
O Salgueiro viu Rihanna Castro (@rih.castro) ainda criança. Viu seus primeiros passos na arte, acompanhou sua formação, sua descoberta, sua transição e a artista que ela se tornou. Agora, aos 38 anos, a mulher preta, trans e cria do Morro do Andaraí inicia um novo capítulo dessa história. No Carnaval de 2027, ela será responsável pela coreografia da primeira ala da escola, formada exclusivamente por mulheres. A novidade ganha ainda mais significado na semana do Dia da Igualdade da Mulher, celebrado nesta quarta-feira. Para Rihanna, ocupar esse espaço de criação dentro da escola onde cresceu é mais do que uma conquista profissional. É também sobre pertencimento. “Eu não escolhi fazer arte. A arte me escolheu. A arte me salvou de várias formas. Isso é muito gratificante para mim. Estou muito grata por essa oportunidade”.
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Rihanna chegou ao Salgueiro em 2001. Passou pelo Aprendizes do Salgueiro, escola mirim da Academia, integrou o Maculelê e tornou-se assistente de Carlinhos do Salgueiro, a quem chama de mestre e atribui parte importante de sua formação artística.
Foi dentro da escola também que viveu diferentes momentos da construção de quem é hoje. Ao revisitar essa história, ela se emociona. “O Salgueiro viu a minha transição toda. Me viu chegar aqui criança, me viu gay e hoje está me vendo como uma travesti à frente de uma ala coreografada. Isso é muito gratificante. Isso é muito importante”.
Em uma trajetória construída entre ensaios, espetáculos e carnavais, Rihanna viu muitos talentos nascerem dentro do Salgueiro. Também viu artistas precisarem sair de suas escolas para encontrar oportunidades em outros lugares. Por isso, poder dar um novo passo justamente na casa onde foi formada torna a conquista ainda mais especial. “Eu sempre falava: ‘Calma, a minha hora vai chegar’. Nunca perdi a fé. Fui muito resiliente. Via todo mundo crescendo e pensava: ‘A minha hora vai chegar’. E aqui estou hoje. Chegou”.
A nova função não representa sua estreia na criação. Rihanna já passou por comissões de frente, desenvolveu trabalhos coreográficos e atua há cerca de uma década como assistente de Carlinhos do Salgueiro. Mas ela admite que estar à frente de uma ala da Academia tem outro peso. “A pressão muda. O nível sobe. Vai ser uma experiência desafiadora, mas eu gosto de desafio. Estou muito feliz e muito ansiosa. Tenho um caminho longo no Carnaval e uma história aqui dentro”.
No Carnaval de 2027, essa história também encontrará a de Xica da Silva. Com o enredo “Laroyê Xica da Silva: a história por trás da história”, o Salgueiro levará para a Avenida uma narrativa atravessada pelo protagonismo de uma mulher negra. E Rihanna estará à frente de uma ala composta somente por mulheres.
Para quem chegou ainda criança e encontrou na escola espaço para aprender, criar e se reconhecer, o novo desafio carrega um significado que ela resume sem hesitar. “O Salgueiro me abraçou desde criança. Me deu confiança, apoio e força. Eu acredito que vai dar muito certo. Tem que dar muito certo, porque eu mereço”.









