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Fotos: Júnior Azevedo/CARNAVALESCO

Para quem vive no entorno e lida diariamente com as carências de serviços públicos, a abertura das portas do Instituto Imperatriz representa a chegada de um suporte que une saúde, educação e cultura. O sentimento comum dos moreadores da região é de que o projeto preenche lacunas históricas e oferece às crianças da região oportunidades que, até então, eram restritas àqueles que podiam pagar. Para entender o impacto direto dessa iniciativa, conversamos com moradores que agora enxergam no Instituto um novo aliado: Sinara Nunes do Nascimento, de 30 anos, dona de casa e mãe de Maria Fernanda e Maria Eduarda; Marcela Marques Teixeira Marçal, de 40 anos, atendente de teleatendimento e mãe de Pietro; Vinicius Correia, de 30 anos, vigilante e pai do pequeno César. Também ouvimos a técnica de enfermagem Larissa Carla, de 20 anos, que destacou o papel da unidade na inclusão social. O encerramento contou com a visão de Renê Silva, fundador do Voz das Comunidades.

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Sinara Nunes destacou que a iniciativa é fundamental para integrar as famílias ao ambiente da escola de samba. “É tão importante quanto necessário um instituto desse para poder estar acolhendo. Eles acolhem não só as crianças, mas os pais também. Antigamente, só as crianças eram incluídas e muitos pais ficavam de fora, não participavam. Agora, os pais também podem participar. A gente pode dividir isso com nossos filhos, aproveitando essa oportunidade que muitas vezes a gente não tem na vida. O instituto é muito necessário para acolher a família como um todo, desde os pais até as crianças”, afirmou.

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Sinara Nunes

Marcela Marques ressaltou a escassez de opções culturais gratuitas na cidade e o alívio financeiro para os responsáveis. “Tudo o que é cultural acaba favorecendo muito todas as comunidades em si, e a gente tem pouco isso aqui no Rio. Ter um instituto como esse, que dá oportunidade para as crianças terem acesso a coisas que os pais, às vezes, não têm condições de pagar, aqui no coração do bairro de Ramos, é muito legal, com certeza”, disse.

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Marcela Marques

Já Vinicius Correia enfatizou a função social de manter os jovens ocupados e seguros. “Isso é bom para as crianças, porque evita que fiquem na rua fazendo besteira. As crianças podem ter interação entre elas. É um meio também de aproximar a comunidade da escola de samba Imperatriz e a escola da comunidade, para que possam sempre prosperar juntas, aliando ideias e pensamentos. Isso é muito importante para o futuro de todo mundo”, concluiu.

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Vinicius Correia

Larissa Carla completou a visão sobre o papel assistencial da nova sede. “Eu acho que traz uma visibilidade maior para o pessoal que mais precisa de ajuda, principalmente nas áreas de saúde e educação. Eu acho que, hoje em dia, as escolas estão muito carentes de livros e de recursos para interagir com as crianças, além de mais inclusão para as pessoas com transtorno do espectro autista. Eu acho que esse pessoal merece um pouco mais de visibilidade”, afirmou.

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Larissa Carla

Impacto no desenvolvimento das crianças e o combate à timidez

Sobre o crescimento pessoal dos filhos por meio das oficinas e esportes, Sinara Nunes frisou que o atendimento vai além do lazer. “Ajuda muito porque existe um olhar para as carências do local e para aquilo de que estamos precisando. O instituto é muito importante para isso, porque ele olha para esse lado. O desenvolvimento social e cultural é muito importante desde sempre. Ter isso desde cedo faz toda a diferença. É importante para eles saberem se posicionar, conhecerem seu lugar, conhecerem as histórias, a nossa história popular, essa cultura que é o samba, que engloba tantas coisas, e entenderem o quanto o acolhimento é importante. Porque não é só o samba. Antes do samba, vem o acolhimento. Depois, você samba. É muito necessário. É muito bom”, disse.

Marcela Marques demonstrou entusiasmo com a gratuidade e a variedade de escolhas que o filho terá. “Eu ainda vou ver com calma todas as opções que temos para entender o que ele deseja fazer e em qual atividade conseguiremos matriculá-lo. Mas eu acho que qualquer atividade voltada para o desenvolvimento da criança e ofertada por um instituto como esse, totalmente gratuito, com certeza vai agregar em muitas coisas, principalmente na questão cultural”, afirmou.

Vinicius Correia enxerga nas atividades um caminho para melhorar a comunicação e a socialização dos pequenos. “Ele é uma criança comunicativa, e o instituto é um meio de aflorar ainda mais esse lado das crianças. Muitas vezes existem limitações de socialização, timidez e vergonha de falar. Acredito que, com as crianças se reunindo e tendo mais convívio, isso ajuda a inibir essa timidez”, concluiu.

Larissa Carla finalizou projetando o suporte material e a rede de colaboração que pode surgir. “Acredito que fornecendo material didático e também dando visibilidade, o Instituto pode incentivar outras pessoas a ajudarem e colaborarem. Eu acho que é isso que ele pode trazer para a gente”, disse.

Ancestralidade e o futuro do samba na comunidade

Renê Silva, fundador do Voz das Comunidades, falou com o CARNAVALESCO sobre como o Instituto garante a preservação da cultura e a renovação das gerações no subúrbio. “Acho que tem uma importância muito grande, principalmente porque estamos falando de uma cultura que vem da nossa ancestralidade. Uma cultura que não começou agora, mas que cada vez mais tem ganhado força. E é muito importante um movimento como esse, do Instituto, porque faz com que possamos formar a próxima geração, pensar no futuro e acreditar que ele está garantido. Essa criançada vai manter o carnaval vivo, vai manter essa cultura viva por muitos anos ainda”, afirmou.

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Renê destacou ainda que o crescimento da escola de samba deve ser indissociável do progresso dos moradores. “Um instituto como esse tem uma importância muito grande para o Complexo do Alemão, para o subúrbio, para a Zona Norte e para toda a região da Leopoldina, principalmente porque enxergamos oportunidades para o futuro. Não existe a possibilidade de uma escola de samba não ser construída junto com a comunidade. É necessário que a comunidade cresça junto com a escola e que haja essa aproximação. A Imperatriz, por muitos anos, teve esse distanciamento da comunidade, e quando a gestão da Cátia assumiu, fez questão de aproximar cada vez mais a escola dos moradores, trazendo a Imperatriz para dentro da comunidade e do bairro. Isso faz toda a diferença, porque mostra as possibilidades de crescimento, de oportunidades e de um futuro melhor para todo mundo”, concluiu.