Os Gaviões da Fiel promoveram na noite da última sexta-feira um evento para apresentar os protótipos das fantasias para o Carnaval 2027. A festa foi marcada por muitos pontos de Umbanda e pela exaltação às entidades da religião e aos orixás. Danças e coreografias relacionadas ao tema enriqueceram a apresentação realizada na sede da agremiação. Assim como nos anos anteriores, desde que Júlio Poloni e Rayner Pereira passaram a trabalhar juntos, o nível das fantasias apresentadas esteve em um patamar elevado. Os carnavalescos conseguiram intercalar o luxo de fantasias volumosas com materiais de menor requinte, mas que também proporcionaram um belo resultado visual. O mais importante é que todas as fantasias apresentaram uma leitura fácil do enredo. À medida que os artistas anunciavam os nomes das indumentárias, era possível identificar imediatamente a representação de cada uma delas. Ao final da apresentação, os componentes que vestiram os protótipos realizaram uma apoteose, desfilando pela quadra. Foi uma festa preparada com bastante estrutura e criatividade pelos Gaviões da Fiel. A “Torcida que Samba” será a segunda escola a desfilar no sábado de carnaval com o enredo “É noite de gira na casa de Ogum”, desenvolvido pelos carnavalescos Júlio Poloni e Rayner Pereira.
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Fácil leitura do tema
Júlio Poloni, um dos carnavalescos, falou sobre a facilidade de compreensão proporcionada pelas fantasias apresentadas nesta noite. “Deu para entender tudo. A gente não acredita que a leitura vai ser um problema. O nosso enredo, na verdade, é simples. O que a gente quer é que o público viva uma experiência, uma vivência de uma gira de Umbanda. Então, a gente traz as entidades, os orixás, as linhas de Umbanda e mostra o fundamento de tudo isso: o porquê, as razões e as consequências. É simplesmente para a gente curtir essa fé, essa religiosidade, que revela muito sobre o povo brasileiro e sobre nós, Gaviões da Fiel, sob a proteção de São Jorge. Esse povo de fé é o nosso caminho”, disse.
Quando se fala em Umbanda, o branco costuma ser uma das cores mais associadas à religião. No entanto, o que se viu nas apresentações foram diferentes combinações de cores, formatos e tamanhos. De acordo com Rayner, a busca pela inovação foi um dos motivos para a escolha. “É um desafio que a gente vem testando há alguns anos. A gente já tinha em mente mais ou menos o que seria. Em relação às cores, a gente montou toda uma paleta antes de desenhar qualquer coisa. Então, sem fugir muito do tema, mas também buscando inovar de alguma forma, chegamos a esse conjunto que apresentamos hoje”, contou.
Confiança da diretoria
Os Gaviões da Fiel têm gestões com duração de três anos. Na atual administração, que chegará ao seu último Carnaval em 2027, a diretoria não poupou esforços. Júlio demonstrou gratidão às lideranças da escola. “A gente tem muita gratidão, porque eles trabalham muito para dar as condições de que a gente precisa para fazer um grande espetáculo. Eles confiam na gente e dão a liberdade que precisamos para trabalhar. Isso tem nos motivado e, na verdade, possibilitado que a gente faça grandes projetos, com a confiança de que o resultado vai sair como tem saído. Essa sinergia é a chave do nosso sucesso. Nossos últimos desfiles tiveram muito sucesso. Está faltando um detalhezinho, que é o que a gente vai buscar este ano para realizar o nosso sonho”, declarou.

Além da diretoria, Rayner exaltou a participação dos demais segmentos para que o trabalho pudesse ser realizado. “É muita conversa. A gente sabe o limite do orçamento que pode gastar. Algumas vezes, tenta reforçar alguma coisa ou acrescentar um pouco mais aqui e ali, mas existe muita conversa e muita confiança. A gente deixa tudo muito claro entre presidente, diretor, harmonia e todo mundo que trabalha junto com a gente: o que temos e até onde podemos chegar. Então, tudo parte de uma junção entre o que eles querem e o que a gente pode fazer com a verba que temos. Acredito que tudo é uma questão de criatividade, de encontrar formas de apresentar um Carnaval ainda mais bonito, com a capacidade que a Gaviões merece, em um acordo entre a diretoria e a gente”, afirmou.
Predileção pelas indumentárias
Questionado sobre sua fantasia favorita, Rayner explicou os motivos de sua escolha. “Gosto muito das 17, mas eu puxo um pouco de sardinha para a baiana, porque foi a primeira fantasia que a gente idealizou e a primeira que desenhamos. A primeira que ficou pronta e a primeira que a gente conseguiu testar. Se você acompanhar de perto depois, vai perceber que ela é praticamente inteira feita em impressão 3D. Justamente para ter essa característica, principalmente pela leveza de todo aquele aparato que colocamos nela, sem forçar as senhoras que vão carregá-la. Fora essa, tem mais umas três ou quatro, além das 17”, comentou.
Júlio, porém, encantado com o conjunto apresentado, preferiu não escolher uma favorita. “É difícil escolher. Eu realmente não tenho uma favorita. Quando eu tiver, eu falo. Vou ficar em cima do muro!”, concluiu.
Liberdade de criação e o grande objetivo do título
Celso Ribeiro, membro da direção de carnaval dos Gaviões da Fiel, enalteceu o nível das fantasias e prometeu reproduzi-las, em sua maioria, de forma fiel aos protótipos apresentados. “Nós elevamos a régua. Como eu disse nos outros dois anos, 95% da reprodução nós vamos fazer para sair igual ao piloto. Esse é o nosso objetivo. A gente acaba mudando uma coisa ou outra que falta, mas vamos entregar isso para vocês. Pode esperar”, disse.

O diretor afirmou estar contente com o trabalho dos carnavalescos e destacou que a ideia da diretoria é dar total liberdade de criação aos profissionais que assinam o carnaval da agremiação. “A gente já conhecia o trabalho deles. Estamos em uma gestão política dentro da escola e já conhecíamos o trabalho deles desde quando a outra gestão os contratou. Eu acho que eles estão crescendo junto com os Gaviões também. Eles estão em um nível muito alto de criação e de ideias, e a gente também deixa os dois à vontade para trabalhar. A gente não os prende. Essa liberdade faz com que criem melhor e desenvolvam as coisas de uma forma mais natural”, declarou.
Segundo o diretor, mesmo sendo o último carnaval desta diretoria, a política interna não preocupa neste momento. O foco está na busca pela quinta estrela para a Fiel Torcida. “Na verdade, hoje a gente nem pensa nisso. A gente faz uma gestão procurando viver o dia a dia. A política vai começar mesmo quando virar o ano e tal. O nosso foco é trazer o título para os Gaviões. Os Gaviões merecem”, finalizou.









