
Horas depois de sediar uma importante festa na própria quadra, a Camisa 12 faz a gravação do audiovisual da escola para o Carnaval 2027. A agremiação foi para o estúdio no dia 27 de setembro, montado na Fábrica do Samba, para executar “Meu terreiro é protegido: Ogunhê, a força que atravessa o tempo!”, enredo assinado pelos carnavalescos Delmo de Moraes, Fernando Dias e Leno Vidal e que encerrará o Grupo de Acesso II de 2027, noite iniciada em 30 de janeiro. Sempre presente em eventos importantes para as escolas de samba paulistanas, o CARNAVALESCO conversou com nomes importantes da Camisa 12 para saber mais detalhes da gravação.
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Inspiração anterior
Em 2026, a Camisa 12 estava no Grupo de Acesso I e foi premiada com dois Estrela do Carnaval (organizado e concedido pelo CARNAVALESCO) da divisão. Uma das categorias vencidas pela Pantera foi, justamente, o de melhor samba-enredo. Neuber André, diretor musical e arranjador da obra da escola, destacou que algumas características da gravação de 2027 remetem ao da faixa anterior, de tanto sucesso: “Em relação ao arranjo, é a mesma linha do ano passado: um samba mais dançante. A gente está usando a mesma empolgação do ano passado para emocionar, contagiar o povo e deixar os mais leves para evoluir e tudo mais. A gente trouxe para esse ano, também. Já é um samba valente, um samba guerreiro, mas também é um samba dançante, um samba que te arranca o sorriso. A gente trouxe essa linha, essa construção que vem dando certo nos últimos anos. A cada ano, por mais que a gente tenha temas afros, a cada ano a gente tem um diferencial. A gente trabalha com a mesma linha da escola, mas em cada arranjo, em cada samba, tem uma coisa diferente para contagiar cada vez mais o povo”, destacou.

O arranjador também destacou que, por vezes, o segredo do sucesso é a simplicidade: “Nesse ano a gente tentou usar um pouco mais os tambores para o povo, para o santo vir mesmo, para o santo baixar e para o povo dançar e rodopiar. A gente usou um pouco mais de tambores, sem perder a característica do ano passado, porque nesse ano a gente quer defender a vaga que a gente deixou escapar. A gente não está inventando muito, está fazendo aquilo que a gente fala com o Mestre Lipe: um a zero também vale três pontos. Queremos manter a característica dançante dos instrumentos afro e seguir a mesma linha. Não estamos procurando inventar porque a gente tem uns jurados que estão bem rigorosos e sinceros nas notas. A gente não pode querer criar muita coisa, temos que fazer um arroz com feijão e o um a zero para fazer os três pontos para a gente voltar para o nosso lugar, que é o Grupo de Acesso I”, vislumbrou.
Evento marcante
Um dia antes da gravação da escola, a agremiação sediou um evento muito marcante: o Encontro de Ogum no Ilê Camisa 12, com presença das coirmãs Gaviões da Fiel e Acadêmicos de São Jorge. Demis Roberto, diretor de carnaval da Pantera, destacou que o evento horas antes da entrada no estúdio mexeu com a logística para a ida ao estúdio: “A logística hoje foi concentrar toda a escola aqui. A gente conversou com a comunidade ontem, a gente teve uma grande festa lá, o Encontro de Ogum no Ilê Camisa 12, saímos de lá por volta das 03h. Era melhor descansar, ficar um pouquinho mais em casa e vir todo mundo para cá. A logística hoje foi todo mundo vir direto para a Fábrica do Samba”, afirmou.

Trilogia rítmica
Luis Felipe Moreira, popularmente conhecido como mestre Lipe, comandante da “Ritmo 12”, bateria da escola, foi outro componente da escola a escancarar o quanto a receita do sucesso no samba-enredo de 2026 se refletiu na gravação de 2027: “Comparando os dois trabalhos, não é um pouco semelhante, não: é muito. Vamos usar muito o agogô de duas bocas, muito tambor. Aí, querendo ou não, seja em Edun Ará ou seja nas Princesas Nagô ou em Ogum, usaremos muito esse instrumento porque o samba pede. Muda um pouco a forma de tocar, seja no candomblé ou no quetu, mas a proposta sempre é a mesma. Vamos buscar sempre o melhor para a nossa escola”, revelou.

O mestre também trouxe detalhes mais técnicos em relação à gravação: “A gente veio com duas bossas hoje, com muito axé, com muito tambor. O enredo pede, temos uma sequência de três enredos afros que, numa trilogia de samba nos Grupos de Acesso, é mais fácil para a gente poder se achar ali. Hoje nós colocamos de 144 até 146 de BPM, mas dá uma caidinha por causa do ambiente. É isso que a gente quer, a proposta que a gente quer olhar para a avenida”, comentou.
Dupla entrosada
Os dois intérpretes oficiais da Camisa 12, Tim Cardoso e Clóvis Pê, foram responsáveis por uma cena curiosa na gravação. A recomendação da Sala 22, empresa que realiza a captação das faixas, pediu para que os intérpretes focassem nas câmeras que ficavam à frente dos cantores. Nada, entretanto, foi falado para os cantores da Pantera; que, logo no refrão de cabeça, se movimentaram bastante. Foi o único momento em que a faixa teve uma interrupção: “Falaram que a gente tinha que ficar quietinho, mas a gente esquece disso. Não adianta”, brincou Tim.

Clóvis destacou como foi a preparação dele para a gravação, horas antes de entrar no estúdio: “Eu fiquei num hotel na avenida Guilherme Cotching, pertinho da escola. Só saí para almoçar e voltei. Também evitei de falar hoje: tem que puxar mais pelo diafragma para poupar a voz. Até mesmo em aplicativos de comunicação nós trocamos mais mensagens de texto que de áudio. Até a alimentação muda no dia da gravação. Eu faço técnica vocal desde 2000 com o professor Chico Donadoni, faço o aquecimento vocal certinho. E o samba é bom, quando a gente canta um samba bom fica mais fácil para todo mundo. Falamos isso não só porque somos alguns dos autores, não”, disse o experiente intérprete.
Tim aproveitou para agradecer, também, os cuidados da própria ala musical entre si: “Eu não guardo nem dinheiro, vou guardar informação para quê? Ontem nós tivemos uma feijoada na nossa quadra, o lançamento dos pilotos das fantasias para o Carnaval 2027. Tivemos que cantar o samba do ano, uma hora do show… saí da quadra era cerca de 01h30. Dormi bem, até umas 11h30, fiquei quietinho o dia todo, aquela refeição direitinha, comi maçã. Foi assim que eu me preparei: pegando o clima de como foi ontem, trazendo o clima da quadra para cá. Hoje nós temos o privilégio de ter uma fonoaudióloga na nossa ala musical, a Ariane Cuer, a quem eu mando um abraço e um agradecimento por toda a ala musical. Rolou, o clima ficou legal”, finalizou.










