As escolas de samba do Rio Carnaval definiram, na noite desta terça-feira, 1º, o calendário oficial dos ensaios técnicos para 2023, que começam em 15 de janeiro. A grande novidade da temporada será a extensão do período de testes de luz e som na Marquês de Sapucaí. Antes, somente a primeira colocada do ano anterior era contemplada com a estrutura completa do Sambódromo. Agora, as quatro primeiras terão esse benefício (Grande Rio, Beija-Flor, Viradouro e Vila Isabel).
Foto: Alexandre Macieira/Riotur
Assim, serão facilitados os ajustes técnicos rumo aos dias de desfiles, em fevereiro. Da mesma forma em quem outras edições, a entrada será gratuita e o público poderá participar dos eventos levando itens de alimentação e bebida para consumo próprio.
Ao todo, são seis datas chanceladas pela Liga Independente das Escolas de Samba (Liesa) e colocadas à disposição do calendário de eventos da capital fluminense, com potencial para atrair turistas do Brasil e do mundo todo.
15 de janeiro
Império Serrano – 20h30
Paraíso do Tuiuti – 22h
22 de janeiro
Imperatriz – 20h30
Unidos da Tijuca – 22h
29 de janeiro
Mocidade – 20h30
Mangueira – 22h
05 de fevereiro
Salgueiro – 20h30
Portela – 22h
11 de fevereiro – Teste de Som e Luz
Lavagem da Avenida – 18h30
Vila Isabel – 20h30
Viradouro – 22h
12 de fevereiro – Teste de Som e Luz
20h30 – Beija-Flor
22h – Grande Rio
“Ê Kabecilè Kaô, a maldade vira cinza, na fogueira de Xangô”. Esses versos trazem toda a religiosidade do samba da Unidos de Bangu. Depois de homenagear o patrono em 2022, Castor de Andrade, em um desfile marcado por alguns problemas, a Vermelha e Branca da Zona Oeste trouxe um enredo diferente em relação ao do carnaval passado. Já na gravação oficial da obra para as plataformas digitais, a agremiação trouxe toda a africanidade que o enredo “Aganjú… a visão do fogo, a voz do trovão no reino de Oyó” quer mostrar. Instrumentos típicos utilizados em cultos e cerimônias das religiões de matriz africana estarão presentes na faixa para dar uma ambientação ao tema. Mestre Laion, que fará sua estreia na Vermelha e Branca da Zona Oeste depois de comandar a bateria da Acadêmicos do Sossego em 2022, explicou um pouco do que construiu dentro da bateria para apresentar o samba.
“O samba da Bangu é considerado um dos melhores sambas dos últimos carnavais da escola. Estamos com uma proposta, com maturidade, explorar o máximo do enredo, busquei convenções dentro da melodia, dentro da métrica do samba, com um andamento confortável de 140 BPM”, revelou o mestre.
O samba tem autoria de Diego Nogueira, Domingos PS, Dudu Senna, Fábio Turko, Júnior Fionda, Marcelinho Santos, Marcelo Adnet, Orlando Ambrósio e Tem-Tem Jr. Outro que conseguiu deixar a sua marca na obra a partir da gravação foi o intérprete Pixulé, que está de volta a agremiação para o carnaval 2023. Ele elogiou o hino da Bangu para o próximo carnaval colocando ele entre os melhores da safra.
“O refrão de baixo e a cabeça do samba são muito marcantes. ‘Ê Kabesilè Xangô’ vai impulsionar. E a cabeça do samba “Babá Alapala Obá” , isso vai ficar bem marcante. Acho que o samba da Unidos de Bangu será um dos melhores sambas do Grupo de Acesso, e devido o samba ser um samba valente , aguerrido, a Bangu vai fazer um belo desfile por causa disso, devido ao samba que é valente demais, e é bonito, um samba que é a minha cara, tem uma temática afro em que eu me identifico muito”, avalia o cantor.
Quem irá produzir o desfile da Unidos de Bangu em 2023, será o carnavalesco Robson Goulart, tricampeão pela Independente da Boa Vista, do Espírito Santo. No Rio de Janeiro, no Grupo B, desenvolveu desfiles para escolas como Inocentes de Belford Roxo, Independente da Praça da Bandeira e Unidos da Ponte. O diretor de carnaval Marcelo do Rap, remanescente do último carnaval, que também apareceu para acompanhar as gravações da faixa, projetou o trabalho da escola em um ano que tem sido diferente em termos de planejamento.
Fotos da gravação da Unidos de Bangu
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“Partindo agora da nossa gravação, a gente teve um carnaval atípico no meio do ano. As escolas estão se organizando agora, e nessa organização a gente tem que fazer um planejamento totalmente diferente dos outros anos. Normalmente o carnaval termina em fevereiro, e já se começa em março a pensar no próximo carnaval. E esse ano a gente teve um carnaval no meio do ano, então complica um pouco as coisas. A gente agora está voltando para o Cassino Bangu, que sempre foi a nossa casa, a gente voltou a fazer uma parceria com eles. Estamos projetando começar os ensaios de canto e de bateria, ensaio de segmentos”, apresentou o cronograma o diretor de carnaval.
Quem também projeta um bom trabalho até o próximo carnaval é o mestre Laion, comandante do Caldeirão da Zona Oeste, que aguarda com ansiedade o início dos ensaios.
“A proposta é muito boa, agora na Bangu, com uma expectativa muito grande da escola.A bateria já foi capaz de uma nota 40, o objetivo é manter, é de alta responsabilidade, o foco é manter esse trabalho maduro que a escola vem fazendo, e ajudar ainda mais a Bangu a conquistar boas colocações, ainda mais acima. Os nossos ensaios são às quartas-feiras, por enquanto está parado por conta de espaço, mas logo estaremos retornando aos ensaios”, espera mestre Laion.
Para contar o enredo “Rosa Maria Egipcíaca” no próximo Carnaval, a Unidos do Viradouro levará à Avenida 2.500 componentes, divididos em 23 alas. Deste total, apenas uma será comercializada, com 70 fantasias.
Fotos: Wagner Rodrigues/Divulgação Viradouro
Criada pelo carnavalesco Tarcísio Zanon, a fantasia que será vendida é intitulada “À luz do Encantado reflete o azul”, que representa a última profecia de Rosa, mulher preta, escravizada, que foi de meretriz a santa, apontada como a primeira negra a escrever um livro no país, e que terá sua história mostrada na Avenida pela escola de Niterói.
Nas fotos, vestem as fantasias, Carol Neris e Pablo Jales, passista da escola, que foram maquiados por Christina Gall. As fantasias foram confeccionadas por Alessandra Reis, chefe do ateliê da Viradouro. Os interessados devem entrar em contato com Luciene Altman – 21 99914504, via WhatsApp.
A Viradouro vai encerrar o espetáculo do Grupo Especial no Sambódromo em 2023. Será a última escola do desfile de Segunda-Feira de Carnaval.
O site CARNAVALESCO prepara mais uma edição do prêmio “DESTAQUES DO ANO“. É a terceira edição da premiação. Até o dia 20 de novembro, o leitor poderá indicar pessoas e escolas de samba. De 28 de novembro até 11 de dezembro será o prazo para votação. A festa de premiação acontecerá em local que ainda será divulgado pelo site.
Nesta fase atual de indicações, vamos levar em consideração apenas os nomes citados pelo público. Na outra etapa o sistema de pontuação será o seguinte para cada categoria: 40 pontos para o mais votado pelos internautas, 30 pontos para o mais votado pela equipe do CARNAVALESCO e 30 pontos para o mais votado entre os jornalistas. Em caso de empate, o escolhido será o que venceu na votação popular.
“Firma ponto, eu quero ver, vai ter batuquejê/ Chama o povo do samba e samborê”. Os primeiros versos do samba da União de Jacarepaguá já trazem um pouco do enredo “Manuel Congo e Marianna Crioula, os Heróis do Vale do Café” que está sendo desenvolvido pelos carnavalescos Lucas Lopes e Rodrigo Meiners. A escola está de volta à Sapucaí depois de um longo período desfilando na Estrada Intendente Magalhães. O mestre de bateria Marcus Vinícius, em entrevista CARNAVALESCO, durante a gravação oficial da escola do samba para a Série Ouro falou um pouco sobre a emoção do retorno e o que preparou para a gravação. A União de Jacarepaguá vai abrir a segunda noite de desfiles da Série Ouro em 2023. A Liga-RJ lança os sambas para o Carnaval 2023, no dia 10 de dezembro, novamente, com o mini-desfile na Cidade do Samba.
Intérprete Luiz Paulo Júnior gravando a base do samba-enredo da União de Jacarepaguá para o álbum da Série Ouro Carnaval 2023. #carnavalescopic.twitter.com/fFLg6jh3wU
“Felicidade resume. Foram oito anos de muita luta para que a gente pudesse viver esse momento que estamos vivendo hoje, o retorno à Marquês de Sapucaí. Eu coloquei duas bossas só na gravação, até porque a gravação é para a gente conseguir divulgar melhor o samba da escola. Nós preenchemos alguns espaços para abrilhantar ainda mais essa obra maravilhosa”, explicou Marcus.
O diretor musical da União de Jacarepaguá, James Bernardes, explicou que a Verde e Branca tomou algumas providências para a melhor preparação para a gravação oficial.
“O mestre de bateria preparou duas bossas para a gravação, a gente vai ter as congas, as tumbadoras para fazer aquela pegada afro. A gente vai tentar dar uma cara afro mesmo para a gravação, para mostrar um pouquinho da cultura do Vale do Café, jongo, capoeira, maculelê vai estar todo inserido nesta gravação. A bateria fez três ensaios para a gravação, fizemos reunião, fizemos uma gravação prévia da escola para se preparar para a gravação oficial”, revela James Bernardes.
O intérprete Luiz Paulo Júnior, estreante na Sapucaí, na União de Jacarepaguá desde 2020, explicou um pouco de como se organizou para o momento de colocar a voz oficial no samba.
“A preparação que eu faço geralmente é o aquecimento vocal antes, tenho acompanhamento do Chico Donadoni, que é um profissional que acompanha uma galera boa do carnaval, e no caso da gravação do samba no estúdio é um misto de emoção, é técnica e eu acho que, se não me engano, é a parte mais difícil do carnaval”, acredita Luiz.
O samba é de autoria dos compositores Valtinho Botafogo, Victor Rangel, João do Gelo, Temtem Jr., Marcelino Santos, Cláudio Matos, Diego Nicolau, Douglas Ribeiro, Phabbio Salvatt e Thiago Bahiano. O intérprete Luiz Paulo Júnior comentou sobre as possibilidades que podem ser trabalhadas na obra, vencedora na disputa da agremiação.
“A melodia do samba é bem trabalhada, remete a ancestralidade, ao povo preto que é o foco principal do nosso enredo, e traz uma força para impulsionar a comunidade para ela cantar junto com a gente na Sapucaí”.
Ainda com a gravação sendo produzida, a escola já deu início a sua preparação para o próximo carnaval. Mestre Marcus Vinicius comentou sobre os ensaios e prometeu um grande carnaval da Verde e Branca da Zona Oeste.
“Os ensaios, a ansiedade toma conta, porque falta pouco, a cada compromisso oficial como esse da gravação a adrenalina dispara. A expectativa é que a gente possa fazer um excelente trabalho para conseguir trazer as notas que a escola precisa para que a gente possa ficar em uma ótima colocação. Não tenham dúvidas que a União de Jacarepaguá fará o maior carnaval da sua história em 2023. Nossos ensaios acontecem às quartas-feiras sempre às oito da noite na nossa quadra. Aproveito para convidar os que queiram desfilar com a gente, é só comparecer aos ensaios”.
O Salgueiro divulgou nas redes sociais duas fantasias de alas comerciais para o desfile de 2023. Ano que vem, a escola vai levar para a Sapucaí o enredo “Delírios de um paraíso vermelho”, desenvolvido pelo estreante na Academia, o carnavalesco Edson Pereira, que busca realizar uma valorização da liberdade de expressão mostrando que o paraíso cada um é que constrói o seu.
Fotos: Ewerton Pereira/Divulgação Salgueiro
Ala 05 – Paraíso é um Tesouro Guardado a Sete Chaves: O pecado é cortês, é burguês. O dedo apontado vem daqueles que mais cobiçam o tesouro e as riquezas do paraíso original. A Avareza dos “bons investidores” os leva a saquear essas riquezas. Os tesouros tropicais precisam ser conquistados e saqueados a qualquer custo. Ter sempre e querer muito mais: Eis o propósito!
Contato: Carolina – (21) 96745-6317 ou [email protected]
Ala 24 – Regência de Baco: Nas festividades eternas do Paraíso Vermelho todos se entregam as taças e pratos cheios, relembrando a embriaguês e a fartura das festas de Baco que marcam a origem do carnaval. Sob as leis de um Baco Tropical o Paraíso Vermelho é sinônimo de festa e abundância. E os exageros não são pecado!
Contato: Carolina – (21) 96745-6317 ou [email protected]
O desfile de 2023 marca a volta do Império Serrano ao Grupo Especial do Rio de Janeiro. Em entrevista ao CARNAVALESCO, o presidente Sandro Avelar falou da missão de comandar a escola neste momento. * OUÇA AQUI O SAMBA DO IMPÉRIO (NA VERSÃO CONCORRENTE)
Foto: Nelson Malfacini/Site CARNAVALESCO
“Ser presidente do Império representa muita coisa, o Império é uma escola muito de ancestralidade e eu sou filho desse fruto do Império Serrano, dessa ancestralidade. Meu pai foi quem me fez virar presidente do Império Serrano, participou aqui como meu avô também foi presidente. Acho que tenho essa missão de colocar o Império digno na Avenida para exaltar todo mundo que me dá apoio, os mais velhos que estão aqui presentes, que de fato me colocaram como presidente, e também essa ancestralidade que a gente preserva muito no Império Serrano”.
O dirigente falou qual será a tônica do desfile imperiano no Carnaval 2023: “Na verdade, é um enredo muito emotivo, o imperiano pedia muito, sempre teve esse desejo mostrar sua gratidão para o Arlindo Cruz, foi uma pessoa importante para o legado do Império Serrano, com a contribuição com os sambas, com seus shows, às vezes com recurso próprio ele ajudou o Império. Ele levou a marca da escola para diversos lugares, eu acho que a família imperiana vê esse enredo como uma forma também de mostrar as origens do Império Serrano. Essa ancestralidade que ele carrega e também de ter um enredo que cause um apelo popular que leve o Império Serrano a permanecer no Grupo Especial e comover o grande público. Acho que o Império Serrano é uma escola bastante emotiva, nós somos chorões, nós choramos na avenida, somos uma escola de samba de fato bastante voltada para emoção”.
O enredo ”Lugares de Arlindo” está sendo desenvolvido pelo carnavalesco Alex Souza que fará sua estreia no Reizinho de Madureira. A ideia é passear pela carreira, vida e os gostos do grande baluarte da escola Arlindo Cruz. Em 2023, o Império Serrano vai abrir a primeira noite de desfiles do Grupo Especial.
Após a temporada de sucesso no Sesc Copacabana, o espetáculo “Joãosinho e Laíla: Ratos e Urubus, larguem minha fantasia”, com texto de Márcia Santos e direção de Édio Nunes, retorna aos palcos para apenas quatro apresentações, no Teatro Dulcina em cartaz de quinta a domingo, entre 10 a 13 de novembro, às 19h. A montagem propõe render sua homenagem ao samba e a essas relevantes figuras do carnaval carioca, cujas vidas fazem parte da história da cidade do Rio de Janeiro. Pode-se dizer até mesmo, da história do país, dada a importância deste patrimônio cultural popular e histórico que é o carnaval. O espetáculo percorre por acontecimentos de grande comoção midiática entre os anos de 1989 e 1990 e traz oito sambas enredo costurando a cronologia do espetáculo.
Fotos Claudia Ribeiro/Divulgação
Cridemar Aquino e Wanderley Gomes dão vida aos ícones do carnaval, Laíla e Joãosinho Trinta, respectivamente, trazendo a genialidade do diretor de carnaval e carnavalesco no emblemático desfile da Beija-Flor de Nilópolis em 1989, com o enredo “Ratos e urubus, larguem minha fantasia”. O maior desfile da história do carnaval do Rio de Janeiro traz a Praça da Apoteose para o palco. O elenco, que ainda conta com Ana Paula Black, Milton Filho e Fábio D Lellis, leva ao público um pouco da dinâmica dos bastidores do carnaval, a rotina dos barracões, os sambas de enredo e as figuras que compõem esse universo.
Todo aquele contexto revolucionário de mendigos fantasiados e mendigos reais, com a réplica da estátua do Cristo Redentor – em farrapos – coberta por um plástico preto, que tantas reflexões levaram ao público que lotava a Marquês de Sapucaí chega agora ao teatro provando o quão importante é o carnaval para a quebra de paradigmas, a desconstrução de preconceitos, e para a formação da cultura e valores de um povo. A ideia surgiu de uma conversa de Édio Nunes, diretor da peça, que participou do histórico desfile, com o coreógrafo de comissão de frente Patrick Carvalho.
“Jamais esqueci a cena em que nós, os mendigos, arrancávamos o plástico preto (desfile das campeãs) que cobria a réplica da estátua do Cristo Redentor, um Cristo mendigo, que havia sido censurado pela Igreja e execrado pela mídia. Durante o desfile, a gente foi arrancando aquele plástico, desvelando aquele Cristo, provocando uma comoção. Essa memória me veio conversando com meu amigo Patrick, sobre Laíla e Beija-Flor. Fui percebendo que havia ali um espetáculo. Resolvi, então, levar para o palco aquela memória tão viva dentro de nós, aquele desfile que foi um divisor de águas”, exalta Édio.
O polêmico enredo – que sacudiu a sociedade com um profundo debate sobre a secular questão da desigualdade social no país – tinha por trás os incríveis Joãosinho Trinta e Laíla. Geniais e geniosos, os dois construíram uma trajetória de produção criativa e campeã, e uma relação pessoal repleta de admiração recíproca, de um lado, e de conflitos e embates entre temperamentos e vaidades, de outro.
O texto é assinado por Márcia Santos. Ela observou que este ano, uma escola de samba vencera o carnaval carioca levando para a avenida os diversos aspectos de Exu, arquétipo e entidade da religiosidade africana, confirmando a importância do carnaval na desconstrução de preconceitos, na formação de conhecimento e na divulgação de valores históricos.
“Joãosinho e Laíla são, com certeza, dois dos responsáveis pela construção do espaço de transgressão e de irreverência que tem a arte, essa poderosa ferramenta social e política”, explica Márcia. O texto de autoria mostra traços da personalidade de Joãosinho e Laíla, assim como os bastidores do desenvolvimento de um desfile, figuras e elementos do universo carnavalesco. Ela continua: “Minha sensação é de que, em sincronia com o tempo, nossa temporada no Dulcina crava a relação que o Centro da Cidade e o samba tem. Os fundamentos do carnaval nasceram no quintal da Tia Ciata. Os primeiros desfiles aconteceram no Centro do Rio de Janeiro, assim como nos dias atuais. Estar neste território é ratificar a importância deste lugar na construção de uma cultura popular”.
SINOPSE
O espetáculo foca em conflitos, tendo como recorte temporal o processo de criação do desfile “Ratos e urubus” e os acontecimentos dele decorrentes, buscando jogar luz nos temperamentos, visões de mundo e de vida de cada um dos artistas.
O elenco conta a história daquele desfile e seus personagens e leva ao público um pouco da dinâmica dos bastidores do carnaval, a rotina dos barracões, os sambas de enredo e as figuras que compõem esse universo.
Serviço Joãosinho & Laíla
De quinta a domingo
Horário: 19h30
Local: Teatro Dulcina
Ingressos: R$ 30,00 (inteira) e 15,00 (meia)
Endereço: Rua Alcindo Guanabara, 17 – Centro
Informações: 21 2240-4879
Horário de funcionamento da bilheteria: Aberta 1 hora antes do espetáculo
Classificação indicativa: 14 anos
Duração: 75 minutos
Lotação: sujeito à lotação
A Acadêmicos do Tatuapé apresentou na noite de sábado seu samba ao vivo para o público presente na quadra, visto que a obra já havia sido disponibilizada nas redes sociais há uma semana. Sendo assim, com essa apresentação, a escola da Zona Leste fechou o ciclo de escolhas das obras para o carnaval de 2023. Agora, finalmente, os sambistas podem aproveitar de todos os hinos das escolas do Grupo Especial. O samba do Tatuapé tem autoria de Fabiano Tennor, Henrique Silva, Magoo e Kuka Monteiro. O evento também foi marcado pela comemoração de 70 anos de história da agremiação e da coroação da nova rainha de bateria, Muriel Quixaba.
O crescimento da escola
O presidente Edu Sambista falou do sentimento e do crescimento que a escola teve nos últimos anos. “Hoje é um dia muito especial, ter a oportunidade de vivenciar esse momento. De poder comemorar os 70 anos da minha escola, após um período de pandemia, é algo indescritível, inenarrável. Hoje poder encontrar nossa comunidade alegre, vemos que o povo está com uma felicidade, aquela alegria de poder voltar e viver sua vida normalmente, após esse susto da pandemia que tirou a alegria, a beleza, de todo o contexto mundial, se formos analisar e poder comemorar em uma escola tradicional como o Tatuapé. Uma escola que muitos pensavam que era uma escola nova, mas hoje a história do Tatuapé se perpetuou no carnaval paulistano e no carnaval brasileiro. Hoje o Tatuapé é considerado uma potência”, declarou.
Edu Sambista além de presidente, acumula a função de diretor de harmonia e, segundo ele, o samba para 2023 pode funcionar grandiosamente na avenida. “Esse samba para ser sincero para você, a reação da comunidade foi surpreendente. A partir do momento que nós anunciamos esse samba oficialmente, após fazermos correções, ajustes, como fazemos todos os anos, a direção de carnaval da escola. Quando anunciamos foram só elogios, todo mundo, e nós percebemos na quinta-feira, fizemos um ensaio restrito para sentir como seria esse samba com o povo cantando. E foi para nossa surpresa, algo que nos trouxe muita alegria mesmo, e significa que vamos fazer bonito na avenida”, finalizou.
Grande história com a agremiação
O casal de mestre-sala e porta-bandeira, Diego e Jussara, também falou da emoção que é desfilar pela comunidade da Zona Leste. “É uma emoção muito grande para nós fazer parte da história da Tatuapé. Principalmente por ostentar o pavilhão nesta data tão especial para a escola onde se completa 70 anos de história. Toda essa comunidade, a diretoria, o Diego e a Jussara que fazemos parte. Somos muito gratos por tudo que essa escola faz por nós. A Tatuapé não é apenas uma escola de samba, é uma casa de família, onde a partir do momento que você adentra, é acolhido, você é protegido, daqui você tira amigos, família, meu caso também, eu e minha família estamos aqui no Tatuapé. E sobre o samba, gostamos muito, é um samba que a cara da escola, é um samba que deu para ver que está na boca do povo, é um samba para frente, forte, tem tudo para dar certo”, declarou o mestre-sala.
“A nossa comunidade é muito maravilhosa, sempre acolhe muito bem todos os sambas, enredos que a diretoria da escola escolhe. E isso é muito bom, pois a gente consegue trabalhar junto, todos os setores, e tenho certeza que esse ano, carnaval 2023, a gente vai buscar nosso tricampeonato que está tão entalado em todos nós. Fazer parte da família Tatuapé é uma gratidão eterna, são 10 anos com o pavilhão oficial, é impossível não se emocionar por tudo que a gente já passou aqui. E pela forma que a escola trata as pessoas, isso é muito importante, nós aqui somos respeitados como ser-humano, depois como mestre sala e porta bandeira, e isso aqui é o diferencial. A gente trata bem as pessoas, pois são as pessoas que fazem o carnaval da escola. Está todo mundo de parabéns”, completou a porta-bandeira.
Uma letra rica de detalhes e forte canto da comunidade
Celsinho Mody, intérprete da agremiação, opinou sobre o samba e deu detalhes técnicos. De acordo com o cantor, a comunidade vai dar conta do recado. “Me sinto sempre muito feliz, pois a Tatuapé tem um molde de escolher um samba diferente, é dentro da escola. Desde que eu cheguei, foi em 2006, que eu voltei, cantei em 2006 e voltei em 2016, sempre foi interno, fechado, dentro da escola. Os componentes da escola que votam, a diretoria escolhe o que é melhor para ela. Sem influência externa, isso é maravilhoso, o samba tem a cara da escola. E esse é um samba lindo, cheio de balanço, de africanidade, representa a cultura de Paraty que é muito expansiva, que tem uma história, um legado muito profundo, tanto na história do Brasil, mas com a cultura, marujada, tem essa coisa das misturas das raças, índio, branco colonizador, e o negro, que se juntaram ali. Então o samba reflete tudo isso, cheio de swing, ginga, um samba fácil, de uma comunicação fácil, é um dos melhores sambas que cantei aqui. A comunidade vai se deliciar”, disse.
Novo samba, novas criatividades
De acordo com o mestre Higor, diretor de bateria da escola, a obra tem a cara da comunidade. O músico também revelou que está trabalhando em arranjos e bossas. “Na verdade, a gente fez a escolha como estamos acostumados há algum tempo. É um samba muito bom, com a cara do Tatuapé, e acredito que vai ser um samba que vai nos ajudar para um grande desfile. Já estamos trabalhando, fizemos primeiro ensaio na quinta-feira, mas estamos trabalhando sobre bossas, passagens, a gente crê que mais uns dois, três ensaios, a gente vai inserir tudo”, revelou.
Um trabalho diferente dos últimos anos
O carnavalesco Wagner Santos falou brevemente sobre o enredo de Paraty e o surgimento dele para a agremiação. “O enredo Paraty surgiu em uma reunião entre diretores da nossa agremiação, onde o contato foi feito com um dos nossos colaboradores e bateram o martelo que nossa homenagem seria a cidade Paraty. Fiquei muito feliz, gosto muito de desenvolver enredo de CEP, como se dizem, enredo CEP, e falar de Paraty para mim é maravilhoso. Pois é uma cidade que tem história, cultura, e tem todo um projeto visual sendo trabalhado em cima desse enredo. A gente esse ano, carnaval de 2023, juntamente com diretoria e todos os profissionais que estão trabalhando neste projeto, estamos desenvolvendo uma nova forma de apresentar carnaval, uma nova forma de apresentar fantasias, e até mesmo, um trabalho diferenciado dos demais que já tem feito”, contou.
O artista aproveitou para enaltecer a obra escolhida pela escola para o desfile de 2023. “A disputa da Tatuapé é aberta, as pessoas se inscrevem o seu samba e o samba vencedor foi um dos sambas escritos que ganhou. Teve alguns detalhes, alterações, foram poucas, mas estamos contentes com o nosso samba. É um samba muito bonito, para frente, que levanta a galera. A nossa comunidade está feliz com o samba, a diretoria e o intérprete maravilhoso, tem Celsinho Mody, tem tudo para fazer com esse samba aconteça como ele tem feito nos outros sambas, e já teve oportunidade de apresentar em nossa agremiação. Acredito que vai ser um carnaval fantástico, podem ter certeza que vão aguardar um carnaval fantástico. Ideias maravilhosas, um trabalho bem diferenciado, e o maior de tudo vai ser a oportunidade de ser a segunda escola a desfilar. É muito raro você ter a oportunidade de ser a segunda escola a desfilar. Você só pode ser a segunda escola se você cometer algum erro no carnaval anterior, e infelizmente nós cometemos um erro, mas fomos premiados com o melhor horário que uma escola possa desfilar. O Brasil inteiro vai estar assistindo, transmitido para o Brasil todo, avenida, as pessoas, público todo entusiasmado, para assistir ao desfile, não vamos pegar o público cansado, uma noite linda, iluminada, céu estrelado, e com certeza a oportunidade de apresentar um espetáculo e um grande diferencial que pretendemos apresentar neste ano”, concluiu.
Análise do samba
É uma obra que segue o rumo que a escola desenha nos seus desfiles. Tem a melodia para cima, o intérprete Celsinho junto da bateria Qualidade Especial, jogou para cima na apresentação e deu para notar que grande parte dos componentes já estão com a letra na ponta da língua. É uma letra simples de entender, mas ao mesmo tempo é rica em informações.
Compositores: Samir Trindade, Fabrício Sena Pereira, Deiny Leite, Jeiffer Almeida, Felipe Pereira, Cara de Macaco e João Eduardo.
Lá onde moram santidades
O profeta e a majestade
Encontro divino
Um lembrava a França e as cruzadas
O orgulho e as espadas
O outro, as areias, seu destino
Amizade que o tempo eternizou
Lá de cima, sempre olhos seus fiéis
Um dia numa prosa o rei falou:
– Uma cidade fica ali aos nossos pés
– Batizada em nome e devoção
– Bendito seja São Luís do Maranhão
– Encantada no nordeste brasileiro
– Tem magia ali o ano inteiro
– Vamos, amigo, o povo abençoar
– Eu serei o padroeiro e você festejar
E ao chegar imaginaram uma ciranda
Colorido, união, o canto e a dança
E o santinhos encontraram na jornada
Bandeirinhas nas sacadas
Lençóis cobrindo o Bumba-meu-boi
Pai Francisco entrou na roda
Merci num balancê, quadrilha no arraiá
Crioula, toca o tambor
Cacuriá girou, henrança da cor
– Eu vou-me embora
Foi o que o Santo disse assim
– Em vou embora e levo o Leão pra mim
Berço do samba é batuque, é toada
Terra da Palmeira onde canta o sabiá
Um fogo arde do meu coração
São Luís, São João, viva a Estácio de Sá