
A Mancha Verde realizou na última quarta-feira sua explanação para compositores com foco na disputa de samba-enredo que definirá a obra a embalar a agremiação no Carnaval 2027. Foi um encontro especial, no qual o presidente Paulo Serdan destacou o orgulho da escola em homenagear a importante escritora Ruth Rocha, além da apresentação feita por Rodrigo Meiners sobre o tema. Durante a reunião, foi reforçado que a escola busca um samba alegre e, ao mesmo tempo, aguerrido, sem abrir mão de suas caractersticas. Como já é tradição na Mancha Verde, a final será realizada na última festa julina, marcando o início do ciclo de trabalho junto à comunidade. O tema é intitulado como “Ruth Rocha — A palavra que ensina a criança a voar”. Rodrigo Meiners, responsável pelo desenvolvimento do tema, conversou com o CARNAVALESCO sobre a felicidade de homenagear a escritora.
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Mudança de característica
O carnavalesco explicou que a escolha do enredo surgiu da combinação entre um desejo pessoal e um pedido de mudança por parte da escola, que nos últimos anos vinha abordando com frequência temáticas religiosas e, para 2027, pretende levar algo mais leve ao Anhembi.
“Eu já tinha esse enredo guardado há muito tempo. Idealizei essa proposta em 2017, quando ainda trabalhava como assistente e não era carnavalesco. Sempre fui apaixonado pelo carnaval e pelos desfiles. Minha vivência sempre esteve ligada à Sapucaí, até me mudar para São Paulo. O desfile de 2005 da Imperatriz Leopoldinense me marcou profundamente. Foi um dos primeiros de que me lembro na infância. Eu tinha entre 9 e 10 anos e consegui compreender o que estava sendo apresentado. Aquilo ficou registrado em mim de alguma forma e despertou o desejo de, um dia, desenvolver uma temática infantil, com um enredo e uma estética voltados para esse universo. Após o carnaval de 2026, não alcançamos o resultado esperado nem o que planejamos conquistar. A partir disso, muitas pessoas passaram a sugerir ao presidente uma mudança de linha, buscando se afastar de enredos com temática religiosa. Em um país polarizado, falar de religião gera debates, assim como abordar política. Entendemos, então, que era necessário propor um enredo sem esse tipo de controvérsia, capaz de unir pessoas de diferentes pensamentos, ideologias e crenças, todas com um objetivo em comum: levar a Mancha Verde ao acesso”, contou.
Aceitação do público
Para Rodrigo Meiners, o que mais chama atenção nesse enredo sobre Ruth Rocha é a aceitação do público do carnaval. Segundo o artista, não houve críticas desde o lançamento do tema nas redes sociais.
“O que mais me impacta nesse enredo é a aceitação. Sinceramente, não tenho visto críticas; pelo contrário, recebemos elogios de todos os públicos, o que nos dá ainda mais motivação. Como o presidente mencionou, isso acontece após um momento difícil, que foi não conquistar o acesso. Esse reconhecimento nos conforta. Continuo convicto de que fizemos um grande desfile no ano passado, mesmo que o resultado não tenha refletido isso. Agora, iniciamos 2027 com um sentimento de acolhimento, abraçados pelo público, que recebeu muito bem essa proposta, e esse é o ponto principal. Além disso, há o contato com a Ruth. O carnaval tem essa capacidade de aproximar pessoas. Há 15 anos, eu ainda era criança e lia suas obras na escola. Em 2025, conheci Cláudia Alexandre e mergulhei em um universo de literatura, religiosidade e matriz africana. Agora, tenho a satisfação pessoal de explorar a literatura infantil e de me conectar com uma autora que publicou 218 obras ao longo da carreira. Isso representa um enorme aprendizado. Aproveito para agradecer publicamente ao presidente por acreditar nessa ideia e embarcar comigo nesse enredo”, celebrou.
Felicidade de Ruth em ser homenageada
Recentemente, a direção de carnaval da Mancha Verde e o próprio Rodrigo Meiners tiveram a oportunidade de se encontrar com a escritora e homenageada Ruth Rocha. Segundo o carnavalesco, foi um momento especial, sobretudo pelo conhecimento que ela demonstra sobre desfiles de escolas de samba.
“Foi uma experiência muito especial. Não esperávamos a reação dela. A primeira grande surpresa foi perceber que a Ruth entende muito de carnaval. Ela contou que tem familiares cariocas e que frequentava os desfiles no Rio, inclusive antes da construção da Sapucaí, algo que desconhecíamos. Quando apresentamos o projeto, com fantasias e alegorias, ficou evidente que ela não é leiga no assunto. Ela sabe, por exemplo, que a fantasia da bateria precisa ser mais leve, devido à praticidade para os ritmistas, e que o abre-alas deve ser o maior carro do desfile, já que precisa causar maior impacto na abertura. Também demonstrou conhecimento sobre o processo atual de apresentação do enredo aos compositores e sobre a dinâmica das disputas de samba. Inclusive, afirmou estar à disposição para participar, ouvir as obras e colaborar na escolha da letra. Desde o início, a reação dela, da família e da equipe foi extremamente positiva. Ainda assim, nos surpreendeu perceber o quanto ela aprecia e compreende o carnaval. Ela está muito feliz por ser homenageada em uma manifestação artística que admira e que, em determinado período da vida, acompanhou de perto”, concluiu.
Saiu o primeiro enredo para 2027! Mancha Verde vai homenagear a educadora e escritora Ruth Rocha










