O samba carioca reuniu diferentes gerações e atravessou as fronteiras entre os grupos do carnaval no último sábado. Pela primeira vez, integrantes das Velhas Guardas de escolas de todas as divisões se encontraram na Cidade do Samba, na Zona Portuária do Rio de Janeiro, para uma grande confraternização que celebrou aqueles que ajudaram a construir, e seguem mantendo viva, a história das agremiações.
A dimensão do encontro traduz também o tamanho que a festa ganhou. Em 2011 e 2012, a Cidade do Samba chegou a receber confraternizações voltadas às Velhas Guardas do Grupo Especial. Nos anos seguintes, o evento seguiu sua tradição em quadras pelo estado. Agora, retorna ao complexo de barracões em uma edição ampliada, reunindo, em um mesmo espaço, veteranos de agremiações de diferentes grupos do Carnaval carioca, do Grupo de Avaliação até o Especial.
A escolha do local tornou o reencontro ainda mais simbólico. Se os primeiros desfiles das escolas de samba transformaram a Praça Onze em território fundamental para a história do Carnaval, hoje é na Cidade do Samba que boa parte dessa festa começa a ganhar forma muito antes de chegar à Avenida. Ao reunir ali os guardiões dessa memória, passado, presente e futuro do samba se encontraram no mesmo endereço.
A celebração começou às 13h, com um grande almoço de confraternização, e teve shows de Leonardo Bessa e do grupo Puxadores do Samba. Pouco depois das 18h, um dos momentos mais emocionantes encerrou a programação: o desfile das bandeiras das agremiações diante dos veteranos que ajudaram a escrever a história representada por cada uma delas.
“Hoje é um dia de celebração. O presidente Gabriel David e toda a diretoria conseguiram reunir as Velhas Guardas de todo o estado do Rio em uma festa de uma dimensão enorme. Essas pessoas são gigantes, são guerreiras. E não poderia haver lugar mais simbólico para essa homenagem do que o próprio quilombo do samba, a Cidade do Samba”, afirmou Elmo José dos Santos, diretor de carnaval da Liesa.
Apresentador da confraternização há 23 anos, Marcelo Pacífico acompanhou de perto essa transformação. Para ele, ver o encontro alcançar essa dimensão tem um significado único.
“É uma forma de valorizar os baluartes e veteranos do samba, preservar a memória das escolas e reverenciar pessoas que carregam décadas dessa história, algumas delas presentes desde a própria fundação de suas agremiações”, destacou.
Entre os veteranos que participaram da celebração estava Luiz Desenho, de 64 anos, sendo 48 anos de história na Mangueira e há cinco integra a Velha Guarda da escola. Para ele, a ampliação do encontro tornou a edição ainda mais especial.
“É a segunda vez que participo dessa festa e, para mim, esta está sendo ainda mais especial. É uma alegria enorme ver tantas Velhas Guardas reunidas, de tantas escolas diferentes, celebrando o samba, amizade e nossa história. Tenho 48 anos de Mangueira e sei o valor que tem um encontro como esse. É uma confraternização bonita, que aproxima as escolas e valoriza quem dedicou e continua dedicando a vida ao Carnaval”, afirmou.
O Império Serrano definiu, após às 6h do último domingo, o samba-enredo que levará à Marquês de Sapucaí no Carnaval 2027. A escola optou pela junção de obras, reunindo 16 compositores no hino oficial. Assinam a composição Aluísio Machado, Arlindinho, Chico Cesar, Carlos Senna, Hamilton Fofão, Tinga, Nilson Rangel, Jorginho da Flor, Lico Monteiro, Thiago Bahiano, PC Feital, Fred Camacho, Tomás Miranda, Fabian Juarez, Lucas Marques e Bruno Rodrigo Jacoppet. Em 2027, o Império Serrano levará para a Marquês de Sapucaí o enredo “Seja marginal, seja herói: a revolução em sua legítima razão”, desenvolvido pelo carnavalesco Renato Esteves. A proposta aborda a contracultura como forma de resistência à opressão durante a Ditadura Militar e estabelece diálogos com diferentes manifestações artísticas e culturais daquele período.
Fotos: Júnior Azevedo e Mariana Santos/CARNAVALESCO
Arlindinho destaca encontro de gerações
Arlindinho comemorou a conquista lembrando que 2027 marcará os 80 anos do Império Serrano e ressaltou a parceria com Fred Camacho e PC Feital, além da presença de compositores que trabalharam ao lado de seu pai, Arlindo Cruz.
“São 80 anos da minha escola. Quando eu comecei, tive a honra de estar com o Fred, com o Juan, com o meu professor Feital. Feital é o nosso pé-quente. Tem dois anos que a gente faz samba junto. Já tínhamos o da Niterói, que desfilou na avenida, tivemos esse agora do Império, tivemos o da Viradouro, que vai desfilar agora, próximo. Feital parece um pé de coelho, além de todo o talento e toda a genialidade. O Fred Camacho, meu parceiro de vida, parceiro do meu pai de vida, de samba-enredo do Império”, afirmou.
Fred Camacho também destacou o caráter simbólico da vitória, especialmente pela ligação com Arlindo Cruz. “Uma honra. Muita honra para mim. Nunca imaginei ganhar um samba junto e ainda nos 80 anos do Império Serrano, junto com parceiros do seu pai, nos 80 anos do Império Serrano, contigo. Eu só lembro do teu pai, a alegria que ele deve estar”, disse ao Arlindinho.
Arlindinho completou destacando a presença de parceiros históricos de seu pai na composição. “E ainda juntou com a parceria do Aluísio e do Carlinhos, que eram os parceiros dele. Eu queria juntar os parceiros dele e a ancestralidade diz muito sobre isso, a história diz muito sobre isso. Tenho certeza que ele vai estar muito feliz onde ele estiver, com os parceiros dele e o filho dele e outros parceiros dele, no mesmo samba, nos 80 anos da escola dele”, completou.
Questionado sobre seu trecho preferido, Arlindinho apontou um dos momentos que considera mais representativos da composição. “‘A luta me fez mais humano e o Império Serrano seguindo a canção’. Foi o refrão baixo, que se tornou o que era pré-refrão: ‘Ontem me pintaram de subversivo, hoje consagrado me mantenho vivo’. Eu acho que fala muito sobre a UNE, sobre os estudantes, sobre toda essa história e também sobre o glorioso Império”, destacou.
Tomás Miranda comemora primeira vitória
Tomás Miranda, que teve sua primeira vitória em uma disputa de samba-enredo do Império Serrano, classificou o resultado como a coroação do trabalho desenvolvido para o enredo.
“A primeira. Eu fiz igual à Mangueira, eu estreei ganhando. A coroação de um trabalho da escola, com esse enredo maravilhoso, um enredo imperiano. O Império tem essa tradição de fazer enredos políticos bem feitos, deixando uma marca no carnaval carioca. Na verdade, é um sentimento de agradecimento ao Império. Felicidade e honra para mim, hoje, ter um samba seu desfilando pelo Império Serrano, que tem uma das maiores alas de compositores da história do Carnaval”, afirmou.
O compositor também escolheu o trecho “Ontem me pintaram de subversivo” como sua parte preferida. “Pintaram a juventude que lutou contra a ditadura de subversiva e desordeira. E agora a gente vai consagrar essa juventude que lutou pela democracia brasileira”, destacou.
PC Feital se emociona com vitória
A conquista também teve forte peso emocional para PC Feital. O compositor lembrou sua relação com o Império Serrano e a vitória anterior com o Mangangá, em 2022.
“Por dois motivos. Um: o Império Serrano tem uma significância muito grande no meu coração. Em 2022, eu ganhei com o Mangangá e o Império subiu. Tenho certeza que o Império vai subir de novo. E eu venho dizendo que o carnaval vem sendo o principal responsável pelo resgate da cultura nacional. Ninguém poderia pensar, há 10, 15 anos atrás, que viria um enredo como veio do Império e como veio da Mocidade. São dois enredos que se aliam”, afirmou.
Feital também revelou a emoção de participar de uma obra que dialoga diretamente com um período que viveu. “E, para mim, foi muito emocional, porque eu vivi isso intensamente. Eu estive no mais fundo disso aí. O que eu posso dizer para você: eu estou feliz. Fiz 76 anos de idade, já chorei. Aqui é a festa. Salve o Império Serrano”, completou.
Ao ser questionado sobre sua parte preferida, Feital não conseguiu escolher um trecho específico. “Ah, todo, todo. Eu quero agradecer muito ao Império por tanta delicadeza sempre, tanta gentileza. E a parceria com a parceria, para mim, é o principal. É de caráter. É uma parceria leal, isso é o que importa”, destacou.
O compositor Jorginho da Flor também comemorou a conquista e ressaltou o envolvimento dos compositores durante todo o processo da disputa.
“É uma emoção tão grande que fica até difícil de colocar em palavras. Quem vive o dia a dia do carnaval sabe o quanto a gente se dedica, o quanto investe o coração e a alma para colocar um samba na disputa. Passamos por uma série de etapas e desafios pelo caminho, mas ver o trabalho reconhecido e dar tudo certo no final não tem preço. Conquistar esse título no Império Serrano me deixa feliz demais e com a sensação de dever cumprido!”, afirmou.
O compositor destacou ainda sua relação recente com a escola. “Essa é a minha segunda vitória recente por aqui. Tive a felicidade de vencer a disputa para o Carnaval de 2023 e agora dei essa sorte abençoada de ganhar de novo para o desfile de 2024. É uma honra enorme assinar o samba da escola mais uma vez”.
Sobre o trecho que mais o emociona, Jorginho apontou a homenagem ao “Reizinho de Madureira”. “O trecho que mais me toca é aquele que homenageia diretamente o nosso Reizinho de Madureira. Para quem é imperiano de verdade, essa parte mexe muito com o sentimento, porque retrata a nossa história e a nossa luta constante por essa escola tão maravilhosa. Quando o samba toca nesse ponto, a emoção toma conta do terreiro; por isso, agora é só comemorar essa felicidade, e vamos que vamos rumo à avenida”.
Como passaram os sambas na final
Parceria de Arlindinho: O samba da parceria foi cantado por Vitor Cunha, Wandinho, Wic Tavares e Rodrigo Tinoco. Apesar das boas referências a canções clássicas da MPB que se tornaram símbolos da luta contra a ditadura, atendendo ao mote da resistência cultural através da arte, os refrões perdem a oportunidade de ter o impacto que condiz com a forte intenção lírica e o necessário para levantar a comunidade. Além disso, a exibição não empolgou os presentes. A torcida pequena e tímida mal cantava o samba ou balançava as bandeiras alviverdes que empunhava e acabou passando sem brilho pela quadra.
Parceria de Aluísio Machado: A missão de esquentar a quadra foi cumprida pelo samba da parceria de Aluísio Machado, interpretado por Tinga. Com interessantes referências a canções de resistência e ao Cinema Novo, frutos artísticos dos movimentos de luta contra a Ditadura Militar, o samba atende ao mote do enredo de apresentar diferentes formas de resistência artística, além de fazê-lo de forma mais fluida e eficaz. Além disso, o samba tem seu auge nos versos “subversiva juventude imperiana”, do refrão principal, que passou muito bem pela quadra e carrega forte DNA imperiano. Além disso, o verso “SONHO NA MADRUGADA / TER MAIS LIVROS QUE FUZIL” traz uma interessante alusão ao enredo de 2026, ‘Ponciá Evaristo’, trazendo uma conexão e coerência nas narrativas que a escola vem trazendo, alinhadas à sua identidade. A torcida numerosa conseguiu contagiar os presentes, bem como os segmentos da escola.
Parceria de Marcio Oliveira: Encerrando a noite, a obra da parceria de Marcio Oliveira foi cantada por Marquinhos Art Samba. Trouxeram uma empolgada torcida animada, com uma coreografia elaborada, no estilo ‘comissão de frente’, com faixas, uniformes de escola pública do Rio de Janeiro e rostos pintados, como diz a canção. Entretanto, não foi o suficiente para espalhar o canto e fazê-lo render até o final da performance. A apresentação teve um rendimento decrescente, chegando ao final com todos os participantes, seja no palco ou no chão, que antes pulavam e dançavam, praticamente parados.
A Em Cima da Hora definiu o samba-enredo que levará para a Marquês de Sapucaí no Carnaval 2027. A parceria formada por Marcota de Cavalcanti, Cláudio Russo, Gabriel Simões, Diego Nicolau, Mateus Pranto, Raphael Gravino, Gui Karraz, Manolo e Brian Santos venceu a disputa realizada na quadra da escola e será responsável pelo hino que embalará o desfile de “Luzia Pinta – Da Calunga Grande aos Calundus da Cura”, enredo que será desenvolvido pelos carnavalescos Cahê Rodrigues e Rodrigo Almeida. A escolha encerra o ciclo de disputas de samba-enredo das escolas Série Ouro para 2027. A composição vencedora superou outras três obras que chegaram à decisão: as parcerias de Henrique do HC, Thiago Meiners e Richard Valença.
Fotos: Miguel Correia e Mariana Santos/CARNAVALESCO
Um dos compositores vencedores, Mateus Pranto, destacou o significado de conquistar novamente a disputa na Em Cima da Hora. “É a minha segunda vitória consecutiva na Em Cima da Hora, desta vez com um enredo que celebra a ancestralidade e o legado africano. É extremamente gratificante vencer em uma escola de tamanha tradição, reconhecida por seus grandes sambas e nomes ilustres. Esta conquista, alcançada ao lado de Claudio Russo, Marcota de Cavalcanti, Gabriel Simões, Rafael Gravino e outros parceiros, é o fruto de um trabalho coletivo desenvolvido ao longo de anos. Hoje, celebramos o resultado desse esforço com mais um samba memorável para a nossa agremiação”, afirmou.
Compositor Mateus Pranto
Raphael Gravino também comemorou a conquista e ressaltou o trabalho desenvolvido pela parceria. “É uma vitória que foi trabalhada. Em Cima da Hora é uma escola que eu tenho bastante carinho. É o segundo ano que a gente conquista o samba aqui. O do ano passado também é nosso, com a junção. E é um samba lindo. Eu acho que a graça toda é essa. É um samba muito bonito, que vai conduzir a escola a fazer um ótimo desfile”, afirmou.
Sobre a parte que mais gosta na composição, Gravino apontou o refrão do meio. “O refrão de meio, para dar o balanço, ter a melodia”, destacou.
Compositores Raphael Gravino e Claudio Russo
Com uma trajetória marcada por disputas de samba em diferentes escolas, Claudio Russo comemorou o retorno ao panteão de compositores vencedores da Em Cima da Hora.
“É uma vitória. Particularmente para mim, é um retorno. Eu ganhei dois sambas aqui na década de 1990, na Em Cima da Hora, mas sempre fui muito próximo da escola. Um dos meus maiores parceiros, que é o Marquinhos Beija-Flor, que aqui é Marcota de Cavalcanti. Para mim, é um retorno, uma felicidade muito grande, porque é um enredo sensacional. Os carnavalescos tiveram uma sabedoria muito grande em trazer esse enredo. E, para mim, a parceria é o fechamento de ouro da temporada de disputa de samba. Eu tenho certeza que esse samba vai ajudar muito a Em Cima da Hora a fazer um grande carnaval”, declarou.
Wallace Capoeira destaca construção do carnaval
O diretor de carnaval, Wallace Capoeira, avaliou positivamente o processo desenvolvido pela escola até a definição do samba oficial e destacou a qualidade das quatro obras que chegaram à decisão.
“É um prazer imenso estar aqui na última etapa da escolha do samba-enredo para o Carnaval carioca. Sinto-me muito honrado e contente com o trabalho realizado até o momento. Chegamos a esta final com quatro composições de excelência. Qualquer uma delas teria condições de conduzir a Em Cima da Hora a um belíssimo desfile”, afirmou.
Diretor de carnaval, Wallace Capoeira
Wallace também destacou a relação construída com os compositores e a equipe da escola. “O trabalho desenvolvido pela escola tem sido muito singular. Sinto-me plenamente satisfeito com a parceria estabelecida com os compositores. O processo de seleção foi rigoroso e o resultado, memorável. Agremiação estaria muito bem representada”.
O diretor também falou sobre a chegada à Em Cima da Hora e o ambiente encontrado na escola. “Confesso que fui recebido com um carinho ímpar. Encontrei uma equipe forte, comprometida e dedicada. A chegada da Lexa, inclusive, abrilhantou ainda mais o nosso projeto, que se revela sólido e seguro. Estamos cientes dos desafios do Grupo de Acesso, mas a Em Cima da Hora está preparada e empenhada em entregar um grande espetáculo”.
Wallace Capoeira também explicou como a ancestralidade presente no enredo orienta a construção do Carnaval 2027. “Quanto ao nosso enredo, ele carrega grande potência e ancestralidade. Sob a condução de Cahê Rodrigues e Rodrigo Almeida, estamos desenvolvendo um trabalho que exalta a força da mulher negra, empoderada e protagonista da sua própria história, representada pela figura de Luzia Pinta, uma feiticeira do bem. O nosso carnaval será um tributo à ancestralidade, à magia e ao valor da mulher brasileira. A Em Cima da Hora reafirma, assim, seu compromisso em defender o lugar de destaque que a mulher ocupa e deve ocupar em nossa sociedade”.
Como passaram os sambas na final
A noite teve diferentes momentos ao longo das apresentações. A parceria de Henrique do HC abriu a final com Marquinhos Art Samba. A apresentação contou com uma introdução de Pamela Falcão e apostou em uma construção narrativa da trajetória de Luzia Pinta. A torcida, entretanto, concentrou boa parte de sua participação em coreografias, bandeiras e balões, com menor presença no canto.
Na sequência, a parceria de Marcota de Cavalcanti foi defendida por Evandro Malandro. O samba apresentou como um de seus destaques o pré-refrão principal, com potencial para provocar a participação da comunidade. A composição também buscou soluções melódicas para conduzir a narrativa do enredo e terminou a apresentação com rendimento decrescente.
O terceiro samba da noite foi o da parceria de Thiago Meiners, interpretado por Victor Cunha. A obra também apresentou Luzia Pinta narrando sua trajetória, mas teve alguns desencontros melódicos que interferiram na fluidez da composição. A apresentação manteve rendimento regular e não conseguiu estabelecer uma participação mais efetiva da torcida.
Fechando a decisão, a parceria de Richard Valença levou à quadra os intérpretes Tinga e Charlles Silva. Os dois refrões foram os trechos de maior participação do público durante a apresentação. O refrão do meio ganhou força pela intensidade da interpretação, enquanto o principal apostou em uma construção mais simples e funcional. A obra terminou a noite com bom rendimento.
Dois meses após o anúncio de seu desligamento, Freddy Viana está de volta à Unidos de Bangu para o Carnaval 2027. O intérprete confirmou o retorno após novas conversas com o presidente da agremiação, que ressaltou a importância de sua continuidade e buscou uma forma de conciliar os compromissos profissionais já assumidos pelo cantor. Ao CARNAVALESCO, ele explicou que, apesar de já possuir diversos compromissos programados para 2027, a relação construída com a escola e o carinho recebido durante sua passagem foram determinantes para a decisão de retornar.
“Tudo começou com uma conversa há dois meses. Na ocasião, eu possuía muitos compromissos agendados para 2027, mas o presidente da escola entrou em contato comigo e ressaltou a importância da minha continuidade. Sentamos, dialogamos sobre como viabilizar a agenda e chegamos a um denominador comum”, explicou.
O intérprete também destacou a relação construída com os componentes da agremiação e revelou que o incentivo recebido após o anúncio de sua saída contribuiu para a decisão.
“Tive uma passagem maravilhosa pela instituição, onde sempre fui respeitado e recebi muito carinho dos componentes; nutro o mesmo sentimento por eles. Por isso, não havia como recusar o convite. Mesmo após terem aceitado minha saída inicial, eles me incentivaram a voltar, reforçando que aqui é minha casa”, afirmou.
Freddy Viana destaca força do samba sobre Marquinhos PQD
Além do retorno à escola, Freddy Viana também analisou o samba-enredo que será levado para a Marquês de Sapucaí no Carnaval 2027. A obra homenageia Marquinhos PQD, reconhecido pelo intérprete como um dos grandes compositores do país.
“O enredo é riquíssimo. Homenagear Marquinhos PQD, um dos maiores compositores do nosso país, é uma honra imensa. O samba é sensacional. Ele possui uma preparação gradual, que começa com a menção aos orixás e aos compositores, crescendo em intensidade até atingir o refrão principal”, destacou.
Para Freddy, a composição reúne elementos capazes de envolver o público durante o desfile, especialmente pela combinação entre a força do refrão e a característica melódica da obra.
“Além de ser um samba extremamente poético, ele é dotado de uma melodia belíssima. Acredito que ele conquistará o público tanto pela empolgação do refrão quanto pela emoção que sua melodia transmite”, completou.
A Liga-SP está promovendo transformações estruturais em suas produções audiovisuais e definindo marcos importantes em seu calendário para o próximo carnaval. Em entrevista ao CARNAVALESCO, o presidente Renato Remondini, Tomate, detalhou as mudanças no cenário de gravações dos sambas-enredo, os preparativos para a festa das crianças e o cronograma do concurso da corte.
Nova gravação audiovisual: clima de roda de samba e som mais autêntico
Para romper com os formatos tradicionais das edições passadas, a Liga-SP reformulou o layout de gravação no estúdio, eliminando a estrutura antiga de arquibancadas para criar uma atmosfera mais calorosa e integrada. Segundo o presidente Tomate, a proposta buscou afastar o rótulo de repetir a mesma fórmula todos os anos:
“Na verdade, a ideia é a gente tentar fazer diferente, justamente para não dar esse rótulo, de igual todos os anos. A gente mudou bastante o cenário, aproximou o coral e o povo da escola do palco. Agora é como se fosse realmente uma grande roda de samba. Para sentir o calor do componente. O componente está mais perto do intérprete”.
A mudança tem como objetivo dar mais liberdade de movimento para os integrantes das escolas. “Antes era arquibancadinhas, o pessoal ficava meio preso, travado. Eu acho que isso vai dar mais dinamismo, vai deixar as pessoas mais soltas para poderem dançar, curtir seus sambas”, destacou.
Além da reformulação visual, a parte musical passou por adaptações diretas após reuniões com os mestres de bateria e diretores musicais. A intenção é evitar padronizações excessivas e garantir a singularidade de cada obra.
“Fizemos algumas mudanças para tentar deixar o samba mais autêntico”, disse.
Para alinhar os detalhes técnicos antes da gravação definitiva, um evento-teste foi realizado com as baterias, mestres e alas musicais. Olhando para o futuro, o presidente revelou o plano de expandir ainda mais o projeto audiovisual para o Polo Cultural do Anhembi.
“A gente tem um projeto gigante para o próximo ano. Fazer no Anhembi, um audiovisual no Polo, lá na nossa casa. É um investimento gigantesco, mas eu tenho certeza que a Liga, com várias frentes que ela vem abrindo, vai conseguir fazer isso também”, afirmou Tomate.
Festa das crianças na Fábrica do Samba
Em relação aos eventos comunitários, a tradicional festa das crianças teve seu local confirmado para a Fábrica do Samba. A realização no Anhembi não foi viável devido ao conflito de datas e ao planejamento, mas a expectativa é de uma estrutura expandida.
“A gente infelizmente não conseguiu a data em função do Anhembi, hoje ele está muito ocupado. Acho que a festa não vai perder em nada aqui. O ano passado foi um sucesso, esse ano vai ser maior. A gente vai ter mais escolas participando, vai ser um tempo de festa maior e tenho certeza que vão ter mais atrações para as crianças, Mais entretenimento. A maior parte irá com suas baterias”, explicou Tomate.
Concurso da Corte definido para novembro
Encerrando as novidades do calendário, a eleição da Corte do Carnaval 2027 já possui período marcado. A competição iniciará no começo de novembro, com a grande final prevista para a segunda quinzena do mês. As regras e detalhes completos serão divulgados nos próximos dias.
“A Liga na entrada dessa próxima semana vai divulgar todas as informações e a gente deve ter uma novidade aí para final ser glamurosa. Em um palco onde todo mundo vai ficar muito feliz”, concluiu o presidente.
A Primeira da Cidade Líder realizou um grande evento em sua quadra. Na ocasião, a agremiação da Zona Leste apresentou o tema para o Carnaval 2027, acompanhado do samba-enredo que irá embalar o desfile da Fênix. Além disso, foi apresentado o novo intérprete da escola. Trata-se do renomado Igor Vianna, que já teve destaque no carnaval paulistano pela Tucuruvi e, sobretudo, no Camisa Verde e Branco. A agremiação irá levar para a avenida o enredo “David Assayag – A voz da Amazônia”, assinado pelo carnavalesco Pai Léo. A proposta é uma homenagem ao gigante levantador de toadas, com uma grande trajetória no Boi-Bumbá Garantido, mas que também deixou seu legado no Caprichoso. O misto de homenagem com fragmentos indígenas é a aposta da escola do Acesso 2 para, novamente, tentar a sua sonhada vaga no Grupo de Acesso 1. O CARNAVALESCO esteve presente no evento e conversou com as principais personalidades da agremiação.
O presidente da Primeira da Cidade Líder, Mario Alves, promete mais um grande carnaval da Fênix paulistana. “Hoje é o nosso dia, o dia do nosso enredo e do nosso samba. O samba está muito bonito, e o enredo também é muito bom. É uma proposta que vai surpreender a avenida, e tenho certeza de que chegaremos fortes ao Carnaval 2027. O tema foi indicado pelo nosso carnavalesco, e abraçamos a ideia. Achamos que era uma proposta interessante, que segue uma linha que já vínhamos adotando, a de homenagear personalidades. Fizemos homenagens à Portela, ao Salgueiro e ao Paulo Barros, e agora chegou a vez do David Assayag, que é uma pessoa maravilhosa e tem uma história muito bonita”, declarou.
Presidente da Primeira da Cidade Líder, Mario Alves. Fotos: Gustavo Lima/CARNAVALESCO
O dirigente ainda rasgou elogios ao samba-enredo apresentado. “O samba é maravilhoso! Quem o compôs é formado por grandes campeões do carnaval de São Paulo. São nossos amigos, que vieram fazer esse samba, e o resultado foi uma obra de alto nível. É um samba fácil, gostoso e maravilhoso. Tenho certeza de que todo o povo do samba vai abraçar, porque ele é bom demais”, celebrou.
Ideia do tema e desafio de colocá-lo na avenida
Segundo o carnavalesco Pai Léo, a ideia de levar o levantador de toadas para o Anhembi partiu dele, que apresentou o projeto à agremiação. “Essa homenagem surgiu quando participei de outra agremiação. Já estou no carnaval há mais de 15 anos e, enquanto levávamos os carros de outra escola, fomos ouvindo toadas. Todo mundo que é do carnaval ama toada. Estávamos ouvindo uma do David quando um amigo meu chegou e falou: ‘O David nunca foi homenageado’. Na hora, tive o insight e pensei: ‘Poxa, ele merece uma homenagem’. Como tenho muitas amizades no carnaval, principalmente com o pessoal dos acessos, comecei a pensar em qual escola poderia receber esse enredo. Quando pensei na Líder, ela foi minha primeira ideia. Falei: ‘Na Líder, ele vai caber. A escola vai saber homenageá-lo, tem time para isso e gosta de fazer homenagens’. Foi assim que surgiu a ideia de trazer o David, essa voz fenomenal de Parintins, a voz da Amazônia”, contou.
Carnavalesco Pai Léo
David Assayag tem uma história grandiosa, e o Acesso 2 permite apenas dois setores e, no mínimo, duas alegorias dentro do desfile. É um formato mais enxuto. Sendo assim, contar uma trajetória de tamanha relevância na avenida se torna um desafio ainda maior. Pai Léo explicou: “O maior desafio de qualquer carnavalesco, enredista ou pessoa da direção de carnaval é sintetizar a história. O David tem muita história para contar. Acho que vamos apresentar cerca de 2% da trajetória dele. Apesar de ser uma homenagem, não criamos um enredo simplesmente para contar a história dele. Desenvolvemos uma narrativa para apresentar sua trajetória, e posso dizer que será emocionante. Está bonito e com uma leitura fácil, porque essa é uma preocupação que tenho. Antes de fazer parte do carnaval, eu já gostava de carnaval. Sou um cara que, quando está na arquibancada, quer entender o desfile sem precisar de alguém para explicar. É isso que vamos apresentar na Líder: um carnaval de fácil leitura, que vai emocionar com um sambaço. O samba já está feito. Foi um desafio, mas vai ficar bom”, declarou.
Ao comentar a obra apresentada, o carnavalesco também elogiou o processo de composição. “Temos uma facilidade aqui na Líder porque os Gêmeos Minueto ajudam no samba. Eles são os maiores campeões do carnaval de São Paulo. Temos também o Vitor Gabriel, que é uma lenda, e o Gui Cruz, que é outra lenda. Foi a parte de que mais gostei no carnaval: sentar no sofá e ajudar a fazer o samba. É um sambão, com refrão fácil, feito para a comunidade cantar. Acho isso importante. Às vezes, hoje em dia, vemos muitos sambas que parecem uma tese de mestrado, dificílimos de entender. O nosso é um samba fácil, que o povo vai gritar na avenida e que, se Deus quiser, vai tirar nota, porque é disso que precisamos para subir. Posso dizer que é um samba fácil, bom e chiclete”, disse.
Melhor samba da história da escola e muito estudo para o ritmo
Com declarações fortes, mestre Alê afirmou que o samba para o Carnaval 2027 é o melhor da história da escola. “Tenho 100% de certeza de que é o melhor samba da história da Cidade Líder. É um samba que, desde a primeira vez, todo mundo abraçou. A bateria sentiu a energia, a comunidade também, e ele encaixou com o Igor Viana, que está chegando para agregar. Só temos comentários positivos sobre esse samba. Agora é jogar o jogo, entender os critérios e fazer a nossa parte. A escola inteira precisa se juntar, não apenas cantar, mas gritar esse samba, para que venha a nota que esperamos há tantos anos e consigamos alcançar o lugar tão sonhado, que é subir para o Acesso 1”, comentou.
Mestre Alê
O samba-enredo apresenta características indígenas e, por isso, a bateria também trabalha na construção de sonoridades que dialoguem com a proposta do enredo. Questionado sobre os arranjos, Alê contou que irá utilizar os próprios instrumentos tradicionais da bateria para alcançar essas referências. “Estamos fazendo algumas substituições. Quando encontramos um instrumento com sonoridade parecida, usamos um chocalho ou o tamborim, por exemplo. Já estamos trabalhando nisso. Não vamos colocar instrumentos indígenas propriamente ditos, mas utilizar os nossos instrumentos com sonoridades semelhantes. A bateria da Primeira da Cidade Líder já tem muitos instrumentos e uma frente muito grande. Temos timbal, agogô, entre outros, então a bateria já é enorme. Se colocarmos mais uma ala, ela ficará muito pesada. Mas vamos conseguir ajustar tudo com o que temos para fazer essa homenagem”, explicou.
O regente da “Batucada de Primeira” afirmou que há muito estudo para a confecção das bossas e pretende levar dois arranjos para a avenida. “O samba é sentimento. Quando você o ouve, já começa a imaginar o que pode fazer. É claro que algumas coisas deixamos preparadas. Você já sabe o andamento e pensa no que vai utilizar. Estudamos bastante a marujada e a batucada de Parintins para ter uma noção do que fazer, porque o samba permite muitas possibilidades. Mas, quando o samba sai, o sentimento pede determinadas coisas. Precisamos pensar em algo que permita à escola dançar, que a bateria consiga executar e que nos ajude a conquistar a nota. Todo mundo precisa sair com um conjunto legal. Vamos levar duas bossas. Menos é mais. Porém, a minha bossa é muito grande, começa praticamente em um refrão e vai terminar no outro, então não dá para fazer muitas. Elas serão bem desenhadas e reexecutadas. Não serão muitas, mas o conjunto inteiro vai ficar muito legal”, afirmou.
Nova casa e recepção calorosa
Recém-chegado, o intérprete Igor Vianna pisou pela primeira vez na quadra da agremiação durante o evento e celebrou o retorno ao carnaval paulistano. “É um sentimento inexplicável. Gosto muito do carnaval de São Paulo, como vocês sabem. Quando o mestre Alê me convidou, após a saída do Thiago Melodia, fiquei muito feliz. Eu já tinha uma amizade com os irmãos Minueto, então não pensei duas vezes antes de aceitar o convite para estar aqui na Cidade Líder. Está sendo uma recepção muito calorosa. É a primeira vez que piso aqui, então o pessoal está um pouco tímido, assim como eu, mas estamos gostando muito do que está acontecendo”, contou.
Intérprete Igor Vianna.
O cantor teve uma passagem pelo Camisa Verde e Branco, onde defendeu o carro de som da escola nos anos de 2023, 2024 e 2025. Agora, aceitou o convite de uma escola do Acesso 2. Vianna explicou o motivo. “O que me motivou foi o meu amor pelo carnaval, especialmente pelo carnaval de São Paulo. Para mim, não existe divisão, existe carnaval. Já cantei em duas divisões da UESP pela Lavapés Pirata Negro. Foi por meio da Lavapés que voltei ao Camisa Verde e Branco. Fiz o Grupo de Acesso e depois retornei ao Grupo Especial com a escola. Hoje, estou muito honrado em estar aqui na Cidade Líder para estrear no Acesso 2. Venho com muita felicidade”, disse.
Igor Vianna disse ter tido pouco contato com o samba-enredo apresentado, mas teve uma participação positiva no palco. “Tive pouco contato com o samba-enredo até agora. Gravei a obra e estou estudando, mas é um samba com letra e melodia muito fortes. Tenho certeza de que o homenageado, David Assayag, vai gostar muito do que está vindo por aí e do trabalho que será realizado pela nossa escola”, finalizou.
A Liga Independente das Escolas de Samba de São Paulo iniciou as gravações de seu projeto audiovisual para o Carnaval 2027 nesta quinta-feira. A iniciativa integra o planejamento estratégico de comunicação da entidade e reúne as 32 Escolas de Samba em uma produção dedicada a valorizar as agremiações, suas identidades e as comunidades que fazem o Carnaval de São Paulo acontecer.
Inspirada no sucesso de produções anteriores, como o “Esquenta de Bateria” e o “Som da Avenida” e seus próprios projetos audiovisuais, a Liga-SP mantém sua aposta em formatos curtos e dinâmicos para ampliar o alcance e valorizar as escolas de samba no Carnaval 2027.
Com um investimento significativo em tecnologia, comunicação e produção audiovisual, o projeto dá continuidade ao modelo desenvolvido nos últimos anos, aumentando os recursos técnicos utilizados na edição anterior e ampliando as possibilidades de apresentação das escolas ao público.
A proposta é criar conteúdos que evidenciem a força artística, cultural e comunitária das agremiações, aproximando os sambistas e os admiradores do Carnaval das histórias, dos personagens e das particularidades que fazem de cada escola uma parte fundamental da festa.
Repórter por um dia
Entre as iniciativas que retornam está o “Repórter por um Dia”, sucesso em 2026 com um formato que promove a participação mais próxima e dinâmica das escolas e de seus representantes escolhidos na produção audiovisual nas redes sociais da @ligacarnavalsp.
Projeto audiovisual continua enaltecendo todas as agremiações
O projeto contempla as escolas dos grupos Especial, de Acesso I e de Acesso II e reforça o compromisso da Liga-SP com a valorização conjunta das agremiações. Ao investir em uma produção que reúne diferentes identidades e expressões do samba paulistano, a entidade fortalece sua estratégia de comunicação e amplia as oportunidades de divulgação do Carnaval de São Paulo.
“Dar continuidade a esse projeto audiovisual é reafirmar o compromisso da Liga-SP com a valorização das 32 escolas de samba. Estamos investindo em estrutura, produção e comunicação estratégica para que cada agremiação tenha sua identidade reconhecida e possa se aproximar ainda mais do público. A retomada do ‘Repórter por um Dia’, lançada nas gravações do Carnaval passado, também fortalece essa proposta, trazendo novas perspectivas e tornando os conteúdos ainda mais conectados com quem vive o Carnaval”, disse Renato Remondini, Presidente da Liga-SP.
Os conteúdos serão divulgados nos canais oficiais da Liga-SP no YouTube e nas principais plataformas de streaming, possibilitando que qualquer pessoa com acesso à internet ouça o samba e assista ao vídeo da sua Escola de Samba.
Parceria com as emissoras
Pelo segundo ano consecutivo, a Liga-SP reforça a parceria com as duas emissoras oficiais do Carnaval de São Paulo, que incluirão em suas programações suas próprias versões dos videoclipes. Esta estratégia unifica o Carnaval de São Paulo e agrega ainda mais valor às Escolas de Samba, uma vez que por meio das emissoras, os sambas cruzam fronteiras geográficas e culturais, incluindo o sambista paulistano em lares pelo Brasil e pelo Mundo.
Os conteúdos serão divulgados nos canais oficiais da Liga-SP no YouTube e nas principais plataformas de streaming, possibilitando que qualquer pessoa com acesso à internet ouça o samba e assista ao vídeo da sua Escola de Samba.
Mais do que registrar a preparação para os desfiles, o projeto audiovisual representa um investimento na visibilidade das escolas, no reconhecimento de suas histórias e na valorização de todos os profissionais, integrantes e comunidades que constroem o Carnaval diariamente.
Carnavalesco Nicolas Gonçalves e presidente Rodrigo Delduque
A Acadêmicos do Tucuruvi realizou, na quadra da agremiação, a Festa dos Pilotos da escola. O Zaca, como a instituição é popularmente conhecida, encerrará os desfiles do sábado do Grupo Especial de São Paulo, já na manhã de domingo, com o enredo “Ogbódirin, Ògbóni”, assinado pelo carnavalesco Nicolas Gonçalves. Ao ser perguntado sobre o caminho criativo para conceber as fantasias, Nicolas expandiu a resposta e falou do projeto artístico em geral da escola.
“Hoje, o carnaval criou um método muito funcional das coisas estarem todas casadas: a sinopse. Quando a gente escolhe o enredo, a gente já faz a pesquisa e lança a sinopse para tudo se apegar a ela. A gente teve a felicidade de ter um samba-enredo muito fiel à sinopse assim como eu sou muito fiel à sinopse. Eu construo o meu carnaval lado a lado com o Cleiton Almeida, o enredista da escola. Tudo que eu faço que foge da sinopse ele já está sabendo ou ele mesmo já altera. Mas não foi o caso desse ano: a gente conseguiu seguir muito à risca a sinopse porque eu também gosto de participar de todo o processo. Toda a pesquisa eu faço ao lado do Cleiton. Todas as conversas com os compositores a gente faz junto. Eu gosto, eu tenho essa mania de querer centralizar muitas coisas no artístico, mas é justamente por isso: para estar todo mundo chegando no desfile e ver que está tudo conversando. O quesito Conjunto faz falta nessas horas”, lamentou.
A densidade do enredo também foi tema de uma resposta do carnavalesco, que iniciou a fala com muito bom humor: “Eu brinco com o meu presidente que, ano que vem, eu quero fazer um enredo super leve e fácil! Desde que eu estreei como carnavalesco eu só pego enredos muito densos. Mas eu também, confesso, não conseguiria não fazer assim. Hoje, eu vejo a escola de samba e eu vou, sempre que puder e ter uma agremiação que me apoie nisso, seguir dessa forma. E, hoje, eu estou numa escola dessas. É muito legal quando tem esse encontro e esse casamento, e está acontecendo isso no Tucuruvi. Desde que eu conheci o Rodrigo, nessa nova gestão, ele falava que queria uma escola que estivesse toda amarrada, que estivesse densa, que tivesse esse chão forte. E, aí, rolou esse casamento incrível. É o meu terceiro ano de Tucuruvi e, novamente, com um enredo denso. Eu quis muito passar isso para as fantasias. Claro que cada enredo é um enredo, cada ano tem a sua particularidade, mas eu entendo que meu trabalho e o trabalho do Tucuruvi segue denso. Na verdade, não sei se a palavra é ‘denso’, mas segue nas complexidades que devem ser tratadas nos enredos que a gente traz. Se a gente traz enredos que exigem mais precisão, que exigem mais aprimoramento, não à toa a gente está fazendo esse trabalho. As fantasias devem ser assim, as alegorias devem ser assim, o samba deve ser assim. Até o nosso trabalho com a imprensa também mudou! Hoje, a gente acredita nesse projeto e quer muito que isso passe para todo mundo. Não adianta a gente também fazer isso internamente e não passar”, comentou.
Materiais e cores
Ao falar de maneira mais prática sobre as indumentárias que vestirão o Zaca em 2027, Nicolas destacou uma característica muito marcante da sociedade que será o enredo da Tucuruvi no próximo desfile: “Uma parte do meu trabalho que eu gosto muito de fazer é mergulhar de cabeça no enredo e transformar tudo isso em materialidade. Desde que eu comecei a estudar a sociedade Ilé-Ifè eu me apaixonei por como eles eram organizados e tinham um conhecimento muito grande da metalurgia. Se a gente pensar que isso era anos atrás e eles já tinham todo esse conhecimento, é muito incrível. Eu tentei passar isso para as fantasias. No trabalho, eu usei muito essa materialidade dos metais e fui brincando com o próprio material. O próprio Delduque pode comprovar, ele quase me matou quando viu o orçamento da placa. Um acetato, que a gente usa muito no Carnaval, eu derreti, eu furei, eu colei… eu brinquei muito com essa fundição do metal, mas na versão carnavalesca. E, claro, também pensando no horário de desfile, no casamento com enredo e tudo mais”, destacou.
Já em relação à cromia da escola da Zona Norte, o carnavalesco pontuou que cada setor terá uma paleta de cores bastante característica: “Em relação às cores, o trabalho foi idêntico ao pensado em relação aos materiais. Eu prezo muito pelo conjunto, eu gosto de pensar no tapete da escola, eu gosto de pensar na visualidade completa da escola, não só o fantasia a fantasia. Eu gosto muito de pensar o setor completo, pensar nisso como um quadro que se forma quando a gente assiste na avenida. As cores têm os seus blocos: agente inicia com cores mais quentes, nessa saudação à Onilè e à Terra. A gente passa para o segundo setor, fazendo muito essa brincadeira com a metalurgia, essa fundição do Edan. Quando chega no terceiro setor, que são os mistérios, tudo se passa na noite e as cores vão abaixando para explodir no final, no brilho: muito brilho, muita luz, essa luz da sabedoria Ògbóni, que vai nos iluminar. O Sol, que vai estar apontando lá no Anhembi para a gente encerrar o desfile novamente, assim como foi com Ifá, com aquele lindo nascer-de-Sol, aquele desfile que arrepiou. A gente tem certeza que está no caminho para nos arrepiar mais ainda nesse novo desfile que está vindo aí”, prometeu.
Presidente confiante
Mandatário da Acadêmicos do Tucuruvi, Rodrigo Delduque brincou ao ser perguntado sobre o que tinha achado do conjunto de fantasias da escola comandada por ele em 2027: “Eu gostei muito das fantasias apresentadas pelo Nicolas, mas, quando eu vi o valor de cada uma delas, eu desgostei! Eu estou muito feliz com o trabalho dele e de toda a equipe de Criação. Foi muito criativo e está tudo muito dentro do enredo. É muito diferente do que o Tucuruvi está acostumado, do que eu realmente também estou acostumado. Vai ser um presente para a Tucuruvi e para o Carnaval como um todo”, comemorou.
Outro motivo que despertou o bom humor de Delduque foi o aproveitamento dos materiais feito pelo carnavalesco do Zaca: “Eu brinquei com o Nicolas: disse que não queria gastar, mas não dá para ir de novo no saco de lixo. Ele respondeu que era a nossa temática, nós tínhamos que, realmente, representar o trabalho da arte, sempre sem desmerecer nada nem ninguém. Claro que o material te dá um custo maior, mas o Nicolas tem trazido para nós e para mim, como um gestor de Carnaval, conhecimentos do quanto a cabeça desses carnavalescos estão muito além das nossas. A criatividade que ele tem usado com o material tem me surpreendido muito e tem dado um efeito diferente. Eu tenho certeza, mais uma vez, que vai ser um presente para o Tucuruvi e para o Carnaval tudo o que ele criou junto com a equipe. Não posso deixar de já parabenizar tanto o Nicolas quanto toda a equipe de Criação de Pilotos, que me surpreendeu muito. Tenho certeza que todos os apaixonados por Carnaval também vão gostar”, finalizou.
Canção
O samba-enredo da Acadêmicos do Tucuruvi para 2027 é composto por Thiago Meiners, Thiago Morganti, Claudio Mattos, Sukata, Wilson Mineiro, André Valencio, Ítalo Pires, André Aranha, Serjão Português, Thiago Piccirillo, Don Souza, Daniel Tubino e Rafael Tubino.
Veja abaixo fotos das fantasias (Felipe Araujo/Divulgação Tucuruvi)
Movida pela gana de voltar ao topo do carnaval carioca e conquistar o título, a Acadêmicos do Grande Rio deu um passo decisivo em sua preparação ao apresentar o conjunto de figurinos para o próximo desfile. Após reconhecer e trabalhar para corrigir as falhas cometidas na temporada anterior, a agremiação aposta na determinação e em um projeto forte para recolocar a escola entre as primeiras colocadas da folia. O clima de otimismo no barracão vem embalado pela recepção positiva da disputa de samba-enredo, evento marcado pela coroação de Anitta e pelo amplo reconhecimento do samba. Para traduzir essa energia para a avenida, a diretoria revelou um conjunto de fantasias luxuosas, concebidas rigorosamente dentro da proposta temática do carnavalesco Antônio Gonzaga para enaltecer a cultura do sambista e o espetáculo carioca.
Segundo a avaliação do presidente Helinho de Oliveira, a exibição ao vivo revelou um resultado estético superior ao observado durante a produção individual das peças no barracão, sobressaindo-se pela riqueza de detalhes, grandeza e efeito de cores.
“É o momento de gana, de gana de ser campeão, de gana para voltar para o nosso local, que é ali entre sempre as primeiras colocadas, mas a Grande Rio teve alguns erros no ano passado e esse ano consertando aí, começando com um enredo maravilhoso”, declarou Helinho sobre a disposição da escola para a nova temporada.
Uma das principais inovações do evento foi o diálogo direto com a comunidade. A iniciativa permitiu que os integrantes e os componentes que desfilarão vissem de perto as roupas e sentissem o carinho da torcida. “A gente sempre fez no barracão e convidávamos todos segmentos; dessa vez o Thiago Monteiro (diretor de carnaval) e o Perácio (presidente) preferiram que viesse ser feita aqui na nossa quadra e foi um sucesso”, comentou Helinho.
Ter clareza sobre onde você quer chegar financeiramente é o primeiro passo para construir um futuro mais sólido. Muitas pessoas e empreendedores brasileiros enfrentam dificuldades para separar recursos destinados a diferentes propósitos, o que acaba comprometendo planos importantes. Felizmente, existem ferramentas práticas que facilitam essa organização, como como usar os cofrinhos para o seu negócio, permitindo que você segmente valores de acordo com cada objetivo específico. Essa estratégia simples pode fazer toda a diferença na gestão do seu dinheiro, trazendo mais controle e previsibilidade para suas finanças.
Foto: Divulgação
Por que organizar metas financeiras é fundamental para seu sucesso
A organização financeira vai muito além de simplesmente guardar dinheiro. Trata-se de estabelecer prioridades, definir prazos realistas e acompanhar o progresso de cada objetivo ao longo do tempo. Quando você não separa seus recursos por finalidade, corre o risco de utilizar valores destinados a uma meta para cobrir despesas de outra área, criando um ciclo de desorganização que prejudica seus planos.
Imagine que você está planejando reformar seu estabelecimento comercial, mas também precisa criar uma reserva para despesas operacionais inesperadas. Se todo o dinheiro fica misturado em uma única conta, fica difícil saber quanto realmente está disponível para cada finalidade. A falta de clareza pode levar a decisões equivocadas, como gastar recursos da reforma em situações emergenciais que poderiam ser cobertas por outra reserva.
Além disso, ter metas bem definidas ajuda a manter a motivação. Quando você visualiza o quanto já avançou em direção a um objetivo específico, sente-se mais estimulado a continuar contribuindo. Essa sensação de progresso constante é essencial para manter a disciplina financeira, especialmente em momentos de tentação ou quando surgem gastos não planejados.
Como definir metas financeiras realistas e alcançáveis
Estabelecer objetivos financeiros exige um equilíbrio entre ambição e realismo. Metas muito distantes da sua realidade atual podem gerar frustração, enquanto objetivos muito modestos não trazem a transformação necessária. O segredo está em conhecer profundamente sua situação financeira e traçar um caminho gradual, mas consistente.
Comece analisando suas receitas e despesas mensais. Entenda quanto dinheiro entra regularmente e quais são seus compromissos fixos. Essa fotografia financeira permite identificar quanto você pode destinar mensalmente para cada meta sem comprometer seu fluxo de caixa. Seja honesto nessa avaliação: superestimar sua capacidade de contribuição pode levar ao abandono dos planos.
Depois de entender sua disponibilidade financeira, classifique suas metas por prazo. Objetivos de curto prazo, como a compra de equipamentos para o negócio, podem ser alcançados em poucos meses. Já projetos de médio prazo, como a expansão do estabelecimento, exigem planejamento de um a três anos. Essa categorização ajuda a priorizar e distribuir recursos de forma inteligente.
Lembre-se também de considerar imprevistos. A vida real raramente segue um roteiro perfeito, e despesas inesperadas podem surgir a qualquer momento. Por isso, é prudente incluir uma margem de segurança em seus cálculos, evitando que pequenos contratempos descarrilhem completamente seus planos financeiros.
Ferramentas práticas para segmentar seus recursos
A tecnologia bancária moderna oferece recursos que facilitam enormemente a organização financeira. Entre as soluções mais eficientes estão os sistemas de segmentação de valores, que permitem criar divisões virtuais dentro da sua conta principal. Essas ferramentas funcionam como compartimentos separados, cada um destinado a um propósito específico.
Essa abordagem traz diversos benefícios práticos. Primeiro, você consegue visualizar rapidamente quanto já acumulou para cada objetivo, sem precisar fazer cálculos manuais ou consultar planilhas complexas. A informação fica disponível de forma clara e imediata, facilitando o acompanhamento do seu progresso.
Outro ponto importante é a proteção psicológica que essa separação oferece. Quando você vê um valor total na conta, pode ter a falsa impressão de que dispõe de mais recursos do que realmente tem disponível para gastos livres. Ao segmentar, fica evidente que parte daquele dinheiro já tem destino certo, reduzindo a tentação de gastar impulsivamente.
Além disso, essas ferramentas geralmente permitem configurar contribuições automáticas. Você pode programar transferências periódicas para cada compartimento, garantindo que suas metas recebam aportes regulares sem depender da sua memória ou disciplina manual. Essa automação é especialmente valiosa para quem tem uma rotina corrida e não quer correr o risco de esquecer de fazer os depósitos.
Estratégias para manter a consistência nos aportes
Ter metas bem definidas e ferramentas adequadas é essencial, mas a consistência nos aportes é o que realmente faz a diferença no longo prazo. Pequenas contribuições regulares, mantidas ao longo do tempo, geram resultados muito superiores a depósitos esporádicos e irregulares.
Uma estratégia eficaz é tratar os aportes para suas metas como despesas fixas. Assim que receber suas receitas, antes mesmo de pagar outras contas, destine os valores planejados para cada objetivo. Essa abordagem, conhecida como “pague-se primeiro”, garante que suas metas tenham prioridade sobre gastos menos essenciais.
Também é importante revisar periodicamente seus objetivos e ajustar os valores conforme necessário. Se sua situação financeira melhorar, considere aumentar as contribuições para acelerar o alcance das metas. Por outro lado, se enfrentar dificuldades temporárias, é melhor reduzir os aportes do que abandonar completamente o hábito.
Celebre as pequenas vitórias ao longo do caminho. Quando atingir 25%, 50% ou 75% de uma meta, reconheça esse progresso. Essas comemorações intermediárias ajudam a manter o entusiasmo e reforçam a percepção de que você está avançando, mesmo que o objetivo final ainda pareça distante.
Outra tática valiosa é vincular metas a receitas extras. Se você receber um valor inesperado, como um bônus ou pagamento adicional, destine uma porcentagem significativa para suas metas financeiras. Essa prática acelera o progresso sem impactar seu orçamento regular, criando um impulso adicional em direção aos seus objetivos.