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Bryan Clem: ‘Enredo da Mocidade é politizado e o momento do mundo pede isso’

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Foto: Reprodução de internet

Em participação no podcast “Setor Sul”, o diretor executivo e de marketing da Mocidade Independente de Padre Miguel, Bryan Clem, destacou o tom político e o posicionamento social que a agremiação adotará no seu desfile no Carnaval 2027. Durante o bate-papo, o dirigente reafirmou o compromisso da escola em debater a América Latina e ressaltou que não há como abordar a causa dos povos latinos sem assumir um posicionamento firme.

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“O enredo da Mocidade ele é político? Sim. Não tem como falar da América Latina e defender os nossos irmãos latinos sem ser um enredo politizado. E o momento do mundo pede isso: que a gente possa se posicionar cada vez mais”, afirmou Bryan Clem.

Ele ressaltou que a proposta da verde e branca de Padre Miguel vai muito além do desfile em si, funcionando como uma verdadeira campanha de conscientização e ocupação. Para impactar a população, a escola realizou diversas intervenções urbanas em pontos estratégicos do país, incluindo projeções do mapa invertido na Rua da Consolação em São Paulo (próximo ao Museu da América Latina), ocupação na Praça XV no Rio e painéis de LED em Brasília com a mensagem de que “a bússola mentiu”.

“Quando a gente lança um enredo, não é só um tema, é uma campanha de como vai impactar. A gente ocupou as ruas (…). Não tem como passar ileso, em cima do muro. O carnaval é isso, a Mocidade é isso”, destacou o diretor.

A reflexão sobre a história latina e a resistência do povo por meio do samba também ganhou destaque na conversa. Bryan citou a obra clássica “As Veias Abertas da América Latina”, do escritor uruguaio Eduardo Galeano, para explicar o propósito conceitual do projeto.

“A gente não faz a festa porque está rindo à toa, a gente faz a festa porque está triste, porque quer combater a tristeza através da nossa festa”, pontuou o dirigente, ao lembrar a provocação de Galeano: “O passado é mudo ou nós que continuamos surdos?”.

Com a preparação a todo vapor, o diretor da Mocidade garantiu que a agremiação aliará o tom de cobrança social à celebração festiva que marca o Carnaval da escola. “A gente vai sim ser politizado, vai sim se posicionar, mas também vamos ser felizes. Preparem-se, porque vai ser, de fato, um manifesto na avenida”, concluiu.

‘Grande virada de chave’: presidente do Arranco revela transformação da escola para o Carnaval 2027

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Foto: Maria Estela Costa/CARNAVALESCO

“Grande virada de chave”. É assim que a presidente Tatiana Santos define o momento vivido pelo Arranco do Engenho de Dentro para o Carnaval 2027. A escola prepara mudanças importantes para o desfile e, segundo a dirigente, o público já teve uma amostra do que está sendo planejado na final de samba-enredo. Em entrevista ao CARNAVALESCO, ela também fez um balanço da trajetória desde 2013, explicou fazer disputa de sambas e contou como nasceu a escolha do enredo sobre o Olodum. A expectativa é de que o Arranco apresente uma nova dimensão visual na avenida. A dirigente evitou antecipar detalhes das alegorias e fantasias, mas deixou claro que a escola trabalha para surpreender.

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“Podem esperar uma grande virada de chave no Arranco. A escola virá belíssima e, na final, o público já teve uma demonstração do que estamos preparando para o desfile”, afirmou.

A transformação projetada para 2027, segundo Tatiana, faz parte de um processo que vem sendo construído ao longo de sua gestão. Ao olhar para 2013, a presidente se emociona ao lembrar do caminho percorrido pelo Arranco e destaca a evolução alcançada ano após ano.

“Crescimento. Se em um piscar de olhos eu voltasse a 2013, me emociono até às lágrimas, porque não imaginávamos que chegaríamos onde chegamos. A cada ano superamos limites, subimos um degrau e vencemos uma nova batalha. É uma trajetória constante de crescimento, e continuaremos a evoluir cada vez mais”, disse.

Arranco aposta novamente na força da disputa de samba

Para o Carnaval 2027, o Arranco decidiu realizar uma disputa de samba-enredo. Tatiana explicou que a opção está ligada à energia criada pela competição e, principalmente, à possibilidade de ouvir diferentes compositores e obras antes da definição do hino oficial.

“A disputa de samba proporciona uma energia muito forte, e o Arranco aprecia esse ambiente de competição e a possibilidade de se encantar com diferentes obras. Sou filha de compositor e cresci acompanhando meu pai. Como ele mesmo diz, o compositor tem um dom especial, que é o responsável por nos emocionar quando ouvimos uma obra. Cada um apresenta o seu talento e o melhor hino vai para a avenida”, afirmou.

Enredo sobre o Olodum conquistou presidente

A escolha do enredo para 2027 também nasceu de uma identificação imediata. Tatiana contou que o carnavalesco, que já trabalhava na escola como assistente de Nicolas Gonçalves, apresentou a proposta logo após ser contratado para assumir a função.

“Logo no dia seguinte à contratação, ele me chamou para apresentar a proposta. Apaixonei-me de imediato. Ele me contou a história e pontuou exatamente o que busco nos enredos do Arranco: temas culturais que se conectem com a nossa essência e com a identidade da escola”, revelou.

Para Tatiana, a trajetória do Olodum reúne elementos que justificam a escolha e estabelece uma conexão direta com o Arranco.

“O Olodum representa exatamente isso: resistência, ancestralidade, luta pela comunidade e engajamento em projetos sociais. Além disso, há um ponto de conexão fundamental: o Olodum teve a primeira mulher maestrina, assim como o Arranco levou para a Marquês de Sapucaí a primeira mestra de bateria solo feminina. É a junção perfeita de tudo o que desejávamos, um enredo acolhido não só por mim, mas por toda a escola”, destacou.

Cintya Santos revela bastidores do casal da Mangueira com Lucinha Nobre: ‘Veio para lapidar’

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Porta-bandeira Cintya Santos. Foto: Vanessa Vicente/CARNAVALESCO

A busca pelos 40 pontos ganhou um reforço importante no casal de mestre-sala e porta-bandeira da Mangueira para o Carnaval 2027. Durante a final de samba-enredo da escola, Cintya Santos revelou detalhes do trabalho com o mestre-sala Matheus desenvolvido com Lucinha Nobre e a coreógrafa Camille Salles e destacou o olhar técnico que a dupla trouxe para a preparação do casal. Para a porta-bandeira, a chegada de Lucinha representa uma oportunidade de aperfeiçoar ainda mais a dança e entender o quesito a partir da perspectiva de quem já conhece profundamente a avaliação dos julgadores.

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“Não tem nada melhor do que uma pessoa que entenda profundamente a dança do casal, que entenda, que tenha a visão que o jurado tem, que saiba como funciona a dança. A Lucinha veio para agregar, orientar, lapidar o casal”, afirmou Cintya ao CARNAVALESCO.

A porta-bandeira também fez questão de destacar o trabalho com a coreógrafa Camille Salles, que participa desse processo de preparação. Cintya ressaltou que o casal chega à nova temporada mantendo o mesmo compromisso de sempre com a Mangueira.

* LEIA AQUI: Lucinha Nobre revela emoção ao assumir preparação de Matheus e Cintya na Mangueira

“Está sendo maravilhoso trabalhar com a Lucinha e com a Camille também, que é coreógrafa, bailarina. Podem aguardar um casal que sempre foi comprometido, lutando pelos 40 pontos, que vai entregar o máximo sempre em prol da Estação Primeira de Mangueira”.

Fantasia para emocionar

Cintya também adiantou detalhes da fantasia que será utilizada pelo casal no desfile. A proposta, segundo a porta-bandeira, será tradicional e promete uma forte identificação com a personagem que ela representará na avenida.

“Uma fantasia tradicional, linda, emocionante. Eu falo que o Sidnei França, nosso carnavalesco, está realizando o sonho da porta-bandeira dele. Vocês vão se emocionar, achar lindo. A Mangueira está vindo lindíssima. A nossa presidenta não está medindo esforços para fazer um ótimo carnaval para o ano de 2027”, afirmou.

Casal ‘Dendê’ entra em uma nova jornada

Além da preparação técnica, o casal também ganhou uma nova identidade. Cintya revelou que ela e o mestre-sala serão batizados como casal ‘Dendê’, nome associado às características dos personagens que representarão no desfile. Para a porta-bandeira, representar a orixá escolhida para sua apresentação é motivo de orgulho e responsabilidade.

“É uma honra para mim estar representando uma orixá potente, orixá empoderada, que vai para a luta, não abaixa a cabeça, não é submissa”.

Na visão de Cintya, a representação de Xangô pelo mestre-sala também reforça a força do casal. “Xangô, homem, justiceiro, guerreiro, que também vai para a luta e que enfrenta as batalhas dele de frente. O casal Furacão está sendo batizado como ‘Dendê’, e a gente está, sim, trabalhando nessa nova jornada e muito feliz. Tenham certeza de que vocês vão ver um casal feliz, empenhado”.

Sabrina Sato promete ficar na Vila Isabel ‘até morrer’ e revela que desfilará um mês após dar à luz

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Foto: Allan Duffes/CARNAVALESCO

Sabrina Sato vai viver um Carnaval 2027 diferente. Rainha de bateria da Vila Isabel, ela contou ao CARNAVALESCO, durante a final de samba-enredo da escola, que estará com cerca de um mês de pós-parto quando entrar na Avenida. O bebê tem previsão de nascer entre o Natal e o Réveillon, enquanto o desfile será realizado no início de fevereiro.

“Vou contar uma coisa para você: o bebê vai nascer um mês antes do carnaval! Talvez, ele nasça entre o Natal e o Réveillon, e o carnaval já é no início de fevereiro. Faço aniversário dia 4 e vou estar com um mês de parida, desfilando em pleno puerpério. vou vir com o corpo de uma mãe recente, e espero vir com uma roupa em que eu me sinta confortável, já que vou estar amamentando e tudo mais. Vai dar tudo certo”, revelou Sabrina.

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Sabrina promete ficar na Vila Isabel

Sabrina também falou sobre a importância de ocupar o posto de rainha de bateria da Vila Isabel e sobre a relação com a comunidade. Para ela, estar na escola representa uma grande responsabilidade, principalmente diante do momento que, segundo ela, a agremiação vive.

“Eu fico muito feliz, me sinto muito honrada! É uma responsabilidade gigante, porque a Vila é uma comunidade muito unida, de muito respeito. A gente está resgatando o verdadeiro poder da Vila. Com o Gabriel (Haddad) e com o Léo (Bora), estamos juntando muita gente para resgatar nossa ancestralidade”, disse.

A rainha destacou ainda o apoio aos Herdeiros da Vila, projeto que considera importante para o futuro da escola. Sabrina recebeu uma homenagem e será tema de enredo da escola mirim.

“Por isso acho tão importante estar apoiando os Herdeiros da Vila e ter recebido essa homenagem de ser enredo deles. São o futuro da nossa escola! Quem está desfilando lá agora, daqui a 10 ou 15 anos vai estar reinando na Vila e fazendo acontecer na Vila Isabel. A gente não pode deixar o samba morrer, temos que fazer o samba continuar e se perpetuar. Eu vou continuar na Vila até morrer! Só vou mudando de cargo: uma hora de rainha, daqui a pouco em cima de um carro, depois na Velha Guarda…”, afirmou.

Rotina de ensaios durante a gravidez

A gravidez também mudou a maneira como Sabrina encara a rotina de ensaios. Ela contou que esteve recentemente em um ensaio da Gaviões da Fiel e percebeu rapidamente o impacto do esforço físico.

“Olha, manter a rotina grávida não é fácil! Fui para o ensaio da Gaviões e o repórter me perguntou na entrada se a energia era a mesma. Eu disse que sim, mas entrei no ensaio, comecei a sambar e em 10 minutos eu já estava acabada! (risos) Mas a gente segura no sorriso. Acho que o samba é isso: é você sentir o abraço, estar junto com o povo, cantar, vibrar e sentir a energia do samba dentro de você, fazendo o corpo todo vibrar junto. Claro que a gestação bate uma canseira, mas a gente vai dando conta e dando um jeitinho”, contou.

Mamãe eu quero sacudir! Doentes da Sapucaí escolhe samba-enredo para o desfile de 2027

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Fotos: Will Ferreira/CARNAVALESCO

O bloco Doentes da Sapucaí, parceiro do CARNAVALESCO na premiação do Estrela do Carnaval em São Paulo, escolheu o samba-enredo que embalará o desfile do enredo “Os Carnavais do Brasil” em 2027 no último domingo, no Valentina Bar, em Pinheiros, Zona Oeste da cidade. O vencedor do concurso foi o Samba 33, dos compositores Cimini, Mauricinho, Negão e Paola. Sempre presente em eventos importantes ligados à folia na cidade de São Paulo, o CARNAVALESCO falou com nomes importantes ligados ao bloco e ao samba-enredo vencedor.

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Enredo amplo

Na visão de Guilherme Cimini, conhecido pelo sobrenome e um dos compositores da obra campeã, a temática dos Doentes da Sapucaí para 2027 favoreceu a poética ao mesmo tempo em que tirou a parceria vencedora da zona de conforto: “Foi desafiador escrever esse samba, mas foi divertido! No fundo, é um enredo que dá prazer de ficar pesquisando. Teve só um elemento que a gente optou e poderia causar polêmica: se a gente fosse falar de tudo, a gente não falaria de nada. Carnavais pelo Brasil tem mais de 20, não daria para falar de todos: a gente tinha que focar em algumas coisas. Focamos e a própria sinopse foi direcionada para as marchinhas e para alguns outros locais: são tantos estados com tantos carnavais tão diferenciados que também têm algumas semelhanças. A gente focou em Recife, Bahia, Pernambuco, Bahia, São Paulo, Rio e nas marchinhas. Foi o que a gente tentou fazer, foi a nossa estrutura e a nossa organização foi nesse sentido”, comentou.

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Compositor Guilherme Cimini

Cimini não pestanejou ao destacar qual o trecho favorito da obra escrita por ele próprio é a predileta: “Neste samba em particular, o refrão é a minha parte favorita. O desenvolvimento é legal, o samba vai numa crescente, é um samba que começa calmo e termina explosivo, mas o refrão de cabeça é especial. Tem sambas que não tem um refrão especial e são ótimos; mas, neste caso, tivemos a felicidade de encontrar um bom refrão”, comemorou.

Mandatários satisfeitos

Os dois principais nomes dos Doentes da Sapucaí se mostraram radiantes não apenas com o samba vencedor; mas, também, com os que se apresentaram na disputa. Marcos Dino Soares, conhecido pelo segundo nome, presidente dos Doentes da Sapucaí, foi sucinto: “Não falo isso da boca para fora: estaríamos felizes com quem levar. Os quatro sambas tinham qualidades e também estou satisfeito com o vencedor”, comentou.

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Marcos Dino Soares, conhecido pelo segundo nome, presidente dos Doentes da Sapucaí

Já Rogério Portos, vice-presidente, do bloco, destacou que a apresentação ao vivo foi determinante para a escolha: “Estou muito satisfeito com os quatro sambas finalistas e, também, com o vencedor. Na verdade, estava ansioso para a gente escutar aqui, perante o público, para entender qual iria aderir melhor, qual deles o público iria absorver melhor. A gente conversou com os compositores e todo mundo atingiu o objetivo. Foi o público que disse qual vai contar melhor a história na avenida”, refletiu.

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Rogério Portos, vice-presidente

Fórmula inovadora

Dino detalhou qual o processo de seleção do samba-enredo do bloco: “Foram sete jurados presenciais e tivemos três jurados online, que são baluartes e pessoas do universo do carnaval. O voto de cada jurado online valeu um ponto e o voto de cada jurado presencial valeu sete pontos. Foram, portanto, 49 pontos para os jurados presenciais. Também tivemos o aplauso: quem teve mais aplausos ganhou onze pontos. Por tudo isso, quem decidiu mesmo é o jurado presencial. O online e o aplauso seria importante para um eventual desempate e já tivemos desempates em anos anteriores por conta desses critérios; mas, normalmente, quem define mesmo é o jurado presencial. A gente é um bloco de carnaval apaixonado por samba-enredo, quem conseguiu expressar melhor o enredo e levar mais a cara dos Doentes na melodia e na alegria do samba levou”, disse.

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Perguntado sobre como seria medido a quantidade de aplausos, Dino destacou a tecnologia utilizada pelo Doentes: “Para medir o aplauso, a gente teve uma estratégia: a gente baixou um aplicativo que mediu o volume dos decibéis. A gente deixou dez segundos rolando e a média dos decibéis definiu quem ganhou os 11 pontos. O segundo colocado ganhou quatro pontos, também”, afirmou.

Já Rogério pontuou que tal fórmula, utilizada em 2027, leva em conta a inspiração de outras agremiações carnavalescas da cidade: “Sendo bem sincero, a gente ainda não tem uma fórmula certa. A gente tenta copiar um pouco o que acontece nas escolas de samba. Mas, para a gente, é muito importante ver quem vem escutar e decidir com a gente o que é melhor para o bloco. A presença sempre é muito fundamental. Para a gente, é primordial ter um evento como esse para poder escolher e sentir o público. O que eles decidiram me deixou feliz”, finalizou.

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Samba-enredo para fechar o domingo

A Disputa de Samba-Enredo dos Doentes da Sapucaí começou por volta das 17h, não ironicamente o horário em que as urnas das eleições Brasil afora foram encerradas. O sorteio da apresentação dos sambas veio na sequência, antes de uma sequência de sambas-enredo clássicos que empolgaram os presentes. Logo depois, teve início a disputa, com o resultado revelado pouco depois.

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Alceu Maia revela como o álbum do Grupo Especial do Rio busca levar o ‘sabor ao vivo’ para o estúdio

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Foto: Mariana Santos/CARNAVALESCO

A bateria entra no estúdio e, em poucos minutos, o ambiente começa a ganhar outra dimensão. Surdos, caixas, tamborins e demais instrumentos se encontram, enquanto o samba-enredo deixa de ser apenas uma composição e passa a incorporar a força sonora de cada escola. É o chamado “sabor ao vivo”, aposta de Alceu Maia, diretor musical do álbum dos sambas-enredo do Grupo Especial do Rio de Janeiro para o Carnaval 2027, para aproximar a gravação da energia que toma conta das quadras e da avenida. A proposta é simples na concepção, mas exige precisão na execução: levar para o estúdio uma minibateria tocando de verdade, integrada aos demais músicos e elementos que ajudam a construir a identidade musical de cada agremiação.

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“A concepção do álbum de 2027 é gravar a bateria ‘sabor ao vivo’, como o pessoal fala. A bateria, uma minibateria tocando ao vivo e depois fazer as tomadas de vídeo”, explica Alceu.

Não há como reproduzir no estúdio a dimensão de uma bateria completa, com centenas de ritmistas. A solução é preservar justamente aquilo que torna cada conjunto reconhecível: sua característica, sua levada e o entrosamento com os demais segmentos da escola.

“Cada escola traz para o estúdio a sua característica: harmonia, que eu falo de instrumentos de corda, os instrumentos musicais, a harmonia entre os componentes todos, e o que a gente… também o DNA de cada bateria. Aí depois chega porta-bandeira, mestre-sala, rainha de bateria, destaques, os passistas… E você vê o congraçamento, o entrosamento entre todo mundo de cada escola”, conta.

É nesse encontro que o álbum começa a ganhar personalidade. Apesar de reunir 12 sambas-enredo, o projeto não segue uma receita pronta. Cada agremiação chega com intérpretes, músicos, bateria, arranjos e maneiras próprias de transformar a obra escolhida para o Carnaval 2027 em uma gravação.

Álbum que nunca se repete

Alceu Maia conhece esse processo de diferentes posições. Começou tocando cavaquinho, passou pelos arranjos e pela produção e, depois de um período mais dedicado aos shows, voltou a trabalhar na construção do álbum. Para ele, é um trabalho que está longe de ser repetitivo.

“Eu comecei só tocando cavaquinho, depois tocando cavaquinho fazendo arranjo. Aí, durante uns anos, eu toquei cavaquinho, fiz arranjo, produzi. No início fiquei um pouquinho reticente, mas isso aqui é uma cachaça. É música! Está dentro de mim assim desde molequinho, provavelmente desde a barriga da minha mãe”.

A experiência também permite acompanhar uma transformação que começa muito antes de o samba chegar ao estúdio. Alceu vê as obras ainda nas disputas das quadras e acompanha as mudanças que acontecem até a construção da versão definitiva do álbum.

“Essa jogada do samba-enredo é uma coisa muito envolvente e que a gente pega os sambas desde o início, de quando eles estão concorrendo, até as transformações que vão acontecendo durante as gravações. E cada ano é uma novidade”.

A movimentação entre intérpretes, mestres de bateria, arranjadores e diretores musicais contribui para que uma temporada nunca seja igual à outra.

“Um enredo diferente, são escolas diferentes, cantores diferentes; uma vez o cantor está em uma escola, da outra vez está na outra escola; o mestre de bateria está numa escola, depois está em outra… É um projeto que nunca é estático”.

Cacos e alusivos entram na conversa

Entre os assuntos que costumam provocar discussões durante a produção estão os cacos e alusivos utilizados pelos intérpretes. Segundo Alceu, não existe uma fórmula definitiva para determinar o que entra ou fica de fora da gravação. As decisões são tomadas de acordo com cada projeto e em diálogo com as agremiações.

“Um ano tem mais, outro ano tem menos, um ano pode, outro ano não pode. É tudo conversado, não tem nada assim de imposição nem restrição”.

A escolha também passa pela coerência com a proposta do “sabor ao vivo”. Para Alceu, determinadas soluções podem funcionar muito bem na avenida, mas perder força quando transportadas para uma gravação — e o contrário também acontece.

“A gente ainda brinca com os compositores, brinca com os mestres de bateria, com os diretores musicais que disco é disco, que agora é álbum é álbum, e avenida é avenida. Tem coisas que você pode fazer na avenida que não rende no disco, e coisas que no disco você faz e fica maravilhosa e você não pode levar para a avenida, porque é muito risco e que às vezes nem tem muito a ver mesmo”.

Finais apertadas não são um problema

Como as escolhas dos sambas acontecem em datas diferentes, algumas escolas chegam ao estúdio com mais tempo de preparação do que outras. Para Alceu, no entanto, o calendário apertado não costuma ser um obstáculo para profissionais acostumados à dinâmica das baterias.

“Todos os sambas que vão para a final já ficam bem na cabeça do mestre de bateria, do diretor musical, da pessoa que vai fazer o arranjo. A bateria já tocou o samba nas disputas. Todos os mestres de bateria têm gabarito e competência para pegar um samba no sábado passado e gravar na segunda-feira. Os mestres de bateria são maestros de uma orquestra de percussão. Antes, às vezes você recebia um samba às 2h da manhã para gravar às 9h da manhã, e você tinha que fazer os arranjos de duas escolas. Iam dois sambas para a final da escola X, eu já fazia o arranjo… Já fazia os dois arranjos para poder dormir na véspera”.

Se há algo que a experiência ensinou a Alceu é que a impressão deixada por um samba durante as disputas nem sempre determina o que acontecerá no estúdio.

A gravação pode revelar qualidades que não estavam tão evidentes nas apresentações das quadras. Também pode confirmar a força de uma obra que já chegava madura.

“É um mistério: tem sambas que você acha que eles são médios e chegam aqui e viram… crescem muito. E outros que já estão tão bem que chegam aqui e não evoluem mais, continuam muito bons também. É sempre uma surpresa”.

A diferença, para Alceu, está justamente na natureza do projeto. O álbum reúne escolas com identidades, profissionais e concepções distintas, fazendo com que cada gravação tenha seu próprio caminho.

“Quando você faz o álbum de um artista, é um artista em todas as músicas. Aqui são 12 artistas diferentes. Cada álbum é diferente. As músicas são diferentes, as levadas, as concepções, as ideias”.

Carnavalescos prometem ‘Boizão completamente diferente’ e UPM opulenta no Carnaval 2027

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Carnavalescos Fotos: Ana Beatriz Campelo/CARNAVALESCO

A Unidos de Padre Miguel conta os meses para apresentar a força do enredo “Yèyé Omó Ejá – A Coroação das Rainhas das Águas” na Marquês de Sapucaí. Os novos carnavalescos da escola, Allan Barbosa e Ricardo Hessez, compartilharam, em entrevista ao CARNAVALESCO, o que o público pode esperar do Boi Vermelho da Zona Oeste na Avenida. A dupla está de volta para uma nova parceria no carnaval carioca. Em 2024, ao lado de Marcelo Adnet, assinou o desfile que fez o Botafogo Samba Clube conquistar o acesso inédito à Série Ouro, com o enredo campeão da Prata “Taina-Kan: A Estrela Solitária”.

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Allan Barbosa contou que o convite à UPM chegou depois de a presidente Lara Mara acompanhar o trabalho conjunto dos dois na equipe de criação do Salgueiro: “A Lara ligou para a gente. Ela vinha acompanhando o nosso trabalho no Salgueiro há um tempo. A gente fechou o contrato com ela às 2h da manhã. O primeiro pedido dela foi que a gente trouxesse um novo vigor para a escola, que vinha em uma pegada muito boa com o Milato, mas o nosso estilo de carnaval é um pouco diferente do dele. A gente vem trazendo uma cara nova para a escola. Vamos tentar trazer uma escola bem maior, rejuvenescida, com novo oxigênio”, afirmou.

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Carnavalesco Allan Barbosa

Segundo Ricardo Hessez, a chegada à agremiação foi ‘muito tranquila’, mas com bastante trabalho a fazer: “A escola tinha um enredo pensado, mas precisava de alguém para desenvolvê-lo. Eu e o Allan chegamos e conseguimos trabalhar nele em menos de um mês. O nosso casamento com os enredistas foi perfeito. A gente conseguiu se alinhar muito bem. A Unidos de Padre Miguel não é um fardo, isso nunca passou pela nossa cabeça. Não é um desafio para a gente. É a glória. É poder fazer uma escola de samba que vai desenvolver o nosso carnaval. Acho que isso é o sonho de todo carnavalesco”.

“É uma escola que já chegou nos abraçando, nos acolhendo. A Lara, o Cícero, a diretoria da escola e a comunidade nos abraçaram de uma forma que parece que estamos aqui há 10 anos. A UPM tem uma energia muito matriarcal. Esse enredo foi um presente para a gente e para a escola também, porque é sobre a mãe de cabeça da Lara, que é Yemanjá, e a mãe de cabeça da Deise, que é Oxum. Vamos ver esse encontro das duas Yabás numa escola que tem essa energia de Yabás”, completou Allan.

Já a comunidade e o público geral podem aguardar por uma plástica grandiosa da UPM na Passarela do Samba. Ricardo prometeu uma escola opulenta para retratar o sagrado encontro entre Yemanjá e Oxum.

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Carnavalesco Ricardo Hessez

“Eu e o Allan somos de uma escola mais moderna de carnaval, mas, ao mesmo tempo, respeitamos muito a identidade da escola. O nosso foco sempre é a identidade da agremiação. Vocês podem esperar uma UPM que vai passar grande, opulenta e que está fazendo um enredo afro que vai contar a história antes da diáspora africana. Será uma África de África, não uma África que veio pro Brasil. É aquela África onde se vê o prata, mas é o prata batido. A gente vê o ouro, mas o ouro batido. A gente busca aquelas coisas rústicas de África, feitas à mão. É isso que queremos passar para a UPM, que ela tenha uma roupagem nova, mas não perca a opulência de ser a Unidos de Padre Miguel”.

“Uma coisa que eu vou dizer: aguardem grandeza, muita luz e muita macumba, como a Unidos de Padre Miguel gosta. Aguardem um Boizão completamente diferente de todos os que já passaram. Um Boi como as pessoas ainda não viram na Sapucaí”, finalizou Allan.

Babi Cruz celebra 50 anos de carnaval e será homenageada pela Estrelinha da Mocidade

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Foto: Divulgação/Mocidade

Há 50 anos, uma menina começava a construir uma história que atravessaria gerações do carnaval carioca. Babi Cruz foi Rainha das “Bonequinhas Sambistas” por três anos, projeto que contava com mais de 30 meninas entre 7 e 10 anos, idealizado pelo lendário Mestre André para revelar novos talentos do samba. Aos 12, já carregava o pavilhão da Mocidade Independente de Padre Miguel como porta-bandeira mirim. Cinco décadas depois, a relação com a Estrela-Guia de Padre Miguel permanece viva: em 2026, Babi será a grande homenageada da Estrelinha da Mocidade, escola de samba mirim da agremiação.

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A trajetória de Babi se confunde com capítulos importantes da história da Mocidade. Aos 17 anos, chegou ao posto de primeira porta-bandeira da agremiação. Pela Mocidade, defendeu o pavilhão em seis carnavais,  =1989, 1990, 1991, 1993, 2003 e 2004, e esteve presente em momentos marcantes da trajetória vitoriosa da escola, como nos carnavais de 1990 e 1991, quando a verde e branca conquistou o bicampeonato do carnaval carioca.

“Lutei muito para profissionalizar a minha classe de Mestre e Sala e Porta Bandeira. Fiz o primeiro contrato oficial da história do Carnaval. E hoje, todos eles são profissionais da arte. Na época fui criticada, mas segui de cabeça erguida com um olhar para o que eu já vislumbrava naquela época: a preservação do bailado de mestre e sala e porta bandeira e uma maior valorização da arte e cultura do nosso país”.

Mais do que uma porta-bandeira, Babi se tornou uma personagem ligada à identidade e à memória da Mocidade. Sua história também se entrelaça com a de uma das famílias mais conhecidas do samba: foi companheira do cantor e compositor Arlindo Cruz, com quem construiu uma vida de parceria no Carnaval e na música. O casal se conheceu em 1986, quando Babi participava de uma apresentação como porta-bandeira da Mocidade.

A ligação com o samba, entretanto, nunca ficou restrita à dança e ao pavilhão. Babi também se aventurou como compositora, chegando a integrar uma parceria inscrita na disputa de samba-enredo da Mocidade para o Carnaval de 2022.

Agora, ao completar 50 anos de carnaval, Babi retorna ao lugar onde parte fundamental de sua história começou: a formação de novos sambistas. A homenagem da Estrelinha da Mocidade ganha ainda mais significado por representar um encontro entre passado, presente e futuro. Criada em 1992, a escola mirim nasceu justamente com a proposta de formar novos talentos e oferecer às crianças da comunidade de Padre Miguel um espaço de convivência, cultura e aprendizado através do samba.

A escolha de Babi como homenageada transforma sua própria trajetória em inspiração para as novas gerações. Da menina que aprendeu os fundamentos do Carnaval com Mestre André à porta-bandeira que levou o pavilhão independente para a Avenida, sua história representa a transmissão de uma paixão que atravessa o tempo.

“Agora eu tenho mais um presente na vida: neste próximo carnaval vou vir no carro abre alas, abrindo a encruzilhada para a Mocidade passar, neste novo capítulo que a escola está vivendo. Uma reconquista da autoestima do nosso povo da Zona Oeste, dos apaixonados pela verde e branco. Uma escola que ensina e exporta samba para o mundo”, conta Babi.

A homenagem reafirma também uma das características mais marcantes da Mocidade: a valorização de sua memória e daqueles que ajudaram a construir, dentro e fora da Avenida, a identidade da escola.

Unidos da Tijuca homenageia Socorro Acioli em fantasia sobre a relação do nordestino com Santo Antônio

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Foto: S1 Fotografia/Divulgação Tijuca

A Unidos da Tijuca divulgou uma de suas fantasias para o carnaval de 2027. A escola levará para a Sapucaí a inusitada história do Santo Antônio que ficou sem cabeça no sertão do Ceará. O enredo “A Cabeça do Santo”, inspirado no livro de Socorro Acioli, transporta o realismo fantástico do sertão para o universo carnavalesco, e a fantasia revelada é uma peça fundamental para retratar a relação do povo nordestino com o santo.

A ala 16, “O Castigo do Santo”, apresenta, de forma bem-humorada, que não é uma tarefa fácil ser o santo casamenteiro. Os moradores de Caridade carregam uma relação de intimidade com o padroeiro da cidade. Ele está nos altares das casas, nas romarias pelas ruas e, principalmente, nos pedidos fervorosos das mulheres que sonham em se casar.

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Um lado curioso dessa história é que quando o pedido não é atendido, sobra para o santo ser castigado e a criatividade toma conta das penitências. A sua imagem é mergulhada de cabeça para baixo em um copo d’água, e há até quem “sequestre” o menino Jesus que o santo carrega no colo.

Com a licença poética que é compartilhada entre o carnaval e a literatura, o estandarte da fantasia carrega uma justa homenagem à escritora que inspira o enredo. Enquanto Santo Antônio pede socorro pelos castigos, a Unidos da Tijuca pede por Socorro Acioli nas estantes, nos aplicativos de leitura e no imaginário brasileiro.

Quem quer desfilar na escola precisa se apressar. As inscrições estão abertas e acontecem todas as quintas, das 19h até às 21h na quadra localizada na Avenida Francisco Bicalho nº 47, porém restam poucas vagas. Os interessados devem levar cópia da identidade. Não há taxa de inscrição. Para ter direito à fantasia, será obrigatória a presença nos ensaios realizados todas as quintas-feiras até o carnaval. A agremiação será a segunda escola a desfilar na segunda-feira de carnaval na Marquês de Sapucaí pelo Grupo Especial.

Torcida Jovem celebra 57 anos e apresenta samba-enredo do Carnaval 2027

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Fotos: Pedro Ribeiro/CARNAVALESCO

A Torcida Jovem comemorou seu aniversário de 57 anos no último sábado. Teve bolo, queima de fogos, sinalizadores, shows de Gica, MC Lon e Samprazer, além, é claro, da escola de samba! A noite de festa foi a data escolhida pela diretoria para que a comunidade cantasse, pela primeira vez ao vivo, o samba-enredo do Carnaval 2027. A obra é assinada pelos compositores Capuava ABC, Glauco do Cavaco, Maurício Rocha Jr., Rafa Hecht, Dodô Ananias, Baco, Ricardo Bernardes, Alex do Cavaco, Ygor Dla Sant e Vila Ede (in memoriam). O enredo “Porto de Santos – O Mundo se Encontra Aqui” atraca na Torcida para conectar a identidade e a história da comunidade santista. A opção por falar e cantar sobre o porto mais famoso e importante do país já era um sonho antigo, porque o clube e a cidade de Santos puxam a Jovem como o mar.

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O presidente Jefferson Silvano, o Jé, destacou ao CARNAVALESCO tudo o que este enredo representa: “O que ficou mais forte, e mais latente entre a gente, foi a questão de qual enredo iríamos escolher. E tocou no nosso coração. Falar sobre o porto já era um tema antigo que a gente queria falar. O nosso fundador Cosmo Damião, que hoje não se encontra mais aqui, tinha uma vontade muito grande de falar do porto, por causa da história em si. Pela ligação da cidade de Santos com o time de futebol, e toda essa questão que o porto envolve. O quanto mexe e movimenta a cidade. O que pegou mais mesmo não foi a questão dos compositores, mas a questão do enredo; tinha que ser o ‘Porto’. Tem a ver com o Pelé e a época que o Santos viajava de navio, os vários imigrantes que vieram e hoje estão em Santos. O porto é um tema perfeito que liga o Pelé, a Vila Belmiro, a cidade e a torcida”, exaltou.

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Presidente Jefferson Silvano, o Jé

Perguntado sobre sua parte predileta no samba, o presidente comentou o cotidiano dessa vida serrana, de ter sede e participação no carnaval em São Paulo, mas com a certeza de defender e ter seu coração na descida da Imigrantes-Anchieta: “Quando fala ‘e fez de Santos o nosso lugar’. É isso! O porto, com toda a sua história, fez, de fato, Santos ser o nosso lugar. Isso é uma coisa bem real. Hoje, é o nosso local sagrado. Por mais que a gente seja uma torcida organizada daqui de São Paulo, o nosso time é de Santos, e, para a gente, isso é muito importante. Gostei muito do refrão principal, e o do meio, porque a gente já ganhou um carnaval falando de Iemanjá em 2023. É um refrão que fala sobre essa ligação com as águas e Iemanjá. É uma parte que eu gosto muito”, declarou.

Escolha por uma comissão

A Torcida Jovem opta por organizar seu carnaval através de uma comissão. Dentro das possibilidades e da trajetória da escola, a posição de não ter carnavalesco tem funcionado, e, segundo o presidente, essa estrutura montada em 2020 tem colhido bons resultados: “Tenho uma ambição muito grande de colocar a Jovem no Grupo Especial; é uma meta da nossa gestão. Enquanto isso não se concretizar, eu não vou desistir. A Torcida Jovem sempre teve carnavalesco. Só que a gente passou por alguns momentos difíceis e precisávamos fazer renascer o carnaval da Jovem. Quando a gente montou essa comissão de carnaval, deu certo. E ela se estende até hoje. Obtivemos grandes resultados. Quem acompanha um pouco do nosso trabalho vê que a gente vem batendo na trave quase todo ano. Eu gosto muito do modelo que tem um carnavalesco, um enredista e todo esse contexto. Porém, hoje, para a Torcida Jovem, e pelo momento que a gente vive dentro da nossa realidade e dificuldade, associado ao perfil da nossa escola, o melhor é uma comissão de carnaval. E as pessoas que fazem parte são pessoas que estão aqui por amor e fazem esse trabalho com muito coração. É o sentimento na ponta da chuteira”, contextualizou.

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Integrante da comissão e diretor de carnaval, Evandro Guedes especificou como foi o processo de diálogo com os compositores: “A gente teve, sim, um cuidado muito especial para falar com os compositores. Passamos para eles tudo que a gente precisava, e de uma forma que eles conseguissem entender. Tivemos oito sambas que vieram concorrer. E foi uma concorrência fechada, interna. Nós decidimos e mexemos muito pouco nesse samba. Foi muito bem elaborado pelo pessoal do Capuava e Companhia. O samba está perfeito”, salientou.

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Diretor de carnaval, Evandro Guedes

Muita coletividade na quebrada

A música encontrou um enredo que conecta todos os elos do que a Torcida Jovem significa. De olho, ou melhor, com os ouvidos ligados nessa identidade coletiva e histórica que forjou a comunidade santista, o mestre Marcelo Caverna organizou essa perspectiva que introjeta cultura e ritmo, e o que vislumbra e planeja para a ‘Firmeza Total’ navegar no Anhembi: “É um samba-enredo que tem a cara da Torcida Jovem, em todos os sentidos; questão de melodia, homenagem a uma cidade que temos uma ligação histórica profunda. Nascemos como Torcida aqui na cidade de São Paulo, em 1969. Daí, a escola começa a desfilar em 1978. Mas é inegável que a Torcida Jovem é ligada ao Santos Futebol Clube e toda a comunidade da Baixada. É muito importante prestarmos essa homenagem ao ‘Porto de Santos’. Esse lugar de chegada e partida, e que ajudou a forjar a cultura popular do Brasil e do povo brasileiro. Sobre a batucada, quando você chega com um enredo que tem toda essa conexão e sintonia, e um refrão muito especial que fala dessa bênção de Iemanjá abençoando o porto, e das pessoas que lá trabalham e suas fés, fica ‘delícia’. Como uma escola de samba oriunda de torcida, há muita fé nas nossas veias e na nossa alma. Preparamos uma bossa muito especial para esse momento de Iemanjá. Temos outra bossa muito bonita no refrão principal, e uma outra surpresinha que a gente está guardando a sete chaves. Agora é aquele momento de lapidar o diamante, e o andamento vem com aquele jeito nosso; entre 146, 145 e 144. Varia nesse ‘ziriguidum’; bora que bora”, dissertou.

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Mestre Marcelo Caverna

Voz do porto

Depois de embarcar no meio do percurso no Carnaval 2026, o intérprete Ivan Ribeiro, o Ivanzinho, assume o leme para seu primeiro ciclo completo na Torcida Jovem. O cantor expressou suas expectativas com o samba-enredo de 2027 e como as diretrizes das vozes estão sendo preparadas: “Esse ano vai ser completamente diferente, porque o samba foi feito para eu cantar. Vamos trabalhar de uma forma que vai ser melhor para todo mundo. Para a ala musical e para as cordas. O elenco inteiro em si está começando a trabalhar com um único cantor; um que já trabalhamos há quatro anos juntos e no mesmo elenco. A dificuldade será menor porque a gente já se conhece e temos pessoas bem experientes no elenco. Vai ser um ciclo mais fácil. Um samba bom e que podemos lapidar legal. Adaptaremos alguns trechos para melhorar para todo mundo, porque não adianta ficar fácil para mim e ruim para os outros; ficar bom para todo mundo. É uma questão de interpretação. Eu vou fazer de uma forma que não fuja tanto do coro. Vou procurar fazer de uma forma que todo mundo cante igual a mim, ou pelo menos próximo. Tem pessoas que cantam muito mais que eu. E, em alguns trechos, eu vou tentar cantar igual a eles. Vamos caminhar bem. E, se Deus quiser, dará tudo certo”, explanou tecnicamente.

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Intérprete Ivan Ribeiro, o Ivanzinh

Pavilhão já trabalha no porto

O primeiro casal de mestre-sala e porta-bandeira, Pingo e Verônica Nascimento, já trabalha a coreografia em cima do samba. Segundo Verônica, a rotina de ensaios está tranquila, fluida e consistente: “O samba é muito melódico e nos dá várias entradas para coreografias diferentes. Desde o processo da inclusão do samba para a gente, nosso ensaio tem sido bastante leve, proveitoso e com duas folgas na semana, tipo CLT”, brincou.

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Primeiro casal de mestre-sala e porta-bandeira, Pingo e Verônica Nascime

Para o mestre-sala Pingo, o conhecimento prévio do samba ajuda na elaboração da coreografia e nos ajustes técnicos do segmento. Apesar da tentativa de desconversar e guardar no convés alguma novidade exclusiva da dança, o CARNAVALESCO conseguiu do mestre-sala uma dica, ou melhor, uma palavra: “Não era para falar nada, mas tudo bem: mar”, emergiu.

O samba-enredo da Torcida Jovem foi, sem dúvida, abraçado por seus componentes. Unir história, identidade e poesia é sempre um bom passo para construir um desfile histórico e/ou uma música inesquecível. Sobre uma parte preferida do samba, Verônica dividiu um trecho que ela e Pingo partilham a opinião: “A parte que fala do barão e do café; onde entra no segundo refrão. É a parte mais emocionante e, assim, toca o coração”, concluiu.