Sonho realizado de todos os sambistas paulistanos, a Fábrica do Samba foi muitíssimo elogiada pelo público presente na festa de lançamento do CD das escolas de samba do carnaval 2023, realizada no início de dezembro. A organização da Liga-SP também deixou boa impressão. Em entrevistas ao CARNAVALESCO, porém, os foliões deram dicas do que poderia ser melhorado para o próximo evento. * VEJA AQUI TODAS APRESENTAÇÕES

Jorge Silva, torcedor da Rosas de Ouro e morador da Brasilândia (bairro em que a Roseira está locada e que fica a cerca de 10,5 km da Fábrica do Samba), foi um dos foliões que elogiou a estrutura oferecida ao público. “Tá tranquilo e bem organizado. O espaço me surpreendeu, eu nunca tinha vindo e fiquei impressionado”, destacou.

Mãe e filha satisfeitas

Brenda Luana de Carvalho, torcedora do Camisa Verde e Branco e moradora do Horto Florestal (a cerca de dez quilômetros do local da festa), fez referência ao outro espaço para barracões de escola de samba, a Fábrica do Samba II – a cerca de quatro quilômetros da primeira unidade. “Eu gosto da estrutura daqui. Alguns anos atrás, o carnaval de São Paulo não tinha muita estrutura, e ver tudo isso pronto, já que no ano passado não estava 100% pronto, tudo bonitinho, todas as escolas locadas, saber que todas têm um barracão aqui ou na Fábrica do Samba II, me deixa bem feliz. Eu cresci vendo carnaval e fico feliz em ver a evolução”, destacou.

Foto: Will Ferreira/Site CARNAVALESCO

Mãe de Brenda Luana e também moradora do Horto Floresta, Rosana Cecília de Carvalho torce para o Vai-Vai e relembrou de outros tempos da folia paulistana. “Eu vou no carnaval de São Paulo desde quando os desfiles eram realizados na avenida Tiradentes, ia com a minha mãe. O carnaval cresceu muito e eu fico muito feliz, também”, afirmou, concordando com a filha.

Organização elogiada

Além do espaço físico, o trabalho da Liga Independente das Escolas de Samba de São Paulo (Liga-SP) também foi reconhecido pelos foliões. Giovana Silva, torcedora da Tom Maior e moradora da Vila Prudente (também a cerca de dez quilômetros da Fábrica do Samba, mas em outra direção), gostou das opções para alimentação e para necessidades fisiológicas. “Gostei das opções para comer e beber e o banheiro tinha fácil acesso”, destacou.

Também morador da Vila Prudente e torcedor da Gaviões da Fiel, Danilo Santana se atentou aos horários. “Chegar aqui foi tranquilo, viemos de transporte público. A organização me chamou atenção, eles fizeram o trabalho certinho. Foi tudo na hora certa, não teve atraso nem nada disso. Acho que isso é a parte mais importante. O público veio aqui com hora para chegar e ir embora, ninguém atrasou e foi tudo muito bem organizado”, comentou.

Um detalhe encantou Camila Moura, torcedora da Águia de Ouro e moradora da Penha – mais de doze quilômetros distante da Fábrica do Samba. “Eu gosto muito de fantasias. Então, ter acesso ao componente depois da apresentação, tirar foto, ver de perto, é algo muito bacana”, comemorou.

Chuva prejudicando

Brenda Luana ficou na bronca pela falta de espaços para se abrigar da água, que caiu em dois momentos da noite. “Todo ano chove. Seria legal ter pelo menos uma parte coberta para, quando chovesse, o pessoal se refugiar. Chegamos na hora em que a Nenê de Vila Matilde [primeira a desfilar do Acesso I] estava começando a apresentação e já tomamos chuva”, lamentou.

Apesar de elogiar o local, Camila fez a mesma pontuação. “É a primeira vez que eu estou vindo na Fábrica do Samba, eu estou conhecendo agora e não tinha muita referência antes. Mas, eu gostei. Sem chuva é bom”, riu.

Críticas pontuais

Com dificuldades para estacionar o carro, Jorge relatou o problema. “De antemão, só o estacionamento. Não existe estacionamento algum próprio da Liga-SP, isso acaba dificultando pra quem vem de carro, como é o meu caso”, pontuou.

A estrutura especial para o evento também foi observada por Caroline Desiderato, integrante da ala musical da Águia de Ouro e moradora do município de Guarulhos, vizinho a São Paulo. “Ano passado o pessoal tinha um acesso melhor do que nesse ano por conta da arquibancada. Me parece que a disposição do pessoal, nesse ano, tá restringindo a visualização”, comentou.

Eterno calcanhar de Aquiles de grandes eventos no Brasil, os banheiros também mereceram comentários. Parte dos foliões, entretanto, fez um contraponto: por vezes, tais situações acontecem por conta do próprio público, dificultando a ação da entidade organizadora.

Luiz Dória, torcedor da Mocidade Alegre e morador da Vila Prudente, foi um deles. “Achei bom e bem estruturado. A higiene do banheiro eu até entendo em eventos grandes assim, é normal. O fato de ser banheiro químico deixa tudo muito mais difícil de se controlar”, comentou.

Elisângela Costa, torcedora da Tom Maior e residente no Piqueri, pouco menos de oito quilômetros da Fábrica do Samba, também entendeu o lado da Liga- SP na questão. “Muito bem organizado, bem legal. Só a higiene do banheiro feminino que estava péssima. Mas, aí, também vai da educação do pessoal. A organização sozinha, por vezes, não dá conta. As pessoas têm que colaborar”.

A solução, estrutural, foi observada por Rosana Cecília: “Em um lugar tão grande, seria interessante ter mais banheiros que não fossem químicos”, pontuou.