Todos sabem o poderio que o ‘Tigre Guerreiro’ coloca em suas alegorias. É um marco da escola e todos os anos sempre há um grande investimento nisso. O carnaval paulistano sempre aguarda o tão ‘colossal’ formato do tigre nas alegorias. Ficam sempre se perguntando qual cor ele virá, qual formato e tamanho. É um dos maiores mistérios e fatos aguardados dos desfiles da folia de São Paulo.
Fotos: Fábio Martins e Gustavo Lima
Dessa vez a grandiosidade não foi diferente. Foram quatro alegorias imponentes e luxuosas, como gosta e se orgulha a comunidade imperiana. A equipe do site CARNAVALESCO votou e elegeu o Império de Casa Verde como o melhor conjunto alegórico do Grupo Especial do carnaval de São Paulo. Na festa de bateria da Barcelona do Samba, o prêmio foi entregue nas mãos do carnavalesco Leandro Barboza e do diretor de alegoria, Du Nascimento.
Leandro desenvolveu o carnaval de 2022 ao lado de Mauro Quintaes. Foi a primeira vez que assinou enredo como carnavalesco oficial, apesar de trabalhar no barracão da escola desde 2016. O artista celebrou a conquista. “Isso aqui para mim é de grande reconhecimento, porque é um site de grande importância para o carnaval de São Paulo e do Rio. Estou muito feliz e isso aqui é muito gratificante para mim. A gente trabalhar muito e ter esse reconhecimento de vocês é muito bom. Foi um trabalho muito cansativo pela pandemia, mas a gente conseguiu colocar tudo dentro da avenida”, declarou.
O carnavalesco prometeu um Império melhor e disse que vai em busca do prêmio novamente. “A preparação está a todo vapor. A gente está bem adiantado com as alegorias na fase de 70%. Estamos nos acabamentos finais e vem um grande carnaval. Pretendo ganhar de novo esse prêmio e eu acho que está mais perto. Honestamente eu acho que vamos chegar com um conjunto alegórico melhor. É uma grande oportunidade do Império com esse enredo, queremos mostrar uma nova visão de uma África diferente, luxuosa e mostrar o grande valor que o Império tem”, completou.
Du Nascimento, diretor da alegoria, ressaltou a importância de vencer o Estrela do Carnaval. “Foi um trabalho árduo durante o ano todo e esse reconhecimento que o CARNAVALESCO faz nas premiações é muito importante. Mostra pra gente que vale trabalhar o ano inteiro. Tenho muito que agradecer a equipe do barracão, de Parintins que faz tudo isso durante o carnaval”, declarou.
O diretor também mostrou confiança para o carnaval 2023. “Se Deus quiser vamos ganhar mais uma vez. Para nós é um orgulho. Os carros estão bonitos, luxuosos, como sempre a gente faz. Por ser um enredo inovador pro Império, por sair da nossa zona de conforto, a comunidade e o mundo do samba abraçaram. Isso está ajudando bastante”, finalizou.
Se preparando para o desfile de 2023 e embalado pelo enredo “Cores do Axé”, o Império da Tijuca já tem data marcada para o ensaio de rua rumo ao carnaval do ano que vem. Será no o próximo domingo, dia 8 de janeiro, com concentração às 18h. O treino que acontecerá ao ar livre na principal rua do bairro da Tijuca (Conde de Bonfim), serve para intensificar o canto e harmonia que os integrantes da comunidade do morro da Formiga.
Presidida por Tê, e com direção de carnaval de Luan Teles, a agremiação verde e branca tijucana terá o seu enredo com base nas obras de artes do pintor baiano Carybé, com desenvolvimento dos carnavalescos Jr. Pernambucano e Ricardo Hessez, a agremiação será a sétima escola a desfilar no dia 18 de fevereiro (sábado) pela Série Ouro.
Restando pouco menos de cinquenta dias para a Unidos da Tijuca pisar na Marquês de Sapucaí, a agremiação passa a intensificar ainda mais os seus ensaios de comunidade buscando o retorno do desempenho alcançado nos últimos desfiles nos quesitos Harmonia e Evolução. A agremiação ensaiará na rua todas as quartas-feiras até o carnaval. A concentração acontece às 20 horas na quadra da escola localizada na Avenida Francisco Bicalho nº 47, próximo a Rodoviária Novo Rio, no Santo Cristo.
Foto: Allan Duffes/Site CARNAVALESCO
Focada em adquirir excelentes resultados, os trabalhos não cessam na Unidos da Tijuca, que até o final do ano focou seus treinos no canto da escola dentro da quadra e agora passa a trabalhar com intensidade os quesitos de chão visando aprimorar a questão de técnica de desfile, canto e dança.
“Elaboramos um planejamento que foi iniciado em outubro e vem preparando todos os componentes da escola para cantar com imponência nosso samba-enredo e mostrar a garra e a emoção dos nossos segmentos”, explica o diretor de carnaval e harmonia Fernando Costa.
O ensaio acontece atrás da quadra da agremiação na rua Via D1 – Santo Cristo. A agremiação conseguiu liberação da rua mais cedo com a CET-Rio, um antigo pedido dos componentes, para que todos possam retornar mais cedo para o lar. Sendo assim, os treinos iniciarão impreterivelmente às 21 horas.
A Unidos da Tijuca será a quarta escola a desfilar no domingo de carnaval, dia 19 de fevereiro, pelo Grupo Especial com o enredo ” “É onda que vai… É onda que vem… Serei a Baía de Todos os Santos a se mirar no samba da minha terra” de desenvolvimento do carnavalesco Jack Vasconcelos.
Era dia de final da Copa do Mundo, a França empatava a partida na reta final, enquanto a Camisa 12 se preparava para sua apresentação no domingo (18). Os pênaltis aconteciam no Qatar, na Fábrica do Samba, e a Camisa 12 mostrava sua força na Fábrica do Samba. Uma das diretoras de harmonia da escola, Ligia Negreiros, foi a responsável por organizar a comunidade e falou sobre o evento.
“É muito interessante. O carnaval é resistência, é cultura, então toda oportunidade que a gente tem de mostrar nossa escola, nossa comunidade, é importante. Trazer essa oportunidade de visitar uma exposição”.
Outro panorama foi do diretor de carnaval da Camisa 12, Demis Roberto, que aprovou o espaço: “Gostei da exposição, quando estava montando já tinha vindo aqui dar uma olhada. E agora montada é a primeira vez que venho, gostei muito do espaço da apresentação, acho legal a gente poder utilizar esse barracão, o espaço na Fábrica do Samba. Inclusive para outros eventos que tenham muito mais apresentações, pois aqui é um espaço de cultura, que precisa estar liberado para o povo. A gente fica muito feliz quando as pessoas vem aqui na Fábrica, pois perdemos o contato, o carnaval perdeu um pouco do contato com o povo. E tendo esse espaço para que a população, o público em geral, escolas de samba, blocos carnavalescos, todo mundo, toda população possa vir conhecer os trabalhos das escolas de samba é muito importante”.
A apresentação foi interativa com o público
A Camisa 12 fechou as apresentações no evento da exposição do Bicentenário e foi em ritmo de uma grande festa, a escola fez uma montagem diferente, fora do espaço da apresentação, os setores iam entrando um a um de acordo com o que os intérpretes Tim Cardoso e Benson cantavam. Primeiro casal, depois comissão de frente, baianas, por fim musas e passistas. Lígia comentou o desafio para a harmonia de trazer os setores da escola para o evento.
“Achei que fosse mais difícil, mas a comunidade abraçou a ideia, explicamos a importância, todos passaram pela exposição, foram curiosos e empolgados também em fazer esse esquenta para o grande dia que é o nosso desfile”.
A comissão de frente comandada por Yáskara Manzini, que esteve presente, fez seu show à parte no espaço. Assim como o grupo de passistas e musas que despertou atenção de todos os presentes pelo samba no pé e simpatia. Mas o principal destaque ficou com a rainha Tatá Soares que interagia com o público presente, cada hora em um grupo chamando para dançar, levando até mesmo pessoas que se destacavam no samba para o meio da bateria.
Um momento legal foi com membros do Gaviões da Fiel indo até o espaço da exposição e fizeram reverência ao casal presente da Camisa 12.
Para 2023
A Camisa 12 perdeu décimos cruciais por terminar o desfile depois do tempo permitido, para 2023 vai cantar: “Da inclusão à superação. Todos somos iguais. Sou um Campeão”, e vai usar o aprendizado para buscar o tão sonhado acesso ao Grupo de Acesso I. A diretoria Ligia Negreiros relembrou o erro no último desfile, mas como aprendizado.
“Chegamos com esse aprendizado, mas focando no projeto de 2023, mas para acertar. Estamos vindo para ganhar, então é importante olhar para trás, mas olhar para frente”.
Já Demis Roberto explicou o contexto do enredo que chama atenção: “Estamos com o desenvolvimento de enredo diferente do que vínhamos falando nos últimos anos. A ideia é falar da inclusão em diversos aspectos, estamos falando de nordestinos que a gente sabe que é um povo que precisa de inclusão, estamos falando de xenofobia, dos paraolímpicos que são os maiores ganhadores de medalhas nas Olimpíadas do Brasil, sempre o nosso esporte paraolímpico, está ganhando muitas medalhas para o país. E nem sempre tem o reconhecimento necessário. Então nossa ideia é falar desse país que é tão diverso, plural, e que muitas vezes esquece da inclusão das pessoas, sabemos que tem calçadas que não são inclusas, temos a maioria das escolas de samba que não tem inclusão em sua quadra. É difícil um cadeirante ter acesso, um cego ter acesso, e em alguns momentos da história do país, a gente sabe, estamos vivendo um momento esquisito do país que é um momento de preconceito”.
Em seguida da Imperador do Ipiranga, a Colorado do Brás fez uma apresentação bem divertida e também numerosa na exposição do Bicentenário na Fábrica do Samba. A comunidade da Zona Central de São Paulo, mostrou que está com sangue nos olhos para retomar ao Grupo Especial no próximo ano. Uma das diretoras de harmonia, Jussara Félix elogiou o espaço criado para as escolas.
“Gostei muito da iniciativa de terem um espaço para apresentação, trazer um pouquinho da quadra para as pessoas que vem visitar. A exposição eu vi, inclusive quando estava montando, passei aqui para olhar e gostei muito deles colocarem um pouquinho de cada escola para as pessoas estarem conhecendo também”.
O outro diretor de harmonia, João Daniel também exaltou o evento: “A ideia de trazer todas as escolas, e ter um espaço aberto para o público conhecer. Às vezes o povo não vai até as escolas e a ideia de trazer para um espaço o pessoal ver fantasias, ideias, é sensacional. Diferente e para a gente é muito legal também”.
No ritmo do enredo, escola fez apresentação alegre
Com setores da escola presentes como um casal, passistas, membros da comissão de frente, componentes e diretoria, além claro, do intérprete Léo do Cavaco, a bateria comandada por Allan Meira e a rainha Camila Prins. A Colorado do Brás fez uma apresentação bem alegre, a dupla de harmonia João e Jussara falou sobre o que foi preparado.
O diretor de harmonia, João, relatou sobre as adaptações no espaço: “A harmonia sempre se adapta a tudo, a gente chega e vê uma realidade, e de adequá aquilo. Harmonia é isso”, e Jussara complementou: “A gente já chega no espaço pensando, vou rodar por aqui, vou brincar por ali, qualquer lugar que a gente chegue já é desse jeito”.
Depois do rebaixamento dolorido do Grupo Especial para o Acesso, ao perder décimos cruciais por conta de uma camisa com uma marca de um componente, a escola ficou muito sentida. Mas Jussara, que chegou para comandar a harmonia em 2023, se mostrou feliz sobre o desempenho na apresentação.
“Foi muito bom, muito alegre, a gente gosta de trazer alegria para quem está na porta olhando, quem está passando, então o pessoal gostou bastante”.
A rainha Camila Prins também despertou atenção e interagiu bastante com a comunidade. Em um momento, o intérprete Léo do Cavaco pediu para a comunidade ficar toda de mãos dadas, e foi bonito ver a união de todos envolvidos. Foi quase um mini ensaio da escola no espaço, que também fechou sua apresentação nas ruas da Fábrica do Samba.
Para 2023
Em 2023, a escola vai cantar “A Ópera de um Pierrot”, um famoso personagem no carnaval, mas com um olhar de alegria e emoção, prometendo divertir a plateia. Buscando o retorno à elite do carnaval, os diretores de harmonia João e Jussara deram seu parecer.
João começou falando sobre a dor do rebaixamento em 2022, mas virou a chave mirando o próximo ano: “Pesado, convido a todos que estiverem lendo, a irem a nossa quadra, aos nossos ensaios, está surpreendente e iremos vir pesado”, e a Jussara completou: “O recado para a comunidade é que estamos dispostos a voltar para o nosso lugar”.
A Imperador do Ipiranga fez sua apresentação na Fábrica do Samba. A escola optou por ser uma das últimas a se apresentar no espaço por conta da ligação com o Bicentenário e toda a história envolvendo o Ipiranga, região de São Paulo. O diretor de harmonia, Vagner, mais conhecido como Guinê comentou sobre outro evento que a escola participou recentemente relacionado a história de São Paulo.
“Nós fizemos a reinauguração do museu do Ipiranga, foi a Imperador do Ipiranga lá, depois um show para isso, e assim, a Imperador do Ipiranga foi criada em nome do bairro do Ipiranga, e é justamente isso. Então nada mais justo que a gente fechar isso, achei lógico fecharmos essa exposição do Bicentenário”.
Falando sobre a exposição, Guinê ressaltou: “É muito importante, não só aqui, devia ter em São Paulo todo, pois temos que criar mais raízes do carnaval, a gente não tem. Na verdade não tem como é no Rio de Janeiro, que o pessoal já nasce dizendo que time torce e que escola você é. E aqui em São Paulo estamos tentando isso, a nossa comunidade do Ipiranga, Vila Carioca e Heliópolis é para isso mesmo, criar raízes, temos projetos sociais, tem que levar o pessoal para dentro das quadras, barracões, para o pessoal aprender mais como funciona o carnaval de São Paulo”.
Escola numerosa e com mistura de culturas
O tradicional Imperador do Ipiranga veio em alto número de componentes. Destaque foi para uma mistura de cultura com uma ala de ciganas que ficou posicionada ao lado da bateria. As ciganas chegaram cedo, visitaram a exposição e ficaram dançando na frente da mesma. Depois não pararam um minuto durante a apresentação da escola. Com a escola em peso, Guinê comentou sobre como a escola veio para a apresentação.
“Tentei vir duas vezes, mas por algum interveio não consegui chegar. Mas vi os vídeos, quis ver como o pessoal veio, para vir um pouquinho melhor ou igual no mínimo. Nada contra as coirmãs, pois a gente copia o que é bom para fazer legal a todos. Tem que dar um show para todo mundo, não pode ser algo meia boca. O desfile e o carnaval de São Paulo são muito gigantes, então temos que fazer por onde para trazer mais gente que gosta de carnaval e está interessado em carnaval. A exposição é maravilhosa para isso e tem que ser desse jeito mesmo”.
O casal deu o seu bailado, a segunda porta-bandeira Aretha, que é bem jovem, mostrou muita dança, junto com seu mestre sala. A escola cantou sambas marcantes através de Rodrigo Atração e sua ala musical. Lotou o espaço da exposição com seus setores, atraindo mais gente para acompanhar o momento na Fábrica do Samba.
Diferente das outras escolas, a Imperador se posicionou fora do espaço do palco, entrou já em ritmo de apresentação. E encerrou fazendo o percurso inverso, indo até a porta do Bicentenário, colocando os visitantes para sambar.
Para 2023
Com o enredo: “Gratidão, Fé e Amor… Vem! Sou Imperador”, a Imperador do Ipiranga tem o sonho de voltar ao Grupo de Acesso I, onde ficou de 2011 até 2018, quando foi rebaixada. Desde então, está no Grupo de Acesso II, e por duas vezes ficou na oitava colocação. O diretor de harmonia da escola deu o seu parecer sobre o momento da comunidade.
“O samba-enredo foi muito trabalhoso a eliminatória, tudo, juntamos dois sambas, entramos no consenso, não foi votação. Dois sambas que mereciam a junção para dar o samba que deu, e todo mundo gostou, o barracão está correndo, fantasias, e quadras estamos ensaiando muito. Vocês viram um pedacinho da escola aqui, mas faremos um bom trabalho no desfile, estamos trabalhando dobrado, mais que no ano passado, porque a gente teve um oitavo lugar e ninguém gosta dessa posição. A plástica veio muito boa, mas tivemos probleminhas e a gente está sanando tudo isso, para se Deus quiser ser campeão do Grupo de Acesso II”.
Sonho realizado de todos os sambistas paulistanos, a Fábrica do Samba foi muitíssimo elogiada pelo público presente na festa de lançamento do CD das escolas de samba do carnaval 2023, realizada no início de dezembro. A organização da Liga-SP também deixou boa impressão. Em entrevistas ao CARNAVALESCO, porém, os foliões deram dicas do que poderia ser melhorado para o próximo evento. * VEJA AQUI TODAS APRESENTAÇÕES
Jorge Silva, torcedor da Rosas de Ouro e morador da Brasilândia (bairro em que a Roseira está locada e que fica a cerca de 10,5 km da Fábrica do Samba), foi um dos foliões que elogiou a estrutura oferecida ao público. “Tá tranquilo e bem organizado. O espaço me surpreendeu, eu nunca tinha vindo e fiquei impressionado”, destacou.
Mãe e filha satisfeitas
Brenda Luana de Carvalho, torcedora do Camisa Verde e Branco e moradora do Horto Florestal (a cerca de dez quilômetros do local da festa), fez referência ao outro espaço para barracões de escola de samba, a Fábrica do Samba II – a cerca de quatro quilômetros da primeira unidade. “Eu gosto da estrutura daqui. Alguns anos atrás, o carnaval de São Paulo não tinha muita estrutura, e ver tudo isso pronto, já que no ano passado não estava 100% pronto, tudo bonitinho, todas as escolas locadas, saber que todas têm um barracão aqui ou na Fábrica do Samba II, me deixa bem feliz. Eu cresci vendo carnaval e fico feliz em ver a evolução”, destacou.
Foto: Will Ferreira/Site CARNAVALESCO
Mãe de Brenda Luana e também moradora do Horto Floresta, Rosana Cecília de Carvalho torce para o Vai-Vai e relembrou de outros tempos da folia paulistana. “Eu vou no carnaval de São Paulo desde quando os desfiles eram realizados na avenida Tiradentes, ia com a minha mãe. O carnaval cresceu muito e eu fico muito feliz, também”, afirmou, concordando com a filha.
Organização elogiada
Além do espaço físico, o trabalho da Liga Independente das Escolas de Samba de São Paulo (Liga-SP) também foi reconhecido pelos foliões. Giovana Silva, torcedora da Tom Maior e moradora da Vila Prudente (também a cerca de dez quilômetros da Fábrica do Samba, mas em outra direção), gostou das opções para alimentação e para necessidades fisiológicas. “Gostei das opções para comer e beber e o banheiro tinha fácil acesso”, destacou.
Também morador da Vila Prudente e torcedor da Gaviões da Fiel, Danilo Santana se atentou aos horários. “Chegar aqui foi tranquilo, viemos de transporte público. A organização me chamou atenção, eles fizeram o trabalho certinho. Foi tudo na hora certa, não teve atraso nem nada disso. Acho que isso é a parte mais importante. O público veio aqui com hora para chegar e ir embora, ninguém atrasou e foi tudo muito bem organizado”, comentou.
Um detalhe encantou Camila Moura, torcedora da Águia de Ouro e moradora da Penha – mais de doze quilômetros distante da Fábrica do Samba. “Eu gosto muito de fantasias. Então, ter acesso ao componente depois da apresentação, tirar foto, ver de perto, é algo muito bacana”, comemorou.
Chuva prejudicando
Brenda Luana ficou na bronca pela falta de espaços para se abrigar da água, que caiu em dois momentos da noite. “Todo ano chove. Seria legal ter pelo menos uma parte coberta para, quando chovesse, o pessoal se refugiar. Chegamos na hora em que a Nenê de Vila Matilde [primeira a desfilar do Acesso I] estava começando a apresentação e já tomamos chuva”, lamentou.
Apesar de elogiar o local, Camila fez a mesma pontuação. “É a primeira vez que eu estou vindo na Fábrica do Samba, eu estou conhecendo agora e não tinha muita referência antes. Mas, eu gostei. Sem chuva é bom”, riu.
Críticas pontuais
Com dificuldades para estacionar o carro, Jorge relatou o problema. “De antemão, só o estacionamento. Não existe estacionamento algum próprio da Liga-SP, isso acaba dificultando pra quem vem de carro, como é o meu caso”, pontuou.
A estrutura especial para o evento também foi observada por Caroline Desiderato, integrante da ala musical da Águia de Ouro e moradora do município de Guarulhos, vizinho a São Paulo. “Ano passado o pessoal tinha um acesso melhor do que nesse ano por conta da arquibancada. Me parece que a disposição do pessoal, nesse ano, tá restringindo a visualização”, comentou.
Eterno calcanhar de Aquiles de grandes eventos no Brasil, os banheiros também mereceram comentários. Parte dos foliões, entretanto, fez um contraponto: por vezes, tais situações acontecem por conta do próprio público, dificultando a ação da entidade organizadora.
Luiz Dória, torcedor da Mocidade Alegre e morador da Vila Prudente, foi um deles. “Achei bom e bem estruturado. A higiene do banheiro eu até entendo em eventos grandes assim, é normal. O fato de ser banheiro químico deixa tudo muito mais difícil de se controlar”, comentou.
Elisângela Costa, torcedora da Tom Maior e residente no Piqueri, pouco menos de oito quilômetros da Fábrica do Samba, também entendeu o lado da Liga- SP na questão. “Muito bem organizado, bem legal. Só a higiene do banheiro feminino que estava péssima. Mas, aí, também vai da educação do pessoal. A organização sozinha, por vezes, não dá conta. As pessoas têm que colaborar”.
A solução, estrutural, foi observada por Rosana Cecília: “Em um lugar tão grande, seria interessante ter mais banheiros que não fossem químicos”, pontuou.
O ano de 2022 foi o ano do retorno. Depois de não haver desfile em 2021 e as escolas demorarem mais de dois anos para voltarem a desfilar na Marquês de Sapucaí, em 2023, a esperança está com o carnaval voltando para a sua data e este sendo mais um grande sinal de normalidade após os duros momentos em que todos vivemos com a pandemia de Covid. Com um carnaval quase diretamente ligado no outro, para alguns dos profissionais da festa, as celebrações de fim de ano são um momento para descansar um pouco da correria. É o caso este ano do intérprete da Imperatriz Leopoldinense, Pitty de Menezes, que fará sua estreia no Grupo Especial em 2023. Pitty contou que terá um ano novo diferente e pra lá de especial.
“Normalmente para a gente que é sambista, as escolas são convidadas para fazer show por empresas, festas privadas, geralmente a gente faz show, eu geralmente viajo. Mas esse ano, graças a Deus eu acho que vou passar com a minha família, meu filho Lorenzo que nasceu esse ano, com a minha filha Maria Isabel que vai embora para Portugal ano que vem, vou fazer esse ano novo muito especial para mim e para minha família, vou passar com eles”, conta o cantor.
Foto: Nelson Malfacini
Em um momento de descanso após as grandes emoções que viveu em 2023 tanto na Porto da Pedra quanto em sua nova escola, a imperatriz, Pitty revelou o que costuma comer nestas festividades e o que espera para o Brasil em 2023.
“Eu como tudo, ano novo não tem aquele negócio específico, eu como tudo, até o arroz com passas (risos), deixo bem claro essa polêmica aí (risos). Eu procuro sempre vestir roupas brancas, que possam trazer paz para o próximo ano, sempre peço paz e saúde que o resto a gente corre atrás. Estou muito esperançoso, acho que o Brasil vem para ser feliz de novo. Uma grande vitória nas eleições e eu tenho muitas esperanças que o presidente vá fazer um bom governo para todos, para o carnaval, para a cultura, para a economia. Estou ansioso que dê tudo certo, a gente tem filhos aí, e desejamos que o Brasil volte a sorrir”, explicou o intérprete.
Foto: Allan Duffes
O mestre-sala Raphael Rodrigues do Paraíso do Tuiuti também tem preferido usar o ano novo para descansar e recarregar as energias.
“No início eu até fazia muito show. Mas depois eu pedi encarecidamente para que não me escalasse para shows. Só realmente quando houvesse 100% de necessidade. Mas enquanto não tivesse necessidade, eu queria não participar, porque o ano novo é aquele momento de se concentrar, se renovar para o próximo ciclo que vai se iniciar. Eu prefiro passar meditando, rezando, independente de onde eu esteja, eu gosto de viajar, ou gosto de estar em um lugar que só tenha eu e as pessoas que estão comigo, sem muita bagunça. E depois que vira o ano, aí a gente começa a fazer bagunça. Eu costumo estar bem tranquilo, sozinho, antes de romper o ano eu gosto de ir para o meu canto, rezo, faço as minhas preces, chamo pelos meus orixás e sigo em frente”, esclarece o mestre-sala.
Indo para o seu segundo carnaval no Paraíso do Tuiuti, Raphael também contou ao site CARNAVALESCO o que deseja para o próximo ano.
“Um desejo hoje, não vou nem ser egoísta, eu acho que é o desejo de todo mundo. É mais humanidade, mais respeito, um com os outros, esse é o principal. Hoje o patriotismo está tomando conta do Brasil, então que as pessoas tenham mais respeito, mais paciência uns com os outros”, deseja o profissional.
Foto: Allan Duffes
Já para sua porta-bandeira, Dandara Ventapane, com quem vai defender o pavilhão do Tuiuti pela segunda vez em 2023, o ano novo será uma boa oportunidade para se apresentar e continuar levando a bandeira do samba para todos os lugares.
“Geralmente eu passo o ano novo fazendo show, trabalhando, alguns anos foram com carnaval, outros foram cantando, mas sempre com muito samba. Isso me deixa muito feliz estar sempre representando, levando a nossa bandeira. Eu geralmente passo de branco, eu gosto de manter o branco que é isso, a gente tem que estar sempre pedindo mais leveza, mais paz, mais axé para o nosso ano. Se eu tiver que pedir algo(para o próximo ano), eu pediria a nota quarenta com certeza”, arrisca Dandara.
A oportunidade de trabalhar e ganhar um dinheirinho a mais também é especial para mestre Rodney. O comandante da Bateria Soberana conta que gosta de passar o natal com a família, mas no réveillon é o momento oportuno para a realização de eventos com a Beija-Flor.
“Natal é mais família, mas o ano novo a gente usa para trabalhar. E aí a gente sempre tem algum trabalho, graças a Deus a Beija-Flor tem cinco réveillons para fazer. Tem Itatiaia, Três Rios, tem no Ribalta, no Monte Líbano, Copacabana. O réveillon então é para trabalhar e o natal é família. A gente, graças a Deus, sempre foi privilegiado com relação a ter um camarim com muita fartura. Sempre tem muito conforto e dá para aproveitar um pouco “, revela o artista.
Foto: Allan Duffes
Mestre Rodney também explicou ao site CARNAVALESCO que não tem superstições especiais de Ano Novo e apresentou também aquilo que deseja para o próximo ano.
“Eu passo com a roupa de trabalho, mas a minha superstição é ter Deus na cabeça e no coração. E sempre desejando o bem para o próximo, eu acho que dá sorte. Fazer o bem, faz bem. Para 2023, em primeiro lugar, eu pediria saúde, que espante de vez essa pandemia, que não venha mais, que todo mundo tenha o que comer em casa. O mais importante é você ter alguma coisa em casa para comer. Imagina no natal , no ano novo a pessoa não ter nada para comer. É muito triste. E por isso que natal é mais família, eu fico em casa, porque infelizmente eu não tenho os meus pais”, colocou mestre Rodney.
Já o vice-presidente da Portela, Júnior Escafura, acredita que poderá estar mais próximo da família durante a virada, ainda que não descarte a possibilidade de algum compromisso com a Portela, afinal de contas, no próximo ano, a Majestade do Samba completa um século de existência.
“Réveillon é sempre complicado, às vezes a Portela tem muitos eventos e a gente tem de se dividir para poder participar, mas quando a gente pode a gente tenta passar com a família, porque a gente já fica praticamente esse período difícil sem ver filha, sem ficar com a mãe, com as tias, então a gente tenta ficar com a família. Mas se tiver que trabalhar também, o dever nos chama e com a Portela a gente está acostumado a fazer tudo e mais um pouco”, esclarece Escafura.
O dirigente da Águia de Madureira também conta que as cores da Portela estão sempre presentes no seu visual de fim de ano e pede mais união das pessoas como um desejo para o próximo ano.
“Roupa sempre é branca e azul. Sempre é bom estar com as cores da Portela pra gente entrar o ano de 2023 com muita sorte que é o ano do centenário. A primeira coisa que eu penso é desejar muita saúde para todos nós, paz para todo planeta que é o que a gente precisa, muito amor, que todos tenham mais um pouquinho de amor, se cada ser humano tiver um pouquinho mais de amor, o amor vencerá. A esperança, a expectativa é sempre que a gente tenha um país melhor para o nosso futuro, para os nossos filhos, nossos sobrinhos, para os nossos parentes, para que todos tenham um Brasil cada vez mais forte e unido, o Brasil precisa de união”.