
O carnavalesco Tarcísio Zanon celebrou o título da Unidos do Viradouro destacando o caráter histórico da conquista e o protagonismo de mestre Ciça no desfile campeão. Em entrevista ao CARNAVALESCO, Zanon ressaltou o peso simbólico do enredo e a importância de valorizar o ritmo dentro da Marquês de Sapucaí. Segundo o artista, o título ultrapassa o resultado competitivo e representa um marco para o universo do samba.
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“Histórico. É um momento histórico para o mundo do samba e para a Viradouro. A gente poder ter um sambista que tanto fez pela história do carnaval vencendo o carnaval… é a festa em festa. O Ciça é uma escola de samba inteira em si. Para além do título, para mim é muito significativo, importante e necessário viver esse momento histórico”.
Zanon também destacou o impacto pessoal da vitória, apontando o resultado como combustível para novos desafios. “Isso me revigora, me faz querer fazer cada vez melhor. E o Ciça merece. O Ciça é alguém que entende a Marquês de Sapucaí como ninguém; ele é um professor para todos nós”.
O carnavalesco ainda contextualizou a relevância do enredo ao destacar a valorização do ritmo no carnaval contemporâneo. “Colocar o ritmo, que há tanto tempo foi marginalizado, nesse lugar… se você pensar, cem anos atrás os ritmistas eram perseguidos pela polícia, e hoje o ritmo alcança o patamar de campeão do carnaval carioca”, disse, atribuindo essa evolução também ao legado de Ciça. “Isso vem muito do trabalho do Ciça, do legado que ele leva e que vai passar para outros”.
Momento épico na avenida
Um dos pontos mais marcantes do desfile foi a bateria surgindo no alto de uma alegoria, recriando um dos momentos mais icônicos da trajetória de mestre Ciça. Zanon revelou que a ideia esteve presente desde o início do projeto.
“Desde o início desse projeto a gente queria trazer o Ciça de novo, porque é um dos momentos mais icônicos da carreira dele. Ele já tinha dado entrevista dizendo que não queria fazer mais, mas, como ele se tornou enredo, acho que se animou e resolveu fazer novamente”, explicou.
Para viabilizar a cena, a equipe precisou adaptar o conceito às regras atuais. “A gente fez com muito cuidado: trabalhamos com calculista e com engenheiro, porque na época em que foi feito eram três chassis. Hoje não se pode usar três chassis acoplados; só podemos usar dois. E deu tudo certo”.
O resultado, segundo o carnavalesco, foi um dos ápices do desfile campeão. “Foi um momento épico, no final do desfile, com uma leitura nova, representando o coração de uma escola, o Furacão vermelho e branco. Foi lindo, foi épico”.
Zanon também destacou o caráter emocional da cena, especialmente pelo encontro entre gerações de ritmistas. “A nova geração, os pais que estavam tocando naquela época, hoje os filhos puderam viver isso. Eu senti muito essa troca com os meninos da bateria, eles falando com felicidade: ‘meu pai fez, e hoje eu vou fazer’”.









