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Império Serrano faz ajustes e divulga versão oficial do samba-enredo para o Carnaval 2027

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Foto: Júnior Azevedo e Mariana Santos/CARNAVALESCO

O Império Serrano divulgou oficialmente a versão oficial do samba-enredo que vai levar para a Sapucaí no Carnaval 2027. A obra é fruto da junção entre as parcerias lideradas por Aluisio Machado e por Arlindinho e Chico César, com pequenos ajustes realizados na composição para chegar à versão que será apresentada pela escola na Série Ouro. Com o novo samba, Aluisio Machado chega ao seu 18º samba-enredo no Império Serrano e amplia sua trajetória como o maior vencedor da história da escola. A parceria reúne nomes importantes da música e do Carnaval em uma composição que dialoga diretamente com a proposta do enredo “Seja marginal, seja herói: a revolução em sua legítima razão”, do carnavalesco Renato Esteves. A narrativa propõe uma celebração da contracultura como forma de resistência durante o período da Ditadura Militar, além de marcar os 90 anos da União Nacional dos Estudantes (UNE) e os 80 anos do Império Serrano.

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Conheça como ficou o samba do Reizinho de Madureira para 2027

Compositores: Aluísio Machado, Arlindinho Cruz, Chico César, Carlos Senna, PC Feital, Hamilton Fofão, Fred Camacho, Tinga, Tomas Miranda, Bruna Souza, Jorginho da Flor, Fabian Juarez, Nilson Rangel, Lucas Marques, Thiago Baiano, Bruno Rodrigo Jacoppet, Beto Coutinho e Darlem Morais

Chama que o povo vem pra rua
Põe abaixo a ditadura
Nossa voz não vai calar
UNE faz do fogo liberdade
Reacende a verdade que o ódio não apagará
E no lado esquerdo do meu peito,
A centelha, o anseio, na legítima razão!

A luta me fez mais humano
É o Império Serrano seguindo a canção

Em todo José da Silva, existe revolução
Dói em você bem mais do que a censura
Saber que a nossa cultura
É o brado dessa nação

E mesmo, apesar de você,
Seguiu toda a MPB
Botando bloco na rua
“Deus e o Diabo”
Escritores e artistas
Estudantes, ativistas
Protagonistas desse enredo popular
Vesti a fantasia
Alegria, alegria
Desce o morro a cantar
Eu sou Império!
Em tempo de revolução
Império!
Me fiz herói por opção
Pra construir, manifestar
Honrar a memória de quem não calou
Será que a liberdade já raiou?

Ontem me pintaram de subversivo
Jovem desordeiro, até marginal
Hoje consagrado, me mantenho vivo
Na manifestação imperial!

O Império Serrano se prepara para desfilar na Marquês de Sapucaí em 6 de fevereiro de 2027, sábado de Carnaval. A escola será a sexta agremiação do dia, na Série Ouro, e buscará o título para garantir o retorno ao Grupo Especial em 2028.

Mocidade forma turma de pedreiros em parceria com Instituto GMAISP e SENAI

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Foto: Divulgação/Mocidade

A Mocidade Independente de Padre Miguel, em parceria com o Instituto GMAISP e o SENAI, concluiu uma nova iniciativa de formação profissional voltada para moradores da comunidade e do entorno da escola. A verde e branca cuidou da captação, enquanto o Instituto realizou as entrevistas para definir quem seriam os alunos. Durante sete semanas, uma turma participou do curso de Pedreiro, realizado nas instalações do SENAI, com direito a ajuda de custo durante o período de formação.

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A seleção dos participantes foi realizada pela Mocidade na própria comunidade, com o objetivo de ampliar o acesso à qualificação profissional e criar novas possibilidades de inserção no mercado de trabalho. A turma reuniu moradores de diferentes bairros da Zona Oeste, entre eles Bangu, Padre Miguel, Realengo, Magalhães Bastos e Vila Vintém.

Para Zé Guga, diretor do Instituto GMAISP, a conclusão da turma representa um resultado importante da parceria.

“Estamos terminando essa turma e, para a gente, é muito satisfatório o resultado. Todo mundo que terminou é oriundo da região e vai receber seu diploma daqui a um mês. A ideia é fazer a entrega lá na quadra da Mocidade e também realizar outras ações com eles na escola”, afirma.

Entre os alunos está Richard, morador de Padre Miguel, que encontrou no curso uma oportunidade de iniciar uma nova etapa profissional. Ligado ao samba e ao Carnaval desde a infância, ele conta que a construção civil sempre esteve presente em sua família.

“Sempre trabalhei com samba, Carnaval e fantasias. Meu pai, meu padrinho, todos são pedreiros e nenhum tem diploma. Quando soube que podia caminhar neste novo ciclo, abracei a oportunidade e agradeço muito. Não é fácil, mas é muito bom. Aprendi coisas que nunca tinha aprendido em 32 anos de vida. Agora é uma nova vida”, conta.

A iniciativa integra uma proposta de aproximar a Mocidade de ações que promovam oportunidades e desenvolvimento para a população de seu território. Além da formação técnica, o projeto busca fortalecer a autonomia dos participantes e ampliar suas perspectivas profissionais.

A entrega dos diplomas está prevista para acontecer na quadra da Mocidade Independente de Padre Miguel, em Vila Vintém, após a conclusão de todas as etapas da formação.

Corte do Carnaval de São Paulo 2027: grande final volta ao Anhembi

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Foto: Felipe Araújo/Liga-SP

A Liga Independente das Escolas de Samba de São Paulo (Liga SP) abriu as inscrições para o Concurso da Corte do Carnaval de São Paulo 2027. A disputa vai eleger o Rei Momo, a Rainha, a Primeira Princesa e a Segunda Princesa, que vão representar oficialmente a festa paulistana. Em 2027, a grande final volta ao Teatro Auditório Celso Furtado, no Distrito Anhembi, um palco que devolve ao concurso o glamour e a elegância que a ocasião pede. A grande final está marcada para sábado, 21 de novembro. Em traje de gala, os finalistas passam por três etapas de avaliação: o desfile coletivo de abertura, a apresentação individual de elegância, postura e comunicação e a apresentação de samba no pé e presença cênica.

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“O Concurso voltou a ser realizado pela Liga SP em 2026 e foi um grande sucesso. Ainda assim, voltamos nossos olhares aos sambistas e, entre elas, de acordo com as opiniões, fizemos algumas mudanças para 2027, trazer a final dos concursos do passado para o Auditório do Anhembi, palco de grandes”, afirma Renato Remondini, presidente da Liga.

Eliminatórias com clima de quadra SP

As eliminatórias continuam nas quadras das escolas de samba. É ali que o concurso mantém o clima festivo, a torcida das comunidades e a energia de um ensaio de carnaval. Estão previstas até duas semifinais, a primeira em 7 de novembro (sábado) e a segunda em 14 ou 15 de novembro. O número de etapas vai ser confirmado conforme o total de inscritos, e as quadras anfitriãs serão divulgadas pela Liga SP. Os candidatos são distribuídos por sorteio e avaliados em Samba no Pé, Simpatia e Desenvoltura. Os mais bem avaliados em cada quesito avançam para a disputa no Teatro.

Premiação e inscrições

A Corte eleita vai dividir R$ 95 mil em prêmios: R$ 30 mil para o Rei Momo, R$ 30 mil para a Rainha, R$ 20 mil para a Primeira Princesa e R$ 15 mil para a Segunda Princesa. As inscrições são gratuitas e feitas exclusivamente pelo site www.ligasp.com.br/cortecarnavalsp2027, até as 23h59 de 12 de outubro. Podem participar maiores de 18 anos que morem na capital ou na Região Metropolitana e tenham concluído o Ensino Fundamental. Cada escola filiada pode indicar até dois candidatos a Rei Momo e duas candidatas a Rainha. Para Rei Momo, o peso mínimo é de 100 kg.

Instituto Sabrina Sato fecha aliança com o projeto para transformar a saúde visual de crianças atendidas pelo Gaviões da Fiel

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Foto: Divulgação/Departamento de Ação Social Gaviões da Fiel em ação

Em uma união voltada à promoção da saúde e do desenvolvimento infantil, o Instituto Sabrina Sato firmou parceria para realizar uma edição do projeto Criança de Visão, que beneficiará crianças atendidas pelo Departamento Social do Gaviões da Fiel. A iniciativa foi abraçada pelo Instituto Sabrina Sato, que escolheu o Gaviões da Fiel como organização parceira para receber a ação. Com forte atuação comunitária na região central de São Paulo, a entidade desenvolve projetos sociais voltados ao atendimento de famílias em situação de 2 vulnerabilidade. A mobilização ocorrerá no dia 17 de outubro deste ano, na Semana da Criança. Durante o evento, crianças de 0 a 12 anos previamente cadastradas passarão por consultas com médicos oftalmologistas, poderão escolher a armação de sua preferência e receberão posteriormente seus óculos de grau, sem custos.

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Estima-se que cerca de 20% das crianças em idade escolar apresentem algum tipo de alteração visual. Muitas vezes, a dificuldade para enxergar o quadro ou ler materiais escolares é confundida com desinteresse pelos estudos ou déficit de atenção. Diante das barreiras de acesso à saúde especializada, o projeto busca reduzir desigualdades e promover melhores condições de aprendizagem e desenvolvimento na infância.

Escolhido para sediar a ação social, o Gaviões da Fiel contribuirá com sua capilaridade e atuação comunitária para ampliar o alcance da iniciativa junto às famílias atendidas pelo Departamento Social.

“Receber uma ação deste porte em impacto é um motivo de grande orgulho e responsabilidade. O Departamento Social do Gaviões da Fiel trabalha diariamente para trazer melhorias concretas para a nossa comunidade. Ver nossas crianças recebendo atendimento oftalmológico e tendo acesso aos óculos de que necessitam gratuitamente, representa uma transformação que não tem preço”, cita Alexandre Domênico, Presidente do Gaviões da Fiel.

Ana Júlia Soares, Diretora do Departamento Social da Gaviões da Fiel, comenta: “Receber essa ação no nosso espaço social reafirma o nosso compromisso com a comunidade. Ver nossas crianças passando por atendimento especializado e recebendo seus óculos representa um passo importante para ampliar oportunidades e construir um futuro mais promissor”.

Propósito dos Parceiros

Instituto Sabrina Sato Fundado em novembro de 2016 pela apresentadora Sabrina Sato, ao lado de seus irmãos Karina Sato e Karin Sato (que atuam como padrinhos da ação), o Instituto Sabrina Sato atua no apoio, fortalecimento e garantia de direitos de crianças e adolescentes em situação de vulnerabilidade.

“O propósito do Instituto Sabrina Sato sempre foi dar voz, acolhimento e oportunidades para crianças que mais precisam. Unir forças com o projeto social Criança de Visão nos permite transformar de forma direta e concreta a rotina das nossas crianças do Gaviões da Fiel. Garantindo que elas enxerguem melhor e abram portas para um futuro cheio de descobertas e sonhos”, endossa, Karina Sato, Sóciafundadora da Sato Rahal e Cofundadora do Instituto Sabrina Sato.

Projeto Criança de Visão

Criado pelo empresário Tony Cozendey, o projeto tem como missão democratizar o acesso à saúde ocular, combatendo o abandono escolar e as limitações de aprendizado causadas por problemas de visão não diagnosticados.

“Quando uma criança não consegue enxergar bem, ela não está perdendo apenas uma imagem; pode estar perdendo a oportunidade de aprender, se desenvolver e construir seu futuro. O Criança de Visão nasceu porque entendemos que saúde visual é um direito fundamental. Não queremos apenas entregar óculos, queremos devolver possibilidades e garantir que nenhuma criança fique para trás por falta de acesso a um diagnóstico médico”, afirma, Tony Cozendey, Creator do projeto social Criança de Visão e Fundador e CEO do Instituto Visão Solidária (IVS)

‘Mangueira é uma escola de samba, com S maiúsculo’, afirma Sidnei França

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Foto: Mariana Santos/CARNAVALESCO

A Mangueira vai para o Carnaval 2027 com a missão de transformar em desfile uma expressão que, segundo o carnavalesco Sidnei França, já fazia parte do cotidiano da comunidade antes mesmo de virar enredo. À frente do terceiro projeto para a escola, o artista conta ao CARNAVALESCO que mergulhou nas histórias e nos ensinamentos dos mangueirenses para construir ‘Oyá por nós’ e revela que o samba escolhido terá papel decisivo na narrativa apresentada na Sapucaí.

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Como você controla a ansiedade, já que os mangueirenses sonham com esse título? O que quer trazer para o mangueirense com esse desfile?

“Primeiro, eu preciso dizer que, como um sambista de São Paulo, quando eu cheguei ao Rio, o que eu mais lia na internet era assim: ‘Ah, ele precisa aprender muito sobre o que é a Mangueira’. E é impressionante como rapidamente eu consegui me envolver com o morro, com as famílias antigas da Mangueira, e eu ouvia muito. Aliás, os mais velhos dizem para a gente que a gente tem ‘dois ouvidos e uma boca’, que a gente tem que ouvir mais, falar menos. E o que eu mais ouvia era isso: ‘Oyá por nós!’. É um discurso muito corrente. As baianas, as mulheres da Velha Guarda, ‘Oyá por nós’ é uma fala muito frequente dentro da Mangueira. E eu falei: ‘Cara, isso precisa virar enredo’. Era para ser o ano passado, surgiu uma parceria com o Amapá e ficou aguardando, e tudo tem seu motivo, tudo tem sua hora. E vai esquentar o centenário. É isso: ‘Oyá por nós’, um carnaval na hora certa, na hora que Oyá quis, na hora em que tem feito essa escola vibrar de alegria, emoção em alta temperatura. E o meu papel aqui é conduzir isso para que a Mangueira sempre se encontre consigo própria. Essa é a razão primordial. Não sou eu, não é a presidente. A gente tem um pacto de colocar a Mangueira em primeiro lugar. E hoje foi mais um dia da história da Mangueira, em que a comunidade foi ouvida, a comunidade foi privilegiada, e ela vai cantar ‘Oyá por nós’ eternamente, e agora com uma trilha sonora incrível”.

O que o samba influencia no seu desfile?

“Eu disse, no dia da explanação aqui no auditório da quadra da Mangueira, aos compositores que eles tinham total liberdade para interpretar a sinopse e que, se preciso fosse, eu alteraria o enredo, o desenvolvimento do desfile, para atender a um grande samba. Porque, mais do que uma grande plástica, a Mangueira precisava de um grande samba. Essa é a real, a gente precisa ser bem claro: a Mangueira é uma escola de samba, uma escola com S maiúsculo, Samba maiúsculo. Desde sempre eu tive esse cuidado de entender que, se viesse uma sinopse de uma forma tão cartesiana, eu ia mudar. Mas, por sorte minha, veio um grande samba e muito encaixado, inclusive, com a sinopse. Eu não preciso mudar o projeto, mas esse samba tem algumas doses de Brasil que eu pretendo, sim, potencializar no desfile. Por exemplo, ‘o Brasil da intolerância eu despacho num ebó’. Isso é muito forte e, com certeza, isso vai entrar no desfile. Isso não estava na sinopse, pelo menos não de uma forma tão enfática, tão forte, mas vai entrar agora no desfile, porque eu entendo que o samba tem que nortear a narrativa. E assim será, e a Mangueira vai ser muito feliz com esse samba”.

Marcelo Misailidis prepara ‘revisão histórica’ da América Latina na comissão de frente da Mocidade

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Foto: Maria Estela Costa/CARNAVALESCO

A comissão de frente da Mocidade Independente de Padre Miguel terá como um dos seus principais caminhos a construção de uma narrativa que dialogue com a história e a identidade da América Latina. À frente do segmento, Marcelo Misailidis revelou ao CARNAVALESCO, durante a final de samba da escola para o Carnaval 2027, que o trabalho vem sendo desenvolvido em parceria com o carnavalesco Jack Vasconcelos e terá como proposta unir uma “revisão histórica” à alegria característica dos povos latino-americanos. A Mocidade levará para a Marquês de Sapucaí o enredo ‘Latinamente Independente’. Dentro dessa proposta, o artista terá o desafio de traduzir em dança e narrativa uma história marcada pela colonização, pela formação dos povos e pela busca de uma identidade própria.

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Segundo o coreógrafo, a construção da comissão acontece de maneira conjunta desde a etapa de pesquisa. A troca com Jack Vasconcelos, segundo ele, é fundamental para ampliar a narrativa que será apresentada pela escola.

“A gente tem dividido cada etapa de pesquisa, construindo junto a narrativa. Está sendo um prazer enorme. É um enredo que tem uma importância estratégica muito grande, da gente falar de todo um processo histórico e da busca de uma identidade cada vez mais clara da importância da América Latina se colocar estrategicamente no mundo”, afirmou Marcelo Misailidis.

O coreógrafo destacou ainda que o processo tem permitido uma troca de experiências e vivências para acrescentar diferentes camadas à mensagem que a Mocidade pretende levar para a avenida.

“Eu acho que é uma mensagem extremamente importante, na qual a gente tá trocando muitas experiências de vivências para que a gente possa acrescentar o máximo possível a essa mensagem, a essa narrativa”, completou.

Comissão de frente terá olhar para a história latino-americana

Marcelo Misailidis explicou que a comissão pretende abordar a formação da identidade latino-americana a partir de um olhar histórico, mas associado a elementos que representem a alegria dos povos da região.

“Eu acho que a gente tem que pode esperar é uma revisão histórica desse processo associado à alegria do povo latino-americano. Isso que eu acho que é muito importante. A gente entender o processo histórico da formação de um povo que veio de um processo muito abrupto de colonização e que hoje busca a sua identidade, que a gente quer trazer luz a essa identidade latino-americana”, explicou.

Misailidis destaca construção coletiva com Jack

A relação entre coreógrafo e carnavalesco também será um dos pontos importantes para a criação da comissão de frente. Questionado pelo CARNAVALESCO sobre o grau de liberdade para desenvolver a coreografia, Misailidis ressaltou que projetos artísticos de grande dimensão exigem a soma de diferentes conhecimentos. Para ele, a construção coletiva permite que diferentes olhares sejam incorporados ao trabalho com um objetivo comum: o resultado da Mocidade Independente de Padre Miguel.

“Hoje em dia nós temos que cada vez mais saber articular os saberes. Porque tudo é necessário para um projeto artístico e mais cabeças sempre acabam pensando melhor quando se tem o objetivo comum de construir um bom resultado. O importante é construir um bom resultado não individualmente para nós profissionais, mas para a Mocidade Independente de Padre Miguel”, destacou.

Vila Maria revive o ‘circo da vida’ e mira alto com Mauro Quintaes no Carnaval 2027

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A Unidos de Vila Maria realizou a Festa dos Protótipos, apresentando o conjunto de fantasias para toda a comunidade. O evento contou com encenações sobre circo, quadra decorada com o tema e tudo o que envolve as atrações circenses. À medida que os componentes vestidos com as indumentárias iam entrando, diferentes músicas tocavam. Foi um momento de muita emoção também quando o casal de mestre-sala e porta-bandeira Kadu Andrade e Camila Moreira desfilou com o pavilhão na passarela montada no meio da quadra para a realização do evento. Muitas pessoas da comunidade se emocionaram com a apresentação. A festa mostra ao mundo do samba o ponto de partida rumo ao Carnaval 2027, já que o samba e o enredo foram definidos há bastante tempo. Foi uma celebração agradável para todas as pessoas presentes.

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“A Festa dos Protótipos é sempre muito bem recebida, porque é ali que você consegue entender a dimensão do trabalho. As fantasias foram montadas com muito carinho, dentro das possibilidades da escola. E isso é importante frisar: o carnavalesco precisa ter essa consciência de trabalhar dentro das limitações da escola. Aqui na Vila Maria, nosso presidente, Adilson, deixou a direção artística à vontade para criar as peças. As fantasias estão muito bem descritivas, então o público vai entender. Só de olhar, já vai começar a compreender e sentir a energia do enredo. Embora seja uma reedição de 2005, ela traz um olhar mais contemporâneo, até mesmo por conta do texto que o Diego criou”, disse o carnavalesco Mauro Quintaes.

Desafio de realizar uma nova concepção

O enredista Diego Araújo, por sua vez, explica que retornar ao carnaval de São Paulo e participar da releitura de um desfile tão importante para a Vila Maria tem um significado especial. “Eu sou muito feliz de retornar ao carnaval de São Paulo. E hoje estar aqui na Vila Maria, com a possibilidade de reviver um desfile muito memorável para a escola, que tem um poder sentimental e uma memória afetiva muito grande”, celebrou.

A diferença de estrutura entre o desfile de 2005 e o projeto atual foi um dos principais desafios enfrentados pela equipe. Naquele ano, a Vila Maria levou cerca de quatro mil componentes para a avenida, em um desfile dividido em cinco setores. Agora, disputando o Grupo de Acesso 1, a escola trabalha com uma estrutura menor. Diego explica que essa diferença exigiu uma reorganização do projeto original. “Claro que hoje, no Grupo de Acesso, temos menos condições de estrutura do que tínhamos no Especial de 2005, principalmente em relação ao tamanho da escola para desenvolver o desfile. Por isso, nós precisamos reorganizar algumas informações do desfile de 2005, remanejar algumas coisas e trazer ideias novas para este desfile. Como o Mauro falou, estamos sempre pensando também na forma como ele gosta de fazer carnaval: nas formas, nas cores e nas ideias mirabolantes que ele tem. O Mauro é um cara que gosta muito de apostar no imaginário que extrapola a realidade, assim como o enredo também fala”, declarou.

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Foto: @woody_henrique/@sambanapista

Para Mauro, será um desfile de fácil compreensão pelo público presente no Anhembi. “Esse poder de resumir, plasticamente falando, não é tão complicado quando você tem a possibilidade de contar a história também por meio das alas. Em termos de alegorias, fizemos uma mistura de elementos em cada uma delas. O desfile está de facílimo entendimento. Mesmo não tendo a mesma dimensão numérica de 2005, é um desfile grandioso. A escola está motivada e, certamente, o entendimento será muito fácil também”, afirmou.

Preocupação com a pasta/roteiro para os jurados

No meio da entrevista, Mauro Quintaes entrou na questão do grande pesadelo do carnaval de São Paulo, que é a pasta dos jurados. Para o carnavalesco, a arte deveria vir em primeiro plano. “E também é importante prestar atenção à pasta. O carnaval de São Paulo tem esse circo dos horrores que é a pasta. Ela é um elemento que faz com que, a cada passo, você precise pensar para não ter nenhum problema. Aqui vai uma opinião pessoal do Mauro Quintaes: já passou da hora de essa pasta do carnaval de São Paulo ser colocada de lado e de se priorizar a plástica, a beleza e a arte dos desfiles das escolas de samba daqui. A pasta é apenas um detalhe informativo. Ela não pode ser um elemento norteador para você derrubar uma escola ou deixar de beneficiar outra em um campeonato. A plástica é muito mais importante: a vibração, a dança, a beleza, o enredo, o casal, a comissão”, declarou.

Diego concorda com o argumento apresentado pelo colega e também defende uma maior leveza no carnaval paulistano. “Eu concordo com tudo o que o Mauro falou, inclusive sobre a pasta. Acho que o carnaval de São Paulo precisa realmente de mais leveza. As pessoas precisam voltar a ter a oportunidade de brincar mais o Carnaval aqui”, comentou.

Fantasias pensadas para facilitar a leitura

Entrando no principal tema da noite, estão as fantasias. A equipe trabalha para que os figurinos não apenas tenham qualidade estética, mas também contribuam para que o público compreenda a narrativa apresentada pela escola. Mauro contou que o figurinista Rômulo Roque está à frente do trabalho. “Nosso figurinista é o Rômulo Roque, que não pôde estar aqui hoje. Mas também estou contando com a ajuda do Marcelo e do Ed, que vieram do Vai-Vai. A gente conseguiu resgatar os dois de lá. Eles tiveram um entendimento muito claro das fantasias, até porque o figurino era muito claro”, revelou.

A proposta é trabalhar com fantasias que sejam divertidas e imediatamente compreendidas pelo público. “São fantasias divertidas e, repito, de fácil entendimento, com acabamento primoroso. O acabamento é fundamental aqui em São Paulo”, declarou.

Diego reforçou que a preocupação com a leitura não está restrita aos figurinos. “A gente priorizou a facilidade de leitura de todas as fantasias e também das alegorias. Vai ser um carnaval de fácil leitura, alegre e divertido, para a Vila Maria brincar e para o componente da escola também aproveitar”, contou.

Apesar da leveza, a proposta não abandona a crítica social que o enredo proporciona. “Existe a crítica social, porque traçamos um paralelo com o enredo para manter essa essência de 2005. Mas, mesmo assim, priorizamos a alegria, que eu acho que é algo que está faltando aqui em São Paulo”, completou.

Orçamento e diálogo com a presidência

Outro desafio da Vila Maria é desenvolver um desfile de grande impacto dentro da realidade financeira do Grupo de Acesso 1. A verba disponível é inferior à das escolas do Grupo Especial, o que exige um planejamento específico. De acordo com Mauro, o diálogo entre ele e o presidente Adilson é muito bom em relação a essas questões. “O importante, nessa questão financeira do Acesso 1, é você ter um diálogo aberto com o presidente, porque quem faz a máquina rodar são os presidentes. Eu tenho uma relação muito aberta com o presidente Adilson. A cada passo que a gente dá, perguntamos: ‘Vai dar para fazer? Não vai dar para fazer?’, tanto em fantasia quanto em alegoria. Até este momento, nada foi negado. Por isso, acredito que essa relação entre o carnavalesco, a direção artística e o presidente da escola, que é quem administra o fator financeiro de todo esse jogo, é fundamental. Não que ele venha a interferir, mas, se a gente sair um pouco da margem que já está prevista de gastos, voltamos a conversar. Tenho uma relação muito boa com ele, e isso é muito importante”, destacou.

Neste assunto, Diego trouxe para a conversa sua experiência no carnaval do Rio de Janeiro. Durante quatro anos, ele trabalhou na Porto da Pedra e vivenciou a realidade da Série Ouro carioca. “Eu acho que a gente, que vem de uma experiência de quatro anos na Porto da Pedra, enfrentou o Grupo de Acesso no Rio, que também não é fácil. São Paulo, pelo menos, dá muito mais condições para a gente fazer um carnaval com mais dignidade para o trabalhador. A Fábrica do Samba, apesar de não ter o mesmo padrão de estrutura para todas as escolas, pelo menos dá dignidade às agremiações, que não precisam estar em galpão invadido ou debaixo de viaduto”, contou.

Diego ainda celebra as estruturas e torce para que o Rio de Janeiro olhe para a folia paulistana para oferecer essas condições. “Fico muito feliz de vir para São Paulo e ver que a cidade já avançou muito nesse sentido, dando a possibilidade de um artista como o Mauro vir para cá e ter um barracão com dignidade, pé-direito para fazer alegorias e espaço para produzir as fantasias. Tomara que as outras escolas também consigam isso em breve. E espero que, no Rio, elas também alcancem essa estrutura e olhem para São Paulo quando tiverem que pensar nesse aspecto”, declarou.

Força da disputa no Grupo de Acesso 1

Mauro diz que a competitividade é o que move um profissional. “Aqui no Grupo de Acesso 1, existe uma disputa. Você quer fazer o melhor. Eu já tive situações em que você sabia qual escola iria ganhar. O presidente perde a motivação, o carnavalesco perde a motivação. O que motiva o carnavalesco a criar e fazer o melhor é justamente isso: não saber o resultado final um ano antes”, disse.

Finalizando a conversa, Mauro demonstrou grande ambição e afirmou que pensa no título para a escola. “Queria aproveitar para dizer que, nos meus 42 anos de carnaval, tenho certeza de que vou comemorar com o campeonato da nossa Vila Maria”, concluiu.

A Unidos de Vila Maria será a quinta escola a desfilar no domingo do Grupo de Acesso 1, com o enredo “Sonho e Realidade no Circo da Vida”, assinado pelo carnavalesco Mauro Quintaes.

Paulinho da Viola, Zeca Pagodinho e Diogo Nogueira dão voz ao samba da Portela para 2027 em homenagem a Monarco

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Foto: Divulgação/Portela

A Portela gravou, no Estúdio Century, na Barra Olímpica, o samba-enredo que levará para a Marquês de Sapucaí em 2027. Além da voz principal do intérprete Bruno Ribas, a faixa ganhou as participações de Paulinho da Viola, Zeca Pagodinho, Diogo Nogueira, Teresa Cristina, Marquinhos de Oswaldo Cruz, integrantes da Família Diniz e da Velha Guarda Show. Mauro, Juliana, João e Marquinhos Diniz representaram a família de Monarco na gravação. A reunião de diferentes gerações do samba reforçou o caráter coletivo da homenagem ao compositor, que será o centro do enredo “Ao mestre, com carinho”, desenvolvido pelo carnavalesco Paulo Barros.

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A obra foi escolhida praticamente por unanimidade entre os quesitos, segmentos e departamentos que participaram da decisão da Portela. O samba também era o preferido da Família Diniz e de Paulo Barros.

“Este samba fala de Monarco e da Portela com respeito e naturalidade. Participar desta gravação é uma forma de celebrar tudo o que ele representa”, afirma Paulinho.

Zeca Pagodinho também ressalta a importância do homenageado para além dos limites da Azul e Branco.

“Monarco era mestre dentro e fora do samba. Cantar para ele, na Portela, é cantar uma parte da nossa própria história. É um samba muito especial”, diz Zeca.

Diogo Nogueira participou da disputa de samba-enredo deste ano com outra composição. Mesmo sem vencer o concurso, fez questão de integrar a gravação oficial da obra escolhida pela escola. Para ele, a homenagem também passa por uma ligação familiar.

“Monarco faz parte da história da minha família, desde o meu pai, João Nogueira. Foi ele quem me levou para a ala de compositores da Portela. Tenho muita gratidão. A memória dele está viva quando a gente canta, vibra e desfila em homenagem a esse grande personagem do samba e da música brasileira”, afirma Diogo.

Teresa Cristina destacou que a obra e a trajetória de Monarco ultrapassam a relação do compositor com a Portela.

“Quando falamos de Monarco, falamos do samba brasileiro. A Portela era a casa que ele amou e cantou, mas sua importância vai muito além da escola. É um nome que o mundo do samba nunca vai esquecer”, fala Teresa.

Filho de Monarco, Mauro Diniz acompanhou a disputa e participou da gravação ao lado de outros integrantes da família.

“Meu pai era portelense em tudo. Ao mesmo tempo, era respeitado por todas as escolas pela integridade, pela compaixão e pelo amor que carregava. A nossa família recebeu esse enredo com muita emoção e acredita que a Portela fará um desfile à altura do legado de Monarco”, diz Mauro.

O samba percorre a trajetória e a personalidade do homenageado por meio de referências ao universo portelense. Um dos versos resume a identificação entre o compositor e a escola ao cantar “se o samba tem rosto, é o seu, não tem jeito”.

O samba vencedor é assinado por Wanderley Monteiro, Vinicius Ferreira, Jefferson Oliveira, Hélio Porto, Orlando Ambrosio, W. Correa e Rafael Gigante. A disputa deste ano reuniu mais de 200 compositores, distribuídos por 36 obras inscritas.

Com o resultado, Wanderley Monteiro chegou à nona vitória e ampliou sua posição como o maior vencedor de disputas de samba-enredo da Portela. O compositor também venceu em 2009, 2011, 2012, 2013, 2016, 2022, 2023 e 2024.

“Monarco é o nosso mestre e uma referência para todos nós. Vencer um samba que vai contar a história dele e chegar à minha nona vitória na Portela é uma honra imensa. Esse resultado é de toda a parceria e da comunidade, que cantou com a gente até o fim”, celebra Wanderley.

Vinicius Ferreira e Rafael Gigante alcançaram a quinta vitória na escola. Jefferson Oliveira chegou à quarta conquista e Hélio Porto, à terceira. Para Orlando Ambrosio e W. Correa, o resultado representa a primeira vitória na Azul e Branco.

A Portela será a primeira escola a desfilar na terça-feira de Carnaval em 2027. O enredo “Ao mestre, com carinho” levará para a Avenida a trajetória, a obra e a ligação de Monarco com a história da maior campeã do Carnaval carioca.

Renato Lage pode ter ‘casamento perfeito’ no Tuiuti unindo sua estética à identidade do ‘Quilombo do Samba’

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Foto: Diego Campos/Rio Carnaval

O Tuiuti mescla a ousadia e personalidade no planejamento do próximo carnaval. A escola contratou Renato Lage para assinar o próximo desfile com o enredo “Tia Ciata: Mãe Preta do Samba” que conta pesquisa desenvolvida por Claudio Russo e Luiz Antonio Simas. O clima é de expectativa para manter a alma “afro” da escola no próximo ano.

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O Tuiuti tem firmado sua marca como Quilombo do Samba nos últimos anos ao trazer enredos de cunho social e afro para a Sapucaí. No entanto, a chegada de Renato Lage, que tem como marca a estética futurística e high-tech, visto em seus históricos desfiles Criador e criatura (1996), Brilha no céu a estrela que me faz sonhar (1998) na Mocidade, fez os torcedores questionarem como o ‘casamento’ acontecerá.

O torcedor Felipe Nascimento destaca a importância de preservar a ‘personalidade’ da escola, mantendo o tipo de enredo característico do Tuiuti.

“É importante, sair um pouco daquele costume que o Renato tem de fazer o enredo mais high-tech, trazendo também a característica do Tuiuti que costuma fazer sempre o enredo afro, que é de suma importância a gente continuar no Carnaval mostrando mais ainda a nossa raiz”, afirmou.

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Felipe Nascimento destaca a importância de preservar a ‘personalidade’ da escola. Foto: Mariana Santos/CARNAVALESCO

Por sua vez, o ‘Mago’ também reúne, em seus 48 anos de Sapucaí, enredos marcantes na temática afro: Candaces (2007), Gaia (2014) e Ópera dos Malandros (2016) no Salgueiro, e “Mãe Baiana Mãe” no Império Serrano em 1983. E é o enredo que deu o terceiro lugar para a Serrinha em 1983 que aumenta as expectativas do sambista João Santos, acreditando que o carnavalesco pode fazer algo ainda maior no Tuiuti.

“A gente sabe que o Renato Lage já explorou esse enredo lá no Império Serrano, na década de 80. Mas o carnaval passou por muita mudança, hoje em dia é mais moderno. Acho que agora ele tem mais recursos pra mostrar melhor essas ideias. E eu acho que no Tuiuti vai ser perfeito, porque o Tuiuti tem essa cara. A Tia Ciata é uma grande matriarca no mundo do samba, e falar de raiz, estar no Tuiuti é o casamento perfeito”, afirmou.

A influência de Renato Lage é evidente na nova geração de carnavalescos. Leandro Vieira, fã declarado de Renato Lage, o tem como referência de forma evidente e assumida. E o sambista Fabio Gatamorta aponta o fato, e afirma que ver as obras do ‘pupilo’, dá a certeza que o ‘Mestre’ entregará um enredo afro poderoso na escola.

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Fabio Gatamorta afirma que o ‘Mestre’ entregará um enredo afro poderoso. Foto: Mariana Santos/CARNAVALESCO

“Eu vi uma entrevista uma vez do Leandro Vieira, da Imperatriz, e ele estava explicando o enredo da Imperatriz daquele ano, 2024, que era o Itã de Oxalá. E aí eu comecei a ver a entrevista que ele tinha dado, e a correlação com a letra, e com o estilo, e na avenida. Porque o Renato Lage foi uma referência do Leandro Vieira. Acho que vem forte”, declarou.

Já Matheus Mendes, componente do Tuiuti, tem altas expectativas para o samba-enredo da escola, que segue para mais um ano com dupla missão dos historiadores Luiz Antonio Simas e Claudio Russo, que assumem a escrita do enredo e a composição do samba. Ambos foram responsáveis pelos sambas da escola nos últimos anos, bem sucedidos na Sapucaí e além da pista, se tornando clássicos atemporais.

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João Santos e Matheus Mendes. Foto: Mariana Santos/CARNAVALESCO

“Eu, como componente do Tuiuti amei, e com os nossos compositores é um ‘sambão’ muito bom. E acho que o Tuiuti, ano que vem, vem bem potente. Claudio Russo também vai estar ali dando suporte por Renato Lage, acho que vai dar muito bom. É um casamento perfeito. Ainda mais no Tuiuti. O Tuiuti como o ‘Quilombo do Samba’, falar de mulheres pretas, é sempre muito bom. Se a escola falasse de outros, não daria tão certo”, disse.

Candidato a deputado estadual, João Drumond defende união do samba e propõe criação do Retiro dos Sambistas

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Fotos: Eduardo Hollanda/Divulgação

A busca por uma representação efetiva do carnaval e da cultura popular na Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (ALERJ) ganhou um tom de urgência e compromisso. Em entrevista ao CARNAVALESCO, João Drumond (PRD), candidato a deputado estadual, detalhou as razões que o levaram a ingressar na vida pública e apresentou as suas principais propostas voltadas para o ecossistema do samba e para as comunidades periféricas do Estado. A decisão de se candidatar, segundo João, amadureceu ao longo do último ano e meio. Ele destaca que a Zona Norte e, em especial, a região da Leopoldina necessitam de uma voz ativa na política fluminense.

“Eu tomei essa decisão tem um ano e seis meses. Em abril do ano passado, numa conversa com alguns amigos, com algumas pessoas do carnaval, que eu entendi que o carnaval, a cultura popular, a Zona Norte, em especial ali a Leopoldina, precisavam ter um representative na Assembleia Legislativa do Estado. Eu venho de uma região da cidade que há 50 anos não tem um representante para chamar de seu”, afirmou.

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Um dos pontos centrais do projeto político de João Drumond é o fortalecimento do papel social desempenhado pelas agremiações e o amparo direto aos profissionais que constroem a festa longe dos refletores. O candidato relembrou episódios recentes de atraso no repasse de verbas que afetaram a subsistência de trabalhadores da folia.

“É muito triste ver o que a gente passou no ano passado com as escolas, com atraso no pagamento de verbas, não encontrar na atuação parlamentar dos deputados que lá estavam defesa institucional do carnaval. Não dos gestores do carnaval, nem da Liesa; defesa institucional dos operários, dos trabalhadores da festa, fornecedores que vivem da venda para as escolas de samba e que não receberam naquele momento”, pontuou.

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Para mudar essa realidade, João propõe a destinação de emendas parlamentares para expandir iniciativas de alcance social nas quadras e a criação de leis que garantam previsibilidade orçamental para as escolas. Entre as suas propostas de maior impacto social e cultural está a criação do Retiro dos Sambistas, em parceria com o Governo do Estado, para acolher e dar assistência a artistas e trabalhadores do samba em situação de vulnerabilidade.

“É um projeto que eu tenho: eu quero muito implementar, através do Governo do Estado, da Secretaria de Assistência Social do Governo do Estado, a Casa do Sambista. A gente já tem o Retiro dos Artistas, e eu queria muito construir o Retiro dos Sambistas para que os artistas que estão em condição de vulnerabilidade, como a gente vê muitos, como a gente vê bastante, é diretor de harmonia que vive praticamente em situação de rua, é cantor, é mestre-sala e porta-bandeira, é coreógrafo, eu gostaria muito de ter e defender uma política pública que seja efetiva e eficaz em cuidar e dar atenção a esses artistas”, revelou.

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Sobre o carinho que tem recebido nas quadras e barracões, o candidato reforça que encara a receptividade como um dever assumido com as bases: “Sou muito grato pelo apoio das escolas de samba. São grandes representantes da nossa história, cultura, ancestralidade, e ter o apoio deles é muito bacana para mim, mas eu vejo mais como uma responsabilidade, porque eu também estouassumindo um compromisso com todas essas comunidades. Não é com o gestor, eu assumo o compromisso com a comunidade, com as pessoas que estão na ponta”.

Olhar atento à vulnerabilidade social

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Ao percorrer diversos municípios do Estado do Rio de Janeiro durante a pré-campanha e campanha, João Drumond destacou que a extrema carência de infraestrutura básica nas comunidades mais vulneráveis foi o aspecto que mais o impactou.

“Nada é mais alarmante, nada é mais assustador do que a realidade que as pessoas que vivem em vulnerabilidade dentro da capital do Rio de Janeiro sofrem. A realidade das comunidades mais carentes do Rio de Janeiro, que não têm eletricidade, que não têm saneamento básico, que muitas das vezes não têm banheiro dentro das suas casas. (…) E nós sambistas somos todos oriundos de comunidade”, salientou.

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Por fim, ao ser questionado sobre a firmeza do seu projeto eleitoral, o candidato fez questão de afastar qualquer dúvida e reiterou o seu ritmo de trabalho rumo ao dia da votação.

“Quero deixar muito claro a cada um e a cada uma dos seus leitores: João Drumond é candidato a deputado estadual, João Drumond sai todo dia de casa 5 horas da manhã e volta todo dia depois da meia-noite, conversando com a população que mais precisa. (…) Nós vamos ser o representante do samba, do cCarnaval e das suas comunidades”, finalizou.

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