
A segunda mesa do 1º Seminário das Rodas de Samba, realizado no Palácio Gustavo Capanema, na última terça-feira, mediada por Fabrício Antenor, gerente de Projetos do Ministério da Cultura, reuniu representantes do Rio de Janeiro, São Paulo e Minas Gerais para debater o tema “Inovação e Novas Gerações: a tradição como lanterna, redes integradas e dados”. Entre os participantes esteve a jornalista Simone Maya, da Agência Mural de Jornalismo das Periferias, que apresentou um mapeamento das rodas de samba realizadas nas periferias de São Paulo. Segundo ela, a iniciativa surgiu da necessidade de dar visibilidade a esses espaços culturais, frequentemente ausentes dos circuitos tradicionais de divulgação e pesquisa sobre o samba.
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A influenciadora digital Dani Miranda também integrou o debate e destacou o papel fundamental dos compositores para a preservação e a continuidade do samba. Ela ressaltou que, sem os autores, não existiriam as letras que dão identidade ao gênero musical. Dani abordou ainda a importância do uso da tecnologia na preservação da memória do samba, utilizando recursos audiovisuais e as redes sociais para registrar e divulgar histórias de compositores muitas vezes desconhecidos do grande público.
Representando Minas Gerais, Andrea Melo, do Movimento Internacional de Mulheres Sambistas, destacou a atuação da organização na ampliação da visibilidade feminina no universo do samba. Ela enfatizou ainda o compromisso do movimento com a inclusão, promovendo a participação de mulheres com deficiência em rodas de samba e oficinas culturais.
A cavaquinista apresentou também uma iniciativa que promove rodas de samba realizadas simultaneamente em diferentes cidades e países em homenagem a mulheres sambistas ainda em vida. Neste ano, a homenageada será a atriz e cantora Zezé Motta.
Encerrando as participações da mesa, Nilcemar Nogueira, fundadora e gestora do Museu do Samba e neta do compositor Cartola, celebrou a realização do Primeiro Seminário Nacional de Rodas de Samba. Para ela, o encontro reúne pessoas comprometidas com a construção de uma agenda coletiva para o fortalecimento do segmento. Nilcemar defendeu a união de esforços entre os governos federal, estadual e municipal para consolidar políticas públicas voltadas à proteção e valorização dos patrimônios culturais ligados ao samba.
“O patrimônio é um bem que precisa ser protegido, e, para proteger esse samba, é preciso proteger os corpos que sustentam essa tradição”, disse Nilcemar.
A terceira e última mesa do encontro, mediada por Roberta Martins, representante do Ministério da Cultura (MinC), trouxe importantes reflexões sobre financiamento e sustentabilidade das iniciativas culturais. O debate abordou possibilidades de captação de recursos para o setor, além dos mecanismos oferecidos pelo próprio ministério.

Entre os participantes, Rafa Rafuagi, fundador do Museu do Hip Hop, fez uma intervenção contundente sobre a necessidade de organização dos agentes culturais para a construção de um diálogo permanente com o Governo Federal e outras instituições públicas e privadas. O ativista destacou a importância da articulação coletiva na busca por investimentos e apontou diferentes caminhos para a captação de recursos destinados à cultura.
Representando Fortaleza, a produtora cultural Pérola de Oyá compartilhou os desafios enfrentados na realização de rodas de samba na capital cearense. Segundo ela, a intolerância religiosa ainda é um obstáculo para manifestações ligadas à cultura afro-brasileira. Natural da Bahia, Pérola relatou ter sido alvo de denúncias em razão de suas atividades culturais, mas afirmou que seguiu firme em seu trabalho de resistência cultural, conciliando a produção dos eventos com a venda de acarajés e outros quitutes típicos.
De Belo Horizonte, a cantora, produtora cultural e gestora Aline Calixto ressaltou a relevância econômica e social do samba, mas lamentou a falta de reconhecimento do gênero por parte do poder público. Ela também denunciou episódios de intolerância que dificultam a realização de blocos carnavalescos e outras manifestações culturais na capital mineira.
Encerrando as participações, Rogerinho Família, integrante da Rede Carioca das Rodas de Samba e idealizador do grupo Poeira Pura, destacou a trajetória de mobilização e articulação dos movimentos culturais no Rio de Janeiro. Ele relembrou anos de debates e ações voltadas à ocupação democrática de ruas e praças da cidade, defendendo os espaços públicos como territórios fundamentais para a cultura popular e para a preservação das tradições do samba.









