
A Mancha Verde, escola que desfilará no Grupo de Acesso I do Carnaval de São Paulo, organizou um grande evento neste sábado para marcar o ciclo do desfile de 2027 e, também, a posteridade da agremiação. Na data, a verde e branca apresentou as fantasias da escola de samba para o desfile de “Ruth Rocha: a Palavra que Ensina a Criança a Voar!”, assinado pelo carnavalesco Rodrigo Meiners. Além disso, a instituição também inaugurou a Biblioteca Ruth Rocha, idealizada e batizada em homenagem à escritora infantil tema do enredo para a apresentação de 2027. Sempre presente em eventos importantes para as escolas de samba paulistanas, o CARNAVALESCO prestigiou a agremiação e conversou com figuras importantes para o desfile de 2027. A Mancha Verde será a sexta escola a desfilar no Grupo de Acesso I de 2027 e tem samba-enredo assinado pela parceria de Pedroca, Aquiles da Vila, Gui Cruz, Fabiano Sorriso, Lucas Donato, Marcos Vinicius, Fábio Gonçalves, Cabide e Chico Maia.
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Ideias aos milhões
Ao responder sobre a inspiração estética para produzir os protótipos, Meiners fez questão de falar sobre a temática em si: “Esse enredo é uma vontade que eu tenho de fazer muito antes de me tornar carnavalesco. Eu venho de uma família oriunda do samba, desde criança eu acompanho o carnaval. E sempre quis assistir, um dia, um desfile com o visual mais infantil, que a criança conseguisse olhar e entender muito mais fácil o que está se passando. Eu cresci com essa vontade e tinha esse enredo guardado, juntamente como o enredo que eu fiz no Pérola Negra em 2025, do Exu Mulher, que eram dois trunfos meus que eu queria usar numa hora muito certa, ou que eu sentisse muita necessidade. Usei o Exu Mulher porque o Pérola precisava voltar pro Grupo de Acesso I, e esse ano eu propus ao presidente trazer a Ruth Rocha, porque a estratégia da reedição do ano passado, infelizmente, não deu certo porque a gente não subiu”, refletiu.

O carnavalesco, logo na sequência, passou a falar do desfile de 2027: “Falando em fantasia, é um enredo muito legal, porque ele nos proporciona formas e cores muito diferentes. Quando a gente decidiu trazer esse enredo, na reunião que teve com a diretoria, eu disse que eles precisariam abrir a cabeça e entender que é um projeto diferente, que a gente vai ver tanto forma, quanto cor e quanto material, diferente do que as escolas costumam utilizar para enredos indígenas e afros. E isso é muito legal, porque a gente consegue trazer novidade pra dentro do Carnaval, mesmo estando no Grupo de Acesso I”, comentou.
O carnavalesco foi perguntado sobre quais eram os principais desafios ao confeccionar as fantasias da Mancha Verde para 2027: “Eu não tive dificuldade nem desafio em relação a propor um visual infantil, muito pelo contrário. Eu acho muito bacana ter a possibilidade embasada de trazer o diferente, que é a palavra que conduz o nosso projeto e os nossos processos esse ano. Eu realmente nunca fiz uma temática dessa: dos seis carnavais que eu já assinei, cinco foram afros ou indígenas”, relembrou.

O próprio carnavalesco segue: “O maior desafio é falar de Ruth no Grupo de Acesso I, porque ela tem mais de 200 livros publicados. Até a gente achar um viés de narração para encaixar tudo, a gente demorou um tempo. Achamos: a gente não retrata os livros, a gente retrata as coleções. E todas as coleções dela cabem em 14 alas, três alegorias, um tripé, a composição de frente e três casais. A gente cita as coleções da Ruth, e cada coleção tem vários livros. Dentro dessas coleções, a gente pegou o livro que mais transmite a mensagem que aquela coleção quer transmitir. A gente parte desse caminho. Hoje, quando as fantasias começaram a desfilar, a gente apresentou cada uma e isso ficou muito claro. A coleção que significa um livro da coleção tem, em um personagem, a história que sintetiza o conceito que ela quer transmitir ao criar aquela coleção. O maior desafio foi esse, mas a gente achou essa solução e funcionou muito bem. Vai ser muito bom no Anhembi”, prometeu Meiners.

Cores e materiais
O carnavalesco também falou, mais especificamente, sobre a cromia que será utilizada na avenida: “É o primeiro desfile que eu faço, até por questão de outras agremiações que eu já passei, que a gente não tem limitação de cor para usar. Eu tenho ala azul, tenho ala rosa, tenho ala verde, tenho ala preta, tenho ala branca, tenho ala colorida, e isso foi muito legal. É o meu primeiro projeto que a temática e a escola me possibilitam usar todas as cores. Eu gosto muito de brincar com cor, comecei a trabalhar no Carnaval com o Max Lopes, no Rio de Janeiro, que me ensinou muito sobre cor, sobre formar uma palheta uniforme no desfile, em quem se vê aquela imagem de cima”, afirmou.

Meiners também comentou sobre os materiais que têm mais destaque na confecção das fantasias para a Mancha Verde em 2027: “A minha projeção de carnaval é feita no computador. Eu, infelizmente, não tenho a habilidade de desenhar à mão. Minhas alegorias são em 3D, meus figurinos são no computador. E eu gosto muito do recurso do tecido digital. Nesse ano, todas as nossas fantasias têm o tecido digital. Eu crio uma estampa exclusiva, que me ajuda na identificação do personagem, do livro da Ruth e do tema em questão, e a gente reproduz essa estampa em tecido. Em todas as nossas alas, a base da costura parte do tecido digital. Isso além do pompom: o pompom é um objeto que se usa no carnaval, mas que eu acho que é muito infantil. A gente vai trabalhar bastante com muito pompom colorido em praticamente todas as fantasias”, revelou o carnavalesco.
Criações destacadas

O artista citou algumas fantasias que, na visão do profissional, têm destaque no conjunto apresentado pela Mancha Verde: “Eu gosto muito da Ala das Baianas. É muito legal e tem um trabalho artesanal, uma coisa feita à mão, muito bacana. O tema delas é a Emília, a gente tem umas bonequinhas de pano bordadas à mão que vão vir presas na roupa. A gente tem uns botões também costurados à mão, que vão vir presos na roupa. É muito legal valorizar o trabalho desses artesãos do carnaval, que acabou ficando um pouco esquecido. E eu gosto muito da ala de Ação Justificada, que é uma fantasia que, quando passou aqui, as pessoas acharam até um pouco mais simples: foi uma ala do cubo mágico. Mas, pensando no que a gente vai fazer na pista com essa fantasia, vai ser um dos pontos altos do desfile. É a ala do começo da trajetória da Ruth, em que ela criava os brinquedos interativos, que eram brindes da revista Recreio. A nossa ala justificada é isso. A gente vai ter uma e o potencial que ela tem de surpreender e encantar na avenida”, prometeu o profissional coreografia muito legal com essa ala na pista. Eu, que já sei, consigo gostar muito dessa fantasia: eu sei o que ela vai virar”, prometeu o profissional.
Presidente satisfeito
Paulo Rogério de Aquino, popularmente conhecido como Paulo Serdan, presidente da Mancha Verde, mostrou-se bastante feito com o conjunto de fantasias apresentado pela agremiação: “Não foi difícil me convencer a fazer algo diferente. Desde o começo da ideia, da apresentação do enredo do Meiners, eu já sabia que a gente ia caminhar por um outro lado. O Rodrigo tem um poder de convencimento bom, mas a gente dialoga muito. Eu estou muito satisfeito! Estou bem feliz com tudo que a gente está fazendo. De verdade mesmo, não é conversa jogada ao vento, não: ele acertou bastante. Nesse nosso diálogo, a gente tem ajudado bastante ele. O Meiners apresentou o desenho de um terceiro carro, a gente conversou bastante, ele mudou, a gente conversou mais, aí ele fez um outro carro, que ficou sensacional. Está servindo bastante para ele também. No ano passado, nesse último Carnaval, ele ficou um pouco engessado por ser um enredo que já existia, um samba que já existia. Ele está conseguindo aflorar bastante a criatividade dele agora. Agora ele está sendo o Rodrigo Meiners mesmo! A gente tem dialogado bastante, isso tem dado muito certo. Eu estou bem feliz! O nosso segundo carro, no final desse mês aqui, no máximo, já está encapado. É muito legal o carro, é muito legal de verdade, mesmo. A ideia do carro, a concepção do carro, as cores do carro. Posso falar para o CARNAVALESCO que eu estou bem feliz, de verdade”, explanou o mandatário manchista.

No desfile de 2026, na reedição de “Pelas Mãos do Mensageiro do Axé a Lição de Odu Obará: a Humildade”, originalmente apresentado em 2012, a Mancha Verde foi premiada em duas categorias no Estrela do Carnaval, organizado e concedido pelo CARNAVALESCO: melhor conjunto de Fantasias e de Alegorias. O presidente da Mancha Verde, ao ser perguntado sobre a primeira impressão acerca dos projetos de Meiners, fez menção às premiações: “A gente está na briga para ganhar de novo! Está melhor que em 2026, para te falar a verdade. Esses últimos dias foram estressantes financeiramente falando: a gente começou muito cedo, em abril a gente já estava mexendo no barracão. Eu não mexo em nada, a gente vai dialogando e vai mexendo. Algo me encheu o olho, eu vejo que está lindo… como que eu vou mexer no projeto? Eu não tenho o direito de fazer isso. Nós vamos fazendo. O problema vai ser pagar tudo depois”, brincou o mandatário manchista.
Serdan falou mais a respeito do projeto da Mancha Verde para 2027: “Dos três carros, só o segundo que eu não mexi conversando com ele. O segundo ele acertou de primeira! Mostrou o desenho para nós e a gente fez teste de luz no carro, já. Depois disso, o cara dos efeitos especiais foi lá, imprimiu o desenho e trouxe para a gente. Eu brinquei com o Rodrigo e falei que vai demorar para ele arrumar uma outra entidade para entregar o que saiu na prática. Até a cor é idêntica ao que estava no projeto! A gente procura fazer o que é mesmo o certo”, refletiu o dirigente.
Evento diferente

Ao contrário do que acontece na grande maioria dos eventos na Mancha Verde, tudo no último sábado foi realizado na parte externa da quadra. Dentre os grandes destaques, estavam a apresentação do novo casal mirim da escola, Bento Clemente e Amélie Clemente. Outro momento de muita emoção foi a inauguração da Biblioteca Ruth Rocha, voltada ao público infanto-juvenil e com cerca de 2000 obras já catalogadas, com estimativa de cerca de mais 2500 títulos ainda por entrar, e que contou com a presença de Mariana, filha de Ruth Rocha, e dos netos Pedro e Miguel. Paulo Serdan fez questão de trazer ao palco nomes responsáveis por tal conquista da comunidade manchista.

A Festa dos Pilotos começou logo na sequência, embalada por um grande show de luzes. A apoteose das fantasias, que também contou com a participação do departamento de casais da verde e branca, teve a execução do samba-enredo da Mancha Verde para 2027, já cantado com força pela comunidade.










