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Série Barracões: Vigário Geral espera emocionar o público com memórias da infância

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Após desfiles emblemáticos nos últimos anos, a Acadêmicos de Vigário Geral prova não ter medo de ousar e chega ao carnaval de 2023 com uma proposta completamente diferente. Almejando uma vaga no Grupo Especial, a escola aposta na emoção para conquistar o público e os jurados.

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Fotos: Luisa Alves/Site CARNAVALESCO

Desenvolvido pelos carnavalescos Alexandre Costa, Lino Salles e Marcus do Val, o enredo “A Fantástica Fábrica da Alegria” vai contar a história de um menino que encontra um bilhete premiado e é transportado para um ambiente de inocência, leveza e diversão.

“Fomos inspirados pela Praça Catolé do Rocha, que fica na frente da nossa quadra. As crianças brincam muito lá, como nós fazíamos antigamente. É estranho porque é tão difícil ver isso nos tempos de hoje, ainda mais com a violência e a chegada da tecnologia. Mesmo assim, pique bandeira e queimado são brincadeiras que seguem existindo naquela praça”, comenta Alexandre Costa.

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Segundo o carnavalesco, a parte mais demorada do processo foi encontrar um fio condutor que transmitisse a essência do enredo. A partir do momento que fizeram a associação com o filme “A Fantástica Fábrica de Chocolate”, as pesquisas fluíram naturalmente.

“Na atualidade, as crianças enxergam o mundo de forma muito mais séria. Elas têm noção de coisas que não tínhamos, e isso pode ser duro”, continua. “Por isso, escolhemos um menino, um personagem que vai representar todos os outros. Queremos levar saudosismo para a Avenida”.

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Conheça o desfile da Acadêmicos de Vigário Geral

Com 1.500 componentes e três alegorias, a agremiação será a terceira a desfilar na sexta-feira, dia 17 de fevereiro. A narrativa será apresentada em três setores e promete cativar a todos.

Setor 1: “Vamos mostrar a busca pela alegria. O mundo está chato, todos trabalham demais e algumas crianças sequer recebem atenção. É quando o bilhete premiado é encontrado e muda tudo”.

Setor 2: “Vai retratar bem as brincadeiras, cirandas, brinquedos… Tudo será explorado no interior da fábrica. Traz nostalgia para quem estiver assistindo”.

Setor 3: “O foco é estimular a imaginação das pessoas. Filmes, musicais e livros. As crianças podem descobrir que o mundo, além da tecnologia, continua muito divertido. Basta ter a oportunidade”.

Especial Barracões SP: Nenê de Vila Matilde aposta na mistura da Bahia com o Egito para sucesso em seu desfile

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Continuando com a Série Barracões São Paulo, o site CARNAVALESCO visitou o barracão da Nenê de Vila Matilde, que abrirá a noite de domingo, voltando a disputar o Grupo de Acesso I, visto que no ano de 2022 a Vila foi campeã da divisão inferior. Para o carnaval de 2023, a agremiação irá levar o enredo “Faraó Bahia”, desenvolvido pelo carnavalesco Fábio Gouveia. O artista conversou com a equipe e detalhou o desfile que a Águia da Zona Leste irá levar para o Anhembi.

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Fotos: Gustavo Lima/Site CARNAVALESCO

“Faraó-Bahia vem do hit de carnaval onde todo mundo imagina que é a música que a Margareth Menezes eternizou, mas que tem um outro lado. Não é só a festa. Ela fala do empoderamento. Vem de encontro do não aos 100 anos de abolição da escravidão. O autor, juntamente com o Olodum, quer algo para ir contra. Não há o que comemorar. O nosso povo não foi liberto. Houve uma falsa história contada. E aí a música vem na contramão, porque antes o carnaval para os negros era só puxar a cordinha. O que mudou com essa abolição? Nada. Nós vivemos uma mordaça social e isso que a música quer dizer. Nós descendemos de reis e rainhas. De deuses do Egito antigo. A música nos empodera e diz que vamos substituir os turbantes por tranças. Vamos colocar as nossas caras nas ruas. O Faraó-Bahia faz isso. Ele pega esse norte sobre essa luta, empoderamento negro e começa a dar espaço para outras ações”, explicou.

Como surgiu

O tema chegou para a escola sob a ideia do carnavalesco Fábio Gouveia. De acordo com o artista, é uma ideia antiga, planejada em outra escola, mas que resolveu guardar para a Nenê de Vila Matilde, caso um dia fosse contratado. Finalmente aconteceu. “Esse enredo já havia sido discutido há cinco anos atrás. Eu estava na Imperador do Ipiranga junto com o Márcio Telles e ele disse para a gente guardar esse enredo um dia para a Nenê. Jogamos ao vento, porque tem muito a cara da escola. Eu não tinha projeto de vir e ele não tinha projeto de estar no carnaval, mas aconteceu. Quando nós tivemos a oportunidade de colocar isso na Nenê, a comunidade acolheu, porque nós já estávamos fazendo esses resgates. Aí casou de termos o enredista Diego Araújo, que é parceiro nosso que havia feito algo semelhante no carnaval virtual. Nós juntamos as ideias e discutimos o enredo. Era um tema já pensado e aqui na Vila tomou essa proporção”, contou.

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Pesquisa do enredo

Segundo Fábio, tudo foi baseado na questão da negritude. Em sua maioria, não houve uma pesquisa padronizada. Diferente de notar isso, pois realmente requer um conhecimento notório do tema. “Não houve uma pesquisa direta da construção, porque é muito do nosso dia a dia. Nós que militamos a causa negra nós temos esse assunto na ponta da língua. Temos essa identificação com a Nenê de Vila Matilde. Juntou as informações pontuais do Diego para desenvolver a parte técnica da sinopse, as ideias do Márcio quanto artista e a mim quanto carnavalesco. A partir disso nós discutimos o que é funcional e o que vai acontecer. Nós vamos partir daqui, falando de uma escola com empoderamento negro, mas sem ser agressivo. Sem falar de dor e sofrimento. Tudo isso que todo mundo já cansou de ouvir falar. Nós resolvemos falar da alegria cantando essas várias áfricas que existe dentro da Bahia”, declarou.

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Ponto alto do desfile

Com um desfile rico em detalhes, sempre se pergunta qual parte devemos ficar atentos. O carnavalesco disse que a abertura promete um impacto maior. “Nós temos muitos pontos ao longo do desfile, mas a frente da escola tem muita novidade. Temos alegorias totalmente diferentes do que é o carnaval de São Paulo. Temos muita coisa artística, encenação e dança em cima dos carros. A abertura é o ponto chave, que conclama os deuses do Egito na Bahia”, pontuou.

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Conheça o desfile

Setor 1: “O primeiro setor é a conclamação dos deuses do Egito na Bahia. Trazemos todas essas características do Egito, fazemos uma mescla com os personagens da Bahia e abrimos o nosso desfile. O enredo já fala ‘Nenê de Vila Matilde anuncia, Faraó-Bahia’. O maior símbolo da escola de samba vai estar à frente anunciando que o Egito vai estar na Bahia”.

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Setor 2: “O segundo setor já vai falar da luta dos negros para preservar a religiosidade. Nós vamos de encontro ao Ilê Aiyê. Os primeiros blocos, cortejos afros. A ideia de se vestirem de palha para pegarem suas histórias e tradições. Nesse setor é falado do Ilê Aiyê. Tem muita palha, colorido, mas sem perder a ideia do que é o Ilê Aiyê, que é o preto, amarelo e vermelho. Falamos também do empoderamento negro, que a beleza negra toma maior evidência com o Ilê Aiyê”.

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Setor 3: “O último setor nós trazemos essa luta pela paz. Nós já evidenciamos o nosso povo, mostramos o que foi capaz para se reconstruir e se reerguer e se tornar motivo de orgulho. nós vamos falar da luta contra a intolerância, contra o racismo. É um setor inteiro branco pontuado de azul porque também tem essa ligação da Nenê com tudo isso, que é a porta-voz de toda essa história. Ela vai de encontro aos filhos de Gandhi e aos blocos que foram para as ruas para pedir paz. Aquela multidão que desce o cortejo sentido a igreja do Bonfim para que tudo seja melhor. A gente fala que a cidade de Salvador, assim como o Brasil, foi construído com o sangue de todos esses negros”.

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Ficha técnica
Três alegorias
1200 componentes
Diretor de carnaval e ateliê: Bruna Moreira
Carnavalesco: Fábio Gouveia

Vote: Qual escola da Série Ouro você mais aguarda pelo desfile em 2023?

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Está chegando a hora! As 15 escolas da Série Ouro do Rio de Janeiro desfilam sexta e sábado pelo Carnaval 2023. Abaixo, você pode votar e apontar qual é a agremiação mais aguardada. Vamos divulgar o resultado na sexta-feira.

Chuva e ventania afeta alegoria de três escolas de samba em São Paulo

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Nesta tarde, uma forte chuva acompanhada de ventania derrubou duas alegorias da Mocidade Unida da Mooca e outra da Pérola Negra no espaço de alegorias da Olavo Fontoura. O local, que fica ao lado do sambódromo do Anhembi, serve para a concentração dos carros alegóricos das escolas que desfilam nos dias posteriores. No caso, ambas as agremiações irão desfilar no domingo pelo Grupo de Acesso I.

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Foto: Reprodução/redes sociais

A Mocidade Unida da Mooca soltou uma nota dizendo que tudo será restaurado a tempo do desfile: “Por conta da força da chuva e da intensidade do vento, tivemos duas alegorias, carro 01 e carro 02, danificados na tarde de hoje. Tudo será restaurado a tempo do desfile”. E em seguida postou um mutirão a partir das 21 horas no terreno das alegorias.

A agremiação da Vila Madalena também soltou uma nota: “Devido à chuva e aos fortes ventos desta tarde na cidade de São Paulo, nossas alegorias sofreram danos em algumas peças e composições para o Carnaval 2023. Já estamos trabalhando nos reparos e restaurações das peças danificadas”.

Outra escola prejudicada foi o Morro da Casa Verde que soltou: “Graças ao axé dos nossos orixás, vai ficar tudo bem! Como é de conhecimento público, as fortes chuvas que aconteceram hoje na cidade de São Paulo no fim do dia danificaram alegorias do Morro e de outras co-irmãs. Os reparos estão sendo calculados e o plano de ação para o nosso desfile já está em prática. O nosso bem maior que são as PESSOAS e os profissionais que ali trabalhavam , nada sofreram. O trabalho continua incessantemente até o momento do nosso desfile oficial, nos solidarizamos com as escolas afetadas e a luta continua! Contamos com a nação Verde e Rosa para continuarmos firmes , falta pouco”!

Em breve mais informações.

‘Roteiro dos Desfiles’ é o companheiro indispensável para curtir os desfiles na Marquês de Sapucaí

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O melhor companheiro dos sambistas na Marquês de Sapucaí o “Roteiro dos Desfiles” é fundamental para acompanhar os desfiles das escolas de samba da Série Ouro e do Grupo Especial. Para a edição do Carnaval 2023 a festa é maior com o aniversário de 14 anos. A cada ano que passa o projeto ganha mais novidades.

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Luciana Lima é a produtora executiva do ‘Roteiro dos Desfiles’. Foto: Divulgação

“O Roteiro passou por diversos processos de atualização. Desde a implantação de novos quadros, colunas, a edição especial de 12 anos (2021) à reestruturação da marca. Reestruturar a identidade visual e a editoração dos roteiros marcam os aperfeiçoamentos do projeto. A cada ano, entendemos um pouco mais qual é a melhor forma de adaptar as informações inéditas das escolas aos libretos. Tudo, para que os leitores tenham um acesso rápido à informação e identifique imediatamente o que representa aquela fantasia ou aquele carro, o nome dos sambistas durante os desfiles”, disse Luciana Lima, produtora executiva e diretora executiva da Cia Multiplicar.

A Cia Multiplicar, responsável pelo “Roteiro dos Desfiles”, é formada por Luciana Lima, diretora executiva da Cia Multiplicar, além das produtoras Gabriela Catarino e Natália Leotério, o professor João Gonzales, responsável pelos textos, o designer Luis Felipe Campos e o gestor de mídia Thadeu Vianna.

O libreto é editado em português e inglês, com distribuição gratuita em todos os setores da Sapucaí. São cinco revistas, uma para cada dia de desfile, que circulam nas mãos de milhares de pessoas, durante as cinco noites de apresentação no Sambódromo.

“O esforço é justamente chegar ao mínimo de 100 mil exemplares por ano. Somado à produção digital, que visa alcançar pessoas do mundo inteiro”, comenta Luciana.

Segundo Luís Felipe Campos, responsável pelo design da publicação desde a primeira edição, para desenvolver uma nova edição dos roteiros é necessário dedicar cerca de 15 horas por dia, com todos os núcleos atuando, em conjunto, para dar conta do tempo, que sempre é curto, até o dia dos desfiles.

Através da transformação digital, o “Roteiro dos Desfiles” avançou para o novo mercado. O “novo figurino” trouxe mais força e inovação.

“Humanizar o nosso conteúdo significa transcender dos espaços da Sapucaí e chegar a um número muito maior de pessoas. Produzir conteúdo informativo, num formato leve, dinâmico e interativo, resume esta ação. A busca não é somente por engajamento, mas por ampliar o diálogo e fortalecer nossos ambientes digitais: site e redes sociais”, explica Luciana.

Através dos canais do “Roteiro dos Desfiles”, você pode acessar todas as versões digitais das edições anteriores, participar do canal do leitor-sambista, deixando suas perguntas e sugestões de pautas ligadas à cultura do samba e do carnaval, para o quadro “Editor por um dia”.

Vote: Qual escola do Grupo Especial do Rio você mais aguarda pelo desfile em 2023?

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Está chegando a hora! As 12 escolas do Grupo Especial do Rio de Janeiro desfilam domingo e segunda pelo Carnaval 2023. Abaixo, você pode votar e apontar qual é a agremiação mais aguardada. Vamos divulgar o resultado na sexta-feira.

Elogiados, Daniel e Taciana atingem maturidade e brilham com a Grande Rio no Grupo Especial

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Rumo ao quinto ano de parceria, Taciana Couto e Daniel Werneck, primeiro casal de mestre-sala e porta-bandeira da Grande Rio, mostram entusiasmo para lutar pelo bicampeonato da agremiação. Embora já repletos de elogios de desfiles anteriores, o recebimento da nota máxima de todos os jurados foi essencial para a primeira vitória da tricolor de Caxias, em 2022. Em entrevista ao site CARNAVALESCO, antes de um ensaio na quadra, os dois falaram sobre a construção de seu passado profissional, o respeito que sentem um pelo outro e as expectativas para 2023.

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Fotos: Luisa Alves/Site CARNAVALESCO

Qual foi o segredo para vocês atingirem esse grau de excelência em tão pouco tempo?

Taciana: “Acredito que muita dedicação, trabalho duro, balé, uma preparação física específica e a nossa rotina de ensaios, tanto particulares quanto com a comunidade. Tudo isso é um somatório pra gente chegar numa apresentação bonita. Também tem muito estudo em torno da fantasia, do enredo e da coreografia”.

Daniel: “Tem dias que brincamos de dividir em rounds. Primeiro round: musculação. Depois o treino funcional com o Bruno Germano, o ensaio com a Beth… Essa cobrança que temos com nós mesmos, de nunca cair numa zona de conforto e trazer algo diferente que as pessoas gostem”.

Daniel, quando anunciaram que Taciana viria de terceira para primeira porta-bandeira, qual foi sua reação inicial?

Daniel: “Fiquei feliz por um lado e triste por outro. Triste porque já estava há três anos com a mesma parceira, tínhamos uma sintonia, mas quando soube que a Taci seria minha porta-bandeira fiquei feliz por ser nova. Acho que o mundo do samba precisa dessas apostas e constante inovação. Mais ainda por ser alguém da casa. Eu vim de fora, mas fui muito abraçado aqui dentro. Hoje digo que se dependesse de mim encerraria a minha carreira na Grande Rio. Acho que isso é gratificante e, quando surgiu a responsabilidade, pensei ‘cara, vamos lá!’. É um novo desafio porque no passado apostaram em mim e preciso confiar nas outras apostas da escola também. Graças a Deus foi um sucesso. No primeiro ano estávamos nos conhecendo, no segundo já tínhamos confiança e conseguimos alcançar o objetivo de trazer a nota máxima pra escola. Tempos depois repetimos a nota, o que é difícil de fazer”.

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Taciana, quando soube que seria a primeira porta-bandeira da escola, o que sentiu?

Taciana: “Foi um susto porque era uma situação inesperada. Eu estava dormindo quando tudo aconteceu. Pela madrugada, começaram a comentar que a terceira bailarina assumiria o primeiro pavilhão da escola e, durante o dia, todo mundo me perguntou o que estava acontecendo e eu nem sabia responder. Só soube no fim do dia, quando o presidente pediu que fosse ao barracão pra comunicar isso. Foi uma grande surpresa e demorou meses pra ficha cair, mas a escola me deu todo o suporto necessário e tive o Daniel, que é excelente, ao meu lado. Eu pude e ainda posso contar com a experiência dele. Se evoluí muito nesses anos foi também graças a ele, graças a Beth, graças ao Bruno, graças a Paula do Theatro Municipal”.

Qual é ou foi a importância do trabalho da Beth Bejani com vocês na lapidação da dança e no patamar que o casal já chegou?

Daniel: “Quando temos uma coreógrafa, no caso a Beth, é importante porque precisamos desse olhar de fora. Muitas vezes a gente faz um movimento e acha que está bonito, mas não está tão amplo. Acho que o trabalho da Beth chega nessa questão de limpeza corporal e de dizer ‘olha, esse braço pode ficar mais esticado’, ‘falta finalização aqui’… Ela traz essa cobrança pra gente. Ela diz ‘poxa, Dani, Taci, é melhor ir por esse caminho’, mas nunca impôs nada. Nunca chegou com a coreografia pronta só pra aprendermos. Pelo contrário, ela pede pra levarmos ideias”.

Quais são suas referências como mestre-sala e porta-bandeira, e por quê?

Daniel: “Minha referência foi o Ronaldinho, um dos grandes mestres-salas. Eu tive a oportunidade de ter sido o terceiro e o segundo mestre-sala dele. Foi uma pessoa que lapidou muito a minha dança. Na verdade, digo que tive duas referências. Quando comecei, o meu professor Jorge Edson, que já faleceu, e aí quando vi o Ronaldinho dançando, na época com a Marcella (Alves), fiquei encantado. Pensei que era a dança e a técnica que eu gostaria de levar pra vida. Acho que o que me encantou nele foi justamente a leveza e a elegância que ele trazia pra dança, a forma de manusear o leque e o lenço. Normalmente você encontra um mestre-sala dançando com um leque, um lenço ou um bastão, mas não o Ronaldinho. Ele dançava com o leque e com o lenço. Trouxe isso pra mim e sempre vou enaltecer a figura dele”.

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Taciana: “Caramba, que pergunta difícil! Acho que sempre há algo pra se ressaltar em cada uma. Apesar de termos funções básicas a seguir, a nossa dança é de particularidades. Todas têm o seu encanto e beleza. Sou muito fã da Cris Caldas, pela técnica e postura exemplar, e da Marcella Alves do Salgueiro”.

Para vocês, qual é o desfile mais inesquecível, 2020 ou 2022? Por qual motivo?

Daniel: “Os dois, porque, assim… 2020 foi um desfile que entramos com uma energia surreal, quase não nos reconhecíamos. Realmente vestimos um personagem, até por conta do enredo, e isso é algo que sempre cobro da Taci. Tinha momentos em 2020 que o samba falava de Oxóssi e fazíamos movimentos pra Oxóssi, embora viéssemos representando Exu, fazíamos movimentos de Pombajira, de Iansã… também tinha o momento só do Daniel e da Taciana. Foi um desfile muito marcante. Nunca nesses nove anos que farei na escola vi um tão emocionante. Então, quando chega 2022, nossa! A gente vê a galera gritando quando a comissão de frente entra na Avenida, se apresenta e o Exu está no topo borrifando. Aquele foi um sentimento único. Acho que é um momento que entra para história da escola e nos marca muito, ainda mais por termos entrado sabendo que estávamos brigando pelo título e que ele foi incontestável. Todos bateram palmas pra Grande Rio”.

Acreditam que o julgamento do quesito nos próximos anos voltará a ser mais focado na dança ou a coreografia chegou para ficar e ganhar mais protagonismo?

Daniel: “É muito importante a gente enaltecer isso quando entramos no argumento da dança e da coreografia: a dança do mestre-sala e da porta-bandeira não muda. É o cortejo, o riscado… Afinal, o que é a coreografia pra gente? A organização de movimentos que faremos durante o desfile. No primeiro momento vou cortejar, no segundo vou fazer o riscado, no terceiro vou apresentar a bandeira, no quarto vou riscar mais um pouco e no último agradecer. Esse é o papel da coreografia. Hoje as pessoas surgem pensando que a dança do mestre-sala e da porta-bandeira está muito coreografada, mas não é isso. Estamos organizando o que fazer. Lógico que existem os detalhes diferentes porque, por exemplo, você tem um samba que fala sobre frevo e vai querer colocar um movimento de frevo ali. São pequenos detalhes que não modificam a dança”.

Falando em coreografia, vocês têm uma especial na hora do “quitandinha”. Ela vai para Avenida também?

Daniel: “Vamos aproveitar algumas coisas. Acho que esse ano a ideia do carnaval da Grande Rio é um carnaval muito mais leve e mais alegre. Eu e Taci entendemos como uma dança brincante e descontraída, bem de Erê mesmo. Aquilo de criança implicar, brincar, beijar… então a gente vai ter esse movimento. Faremos um pouco do que mostramos na quadra, mas também vamos levar umas surpresinhas”.

Vocês trabalham com dois artistas que atualmente estão no topo do carnaval. Como é a conversa com os carnavalescos Gabriel Haddad e Leonardo Bora na elaboração das suas fantasias?

Taciana: “É bem bacana porque vai além de uma relação profissional e surge uma amizade fora do barracão. Temos uma ótima relação com eles, então conseguimos conversar sobre tudo. Desde que chegaram na escola nos perguntaram o que gostávamos de vestir, quais cores… sempre estão dispostos a nos ouvir. Tanto que em 2020 tivemos três desenhos até chegarmos no quarto e último, baseado num conjunto de opiniões deles, nossas e da Beth. A gente não interfere no trabalho deles, mas temos a liberdade de expor o que nos deixa favoráveis, mais soltos na Avenida, e que combine mais com o enredo. Esse ano a gente não precisou mexer em nada. A proposta já nos emocionou de primeira e estamos muito felizes com o que vamos levar pro desfile”.

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Para o Daniel, qual é a principal virtude da Taciana na dança?

Daniel: “Nunca ouvi essa pergunta antes! Pra mim, a virtude dela é saber ouvir. É muito difícil lidar com o ser humano porque existem egos e, graças a Deus, entre a gente não tem nada disso. Ela sabe ouvir, temos sempre conversas, debatemos e discordamos. Acho que a maior virtude dela é essa capacidade de ser compreensiva na dupla”.

Para a Taciana, qual é a principal virtude do Daniel na dança?

Taciana: “Sempre estar disposto a me ensinar. Acho que desde o instante em que ele me acolheu. Imagino que não tenha sido fácil vir de uma parceria em caminho de consagração e pegar a responsabilidade de uma menina mais nova e com pouca experiencia porque você praticamente tem que recomeçar todo um trabalho. Mesmo assim, já no início ele me abraçou com muito carinho e até hoje tem a paciência de me ensinar, está sempre trazendo alegria para os nossos dias. Às vezes eu estou triste e ele me alegra, e cobra que o momento da nossa dança seja também de descontração. O Daniel é isso. Ele é alegre, divertido e traz isso pra minha vida, muito além da dança”.

O que não pode faltar em um mestre-sala perfeito, Daniel?

Daniel: “O entendimento da função. Ele compreender que o papel do mestre-sala é ser o guardião e defensor do pavilhão e da porta-bandeira. Acho que o mestre-sala deve estar o tempo todo pra ela, pra dama… ser realmente um protetor e pensar ‘essa flor é minha, não posso perder e deixar que peguem’”.

O que não pode faltar em uma porta-bandeira perfeita, Taciana?

Taciana: “Acredito que a elegância de uma defensora de um pavilhão, o respeito pelo sagrado e a alegria de estar ali representando uma comunidade”.

Série Barracões SP: O que te leva ao céu? Águia de Ouro busca trazer um misto de sentimentos com enredo

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A Águia de Ouro contará o enredo ‘Um pedaço do céu’ em 2023 e busca o seu segundo título, já que conquistou o primeiro em 2020, antes da pandemia. Um enredo patrocinado pela forte marca de doces, mas que tomou forma nas mãos do carnavalesco Sidnei França e mira uma aventura curiosa para qualquer pessoa. Afinal, quais emoções te levam ao céu em vida? Contando sobre o enredo, a escolha, o carnavalesco Sidnei França contou em duas partes sobre o surgimento, e toda construção até chegar no produto final que irá para o Sambódromo do Anhembi no sábado, dia 18 de fevereiro.

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Fotos de Fábio Martins/Site CARNAVALESCO

“Esse enredo se chama ‘Um pedaço do Céu’, é uma criação minha, porém uma criação que surgiu depois da agremiação ser procurada pela Sodiê Doces, quando acabou o carnaval de 2022. A escola foi procurada pela marca, que faziam uma pesquisa de mercado, pois queriam popularizar a marca e achavam que escola de samba teria uma densidade cultural e ao mesmo tempo associada a questão da população de baixa renda, até pela característica do samba e carnaval, por ter sido criado e mantido pelo povo. Então fomos procurados pela Sodiê para desenvolver um carnaval que tivesse a linguagem da marca, falar sobre a questão lúdica, de uma vida açucarada, não no trocadilho, mas no sentido de uma vida feliz, suave, livre. Mas que também tinha mensagens da história da fundadora da marca, que é a Cleusa, uma mulher empreendedora, que já batalhou muito na vida, inclusive ela foi inspiração para novela da Globo, que se chamou A Dona do Pedaço com Juliana Paes. Daí vem a questão do pedaço, pois o diferencial da Sodiê é comercializar pedaços de bolo, e não bolo inteiro. Para ficar mais barato e acessível para a população, então daí a novela ser a Dona do Pedaço e o desfile do Águia ser ‘Um pedaço do céu’, a questão de o pedaço ser muito forte. Porém, apesar do enredo ser uma parceria com a Sodiê, ela não se ocupa de falar da história da Cleuza, que é a dona da marca, e muito menos sobre os segmentos dos bolos e doces. Sempre digo que é uma parceria em que a empresa entendeu que a vantagem é apostar na cultura e não transformar um desfile de escola de samba em um folhetim e panfleto comercial”.

Complementando sobre o trabalho junto com a marca parceria no processo de construção do que seria o enredo para 2023, o carnavalesco do Águia de Ouro contou com exclusividade para o site CARNAVALESCO e refletiu bastante para chegar no produto final.

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“Assim foi, fizemos um trabalho muito forte de criação e contextualização para o parceiro, eles entenderam que a marca não seria homenageada no carnaval, apenas seria um apoiador para que toda a positividade do enredo repercutisse como positividade da marca também. De forma resumida é isso, a escola foi procurada pela Sodiê e aceitou, eu também como carnavalesco, tivemos um carnaval difícil em 2022. A escola como atual campeã sofreu muito para terminar, sem patrocínio, sem parceria, pagar salários de funcionários e ainda desenvolver um desfile para o carnaval de 2022. Então eu e o presidente juntos, nos unimos em busca de solução que tornasse o carnaval de 2023 mais fácil, mas nem por isso um carnaval sem cultura, magia, a força que uma agremiação tem que ter para cruzar a pista ciente do seu papel de guardião popular”.

Processo de pesquisa

Sem deixar o parceiro de lado, mas transformando o produto em um enredo de escola de samba, Sidnei França teve surpresas positivas durante toda a sua pesquisa, e abordará nos setores da escola que serão contados com pequenos spoilers em breve. Pelo momento, o carnavalesco contou sobre algumas descobertas no processo de pesquisa.

“Muita coisa, aliás esse desfile, não falo só na parte final do sambista, começou obviamente como uma ideia que conseguisse abarcar a proposta da Sodiê. Precisamos ser muito claros, não é um enredo que tinha guardado ou sonhado. Foi circunstancial que surgiu, agora que estamos na reta final, vejo que consegue traduzir muito dos valores humanos, filosóficos de existencialismo, o que estou fazendo aqui depois que tudo acabar e será que está valendo a pena tudo que estou fazendo nesta vida. O enredo ganhou densidade que no começo não tinha, e o que me surpreendeu foi isso. O quanto cada um de nós temos uma busca, construímos momentos de prazer, celebrações, vai ser um desfile que tocará muito as pessoas sobre sua experimentação individual. Cada pessoa tem sua religião, tem algo que a preenche e leva ao céu. Cada pessoa tem uma conquista e luta na vida, todo mundo já foi criança e enxergou no mundo da imaginação um ambiente favorável para chamar de céu. Então em vários momentos as pessoas irão se reconhecer e vão falar ‘nossa eu já vi aquilo, senti aquilo, sonhei com isso’, gosto de enredo abstratos por isso, desde lá de trás quando comecei na Mocidade Alegre, sempre fui fã. Fiz lá o riso, coração, ilusão, espelho, a fé, depois enfim, aqui na Águia de Ouro, o saber”.

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“Gosto de enredos que vamos nos desdobrando e as pessoas vão falando, eu já vivi isso, entendi, foi minha verdade, sonho, dentro disso tudo é gostoso ver que vai dialogando. Por exemplo, para construir esse desfile agora, conversei com crianças e perguntei ‘o que é o céu para você’? E você ouve cada coisa bacana, ‘minha mãe falou que meu cachorrinho virou estrelinha no céu’, e tudo isso vou solidificando que vire um desfile de escola de samba. As pesquisas dos sambistas que se foram, foi muito prazeroso no sentido do paladar viver com todos os bolos da Sodiê. Como corintiano vou linkando com o futebol, gosto muito, vou muito para o futebol de ir no estádio, gosto, sempre que posso, não agora, quando acaba o carnaval vou para Itaquera, na Arena, é gostoso ver que traz um pouco de você, cada parte da sua vida para dentro de uma obra e ela transcende, fica maior do que você. Esse é o bonito do carnaval, o carnavalesco tem que ter humildade que isso fica maior que a gente, no começo tudo está comigo, eu que defino porque é amarelo, vermelho, azul, mas chega um momento que isso cresce tanto, vira samba, conquista comunidade, ganha o Anhembi e vira maior que a gente. Mas isso é muito gostoso, ver que a mensagem extrapola. E essa mensagem da Águia de Ouro, tenho certeza que as pessoas estão enxergando muito Sodiê, bolo, mas vão se surpreender o que iremos apresentar no dia 18”.

Ponto chave

Toda vez que falamos com carnavalesco e perguntamos um momento que tocará os corações da comunidade ou do público presente, em casa, é sempre alvo de reflexão de quem construiu todo o projeto. Mas para Sidnei França, tem momentos que gosta e destacou com alguns detalhes do que está por vir em ‘Um Pedaço do Céu’.

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“Vejo vários momentos, é como falou, é difícil para o carnavalesco, criador, destacar apenas um momento. Mas dá para destacar alguns, a comissão de frente será um momento muito bacana, não só pela alegoria, ou qualidade estética, o visual. Mas pela mensagem, vai ser um momento bonito do desfile, pois a escola tem proposta desenvolvida por muito e o coreografo, Ruy, que está estreando neste carnaval aqui na Águia. Momento especial na carreira, e para mim, pois é muito meu amigo. Daí vamos ter uma brincadeira na comissão de frente que tem tudo a ver com céu. Ala das baianas que vem de boneca de pano, cinco cores diferentes, vai colorir a passarela com cinco cores, lúdicas, tons pastéis, chamamos de cores baixas, pastéis, bem clarinhas, tons bebês. Destacaria o carro 3, gosto muito, que é o céu das delícias e prazeres, que é uma espécie de uma Fábrica de Chocolate, climão Willie Wonka, chocolate, morango, chantilly, gosto muito. E o momento que vai emocionar é o último carro, pois vamos homenagear quinze bambas que já morreram e deixaram saudades, momento nostalgia do desfile, última imagem, o carro indo embora, cores do céu, estou dando spoiler, cores bem clarinhas para lembrar o céu. Vai ser um desfile bem bacana, o famoso tirar leite de pedra, consegui junto com a escola transformar o que tinha que ser algo mais comercial em algo lúdico, as pessoas durante desfile vão até esquecer de Sodiê, bolo, tudo isso e vai se entregar”.

Cores trabalhadas no desfile

Em relação ao trabalho do que virá em fantasias e alegorias para 2023, o carnavalesco refletiu e falou sobre o horário de desfile ter sido crucial para colocar tons que busquem ligar o público já na reta final da sequência de desfiles no Anhembi.

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“A escola vai desfilar muito colorida, muito mesmo. Toda entrada da escola, da comissão de frente até abre alas são em tons pastéis, escolhi cinco tons de cores, todas pastéis, suaves, bebês, para dar essa inocência, clima lúdico e encantador do início. Mas depois que o abre-alas passar, explodimos em cores muito cítricas, muito vivas, até porque Águia de Ouro é a sexta escola da noite, quando escola estiver na pista vai estar amanhecendo, então aposto nas cores cítricas fluorescentes, para acender, até porque o público não pode cansar. Você imagina que as pessoas já viram outras cinco escolas e não pode ser mais uma. A escola precisa trazer uma vibração estética, contraste de cores que prenda o olhar, a partir do momento que está entregue, ela sente a música, bateria, enfim, tudo que tem a acontecer”.

Como é o carnavalesco Sidnei França

O trabalho de um carnavalesco é sempre bem intenso durante os meses que precedem o carnaval, muitas vezes discretos ao longo dos períodos, pouco é percebido pelos amantes do samba. Mas dentro da comunidade, é sempre bem intenso, e cada um tem seu estilo de conduzir, no caso do Sidnei França contou um pouco do que exige no dia a dia no barracão da Águia de Ouro.

AguiaDeOuro et Barracao 1

“Sou uma pessoa meio bipolar, tem momentos que sou muito chato, bravo, ranzinza, se não agrada, eu peço para mudar. Se não é aquilo que imaginei, fico perturbado, até que fique como imaginei. Mas ao mesmo tempo sou muito acolhedor com as equipes, gosto de trabalhar com harmonia, energia boa, então assim, estou sempre na corda bamba. Eles sempre acham que hoje vou explodir, cobrar, xingar, mas ao mesmo tempo vejo que se tem carinho pelo trabalho, retribuo com carinho também. Se tem uma coisa que eu não dispenso é carinho, então a costureira, o pintor, todo mundo tem que por muito carinho. Não porque estou assinando, mas o carnaval merece, a escola merece. O Carnaval de São Paulo cresceu demais, o alcance é para o mundo através do YouTube e GloboPlay. Precisa ter respeito pelo público, o público sambista primeiramente, mas também o público mais amplo que enxerga hoje no carnaval um produto cultural que apresenta também para o mundo inteiro, temos muita responsabilidade, sobre tudo isso, acabamento, requinte na apresentação do desfile. Tenho essa consciência, eficiência e carinho. Eficiência para fazer bem feito, e carinho para ter o toque de encanto e o trabalho primoroso”.

Encontros na pesquisa

Referência no enredo, mas sem ser homenageada diretamente, Cleusa foi quem começou o império que virou a empresa de bolos que patrocina o carnaval. Mas ela e nem a empresa serão alvos, apenas são bases para o trabalho que foi construído no enredo.

“A escola não vai contar a história da Cleusa, apenas pegamos características dela. De uma pessoa vencedora, de batalha, luta, superação e tudo isso virou ingrediente para que eu conseguisse desenvolver o enredo. Mas não vamos homenageá-la, não terá foto, imagem, nada sobre ela, ou sobre a Sodiê diretamente. O que existe são momentos do enredo que contam sobre o céu, e utilizo de valores dela, então uma maneira de chegar no céu é através da vitória, batalha, luta, da conquista melhor dizendo. Dentro do contexto todo, ela se encontra diluída, mas não vai homenagear diretamente”.

Conheça o desfile do Águia de Ouro

“Dividi o enredo em cinco setores, primeiro setor é a comissão de frente, que chamo de setor de abertura, que é a comissão de frente, fala sobre a história de uma menina, e essa menina convida amiguinhos para brincar. E dentro da brincadeira ela é desafiada, dentro deste desafio ela vê que com determinação, perseverança é possível vencer qualquer obstáculo da vida e triunfar. Então todo esse setor de abertura, tem esse contexto, de convidar as pessoas para uma aventura lúdica, em que a vida precisa ser enxergada com leveza, mas também seriedade, preservação, determinação em busca dos nossos objetivos. De uma forma geral é isso, a abertura, a menina convidando para o universo lúdico, conhecer pedaço do céu”.

Setor 1: “O primeiro setor que vai desde a primeira ala até o abre-alas, ele apresenta o universo infantil que constrói o céu, primeiro pedaço de céu é o da criança. Que mostra a criança de uma maneira inocente, lúdica, pura, e para ela, o céu é a extensão de sua imaginação. É aí que iremos mostrar que a criança entra em um clima, no universo do faz de conta e dentro desse universo, tudo para ela tem sentido. A partir da construção de um céu muito particular, lúdico, puro, inocente”.

Setor 2: “Saímos do processo infantil e vamos para o segundo setor, que conta sobre o céu das conquistas, o que é o céu das conquistas? São exemplos de luta, perseverança, de batalha, superação, que faz com que qualquer pessoa tenha objetivos na vida, e ultrapasse limites impostos pelo dia a dia, da sociedade, impostos até pela sua própria vida pessoal. Como limitador, a partir do momento que não vê obstáculos na sua frente e resolve perseverar, você vence, e vencendo chega no seu céu. Cada um tenha o seu céu, por exemplo, para uma mulher dona de casa, mãe de família, muitas vezes uma trabalhadora doméstica, o que é o céu? É conseguir sustentar sua família, e conseguir vencer os desafios, formar os filhos, também tem vários exemplos, o esporte, quando a pessoa se dedica, treina, treina, vai para as Olímpiadas e ganha medalha de ouro, o lugar mais alto do pódio é o seu céu. Vamos mostrar neste segundo setor, o céu como conquista, objetivo ao ser alcançado e quando você se dispõe a sacrificar por ele, tudo vale a pena, esse é o segundo setor”.

Setor 3: “O terceiro setor é o céu dos prazeres, sensações e celebrações, neste setor eu mostro o futebol, a pessoa apaixonada pelo futebol, no grito de gol, é campeão, aquele momento, aquela fracção de segundos do êxtase, te leva ao céu. Também a arte, as pessoas que amam arte, a questão de se envolver com a cultura, arte, a pessoa quando se vê dentro de uma ópera, uma peça de teatro, no museu. Enfim, qualquer local que a arte e a cultura, ela também se sente tão preenchida, tão em êxtase, que ela vai ao céu. No amor, paixão, sedução, e obviamente as guloseimas, salgadas e doces, também vamos mostrar as pessoas que se entregam às delícias do paladar também encontram o seu céu. Cada um constrói uma ideia de céu através dos prazeres, sensações, conquistas e celebrações da vida. É o Céu dos Prazeres”.

Setor 4: “O último céu do desfile que é o céu da paz e da saudade. Primeiro vamos mostrar como as religiões tratam o céu. Primeiro vou mostrar o estado zen do budista, o Nirvana para o hinduísta, Aruanda para o umbandista, o Orum para o candomblecista, judeus com o Seol e o próprio paraíso cristão, Jardim do Éden, com as chaves do céu. Então vamos mostrar várias alas no último setor, que apresentam o céu como lugar de paz, conquista, de um bem estar físico e espiritual. Mas também, no último carro da escola, que encerra toda essa aventura por aí do céu, nós vamos fazer uma menção ao céu da saudade. O que é isso? Nós vamos homenagear quinze sambistas de diversas épocas e agremiações, que já foram embora desse plano, que já morreram. Que encontraram um pedaço do céu, mas que deixaram aqui lições de como defender e amar o samba. E aí, esse é o desfecho do desfile da Águia de Ouro, mostrando sambistas que já se foram e hoje estamos aqui para manter o legado dessas pessoas, com muita alegria, honra, enfim, desta maneira. O desfile se dispõe a contar sobre pedaços do céu, segundo crenças, valores, culturas, religiões, e mostrar o legado do sambista como algo maior do que necessariamente um local. Ser sambista é transcender e transcender após a morte é não se restringir a um momento ou só um local, só um pavilhão, é assim que terminamos esse desfile. Fazemos essa homenagem às escolas, principalmente aos sambistas que se foram, deixando exemplos de muitos sambas, batucada e carnaval”.

Relação fortalecida com a Águia de Ouro

Sidnei França assumiu como carnavalesco da Águia de Ouro em 2020 e foi campeão no primeiro ano na comunidade. O primeiro título do Grupo Especial da agremiação, e logo criou um grande carinho. Em 2022, a comunidade da Pompeia ficou em sexto lugar. Pois foi marcante por um enredo diferente que foi abordado na azul e branco. O carnavalesco contou um pouco da sua relação fortalecida no último carnaval por um motivo…

“Só tenho agradecer o Águia de Ouro, escola que me acolheu com muito carinho, respeito, essa palavra é muito forte, a comunidade também. Do presidente a cozinheira do barracão, o respeito pelo meu trabalho, pessoa, são irretocáveis, não tenho o que falar. Águia de Ouro tem marcado minha história mesmo, de verdade, pela sua assimilação a tudo que tenho a propor. Estávamos na pandemia e quando propus um enredo afro que a escola nunca fez, ‘Afoxé de Oxalá’, a escola se abriu para o novo, uma nova realidade e acolheu uma ideia minha, então isso não tem preço, não tem salário que pague isso. Quando você se sente valorizado, acolhido e parte de uma comunidade. Então só tenho gratidão pela Águia de Ouro, é uma escola que vem marcando minha história mesmo e vem se propondo ao novo comigo, venho propondo leituras de carnaval muito minha, muito particulares, o jeito de desenvolver, a maneira de ilustrar, crescer as alegorias e desenvolver os figurinos. E tudo isso eu vou sentindo a resposta da escola, me acompanhando e apoiando, em tudo que proponho, só tenho gratidão, que reflete o momento muito especial na minha trajetória. Me sinto mais maduro de quando comecei lá na Mocidade em 2009, e é gostoso sentir isso, que chegamos em uma fase em que você se estabelece, e não é no sentido de resultado, maturidade mesmo, do que propõe, quer, e é isso, Águia de Ouro virou terreno fértil das minhas ideias”.

Recado para a comunidade

“O recado que deixo é no final da apuração, que o Águia de Ouro encontre o seu pedaço de céu. O lugar mais alto do pódio, é para isso que estamos trabalhando, é claro que são 14 escolas com nível altíssimo. Percebe que ninguém está brincando, as escolas chegaram em um padrão de construção, e quando falo não digo só estética e visual, não só visual por si, mas da construção mesmo. O show que dão com suas baterias, casais, é um misto de profissionalismo, encantamento, magia, sentimento, arrebatamento. As escolas querem encantar, arrancar suspiros com cada carro, ala, comissão de frente. Então vejo que chegamos em um nível de crescimento e temos muita responsabilidade, fazemos com muito amor. Meu recado é esse, que a comunidade da Pompeia encontre o seu pedaço de céu mais uma vez com essa estrela brilhando sobre o seu escudo. E que o público do samba tenha um carnaval extraordinário, estou vendo os carros saindo, é nítido que são projetos maravilhosos e estamos aqui também, com muita humildade, são 14 escolas disputando e Águia de Ouro vai em busca do pedaço de céu”.

Ficha técnica:
Alegorias: 4
Componentes: 2400
Alas: 20
Diretor Artístico do Barracão: Marcio Gonçalves
Diretor Técnico do Barracão: Rai Silva (Bitoca)
Supervisor de Fantasias e Atelier: Fernanda Mendes