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Cabine a cabine: como foi o desfile da Portela na avaliação do site CARNAVALESCO

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Segunda escola a desfilar no último dia de desfiles do Grupo Especial, a Portela apresentou o enredo “Igi Osè Baobá”. A reportagem do CARNAVALESCO esteve disposta nos módulos de julgamento do Sambódromo e realizou uma análise da apresentação da agremiação em oito quesitos, exceto bateria.

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Comissão de Frente
A comissão de frente da Portela abriu os trabalhos da escola deixando a desejar em relação ao que se viu no resto da escola. Coreografada por Leo Senna e Kely Siqueira, o grupo um encontro entre as origens dos povos africanos com a origem da própria Portela, mas foi uma apresentação fraca e que teve ainda o tombo de um dos componentes ao descer pela rampa do elemento que acompanhava a comissão no primeiro módulo de julgamento. Nos demais, tal erro não se repetiu. Em geral, foi confusa e de difícil leitura, deixando quem estava acompanhando das arquibancadas com dúvidas em relação ao conceito.

Mestre-Sala e Porta-Bandeira
Um dos melhores casais de mestre-sala e porta-bandeira da noite foi o casal da Portela. Marlon Lamar e Lucinha Nobre vieram para mostrar que têm um “casamento” perfeito, com muita sincronia e parceria. A ousadia foi um dos pontos altos do casal, com Lucinha ousando e muito na forma como conduziu, balançou, girou o pavilhão, além de elementos próprios das danças afro presentes na coreografia. Foi uma apresentação de encher os olhos ao longo de toda a Avenida.

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Foto: Site CARNAVALESCO

Harmonia
Difícil expressar em palavras o que foi visto na avenida com o canto da Portela: força, muita força, com o canto ecoando na avenida e empolgando a avenida. Se tinha gente cansada ou com sono, espantou ele com a Portela e seu canto, fortemente cantado por toda a escola. Um destaque ficou pelo próprio casal de mestre-sala e porta-bandeira e para as baianas da escola, que cantaram o samba talvez com mais força até que o restante, e o resultado foi uma avenida completamente contagiada pelo samba e pelo desfile da escola. Destaque para a ala 23 “Iaôs – Iniciação Ketu no Candomblé” no final do desfile, que apesar de ser a última a passar carregou o canto lá no alto.

Enredo
A Portela trouxe para a avenida a história dos Baobás, árvores que nos levam a refletir sobre o princípio, o momento da criação. A forma como foi contado o enredo foi impecável, com a exaltação da arte iorubana, a presença de Oxalá, as manifestações culturais afro-brasileiras e toda a efervescência da cultura negra como o começo de tudo. Enredo bem conectado, bem claro e bem contado.

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Evolução
Nem mesmo a Portela, que fez um desfile maravilhoso, escapou dos problemas em evolução. Talvez por um intervalo de cerca de 2 anos sem passar pela avenida, as escolas pareciam ter desaprendido a passar pela avenida de forma harmônica. Os problemas para conseguir colocar os carros na avenida se refletiram no quesito. A escola não segurou as alas da frente e simplesmente deixou que ela fosse embora, abrindo um buraco que pegou o primeiro módulo de julgadores. Problemas também no quarto carro fizeram a escola parar um tempo até o meio da avenida. Essa oscilação entre parar e correr se repetiram muitas vezes ao longo do desfile. No final, na altura das alas 19 e 20 “Jongo” e “Tambor de Crioula”, respectivamente, apertaram o passo por um momento, mas rapidamente foi normalizado na passagem da ala 21 “Caboclo de Lança”.

Samba
O samba foi excelente na avenida. Um desempenho louvável, que teve excelente rendimento e claro, sagrou mais ainda o já consagrado Gilsinho, que conduziu bem demais esse som em parceria com mestre Nilo Sergio. O desempenho de Gilsinho inclusive foi muito responsável pela empolgação de componentes e arquibancadas, refletido num canto muito forte, com a avenida cantando em uníssono o trecho “Meu povo é resistência feito um nó na madeira do Cajado de Oxalá”, além do refrão principal. Entretanto, alguns trechos são de difícil entendimento em primeiro momento, familiarizando-se após algumas repetições, como “Nessa mironga de mão de ofá, põe aluá no coité e dandá”.

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Fantasias
Apesar da enorme beleza visual, da exuberância da Portela, com um conjunto estético incrível. Destaque para a ala das baianas, representando Nanã, simplesmente divinas, e a ala seguinte, Omulu, lindíssima. A parte estética da Portela fui uma das coisas mais impressionantes do desfile da escola. Porém, houve erros: um componente da ala 18, “Resistência”, perdeu uma boa parte de sua fantasia, de forma mega perceptível, bem em frente a cabine de julgadores do primeiro módulo, a ponto de um membro da harmonia da escola ter que ir lá pegar as partes no chão da avenida. No último carnaval, a Portela perdeu pontos em fantasia por repetição de costeiros. Esse ano, muitas alas também apresentaram o costeiro semelhante, mas isso não apaga o brilho da escola que trouxe um belo conjunto.

Alegorias
As alegorias da escola impressionaram por tanta beleza e incrivelmente bem acabados, com exceção do terceiro carro, que destoou justamente por problemas de acabamento. O globo terrestre da Savana bastante danificado e outros problemas de acabamento e danos neste carro. No geral, contudo, um trabalho estético lindo da azul e branco de Madureira. A quinta destoou das demais no quesito plástico. O chão de carpete azul estava embolado. Porém, o ponto alto foi trazer foto de baluartes como Dona Sther, Candeia, Dona Dodô, Argemiro, entre outros. As composições estavam de roupa, como vestido, camisa e chapéu.

Participaram da cobertura: José Luiz Moreira, Yuri Neri e Dyego Terra

Cabine a cabine: como foi o desfile do Tuiuti na avaliação do site CARNAVALESCO

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Primeira escola a desfilar no último dia de desfiles do Grupo Especial, o Paraíso do Tuiuti apresentou o enredo “Ka Ríba Tí Ÿe – Que Nossos Caminhos Se Abram”. A reportagem do CARNAVALESCO esteve disposta nos módulos de julgamento do Sambódromo e realizou uma análise da apresentação da agremiação em oito quesitos, exceto bateria.

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Comissão de Frente
A comissão de frente da Tuiuti abriu os trabalhos da segunda noite com um ótimo desempenho coreografados pela bailarina Claudia Mota. Representando a criação do homem, a partir do barro, feita por Oxalá, a comissão teve um desempenho bem satisfatório, cumprindo bem os quesitos. Ainda assim, a apresentação com cerca de 3 minutos de duração ficou carecendo de um “a mais”, uma “cereja do bolo”, um algo a mais que pudesse fechar de forma magistral o trabalho da comissão. O ponto alto foi a criação do homem quando os bailarinos descem do elemento cenográfico e bailam no chão. A saia rodada em preto com luzes também agradou.

Mestre-Sala e Porta-Bandeira
O primeiro casal de mestre-sala e porta-bandeira, Raphael Rodrigues e Dandara Ventapane, tiveram um desempenho perfeito, impecável. Representando Zumbi e Dandara de Palmares, conseguiram traduzir para a coreografia as ideias de força, resistência, de ancestralidade. Muita sincronia e interação entre o casal em todas as cabines de julgamento.

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Harmonia
A escola cantou forte o samba, combinando e sendo reflexo do bom desempenho do carro de som e claro, também sendo bem conduzidos por mestre Marcão. Todas as alas cantaram muito o samba, empolgando ainda as arquibancadas. O samba teve um grande, mas grande ápice no canto a capela, quando a escola deixou para o povo cantar o refrão e a avenida respondeu com muita força e intensidade. Destaque para a ala 2 “Guardiões da Tradição” que abriu o cortejo em alta voz, mesmo apresentando uma evolução em que passava por cima do carro alegórico e as partes da frente e de trás trocavam de lugar. Mesmo com a coreografia o canto não caiu em momento algum. Não teve uma única ala que não cantasse o samba.

Enredo
A escola pecou em alguns momentos em enredo e no entendimento da história, com uma narrativa bem confusa e inserção gratuita de figuras, como figuras pop representando orixás, sem uma clara explicação e entendimento. Uma condução confusa e mal explicada, mal conduzida, deixando bem a desejar. A divisão de alas, aliada às fantasias diversas causou confusão até para quem acompanhou o desfile com o roteiro em mãos.

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Evolução
A Tuiuti pecou muito em evolução, acumulando diversos erros: dificuldades já no começo e o ápice se deu mais ao final, com mais de um buraco abertos na avenida – um deles em frente o abre-alas e outro após o quarto carro da escola. Um desfile que começou lento por conta dos erros, terminou corrido para compensar os erros. O ápice veio com a escola estourando o tempo. A ala 12 “Alabe gungunando o tambor” foi a primeira a acelerar, trazendo as outras no mesmo ritmo. A ala 23 “Gospel’ chegou a embolar de tão acelerada, já a 24 “Congada de São Benedito” passou muito espaçada. A evolução foi prejudicada também antes das duas últimas alegorias onde se abriu dois clarões, um diante de cada carro, no último módulo.

Samba
A parceria de Celsinho, Carlos e Grazi merece e muito ser destacada. O carro de som da Tuiuti é sem dúvidas um dos pontos mais altos do desfile da escola. Impecável, forte, entrosado, deu gosto de ver e ouvir. Empolgou muito a avenida, os desfilantes, a avenida, mostrando no canto a força do enredo. A letra é extremante bem inspirada, narra o enredo apresentando personagens conhecidos pela luta e resistência negra.

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Fantasias
A escola, apesar de bonita, com fantasias que buscavam ser luxuosas, teve algumas falhas de acabamento. Por exemplo, em frente o modulo 1, parte da fantasia da ala 4, “Guerreiros Implacáveis da Resistência” caiu e algumas penas ficaram pelo chão e abre-alas ao longo da avenida. Além disso, faltou beleza em algumas fantasias, com uma estética em geral bem simplória, além de vários figurinos diferentes na mesma ala em alguns momentos. Destaque para a ala das baianas que veio toda em branco e dourado e um interessante cabelo afro. A fantasia era volumosa. Havia uma repetição sintomática em alguns adereços de mão.

Alegorias
A escola foi insuficiente nas alegorias, bem pobres em sua concepção, a começar pelo abre-alas que passava a maior parte do desfile vazio, tendo como única ação servir de passarela para duas alas trocarem de lugar. Outro carro que careceu de beleza e maior elaboração, visualmente e esteticamente superficial, simplório, foi o terceiro carro, representando “Wakanda – O Reino do Pantera Negra”, que trazia figuras do Pantera Negra simplesmente balançando pra lá e pra cá. A segunda alegoria apresentou um efeito de subida e descida de velas presentes nos barcos que ainda se mexia para os dois lados, simulando os movimentos de navegação e pode ser considerada o destaque.

Participaram da cobertura: José Luiz Moreira, Yuri Neri e Dyego Terra

Rosas de Ouro faz público entender que o samba também tem o dom de curar e surpreende com ‘Bolsonaro Jacaré’

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Parecia que tudo foi preparado para a Rosas de Ouro apresentar um grande carnaval na segunda noite de desfiles do Grupo Especial. Com direito ao céu nas cores azul e rosa da escola, em pleno amanhecer, a escola fez um desfile marcante, com vários momentos que levantaram o público. O primeiro casal de mestre-sala e porta-bandeira fez uma apresentação induzida pela ambientação digna de um conto de fadas e saiu satisfeito da avenida. O dançarino Everson Sena exaltou tudo que viu da escola, além de avaliar seu desempenho.

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“Achei a escola muito linda. Geralmente não gosto de ver os carros antes. Gosto de ter essa surpresa que o público tem. E assim pelo que eu vi está tudo muito maravilhoso, e a Rosas tem muito potencial para ganhar o título, nós demos o nosso melhor. Passamos muito tranquilo. Muito bem, calmo, e tenho fé que vai vir um resultado positivo. Nossa dança fluiu. A gente tem uma frase que é muito forte ‘entenda que o samba tem o dom de curar’, e realmente tem o dom de curar, porque foram dois anos sufocados e hoje estamos aqui, vivos, com muita força de vontade, e alegria”, disse o mestre-sala.

A porta-bandeira Isabel Casagrande também falou sobre a sensação que teve com a apresentação que realizou. “Foi tudo lindo, como a gente esperava. Foi o carnaval das nossas vidas. Dois anos esperando para esse momento e deu certo. Entramos nessa positividade, felicidade, então não poderia ser diferente. Todo esse alto astral e positividade, amor ao pavilhão, todo esforço influencia”, declarou a dançarina.

Um dos maiores nomes do samba paulistano, o intérprete Royce do Cavaco fez uma breve análise do desfile da Roseira e do samba na avenida. “Obviamente não tenho o campo de visão amplo para saber como os outros setores se comportaram. Mas eu acredito pelo que eu vi pelo comentário, a escola fez um desfile competente, técnico, e o samba, o tema, pelo jeito caiu na graça de todo mundo. E isso favorece bastante, a escola desfilou alegre, leve. As alegorias estavam perfeitas, agora espero lutar pelo título, que o Rosas esteja na briga pelo título, vamos aguardar”, avaliou.

Royce aproveitou para explicar como o conjunto da obra do samba conseguiu rendimento tão expressivo na avenida. “Modéstia à parte são vários momentos. A entradinha por exemplo ‘A bênção, meu velho. Meu velho, Obaluaê’. ‘Coro do tambor, coração xamã’, o refrão do meio, e a parte do ‘o povo cantando em oração, a alma e o brilho no olhar, entenda que o samba também tem o dom de curar’, e o refrão ‘vem celebrar, tem festa no terreiro’, tem vários pontos altos no samba”, explicou.

Comandante da Batucada D’ Responsa, o Mestre Rafael Oliveira não escondeu a satisfação com o desempenho dos ritmistas da escola. “Gostei muito. Entreguei o que tinha que entregar, nossa bateria, nossos ritmistas amamos o que entregamos. E é isso. Nosso sacude, não sei se foi para o outros, mas para nós foi. A escola está contente, nós também, essa é a análise”, comentou.

Questionado se o canto forte da comunidade estimula a bateria a ser mais ousada no desfile, Rafael puxou a carga da tese também para si mesmo. “Anima eu que sou meio metido a besta. Empolga também, é muito legal você receber a troca de energia. Com certeza anima, empolga e em certas ocasiões precisa tomar cuidado para não fazer coisa demais. É que a gente já é demais, e não tem como controlar, então nós é demais e é a mais mesmo”, concluiu.

Um dos diretores de carnaval, Evandro Rosas ficou muito contente com o desempenho da Roseira. “Foi muito melhor do que a gente esperava. A energia, a escola veio redondinha. Com harmonia, evolução, esse ano acho que entregamos um espetáculo maravilhoso em questão visual. Tudo juntando com o samba criou aquela atmosfera e a escola deslizou na pista, o resultado para a gente, pelo menos aqui, é bom, vamos ver o que vem ai na terça-feira. O samba tem o dom de curar, e a Rosas de Ouro também, acho que essa junção não tem igual, curou todos nossos males nesses dois anos sem carnaval”.

Um momento guardado a sete chaves que surpreendeu o público e foi ovacionado foi uma encenação no último carro da escola. Nele, o ator Renan Lima interpretou o presidente da República Jair Bolsonaro passando por uma metamorfose e se tornando um jacaré, ao receber uma vacina de uma enfermeira Drag Queen. A polêmica declaração do chefe do Executivo pode ter ocorrido já há certo tempo, mas a encenação bem-humorada foi reconhecida e o público respondeu de forma positiva. O artista também deixou sua palavra sobre o desempenho da Rosas de Ouro. “Foi incrível. Um trabalho desses dois anos que todas as escolas fizeram nesses anos parados, mas coroar com esse desfile foi sensacional. E minha participação no desfile foi muito legal devido a reação da arquibancada. O Bolsonaro era vacinado e virava um Jacaré, a arquibancada ia a loucura, a arquibancada inteira cantando ‘Fora Bolsonaro’, então realmente foi a resposta do público foi incrível”, exaltou.

Renan também falou sobre a surpresa do público ao ver a cena. “Nosso enredo com a cura, como o último setor era a ciência, não tinha como não falar sobre a vacina. Então calhou, por mais que o Jacaré tenha ficado um pouquinho para trás, resolvemos pegar esse link e o pessoal reviveu, foi muito bom”.

Desacreditada, Gaviões da Fiel faz embalar o grito de ‘Basta!’ de forma digna com muito suor

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Com uma apresentação muito acima do que se esperava, os Gaviões da Fiel saíram do Sambódromo do Anhembi tomados pelo sentimento de alegria e satisfação. A escola acredita que o grito de “Basta!” foi entendido, e está otimista para a apuração de terça-feira. Com mais uma grande atuação, o intérprete Ernesto Teixeira avaliou o desempenho da escola. “Achei excelente. Contagiou arquibancada, fantasias maravilhosas, carros alegóricos perfeitos. É um grande desfile do Gaviões da Fiel, com certeza vamos ficar entre as primeiras”, disse.

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Os grupos cênicos que vieram no segundo carro foram um dos momentos mais marcantes do desfile. Questionado sobre eles, o cantor aproveitou para deixar um recado quanto aos futuros carnavais dos Gaviões. “É uma tendência que vem já dentro do carnaval, de dar um movimento para o carro além do mecânico. Nesse movimento cênico temos uma equipe muito boa. É um barracão muito forte, e nos próximos anos com certeza vai ser aprimorado. Tem surpresa que não posso falar agora, não sei nem se é para o próximo ano, mas vocês vão ver essa coisa cênica extrapolar muita coisa”, comentou.

O diretor de harmonia da Fiel Torcida, Miranda, que normalmente é discreto em suas declarações, abriu o coração ao falar do desempenho da escola. “Foi muito consciente. Muita garra, vitória, determinação. Tem muita gente que diz que os Gaviões acabaram, mas está aí uma prova, singela, não é nada não. Depois de uma pandemia que nós perdemos muitos dos nossos componentes, sócios, agora nós estamos felizes. Esse desfile foi para eles. Meu sentimento é de vitória. Superação, vitória, e provar que nós somos uma torcida que tem uma escola de samba, temos sambistas, e sabemos desfilar e cantar. Depois de tudo que passamos nesse ano, várias ocorrências internas, a gente prova que somos isso aí que passou na avenida. Oferecemos esse carnaval para o nosso carnavalesco Zilkson Reis. É para ele”.

Com a difícil missão de concluir um carnaval às pressas assumindo a liderança no lugar de Zilkson Reis, Júlio Poloni e sua equipe encararam de frente e entregaram o conjunto da escola de forma digna. O enredista avaliou o desfile dos Gaviões da Fiel com o sentimento de dever cumprido. “Entregamos tudo. Esse grito de ‘Basta!’ estava entalado aqui na garganta da comunidade. Conseguimos soltar tudo hoje aqui. Foi demais, incrível, recado está dado, mais claro impossível. Foi muito difícil esse carnaval, tivemos muitos obstáculos, muita dificuldade. (A equipe do site CARNAVALESCO) esteve no barracão pouco tempo atrás e viu a situação que estava. A comunidade se juntou de uma forma, acho que a comunidade da Gaviões faz muita diferença. A escola se juntou, se uniu, cada um fez um pouquinho e saiu esse espetáculo aqui”.

Dragões da Real desafia adversidades de frente em desfile sobre Adoniran Barbosa

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A Dragões da Real levou ao Sambódromo do Anhembi a história de vida de Adoniran Barbosa contada através de suas consagradas obras musicais. Com o sol já fazendo presente em função do grande e inesperado atraso no início de seu desfile, a escola precisou superar o forte calor e teve grande desempenho em praticamente todos os quesitos.

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Um deles, porém, foi gravemente comprometido: A primeira porta-bandeira, Evelyn Silva, passou mal ainda no primeiro setor, precisou ser socorrida e abandonou a apresentação. Encarregado de assumir de maneira repentina a responsabilidade de defender o pavilhão principal, ao lado de sua parceira Gabriela, o mestre-sala Lucas Gomes Ribeiro falou sobre a experiência. “Em um primeiro momento é o susto. Fomos pegos de surpresa, mas procuramos dar o nosso melhor na avenida depois de todo esse susto. Dar o nosso melhor e desempenhar um bom papel com o pavilhão da Dragões. A gente procura sempre fazer uma preparação muito próxima ao primeiro casal. Nos preparamos juntos, os ensaios foram juntos, e procuramos estar prontos para qualquer adversidade”.

Perguntado sobre o desempenho da escola na avenida, o diretor de carnaval da Dragões, Márcio Santana, não escondeu o lamento pelo ocorrido com a guardiã do pavilhão da escola, mas acredita que o conjunto conseguiu se ajustar e fez uma análise geral. “Eu gostaria de ter saído mais feliz. Infelizmente tivemos um incidente com a nossa primeira porta-bandeira, o que acaba implicando no nosso primeiro casal. Foi bem no início do nosso desfile, e isso acaba desestabilizando emocionalmente um pouco a escola. Isso acaba influenciando em andamento, harmonia e evolução. Mas vamos fazer uma expectativa boa disso tudo. A partir do segundo setor, a escola voltou a ter ânimo e fôlego, e seguiu o desfile da forma como tinha que ser”, disse.

Márcio acredita que o grande atraso para o início da apresentação, que precisou ser iniciada após o amanhecer e com calor intenso, pode ter contribuído para o mal-estar de Evelyn Silva. “Acredito que ela tenha tido uma queda de pressão, até por conta do início da manhã, Sol, muito tempo de pé com roupa pesada. Sabemos que a roupa de uma porta-bandeira tem um peso relativamente grande. São aquelas coisas que a gente não consegue ponderar. Planejamos, mas com o tanto de dificuldades que tivemos essa noite, acabou afetando diretamente nossa porta-bandeira. Mas todo nosso quadro de casais é preparado para essa missão. Confiamos demais neles, e todos tem plenas condições de conduzir o pavilhão. Tenho certeza de que Papai do Céu ainda vai reservar muitas coisas boas para a gente”, concluiu.

Como o incidente ocorreu tão logo a escola entrou na avenida, muitos componentes só ficaram sabendo do ocorrido já na dispersão. O atraso para o início do desfile foi visto pelo intérprete Renê Sobral como um desafio a ser superado, mas que a Dragões da Real conseguiu encarar positivamente na hora de cantar o samba. “Estou bem emocionado e bem contente nesse sentido. A escola impressionou com o canto. Eu chamei a escola e fiz o trocadilho de pergunta e resposta, e houve a resposta. Fiquei muito feliz, e isso me deu um gás a mais para soltar para o povo cantar, deixar a comunidade conduzir a escola, e eu fiquei ali só na contenção. Foi um desfile maravilhoso, apesar do atraso e do cansaço. Mas isso não impediu a Dragões de mostrar sua felicidade e alegria aqui no Sambódromo”.

Mestre Tornado, líder maior da bateria Ritmo que Incendeia, valorizou os esforços ao longo da apresentação e acredita que o homenageado foi bem representado na avenida. “Acho que a proposta da escola em geral foi muito boa. Foi ensaiado para isso. Trouxemos Adoniram para pista e acho que isso ajudou. A bateria teve uma performance maravilhosa, acho que não teve nenhum problema. Só espero que o jurado entenda a prosta da bateria. Era isso dentro do regulamento, e fomos com ele debaixo do braço. É assim que é o carnaval”.

Tom Maior escreve ‘O Pequeno Príncipe no Sertão’ com ludicidade cativante na avenida

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A Tom Maior apresentou no Sambódromo do Anhembi, na primeira noite de desfiles do Grupo Especial, um enredo de temática infantil trabalhado na literatura de cordel. Inspirada na obra “O Pequeno Príncipe no Sertão”, o ambiente proporcionado pela escola transmitiu a áura de um universo lúdico e fez com que a comunidade do Sumaré conquistasse o carinho das arquibancadas. A sensação é que o desfile se tornará uma excelente forma de apresentar as escolas de samba para as crianças no futuro.

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A boa energia do desfile encantou o intérprete Gilsinho. “É impressionante como a escola cresce no dia. Todo mundo cantando, todo mundo se divertindo, pulando, eu gostei muito. Até onde eu vi, a escola passou maravilhosamente bem. Eu gostei demais do canto. A bateria é irrepreensível. É um negócio extraordinário. Cantar com essa bateria do (mestre) Carlão é perfeito. A plateia interagiu bastante pela gente, e agora é esperar o resultado”, disse.

Perguntado sobre a importância do enredo para atrair o público infantil para o carnaval, o cantor concordou com a afirmação. “É um enredo meio infantil e voltado para crianças. É o Pequeno Príncipe que que foi transformado no Pequeno Príncipe do Nordeste. É um lance que chamou bastante atenção da criançada. As crianças que vieram no último carro todas pulando, vibrando. A minha filha, que é musa do carro de som, tem 16 anos mas também é uma criança, vibrou, pulou, sambou, interagindo com todo mundo. É para aflorar mesmo a criança que tem dentro da gente, e viemos com tudo nesse desfile”, completou.

O grande líder da bateria Tom 30, Mestre Carlão, deu sua opinião sobre o desempenho da escola na avenida. “Correu tudo como combinado e como ensaiado. Realizamos tudo que nós ensaiamos, e agora é curtir os próximos dias e esperar as notas. A escola foi muito bem e estou muito feliz por ela.”

Yves Alexeiv, diretor de harmonia da Tom Maior, saiu do Sambódromo do Anhembi realizado pelo trabalho bem feito. “Cumprimos com tudo que planejamos. Viemos com um desfile solto, muito brincado. Dentro da pista a gente representou tudo que fizemos nos ensaios e até melhor. O otimismo é grande e a expectativa é enorme para terça-feira”.

Muito querida entre os sambistas paulistanos, a presidente da Tom Maior Luciana Silva exaltou a importância das crianças para o futuro do carnaval ao expressar seus sentimentos com a passagem da escola. “A sensação é de dever cumprido. Fizemos o nosso trabalho, conseguimos fazer a nossa proposta e agora é só aguardar. Sem dúvidas é um desfile que pode ser uma forma de introduzir o carnaval para as crianças. Como diz o nosso samba, ‘o futuro está no sorriso da criança’, e a ideia é essa. O carnaval é cultura, e as crianças têm que participar por serem o nosso futuro”.

Cabine a cabine: como foi o desfile da Beija-Flor na avaliação do site CARNAVALESCO

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Sexta escola a desfilar na abertura dos desfiles do Grupo Especial, a Beija-Flor de Nilópolis apresentou o enredo “Empretecer o pensamento é ouvir a voz da Beija-Flor”. A reportagem do CARNAVALESCO esteve disposta nos módulos de julgamento do Sambódromo e realizou uma análise da apresentação da agremiação em oito quesitos, exceto bateria.

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Comissão de Frente
A comissão de frente da Beija-Flor abriu os trabalhos já mostrando sua imponência. Coreografada por Marcelo Misailidis, a comissão trouxe os componentes representando Macuas, povo originário de Moçambique e, a partir deles, refletir sobre o apagamento da cultura negra na nossa sociedade. Com um tripé de apoio, homens brancos carregavam um elemento cênico representando um navio, com os escravos no porão do navio. Ainda que tenha faltado um ápice, um “algo a mais”, a escola cumpriu a função, apresentou bem a escola.

Mestre-Sala e Porta-Bandeira
O casal de mestre-sala e porta-bandeira Claudinho e Selminha Sorriso vieram representando o “Esplendor de Kemet”, terra negra, com uma coreografia que trouxe diversos elementos africanos nela. Bem executada no módulo 1, garantiu a eles um bom desempenho. Destaque para a fantasia de ambos, nas cores preta, azul e dourado, simplesmente impecável, além, claro, de Selminha Sorriso com sua caracterização e seu bailado. A partir do segundo módulo, o casal teve problemas. O mestre-sala deixou escapar o pavilhão de suas mãos e houve um erro de sincronia quando ele vai beijar a mão da sua dama, uma pena.

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Foto: Site CARNAVALESCO

Harmonia
Nesse quesito, a escola foi simplesmente impecável, mostrando o porquê de ser tão reconhecida e admirada. A força de Nilópolis se fez ouvir na avenida, com o samba sendo fortemente cantado por todos, absolutamente todos os componentes. Dentre as alas com canto mais forte estão “Por que o Negro é isso que a Lógica da Dominação tenta domesticar?” e “Escrevivências”, mas o canto foi bastante ecoado por todos no desfile. De longe, o refrão principal foi gritado por toda a comunidade.

Enredo
A escola foi precisa em questão de enredo, com clareza, mas sem perder de forma alguma a qualidade. Sem dúvidas a escola deu show em relação ao quesito enredo, com uma estética impecável, mas que contribuiu para contar o enredo, para o entendimento de toda a história contada. Da África no primeiro setor ao protagonismo do povo preto em todas as áreas e espaços, a escola deixou sua mensagem com clareza a precisão. Desafio muito bem executado, afinal, é o enredo mais denso do carnaval 2022.

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Evolução
A escola, como diversas outras na noite, enfrentou problemas ao passar pela avenida. Logo no começo do desfile, houve dificuldades na entrada de alegorias, como a segunda, forçando a escola a dar uma segurada e passar mais lenta. O atraso no começo gerou correria no final, comprometendo o bom desempenho em enredo. Um verdadeiro caos a entrada da escola no começo por conta desse atraso causado pela demora em colocar destaques nas suas alegorias. Tais erros refletiram no andamento da agremiação nos setores seguintes. A escola que sempre deu aula em evolução, esse ano pecou e deve perder alguns décimos que comprometem a disputa pelo título.

Samba
Em samba, a escola mostrou que dá aula. Impecável, com um carro de som arrebatador e cantando forte, sincronizado, entrosado. O rendimento da escola e de seu samba na hora, no desfile, foi impecável, arrebatando a Sapucaí.

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Fantasias
Um grande destaque no desfile da Beija foi a paleta de cores, com muito preto aliado ao dourado, com uma clara ideia de realeza, de poder do negro. Fantasias lindíssimas, desde a comissão, passando pelo casal, com trabalhos minuciosamente trabalhados. Apesar de várias alas lindas, um grande destaque foi a fantasia do casal de mestre-sala e porta-bandeira, simplesmente divinos.

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Alegorias
A Beija-Flor mostrou que veio para brigar logo de cara, com um beija-flor incrível, divino, com preto e dourado, simplesmente imponente. A iluminação também aumentou fortemente a beleza dos carros. Muita imponência e beleza. Além de um impecável abre-alas, vimos a segunda alegoria belíssima com os pensadores negros, o terceiro com muita beleza ao tratar sobre as origens da ancestralidade. O mesmo se deu nas demais alegorias, todas, no geral, estavam belíssimas, muito bem acabadas. Entretanto, devido dificuldades na entrada dos destaques na concentração, a segunda alegoria passou com queijos vazios e deve perder pontos.

Participaram da cobertura: José Luiz Moreira, Yuri Neri e Leonardo Damico

Cabine a cabine: como foi o desfile da Viradouro na avaliação do site CARNAVALESCO

Quinta escola a desfilar na abertura dos desfiles do Grupo Especial, a Unidos do Viradouro apresentou o enredo “Não há tristeza que possa suportar tanta alegria”. A reportagem do CARNAVALESCO esteve disposta nos módulos de julgamento do Sambódromo e realizou uma análise da apresentação da agremiação em oito quesitos, exceto bateria.

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Comissão de Frente
A escola de Niterói veio com tudo para a avenida, trazendo a narrativa do carnaval de 1919, o primeiro após a pandemia de gripe espanhola no Brasil. Na comissão de frente, “E o mundo não se acabou”, coreografada por Alex Neoral e Marcio Jahu, o pierrô coloca a gripe espanhola para correr. O que a escola pecou na comissão foi um excesso de pirotecnias frente a uma falta de mais enredo, mais história, de melhor execução da comissão e de seus componentes, podendo aproveitar melhor todos os elementos disponíveis.

Mestre-Sala e Porta-Bandeira
O casal de mestre-sala e porta-bandeira Julinho Nascimento e Rute Alves teve problemas no modulo 1, sendo o principal destaque negativo o fim da coreografia, em que o sapato de Julinho simplesmente voou longe durante a execução da coreografia. Contudo, apesar de erro, o casal trouxe uma bela coreografia, com passos fazendo alusões claras a trechos do samba, além da clara sintonia do casal. Nos demais módulos, as apresentações foram irretocáveis, um verdadeiro show da dupla.

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Harmonia
A Viradouro ficou conhecida durantes o período de ensaios com os diversos vídeos mostrando os ensaios da escola nas ruas de Niterói, com canto forte. O resultado foi visto na Avenida um canto fortíssimo da escola, desde os componentes até a arquibancada. A escola empolgou e muito, e quando deixava o povo cantar a capela, sem dúvidas foi uma das escolas com maior resposta do público. Refrão principal “carnaval te amo, na vida és tudo pra mim” ficou como o verso da escola cantado com maior intensidade.

Enredo
Viradouro foi uma das escolas que passou na avenida com mais fácil entendimento do enredo. Uma leitura fácil, muito fácil de ser feito mesmo pelo mais leigo. Tudo muito claro e com uma sequência narrativa bem logica, bem coerente, indo desde a elite carioca vestindo luto ao ápice, com o povo festejando fortemente o carnaval.

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Evolução
A “maldição” do carnaval desse ano, com as dificuldades em evolução, não perdoaram nem a Viradouro, que, assim como várias outras, também apresentou problemas neste quesito. A escola começou num ritmo mais fluido, correndo um pouco mais para o fim. Contudo, há de se observar que mesmo com fantasias pomposas, alegorias grandes, não houve grandes problemas. Mas mesmo acelerando no último setor, não se observou alas emboladas, e as fantasias mais volumosas não chegaram a gerar nenhum problema de deslocamento.

Samba
O ótimo desempenho da escola em harmonia também é reflexo do carro de som que estava impecável, cantando forte, empolgando muito. Zé Paulo Sierra mostrando, novamente, muita competência para estar à frente do carro da escola, numa dupla muito bem articulada com mestre Ciça. Vozes de apoio empolgadas e entrosadas, trazendo como resultado um samba empolgante.

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Fantasias
Um dos pontos principais do desfile da escola. Um trabalho esteticamente admirável, verdadeira obra prima. A escola, não contente em apenas trazer fantasias que por si só já estavam incríveis, ainda complementou com maquiagens que compuseram mais ainda a construção dos personagens. Um trabalho de pesquisa histórica também muito admirável, com referências aos adornos carnavalescos de 1919. Tudo muito bonito de se ver. Ha vários destaques pela beleza, desde a ala das baianas até outras como “eu tenho a força”, “os guerreiros paladinos”, dentre outras.

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Alegorias
Seguindo a mesma beleza estética apresentada nas fantasias, as alegorias não ficaram atrás, apresentando uma mais bela que a outra, com um destaque forte para o belo trabalho de iluminação, que coroou ainda mais o desfile e a beleza dos carros alegóricos. Erro houve na segunda alegoria – “o coração é passageiro do talvez” -, que estava com alguns dos seus lustres / lâmpadas apagadas, e um ou outro detalhe em acabamentos, assim como na traseira do abre-alas.

Participaram da cobertura: José Luiz Moreira, Yuri Neri e Lucas Santos

Cabine a cabine: como foi o desfile da São Clemente na avaliação do site CARNAVALESCO

Quarta escola a desfilar na abertura dos desfiles do Grupo Especial, a São Clemente apresentou o enredo “Minha Vida é uma Peça”. A reportagem do CARNAVALESCO esteve disposta nos módulos de julgamento do Sambódromo e realizou uma análise da apresentação da agremiação em oito quesitos, exceto bateria.

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Comissão de Frente
Com o título “A primeira inspiração veste seu maior sucesso”, a comissão de frente da São Clemente trouxe um elemento cenográfico remetendo aos camarins, local que o homenageado, Paulo Gustavo, conhecia bem. Nas roupas dos bailarinos, as cores do arco-íris, símbolo da comunidade LGBTQIA+, remetendo a Paulo, assumidamente gay. O componente de destaque da escola, central, estava nas cores da escola, com uma roupa de girassol. Além de belo bailado, uma troca dos bailarinos, substituídos por outros representando a Dona Hermínia, personagem marcante de Paulo e, ao fim, o grande destaque, a inspiração para Paulo sua mãe, dona Dea. A apresentação, com pouco mais de 2 minutos de duração, cumpriu a proposta de apresentar bem a escola. Entretanto, no segundo módulo de julgamento, o elemento de apoio passou completamente apagado e apresentou falhas de acabamento. A cortina estava fora de sua forma e uma das componentes precisou segurar para não esconder a mãe de Paulo Gustavo, presente na apresentação.

Mestre-Sala e Porta-Bandeira
O casal de irmãos Vinicius e Jack Pessanha desfilaram mostrando toda a sua química para bailar. A apresentação deles foi muito bonita, com um bailado impecável. Representando os guardiões do portal teatro do céu, irradiaram beleza, com destaque também para os guardiões, que estavam impecáveis como seres de luz. O casal bailou com competência, leveza e muita simpatia, porém, no último módulo, a porta-bandeira chegou a enrolar o pavilhão quando o casal parou para se apresentar.

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Harmonia
No que diz respeito a harmonia, a escola foi insuficiente, com oscilação e por diversos motivos: no começo do desfile, uma tensão, com dificuldades na entrada do abre-alas na Sapucaí, o que fez os desfilantes ficarem tensos, cantarem pouco, e ao longo da avenida uma oscilação entre alas que cantavam muito – casos da ala “PG – PopStar”, por exemplo, e outras que não entoaram muito o samba. As composições do quarto carro, intitulado “220 volts”, também mostraram um canto com muita intensidade, contagiando o público da Sapucaí.

Enredo
No que diz respeito a contar a história do homenageado, retratar momentos de sua trajetória, suas influências e legados, a escola cumpriu o quesito. A escola trouxe setores como o céu de Paulo Gustavo, o triunfo dele com a sua personagem, Dona Hermínia, o seu amor por Thales, além de outro setor com os demais personagens de Paulo Gustavo. A história foi bem contada, com clareza a criatividade. A ala “Dermatologista” fazia referência a profissão de Thales trazendo seringas de botox, o que confundiu a leitura do enredo.

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Evolução
A evolução da escola já começou a apresentar problemas logo no começo do desfile, com um grande problema no abre-alas que teve uma enorme dificuldade de adentrar na avenida. Quando o fez, estava com uma parte superior quebrada, parecendo também não ter se elevado totalmente. Além disso, a escola, que veio lenta no começo, segurando os desfilantes, correu bastante ao fim para não estourar o tempo. Entre a ala “Figura feminina” e o destaque de chão que representava a diversidade, que vinha logo atrás, abriu-se um buraco em frente ao setor 6. Um dos integrantes da ala desfilou ao lado do destaque. Quando a bateria entrou no recuo, a escola acelerou o passo para não estourar o tempo máximo de desfile.

Samba
Apesar de dificuldades no canto da escola, que apresentou oscilações, a escola trouxe um bom carro de som, que segurou bem o samba e buscou o tempo todo empolgar a avenida mesmo quando a escola teve problemas, de forma a impulsionar componentes e torcida. A letra trazia versos de duplo sentido como “São Clementes aqueles que amam/ Que cuidam, que sentem” e “De Thales, o amor venceu/ O sentimento mais fiel”.

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Fantasias
A parte estética da escola deixou a desejar em certos momentos do desfile, carecendo de maior criatividade. Contudo, de forma geral, a palavra que melhor define o desfile da escola é irreverência, uma vez que diversas alas traziam conceitos divertidos na sua execução, como a ala “O cupido me flechou” e “Meu carrinho de bebê”. Outro destaque foi a ala de baianas, simplesmente deslumbrante. Entretanto a mesma ala, denominada “Luz da eternidade”, passou com componentes com o chapéu caído.

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Alegorias
Uma parte que trouxe dificuldades para a escola, especialmente no abre-alas, que apresentou problemas desde o começo do desfile. Apesar disso, alegorias muito divertidas e criativas, que remetiam facilmente a história de Paulo e toda a sua trajetória, como a alegoria do filme / peça “Minha mãe e uma peça” e a “Thales e as crianças”, que trouxe o marido de Paulo. As duas últimas alegorias “Valeu PG” e “220 volts” apresentaram falhas de acabamento na parte traseira.

Participaram da cobertura: José Luiz Moreira, Yuri Neri e Eduardo Frois

Cabine a cabine: como foi o desfile do Salgueiro na avaliação do site CARNAVALESCO

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Terceira escola a desfilar na abertura dos desfiles do Grupo Especial, o Acadêmicos do Salgueiro apresentou o enredo “Resistência”. A reportagem do CARNAVALESCO esteve disposta nos módulos de julgamento do Sambódromo e realizou uma análise da apresentação da agremiação em oito quesitos, exceto bateria.

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Comissão de Frente
A comissão de frente coreografada por Patrick Carvalho arrebatou a avenida. Com um desempenho impecável, a comissão batizada de “Akikanju Ijo” – “Dança dos Heróis” em Iorubá. Exibiu um bom aproveitamento do tripé que acompanhava o grupo e os componentes encenaram o surgimento de iaôs, dançando sobre a areia, tendo em seguida o aparecimento de Mercedes Baptista, primeira nega no balé, dançando com o punho elevado. Dança feita com perfeição, sincronia, beleza.

Mestre-Sala e Porta-Bandeira
O casal de mestre-sala e porta-bandeira Sidclei e Marcella Alves se sagraram como um dos melhores das duas noites de desfiles, com um figurino lindo, combinando com o belíssimo bailado deles. Destaque ainda para a interação com os guardiões, que coroaram ainda mais a beleza da apresentação. Sem dúvidas uma das melhores apresentações, com ritmo, sincronia. Nenhum erro foi contabilizado em frente aos módulos e o casal apresentou rendimento superior ao treino técnico realizado semanas antes.

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Harmonia
A escola “chegou chegando” na avenida e, quando se pensava já estar bom, o que se viu foi um canto crescendo ainda mais, mostrando cada vez mais força, que vinha de cada componentes que cantava fortemente o samba e contagiou as arquibancadas, que juntos ecoaram o samba enredo da escola, dificultando inclusive destacar uma ala que tenha cantado mais que outras, uma vez que o canto forte foi visto de ponta a ponta.

Enredo
Um enredo apresentado com beleza, clareza, e carregado de elementos culturais, mesclando a importância que o enredo merecia para ser retratado com um incrível trabalho de didatismo, sem perder a elegância, a profundidade. Um trabalho impecável. Destaque para a forma como a escola mistura sua própria história com a luta contra o preconceito racial, mostrando que a escola nunca se dissociou dos temas relevantes, da luta social que tudo tem a ver com sua história.

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Foto: Site CARNAVALESCO

Evolução
O Salgueiro foi mais uma escola prejudicada no quesito enredo. Logo no começo do desfile, a escola passou apertos com seu carro abre-alas que empacou, custando a entrar e abrindo um “buraco” frente ao modulo 1 de julgadores. Essas dificuldades de evolução, com buracos e alternando entre seguir lento e corrido se repetiram ao longo do desfile da escola, como no segundo módulo à frente da alegoria de número dois.

Samba
A agremiação mostrou que o samba escolhido foi um acerto da escola. Sem dúvidas o samba embalou muito bem o desfile, empolgando e envolvendo todos. O canto ecoava do desfilantes até as arquibancadas, especialmente nos refrões. Destaque, claro, para as vozes do Salgueiro, Quinho e Emerson Dias, especialmente Emerson que se destacou impulsionando a escola fortemente. Em termos de letra, os versos poderiam ser mais ricos, mas nada que traga demérito ao trabalho dos compositores.

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Fantasias
As fantasias do Salgueiro, como se diz popularmente, foram “colírio para os olhos”. A proposta de exaltar a negritude com sua força, luta e beleza foram majestosamente cumpridas. A escola veio plasticamente impecável, dando muito gosto de ver. Importante destacar que isso foi visto desde os primeiros momentos do desfile, desde a comissão, casal, a alas que também tocaram o público como a 17, “Negro e o Futebol Carioca”, e a ala do Cacique de Ramos, ambas tocando na identificação pessoal do torcedor com sua escola. Destaque ao segundo setor da escola, que tratava da resistência pela fé e que estava incrível. Entretanto, a ala de número 8, que representou os orixás, estava com uma leitura que complicava a identificação.

Alegorias
Apesar de também trazer uma estética linda, com um brilhante trabalho, um ou outro erro apareceu, como o primeiro tripé com uma parte que estava sem luz, mas, sem dúvidas a beleza falou mais alto, com carros com muita preocupação de acabamento, atenção aos detalhes, uma elegância enorme em cada carro. O quarto carro apresentou falhas de acabamento na parte traseira e superior.

Participaram da cobertura: José Luiz Moreira, Yuri Neri e Dyego Terra