poder pisar de novo nessa passarela. O povo do samba foi muito massacrado, bateram muito na gente. A gente mostrou que carnaval é cultura e deve ser respeitado. A gente falou tudo que tinha que ser falado. Tocamos na ferida, mas tudo muito carnavalizado”.

Esbanjando bom humor, Mestre Serginho avaliou o desempenho da bateria do Zaca. “A bateria foi bem. Colocamos um andamento bacana. Não sei como estava de fora, mas tava um ‘pagodinho’ gostosinho. A rapaziada estava toda aí curtindo. Independente da nota que vier, agora é com os caras lá (jurados). Paramos, apresentamos e fizemos as bossas que tínhamos que fazer, e segue o baile. Tocamos pra caramba. Tocamos mais que fizemos bossas”, disse.

Perguntado sobre a homenagem feita pela escola nas fantasias da bateria, que vieram todos vestidos como o símbolo da Unidos do Peruche, sua escola de origem, o mestre demonstrou grande satisfação. “Tem uma porrada de cara que é da Peruche mesmo. Os caras encostaram e estão levando a fantasia para casa até. Veja só se estão jogando a fantasia fora? Isso é o máximo! Quando você termina e ver os caras abandonando (a fantasia), você fala ‘poxa, vai dar ruim’. Ow, os caras tão indo embora! A escola fez belas fantasias. Poderia ter feito uma réplica mais ou menos, mas fez uma bem fiel”, completou.

O carnavalesco Dione Leite se sente em casa quando o assunto é a Tucuruvi e descreveu o que achou do desempenho da escola na avenida. “Foi simplesmente incrível poder voltar aqui com essa comunidade incrível que é a do Tucuruvi. Com o comando do nosso diretor de carnaval Rodrigo aí, provando que dá para mudar a mentalidade de uma comunidade. Com a presença dele e do nosso Presidente, Senhor Jamil, tivemos esse resultado. Uma escola aguerrida, uma escola feliz e pregando que o samba é resistência e que todos devem respeitar”, declarou.

Na opinião de Dione, a sensação de dever cumprido foi especialmente intensa pelo impacto causado ao público pelo conjunto visual, e entende que a mensagem do enredo foi entendida por quem assistiu ao desfile. “Acredito porque durante todo o tempo nós presenciamos uma comunicação visual muito grande com a arquibancada. E para nós, artistas da área plástica, quando isso acontece é um tesão. Conseguimos atingir um objetivo plástico que é criar comunicação. Aí tem um samba poderoso, que cria uma música maravilhosa para poder ver o desfile. Então é momento de comemorar com a comunidade do Tucuruvi e ela é merecedora, porque resiste há muitos anos, principalmente esses dois últimos de pandemia”.

Com profissionais bem emocionados, Império de Casa Verde está confiante para apuração

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Cantando o ‘O Poder da Comunicação – Império, o Mensageiro das Emoções’, o Império de Casa Verde encerrou os desfiles do carnaval de São Paulo já pela manhã deste domingo (24), e contou com o homenageado Carlinhos Maia no último carro que interagiu bastante com arquibancadas lotadas de fãs. O site CARNAVALESCO conversou com personagens da escola que estavam bem emocionados após o desfile. Veja o que falaram os principais personagens da escola.

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Casal de Mestre-Sala e Porta-Bandeira
Os primeiros a estarem na dispersão, era o casal, primeiramente o mestre-sala Rodrigo Antonio que estava observando a última alegoria passando pela dispersão e bem emocionado avaliou sobre a apresentação: “Minha avaliação é que é tudo nota 10. Saímos da pista pulando de alegria foi perfeito. Não tem explicações”.

A porta-bandeira Jessica Gioz deu sua opinião sobre a dança: “A gente fez exatamente o que ensaiamos. Resultado é o que apresentamos na pista. O que o jurado vai achar é outra coisa. Mas a gente sai super satisfeito desse desfile”, e completou sobre esse momento de volta aos desfiles “O dia, o sol, o Império, foi tudo lindo, tudo ajudou”.

Mestre de Bateria
Interagindo com componentes da bateria minutos depois do desfile, dispersão já quase vazia, o Robson Campos, conhecido como Mestre Zoinho avaliou a apresentação da bateria no desfile: “A avaliação foi muito boa. Acho que quando o público responde é que realmente o negócio foi legal. Era o nosso projeto, proposta, foi muito bom, e dever de missão cumprida. A bateria tocou muito hoje”, e completou “As paradinhas que a gente fez principalmente na Monumental, no recuo, nos apresentamos muito bem hoje. Essa é a avaliação, conseguimos dar a sustentação necessária para esse samba que era um samba mais cadenciado, mas tinha que tomar cuidado e conseguimos o ponto certo do samba, se demos muito bem na pista, agora esperar apuração, jurados e o que eles têm para avaliar”.

Intérprete
Bem requisitado na dispersão por diretoria, membros da escola, imprensa, o intérprete Carlos Júnior estava bem emocionado, feliz com o resultado e defendeu o samba e o enredo da escola: “O samba do Império é contestado e a gente já se acostumou com isso. Porque nós somos uma escola que tem personalidade única. Temos consciência que existem mais de 200, 300 funcionários, e eles precisam de respaldo. Alguns passam fome. E acho que a consciência da diretoria, a primeira coisa é tentar garantir que nós não passaremos fome e trabalhar com tranquilidade, não podemos esperar a prefeitura nos dar a mão, não fazendo crítica ao governo, pois já estão sendo criticados na internet. Só que nós precisamos nos virar, e tem pessoas dentro da Império que correm atrás disso para garantir permanência do Leandro (carnavalesco), Carlos Jr, do Mestre Zoinho, através de um enredo como Carlinhos Maia, como Líbano, Sustentabilidade, e o povo que é cultural e social talvez não entenda isso muito, os mais conservadores. Mas cabe a nós, mas algumas escolas fazer esse povo entender que o mundo mudou”.

E ainda complementou com um desabafo: “Estamos aqui fazendo carnaval sem deixar de ser cultura, mas empregando pessoas que elas têm dignidade, temos vários problemas, com direção, com amigos, colegas funcionários, mas temos isso, dignidade. Uma hora a Império vai ter condição de fazer um carnaval cultural e social e vai ser maravilhoso, mais maravilhoso que qualquer que a gente possa ter escolhido e feito algum conservador sofrer”.

Diretor de harmonia
Um quesito importante da escola, que é a harmonia, foi avaliado pelo diretor Serginho após o desfile que nos contou: “Se pudessem me ver agora, iam me ver sorrindo. Pois acho que foi nossa proposta, a Império tem por característica uma escola que canta muito. Nos ensaios técnicos poderia ter sido melhor, mas fizemos muitos trabalhos pontuais, fomos ensaiar algumas alas, fizemos um trabalho muito forte. Deu muito certo, o resultado veio. Diferente de 2020 que também teve um atraso e passou uma escola cansada, hoje com o atraso passou vibrante, a figura do Carlinhos (Maia), esse envolvimento, tinha muitos fãs do Carlinhos, então vibração e o sol estava maravilhoso. O que chegou para mim na faixa amarela, que vou tirando ala por ala, foi uma escola vibrante, deu tudo certo”.

E complementando sobre outro quesito das notas: “Na evolução também. Teve momentos que paramos um pouco a escola, mas por conta da bossa da bateria, sentiu ali, e deu certo na evolução, vieram dançando, para mim foi tudo certo. Obviamente deve ter tido uma coisa ou outra, mas para mim foi incrível”.

Carnavalesco
O carnavalesco Mauro Quintaes era cumprimentado por alguns diretores que passavam, mas estava sozinho na dispersão, visivelmente bem emocionado olhando para a pista, e ao ser perguntado sobre tamanha emoção, disse: “Passou (pela cabeça) que eu quase morri. Há um ano e pouco estava internado e quase morrendo. E hoje aqui estou revivendo a felicidade do desfile”.

Sobre o quesito plástico da escola, fantasias e alegorias, Mauro respondeu: “Foram dois anos muito difíceis. E a gente teve tempo de pensar o carnaval, fazer o carnaval da forma que o presidente Alexandre pediu. Carros vazados com formas e soluções diferentes, deixamos bem claro isso aqui na avenida. Importante é que a gente conseguiu dar a contrapartida do que foi pedido. E oferecer não só ao público de São Paulo, mas também a comunidade do Império de Casa Verde, um belíssimo espetáculo”.

A agremiação tem outro carnavalesco que desenvolveu todo o trabalho com Mauro, e também conversamos com ele sobre o desempenho já de manhã: “O resultado vai ser o melhor possível, a gente vem com que programamos, pensamos. Trabalho todos esses dois anos, apresentamos muito bem tanto em fantasia, alegoria, as alas estavam cantando. Podemos esperar um resultado bom.” e completou “Aconteceu neste sol, teve atraso, mas a gente já estava preparado para desfilar de dia. Então só íamos passar a primeira parte da noite, mas valeu a pena, foi lindo o sol, amanhecendo”.

Presidente Adilson José e o intérprete Wander Pires estão confiantes de que o título da Vila Maria está perto de chegar

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A Unidos de Vila Maria, foi a quinta escola a desfilar. Levando o enredo: “O mundo precisa de cada um de nós, a Vila é porta-voz”, a escola mostrou um ótimo conjunto alegórico, apesar dos incidentes com as iluminações dentro das alegorias. Os foliões passaram corretamente e, ao fechar dos portões na dispersão, a comemoração foi insana. Alguns componentes até cantaram uma música onde a letra diz que o título da Vila Maria chegará em algum momento.

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“Meu entrosamento com o mestre Moleza sempre foi divino e maravilhoso. Mas hoje, foi melhor ainda. Atingimos a perfeição. Mestre Moleza é o maior, junto com o meu mestre Dudu lá no Rio. Meu carro de som, graças a Deus, só tenho a agradecer. Tudo que eu pedi a eles, executaram muito bem. Agradeço todo o time. Também tenho que agradecer a todos os orixás, que me ajudaram bastante. Foi um desfile maravilhoso. Superamos ano passado e fizemos um desfile digno de subir ao pódio. Eu venho sonhando com isso há 5 anos junto com a Vila Maria. Está chegando o nosso momento”, disse.

“Foi um desfile emocionante pelo tempo sem desfilar. Optamos por grandes alegorias. Deus abençoou e passamos bem. Sobre as alegorias apagadas, é algo que não cabe nem à escola. A gente contrata e, de repente, as pessoas não fazem o devido. Podemos pensar que no atraso, a escola pode ter sido prejudicada também, porque a capacidade do gerador pode ter sido prejudicada nesse sentido. Mas, vamos buscar o campeonato. A escola está cada vez mais madura. Tomara que seja esse ano”, comentou.

Segundo os responsáveis pelo desenvolvimento do desfile da Colorado, a escola fez o seu maior carnaval da história

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A Colorado do Brás, que passou pela avenida na última sexta-feira, saiu com o dever totalmente cumprido. O clima na dispersão, após o término do desfile, foi de muita emoção por parte dos componentes e personalidades da escola. Como enredo, a agremiação levou o enredo “Carolina – A Cinderela negra do Canindé”. Pessoas que trabalham diretamente dentro da escola, como o presidente Ka e o diretor de carnaval, Jairo Rozen, disseram que a comunidade do Canindé realizou o melhor desfile de sua história.

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Jairo Rozen, diretor de carnaval da Colorado, avaliou o desfile. “A gente veio disposto a fazer o maior desfile da história da Colorado e cumprimos a nossa missão. Depois de dois anos, sem pisar no Anhembi, foi histórico pra gente falar de Carolina de Jesus, lutar contra a intolerância, preconceito e racismo. Hoje a gente entregou o sapatinho da Cinderela da Carolina de Jesus e, se Deus quiser, ela vai entregar pra gente a melhor colocação da história da nossa escola. Eu vou sempre exaltar o Chitão Martins (intérprete), a ala musical, nosso samba pra cima e alegre, mas a plástica que o André Machado deu para a escola, mudando completamente nosso paradigma, vai ficar marcado e vai mudar o rumo da Colorado. O destino da escola é alcançar a melhor colocação da sua história. Agora é aguardar os jurados dizerem qual vai ser essa colocação”, disse.

Chitão Martins, intérprete da agremiação, falou sobre o samba-enredo dentro do desfile e, também, os 10 anos que está completando na Colorado do Brás. “O samba funcionou muito bem, passou muito alegre, a arquibancada veio junto, a bateria encaixou. Foi um belo espetáculo e eu fiquei muito feliz com o resultado da ala musical, da matéria. Eu peguei a Colorado desde a UESP, fui crescendo, amadurecendo e fomos junto até o Grupo Especial. Sou muito grato à escola, porque geralmente quando as escolas chegam no Grupo Especial, vão procurar um cantor de nome, mas o presidente Ka acreditou no meu trabalho e o resultado está aí. Hoje o pessoal me considera um bom cantor e eu fico feliz com isso”, comentou.

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Allan Meira, diretor de bateria, avaliou a apresentação e falou do seu entrosamento com o intérprete Chitão Martins. “É muito emocionante desfilar depois de quase dois anos e meio. A escola veio muito bonita e eu acho que foi o melhor carnaval que a escola já fez. A bateria fez tudo que a gente ensaiou, acredito que sem erro nenhum. Estou meio extasiado ainda para saber o resultado, mas acredito que a Colorado vai conseguir o melhor objetivo. Sobre o Chitão, são seis ou sete carnavais ao lado do Chitão e é uma pessoa sensacional. O sincronismo acaba vindo com o tempo, a gente sempre se deu bem. Espero que essa parceria continue por muitos”, analisou.

Chorando, o mestre-sala Ruhanan Pontes, conversou brevemente. “Acho que foi um desfile muito bom. O mais emocionante da minha vida. Parece que a imagem de Carolina desceu aqui, porque a história dela é incrível. A Ana Paula (porta-bandeira), depois da minha mãe, é o maior amor da minha vida. O que ela faz por mim e o que já fez, não tem ideia”. disse

Presidente Ka, contou toda a emoção que o desfile levou. “Estou desde os cinco anos de idade na escola e posso falar com propriedade, foi o melhor desfile. Existia uma Colorado antes de Carolina de Jesus e agora existe outra com o André Machado (carnavalesco). Foi muita luta para colocar a escola na avenida e é um choro de dever cumprido. Nosso objetivo é alcançar o nosso espaço e mostrar que não podemos ser subestimados. Estamos trabalhando para mudar esse conceito”, observou.

Leonardo Antan: ‘Em dia com desfiles históricos, Tijuca e Grande Rio promovem renovação na estética do carnaval’

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Vimos a História ser escrita na segunda noite de desfiles do grupo especial carioca. De propostas visuais inovadoras e arrojadas até o ótimo desempenho histórico de sambas e baterias, algumas agremiações presentearam o público com momentos que ficarão na memória da festa para sempre. Em um ano especial pela volta da folia após tanto tempo, vimos comunidades emocionadas e pulsando pela pista. Foi histórico!

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Abrindo os caminhos, o Paraíso do Tuiuti reencontrou a Pista sob a batuta criativa do carnavalesco Paulo Barros. O enredo marcou o primeiro enredo “afro” da carreira do artista, que desejou a desejar no desenvolvimento bastante “temático” da narrativa, passaram em alas e alegorias grandes personalidades negras sem maiores fios narrativos que justificassem uma sensação de eterna “lista de chamada”. Outro equívoco da proposta artística foi o uso excessivo de “legendas”: a cada ala havia um estandarte apresentado a foto do homenageado, entre as fantasias que já representavam algo havia ainda os componentes um destaque “fantasiado” como os homenageados. Outro problema do enredo foi privilegiar elementos norte-americanos, falando pouco da cultura negra brasileira. Nas alegorias, os já conhecidos truques de Paulo Barros não se justificaram na busca por ajudar no desenvolvimento do enredo e ainda prejudicaram uma evolução já bastante complicada da azul e amarelo. Faltou comunicação com o público, tão importante no trabalho do artista. Com muita correria, houve estouro no tempo em dois minutos. O destaque positivo do cortejo ficou para a bateria Supersom, comandada por Mestre Marcão, que apresentou um trabalho incrível ao lado de carro de som e ótimo samba da agremiação.

Casa pra se respeitar, a Portela também falou da presença negra na nossa sociedade, mas a partir da diáspora afro-atlântica simbolizada a partir do Baobá, árvore sagrada e síntese da resistência. O enredo, infelizmente, apresentou um desenvolvimento genérico e pouco inspirado, passeando por lugares comuns e sem grandes nuances. Em meio a busca por novas formas de contar a história do povo negro na Sapucaí durante os dias dias, a proposta da azul e branco deixou a desejar. Ainda sim, a qualidade visual do conjunto se destacou na condução brilhante de Renato Lage e Márcia Lage e precisa ser destacada. O conjunto alegórico se sobressaiu pelo estilo requintado e o trabalho artesanal, como no terceiro carro realizado em palha e outros materiais rústicos, que apesar da beleza apresentou problemas de acabamento por problemas na curva da Avenida. Entre o visual em tons terrosos, se destacou o uso bem pontuado de azul, num excelente trabalho
cromático entre a proposta “afro” e as cores da agremiação. Realização que mostrou a competência da Márcia Lage e domínio absoluto da artista na questão cromática. Além de bonito de ver, a Portela também teve um excelente desempenho musical, unindo a bateria primorosa de Mestre Nilo com uma grande atuação de Gilsinho, que garantiram um ótimo rendimento a um samba menos inspirado da safra.

O tributo à Oxóssi da Mocidade Independente foi o terceiro tema “afro” seguido da noite, mas apresentando uma visão completamente diferente das propostas anteriores. A mitologia nagô-iorubá e seus mitos foram contados na Avenida, mostrando ainda a relação entre a bateria da verde e branco com o orixá. Homenageados pelo cortejo, portanto, os ritmistas de Mestre Dudu se destacaram na condução do excelente samba-enredo, que animou a Sapucaí. A potência do desfile da alviverde foi apresentar ao Brasil figuras como Tia Chica, mãe de santo que realizou o “batismo” do ritmo da agremiação ao orixá da caça e seu “aguerê”. O que foi representado na penúltima alegoria do cortejo, uma das poucas que não apresentou problemas de acabamento e belo visual, que lembrou os trabalhos de Arlindo Rodrigues e Renato Lage no início dos anos 1980. No geral, as alegorias apresentavam concepções bem interessantes, mas possuíam várias avarias e problemas de finalização. O conjunto de fantasias se destacou positivamente. Foi uma pena o espetáculo musical não ter sido acompanhado pelo visual, o que deve prejudicar a agremiação na busca por melhores posições na apuração.

Exaltando a cultura indígena, a Unidos da Tijuca mostrou porque desfile se faz na pista. Após uma série de boatos e críticas no período de pré-carnaval, a agremiação fez uma das grandes apresentações do ano. O carnavalesco Jack Vasconcelos se provou mais uma vez um dos maiores enredistas da festa, desenvolvendo com brilhantismo a história mitológica em torno do Guaraná, a partir de um olhar de fábula infantil. Um espírito leve e lúdico tomou conta do cortejo, guiado pela belíssima obra musical e a voz potente de Wantuir e sua filha Wictória, que se alinhou ao trabalho estético. Na pista, as fantasias foram um belo conjunto e um tapete cromático bem desenvolvido, desde o início que explorou as cores do Borel até o setor todo vermelho que trouxe a etnia Sateré-Mawé. A inspiração de Jack no estilo do grande carnavalesco Oswaldo Jardim foi vista na paleta e representações lisérgicas, sobretudo na ala de baianas, coroando um desenvolvimento visual bastante gráfico e que remetia as animações e quadrinhos infantis. Um grande trabalho artístico que trouxe assinatura e identidade artística, aliado a uma importante retomada do orgulho e dos bons desfiles da comunidade do Borel.

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Por falar em personalidade artística, foi o que não faltou no cortejo da Grande Rio. Caminhos abertos pela talentosa dupla Leonardo Bora e Gabriel Haddad, que seguiram uma linha visual revolucionária, deixando brilhos e paetês de lado para apostar em tecidos e sobreposições de formas rústicas. Do tripé da Comissão de Frente à ultima alegoria, vimos um conjunto visual bastante ousado e grandioso, apostando em formas volumosas e no acúmulo de elementos. A reciclagem de materiais também foi uma constante no cortejo, mostrando a potência e transformação de Exu, orixá homenageado pelo desfile. A narrativa se mostrou múltipla e abrangente como deveria, abrindo sete chaves de interpretação do mundo a partir da energia do protetor das ruas. Um conjunto visual de alto nível poucas vezes visto na história da festa, brilhante e inspirado de ponta a ponta. O trabalho visual se somou a uma equipe brilhante, da grande atuação do casal Taciana Couto e Daniel Wenerck até a bateria de mestre Fafá. Foi uma apresentação histórica, tanto do ponto de vista artístico, como em termos simbólicos já que falar de Exu foi um grito contra a intolerância religiosa e vilanização das culturas afro-brasileiras. Mensagem potente que chegou nas arquibancadas, que se encantaram e fizeram uma divertida coreografia com as
bandeirinhas distribuídas pela tricolor no início do desfile. Caminhos abertos para o esperado primeiro título da comunidade de Caxias.

Sem descanso pro público, a Vila Isabel seguiu escrevendo história e mantendo a energia lá em cima, ao celebrar Martinho da Vila, um dos maiores baluartes da arte brasileira. A esperada homenagem promoveu uma catarse do público, embalada por um excelente desempenho da bateria do povo de Noel e o rendimento do samba-enredo da escola. A comunidade engalanada da azul e branco vibrou e se emocionou na Avenida. Infelizmente, assim como na Mocidade, ouve um descompasso entre o visual e o samba. Se no chão, a agremiação emocionou, o enredo desenvolvido a partir da atuação de Martinho deixou bastante a desejar, num desenvolvimento confuso e que utilizou diversos clichês bastante problemáticos, como na terceira alegoria, que representou um “Navio negreiro”, num enredo que deveria celebrar o orgulho do povo preto. Após duas propostas ousadas e arrojadas nas agremiações anteriores, vimos um visual mais tradicional em cores e formas. O estilo opulento de Edson Pereira foi visto desde o abre-alas grandioso e no conjunto de fantasias, que deve ser bem avaliado pelos jurados. Com quesitos fortes, a Vila deve brigar pelas
boas posições.

Após grandes apresentações, resta saber como o júri avaliou os cortejos e como será eternizada a folia. Foi, sem dúvidas, um ano bastante disputado e que promete surpresas na apuração. Várias agremiações cometeram pequenos erros, mas se credenciaram para a briga. De doze agremiações, quase todas se gabaritam a retornar nas campeãs e oito delas possuem reais chances de briga. É tudo tão incerto que tem escola que poderia ficar em terceiro ou oitavo lugar que não seria surpresa. A magia da pista é realmente fascinante.

‘Foram realizações de sonhos. Meus, do Martinho e da comunidade de Vila Isabel’, declara Edson Pereira

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A Vila Isabel teve a responsabilidade de homenagear Martinho da Vila e encerrar os desfiles do Grupo Especial. A agremiação do Morro dos Macacos fez uma belíssima apresentação, se credenciando a forte candidata ao título e fechando a folia com chave de ouro. O homenageado veio na comissão de frente e voltou para encerrar o desfile no final da escola. Em entrevista ao site CARNAVALESCO, o coreógrafo Márcio Moura trouxe para a Sapucaí o trabalho intitulado “No trono de Omolu, a ascensão de um novo Rei”.

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Foto: Site CARNAVALESCO

“O Martinho é a sensação, não precisa fazer muito, é só deixar ele aparecer e contar a história dele. Muitos meses de ensaio onde ele esteve presente. Espero que a gente tenha feito uma homenagem à altura”.

Moisés Carvalho, diretor de carnaval, falou sobre a importância de ter conseguido fazer um desfile digno para Martinho da Vila: “Foi o que a gente sonhou e deu certo. A gente sabia que tinha nas mãos um grande enredo, um excelente samba, uma comunidade fortíssima e deu tudo certo”.

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O samba da Vila Isabel foi um dos mais cantados no pré-carnaval e o mesmo aconteceu na avenida. Não tinha quem não soube o trecho “Modéstia a parte, o Martinho é da Vila”. Um dos compositores da obra é André Diniz, que já assinou várias lindos sambas da escola.

“A gente na Vila tem algumas inspirações, o que me fez ser apaixonado pelo Martinho foi meu pai. Que o resultado seja o que a gente merece, mas é uma honra ter o samba escolhido pelo próprio Martinho”.

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O responsável pela magia acontecer foi Edson Pereira, que declarou está honrando de ter sido o escolhido para fazer o carnaval que homenageou a vida e a obra de Martinho José Ferreira, o Martinho da Vila.

“Foram realizações de sonhos. Sonhos meus, do Martinho e de toda uma comunidade do morro dos macacos. Então, é muito importante, muito digno e me sinto muito honrado de estar ministrando essa ópera da vida do Martinho”.

‘Ficamos dois anos ouvindo que a gente não sabia desfilar e acho que provamos que sabemos’, diretor de carnaval da Grande Rio

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A Grande Rio foi a quinta agremiação a entrar na Sapucaí no segundo dia do Grupo Especial e fez o que pode ser considerado o maior carnaval da história da escola. De forma arrebatadora, levantou o Sambódromo e, é fortíssima candidata ao título. Com o enredo o “Fala, Majeté! Sete chaves de Exu”, Gabriel Haddad e Leonardo Bora optaram por levar para avenida sete setores, uma referência às sete chaves de Exu.

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Foto: Site CARNAVALESCO

A responsabilidade de coreografar a comissão de frente Hélio e Beth Bejani. O trabalho foi intitulado “Câmbio Exu” e representou o pedido de proteção para a abertura dos caminhos, apresentou uma interpretação poética para o que os espectadores pudessem imaginar o Exu em sua essência.

“Foi um desfile maravilhoso e além do que a gente imaginava. A gente já trazia uma energia uma forte na comissão, mas a energia do público foi maior ainda e explodiu. Foi uma troca incrível. Nós somos católicos, mas estudamos o enredo desde que foi escolhido”, declarou Beth Bejani, em entrevista para o site CARNAVALESCO.

A bateria “Invocada” comandando pelo Mestre Fafá fez uma apresentação impecável, que mostrou um vasto repertório de bossas, brincou bastante com o samba, fizeram alguns coreografias e empolgou o público por onde passou.

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“Muito emocionado e feliz com o que a Grande Rio apresentou. Muito feliz com o desempenho da bateria e espero que seja nota 10. A Grande Rio merece isso, é uma escola que vem entregando tantos carnavais belíssimos, acho que uma hora tem que acontecer, uma hora tem que ir e espero que venha logo”.

Evandro Malandro conduziu o samba com maestria. Quando o intérprete começou com o “Boa noite, moça”, a sensação é de que a Sapucaí inteira respondeu.

“Estou muito feliz e satisfeito com o trabalho da Grande Rio e de toda a comunidade. A gente vinha percebendo nos ensaios que estava todo mundo querendo muito cantar esse samba na Sapucaí e não teve jeito, quando a gente deu o primeiro ‘Boa noite, moça’, a Sapucaí veio abaixo. Acho que foi um desfile muito marcante”.

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Ao final do desfile, o diretor de carnaval, Thiago Monteiro estava bastante emocionado e fez um desabafo: “Ficamos dois anos ouvindo que a gente não sabia desfilar e acho que provamos que a gente sabe desfilar. A escola cumpriu seu papel técnico, emocional, Estou muito feliz porque a escola mostrou que é uma escola de samba, de comunidade, é uma escola que os artistas adoram estar e a comunidade adora receber os artistas. É uma escola preta, da baixada, que sonha há 33 anos em conquistar um título que nós ainda não ganhamos, mas se Deus quiser, faltam poucos dias”.

‘Foi covardia o que fizeram com a gente nas redes sociais, mas fizemos um grande desfile’, declara mestre de bateria da Unidos da Tijuca

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A Unidos da Tijuca foi a quarta escola a desfilar no segundo dia do Grupo Especial, com o “Waranã – A reexistência vermelha”, contando o mito de surgimento da etnia Mawé – os filhos do guaraná, os peles vermelhas do Brasil. A escola narrou a formação do guaraná a partir da saga de Kahu’ê, o inocente curumim, cuja presença breve sobre o plano terreno se dá em face das disputas das forças cósmicas e do embate entre Tupana (o bem) e Yurupari (o mal). A agremiação cometeu alguns erros de evolução que podem prejudicar na classificação, mas o canto forte da comunidade e bateria deram conta do recado. A comissão de frente dirigida por Sérgio Lobato representou “A reexistência vermelha” e emocionou o público.

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Foto: Site CARNAVALESCO

“Foi muito bom. Claro que a gente sempre busca a excelência, mas deu para curtir o momento, curtir esse retorno. Foi um receptividade muito boa do público”, declarou Sérgio Lobato, para o site CARNAVALESCO.

No pré-carnaval, a Unidos da Tijuca foi alvo de muitas críticas, mas trabalharam em silêncio e apresentaram um trabalho muito bem executado. O diretor de carnaval, Fernando comentou sobre os julgamentos feitos durante o processo de construção do desfile.

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Foto: Site CARNAVALESCO

“É difícil a gente ter a visão de tudo, mas pelo que estavam falando, parece que foi tudo certo. A evolução, o andamento do samba. Esse samba pedia alegria e foi isso que vimos. De tudo que foi falado contra a gente, que a Tijuca não tinha nada, que o barracão tava vazio, que não tinha pagamento, que estava todo mundo em briga, e está aí o resultado. Cutucaram onça com vara curta”.

Casagrande é um dos maiores Mestres do carnaval do Rio de Janeiro. A frente da bateria “Pura Cadência”, fez mais uma apresentação para ninguém colocar defeito. As execuções das paradinhas nos módulos de julgadores foram muito bem realizadas. Ao fim do desfile, fez um desabafo sobre tudo o que falaram da escola.

“Falaram muito da nossa escola, a gente aguentou muita coisa, foi covardia o que fizeram com a gente nas redes sociais e foi aquilo que falei: ‘Carnaval é decidido na avenida’. Escola compacta, visual colorido, proposta diferente do enredo e funcionou. Fizemos um grande desfile”.

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Foto: Site CARNAVALESCO

A mente responsável por criar o desfile da Unidos da Tijuca foi de Jack Vasconcelos. Com um bom trabalho de fantasias e alegorias, declarou que imaginava que o trabalho pudesse causar um certo estranhamento, mas que estava muito satisfeito com o resultado.

“Só vi o final, mas parece que o pessoal gostou. A gente teve uma proposta de estética muito arrojada. A gente que estava trabalhando sabia que podia causar um certo estranhamento, mas a gente apostava muito no desfile. Quero muito estar aqui sábado”.