
O bloco Doentes da Sapucaí, parceiro do CARNAVALESCO na premiação do Estrela do Carnaval em São Paulo, escolheu o samba-enredo que embalará o desfile do enredo “Os Carnavais do Brasil” em 2027 no último domingo, no Valentina Bar, em Pinheiros, Zona Oeste da cidade. O vencedor do concurso foi o Samba 33, dos compositores Cimini, Mauricinho, Negão e Paola. Sempre presente em eventos importantes ligados à folia na cidade de São Paulo, o CARNAVALESCO falou com nomes importantes ligados ao bloco e ao samba-enredo vencedor.
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Enredo amplo
Na visão de Guilherme Cimini, conhecido pelo sobrenome e um dos compositores da obra campeã, a temática dos Doentes da Sapucaí para 2027 favoreceu a poética ao mesmo tempo em que tirou a parceria vencedora da zona de conforto: “Foi desafiador escrever esse samba, mas foi divertido! No fundo, é um enredo que dá prazer de ficar pesquisando. Teve só um elemento que a gente optou e poderia causar polêmica: se a gente fosse falar de tudo, a gente não falaria de nada. Carnavais pelo Brasil tem mais de 20, não daria para falar de todos: a gente tinha que focar em algumas coisas. Focamos e a própria sinopse foi direcionada para as marchinhas e para alguns outros locais: são tantos estados com tantos carnavais tão diferenciados que também têm algumas semelhanças. A gente focou em Recife, Bahia, Pernambuco, Bahia, São Paulo, Rio e nas marchinhas. Foi o que a gente tentou fazer, foi a nossa estrutura e a nossa organização foi nesse sentido”, comentou.

Cimini não pestanejou ao destacar qual o trecho favorito da obra escrita por ele próprio é a predileta: “Neste samba em particular, o refrão é a minha parte favorita. O desenvolvimento é legal, o samba vai numa crescente, é um samba que começa calmo e termina explosivo, mas o refrão de cabeça é especial. Tem sambas que não tem um refrão especial e são ótimos; mas, neste caso, tivemos a felicidade de encontrar um bom refrão”, comemorou.
Mandatários satisfeitos
Os dois principais nomes dos Doentes da Sapucaí se mostraram radiantes não apenas com o samba vencedor; mas, também, com os que se apresentaram na disputa. Marcos Dino Soares, conhecido pelo segundo nome, presidente dos Doentes da Sapucaí, foi sucinto: “Não falo isso da boca para fora: estaríamos felizes com quem levar. Os quatro sambas tinham qualidades e também estou satisfeito com o vencedor”, comentou.

Já Rogério Portos, vice-presidente, do bloco, destacou que a apresentação ao vivo foi determinante para a escolha: “Estou muito satisfeito com os quatro sambas finalistas e, também, com o vencedor. Na verdade, estava ansioso para a gente escutar aqui, perante o público, para entender qual iria aderir melhor, qual deles o público iria absorver melhor. A gente conversou com os compositores e todo mundo atingiu o objetivo. Foi o público que disse qual vai contar melhor a história na avenida”, refletiu.

Fórmula inovadora
Dino detalhou qual o processo de seleção do samba-enredo do bloco: “Foram sete jurados presenciais e tivemos três jurados online, que são baluartes e pessoas do universo do carnaval. O voto de cada jurado online valeu um ponto e o voto de cada jurado presencial valeu sete pontos. Foram, portanto, 49 pontos para os jurados presenciais. Também tivemos o aplauso: quem teve mais aplausos ganhou onze pontos. Por tudo isso, quem decidiu mesmo é o jurado presencial. O online e o aplauso seria importante para um eventual desempate e já tivemos desempates em anos anteriores por conta desses critérios; mas, normalmente, quem define mesmo é o jurado presencial. A gente é um bloco de carnaval apaixonado por samba-enredo, quem conseguiu expressar melhor o enredo e levar mais a cara dos Doentes na melodia e na alegria do samba levou”, disse.

Perguntado sobre como seria medido a quantidade de aplausos, Dino destacou a tecnologia utilizada pelo Doentes: “Para medir o aplauso, a gente teve uma estratégia: a gente baixou um aplicativo que mediu o volume dos decibéis. A gente deixou dez segundos rolando e a média dos decibéis definiu quem ganhou os 11 pontos. O segundo colocado ganhou quatro pontos, também”, afirmou.
Já Rogério pontuou que tal fórmula, utilizada em 2027, leva em conta a inspiração de outras agremiações carnavalescas da cidade: “Sendo bem sincero, a gente ainda não tem uma fórmula certa. A gente tenta copiar um pouco o que acontece nas escolas de samba. Mas, para a gente, é muito importante ver quem vem escutar e decidir com a gente o que é melhor para o bloco. A presença sempre é muito fundamental. Para a gente, é primordial ter um evento como esse para poder escolher e sentir o público. O que eles decidiram me deixou feliz”, finalizou.

Samba-enredo para fechar o domingo
A Disputa de Samba-Enredo dos Doentes da Sapucaí começou por volta das 17h, não ironicamente o horário em que as urnas das eleições Brasil afora foram encerradas. O sorteio da apresentação dos sambas veio na sequência, antes de uma sequência de sambas-enredo clássicos que empolgaram os presentes. Logo depois, teve início a disputa, com o resultado revelado pouco depois.










