A ministra da Cultura, Margareth Menezes, conversou com o site CARNAVALESCO e afirmou que foi uma honra participar da gravação do samba-enredo da Estação Primeira de Mangueira, no álbum oficial para o Carnaval de 2023. A Verde e Rosa levará para Avenida o enredo “As Áfricas que a Bahia Canta”, de autoria dos carnavalescos Annik Salmon e Guilherme Estevão.
Margareth Menezes com os compositores do samba de 2023 da Mangueira. Foto: Reprodução de vídeo
Na fase de disputa, Margareth Menezes atuou na gravação da parceria de Lequinho, que acabou campeã. No dia da vitória, ela falou ao CARNAVALESCO. “Fiz questão de vir aqui e poder vivenciar tudo isso. Foi um momento muito especial, de muito axé, muito forte, estou muito feliz. Esse para mim já é nota 10 de todos os tempos”, disse a ministra.
Margareth Menezes também respondeu sobre a participação na gravação do samba-enredo da Mangueira para o Carnaval 2023. “Foi uma grande honra participar da gravação desse samba, quando eu ouvi pela fiquei encantada logo de primeira, ainda mais sendo aqui na Estação Primeira de Mangueira”.
Para os apaixonados pela folia o carnaval já começou e a Estação Primeira de Mangueira faz a sua parte na festa. Nessa temporada de pré-carnaval, no que depender da Verde e Rosa, samba e alegria já estão garantidos no Palácio do Samba.
Foto: Allan Duffes/Site CARNAVALESCO
Depois de abrir 2023 em grande estilo, sábado, dia 21 de janeiro a partir das 22h, é dia de mais uma grande celebração, quando a Quadra da Mangueira será palco do Segundo Grito de Carnaval da Verde e Rosa. Teremos o show da Estação Primeira com seus segmentos como: bateria, intérpretes, musas, passistas, casais de mestre-sala e porta-bandeira, baianas, velha guarda, ala da comunidade cantando forte e presença garantida da rainha de bateria Evelyn Bastos.
Abrilhantando ainda mais a noite, participação de Chacal do Sax e Cordão do Bola Preta. Tá esperando o que? Garanta logo seu lugar! Os ingressos já estão disponíveis em nosso site de venda ingresso.mangueira.com.br.
SERVIÇO:
Segundo Grito de Carnaval
Local: Palácio do Samba
Endereço: Rua Visconde de Niterói, 1072 – Mangueira
Data: 21/01
Horário: 22h
Entrada antecipada: R$40,00
Entrada no dia: R$60,00
Camarote VIP (individual): R$200,00
Camarote Lateral (10 pessoas): R$2.000,00
Mesa (venda no local): R$80,00
Segunda escola a entrar na pista na noite de sexta-feira de ensaios técnicos do Sambódromo do Anhembi, em preparação para o Carnaval 2023, a Brinco da Marquesa realizou seu único treino geral previsto. Com destaque para a parceria samba e bateria, que casaram muito bem, a agremiação da Zona Sul realizou ensaio seguro e agradável de se acompanhar, com elementos a serem corrigidos no quesito Evolução. A escola da Vila Brasilina será a terceira a se apresentar pelo Grupo de Acesso 2, no dia 11 de fevereiro, com o enredo “É Festa!! No Brasil é alegria o ano inteiro. A Marquesa comemora com você”.
Fotos de Fábio Martins/Site CARNAVALESCO
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Comissão de Frente
Os 11 dançarinos da comissão de frente realizaram uma dança simples, mas carregada de energia e disposição. Era visível a felicidade deles de estarem representando a Brinco da Marquesa. De acordo com o coreógrafo Danilo Pacheco, o primeiro quesito da escola representará o povo brasileiro se divertindo nas festas populares. A liderança do artista mostrou fazer a diferença, com os componentes seguindo suas orientações e respondendo positivamente a cada observação. Ainda há certo polimento a ser feito em alguns detalhes, mas no geral, a comissão de frente cumpriu bem seu papel de apresentar o enredo.
Mestre-Sala e Porta-Bandeira
Samuel e Juliana Ferreira defenderam o pavilhão da Brinco da Marquesa com uma dança inicialmente simples, porém certeira. Mas enquanto evoluíam entre os setores, mostraram serem capazes de demonstrar mais energia, respondendo a exigência de mais giros da parte de seu instrutor. Com isso, a dupla mostrou potencial de animar o público que comparecer ao Sambódromo do Anhembi no dia do desfile oficial, podendo aproveitar os treinamentos até lá para aplicarem mais desse potencial vigor percebido.
Harmonia
A Brinco da Marquesa é uma escola com uma comunidade pequena, mas com o espírito necessário para aproveitar um bom Carnaval. Mesmo com pouco volume de componentes nas alas, o canto do samba foi notável, com destaque para a Ala 4, que veio com adereços em referência à comunidade LGBTQIAPN+. Ainda há o que melhorar, bastando apenas aos diretores colocarem na consciência de cada um a capacidade que eles possuem.
Evolução
Ponto delicado da escola, a evolução pecou de forma desnecessária em certos momentos. Apostando em uma estratégia de colocar a bateria logo após a Comissão de Frente, seria uma oportunidade de aproveitar o buraco técnico do grupo cênico para evoluírem sem riscos, mas mesmo assim espaços muito grandes ocorreram, principalmente entre a ala seguinte e o primeiro casal, e que precisam ser acertados. Havia espaço excessivo também entre algumas alas, com os diretores discutindo a respeito durante o ensaio. Fecharam os portões com 47 minutos, muito tempo de sobra, então basta à equipe organizar esse elemento até o dia do desfile.
Samba-Enredo
Samba leve, com uma letra fácil de cantar. A Brinco da Marquesa acertou em cheio com uma obra que sintetiza de maneira bem carnavalesca a essência de seu enredo sobre as festas populares. O samba funcionou no Avenida, e permitiu a bateria ousar com bossas de alto nível. Quesito forte que pode favorecer a escola no dia do desfile oficial.
Outros destaques
A bateria “Fantástica”, comandada por Mestre Juan Cotto foi grande destaque positivo. Bem ensaiada, casou muito bem com o samba da escola e apresentou excelentes bossas. À frente dos ritmistas, a madrinha Magali Alves chamou atenção com uma fantasia com clara referência às passistas Globeleza e agradou o público com sua dança.
A Brinco da Marquesa mostrou neste único ensaio técnico que teve a sua disposição que é possível fazer um bom Carnaval mesmo com recursos limitados. Em 2022, na sua estreia no Grupo de Acesso 2, a escola mostrara ter uma comunidade unida, e agora para este ano a melhora é explícita. A expectativa é de um desfile gostoso de assistir, de uma comunidade disposta a brincar o Carnaval da melhor forma possível.
Apenas cinco dias depois do primeiro ensaio técnico, a Mocidade Alegre voltou ao Anhembi na noite de sexta-feira para a segunda apresentação no Sambódromo paulistano. Se o desfile inicial foi impactante e uniu extrema eficiência com um fortíssimo canto da comunidade, a posterior teve empolgação menor à sacudida do debute. Em ambas, a escola do bairro do Limão cantou o tema “Yasuke”.
Mestre-Sala e Porta-Bandeira
Priorizando a coreografia e extremamente técnicos em todos os atos, Jefferson Gomes e Natália Lago tiveram atuação destacada no ensaio técnico da Morada do Samba. Sorridentes e leves, focaram as cabines dos jurados e mostraram graça ao desfraldar o pavilhão para as arquibancadas do Anhembi – que não compareceram com tanto afinco por conta da chuva que caiu durante toda a tarde em São Paulo.
Fotos de Fábio Martins/Site CARNAVALESCO
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Chamou atenção o ritmo bem mais cadenciado dos giros tanto do mestre-sala quanto da porta-bandeira, aparentemente buscando a perfeição no movimento e não em grandes ousadias. Uma apresentação bastante segura e eficiente, em que não foram notados erros sequer por conta das famosas e inconvenientes rajadas de vento do Anhembi.
Evolução
Pelas contas da reportagem do CARNAVALESCO, apenas uma ala não tinha adereços. Bexigas, pompons, cetros e tecidos foram utilizados pelos componentes da escola para trazer movimentos e preencher cada espaço da passarela, e o objetivo foi alcançado com primor.
Momento sempre sensível para o quesito, a entrada da Ritmo Puro no recuo de bateria merece destaque. Com um movimento bastante simples, adentrando o espaço tão logo a ala da frente deu espaço, ritmistas de chocalho e agogô permaneceram na pista, atrás dos componentes que entravam. Só após todos os entrantes se posicionarem os que ainda estavam na passagem uniram-se aos companheiros. O movimento, bastante criativo, impediu a formação de qualquer buraco.
Também vale destacar o equilíbrio entre alas coreografadas e soltas – inclusive, com predomínio para as livres de qualquer dança.
Comissão de Frente
Ao contrário de outras comissões de frente, que investiram em coreografias com diversos atos e de duração longa, a da Mocidade Alegre pareceu ter uma sequência de movimentos mais enxuta quando comparada a de coirmãs.
Chamou atenção a presença de dois personagens principais, que muito provavelmente representarão Yasuke, mote do enredo, em atos distintos – enquanto um se apresentava, o outro recuava. Também chamou atenção o alto contingente de mulheres na comissão em um enredo que tem como homenageado um homem. Samurais também se faziam presentes no setor, com roupas pretas características.
Outro detalhe que chamou atenção foi um espaço entre o final da comissão de frente e a ala anterior, coreografada. Por vezes, tal espaço se fazia presente e, em outros momentos, sumia. Não se sabe se a coreografia utilizará um tripé e o movimento aconteceu por conta disso, mas é necessário relatar o que foi visto.
Samba-Enredo
Elogiadíssimo pela crítica, a canção foi, mais uma vez, muito bem interpretada por Igor Sorriso. Com atuação mais focada no andamento do samba e sem tantos cacos, o intérprete mostrou afinação e muito entrosamento com o restante do carro de som e da Ritmo Puro.
Ao contrário do que aconteceu no primeiro ensaio técnico da Morada do Samba, porém, a canção não empolgou tanto assim. O intérprete destacou que, mesmo com apenas cinco dias entre um ensaio técnico e outro, foi possível identificar e corrigir detalhes.
“Não posso fazer uma análise geral do ensaio porque estou limitado a estar logo após a bateria, não tenho como ter uma visão geral da escola. Mas achei o ensaio produtivo. Ajustamos algumas coisas de canto e ritmo e tivemos uma evolução bem bacana hoje”, afirmou.
Harmonia
Se, no primeiro ensaio técnico, a comunidade do Morro do Limão comeu o asfalto, a segunda apresentação teve canto bastante irregular. Se a ala coreografada posicionada logo após a comissão de frente também tinham um canto razoável, os componentes do primeiro setor mais se movimentavam que cantavam o samba de maneira forte. No segundo setor, uma ala com camisas roxas passava com bastante força vocal.
As exceções eram os movimentos da Ritmo Puro. Quando o verso “Lágrimas em chama” tinha alguma bossa ou apagão, a escola do Limão cantava forte até o refrão principal (“Meu batuque é resistência, sou Mocidade”).
É perfeitamente compreensível a mudança na empolgação da escola tendo apenas cinco dias de diferença entre um ensaio técnico e outro, é bom que se diga. Mas, novamente: é necessário relatar o que foi visto – até porque, na noite do desfile, o que deve acontecer é o arrastão do primeiro ensaio técnico.
Carlos Magno, diretor de Harmonia da agremiação, observou que o tempo chuvoso em São Paulo também pode ter prejudicado o canto dos componentes: “Fizemos um ensaio bom hoje. Demos uma boa trabalhada no que erramos no primeiro ensaio, e com intuito de melhorar, e conseguimos. Um dia chuvoso, atípico, em São Paulo, nos surpreendemos com a quantidade de gente, mas a nossa comunidade é fantástica. Abraçamos a ideia, fortalecemos muito o canto hoje, e demos alguns acertos que eram necessários”, destacou.
Em outro momento, ele próprio destacou que a Harmonia da Morada do Samba ainda não está no ritmo que o desfile exige: “Vamos acertando de ensaio a ensaio. Nunca um é igual ao outro e nem o desfile é igual aos ensaios. A gente passou a semana estudando o primeiro ensaio, para melhorar no segundo, são coisas novas, pode ter acontecido alguns erros novos que iremos estudar também. Mas na concepção, o ensaio melhorou, não é o que queremos ainda. Vamos continuar trabalhando para conseguir chegar no desfile zerado, pois todo mundo desfila campeão, e perde dentro da pista, e não a gente não quer. Queremos passar e conquistar o nosso êxito, claro que tem todas as escolas que merecem nosso respeito”, pontuou.
Igor Sorriso, intérprete da escola, tem visão diferente. Para ele, os componentes estão mais afiados do que nunca. “O meu povo está cantando cada vez mais. Estou feliz com o desempenho da minha comunidade, do meu time de canto, da minha bateria. Temos mais um teste aqui antes do desfile, temos alguns ajustes para fazer na quadra. A evolução vai acontecer naturalmente”, garantiu.
Outros destaques
– Várias alas da Morada do Samba parecem ter guardiões – ou seja, pessoas nas laterais com fantasias ligeiramente diferentes dos componentes que estão no meio.
– Ao menos no ensaio desta sexta-feira, os adereços eram facilmente identificáveis e remetiam ao Japão – um dos pontos de referência do enredo.
– A Ritmo Puro executou diversas bossas e marcou várias partes do samba-enredo. Em entrevista ao CARNAVALESCO, Mestre Sombra não fechou portas para criar ainda mais convenções, mas mostrou-se satisfeito com a execução dos ritmistas. “Por enquanto é isso e está bom. Vamos estudar, o tempo está curto para pensar. Por enquanto é isso aí. Estamos no nosso objetivo, em uma crescente. Está tudo dando certo. No próximo, tentaremos ser melhor do que hoje”, comentou.
– Mesmo com tão pouco tempo entre um ensaio técnico e outro, o mestre de bateria da Morada do Samba conseguiu identificar pontos de melhoria – e, na visão dele, as falhas foram corrigidas. “Teve ensaio durante a semana, nós achamos que tínhamos que fazer um trabalho de correção. Fomos atrás e lapidamos, trabalhamos. Deu tudo certo”, finalizou.
– Tal qual no primeiro ensaio técnico, a Ritmo Puro cruzou a avenida, esperou o espaço destinado ao último carro alegórico passar e voltou para a passarela por mais alguns instantes. Magno comentou o movimento: “Faz algum tempo que fazemos isso, é claro que nos finais de semana a arquibancada está bem mais cheia, essa última aqui. E como a última arquibancada é sempre aquela mais sofrida, pois o pessoal está esperando, e a bateria passa, vai embora, é mais como um prêmio para eles. Esse público que vem atrás, que sofre, que busca, acompanha e nos aplaude. Essa brincadeira com a bateria é com eles. Quando a arquibancada está cheia, o pessoal vem abaixo e abraça a ideia, é fantástico. Um prêmio para arquibancada e público”.
A X-9 Paulistana realizou na noite de sexta-feira o seu ensaio técnico visando a preparação para o desfile de 2023. O destaque principal fica para o tamanho da escola. O tempo instável da cidade paulistana não afastou os componentes ‘xisnoveanos’. Na pista, o canto da comunidade foi bastante regular e volumoso. Portanto, dentro dos quesitos que uma escola deve-se trabalhar nos treinos disponíveis, a harmonia da escola foi a que teve um desempenho mais satisfatório. As partes do samba-enredo que fazem referência aos grandes sucessos de Ivone Lara, casaram totalmente com os componentes. Os compositores foram felizes e a comunidade abraçou o hino. É outro fato a se destacar o porquê do sucesso no canto da escola. O enredo que a X-9 Paulistana levará para a avenida será “Dona Ivone Lara, Mas Quem Disse Que Eu te Esqueço?”
Comissão de frente
A ala toda encenava em dupla de homens e mulheres que sambavam no pé e faziam uma dança na espécie de um baile. Todos estavam com camisa azul e nas partes inferiores, usavam branco. A comissão usava bastante toda a pista e evoluía rapidamente. Na encenação, também deu para perceber discretamente uma saudação ao público.
Harmonia
O canto foi o principal destaque da escola. Houve uma grande sincronização entre todas as alas. Destaque para todo o departamento de harmonia e diretores de alas, que incentivaram os componentes a sempre cantarem forte. As partes mais entoadas do samba foram os refrões do meio e principal, além dos últimos versos da segunda parte. Vale ponderar que esse canto aconteceu muito mais do segundo setor em diante.
Fotos de Fábio Martins/Site CARNAVALESCO
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Fotos de Fábio Martins/Site CARNAVALESCO
Mestre-sala e Porta-bandeira
Analisando o casal em frente ao módulo 8, a dupla Gabriel Vullen e Joice Padro, fizeram um ensaio seguro com movimentos sutis e leves. Dentro da proposta do samba-enredo, realizaram a coreografia de forma satisfatória. Destaque para a parte de “voei, voei, voei nas do meu Tiê… E ganhei o mundo”, eles bailavam na espécie de um ‘bater de asas’. Também fizeram o protocolar movimento horário e anti-horário. Ambos estavam combinados com um verde limão muito forte, que é a segunda cor da agremiação.
Evolução
A evolução teve destaques positivos e negativos. De maneira negativa, houve um certo momento que a escola freou o seu desfile na passarela. Após a bateria entrar no recuo, as alas estagnaram. Isso é considerado uma grande falha. Entretanto, as coreografias dentro do samba deram um contraste satisfatório dentro da pista. No primeiro verso, os componentes dançavam para a direita e esquerda com apenas o braço levantado e, após, erguiam ambos. Outro momento a se destacar é quando ao cantar “Eu te amo Dona Ivone Lara”, a comunidade levantava as mãos aos céus.
Samba-Enredo
O samba caiu nas graças da comunidade. O primeiro verso do refrão principal já começa com “Um sorriso negro, um abraço negro traz felicidade”. Uma clara referência à música “Sorriso Negro” de Ivone Lara, que é um dos maiores sucessos da sambista. Após, na primeira parte do hino, outra trilha sonora da coletânea da artista já é emendada, que é a música “Tiê”. O refrão do meio dita o que é a sinergia do enredo com os componentes. Na parte onde se canta: “Meu amor por você é jóia rara… Eu te amo Dona Ivone Lara”. Além de se tratar de outra referência, que é a música “Nossa Escola”, a comunidade ‘gritava’ tal frase. São dois versos explosivos que deram um grande tom do ensaio nesta noite.
Outros destaques
A bateria ‘Pulsação Nota Mil’, regida por mestre Adamastor, realizou algumas bossas ao decorrer do ensaio. Destaque para o breque que fica localizado nos últimos versos do samba. Os chocalhos, caixas e desenhos de tamborins ditaram o ritmo da batucada xisnoveana.
A maioria das alas levaram bexigas nas cores da escola nas mãos. O dia também marcou a volta do cantor Darlan Alves pisando no Anhembi como intérprete oficial da agremiação.
No próprio ensaio, momentos antes da arrancada, foram coroadas pelo mestre e presidente da agremiação, Adamastor, a nova corte da bateria ‘Pulsação Nota Mil’.
Os cargos distribuídos foram:
Madrinha de bateria – Valéria de Paula
Paloma Oliveira – primeira dama
Ingrid Mantovani – rainha de bateria
A Inocentes de Belford Roxo levará para avenida no Carnaval 2023, o enredo “Mulheres de barro”. Desenvolvido pelo carnavalesco Lucas Milato, o enredo fala de ancestralidade e expectativas futuras. Mistura que pode ser vista no novo primeiro casal de mestre-sala e porta-bandeira, Matheus Machado e Jaçanã Ribeiro.
Fotos de Allan Duffes/Site CARNAVALESCO
Jaçanã, com mais de 20 anos de carreira já vem construindo sua história na Caçulinha da Baixada desde outros carnavais, porém, Matheus Machado que é cria do Império Serrano, está chegando este ano na escola e deseja alcançar bons resultados para Inocentes.
“Penso que grandes batalhas são dadas a grandes guerreiros. Tenho certeza de que vamos nos apresentar bem nos nossos ensaios técnicos e no dia do nosso desfile. Nossa luta é árdua, mas nós somos persistentes e acredito que já estamos encarando bem e vamos ter sucesso”, comentou Matheus Machado para equipe do site CARNAVALESCO.
Para obter sucesso, o mestre-sala precisa de além do entrosamento com sua experiente e talentosa porta-bandeira, de muito trabalho duro. Sabendo disso, Matheus e Jaçanã construíram uma carga de ensaios e estudos pesada e apostam na disciplina e perseverança para fazerem bonito na Sapucaí.
Fotos de Allan Duffes/Site CARNAVALESCO
“Olha, o ritmo é forte, não temos mais casa. Intensificamos a rotina dos ensaios com o nosso coreógrafo e aumentamos o ritmo dos estudos e seguir assim até o dia que tivermos que passar na avenida”, explicou Jaçanã.
Algumas pessoas diriam que além do ritmo forte de ensaios e estudos, estar na posição de primeiro casal de uma escola da Série Ouro demanda uma disposição para encarar outras dificuldades também, como possível falta de verba ou apoio, mas não é o que relata o casal de mestre-sala e porta=bandeira da Inocentes de Belford Roxo.
“Eu não diria que nós temos uma dificuldade, eu encaro mais como sendo uma grande honra, seria a responsabilidade de ostentar o primeiro pavilhão de uma escola. Não importa qual grupo pertença, é uma honra enorme portar toda uma comunidade através do pavilhão”, contou a porta-bandeira.
E para defender o pavilhão da escola com honra e alcançar os sonhados 40 pontos, também é preciso apresentar uma fantasia digna de uma nota cheia. Assim, o casal participa de todo processo criativo de suas fantasias em conjunto com o carnavalesco Lucas Milato e o ateliê Aquarela Carioca.
“Nós participamos do processo de criação das fantasias desde o começo. Vale dizer que elas estão sendo feitas no ateliê Aquarela Carioca e eles nos dão total abertura com eles. Nossas fantasias são desenvolvidas em conjunto com o nosso carnavalesco e tudo o que a gente está propondo vem sendo escutado com carinho e atenção. O processo está muito lindo”, revelou Jaçanã.
Estando presentes de toda evolução de suas fantasias, o casal também consegue entender melhor sua movimentação no desfile e trazer uma proposta mais assertiva para comissão julgadora. Com sonhos de títulos futuros, a aposta da dupla para alcançar o sucesso está no passado, ou melhor, na ancestralidade.
“Eu sou a favor da tradição do mestre-sala e porta-bandeira. Por isso, a coreografia, no nosso caso, acaba sendo um adendo para ajudar na nossa evolução na avenida. É isso, a gente busca carregar a tradição do bailar do primeiro casal de mestre-sala e porta-bandeira, mas não descartamos a coreografia”, respondeu Jaçanã Ribeiro.
“E fora todo nosso trabalho e a apresentação que buscamos mostrar na avenida, ainda existe o julgamento do quesito. Na minha opinião, o quesito vem sendo avaliado de forma sensata e está ajudando no desenvolvimento do espetáculo e melhoras dos artistas”, completou o mestre- sala da Inocentes de Belford Roxo.
Com o enredo “Mogangueiro da cara preta”, dos carnavalescos Rosa Magalhães e João Vitor Araújo, o Paraíso do Tuiuti terá a dupla Lucas Maciel e Karina Dias no comando de sua comissão de frente. Os dois que já são bem amigos, prometem esforço máximo para o gabarito do quesito.
Foto: Allan Duffes/Site CARNAVALESCO
Lucas é considerado por muitos um fruto do “Casal Segredo”, já que atuou como bailarino de Priscilla Mota e Rodrigo Neri por muito tempo, e ano passado, já atuando como coreógrafo na Série Ouro, foi bastante elogiado pela crítica carnavalesca. Quando perguntado sobre a sua estreia, afirmou: “Para mim é um prazer estar estreando no Grupo Especial, ainda mais sendo parte dessa escola maravilhosa que é o Tuiuti e nessa parceria incrível com a Karina. É um sonho realizado e que estou tendo o enorme prazer de viver”.
Karina Dias, que já atuou como jurada de mestre-sala e porta-bandeira da Série Ouro no carnaval de 2020, é também primeira solista do Theatro Municipal do Rio, onde foi revelada pelo público e pela crítica como um grande talento. Em entrevista ao CARNAVALESCO, a coreógrafa não escondeu a emoção quanto a sua estreia na escola de São Cristóvão.
Foto: Allan Duffes/Site CARNAVALESCO
“É uma responsabilidade muito grande, juntamente com um misto de emoções. Ao mesmo tempo em que estou sempre muito preocupada, querendo que tudo dê certo, eu também tenho muita honra e prazer de estar à frente de uma escola que é tão raiz e comunidade como o Tuiuti. Eu não poderia estar mais feliz de estar à frente desse projeto”.
Durante a pesquisa para o processo coreográfico, Karina afirmou ter se apaixonado de primeira instância pelo enredo, que vem sendo um dos mais elogiados e abraçados pelo público desde a sua divulgação. “Esse enredo é um verdadeiro primor. A parceria da Rosa com o João deu muito certo, eles são ainda mais incríveis juntos. É um enredo que traz a nossa cultura, nossa brasilidade, é obvio que toca muito. Desde o primeiro momento da apresentação do enredo, nós já tivemos milhares de ideias para a coreografia, mas acabamos escolhendo uma só e que terá um gostinho especial na avenida”, afirmou.
Apesar de na teoria serem responsáveis por quesitos diferentes, o trabalho de um coreógrafo acaba sendo em conjunto com o do carnavalesco, onde acaba havendo uma troca artística de ideias criativas em prol de um melhor desenvolvimento para a agremiação. “O João e a Rosa se organizam muito bem juntos”, revelou Lucas. “Cada um fica responsável por uma parte, é tudo sempre muito bem dividido. Nós estamos sempre nos encontrando, já fizemos diversas reuniões na casa da Rosa, isso quando não nos deslocamos até o barracão. Estamos sempre todos muito unidos, acredito que a parceria de nós qautro em si vem dando muito certo e eu me sinto extremamente feliz por isso”, concluiu o coreógrafo.
Quanto mais o enredo e consequentemente o samba, caem nas graças do povo, a expectativa para o desfile aumenta. O quesito comissão de frente é considerado por muitos, um dos mais importantes do desfile, já que além de apresentar a escola, deve fazer um breve resumo de introdução ao enredo. Quando questionado, Lucas relatou a importância do quesito. “Qualquer comissão não pode deixar a desejar na emoção, isso é um fato, mas com certeza não pode faltar aquele show, espetáculo melhor dizendo. É na comissão de frente que se conta a história, eu sempre defendo que começa ali a conexão com o público com todo o resto do desfile”.
Karina além de concordar, frisou a importância da presença artística e adiantou que trará uma comissão direta e objetiva, mas sem deixar de lado a leveza e a diversão. “O essencial é fazer arte, comover quem está nos assistindo. A nossa história precisa ser contada com muita clareza, amor e alegria, para que o público entenda exatamente o que está sendo passado e se divirta tanto quanto nós”.
Os interessados em desfilar na Unidos de Padre Miguel devem ficar atentos, neste sábado, a agremiação fará a última etapa de inscrições de componentes para suas alas de comunidade, visando o carnaval de 2023. Quem quiser desfilar em uma das alas do boi vermelho deve comparecer na quadra da escola, na Rua Mesquita, 8, em Padre Miguel, das 11h às 16h. Necessário apresentar uma (1) foto 3×4 (recente), xerox da identidade e do CPF (visíveis), comprovante de residência e carteirinha de vacinação. Será cobrado uma taxa de R$ 50,00 (cinquenta reais). Com o pagamento da taxa, o componente receberá uma camisa da escola.
Ala das crianças com poucas vagas
Uma das poucas agremiações a manter a tradição com a ala das crianças, a UPM ainda está com algumas vagas para os pequenos foliões. As inscrições também serão feitas no mesmo dia e horário, mas não será cobrada a taxa de inscrição. Os responsáveis devem levar documento de identificação e a documentação da criança.
No carnaval de 2023, a Unidos de Padre Miguel levará para a Marquês de Sapucaí o enredo “Baião de Mouros”, que está sendo desenvolvido pelos carnavalescos Edson Pereira e Wagner Gonçalves. A UPM será a quinta agremiação a desfilar na sexta-feira de carnaval.
O sol estará por nascer no momento em que os Gaviões da Fiel entrarem no Sambódromo do Anhembi para encerrar a primeira noite de desfiles do Grupo Especial do Carnaval 2023 em São Paulo. Após um ciclo marcado pela superação das adversidades, a Torcida que Samba novamente aposta em um enredo didático. “Em Nome do Pai, dos Filhos, dos Espíritos e dos Santos… Amém!” é assinado pela dupla de carnavalescos André Marins, que estreia pela agremiação, e Júlio Poloni, que atuou como enredista em 2022.
Fotos de Gustavo Lima/Site CARNAVALESCO
Reconhecido pelo trabalho vital para o resultado satisfatório dos Gaviões, depois de um pré-carnaval marcado por grande turbulência nos bastidores, Júlio Poloni conduziu a equipe do site CARNAVALESCO em um tour pelo barracão da escola, onde explicou a proposta do enredo de maneira similar à que deseja que o público receba na Avenida.
União entre os povos
Proposto por André Marins, o enredo dos Gaviões da Fiel tem como objetivo transmitir, ao longo dos quatro setores do desfile, a mensagem de que todas as religiões buscam a Deus, mesmo que a maneira de se alcançar esse objetivo seja diferente. De acordo com Júlio Poloni, a ideia é passar esse recado de maneira leve e educativa, de modo que, caso alguém se incomode com algum elemento do desfile, é sinal de que a proposta está sendo executada corretamente.
Júlio Poloni conduziu a equipe do site CARNAVALESCO em um tour pelo barracão da escola
“Vamos fazer um Carnaval que é um dedo na ferida, é um tema polêmico, mas com poesia e sutileza, nada para chocar. É para passar aquela mensagem. A sinopse foi construída como se Deus escrevesse uma carta para seus filhos, e nós estaremos traduzindo essa carta em forma de desfile. Não estamos apontando o dedo para ninguém, mas a carapuça irá servir para quem tiver que servir. Por exemplo, uma pessoa preconceituosa tendo acesso a essa mensagem, vendo as religiões em comunhão. O que a gente pretende entregar para as pessoas é uma compreensão de que, em muitos pontos, as religiões empregam as mesmas mensagens e são baseadas nos mesmos valores. É basicamente essa mensagem que queremos passar, contra o preconceito. Para as pessoas se livrarem daquele preconceito e se abrirem para essa realidade”, definiu o carnavalesco.
Primeiro setor: Em nome do Pai
Os setores do desfile dos Gaviões serão apresentados na forma de quatro atos, onde um se comunica com o outro de maneira direta e linear. Idealizada junto com a proposta inicial do enredo, a Comissão de Frente terá a função de apresentar a mensagem do enredo como primeiro elemento dessa linha contínua.
“É onde a coisa vira, a coisa acaba. Tudo de ruim acaba na Comissão de Frente. Teremos alguns personagens representando os seguidores de religiões, e teremos oito personagens que representam os perseguidores, os preconceituosos, que existiram ao longo da história. Os religiosos representarão os perseguidos por eles. E aí o espírito de Deus vai intervir para acabar com aquilo e libertar os religiosos daquela situação. Não é o religioso de uma religião, mas sim os religiosos como um todo”, detalhou.
As alas deste setor terão a função de encaminhar a mensagem de Deus para os Gaviões da Fiel, que terão a função de passá-la adiante.
“Nesse primeiro setor nós utilizamos um pouquinho de licença poética no nosso visual para mostrar Deus enviando seres celestiais para trazer essa mensagem para nós. Temos no carro Abre-alas o Céu se abrindo para a mensagem chegar à Terra. A gente também tem o envio do amor divino, que é a nossa Ala das Baianas, e culmina nesse carro que é o céu se abrindo, com tudo isso sendo derramado sobre a Terra. O primeiro setor finaliza no Abre-alas. A gente está falando do Pai. Então nesse primeiro setor, o Pai está mandando uma mensagem para os Gaviões da Fiel repassarem para o público. A mensagem é de respeito à diversidade, de tolerância religiosa. Uma mensagem de amor, de paz, de união. Essa é a mensagem que vamos transmitir”.
Segundo setor: Em nome dos Filhos
Os Gaviões da Fiel, representados pela bateria “Ritimão”, viajarão pelos grandes conflitos religiosos ocorridos na história para passar a mensagem divina a qual lhes foi confiada. Dos registros bíblicos aos tempos atuais, passando pelas missões jesuítas nas Américas, o público poderá contemplar como seriam as relações humanas após o cumprimento dessa missão.
“Teremos a bateria que irá representar a própria Gaviões da Fiel, que são os corinthianos como responsáveis por espalhar essa mensagem que chegou por meio do Pai. Teremos nas alas diversos povos que, ao longo da história, tiveram algum conflito religioso. Teremos nesse setor indígenas e jesuítas, teremos hebreus e egípcios fazendo a fuga do Mar Vermelho, teremos xiitas e sunitas, e no segundo carro teremos a representação da questão dos israelitas e dos palestinos. Esse é todo o setor. Mas aí vocês se perguntam: ‘Puxa, mas isso vai ficar pesado’. Não vai, porque nesse setor, todos esses povos conviverão lado a lado. Vai ter ali o jesuíta com o indígena dançando juntos, você vai ter os xiitas e os sunitas também caminhando lado a lado em paz. O mar Vermelho, a gente vai fazê-lo se abrindo, mas com ambos os povos passando por ele assim como o nosso samba diz que o mar se abriu para testemunhar uma nova era. E assim é nosso segundo setor, culminando no segundo carro. Na parte de cima dele, também como o nosso samba fala ‘Nos braços do Criador, era Cristo ou Oxalá?’, uma escultura representará Deus. Nos braços dele terá uma escultura de um homem negro semelhante a Jesus Cristo. Só que aí queremos provocar essa reflexão aos olhos das pessoas. ‘Poxa vida, era Jesus? Mas Jesus é negro? Não era Jesus, era Oxalá? Quem era?’. Somos todos nós, porque nos braços do Criador todos somos acolhidos, ele apoia a todos. Essa é a ideia”, explicou.
Terceiro setor: Em nome dos Espíritos
O terceiro setor do desfile mostrará que, independente do caminho que as pessoas escolhem para chegar a Deus, os elementos fundamentais são os mesmos em todas as religiões. As alas representarão as virtudes necessárias, enquanto o terceiro carro representarão as maneiras como essas religiões as alcançam.
“Vamos ter uma fala que fala de amor, uma que fala de justiça e igualdade, outra que fala de paz e fé. Por quê? Porque são os valores que as pessoas precisam ter para chegar a Deus. Esse é o setor dos Espíritos. Falamos do Senhor no primeiro setor, dos povos, que são os filhos, no segundo setor, e nesse dos espíritos. Essas alas falam de dons espirituais que as pessoas precisam ter para encontrar Deus. Esses dons espirituais, culminando nesse carro aqui, esse carro vai ter elementos de diversas religiões. Elementos católicos, lá em cima terá Chico Xavier, fazendo referência ao espiritismo. Aqui na frente teremos uma encenação de religiões de matriz africana. Qual a ideia do setor? É mostrar que qualquer um desses caminhos que você tem para chegar a Deus, eles são válidos desde que você tenha esses valores, esses dons espirituais que foram mostrados à frente”.
Quarto setor: Em nome dos Santos
O desfile dos Gaviões da Fiel se encerra com a celebração dos povos pela mensagem recebida de Deus. As alas representarão as principais referências das religiões, findando no último carro, que trará representantes dessas diversas etnias e homenageará àqueles que tiveram suas vidas marcadas pela propagação da palavra de Deus.
“As alas fazem homenagens a figuras, a personagens que são consideradas pedras fundamentais de suas religiões. Então aqui vamos falar de Abraão, de Maomé, de Jesus, de Buda, que são personagens que inspiram todos esses valores que a gente está pregando no desfile. Diversas religiões, mas a mesma mensagem, mesmos valores. Aqui à frente desse carro teremos uma procissão ecumênica de todas as religiões, e aqui vamos ter a Irmã Dulce na frente, como mais um símbolo desse novo tempo, dessa mensagem, e nesse carro todo vão ter várias pessoas, de várias etnias, de várias nações, celebrando religiosamente em comunhão. Aí é o desfecho do nosso desfile. A gente espera que a nossa mensagem seja útil e que fique clara”, concluiu Júlio Poloni.
Ficha técnica Enredo: “Em Nome do Pai, dos Filhos, dos Espíritos e dos Santos… Amém!”
Alegorias: 4
Alas: 14
Componentes: 1700
Ordem de desfile: Sétima a desfilar na sexta-feira, dia 17 de fevereiro