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‘É um sonho de 40 anos!’ Fernando Horta celebra construção da nova quadra da Unidos da Tijuca

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Fotos: Juliane Barbosa/CARNAVALESCO

A Unidos da Tijuca começa a transformar em realidade um dos sonhos mais antigos de sua comunidade. As obras da nova quadra da escola, na Gamboa, região central do Rio de Janeiro, já estão em andamento e representam um passo histórico para uma agremiação que há décadas busca ter novamente uma casa própria. Mais do que uma mudança de endereço, o novo espaço foi planejado para ampliar a atuação da escola no carnaval, fortalecer os projetos sociais e aproximar a Unidos da Tijuca da população que vive e trabalha no coração do samba.

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A nova quadra estará em uma região estratégica para o carnaval carioca, próxima à Cidade do Samba, onde ficam os barracões das escolas do Grupo Especial. A localização também coloca a Unidos da Tijuca ao lado de importantes referências do carnaval, criando novas possibilidades de convivência entre comunidade, trabalhadores, público e agremiação.

Para o presidente Fernando Horta, a construção representa a realização de um sonho que acompanha sua trajetória à frente da escola há quatro décadas. O dirigente também revelou a expectativa de concluir a obra em aproximadamente 280 a 300 dias e afirmou que a Unidos da Tijuca tentará antecipar a entrega.

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“É um sonho. Pelo menos para mim, é um sonho de 40 anos. Acho que agora, finalmente, essa felicidade vai sair do papel. Será uma das maiores realizações da minha vida poder deixar para a minha comunidade, para a Unidos da Tijuca, a tão sonhada casa própria. A previsão é que a obra seja concluída em aproximadamente 280 a 300 dias. Vamos tentar acelerar esse processo, e o construtor deve sair em janeiro. Nosso desejo é conseguir entregar antes do carnaval”.

O presidente revelou ainda que a intenção inicial era realizar o aniversário da escola, em 31 de dezembro, já no novo espaço.

“Inclusive, nosso projeto inicial era fazer o aniversário da escola, no dia 31 de dezembro, já nesse novo espaço. Vamos ver se conseguimos realizar esse sonho, mas, sem dúvida, já é um grande passo”.

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Além de receber os eventos da escola, a nova quadra terá uma função importante na relação da Unidos da Tijuca com a comunidade. Segundo Horta, a agremiação possui um contrato com a Prefeitura para a realização de ações sociais e pretende utilizar a estrutura para ampliar esse trabalho.

“E, depois que a quadra estiver pronta, também terá uma função muito importante para a escola e para a comunidade. Nós temos um contrato com a Prefeitura e precisamos realizar algumas ações sociais voltadas para a comunidade. Depois disso, acredito que a escola também terá um rendimento que poderá ajudar a financiar o nosso carnaval e as ações sociais que já desenvolvemos”.

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Horta também projeta uma utilização permanente do espaço e a transformação da nova quadra em um ponto de visitação ligado ao carnaval carioca.

“A nossa intenção é transformar esse espaço em um grande palco turístico, com a quadra aberta todos os dias, praticamente 24 horas por dia. Queremos que seja um lugar vivo, que receba a comunidade, o público e que esteja sempre funcionando. É um sonho que está começando a se tornar realidade”.

Gabriel Melo destaca reencontro da Tijuca com uma casa própria

O diretor de carnaval Gabriel Melo também vê o início das obras como a concretização de um sonho antigo da Unidos da Tijuca. Para ele, a nova quadra representa uma mudança importante para uma escola que, ao longo de sua história, precisou deixar sua comunidade de origem e encontrou nos Portões um espaço onde viveu momentos marcantes.

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“Eu acho que é a concretização de um sonho. As coisas começam a tomar forma. A Tijuca é uma escola de quase 100 anos. Passou pelo Borel por vários motivos, inclusive por uma questão de segurança pública na época, e precisou sair de lá. A escola se alojou aqui nos Portões, acho que em 1992, e ficou até hoje. Foi um lugar onde a Tijuca se fortaleceu, onde viveu momentos muito bons e conquistou três campeonatos do carnaval. Mas agora a gente recebe uma casa nossa, e isso tem um significado muito grande”.

Gabriel Melo também ressaltou o simbolismo de a Unidos da Tijuca voltar a ter uma casa própria justamente em uma área considerada central para o carnaval do Rio. O diretor lembrou ainda a proximidade com a Vizinha Faladeira e a história compartilhada entre as duas agremiações.

“Eu estava brincando e conversando com o Marquinhos Passos, presidente da Vizinha Faladeira, que é nossa vizinha. A Tijuca foi campeã em 1936 e a Vizinha Faladeira em 1937. Depois, as duas passaram por várias questões e dificuldades. A Tijuca, principalmente, viveu essa situação de ser uma escola que precisou sair da sua comunidade”.

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“Eu sei o que é, dia sim e dia não, estar aqui ao lado da Vizinha Faladeira. São duas matriarcas do carnaval, então acho que isso é simplesmente maravilhoso. A gente não faz esses passos por acaso. A gente está na casa do samba, com o corredor ali cheio das nossas bandeiras, podendo receber o nosso prefeito, a nossa bateria e o melhor mestre de bateria do carnaval do Rio de Janeiro, o mestre Casagrande, que a gente recebeu aqui. É um momento muito especial”.

Nova quadra terá projetos sociais e restaurante

A estrutura também deverá ampliar a presença da Unidos da Tijuca no cotidiano da região. Gabriel Melo destacou que a nova casa estará de frente para a Providência e poderá aproximar a escola dos projetos sociais desenvolvidos com crianças e da própria comunidade.

“E eu acho que essa nova casa também muda muito a relação da agremiação com o espaço. Primeiro porque estamos de frente para a Providência. A gente vai poder interagir muito mais com os projetos sociais, com o trabalho das crianças, com o chão da escola. É um espaço maior, mais estruturado e que permite uma interação muito maior com a comunidade”.

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A proposta também contempla quem trabalha na região da Gamboa e no entorno da Cidade do Samba. Segundo Gabriel, a intenção é fazer com que essas pessoas também tenham a possibilidade de ocupar o espaço da escola.

“E, claro, os trabalhadores também devem estar gostando, porque existe uma massa de pessoas que trabalha aqui e que vai poder ocupar e transformar esse espaço. Dentro do projeto, teremos um restaurante que vai funcionar durante a semana inteira. O Marquinhos ArtSamba, que é o melhor do Rio, já está lá, já está envolvido”.

Para o diretor de carnaval, a nova quadra poderá estabelecer uma relação ainda mais próxima entre a escola e a população que vive ou trabalha na região.

“Essa galera que mora aqui, que reside e trabalha aqui, também vai ter uma escola de samba para chamar de sua. Acho que esse é um dos grandes significados dessa nova casa para a Unidos da Tijuca”.

Exemplo! Niterói antecipa planejamento para o Carnaval 2027 e libera recursos para as escolas de samba

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Foto: Luciana Carneiro/Prefeitura de Niterói

Mais tempo para planejar, criar, construir alegorias, produzir fantasias e levar ainda mais brilho para a avenida. Pela primeira vez, Niterói inicia a preparação do Carnaval com cerca de 120 dias de antecedência. Até sexta-feira, a Prefeitura vai liberar 80% da subvenção destinada às escolas de samba. Os 20% restantes serão pagos em novembro. A antecipação inédita tem como objetivo permitir que as agremiações tenham mais tempo para organizar barracões, contratar profissionais, comprar materiais e desenvolver os projetos que serão apresentados nos desfiles dos dias 29, 30 e 31 de janeiro de 2027, na Passarela do Samba, no Caminho Niemeyer.

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A decisão também acompanha a mudança no calendário da festa, que na última década vem crescendo a cada ano e se transformando em um dos maiores eventos do estado. Como o Carnaval de Niterói acontecerá no final de janeiro, a Prefeitura antecipou o processo de preparação. O objetivo é dar previsibilidade às escolas e permitir que cada etapa da produção seja executada com mais planejamento. Os preparativos para o Carnaval 2027 começaram em maio, quando foi realizado o sorteio da ordem oficial dos desfiles. A organização antecipada é mais uma etapa no processo de profissionalização da festa.

O prefeito Rodrigo Neves destacou que a antecipação dos recursos representa uma nova etapa na organização do Carnaval da cidade.

“Queremos fazer o melhor Carnaval da história de Niterói. Para isso, planejamento é fundamental. Estamos antecipando um processo que antes acontecia muito mais perto do desfile e garantindo que 80% dos recursos cheguem às escolas agora, com o restante sendo pago em novembro. Isso dá tranquilidade para os presidentes, carnavalescos e profissionais começarem a trabalhar com tempo, pesquisarem preços, comprarem materiais, organizarem seus barracões e desenvolverem seus projetos com a qualidade que o nosso Carnaval merece. O Carnaval é uma das manifestações mais importantes da nossa cultura popular e mobiliza comunidades inteiras, gerando trabalho e renda. Antecipar os recursos é garantir planejamento, respeito e condições para que essa festa continue crescendo, se profissionalizando e ganhando cada vez mais força em Niterói”, afirmou Rodrigo Neves.

O presidente da Comissão de carnaval de Niterói, Paulo Bagueira, afirmou que a antecipação representa um momento histórico para a festa.

“Quem acompanha o carnaval de Niterói sabe o quanto essa caminhada foi longa. Foi uma construção feita com muita luta, diálogo e persistência. Hoje conseguimos chegar a um momento em que as escolas sabem com antecedência quando terão os recursos e o avanço na organização é resultado de um processo contínuo de fortalecimento da festa. O Carnaval não começa na avenida. Ele começa meses antes, nos barracões, nas quadras, nas comunidades e no trabalho diário de centenas de pessoas. Nossa luta é para aperfeiçoar cada vez mais essa festa popular, melhorar as condições de trabalho das escolas, avançar nas questões dos barracões, cumprir os prazos e garantir que cada agremiação tenha condições de mostrar todo o seu potencial. O Carnaval de Niterói vive um momento muito importante e queremos continuar avançando”, reforçou Bagueira.

A Prefeitura vai investir R$ 3,5 milhões diretamente em 22 escolas de samba que participarão das séries Ouro, Especial e Prata. As quatro agremiações do Grupo de Avaliação não recebem subvenção. O presidente da Niterói Empresa de Lazer e Turismo (Neltur), André Bento, destacou que a antecipação fortalece o planejamento das escolas de samba.

“Esse anúncio representa muito mais do que a antecipação de um recurso. É resultado de um processo de profissionalização e planejamento do Carnaval de Niterói que temos construído junto às escolas ao longo dos últimos anos. Estamos dando previsibilidade para que elas possam contratar profissionais, comprar materiais e organizar seus projetos com muito mais segurança e qualidade. O Carnaval de Niterói hoje é planejado com antecedência: tivemos regulamento, edital, chamamento público e o processo administrativo realizado meses antes da festa. Isso é uma mudança de cultura e coloca Niterói certamente entre as cidades que mais cedo estruturam seu Carnaval no Brasil”, disse André Bento.

O presidente da União das Escolas de Samba e Blocos Carnavalescos de Niterói (UESBCN), Marcelo Serpa, afirmou que receber a maior parte dos recursos com antecedência muda completamente o trabalho das agremiações.

“Para uma escola de samba, receber o recurso com essa antecedência faz muita diferença. A gente consegue planejar melhor, pesquisar preços, comprar materiais com calma, contratar profissionais e evitar aquela correria das últimas semanas. Ter 80% da subvenção agora permite fazer um trabalho mais organizado e mais bem acabado. Isso, com certeza, vai aparecer na avenida e contribuir para um Carnaval ainda mais bonito”, afirmou Marcelo Serpa.

Lei garante patrocínio transparente

Em Niterói, a Lei Municipal 192/23 define oficialmente a subvenção às escolas de samba, blocos e carnavais de rua da cidade. A norma estabelece o calendário de pagamento a ser feito pela Prefeitura, com reajuste anual pelo IPCA, e determina que os recursos sejam aplicados exclusivamente na produção do Carnaval, seguindo os princípios da administração pública. Estão vedados gastos com festas, churrascos, bebidas alcoólicas ou despesas correlatas. Além disso, as agremiações devem prestar contas da verba recebida e desenvolver atividades educativas, como ensaios abertos, oficinas, palestras e exposições, garantindo o fortalecimento da cadeia produtiva do carnaval.

Ordem dos desfiles do Carnaval de Niterói 2027

SÉRIE OURO — Sexta-feira, 29 de janeiro
1ª – G.R.E.S. Sabiá
2ª – G.R.E.S. Cacique da São José
3ª – G.R.E.S. Unidos da Região Oceânica
4ª – G.R.E.S. Tá Rindo Por Quê?
5ª – G.R.E.S. Combinado do Amor
6ª – G.R.E.S. Unidos do Sacramento
7ª – G.R.E.S. Garra de Ouro

GRUPO ESPECIAL — Sábado, 30 de janeiro
1ª – G.R.E.S. Banda Batistão
2ª – G.R.E.S. Souza Soares
3ª – G.R.E.S. Império de Charitas
4ª – G.R.E.S. Império de Araribóia
5ª – G.R.E.S. Magnólia Brasil
6ª – G.R.E.S. Experimenta da Ilha da Conceição
7ª – G.R.E.S. Folia do Viradouro
8ª – G.R.E.S. Alegria da Zona Norte

SÉRIE PRATA — Domingo, 31 de janeiro
1ª – G.R.E.S. Data Vênia Doutor
2ª – G.R.E.S. Paraíso do Bonfim
3ª – G.R.E.S. Acadêmicos da Ponta da Areia
4ª – G.R.E.S. Bem Amado
5ª – G.R.E.S. Galo de Ouro
6ª – G.R.E.S. Balanço do Fonseca
7ª – G.R.E.S. Mocidade Independente de Icaraí

Almir Reis minimiza ser a segunda de domingo e revela o que considera decisivo para a Beija-Flor no Carnaval 2027

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Almir Reis, presidente da Beija-Flor. Foto: Juliane Barbosa/CARNAVALESCO

Com o samba-enredo do Carnaval 2027 já escolhido, a Beija-Flor entra na reta de preparação para o desfile com a responsabilidade de transformar a obra vencedora em um dos pilares de sua apresentação na Marquês de Sapucaí. A Beija-Flor levará para a Avenida o enredo sobre Zeneida Lima, desenvolvido pelo carnavalesco João Vitor Araújo. Em entrevista ao CARNAVALESCO durante a final realizada pela escola, o presidente Almir Reis destacou o peso que atribui ao samba na construção do carnaval da agremiação. Para o dirigente, a obra precisa ter força e, principalmente, manter uma conexão direta com a identidade construída pela Beija-Flor ao longo de sua história.

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“A Beija-Flor, se não tiver um samba valente, que faça parte da história e da essência da Beija-Flor, não vai. O samba é praticamente 50% do carnaval, e os outros 50% são os demais segmentos. Mas, se você acertar o samba, você tem praticamente uma fórmula perfeita”, afirmou.

* LEIA AQUI: Incorporada! Beija-Flor escolhe samba da parceria de Marquinhos Beija-Flor para o Carnaval 2027

A declaração de Almir Reis foi dada no momento em que a escola definia seu samba-enredo para o Carnaval 2027. Com a escolha já realizada, a obra passa agora a integrar a preparação dos diferentes segmentos para o desfile.

Presidente minimiza peso de ser a segunda a desfilar no domingo

A Beija-Flor será a segunda escola a desfilar no domingo de carnaval. Para Almir Reis, a posição na ordem de apresentação não deve ser encarada como um fator determinante para o resultado do desfile. O presidente classificou como um mito a ideia de que o domingo seja necessariamente um dia desfavorável para uma escola de samba.

“A gente já está muito tempo nisso de dizer que o domingo não é bom. Sempre existiu aquele mito de que, no domingo, ninguém é carnaval, que o domingo é ruim. Só que hoje, na verdade, cada dia tem uma escola campeã. Essa é a grande realidade”, afirmou.

Almir Reis reconheceu que a comparação entre as apresentações é inevitável, mesmo com a avaliação sendo feita individualmente pelos julgadores.

“Por mais que a gente saiba que não é um carnaval comparativo, o dia não tem como escapar. Se você fizer um bom carnaval no seu dia, você sai dali com uma nota máxima. Depois, a gente vê, no final, o que vai acontecer”, completou.

 

‘Carnaval como Método’: exposição leva ao MAM obras inéditas de seis carnavalescos

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Fotos: Marcos Marinho/CARNAVALESCO

O que nasce no barracão agora ocupa as paredes e os salões do museu. Em cartaz no MAM-Rio desde o último dia 19 de setembro, a exposição “Carnaval como Método” propõe olhar para o processo criativo das escolas de samba. Com curadoria de Raquel Barreto, Pablo Lafuente e Phelipe Rezende, a mostra reúne obras inéditas encomendadas de seis carnavalescos em atividade: André Rodrigues, em colaboração com Juliana Joannou, Annik Salmon, Antônio Gonzaga, Gabriel Haddad e Leonardo Bora e Thayssa Menezes. Quem for ao museu encontrará ainda desenhos, croquis, figurinos e fotos de desfiles assinados pelos carnavalescos Joãosinho Trinta (1933-2011), Maria Augusta Rodrigues (1942-2025) e Rosa Magalhães (1947-2024), além de pinturas de nomes fundamentais da cultura carnavalesca, como Heitor dos Prazeres (1898-1966), Antônio Caetano (1900-1982) e Nelson Sargento (1924-2021).

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A exposição parte do reconhecimento dos carnavalescos como artistas visuais e busca inserir no circuito institucional das artes uma produção, embora fundamental para a cultura brasileira, ainda pouco presente nos espaços dos museus. Se um visitante entrar na exposição sem saber o que esperar, uma das primeiras coisas que irá notar é que nenhuma obra ali tem um único nome debaixo do título. É proposital. Para a curadora Raquel Barreto, a coletividade é uma das chaves de leitura de “Carnaval como Método”: uma arte feita por um exército de mãos que raramente aparece nos créditos.

“O método do carnaval está acontecendo aqui, agora, nesse momento”, resumiu. “Nessa exposição de carnaval, primeiro, nenhum trabalho é de uma pessoa só, é de uma grande coletividade que pensa e executa”.

Segundo ela, durante a própria montagem da mostra, a coletividade foi se impondo como modo de trabalho: “Enquanto um cortava madeira, outro pintava a parede, outro montava alguma coisa, tudo acontecendo ao mesmo tempo, num lugar aberto, com as pessoas passando e vendo a montagem da exposição”.

O paralelo com o barracão é direto. Assim como um carro alegórico ou uma fantasia passa por dezenas de mãos antes de entrar na avenida, cada obra exposta no MAM carrega uma ficha técnica extensa, quase sempre ausente das paredes tradicionais dos museus.

“Todas as obras têm um grupo de pessoas que as constrói. Isso fica muito explícito aqui”, explicou Raquel. “Isso contrasta com os processos das artes visuais às vezes: se você vai à exposição da coleção do museu, vê o nome do artista, o título da obra, e pronto. Você não tem informação sobre as pessoas que fizeram parte da construção”.

Além da ficha técnica, o público pode conhecer quem faz o carnaval por meio dos depoimentos reunidos na obra de André Rodrigues, criada em colaboração com Juliana Joannou. O trabalho remonta um ateliê de fantasias com quatro peças em branco que vão ganhar cores e adereços com a participação do público. Na tela ao fundo do ateliê montado no MAM, aderecistas contam, em primeira pessoa, como o trabalho de barracão se transforma em desfile.

André Rodrigues e Juliana Joannou

“Quando a gente traz um ateliê para cá, a gente não está trazendo a realidade do ateliê; é até romântica a maneira como ele se coloca dentro do museu: uma mesa perfeita, um lugar limpo, climatizado. Isso não é a realidade da imensa maioria dos ateliês que fazem carnaval”, ponderou André Rodrigues. “É importante que, enquanto as pessoas participam, elas ouçam quem realmente faz; ouçam as trajetórias, pensem criticamente sobre o lugar do aderecista, sobre o lugar de quem está fazendo o carnaval acontecer”.

Do barracão para a galeria

Cada um dos seis carnavalescos convidados respondeu à encomenda do museu com o vocabulário que desenvolve na avenida. Annik Salmon, que assina o carnaval da São Clemente em 2027, apresenta a escultura de uma baiana na qual os visitantes poderão entrar debaixo das saias das matriarcas do samba.

Um convite, segundo ela, para “entrar nesse ventre das grandes mulheres, das grandes iabás, das grandes orixás do carnaval”. Já Antônio Gonzaga, carnavalesco da Grande Rio, apresenta a escultura dos Meninos Peixes, resultado de uma pesquisa pessoal do artista que, segundo os curadores, “ganha muito na escala” ao sair da avenida para o museu.

A dupla Gabriel Haddad e Leonardo Bora, à frente da Unidos de Vila Isabel, ocupa a mostra com um conjunto de quatro obras que dialogam diretamente com os nomes históricos da exposição. Em “Devir-Devorar”, os dois revisitam técnicas de empastelamento em desuso nos barracões para homenagear o traço de Rosa Magalhães. Uma escultura de isopor de uma onça alada ganha os desenhos de Rosa Magalhães, referência recorrente ao animal em seus desfiles.

“Orbis” recria em espiral a escada do MAM usando fibra de vidro cristal, material que expande a luz e remete à pesquisa de colorimetria de Maria Augusta Rodrigues.

“Não são obras em homenagem; não se trata de monumentalizar, mas de reinterpretar sistemas simbólicos que, de alguma forma, a gente absorveu e vem trabalhando ao longo da nossa trajetória”, resumiu a dupla.

Thayssa Menezes leva para o museu uma obra dedicada à memória de mestres e mestras que, segundo ela, “pavimentaram o caminho” do carnaval. Entre eles, Manuel Dionísio, tia Surica, tia Glorinha, Cartola, dona Neuma, dona Zica e o próprio tio da carnavalesca, o carnavalesco Shanghai, que assinou desfiles em comissão na Beija-Flor.

Thayssa Menezes leva para o museu uma obra dedicada à memória de mestres e mestras

“Não dá para a gente construir nada sem lembrar de quem veio antes”, disse Thayssa, para quem a peça funciona como “um dispositivo de não esquecer, um dispositivo reparatório, de memória”.

Para o curador Pablo Lafuente, trazer essas produções para o MAM também obriga o museu a rever a própria forma de trabalhar.

“O ato de comissionar uma obra, de convidar um artista para fazer algo especificamente para um museu, que é o que a gente faz normalmente com outros artistas, eu não acho que tenha sido feito nunca nessa escala”, afirmou. Segundo ele, o convite partiu de uma provocação simples: “A gente pensou: vamos convidar os carnavalescos não para mostrar algo que foi feito para a avenida, mas para fazer algo feito para o museu”.

Phelipe Rezende, o terceiro nome da curadoria, coordenou a pesquisa que uniu os artistas contemporâneos aos nomes históricos e aos pintores populares reunidos na mostra.

“O tratamento que damos à Rosa, ao Joãosinho, à Maria Augusta e aos demais artistas que estão aqui apresentando suas obras, é o status de artista”, explicou. “Estamos mostrando que o carnaval é o tema que atravessa a trajetória de cada um deles, seja nas pinturas, nos documentos, nos desenhos, nos croquis ou nas obras tridimensionais. Eles estão no mesmo patamar, sem subcategorização, sem hierarquia”.

Linhagem na parede

A mostra também traça uma genealogia. Ao lado das obras inéditas, estão desenhos, croquis e figurinos de Joãosinho Trinta, Maria Augusta Rodrigues e Rosa Magalhães, nomes que ajudaram a consolidar a figura do carnavalesco como autor. Peças dos acervos de Valtemir Valle e Claudio Urbano Medeiros completam o núcleo.

O mezanino reúne figuras do samba que também pintavam: Antônio Caetano, Gisa Nogueira, Heitor dos Prazeres, João da Baiana, Mestre Saul, Miguel Moura, Monsueto Menezes, Nelson Sargento e Raquel Trindade. O conjunto lembra que a relação entre carnaval e artes visuais não começou agora, apenas demorou a ser reconhecida pelas instituições.

“Ajuda a pensar o método do carnaval que envolve multidisciplinaridade”, disse Raquel Barreto sobre a seção. “Há algo no método do carnaval que implica multidisciplinaridade; pessoas que, especialmente antigamente, faziam muitas coisas ao mesmo tempo, estavam envolvidas em muitas frentes”.

Para Raquel Barreto, o que a exposição propõe é menos uma homenagem do que uma mudança de olhar. “Acho que é inclusive problemático, para o campo das artes visuais e para os curadores, não reconhecer internamente a importância histórica dos carnavalescos do passado e a relevância dos carnavalescos como artistas contemporâneos”, disse ela. Uma provocação que, segundo os três curadores, é o que fica depois que as luzes da exposição se apagarem em fevereiro de 2027.

Vai-Vai revela fantasias e promete resgatar o estilo dos carnavais passados

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O Vai-Vai reuniu toda a sua comunidade na Arena Uirapuru para apresentar os protótipos de fantasias para o Carnaval 2027. O evento contou com uma estrutura que aproximou os figurinos dos componentes, permitindo que conhecessem de perto parte da identidade visual que será levada para o desfile. A escola trará o enredo “3 Obás de Xangô – A Mãe Bahia em Cantos, Cores e Memórias”, que terá homenagem a três figuras da cultura brasileira e da Bahia: o escritor Jorge Amado, o pintor Carybé e o músico Dorival Caymmi. O desfile será assinado pelos carnavalescos Alexandre Louzada e Victor Santos.

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Veja galeria de fotos (clique em cada imagem para ampliar – Fotos: @woody_henrique/@sambanapista)

Louzada explicou ao CARNAVALESCO que o trabalho buscou criar uma identidade própria para cada personagem homenageado no enredo, sem colocar o luxo como único objetivo da criação.

“A gente não priorizou o luxo pelo luxo, e sim a coerência de cada personagem do enredo. Talvez, em separado, cada fantasia tenha a sua identidade, mas, no conjunto, você entende a obra como um todo. Eu procurei uma identidade maior com cada personagem, com cada homenageado, e uma pegada dos carnavais dos anos 1990”, afirmou Louzada.

A proposta, de acordo com o artista, é unir impacto visual e aspectos técnicos na construção do desfile. Entre os destaques apontados pelo carnavalesco está a fantasia da bateria, pensada como um resgate de um estilo que, segundo ele, era mais comum nas baterias de escolas de samba em outros períodos.

“Hoje é o minimalismo que impera e o subjetivismo. Mas nós conseguimos conciliar a grandiosidade com a prática. Eu tenho uma fantasia especial que me toca, ainda mais pelo personagem e como ela ficou pronta, que, para mim, é a ala das crianças”, disse Louzada.

Comunidade no centro da apresentação

A realização da festa também teve como objetivo aproximar os componentes do projeto antes do desfile. Fernando Penteado, um dos integrantes da direção de carnaval do Vai-Vai, afirmou que os próprios integrantes cobravam a apresentação dos protótipos. Ele contou que a união entre samba e fantasias ajudou a criar uma identificação maior entre o projeto e os componentes.

“A comunidade já estava nos cobrando, porque a gente faz essa apresentação de protótipo geralmente no final de agosto. O samba que o povo queria, o povo escolheu, e a gente viu aí o que vai acontecer na avenida”, contou Penteado.

A participação dos componentes também foi destacada por Louzada. Segundo o carnavalesco, a escolha do samba ajudou a fortalecer o sentimento de pertencimento em relação ao projeto.

“É um resgate que a gente quer fazer da alegria, do sentimento do componente do Vai-Vai, do orgulho que ele tem da sua escola”, disse Louzada.

Produção já está em andamento

Apesar de os pilotos terem sido apresentados durante a festa a construção do Carnaval 2027 já está em andamento. De acordo com Fernando Penteado, os figurinos estão sendo preparados nos ateliês e as alegorias avançam no barracão.

“Todas as fantasias já estão nos ateliês, estão em fase de construção. As alegorias estão em preparo no barracão e, realmente, a cada dia a gente vê uma coisa mais pronta. Essa apresentação já foi realmente para apresentar para a comunidade e ver como o componente vai se portar. Se a fantasia está leve, se não está, se entortou aqui, se entortou ali, então tudo isso vai ser corrigido para chegar na avenida”, explicou Penteado.

Direção formada por diferentes setores

A preparação do Vai-Vai para 2027 também envolve a atuação conjunta de diferentes profissionais e setores da escola. Penteado destacou o trabalho da direção de carnaval, citando Miguel Biondi, Kaxitu Campos e todos da equipe, além da integração com as direções de harmonia, barracão e alegorias.

“Porque a gente não está sozinho, temos uma grande equipe. Amanhã nós teremos uma reunião lá no barracão para ver que fantasia precisa mexer, mas o nosso diretor de barracão, diretor das fantasias, é o Marcão. Ele nos ouve muito, é uma pessoa bem aberta. Junto com os carnavalescos Louzada e Victor, que estão sempre no barracão e sempre vendo”, destacou Penteado.

Expectativa para 2027

A experiência do desfile de 2026 também foi citada. Penteado afirmou que a intenção para o próximo carnaval é evitar o acúmulo de problemas durante o processo de preparação e chegar à avenida com o projeto organizado. Para ele, mais do que a avaliação dos jurados, a obrigação da escola é apresentar um grande espetáculo para o público e para a sua comunidade.

“A obrigação de qualquer escola de samba, e a nossa, Vai-Vai, é dar espetáculo. O jurado acha que um décimo ali, outro décimo aqui, mas a gente tem o dever cumprido de fazer um espetáculo. A comunidade Vai-Vai pode esperar. É o Vai-Vai de dez anos atrás. Nós vamos mostrar realmente um grande Carnaval, com respeito a todas as outras entidades. Esse ano nós vamos para a briga”, garantiu Penteado.

Alcione, Leci Brandão, Bethânia e Daniela Mercury gravam samba da Mangueira para o Carnaval 2027

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Foto: Divulgação/Mangueira

Um encontro de gigantes da música brasileira promete dar ainda mais força ao samba-enredo da Estação Primeira de Mangueira para o Carnaval 2027. Alcione, Maria Bethânia, Daniela Mercury e Leci Brandão participam da gravação da obra que a Verde e Rosa levará para a Avenida. A reunião das quatro artistas ganha um simbolismo especial: Alcione, Leci, Bethânia e Daniela são mulheres que carregam a força de Oya, justamente o orixá que inspira o enredo da Mangueira para 2027. Quatro trajetórias fundamentais para a cultura brasileira e uma mesma conexão de fé e ancestralidade.

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A gravação transforma o samba da Verde e Rosa em um encontro histórico de gerações e referências da música nacional. Com esses nomes, a Mangueira já começa a colocar na voz de grandes mulheres a força do seu próximo Carnaval.

“Esse é um daqueles encontros que traduzem a potência da nossa história. São quatro mulheres que construíram trajetórias fundamentais na cultura brasileira e que carregam, cada uma à sua maneira, uma profunda conexão com a ancestralidade e com Oyá. Ter essas vozes conosco no Carnaval 2027 é uma honra e também uma forma de reafirmar a força e a atualidade da nossa escola”, finaliza Guanayra Firmino, presidenta da Estação Primeira de Mangueira.

Camarote Bar Brahma lança camiseta do Carnaval 2027 e revela novidades para São Paulo

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Fotos: Will Ferreira/CARNAVALESCO

Espaço mais tradicional do carnaval de São Paulo, o Camarote Bar Brahma teve mais um importante evento para o ciclo da folia em 2027. A marca lançou, na última quinta-feira, durante o desfile da LED, no União Fraterna, salão de festas localizado na região da Água Branca, Zona Oeste de São Paulo, a camiseta do local para os próximos desfiles. Presente em eventos importantes para marcas reconhecidamente próximas do carnaval de São Paulo, o CARNAVALESCO compareceu ao evento e entrevistou personalidades importantes para a folia paulistana.

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Olhar de quem entende

A família Aoas é a responsável por criar uma identidade que une quem tem um poder aquisitivo maior e é capaz de desfrutar da maior festa popular do planeta com mais conforto e entretenimento. Álvaro fundou o Camarote Bar Brahma, que está presente desde 2001 no Anhembi e há anos ocupa todo o setor J do Sambódromo do Anhembi – o primeiro à direita de onde entram as escolas de samba. Hoje, quem também cuida da marca que está ligada ao igualmente tradicional bar do Centro de São Paulo, localizado na mais famosa esquina do país (das avenidas Ipiranga e São João), é Cairê, filho do idealizador e sócio-fundador da Diverti Eventos, empresa que faz a realização, produção e gestão do CBB, abreviatura do Camarote.

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Se a cervejaria é muito conhecida pela cor vermelha, há algum tempo o Camarote busca ter uma identidade própria e se aproximar das escolas de samba. O lançamento das camisetas, por exemplo, tornou-se um momento fundamental para a divulgação do espaço para a temporada seguinte. A de 2027, por exemplo, é marcada pelas cores azul e amarelo em tons pastéis: “Todo ano a gente, como camarote, mergulha num universo temático e criativo diferente. Isso permite que a gente brinque com a criação do carnaval e do camarote. Essa brincadeira nos dá prazer de criar todo ano uma coisa nova, uma história nova. Seja na comunicação visual, seja na cenografia, seja no line-up de quem vai tocar. E isso cria um enredo: assim como as escolas de samba têm um enredo todos os anos, a gente gosta dessa brincadeira de ter um enredo. A camiseta passa por isso. A camiseta é a peça mais importante desse enredo, porque é o que as pessoas vestem e é quase o que permite às pessoas se transformarem durante aquele período no camarote numa coisa diferente, no que elas quiserem ser. E, nesse ano, a gente está trazendo o enredo ‘Somos Feitos de Brasil’, que é trazer a brasilidade, falar um pouco do Brasil, da sua essência, do brasileiro, de todas as formas. Por isso uma camiseta colorida. Acho que o Brasil é diverso, o Brasil é plural, o Brasil é colorido, o Brasil é natural e é musical. Por isso uma camiseta colorida que tenta representar tudo isso”, explicou.

Inovação e entretenimento

Cairê aproveitou para destacar algumas das principais atrações do espaço para 2027: “Todo ano tem novidades, seja no show, seja na cenografia. No line-up que a gente está divulgando agora, também traduzimos um pouco do conceito de ‘Somos Feitos de Brasil’. Temos, como artistas confirmados, Zeca Pagodinho, João Gomes e Ludmilla, mas já temos todos os nomes definidos e tenho certeza que o público vai adorar cada um deles. E temos o Ivo Meireles como embaixador de novo no Camarote Bar Brahma, todos os dias. Essa é uma das novidades legais que a gente está trazendo para o carnaval”, enumerou.

A reportagem do CARNAVALESCO teve acesso aos outros artistas que estarão no line-up do Camarote Bar Brahma e atesta que, de fato, são cantores muitíssimo identificados com o carnaval de modo geral.

Carnaval o ano inteiro

Tal qual acontece nas escolas de samba, o Bar Brahma (o que, naturalmente, inclui o Camarote) também se movimenta ao longo de todos os dias em prol da folia. Cairê destaca algumas das ações que são realizadas pela marca: “O Bar Brahma respira carnaval o ano inteiro. A gente acabou de abrir uma unidade do Bar Brahma na região da avenida Paulista, dedicada exclusivamente ao samba. A gente projetou um bar, na Paulista, para o samba. Isso traz para a gente um ponto de contato com o carnaval ao longo do ano inteiro. A gente tem a nossa programação musical com Fundo de Quintal todas as sextas-feiras, por exemplo. Tem Ivo Meirelles com o Xande de Pilares todas as segundas-feiras, também. A gente tem Salgadinho, Dudu Nobre, Luciana Mello… a programação inteira é pensada para o samba, e vários desses artistas conversam com o carnaval. Mais perto do carnaval, no mês que antecede, a gente faz um calendário de esquentas no Camarote, no Bar Brahma do Centro e, nesse ano, também no Bar Brahma da Paulista. A gente faz um bloco de carnaval na rua junto com o pessoal do Renaissance e temos o receptivo do Camarote no Expo Center Norte. Tem muita atividade ligada ao carnaval. Hoje estamos aqui no desfile da LED, aproveitando para lançar a nossa camiseta e falando um pouquinho de samba. A nossa conversa com o samba dura o ano inteiro”, afirmou.

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A nova unidade do Bar Brahma, citada por Cairê, fica na rua Luis Coelho, primeira rua paralela à Avenida Paulista, sentido Centro, pouco antes da esquina com a rua Bela Cintra. Já o hotel Renaissance fica na Alameda Santos, primeira rua paralela à Paulista, sentido Jardins. Os dois locais ficam a cerca de 500 metros de distância um do outro. Já o receptivo citado pelo empresário fica a cerca de quatro quilômetros do Sambódromo e oferece open bar e open food antes e depois da ida para o Anhembi, transfer para os desfiles, espaço beauty para maquiagem, customização de abadás, atrações musicais e ativações de marcas parceiras.

Avenida e camarote unidos

Diversas pessoas que desfilam em escolas de samba também se fazem presentes no Camarote Bar Brahma. Uma das celebridades mais identificadas com o espaço é Simone Sampaio. Conhecida como Rainha das Rainhas, ela foi eleita Rainha do Carnaval de São Paulo em 1998 e 1999 e esteve à frente de baterias de escolas como Nenê de Vila Matilde e Dragões da Real. Citando pessoas importantes para o espaço, ela destacou a importância histórica que o local possui para a folia paulistana: “A história do Camarote Bar Brahma meio que se confunde com a história da avenida pelo tempo e por todo o crescimento que veio acompanhando o Carnaval de São Paulo para ambos se tornarem essa grande potência. A gente vive dentro do Bar Brahma um momento muito especial, e eu falo isso porque hoje eu participo efetivamente, não só como uma foliã. É sempre muito prazeroso! A gente tem feito um trabalho não só de inclusão: se você for perceber, se você olhar a fundo (e eu falo porque eu já tive várias conversas com o Cairê, com o Álvaro, com a própria Luíza [Cabral, Head de Comunicação do Camarote Bar Brahma e da Diverti], que é uma pessoa que respeita muito isso e entende o que é o Camarote Bar Brahma dentro da avenida”, detalhou.

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Citando pessoas diretamente ligadas à folia, Simone também pontuou ativações feitas para apresentar as escolas de samba para quem está no Camarote Bar Brahma: “Não é só um camarote para que as pessoas venham de fora assistir, em uma dessas entrevistas: a festa vem da avenida para dentro do camarote e do camarote para a avenida, integrando, trazendo mais de nós. Eu já sou uma dessas pessoas, a própria Thelminha, durante muitos anos a Sabrina Sato, a Ivi Mesquita, a Erika Moura e o Léo Santana, que é um dançarino exímio, com o próprio espaço dentro do camarote. No ano passado, foi reservado o espaço para a Nenê de Vila Matilde fazer show, tivemos quizzes dentro do camarote e eu mesma participei: nós falamos e perguntamos quem foi a primeira rainha de bateria, por exemplo. Nós entregamos brinquedos para os foliões, que vêm de todos os lugares que você possa imaginar. Perguntamos quem foi a primeira rainha de bateria, jogamos perguntas sobre as Velhas-Guardas e assim vai”, pontuou.

Vale destacar que o desfile da Nenê de Vila Matilde de 2026, intitulado “Encruzas – Nenê de corpo e alma no coração de São Paulo”, teve apoio do Bar Brahma.

Simone também fez questão de pontuar que, cada vez mais, o espaço faz questão de se fazer presente no cotidiano das agremiações: “Tem todo um projeto que a gente está levando para as quadras: o Camarote Bar Brahma também está indo para as quadras. Mais que antes, esse momento é um momento muito especial de fortalecimento, mas mais que isso: de mais conexão com a festa que está acontecendo lá fora. Sempre existe, com relação a camarote, a crítica de que as pessoas vão, assistem ao show e não participam do que está lá dentro. Sempre pensamos em como fazer com que isso aconteça e vamos trazer mais dos nossos, e esse ano tem novidades que eu ainda não posso falar, mas tem novidades com relação a inserir muito mais o sambista, mesmo. Isso é muito importante: fazer essa ponte, levar um pouco mais da nossa cultura, da nossa arte para dentro do camarote de maneiras mais efetivas. A gente tem trabalhado e tem mudado muito isso. Existe, já, uma movimentação muito bacana: além dos vários palcos, o Ivo Meirelles, que canta muito samba-enredo e tem mais de uma década de residência no Bar Brahma. Aí não fica só naquela de assistir só um show do Léo Santana (que também é carnaval): a gente insere o carnaval de São Paulo. Eu estou feliz de participar desse projeto, a gente tem caminhado e evoluído muito ao encontro do que realmente acontece na avenida”, afirmou.

Outras celebridades também se fizeram presentes no lançamento da camiseta do Camarote Bar Brahma. Ana Beatriz Godói, Rainha da “Bateria com Identidade”, do Rosas de Ouro, destacou que a evolução da folia paulistana e do espaço andam lado a lado: “É tão gigantesca a estrutura que eles montam! É o meu segundo ano como squad da marca e do camarote, eu consigo acompanhar de perto todo o trabalho para divulgação, que é feito ao longo do ano inteiro. É tudo muito pensado. Isso, para o carnaval de São Paulo, é maravilhoso. Nossa festa vem crescendo, se fortalecendo e provando que o Carnaval de São Paulo é muito grande. Uma marca como o Bar Brahma ter esse cuidado e esse olhar com o Carnaval de São Paulo, para a gente, enquanto sambista, é maravilhoso”, comentou.

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Por fim, Thelma Assis, a Thelminha, muito identificada com a Mocidade Alegre, sintetizou o status do local entre os sambistas: “Eu estou no Carnaval já tem um tempo e eu lembrava, quando eu era passista e passava na frente do Camarote Bar Brahma, eu tinha como um sonho de consumo sair do desfile e ir para lá curtir o resto da noite. O mundo deu voltas, coisas maravilhosas aconteceram na minha vida depois do BBB e eu volto como musa desse Camarote ao lado de Sabrina Sato, que é outro ícone no Carnaval. Eu me sinto muito feliz e muito lisonjeada. Eu curto o Carnaval de verdade, lá dentro do Camarote. Eu chego, me jogo na pista, brinco com um, brinco com o outro e como para caramba, porque não tem como não comer naquele lugar. A gente toma um pouquinho de cada coisa, levo as minhas amigas e os meus amigos… minha zona de conforto no Carnaval é o Camarote Bar Brahma”, finalizou.

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Tom Maior realiza primeiro ensaio de rua com destaque para o canto da comunidade

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A Tom Maior é uma escola de samba que, mesmo tendo a sua quadra, não abandona as ruas. É uma agremiação que sempre fez percursos por ruas e bairros onde esteve presente, mas fincou suas raízes de fato na Rua Sérgio Tomás. É um local cuja pista tem largura e comprimento parecidos com os do Sambódromo do Anhembi, possibilitando um ensaio que simula treinos técnicos e desfiles para valer. No último domingo, a escola realizou o seu primeiro ensaio de rua do ciclo do Carnaval 2027, visando aos seus objetivos para o próximo ano. O treino contou com um contingente razoável de pessoas, o que já permitiu perceber o entrosamento da comunidade com o samba-enredo. O elenco de segmentos esteve completo, com exceção do coreógrafo da comissão de frente, Gandhi Tabosa. Fato é que foi um ensaio benéfico para a comunidade já ir se acostumando com o cheio calendário da escola, que irá para a rua mais cinco vezes até o carnaval. O CARNAVALESCO conversou com as personalidades que estiveram presentes. Todos os segmentos fizeram uma avaliação positiva do ensaio.

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Importância do ensaio de rua, clima leve e samba encaixado

O presidente e mestre Carlão celebrou o contingente de pessoas no ensaio, além do desempenho da comunidade. Como comandante da “Tom 30”, também ficou satisfeito com o rendimento. “Ainda estamos em setembro. O ponto forte foi o clima da escola: um clima leve, de alegria, sem esquecer a parte técnica. O canto foi muito satisfatório, e a bateria fez o que estamos acostumados a fazer nos ensaios. Agora, teremos mais cinco ensaios de rua e mais dois ensaios técnicos no Anhembi, além de ensaios específicos. Acredito que estamos no início de um trabalho muito bom e não podemos perder tempo. O carnaval é cedo e precisamos cumprir as etapas no tempo correto”, comentou.

A Tom Maior sempre foi uma escola de rua. Agora, mesmo com a sua quadra, Carlão diz que não quer abrir mão dessa característica, pois o percurso permite à agremiação ensaiar para a pista do Anhembi. “Acredito que o ensaio de rua simula muito bem o desfile, principalmente pela distância. Hoje, fizemos um percurso completo de ensaio de rua com aproximadamente a mesma metragem do Anhembi, em torno de 560 a 580 metros. Procuramos fazer o percurso no tempo correto, independentemente da quantidade de pessoas. Sou um defensor do ensaio de rua porque ele simula muito o que vamos fazer no ensaio técnico e na avenida. Enquanto Deus permitir, não vamos abrir mão disso”, afirmou.

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Diferentemente dos outros anos, a Tom Maior optou por encomendar o samba de 2027. É uma obra com uma melodia muito mais acelerada, e o dirigente falou sobre isso. “Esse samba foi feito sob encomenda para a parceria do Turko e do Rafa do Cavaco, já pensando nisso. O enredo não é convencional e traz muito conhecimento sobre o alimento e sobre o produto, sobre o que o pão representou na história da humanidade e representa até hoje, além da simbologia em questões políticas e outros aspectos. Com isso, fizemos um samba realmente eletrizante, para cima. Acho que eles trouxeram um samba muito bom, e fizemos algumas alterações junto com eles. Para nós, para a nossa escola e para a nossa comunidade, esse samba se encaixou muito bem”, declarou.

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Presidente Carlão

Avaliação técnica

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A diretora de carnaval e harmonia, Érika Ferreira, declarou que ainda é preciso evoluir, pois este foi o primeiro ensaio de rua. Entretanto, deixou seus elogios ao canto da comunidade da Tom Maior. “Por ser o primeiro ensaio de rua da nossa escola, foi muito satisfatória a entrega da nossa comunidade, assim como a de toda a nossa harmonia, de todos os nossos chefes de ala, bateria, alegoria e todos os segmentos. Mesmo sendo o primeiro treino, hoje tivemos quase mil pessoas aqui conosco. O espaço que utilizamos é praticamente um pouco maior do que o Anhembi. Começou aquele calor, depois esfriou, mas a galera veio com muita disposição. Desde o primeiro ensaio, estamos com um corpo de avaliadores, que são pessoas amigas e profissionais que vieram avaliar o nosso desfile e o nosso trabalho. Ainda não sei qual foi o resultado, mas, vendo de fora, e por ser o primeiro ensaio, foi sensacional. Ainda não chegamos à evolução que queremos, mas, em nível de canto, que é o quesito Harmonia, a galera veio cantando muito”, comemorou.

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Diretora de carnaval e harmonia, Érika Ferreira

Falando sobre a importância de um ensaio de rua, a líder disse que leva a sério. “É uma questão técnica, porque é uma simulação da avenida. É claro que corremos alguns riscos, porque precisamos fechar a rua e ter as pessoas nos pontos certos para orientar os carros, mas é uma questão técnica mesmo, de fazer toda essa movimentação como se estivéssemos no Anhembi, simulando as nossas alegorias. É uma simulação muito importante para que, quando chegarmos lá, no dia 16 de janeiro, no nosso primeiro ensaio técnico, já estejamos preparados. Minha meta é chegar ao primeiro ensaio técnico com 95% da escola pronta”, contou.

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Érika também comentou a encomenda do samba-enredo para o Carnaval 2027. “Na realidade, foi uma decisão da diretoria. Nós decidimos, este ano, encomendar um samba. Juntando todas as nossas necessidades, tanto em relação ao enredo quanto à parte técnica do quesito e também aos patrocinadores, resolvemos fazer diferente este ano. Foi sensacional. Nós escolhemos dez dos nossos compositores e conseguimos transmitir para eles o que queríamos. Eles foram para o nosso barracão, juntamente com a nossa diretoria, comigo, o João, que é o nosso enredista, o nosso mestre Carlão, que também é presidente, e o Flávio Campello, nosso carnavalesco. Apresentamos para eles todo o projeto de carnaval: fantasias, alegorias. Eles viram tudo antes de fazer o samba, e isso facilitou a criação dessa obra maravilhosa que foi cantada hoje”, concluiu.

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Energia e acolhimento da escola

O intérprete Leozinho Nunes exaltou a energia da comunidade e, segundo o cantor, o ensaio de rua é importante por realmente ser uma simulação do desfile. “Deu para sentir a alegria e a energia da minha comunidade. Faltam ainda quatro meses para o carnaval, mas a minha escola, a minha comunidade, vem ensaiando bastante e se preparando. A entrega deles é sensacional. É o primeiro ensaio de rua em setembro e eu acho que a gente está dentro do tempo. Até porque o carnaval este ano é no início de fevereiro. A gente tem que ensaiar na rua agora para poder chamar o povo. O ensaio de rua é praticamente uma simulação do desfile, porque é na rua, é um percurso e tudo mais”, disse.

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Intérprete Leozinho Nunes

Leozinho rasgou elogios à ala musical, que agora é oficialmente liderada pelo diretor musical Beah Casanossa. “A energia na ala musical não para. O tempo inteiro. Foi uma hora e vinte sem parar. Vocês podem ver que eu não paro. O nosso diretor, o Beah, se ele vê alguém parado, fala: ‘Bora!’. É um chamando o outro. O time está bem unido. A gente faz reuniões on-line, estamos sempre juntos na quadra. Apesar de eu ser do Rio, eu estou sempre aqui. Esses dias eu cheguei na quinta-feira, nos encontramos sexta, ontem foi a gravação e hoje de novo. Sempre juntos”, enalteceu.

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O músico também exaltou a sinergia do carro de som com a bateria “Tom 30”, especialmente o tratamento recebido por ele. “Desde quando eu cheguei aqui, os diretores de bateria me abraçaram. E eu não andava com a ala musical, não. No início, eu andava com eles. Parece que eu já estou aqui há um bom tempo. Vocês conseguem ver, o povo consegue ver. A escola me abraçou. O presidente Carlão, Dona Erika, que é a nossa diretora, vêm dando todo o suporte, não só para mim, mas para toda a ala musical, para eu ficar bem à vontade, do jeito que você está vendo. A ala musical junto com a Tom Maior. A gente se olha o tempo inteiro”, celebrou.

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Coreografia e simulação da avenida

A porta-bandeira Ana Paula Sgarbi avaliou como positivo o primeiro ensaio de rua da dupla. “Eu gostei bastante. Gostei do espaçamento. A nossa coreografia já estava pronta, agora é só lapidá-la conforme a evolução da escola. Então, acho que estamos caminhando muito bem. Deu uma impactada no peito em um trecho, mas, de resto, tudo certo”, disse.

Detalhando ainda mais, seu parceiro Ruhanan Lucas falou sobre a coreografia. “Acho que a coreografia já está muito bem incorporada por nós, porque é uma coreografia de que gostamos muito. O nosso personagem-síntese é muito clássico, é a nossa cara, e nós já o amamos. Quando podemos explorar esse lado artístico mais clássico da dança de mestre-sala e porta-bandeira, ficamos muito à vontade. Gostamos de fazer o mestre-sala e porta-bandeira da forma mais clássica possível, sem inventar muita moda. Acho que essa proposta já está incorporada em nós. Estamos tranquilos com isso. Também estamos trabalhando os passos de rua, o deslize e essas coisas. No geral, acho que o ensaio foi muito bom”, explicou.

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Casal Ruhanan Lucas e Ana Paula Sgarbi

De acordo com Ana Paula, um ensaio de rua é muito melhor do que na quadra, pois as dimensões são maiores e simulam a evolução na pista. “Eu adoro ensaio na rua. Acho que é o espaço mais real para nós. Na quadra, fica muito pequeno, e a nossa evolução para a avenida é muito melhor na rua. Não tem comparação. Ensaiar na rua é uma progressão, porque é na pista que aquilo realmente acontece. Tanto que, há algum tempo, com os diretores antigos da escola, antes da Érika, houve um ensaio em que falaram: ‘Você não vai dançar?’. Eu falei: ‘Se eu dançar, vou abrir o braço’. Na hora que isso aconteceu, quase acertei o rosto de um componente. Óbvio que não desmereço a nossa quadra, mas a rua é muito importante para o nosso segmento”, declarou.

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Fotos: Gustavo Lima/CARNAVALESCO

Ruhanan seguiu o mesmo pensamento. “Na quadra, às vezes, a prioridade do ensaio é o canto. Não temos essa vaidade de querer dançar o tempo inteiro na quadra. Quando vamos para a rua, damos o nosso melhor. Acho que é isso”, completou.

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Mocidade Unida da Mooca inova e apresenta fantasias para exaltar cardeais do samba em exposição

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Fotos: Will Ferreira/CARNAVALESCO

A Mocidade Unida da Mooca inovou na maneira para apresentar as fantasias para o Carnaval 2027. Ao invés da tradicional Festa dos Protótipos, a MUM idealizou uma exposição para exibir as indumentárias para a própria comunidade e para os sambistas da cidade. Intitulada “Antes que o samba desfile – o enredo ainda em silêncio”, a mostra teve início nesta sexta-feira no Bananal Arte, na Barra Funda, Zona Oeste de São Paulo. A MUM será a sexta escola a desfilar na sexta-feira do Grupo Especial de São Paulo e terá como enredo “Modupé, Cardeais”, assinado pelo carnavalesco Renan Ribeiro. Sempre presente em eventos importantes para as escolas de samba de São Paulo, o CARNAVALESCO conversou com pessoas importantes para o desfile da MUM em 2027.

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Artista com a palavra

Perguntado sobre a inspiração para a criação do conjunto de fantasias da Mocidade Unida da Mooca para 2027, Renan apelou para o espírito do enredo em geral: “Tem um incômodo de alguns anos para quem é sambista de São Paulo e para quem conhece profundamente o carnaval de São Paulo, suas características, sua estética, sua sonoridade, seu jeito de fazer, de desfilar e de pensar carnaval. Vem um incômodo por conta de um distanciamento que a gente tem evidenciado cada vez mais ano a ano daquilo que é a nossa cara e uma busca desenfreada por referências de outros carnavais, de escolas de samba e de outras praças, principalmente do Rio de Janeiro: um espelhamento que não faz parte da nossa tradição nem da nossa cultura. O carnaval de São Paulo não precisa de outras referências a não ser se referenciar na própria história. Esse incômodo que vinha ano a ano se agravou a partir da gente sentir a necessidade de se religar com a nossa própria história: não só se reconectar com a própria história (porque vez ou outra a gente se conecta com ela com algum tipo de enredo ou história que leva a gente em algum aspecto para as tradições do carnaval de São Paulo) mas, também, se reconectar com o jeito de fazer, a estética do carnaval de São Paulo e o jeito que a gente faz carnaval seguindo aquilo que é da cultura do carnaval paulistano. A gente vem sentindo falta disso”, lamentou.

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Logo depois, o carnavalesco exaltou o resgate que o desfile da MUM em 2027 fará: “O que a gente propõe nesse enredo, além da celebração dos 60 anos da regulamentação do carnaval para além da homenagem aos cinco cardeais do samba de São Paulo, é propor o nosso carnaval. Que essa corrida desenfreada pelo resultado, pelo regulamento, pelo critério de julgamento: a gente pode pensar isso de maneira mais trabalhosa, mas de uma forma que a gente não deixe o concurso de lado, não abra mão do concurso, porque a competição faz parte desde sempre; mas que isso não faça com que a gente deixe nossas tradições de lado, nosso jeito de fazer de lado e abrir mão das nossas tradições. O que motivou a gente foi propor um enredo e um desfile que tenham as características dos desfiles tradicionais e fazer com que eles se encaixem no jogo de hoje. Continuar competindo, mas entendendo que essa comunhão entre esse carnaval grandioso que a gente tem hoje não pode ser a substituição do carnaval de São Paulo”, explicou.

O profissional aproveitou para destacar o quanto a temática está mexendo com a escola: “Eu vejo muita comoção interna por conta desse enredo. Com a gravação do audiovisual, que gerou uma comoção muito grande para várias pessoas que têm essa necessidade e essa saudade, acordamos desse desespero que o sambista vem sentindo há algum tempo, do distanciamento, de talvez chegar em algum ponto onde a gente não consiga voltar mais”, refletiu.

Cores, materiais e estampas

Em questões mais técnicas relacionadas às fantasias, Renan destacou que a profusão de tons que as escolas de cada um dos cardeais não foi um problema em momento algum: “As cores, para mim, nunca foram uma questão. Quem trabalha comigo ou quem me conhece mais próximo, sabe que eu tenho uma preocupação muito grande com as cores da escola. Não só com a cor da própria escola, mas com a cor do desfile, do que o enredo propõe. Mas isso não foi uma questão para mim, porque desde o início a ideia era um carnaval festivo. Essa mistura de cores é uma escolha que a gente faz desde a escolha do enredo, qual o caminho a seguir com a colorimetria da escola. Essa mistura de cores, na verdade, é mais um impulso para tornar tudo muito carnavalesco, tudo muito colorido, tudo muito carnavalesco. Obviamente que a gente tem essas misturas de forma consciente e os cardeais vão entrando no enredo em períodos diferentes, e vai se colorindo diferente também o desfile conforme eles vão entrando. Eles aparecem no começo do desfile, depois eles vão aparecendo no decorrer da história de novo. A gente não abre mão do vermelho da escola: apesar da MUM ser uma escola com três cores, o vermelho é a cor que a escola mais usa. Eu não abro mão disso na abertura. E depois, conforme o desfile vai se desenrolando e eles vão entrando para dentro do desfile, as cores vão também aparecendo nas escolas de cada um deles e todas se relacionam com a própria cor da escola. De tudo, a minha preocupação sempre foi, desde o início, em relação à cor, respeitar a coloração que a gente via antigamente na escola. Hoje, com o advento da tecnologia e da importação de materiais que os últimos anos deram para a gente, eu busquei sempre cores mais sóbrias e mais chapadas, sem muita distribuição de tonalidades, porque antigamente não tinha isso. E eu quero voltar a essa mistura de cores mais dura, mais primária”, relembrou.

Sobre as cores que serão utilizadas na agremiação, o carnavalesco novamente resgatou os antigos desfiles das escolas de samba paulistanas para explicar a produção das indumentárias: “A gente fez muita pesquisa em relação aos materiais. Usando muito cetim e muito brocado, que são os tecidos que a gente usava. Também quero dizer que fizemos, principalmente, uma pesquisa de estamparia muito extensa para poder remeter a esses carnavais. Muito listrado, muita bola, muito losango, muito quadriculado, muito xadrez, que eram esses tecidos usados mais antigamente. Preto com branco, vermelho com branco, verde com branco, verde e rosa, que o Pé Rachado também carrega. A gente foi buscando essas referências de estamparia e de tecidos que remetam a isso. E principalmente os contornos, os brilhos e essas cores muito fortes. Antigamente, o vermelho era vermelho-sangue, o verde era verde-bandeira. Todas essas cores têm esse tom forte, porque antigamente não tinha o verde-água, não tinha o azul-celeste. Quando você ver azul, é azul-royal. Esses tipos de cores, de estampas e tecidos foi o que fez parte da pesquisa”, comentou.

Preferências

O carnavalesco detalhou quais são as fantasias que vieram à mente dele quando foi indagado sobre qual a fantasia predileta: “Não sei se eu tenho uma fantasia favorita, porque todas elas são muito diferentes. Mas gosto muito da fantasia da Ala das Baianas, principalmente porque é uma fantasia muito tradicional, com laçarote, com turbante, com babado, com renda, com colares, com balangandãs, com pano nas costas, tudo que baiana merece. Eu também gosto muito da fantasia dos cinco cardeais, que representam cada uma das alas deles. E tenho um carinho muito grande pela ala de abertura, que é a ala dos Cordões e dos Ranchos, que são roupas de época: gosto muito dessa pesquisa estética de modelagem que foi feita em cima das roupas dos anos 1910, 1920, 1930, esse período em que os cordões, os ranchos e os blocos de rua estavam em alta. Gosto muito também de uma fantasia que é um outro ponto do enredo, que são os blocos de rua. Como exemplo, temos o Bloco dos Esfarrapados, que existe até hoje lá no Bixiga, que é de 1947 e completa 70 anos em 2027. A gente vai fazer uma ação com eles mais para frente. E da Batalha de Confete da Vila Esperança, que é do final do século XIX também”, afirmou.

Rafael Falanga, presidente da Mocidade Unida da Mooca, utilizou uma vivência dele próprio para destacar uma indumentária favorita: “Todas as fantasias mexem muito comigo, mas, na minha origem como sambista, eu passei muito tempo como ritmista, depois fui mestre de bateria da MUM por 12 anos e passei por várias escolas. A fantasia da bateria, para mim, é uma das fantasias mais representativas. Isso é uma questão pessoal pela minha origem sambística. Homenagear o Lagrila, o maior campeão como mestre de bateria do carnaval de São Paulo, campeão em dez anos seguidos e em quatro escolas diferentes… ele e uma das maiores referências como mestre de bateria da história de São Paulo. É muito especial, pessoalmente falando. Eu tenho uma outra, também, que é muito especial, que é a do primeiro casal de mestre-sala e porta-bandeira: é uma homenagem lindíssima a Pato N’Água e Dona Maria Ester. É um enredo repleto de homenagens, de lembranças, de resgates: a gente vai ver essas homenagens ao longo da avenida, em alegorias, em guardiões de casal e em diversos setores que a gente vai se sentir representado. A gente, como sambista, vai se sentir muito representado nesse desfile”, comemorou.

Presidente exultante

Falanga, por sinal, mostrou estar bastante alinhado com o carnavalesco da escola comandada por ele ao exaltar o conjunto de fantasias por meio do enredo: “É um desfile de sambista para sambista! É um desfile que conta a história de muitos títulos do Carnaval, a história de grandes sambistas, as pedras fundamentais do carnaval de São Paulo. E vai ser um desfile grandioso também, não poderia ser diferente, porque já é uma característica da escola, tem toda uma atmosfera envolvida, a grandiosidade das escolas que estão representadas nas fantasias. É um desfile de muito volume, mas ao mesmo tempo é um desfile de muitas intervenções, que vão trazer à tona movimentos que a gente via no passado e hoje a gente não vê mais, movimentos que ficaram pela história e a gente vai fazer um resgate dentro, óbvio, de um contexto seguro, com as ferramentas que o regulamento nos oferece para isso. Tudo para tentar mostrar para o carnaval de São Paulo a proposta desse enredo: um resgate de fato do que a gente deixou, do que ficou pelo caminho e que precisa ser, de alguma maneira, resgatado e fomentado nas novas gerações: ala de pandeiristas, baliza, quituteiras, cabrochas, passistas, do desfile mais solto. Faremos isso numa ala de ação justificada, em que a gente pode provocar essa questão. É um desfile que eu acredito muito que vai representar a vontade e o desejo de muita gente que frequenta o Anhembi nessas últimas décadas. É um desfile que vai refletir o passado e que vai ficar marcado por isso”, comentou.

Assim como o carnavalesco, o presidente não viu grande problema em ver a Mocidade Unida da Mooca, uma escola que tem o vermelho, o verde e o branco como cores, utilizar uma cromia muito mais extensa no desfile da próxima temporada: “É um prazer esse multicolorido! A gente retratar o Vai-Vai, retratar os cordões, a Nenê de Vila Matilde, Camisa, Peruche, Lavapés… a gente está falando da história do samba de São Paulo, da nossa origem! Em 2019, trouxemos o enredo ‘Manto Sagrado, a história que o tempo bordou’, que era similar ao enredo de 2027. A gente dizia, naquele samba, que também foi escrito pela nossa parceria, que ‘bem mais que preto, verde, branco ou colorido, eu vejo o mundo no estandarte de um cordão’. O carnaval é alegria, é cor, é história. A história tem que ser contada e reverenciada à maneira que ela foi escrita. É o que a gente vai fazer com o maior orgulho do mundo, com o maior prazer, mesmo tendo escolas homenageadas concorrendo com a gente nesse carnaval. Esse carnaval é acima do concurso, é um carnaval genuíno, de uma homenagem merecida e que a gente vai fazer e vai exaltar essas grandes escolas e esses grandes personagens da nossa história com o maior prazer do mundo”, finalizou.

Evento intimista

O primeiro dia da exposição “Antes que o samba desfile – o enredo ainda em silêncio” teve a presença de segmentos importantes da MUM, como Velha Guarda, Direção de Harmonia e Musas. A escola também apresentou, em primeira mão, trechos do audiovisual do samba-enredo de 2027 da Mocidade Unida da Mooca, produzido pela própria agremiação. Por fim, dona Iracema, viúva de Betinho e nora de seo Nenê, um dos cardeais do samba homenageados pela Mocidade Unida da Mooca, pediu a palavra e emocionou ao relembrar o carnaval antigo de São Paulo, pedir união da escola e perguntar: “Se vocês estão representando tantos títulos na avenida, por que não imaginar que vocês podem ganhar um?”, refletiu.

Nos próximos dias, a exposição terá roda de conversas com os carnavalescos Caio Araújo (Mocidade Alegre), Flávio Campello (Tom Maior) e Augusto de Oliveira (atualmente na Associação Cultural Orun Àyé e com passagens por coirmãs como Nenê de Vila Matilde, Camisa Verde e Branco e X-9 Paulistana); visitação à exposição com parentes dos cardeais do samba e outra roda de conversas com os biógrafos dos respectivos homenageados.