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Estrela do Carnaval 2022: Águia de Ouro recebe o prêmio de melhor conjunto de Fantasias

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Embalada pelo seu primeiro título do Grupo Especial, a Águia de Ouro levou ao público que compareceu no Sambódromo do Anhembi em abril deste ano o enredo “Afoxé de Oxalá, assinado pelo carnavalesco Sidnei França. Com uma apresentação rica em beleza visual e de fácil leitura, a escola da Pompéia ganhou o prêmio Estrela do Carnaval de melhor conjunto de Fantasias, em reconhecimento da equipe do site CARNAVALESCO, que marcou presença no último ensaio de quadra da agremiação, realizado no domingo. Sidnei recebeu a placa do prêmio e agradeceu em nome da comunidade.

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“Fico muito feliz de receber essa premiação em nome da Águia de Ouro. Com certeza é um prêmio coletivo. Por mais que o carnavalesco crie e tenha ideias, ele depende da equipe de ateliê para fazer o protótipo, a modelagem, a costura, a decoração e a adereçagem, e depois isso é reproduzido. Temos um ateliê incrível dentro da escola. Tem o trabalho de compras, e se estende aos chefes de ala que batalham muito para que as fantasias cheguem inteiras na Avenida, e até os componentes que são conscientes da necessidade de preservar a fantasia, de zelar pelas fantasias, para chegarem impecáveis ao desfile. Então é um prêmio muito coletivo. Se são duas mil fantasias, são dois mil artistas que vestem essas fantasias que a gente cria. Muito obrigado”, celebrou o artista.

‘Muitos desistiram do carnaval e só voltaram agora’

O processo de construção dos desfiles para o Carnaval de 2022 foi delicado para todas as escolas por diferentes motivos. França destacou alguns dos desafios que encarou em função da pandemia que forçou o cancelamento da festa do ano passado.

“Foi realmente um carnaval muito difícil para todas as escolas, não somente para a Águia de Ouro. Acho que fica evidente a fala que eu acho que é de todos os carnavalescos e de todas as diretorias, de que além a dificuldade, rolou dificuldade financeira, material. Tinham produtos que não tinham sido importados devido a pandemia. Teve a questão de escassez de mão de obra. Foi um ano muito difícil para achar cortador de tecido, costureira, porque com a não realização do Carnaval de 2021, elas tiveram que buscar trabalho. Muitas costureiras foram para indústrias e confecções, e abandonaram o Carnaval. Estão retomando só agora. Foi um processo muito difícil, mas a gente persevera. O sambista sempre busca, tanto no sentido criativo quanto no sentido de realização, busca se superar e enfrentar todas as dificuldades do caminho. E também eu acho interessante vincular esse assunto da pandemia a algo positivo. Os carnavalescos tiveram mais tempo para pesquisar, para criar. Foi um Carnaval gestado por mais tempo que refletiu em um trabalho mais apurado de significado, de pertinência com o enredo. Esse enredo, o “Afoxé de Oxalá”, é um enredo que eu tinha guardado a algum tempo já, mas eu tive mais tempo ainda do que o habitual de um carnaval dito comum. Eu tive mais tempo para fazer pesquisas de origem religiosa, antropológica. Eu contei com muita ajuda de babalorixás, de pessoas que tem profundo conhecimento da ligação Brasil e África, e isso ficou muito evidente nas fantasias também”, declarou.

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Disposta a surpreender mais uma vez

O carnaval de 2023 está chegando, e Sidnei França tem a oportunidade de levar para a Avenida mais um enredo lúdico, estilo que o consagrou com apresentações memoráveis, intitulado “Um Pedaço do Céu”. De acordo com o artista, a comunidade está unida e confiante no sucesso da escola.

“Esse novo carnaval está sendo realizado com muito carinho. Ele está sendo muito especial porque caiu nas graças da escola. A Águia de Ouro é uma escola muito leve e jovial. Ela gosta de enredos lúdicos, abstratos, poéticos. Esse enredo carrega uma pergunta filosófica existencial muito forte, que é “o que te leva ao Céu?”. O desfile vem respondendo tudo aquilo que as pessoas têm como projeção de Céu. É um enredo que trouxe novamente para escola um colorido todo diferente, é um enredo muito colorido. Do começo ao fim, a escola vai se apresentar com uma tonalidade de cores muito diversa, muito vibrante. Tem sido um Carnaval incrivelmente tranquilo de realizar pela estrutura da escola e parcerias firmadas. Tudo isso junto está propiciando um Carnaval muito especial, completo. Tenho certeza de que as pessoas vão gostar de assistir. Eu gosto muito de enredos abstratos, e tenho certeza de que as pessoas na avenida vão falar “caramba! como não imaginei isso como um pedaço do céu”. É o tipo de carnaval que eu gosto”, concluiu.

A Águia de Ouro será a sexta escola a se apresentar no segundo dia de desfiles do Grupo Especial do Carnaval 2023, a ser realizado no sábado dia 18 de fevereiro.

Estrela do Carnaval 2022: Casal da Vila Maria recebe o prêmio e celebra carnaval especial

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O casal de mestre-sala e porta-bandeira da Unidos de Vila Maria, Edgar Carobina e Laís Moreira, retomaram a parceria neste último carnaval. A dupla havia defendido o pavilhão da própria escola no ano de 2016, porém o mestre-sala deixou a agremiação e a porta-bandeira teve que formar outra parceria. Entretanto, essa volta deu muito certo. Já neste ano o casal alcançou os 40 pontos para a escola e rendeu premiações da mídia especializada do carnaval. Dentro da pista, foi o casal que mais esbanjou confiança e autoridade. ‘Levitaram’ no desfile. Todos os passos foram realizados com o máximo de elegância. E principalmente, a maior chave do sucesso para um casal de mestre-sala e porta-bandeira, que é a ótima sincronia.

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Devido a isso, a equipe do site CARNAVALESCO votou e elegeu o casal Edgar Carobina e Laís Moreira, como vencedores do prêmio Estrela do Carnaval 2022. Neste último domingo, no ensaio de rua da escola, o prêmio foi entregue à dupla.

Para Lais, o carnaval de 2022 teve um gosto especial e o Estrela chegou como um grande presente. “Eu me sinto imensamente feliz, realizada, reconhecida, porque eu acho que o prêmio nada mais é do que o reconhecimento do que nós fomos naquele desfile. Cada carnaval é único e esse foi muito especial pra gente, porque foi o retorno de uma pandemia e retorno da nossa parceria. Então tinha um ‘gostinho’ diferente. Então ganhar esse prêmio em 2022, pós pandemia, é um ‘presentão’. É o reconhecimento daquilo que a gente faz de melhor, que é dançar juntos. Eu agradeço ao CARNAVALESCO pelo prêmio, reconhecimento e prestígio. Vocês sempre são incríveis”, disse.

Edgar falou da dificuldade dos ensaios na época da pandemia e a superação que o casal teve.”Foi um carnaval muito especial, o retorno da nossa parceria. Um momento muito esperado e muito importante. Então retomar a parceria, o carnaval com a dificuldade que nós tivemos em alguns ensaios porque eu estava longe e aquela rotina de ensaios não estava tendo. Então hoje a gente colheu o que plantou naquela época. É muito bom e estou muito feliz com o prêmio”, declarou.

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A porta-bandeira comentou da preparação do carnaval para o próximo ano. “O trabalho ainda não está daquele jeito que queremos, vamos ser sinceros, mas vamos em busca. Acho que cada carnaval a gente precisa trabalhar muito, Independente de quantos anos a gente passe no Anhembi, cada carnaval é diferente. É especial de uma forma nova, porque a cada ano a gente representa uma situação diferente. Então a gente vai chegar lá e promete coisas lindas”, contou.

“Como ela mesmo falou, cada ano é um ano diferente. A faixa amarela zera tudo. Começa um novo carnaval. A cada ano que a gente sempre está em busca do melhor. Os prêmios e troféus são recompensas do nosso trabalho”, finalizou o mestre-sala.

Calorosa, Grande Rio volta para a rua, em Caxias, com a potência de quem vai brigar pelo bicampeonato do Grupo Especial

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A Grande Rio, que será a segunda escola a desfilar no domingo de carnaval, abriu os trabalhos para a busca do bicampeonato, com um empolgado ensaio de rua, na noite de domingo. Com o canto da comunidade afiado, a escola viu a avenida Brigadeiro Lima e Silva encher de caxienses para vê-la passar. O samba, que caiu nas graças do público, foi o ponto alto do “evento”. Nem oito meses completos do desfile consagrador de 2022, lá estavam todos de novo para iniciar mais uma empreitada.

Sim, o ensaio desta noite virou um evento. O domingo foi de sol e tudo o que faltava era um bom samba, enquanto o público podia degustar uma cerveja gelada, adquirida com poucos reais de um dos vários ambulantes presentes ao longo da pista. Ou seja, um dia bem a cara do enredo que a Grande Rio levará para o Sambódromo: “Ô Zeca, o pagode onde é que é? Andei descalço, carroça e trem, procurando por Xerém, pra te ver, pra te abraçar, pra beber e batucar”. Resumindo, era a melhor pedida para os que gostam de esticar o final de semana ao máximo, em um ensaio que deu sua partida às 21h16, quando Evandro Malandro bradou “é isso”.

E quando o cantor começou, aí ninguém segurou mais. Os componentes cantaram para valer. Se era uma comunidade já conhecida por honrar o quesito harmonia, agora, com o título do carnaval 2022, eles estão ligados no 220V. E sobre o último carnaval, o diretor Thiago Monteiro, respondeu sobre ter ou não algo a consertar do desfile passado: “Não”.

Ele completou, cheio de orgulho, dizendo que eles ganharam dez em tudo (a Grande Rio só perdeu um décimo em samba-enredo. Mais dois décimos perdidos no mesmo quesito foram descartados). E acrescentou:

“A gente tem que manter o que foi feito no último carnaval e é daí para melhor. Com uma nova linguagem, um novo discurso e com uma roupagem daquilo que a gente vem cantando. O que me deixa muito feliz é que eu sinto que a comunidade já comprou e entendeu a ideia de que ela não tem que bater no peito e nem colocar dedo na cara de ninguém. Esse ano, a gente tem que comemorar e levar com alegria. E essa será a nossa força sempre”.

Harmonia

Cantando como sempre, felizes como nunca. Os jurados podem não encontrar dificuldades para encher a tricolor de notas 10. À frente do carro de som, Evandro Malandro tem a maestria de conduzir a comunidade e ditar o tom alegre do ensaio.

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“Essa alegria vem com o cantor brincando com a comunidade. Aquela senhorinha, que já deu a volta na quadra e cantou muito, quer olhar para o cantor e sentir uma energia boa. Então, eu consigo passar isso, modéstia parte. Também para chegar nesse ponto, é preciso ter um carro de som bem preparado. E a gente consegue tudo isso trabalhando com foco”, disse o cantor.

Ao percorrer as alas, não foi possível encontrar queda do canto. Os diretores de ala estavam atentos para puxar a voz de cada um. Percebe-se que estão todos focados no balancê da quintandinha de erê. No verso “Zeca, levante o copo para o povo brasileiro”, tem praticamente uma coreografia obrigatória. É muito difícil alguém, incluindo os que não bebem, ainda que involuntariamente, não levantar o braço nessa hora.

Mestre-sala e porta-bandeira

Daniel Werneck e Taciana Couto apresentaram uma coreografia de quadra. A oficial do desfile, que está pronta, ainda vai ficar guardada, uma vez que os dois preferiram sentir o clima e o andamento da escola neste primeiro ensaio. E, nem por isso deixaram de ser precisos nos movimentos. Ato sublime, a apresentação do casal foi leve e tão sincronizada que até no pulinho aterrissaram juntos.

A respeito da coreografia para 2023, Daniel explicou um pouco da montagem em relação ao samba: “Cada ano é uma proposta diferente. No último carnaval, falamos de Exu e no próximo serão os erês, São Jorge… Então, temos um samba mais solto e mais divertido, o que ajuda no nosso trabalho, por tirar um pouco da nossa zona de conforto”.

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Taciana completou dizendo que o casal faz uma preparação física específica para cada trabalho. “Esse samba realmente puxa um pouquinho mais, mas a gente faz uma preparação para conseguir levar a nossa coreografia. Então, se tiver um cansaço maior, será trabalhado cada vez mais o nosso preparo físico”, explicou a porta-bandeira quando o assunto abrangia o peso de sua roupa.

Samba-enredo

Mas, que bela quitanda é esse samba. Foi o primeiro ensaio de rua, e todo mundo estava com a letra na ponta da língua. O ritmo ajuda na evolução dos componentes que dão ao refrão do meio o seu ápice, e o andamento deixa a melodia suave que permite cantar balançando com a escola. Quem pensa que a Grande Rio vai deixar o “jeito Fafá de tocar” se enganou. É 142 BPM (batidas por minuto) e não se fala mais nisso.

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“As pessoas acham que, para o samba funcionar, a bateria tem que acelerar o ritmo e tocar para frente. Eu discordo. E a Grande Rio foi campeã com um samba que todo mundo achava que deveria tocar muito para frente e eu vim na nossa pegada. A escola respondeu muito bem, pulsou muito bem e cantou muito”, disse o mestre de bateria.

Para finalizar a questão do andamento, Evandro Malando respalda os 142 BPM do Fafá: “Alegria nunca virá com correria. Ela vem com a comunidade aguerrida, com o chão bom, com os componentes focados e com a bateria no lugar certo, com bossas que encantam”, completou o cantor.

Assim como os dois últimos sambas da Grande Rio, este também tem uma melodia que possibilita cantar por muitas horas sem pensar em enjoar. Com a diferença do atual ser mais empolgado, pode se esperar uma escola mais saltitante entre as alas. Mas, isso não é uma crítica às belíssimas canções passadas, embora Exu tenha perdido três décimos dos jurados (2, do 9,8, foram descartados). O cantor falou dessa perda:

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“Foi parte de letra. Um samba que a gente trabalhou muito, assim como foi no pedra preta. Não é achar nada de jurados, mas infelizmente acontece de há mais de 10 anos, ter julgador alfinetando a Grande Rio. Então, tem que ser um pouquinho melhor visto. O músico, músico, que julgar aquele quesito tem que olhar com mais carinho para um trabalho sério que a gente vem fazendo”.

Evolução

Escola pulsando, diretores de ala fazendo tudo andar como o previsto e nenhum incidente. Assim que se resume o quesito evolução deste ensaio de rua. Como eles já sabem o que dá certo, é só repetir o desfile de 2022, que a nota está garantida.

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“Vamos celebrar a vida de Zeca Pagodinho e a escola vai brincar um pouco mais na avenida. Primeiro, a comunidade precisa entender o que ela está cantando. Então, nesse ano tem que ter mais sorrisos, mais alegria de quem tirou o peso das costas. Não é um samba linear, possui muitos pontos de explosão, que nos permite trabalhar esses trechos”, comentou Thiago Monteiro sobre a forma como a escola vai evoluir na avenida.

Bateria

O “Fafazismo” segue na tricolor de Caxias. Já falado do andamento, o perfeccionista mestre de bateria vai para o terceiro carnaval sem nunca ter perdido um décimo. Com tempo menor de preparação para o próximo desfile, ele vê vantagem na concentração de seus ritmistas:

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“Foi praticamente um carnaval em cima do outro. Passou o carnaval de abril e a gente já teve que começar a ensaiar de novo. Agora, a gente começa o ensaio de rua e vai aprimorando até o carnaval”, contou Fafá.

A bateria apresentou bossas e coreografias ao longo do ensaio, em alguns momentos, os componentes se abaixavam e subiam junto com o samba. Evandro Malando contou que está por vir um movimento, que vai levantar a Sapucaí e o mestre não deixou dúvida de que virão surpresas. E, no início dessa preparação, Fafá avaliou o ensaio:

“Foi um ensaio muito produtivo. Temos testados algumas coisas bateria, algumas surpresas que levaremos para o desfile. Espero que, com o passar do tempo vá melhorando. É um ensaio. Teremos muitos erros e muitos acertos. A tendência é só evoluir. Às vezes, eu fico ouvindo as pessoas apontarem erros, mas é um ensaio. Eu erro aqui para acertar no desfile”.

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Agora, está aberto o engradado de preparações definitivas para o desfile de 2023, pelos lados de Caxias. “No primeiro ensaio a gente observa as coisas para organizar. Eu gostei. Mas, a gente tem que acrescentar outras coisas e algumas ideias que vão surgindo. Para o primeiro está muito bom. Mas, a gente tem um longo caminho a percorrer de uma escola que vem se aprimorando. Acho que o samba rendeu muito bem, a bateria também foi bem, o Evandro… Só que, claro que a gente tem muitas coisas a resolver”, avaliou Thiago Monteiro, diretor de carnaval.

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A partir de janeiro, os ensaios da escola serão aos sábados, na expectativa de que o componente vá com mais garra e o público compareça em maior número do que aos domingos. A tricolor quer pista cheia de ponta a ponta.

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A Grande Rio entrará na avenida, com Zeca, depois de Arlindo Cruz com o Império Serrano, um presente para os sambistas, mas há quem reclame da posição (segunda de domingo). Para ficar de patuá para o torcedor, a Viradouro foi campeã nesta posição, em 2020. Da tricolor, já vimos as fantasias, já ouvimos o samba e já conhecemos a equipe. Agora, é esperar para ver o resultado lá no carnaval. Antes, tem o ensaio técnico para os sambistas falarem mais um pouco. E foi isso: 22h20, fim do ensaio.

Imperatriz realiza ensaio de rua com destaque para comunidade e eficiência de segmentos

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A Imperatriz Leopoldinense realizou neste domingo o segundo ensaio de preparação para o Carnaval 2023. Desta vez, na Rua Euclides Faria próximo ao Largo do Itararé, em região perto da quadra da Rainha de Ramos. Com uma hora e 10 minutos de duração, o treino teve como grande destaque, além da alegria e espontaneidade da comunidade, a precisão de segmentos da escola como a bateria de mestre Lolo, a comissão de frente de Marcelo Misailidis e o primeiro casal de mestre-sala e porta-bandeira Rafaela Theodoro e Phelipe Lemos. No próximo carnaval, a Imperatriz será a quarta escola a desfilar na segunda noite do Grupo Especial. A Verde e Branca de Ramos vai levar para a Sapucaí o enredo “O aperreio do cabra que o excomungado tratou com má-querença e o santíssimo não deu guarida”, que está sendo desenvolvido pelo carnavalesco Leandro Vieira.

Este ensaio foi o primeiro na Rua Euclides Faria. O início da escola teve grande destaque com a coreografia apresentada pela comissão de frente comandada pelo estreante na Rainha de Ramos, Marcelo Misailidis. Em seguida, o primeiro casal demonstrou uma grande interação com seus guardiões. O intérprete Pitty de Menezes e a bateria de mestre Lolo confirmaram o bom entrosamento visto no mini desfile na Cidade do Samba. A comunidade de Ramos, do Morro do Alemão e adjacências compareceu em bom número para um segundo ensaio, e apresentou um bom canto e espontaneidade. Claro que ainda pode melhorar tanto em tamanho da escola no ensaio, quanto em relação ao canto que pode ser em maior intensidade em alguns trechos do samba. Perguntado sobre o destaque do dia, o diretor de carnaval Mauro Amorim citou alguns quesitos como destaques ainda que tenha admitido que sempre há o que melhorar.

“Primeiro dia aqui na Rua Euclides Faria, mais um bom ensaio que a gente faz, uma visão totalmente diferente da Rua Professor Lacê, porque aqui é uma rua maior, contingente aumentando, bom ensaio. Sabemos que temos pontos que fortalecer, mas temos notado evolução de ensaio a ensaio. Nossos pontos fortes foram nossos quesitos. Comissão de frente, casal, bateria, o povo abraçou nosso samba. Harmonia e evolução”, finalizou Mauro.

O também diretor de carnaval André Bonatte avaliou que o samba-enredo foi o grande destaque do ensaio da Imperatriz.

“Eu sempre acho que pode melhorar. Até 30 minutos antes de entrar na Avenida eu sempre acho que a gente pode melhorar alguma coisa. Eu acho que o ponto alto mais uma vez foi a gente estar vizinho a nossa quadra, a nossa comunidade estar prestigiando. E quanto mais a gente puder estar fazendo este ensaio aqui nas nossas proximidades, eu acho que isso é importante, porque a gente agrega mais as comunidades. Eu vejo que o ponto alto é o que a escola tem hoje para mim como um dos pontos fortes, que é o samba-enredo. Ele flui naturalmente. Você chega aqui ao final de 65 minutos de desfile e as pessoas pedindo para cantar mais. Esse é o melhor sinal. Quando a pessoa pergunta, ‘mas já acabou?’ É o melhor sinal de que a gente está indo pelo caminho certo”, concluiu André.

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Harmonia e samba-enredo

O samba, aclamado na final da escola, foi conduzido pela voz principal da agremiação para o Carnaval 2023, Pitty de Menezes, que mais uma vez chamou os componentes a cantar a obra desde o início do treino. E a comunidade, agora quase completa, respondeu a altura, com um rendimento superior a apresentação que a agremiação fez no mini desfile na Cidade do Samba, na semana passada. É claro que ainda há o que melhorar, no início do ensaios algumas alas cantavam com menos intensidade que outras, principalmente, em relação as alas que vinham no final da escola, com um rendimento superior. Depois, ao longo do treino, as primeiras alas se soltaram mais. É necessário também justificar que esse foi apenas o segundo ensaio de rua da escola e o primeiro realizado em um espaço de maior largura.

O intérprete Pitty de Menezes estava bastante empolgado com o rendimento do carro de som e de demais segmentos da Imperatriz.

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“A minha avaliação é muito positiva do ensaio. Era necessário esse ensaio. Você vê que a escola está cantando muito, a comunidade está cantando muito. A bateria com o canto, com o carro de som, está muito compacta, está um casamento fantástico, Lolo, carro de som, a bateria Swing da Leopoldina. A escola está em um nível muito alto na minha avaliação. O samba maravilhoso, segmentos de altíssimo escalão. A Rafaela e o Phelipe Lemos, comissão de frente com o Marcelo Misailidis, está tudo lindo. A minha avaliação é positiva. É uma preparação para que a gente faça o que a gente está fazendo aqui na Sapucaí”, entende Pitty.

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Mestre-sala e porta-bandeira

Juntos de novo, Phelipe Lemos e Rafaela Theodoro, que formaram o primeira casal na Rainha de Ramos de 2011 a 2015, fizeram uma grande apresentação, mostrando todo entrosamento, correlacionando o estilo mais clássico da dança, que é peculiar aos dois, com algumas expressões corporais e passos no contexto do enredo, bem Nordeste. Claro que ainda há alguma coisa para limpar na dança. O destaque também ficou para os guardiões que interagiam com a dupla em uma coreografia remetendo ao cangaço tão presente no enredo de Lampião.

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Bateria

Comandados por mestre Lolo, os ritmistas da “Swing da Leopoldina” iniciaram a apresentação com seu próprio comandante tocando zabumba ainda no alusivo que veio anterior ao samba de 2023. Depois já a frente da bateria, mestre Lolo trouxe algumas bossas já com relação a ritmos nordestinos, sempre dentro da melodia e métrica da música, como no trecho do refrão do meio “e foi-se então, adeus capitão”. Lolo revelou ao site CARNAVALESCO que trabalha com o andamento de 144 a 146 BPM (batidas por minuto) e que pretende trazer zabumba, mas que neste ensaio de forma específica não foi usada. O diretor de carnaval, Mauro Amorim, elogiou o comandante da “Swing da Leopoldina” e disse que o processo de trabalho com o profissional explica o sucesso da bateria da Imperatriz.

“É (Lolo) um cara fantástico, é um baita artista, é responsável, trabalha junto, acompanha o processo junto, está sempre conosco em todos os momentos. É maravilhoso trabalhar com o Lolo, é uma baita profissional que enche a gente de orgulho e dá retorno, não é a toa que fez mais uma grande apresentação”, explica Mauro.

Evolução

Em seu segundo ensaio de rua, a Imperattiz decidiu dessa vez por uma rua de maior largura e extensão. Apesar do calor mais intenso de fim de tarde, os componentes evoluíram de forma constante, sem deixar buracos ou grandes espaços e sem embolar componentes ou alas. Não foi perceptível também nenhum momento de correria. Pequenos tripés representavam os elementos alegóricos da escola. A Rainha de Ramos também vai apostar em algumas alas coreografadas principalmente no início da escola. No ensaio deste domingo, a Imperatriz mostrou bom entrosamento dessas alas com coreografia sem perder a espontaneidade que é tão necessária a escola.

Para melhorar ainda mais a performance da comunidade, o diretor de carnaval André Bonatte explicou os próximos passos na preparação da Imperatriz.

“Ensaio não para, inclusive, na semana do Natal, provavelmente, a gente vai fazer um ensaio na quinta-feira. A gente está agregando essa questão. Você não pode ficar parado. A gente tem ainda a semana que vem com ensaio de sexta e domingo. A partir de janeiro é força total”.

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Outros destaques

Agora já coroada oficialmente como rainha, Maria Mariá reinou a frente da bateria com samba no pé e simpatia. As crianças eram as que mais procuravam a rainha. O carnavalesco Leandro Vieira também participou do ensaio com muita alegria e bastante descontraído evoluindo próximo a bateria na maioria das vezes. A presidente Cátia Drumond veio à frente da escola também bastante animada.

Público aprova repetição de formato dos mini desfiles na Cidade do Samba em lançamento do álbum da Série Ouro

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Pelo segundo ano consecutivo, a Liga-RJ realizou um grande evento na Cidade do Samba para o lançamento do álbum com os sambas-enredo das agremiações filiadas ao principal Grupo de Acesso. Repetindo o modelo do carnaval anterior, as 15 escolas da Série Ouro realizaram mini desfiles com apresentação das obras compostas para o Carnaval 2023. O público, mais uma vez, aprovou o formato e a realização do encontro. O site CARNAVALESCO conversou com algumas pessoas que compareceram na noite deste sábado ao local.

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As irmãs Lucy e Alice, moradoras de Vila Isabel e torcedoras da Azul e Branca do bairro de Noel, vieram prestigiar a sobrinha que desfilou como passista pela Em Cima da Hora. Alice elogiou bastante a iniciativa da Liga-RJ em promover os sambas com esse formato de apresentação.

“O evento é legal porque dá oportunidade à gente que nem tem condições de assistir os desfiles na Sapucaí ou frequentar a quadra das escolas de ver, de ter uma premissa do que vai ser no dia do desfile oficial. Eu gostei muito da Em Cima da Hora e da Lins. É a primeira vez que a gente está vindo. A nossa sobrinha é passista da Em Cima da Hora e a gente veio trazer ela aqui e aproveitamos para ver todas”, conta a torcedora da Vila Isabel.

* VEJA AQUI TODAS ARRANCADAS DOS SAMBAS NA FESTA DA SÉRIE OURO

O único “porém” apontado por Alice foi o valor das entradas para o mini desfile que em sua opinião ainda poderia estar um pouco mais baixo.

“Eu acho que poderia ser um preço mais acessível porque se o preço fosse um pouco melhor estaria até mais cheio para as pessoas prestigiarem, principalmente, por ser o Grupo de Acesso. Quando é o Especial, as pessoas ficam mais deslumbradas. Não é um preço caro, mas acho que poderia ser um pouco mais popular, para chamar mais público. De resto, eu achei a infraestrutura da Cidade do Samba legal, bastante banheiro, os bares”, finalizou Alice.

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Já o torcedor da Viradouro Felipe Vieira, que mora em Niterói, e tem a Mangueira como segunda escola, o que mais lhe agradou nos desfiles foi o clima de confraternização entre o público e as escolas.

“O que mais gostei foi o clima, um clima leve, a galera está se confraternizando legal. E as escolas que eu mais curti foram Império da Tijuca, Estácio e Lins Imperial. Acho que a Lins deu uma sacudida legal. O samba é diferente, curioso”, conta o niteroiense.

Felipe Vieira também apresentou uma pequena crítica ao fato de os desfilantes não poderem assistir às outras escolas. “Eu tenho uma crítica ao fato da galera que desfilou não poder vir aqui próximo a área de desfile para assistir. Eu acho que seria legal deixar essa galera vir, porque o samba é isso, samba aceita diferentes culturas, diferentes classes. Fora isso, quem está aqui dentro, a galera está confraternizando. Hoje está mais vazio que o Especial, mas eu estou gostando mais de hoje, pelo clima mesmo entre as pessoas”, conclui.

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O torcedor da São Clemente, André Athayde, foi ao mini desfile para incentivar a escola que caiu do Grupo Especial e vai desfilar na Série Ouro em 2023. André morava em Botafogo quando criança, se mudou para o Centro, mas conta que o coração continua no bairro da Zona Sul e bate mais forte pela Preta e Amarela da comunidade do Morro Dona Marta e adjacências.

“Eu estou bem confiante de que ela vai subir, vamos torcer. Essa é uma oportunidade de ver ela de novo, ela caiu, quando a escola cai acaba ficando um pouco mais fora da mídia, mas vim aqui dar uma gás para ela voltar. Eu acho que o melhor daqui é que é um evento muito para sambista. Estou adorando o evento, foi uma ótima ideia. Acho que a única coisa que poderia melhorar, que me vem à cabeça, é trazer um pouco mais de informações das escolas, para gente conhecer, no mais tudo ótimo”, sugeriu André.

Já Johnny Paulo, que mora em Madureira e desfila na comissão de frente da Portela, veio na festa de lançamento do CD da Série Ouro no ano passado e até desfilou. Dessa vez, apenas prestigiou o evento da arquibancada.

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“Vim ano passado e até desfilei. Eu acho que a estrutura desse ano está ainda melhor. Comparada ao ano passado, acho que teve mais acessibilidade. Ano passado, eu acho que foi mais curtinho, esse ano a galera pode prestigiar mais de perto, ano passado ainda havia mais ameaça do Covid. A importância de um evento como esse é muito grande, é tipo um pré-carnaval real. A gente consegue viver um pouquinho do que é o desfile. Acho que é viver novamente o que a gente vive na Sapucaí. Eu gostei muito da Unidos de Padre Miguel, achei que a energia foi bem contagiante. Achei tudo muito tranquilo, tanto quanto o atendimento, quanto a galera da frisa”, analisou Johnny.

A moradora de São Gonçalo, Sabrina estava na arquibancada com o cunhado. Ela foi prestigiar a irmã que desfila na Porto da Pedra. Ao ser questionada sobre o que poderia melhorar na festa deste sábado, a sambista acredita que o horário do evento poderia facilitar o trabalho das agremiações e seus foliões.

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“Eu gostei muito do evento, só achei que demorou muito. Acho que poderia melhorar os horários, ou ser mais cedo, ou começar mais tarde. Demora muito, a escola vem para cá cedo, para desfilar quase de manhã. Eu gostei de todas as escolas, mas a melhor foi a Porto da Pedra. É a minha escola de coração. E minha irmã é passista da Porto da Pedra”, conta Sabrina.

Thelminha é apresentada à comunidade da Mangueira em seu primeiro ensaio como musa da escola

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Recém-anunciada como musa da Estação Primeira de Mangueira, Thelma Assis compareceu ao seu primeiro ensaio na quadra da escola na noite deste sábado. A data especial marcou a sua apresentação à comunidade e foi carregada de emoção para Thelminha, que além de médica e apresentadora, também é sambista há quase 18 anos.

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Fotos: J.M.Arruda/Divulgação Mangueira

“Quem é do samba não consegue deixar de admirar toda a tradição e história de uma escola como a Mangueira, então mal consigo conter a minha felicidade desde o momento em que recebi esse convite. O sentimento é indescritível! É uma grande honra ter a oportunidade de fazer parte da trajetória dessa comunidade. Agora é controlar a ansiedade até o dia desfile e se dedicar pra dar o melhor na avenida”.

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Com o enredo “As Áfricas que a Bahia Canta”, a verde e rosa mostrará na Sapucaí em 2023 as construções das visões de África na Bahia a partir de sua musicalidade e instituições carnavalescas negras, destacando o protagonismo feminino nesse processo e as lutas contra intolerância, racismo e pelo fortalecimento da identidade afrobrasileira.

Cacau Protásio no ensaio da Mangueira

Outra celebridade que esteve no ensaio da verde e rosa neste sábado foi a atriz Cacau Protásio. Ao lado da rainha Evelyn Bastos em seu palanque de destaque, Cacau sambou a noite toda ao som da bateria “Tem que respeitar meu tamborim” e postou vários vídeos na quadra da Mangueira em suas redes sociais.

“Gente samba do lado dela não dá!

Ela arrasa muito, é Rainha mesmo, muito maravilhosa, linda, inteligente, empoderada, mas um poço de generosidade, obrigada por me receber na sua casa e me permitir sambar ao seu lado Evelyn Bastos.

Me acolheu com meu samba e foi no meu ritmo, me deixando super a vontade!

Obrigada Rainha!”, disse em uma de suas postagens.

Vídeos: apresentações das escolas da Série Ouro nos mini desfiles para o Carnaval 2023

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Baterias da Série Ouro brindam público com noite de show de ritmo nos mini desfiles

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É necessário deixar claro que esse texto não fará uma análise técnica naipe a naipe de cada bateria. O conceito utilizado para a produção dessa matéria será o de buscar expor a concepção musical, além de relatar de forma geral sobre as paradinhas e difundir musicalidades que por algum aspecto ou outro, causaram certo encantamento. São inúmeras as dificuldades para reunir contingente de ritmistas nas agremiações desse grupo para ensaios, o que justifica o caminho escolhido.

A bateria do Arranco do Engenho de Dentro, dos mestres Cabide e Marley, foi a primeira da noite a se apresentar. Uma afinação de surdo mais grave, característica do ritmo da escola, deu base sonora para três arranjos musicais exibidos pela bateria “Sensação”. Um breque na primeira do samba e uma bossa na segunda se mostraram funcionais. Na segunda também havia uma virada em determinado momento, explorando a nuance melódica da obra. A paradinha de maior destaque é a do refrão do meio, num arranjo musical bem produzido que faz alusão a musicalidade da Mangueira, plenamente atrelado ao enredo da escola.

A bateria da União de Jacarepaguá, de mestre Marquinhos, levou um contingente visivelmente notável, tendo como ponto alto de emoção o grande mestre Hugo ajudando a reger o ritmo, mesmo na cadeira de rodas. O clima familiar da bateria estava estampado nos brincos de todas as ritmistas do chocalho, com os dizeres “Ritmo União”, apelido da bateria da agremiação. A sonoridade do breque no início da segunda cativa, bem como a bossa do refrão principal impressiona pelo bom gosto. Já a paradinha do final da segunda ganha destaque pela concepção criativa de retomar o ritmo pautado pelo desenho rítmico dos agogôs.

A bateria da Em Cima da Hora, de mestre Léo Capoeira, apresentou uma musicalidade com bastante fundamento. A paradinha de alta complexidade musical na primeira do samba só não ganha mais destaque que a bossa do refrão do meio, onde os surdos de terceira remetem a atabaques, fazendo um Alujá para saudar Xangô. O frenesi provocado pelo ousado balanço das terceiras acrescentaram forte impacto na musicalidade da bateria. O mesmo swing envolvendo as terceiras fica evidente na espécie de subida de três, se aproveitando de um arranjo musical mais elaborado.

A bateria da Lins Imperial, de mestre Átila, contribuiu na leveza musical que o samba pedia. O ritmo da bateria da Lins Imperial subiu após uma levada com solo de ritmistas tocando timbal, explorando caminhos musicais alternativos. Se aproveitando do clima de diversão, a bossa no final da segunda e início do refrão principal teve ritmistas abaixados, além de solo dos timbales. Uma subida de três, com arranjo musical elaborado, quase que como uma paradinha se mostrou funcional.

A bateria da Unidos da Ponte, de mestre Branco Ribeiro, exibiu uma musicalidade essencialmente inserida no que pedia o enredo de vertente africana. Uma paradinha de certa complexidade na cabeça do samba fez a “Ritmo Meritiense” tocar para Omulu. Já na bossa do refrão do meio, a bateria faz louvação musical a Xangô, num arranjo mais simples, mas bem elaborado. O breque com nuance das caixas provoca molho no início da segunda do samba. E na mesma segunda, uma paradinha ajudou a impulsionar o refrão principal após a retomada. Movimentos de ritmistas pela pista, trocando de lugar, também receberam ovação do público.

A bateria do Acadêmicos de Vigário Geral, comandada por mestre Luygui, ajudou a conduzir o samba animado. A obra foi bem interpretada por Tem Tem Jr., vestido de Capitão América bem no clima do enredo infantil. O arranjo musical no início da segunda evidenciou o bom balanço das caixas. A bateria da Vigário Geral virar antes do refrão do meio também auxiliou na fluidez do ritmo. A bossa da segunda tem um grau de complexidade musical elevado. A bateria “Swing Puro” se abaixou para efetuar uma subida progressiva durante o arranjo no refrão que precede o de baixo, que se estende até uma paradinha no refrão principal, que quando são exibidas de forma casada ajudam a impulsionar a musicalidade.

A bateria do Império da Tijuca, de mestre Jordan, teve sua musicalidade centrada nos arranjos com atabaques. A bateria Sinfonia Imperial subiu com paradinha antes do refrão do meio, em que ocorre solo de atabaques. Esse arranjo musical além de extenso é desafiador, além de plenamente atrelado ao enredo. Uma bossa na primeira do samba também utiliza atabaque em sua construção. Já a paradinha da final da segunda, mesmo mais simples, ajuda na fluência entre naipes após a retomada. Numa construção musical mais arrojada, atabaques ecoam fazendo solo durante o trecho do samba “Tambor, Ogã”, terminando o arranjo fazendo um toque conhecido como “Machado de Xangô”.

A bateria da Estácio de Sá, de mestre Chuvisco, ajudou a jogar o clima lá no alto. Subiu com paradinha no refrão principal, seguida de uma bossa na cabeça. A virada da bateria na preparação para o estribilho principal, com a subida dos tamborins, ajudou a alavancar o ritmo e na plena fluência entre os naipes. A paradinha bem construída do refrão do meio exibiu uma musicalidade acima da média, dando um balanço considerável a bateria “Medalha de Ouro”. O término do desfile da bateria do velho Estácio foi um show de alegria e energia.

A bateria da Unidos de Bangu, comandada por mestre Laion, exibiu uma musicalidade privilegiada. A convenção envolvendo a subida tem grau de dificuldade elevado, sendo executada de forma eficaz. A bateria “Caldeirão da Zona Oeste” tocou o Alujá para Xangô na bossa do refrão do meio, numa concepção de bom gosto. Já a paradinha da segunda era de grau de dificuldade elevado e bem construída. Mesmo com essa densidade em convenções, o refino musical fica ainda mais evidenciado num arranjo com surdos no final da segunda do samba, fazendo referência ao “Machado de Xangô”, mas de forma bem sutil e moderna. Uma sonoridade altamente vinculada ao aspecto religioso e cultural do enredo.

A bateria da Acadêmicos de Niterói, de mestre Demétrius, desfilou com um banner homenageando merecidamente os saudosos mestres Claudinho e Henrique, conhecidos no meio do ritmo como irmãos Billuckas. A bateria “Cadência de Niterói” exibiu uma bossa na cabeça do samba, como se fosse uma espécie de subida, com tamborins efetuando tapas no contratempo, dando balanço ao ritmo. Já a paradinha no final da segunda, mesmo possuindo concepção mais simples, se mostrou bem funcional, além de ajudar no swing da bateria após a retomada no refrão principal.

A bateria da Unidos de Padre Miguel, de mestre Dinho, exibiu um repertório musical que embalou os componentes da agremiação a uma bela apresentação. O arranjo musical da paradinha do refrão do meio tem dificuldade elevada, sendo bem executada. A paradinha do refrão principal, embora simples, tem bastante impacto graças à retomada com pressão, além de ser um êxito deixar para o canto em coro os dois versos mais fortes do pulsante estribilho. Inegável o balanço nordestino propiciado pela bossa da segunda do samba, permitindo um swing exemplar da bateria “Guerreiros”.

A bateria da Inocentes de Belford Roxo, de mestre Juninho, apresentou uma bossa do refrão do meio em que utilizou os surdos de terceira para dar balanço e logo após a bateria fez um breque simples, permitindo boa fluidez musical entre naipes. Já a paradinha do refrão principal possui densidade musical, terminando somente na primeira do samba. A bateria “Cadência da Baixada” efetuou uma virada na entrada no refrão principal que utilizou tapas do tamborim no contratempo, dando molho posteriormente ao ritmo.

A bateria da São Clemente, comandada por mestre Caliquinho, se exibiu com a tradicional subida de 4 dos surdos, possibilitando a fluência entre os mais diversos instrumentos. A paradinha do refrão principal faz alusão musical ao gênero Funk, numa referência condizente com o que pede o samba enredo. Já a bossa do refrão do meio da “Fiel Bateria” apresentou um arranjo funcional, dando bom balanço ao ritmo, com complexidade na retomada, o que preenche de valor a sonoridade.

A bateria da União da Ilha do Governador, de mestre Marcelo, se apresentou realizando sua subida de três tradicional dos surdos, com um leve breque dando molho durante a primeira do samba. A bossa do refrão do meio exibiu bela musicalidade, com batidas chapadas, terceiras dando balanço e caixas contribuindo para o ritmo insulano. A paradinha no final da segunda se mostrou funcional, adicionando pressão no refrão principal após a retomada. Outra bossa também na segunda, mas antes dessa, une ritmo a interação popular deixando o trecho “Portela” para ser cantado em coro. A “Baterilha” também executou uma paradinha muito bem elaborada no final do refrão principal, com solo de agogôs, atrelada a uma sonoridade ímpar, terminando na primeira do samba em progressão dinâmica.

A bateria da Unidos do Porto da Pedra, de mestre Pablo, demonstrou sua autenticidade. A bateria “Ritmo Feroz” subiu com o arranjo musical da paradinha que começa no fim da segunda do samba, mas sem executar a bossa por completo, somente esse trecho final e seguindo para o ritmo. Cabe ressaltar que essa bossa completa exibiu um molho diferenciado com alusão a musicalidade indígena, além de uma considerável pressão de retomada. A paradinha do refrão do meio, embora mais simples que as demais, foi bem executada. A bossa iniciada no final do refrão principal causou um impacto sonoro privilegiado na primeira do samba, proporcionando posteriormente balanço e fluidez musical entre naipes. Arranjos musicais arrojados, complexos e vinculados ao estilo musical do mestre.

Vídeos: todas arrancadas dos sambas-enredo das escolas da Série Ouro no mini desfile para o Carnaval 2023

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