A Secretaria de Ordem Pública (Seop), por meio da Coordenadoria de Controle Urbano (CCU), abriu inscrições para as pessoas que desejarem trabalhar como ambulante fixo no Carnaval 2023. Serão concedidas 85 licenças para vagas regulares e 160 para o cadastro reserva, sendo um total de 245 inscrições. As autorizações dos pontos fixos serão dadas para pessoas físicas, maiores de 18 anos, trabalharem no entorno da passarela do samba Professor Darcy Ribeiro – Sambódromo. Os interessados deverão pagar uma taxa no valor de R$ 391,23, devem residir na cidade do Rio de Janeiro e só será admitida uma única inscrição por pessoa. A seleção será feita por meio de sorteio público.
As autorizações serão concedidas para moradores do município por meio de sorteio – Divulgação
Os sorteados irão trabalhar com barracas padronizadas pela Prefeitura durante o período do evento, e a responsabilidade logística é do candidato. As ordens de escolha dos pontos fixos serão atribuídas de acordo com a cronologia do sorteio. A secretaria vai permitir que o titular da autorização escolha um único auxiliar para apoiar nas atividades. O nome dele vai constar na autorização e a inclusão dele deverá ser feita no momento da inscrição.
As inscrições vão até às 16h de quarta-feira (18/1), e o resultado do sorteio será divulgado às 11h de quinta-feira (19/1). A lista dos sorteados e informações sobre a convocação dos candidatos serão colocadas no site da secretaria. Todos os nomes serão publicados no Diário Oficial do Município no dia 24 de janeiro.
Lista de documentos:
Os sorteados deverão se apresentar nos dias 25 e 26 de janeiro (conforme a ordem do sorteio), às 10h, na sede da Coordenadoria de Controle Urbano, localizada na Rua Ministro Hélio Beltrão, nº 50 – Cidade Nova, portando os seguintes documentos:
– Comprovante de inscrição
– Carteira de identidade expedida por órgão competente (RG)
– Carteira do Cadastro de Pessoas Físicas (CPF)
– Comprovante de residência no Município do Rio de Janeiro em nome do próprio, expedido nos últimos três meses da data da inscrição
– Uma foto colorida tamanho 5×7 do candidato a titular da inscrição e no caso de haver auxiliar, deverá apresentar uma foto do mesmo padrão
Pela primeira vez, a imprensa ganhou uma sala exclusiva na quadra de uma escola de
samba do Grupo Especial. A ideia partiu da Beija-Flor de Nilópolis que inaugurou, na última quinta- feira, antes do ensaios para o Carnaval 2023, o espaço para todos que estavam
presentes. Em seu discurso, o presidente Almir Reis se mostrou orgulhoso do projeto e
homenageou Luiz Augusto, mais conhecido como Saramandaia dentro da agremiação.
Além de ter seu nome gravado no letreiro, Saramandaia, que é integrante da Azul e
Branca desde 1973, recebeu o carinho e aplausos do público. Emocionado, ele pareceu surpreso com a grandiosidade da ocasião e, abraçado com Almir, foi o primeiro a conhecer a sala. Posteriormente, o presidente se apressou para convidar todos os repórteres para o que chamou de “nova casa”.
O espaço climatizado conta com sofás, pufes, mesas e uma boa iluminação para gravações. A decoração traz momentos sutis da escola e plantas de ambiente interno. Há também uma varanda que pode ser utilizada de forma mais casual.
Fotos: Luisa Alves/Site CARNAVALESCO
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Para o site CARNAVALESCO, Almir comentou que o desejo surgiu numa antiga conversa com a porta-bandeira Selminha Sorriso. Apesar do desenvolvimento de alguns projetos, nada foi concretizado. Um tempo depois, em conversas com a administração, encontraram um jeito de fazer acontecer. Ele finalizou a fala pedindo uma opinião: “(…) mas o que você achou? ficou lindo, né?”
Durante o ensaio e pelo resto da noite, a imprensa pode se fixar na sala, que ofereceu
garrafas de água e paredes antirruído para os que já quiseram escrever suas próprias
reportagens.
A volta do calendário regular do Carnaval incentivou os cariocas foliões a saírem de casa e irem para o ensaio técnico na Marquês de Sapucaí no fim de semana. Com as arquibancadas e frisas dos setores 2 e 3 cheios, no último sábado, o público pode assistir aos terinos de três escolas de samba da Série Ouro: Lins Imperial, Inocentes de Belford Roxo e Estácio de Sá.
Foto: Alexandre Macieira/Riotur
Depois de um ano sem carnaval e outro com os desfiles fora da data, nos anos de 2021 e 2022, respectivamente, as escolas de samba fazem seu retorno à Passarela do Samba. Para alguns, o amor é tanto que a Marquês de Sapucaí é como o “quintal de casa”. Essa é a perspectiva de Rosemeri Costa, responsável pela Ala das Feras do Império Serrano, que foi curtir o primeiro dia de ensaio técnico e estava ansiosa para assistir Lins Imperial e Estácio de Sá.
Rosemeri Costa, responsável pela Ala das Feras do Império Serrano
“A gente está vindo com uma nova esperança. Um novo carnaval!”, comentou Rosemeri. “É uma experiência maravilhosa. Eu fiz amizade com pessoas do Uruguai, pessoas do Peru. É gratuito, a gente pode trazer nossa comida, nossa bebida, mas não é só isso. A gente veio para assistir o carnaval, mesmo sendo ensaio técnico. Está no nosso sangue. Quem é carioca adora isso”.
Genilce Gouveia, torcedora da Estácio de Sá
Durante os ensaios técnicos, a entrada é gratuita e há permissão para trazer alimento e bebidas para consumo próprio. Genilce Gouveia, torcedora da Estácio de Sá, veio para a avenida com amigos e comentou sobre a sensação de estar assistindo.
“Aqui é o melhor lugar do mundo! Todo mundo se entende, ninguém briga, todo mundo se respeita. Eu venho no desfile, eu compro o ingresso para a arquibancada. Só que no ensaio técnico é mais povão, a gente come e bebe, todo mundo junto e misturado”.
Terezinha Soares é imperiana
O sábado sem chuva ajudou no ânimo dos apaixonados por carnaval. Segundo a imperiana Terezinha Soares, “São Pedro ajudou!”. Ela foi para a Sapucaí assistir ao ensaio da Lins Imperial e falou sobre os vínculos de amizade criados naquele momento. “Isso aqui é uma família! A gente se conhece, faz um círculo de amizade. É maravilhoso! Chegamos mais tarde, não tinha mais esse lugarzinho aqui [a grade da frisa]. A amiga cedeu e já fizemos amizade, amizade de carnaval”, comentou Terezinha.
A Baixada Fluminense também esteve presente na Passarela. Naidée Medeiros, torcedora da Beija-Flor de Nilópolis e entusiasta das escolas da região, estava bem próxima da Avenida, não tinha pretensão inicial de ir ao ensaio técnico, mas não negou o convite de uma amiga.
Naidée Medeiros, torcedora da Beija-Flor de Nilópolis
“[Eu estou sentindo] uma energia muito boa. Estamos amando! Pretendemos vir no desfile principal.”, declarou Naidée.
Os ensaios técnicos da Série Ouro acontecerão nos próximos sábados, até dia 4 de fevereiro. Diferentemente do primeiro dia de ensaio, os outros dias começarão às 19h30. Já no Grupo Especial, os ensaios serão aos domingos até o dia 12 de fevereiro, a partir de 20h30. Uma exceção será o sábado 11 de fevereiro, em que haverá a lavagem da pista às 18h30 e Unidos de Vila Isabel e Unidos do Viradouro farão o teste de luz e som.
Maior campeão do Grupo Especial do carnaval de São Paulo, o Vai-Vai está, pela segunda vez na história, no Grupo de Acesso em 2023. Como fazer com que tal pavilhão tão tradicional da folia paulistana se reerga com força? Para integrantes da comunidade, a força do enredo “Eu Também Sou Imortal”, apresentado pela própria agremiação em 2005, e a comunidade são as principais forças motrizes para o ressurgimento da instituição. O CARNAVALESCO conversou com integrantes da escola da Bela Vista no primeiro ensaio técnica da escola no Anhembi.
Força da comunidade
Dentre os ouvidos, há uma unanimidade: a comunidade da escola segue como a principal força da Vai-Vai. Talita Magalhães, integrante da comissão de frente da escola, dá o tom: “Além do engajamento, que sempre foi muito forte na escola, todos que permanecem com esse engajamento levam a escola para outro patamar. Nós precisamos dessa energia para subir, e está todo mundo empenhado e se dedicando muito. Eu acredito que o amor pela escola fala mais alto nessa hora. Está todo mundo muito empenhado. A comunidade, mais do que nunca, está brilhando”, pontuou.
Fernando Ferreira, que desfila na agremiação há oito anos, concorda. “Sinto a escola muito envolvida, sim. A escola está mais envolvida, esse ano está ainda mais, estamos com a garra de subir e levar a Vai-Vai para onde ela nunca deveria ter saído”, pontuou.
Maria Alice de Carvalho e Juciara Alves, integrantes do Vai-Vai (Foto: Will Fernandes/Site CARNAVALESCO)
Dora Dias, integrante da ala das baianas da escola, destacou o espírito de luta dos componentes para o desfile de 2023. “Nós estamos no lugar errado. O Vai-Vai tem que ficar no Grupo Especial. Agora, o pessoal vem com a fome. Respeito as outras coirmãs, mas Vai-Vai é Vai-Vai. Gosto de todas, mas a minha raiz é Vai-Vai”, destacou, aproveitando para exaltar o glorioso passado da instituição.
Dora Dias integrante da ala das baianas da Vai-Vai (Will Ferreira/Carnavalesco)
Maria Alice de Carvalho também pontuou tal força, falando forte. “A nossa comunidade é muito forte, e quem está aqui é verdadeiramente Vai-Vai. Quem não está, não é”. Ela foi acompanhada de Juciara Alves – que desfilará na mesma ala. “Acho que a força da comunidade e o calor das pessoas vão mudando, trazendo mais emoção e transformação”, pontuou.
Transformação
O Vai-Vai passou por momentos de grande instabilidade desde o primeiro rebaixamento da história da agremiação, no ano de 2019. Darly Silva, conhecido como Neguitão, se afastou do comando da escola pouco depois do rebaixamento, com Anna Maria Murari, vice-presidente de maneira oficial, substituindo-o na prática. Nascida em Roma, a descendência italiana da então integrante do conselho gestor trouxe identificação com a comunidade do Bixiga, região de forte influência de imigrantes do país e com grande quantidade de cantinas – restaurantes típicos do país europeu.
O concurso para definir a nova musa da comunidade da Unidos de Vila Isabel, que terminou com a vitória de Kauany da Glória, de 19 anos, chamou tanto a atenção pelo alto nível das candidatas que a escola resolveu premiar também as outras duas finalistas. As jovens Dandara Barreto e Anna Karolina desfilarão no Carnaval de 2023 como musas da ala de passistas.
Fotos: Diego Mendes/Vila Isabel
Nascida e criada no Morro dos Macacos, Dandara tem 16 anos e vem da escola de samba mirim Herdeiros da Vila. Sempre envolvida com o samba e com as atividades artísticas do bairro, ela não se conteve de emoção ao receber a notícia: “Sempre sonhei com isso. Estou representando a minha ala de passistas e todas as meninas negras da minha comunidade. Sou completamente apaixonada pela Vila Isabel”, destaca a jovem.
Fotos: Diego Mendes/Vila Isabel
Já Anna Karolina tem 23 anos, é estudante de Direito e nasceu praticamente no samba, uma vez que já integrava alas mirins desde os 5 anos. Ela chegou à Vila Isabel com 16 anos, quando foi aprovada em um teste para a ala de passistas: “Ser musa da ala de passistas é uma honra. Sei que essa é uma imensa responsabilidade, com muita representatividade, não só para a minha ala como para todas as meninas que sonham em estar em um lugar de destaque”, complementa.
Ensaio de rua acontece nesta quarta-feira
Anna Karolina e Dandara estarão presentes nesta quarta-feira no Boulevard 28 de Setembro, onde a agremiação realiza mais um ensaio de rua. A concentração está marcada para as 20h, em frente à Basílica Nossa Senhora de Lourdes.
Além da dupla e de toda a ala de passistas, o público poderá ver de perto a apresentação do casal de mestre-sala e porta-bandeira, Marcinho e Cristiane, da bateria Swingueira de Noel, comandada por mestre Macaco Branco, e do carro de som liderado pelo intérprete Tinga. Eles se juntam aos demais componentes, que prometem retribuir o carinho do público com muita garra e animação.
Neste ano, a Vila Isabel será a terceira escola a desfilar na segunda-feira de Carnaval com o enredo “Nessa festa, eu levo fé!”, desenvolvido pelo carnavalesco Paulo Barros.
A Dom Bosco de Itaquera abriu a noite de ensaios técnicos para o Carnaval 2023 neste domingo. Mostrando atributos variados e muita disposição para brigar pelo título, a escola realizou um treino praticamente impecável, acertando com êxito em todos os quesitos presentes, fechando os portões com tranquilos 46 minutos. O Condor da Zona Leste será a 12ª e última a se apresentar pelo Grupo de Acesso 2, no dia 11 de fevereiro, com o enredo “Sinfonia Brasileira, uma aquarela em poesia”, em homenagem ao maestro Heitor Villa-Lobos.
Comissão de Frente
Antes de entrarem na Avenida, os componentes da comissão de frente da Dom Bosco fizeram uma homenagem à coreógrafa Luana Poletti, celebrando seus 10 anos sob comando da equipe. Todos ensaiaram com camisas com uma foto da artista e uma mensagem de felicitação.
Fotos: Fábio Martins/Site CARNAVALESCO
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Dentro da pista, a comissão mostrou ousadia ao realizar uma coreografia que dura três passagens completas do samba, mas ao mesmo tempo com muita dança, sincronia e disposição. De acordo com Luana, seus dançarinos, oriundos de um projeto social da própria escola, virão representando a brasilidade presente nas obras de Villa-Lobos e contarão com acessórios não utilizados neste treino, que podem ficar como elemento surpresa para o desfile.
Mestre-Sala e Porta-Bandeira
Sincronia e movimentos limpos marcaram a apresentação do primeiro casal de Mestre-Sala e Porta-Bandeira da Dom Bosco, Leonardo Henrique e Mariana Vieira. Interagindo sempre com o público, a dupla mostrou estar preparada para realizar um grande desfile, com destaque especial para Leonardo, que dançou com uma rara leveza, digna dos grandes do ramo.
Harmonia
Uma comunidade vibrante, que atiçou a bateria e correspondeu em dois momentos de apagões, credenciam a Dom Bosco como grande candidata a receber nota 30 no quesito Harmonia. Dos componentes de ala aos marcadores de alegoria, todos pareciam dispostos a mostrar união pelo ideal da escola. Os diretores vibraram após o segundo apagão da bateria, executado com maestria.
Evolução
A escola fluiu como um rio em dia de Sol. Constante, leve, sem abrir espaços ou entrelaçar alas. Para finalizar, concluíram o ensaio mais próximos do tempo mínimo do que do tempo máximo de desfile. Excelente apresentação.
Samba-Enredo
Quando o assunto é homenagear Villa-Lobos, o maestro parece se tornar sinônimo de grandes sambas. Foi assim com a Mocidade Independente de Padre Miguel em 1999, e em 2023 se repete com a Dom Bosco de Itaquera. Letra rica em detalhes, versos bem encaixados e com interpretação de alto nível da equipe liderada pelo intérprete Rodrigo Xará fazem parte da obra defendida com vigor por toda a comunidade. O samba favorece bossas da bateria e é mais um elemento de grande valor a favor do Condor de Itaquera.
Outros destaques
A Dom Bosco de Itaquera tem um conjunto coeso e de alto nível para o Grupo de Acesso 2. Em 2022, a escola sofreu duro golpe com o estouro de tempo do desfile, e neste primeiro ensaio técnico mostrou que aprendeu com os erros do passado. Mesmo em um ano com tantas grandes escolas, não será de se surpreender caso a Escola do Padre, como a própria se refere a si mesma, se aproveite da vaga extra e suba para o Acesso 1.
Para dizer que o ensaio não foi 100% perfeito, há uma menção necessária a ser feita. A Rainha de Bateria, Mayra Barbosa, que este ano desfilará grávida, sofreu uma entorse no joelho durante a entrada da bateria “Gloriosa” no recuo. Foi prontamente socorrida e recebeu os primeiros socorros no próprio Sambódromo. Felizmente, Mayra se manifestou nas redes sociais garantindo que foi só um susto.
O Paraíso do Tuiuti encerrou a primeira noite de ensaios técnicos do Grupo Especial no último domingo mostrando que o trabalho realizado às segundas-feiras em São Cristóvão com os treinos na rua tem dado resultado. O samba confirmou na Sapucaí os elogios que recebeu desde a escolha, esteve na boca dos componentes que cantaram durante todo o ensaio com muita intensidade e empolgação. Outros destaques ficaram para a bateria de mestre Marcão, a comissão de frente dos coreógrafos Lucas Maciel e Karina Dias, e a evolução tranquila e espontânea da agremiação. O treino oficial teve a duração de uma hora e 10 minutos. Em 2023, o Paraíso do Tuiuti abre a segunda noite dos desfiles do grupo de elite do carnaval carioca com o enredo “Mocangueiro da Cara Preta” que está sendo desenvolvido pelos carnavalescos Rosa Magalhães e João Vitor Araújo e pretende explorar na Sapucaí a história e a riqueza cultura da Ilha de Marajó no Pará. * VEJA AQUI FOTOS DO ENSAIO TÉCNICO
“Na verdade, agora eu tenho que agradecer a toda comunidade do Paraíso do Tuiuti. Foi uma entrada muito firme nessa avenida. Estávamos mais uma vez precisando. Porque aqui é o passo para o nosso desfile principal. Agora não é melhorar, é só lapidar. O que virá de específico serão todas as surpresas que estamos preparando. Gostei de ouvir toda Sapucaí cantando o nosso samba”, disse André Gonçalves, diretor de carnaval.
Samba-Enredo
Uma das principais contratações da escola e principal mudança para o carnaval 2023, Wander Pires, que já vem tendo esse contato espetacular com o público nos ensaios de rua, pela primeira vez, pisou na Sapucaí como intérprete do Paraíso do Tuiuti. E não foi nada menos do que já se esperava do cantor: grande construção de terças e segundas vozes em cima da melodia do samba, condução com muita segurança e precisão do samba. Isso tudo auxiliado por um carro de som bastante entrosado e ensaiado. A obra do Paraíso do Tuiuti escolhida para o desfile de 2023 tem uma melodia muito característica, alguns pontos altos como o refrão principal “Cadê o Boi”, e o bis antes do refrão principal com o “É lá, É lá” que remonta a músicas típicas da região homenageada, além do refrão do meio que possuiu um swing da Ilha de Marajó. O andamento escolhido pela bateria de mestre Marcão também favoreceu a obra e a evolução da escola, não tornando arrastado um samba que tem muita ênfase em sua linha melódica com aspectos das músicas regionais e entradas para a dança do carimbó.
A evolução do Paraíso do Tuiuti se deu de forma bastante espontânea sem filas rígidas com os componentes realmente brincando carnaval e curtindo o samba. Não se observou buracos e o ritmo adotado pela escola foi bastante agradável para quem assistia, sem nenhum momento de correria, em um ritmo com fluência até o final do desfile, sem ser arrastado com muito samba e com alguns passos de carimbó em algumas partes do desfile. Destaque para algumas alas coreografadas no início que realizavam pequenas coreografias baseadas na letra do samba, mas com liberdade para evoluir de forma mais espontânea em outros momentos.
No trecho do samba “Cadê o boi” do refrão principal, muitos componentes faziam com a mão acima da testa como que procurando o animal, mostrando sincronismo e que tem uma comunidade que está curtindo muito o carnaval que vem pela frente. Mais para o final do desfile, a ala “carimbó” trazia mulheres com saias coloridas evoluindo no ritmo da dança paraense.
Comissão de Frente
Os bailarinos liderados pelos coreógrafos Lucas Maciel e Karina Dias apresentaram uma coreografia bastante intensa e precisa. Mais do que isso, uma coreografia que privilegiou a exibição de passos de danças típicas do estado do Pará. Vestidos com uma fantasia que remete a grupos de pescadores, atividade tradicional na Ilha de Marajó, e com as meninas com saias floridas, os bailarinos da comissão realizavam movimentos bastante sincronizados e passos de danças típicas divididos em grupos de componentes que bailavam de forma independente, e grupos que dançavam com um par. Quatro meninas se destacavam no meio da roda produzida pelo movimento da equipe, apresentando o carimbó. Destaque para a movimentação das saias das bailarinas e para o numeroso elenco trazido pelos coreógrafos, além da força e constância com que cantavam o samba da escola mesmo em meio aos passos de dança.
Pelo segundo ano consecutivo dançando juntos na escola de São Cristóvão, Raphael Rodrigues e Dandara Ventapane são adeptos de um estilo bastante intenso. Mas é importante destacar também como há entrosamento entre o casal, sincronia de movimentos, aproximação, toque e neste ensaio, até uma pitada de sedução nos olhares e na delicadeza dos movimentos. Parece que a dupla vai apostar em uma pegada mais voltada para a sedução e para a proximidade de casal, além de alguns passos que remetem a cultura do local e ao próprio carimbó. A indumentária escolhida pelo casal também se destacava em um bege que remete um pouco ao barro presente nas moringas, mas com alguns detalhes voltados para o dourado como na parte de cima do vestido de Dandara. Já a roupa de Raphael, trazia uma extensão na parte de trás como cauda que gerava um bonito efeito quando o mestre-sala girava e fazia movimentos de maior intensidade. A saia do vestido de Dandara era dupla e também causava um efeito interessante.
“O ensaio foi pura energia, foi revigorante. A gente faz um ciclo de trabalho, e quando chegamos aqui para o ensaio técnico é para brindar o público, e para começar essa reta final que é o desfile. A gente está em um processo. A nossa coreografia não fechou. Minha coreógrafa que diz:’Dandara você está sempre querendo alguma coisa a mais’. Eu tenho vários pontos: o principal foi a nossa sincronia para resolver o que a gente precisava junto ali na avenida. Acho que na verdade o nosso grande trunfo é isso. Acho que ele (ensaio técnico) dá esse termômetro para a gente fazer os ajustes finais para o desfile”, afirmou a porta-bandeira.
“Estou emocionado, o quanto esse ensaio foi importante para mim. Porque a cada dia é uma superação, a cada dia eu agradeço a papai do céu, agradeço aos meus orixás por poder passar nessa avenida mais uma vez, mais um ano, principalmente junto com a Dandara. É um balanço de muito trabalho, de muita dedicação. O ensaio nada mais é que a preparação para o dia. Agora a gente vai analisar tudo. Nós vamos conversar, eu, Dandara, nossa coreógrafa Karina Dias. Toda equipe. A gente vai sentar, conversar, ver os prós e os contras. Vai ver o que bom, o que não foi, o que pode melhorar. Agora é hora de estudar e continuar trabalhando. O ensaio técnico é treinar no campo de jogo”, completou o mestre-sala.
Harmonia
Outro ponto alto foi o canto. Desde novembro realizando ensaios de rua em São Cristóvão próximo a quadra, a escola colhe mais uma vez os frutos de uma comunidade bastante aplicada. Desde as primeiras alas, os componentes mantiveram um canto muito intenso e constante, e muitas vezes contagiante. O próprio público também cantou, de forma que seria injusto colocar destaque para apenas algumas alas. E isto vale para segmentos que defendem quesito como a comissão de frente que o tempo todo não parava de gritar o samba. Era notável ver velha guarda, baianas, passistas e até a própria bateria cantando com vontade e alegria. Em alguns momentos, o próprio carro de som deixava a condução do refrão principal “Cadê o Boi” para os componentes que não fugiam à responsabilidade. O único ponto a se prestar a atenção foi já na parte final do desfile, talvez por cansaço, a diminuição na intensidade do canto nas últimas alas. Mas, nada que pudesse interferir em uma possível nota máxima no quesito caso fosse para valer.
“Foi ótimo o ensaio. Tivemos um bom resultado. O povo cantou, participou. Cantou junto comigo, com a escola. E a tendência é melhorar. São poucas coisas para se ajustar para gente vir para Avenida e fazer um grande Carnaval. [Eu gostei mais da] empolgação, da euforia dos componentes, o povo participando. São poucos detalhes [a melhorar]. A bateria é um dos pontos maravilhosos do nosso ensaio. Eu não gosto de pontuar assim porque é muita pouca coisa para se melhorar. Claro que, até o desfile, vai melhorar, a tendência é melhorar mais, até porque vamos ensaiar mais. E ensaiando a gente acerta. [Minha parte preferida do samba é] ‘Há mão que modela a vida no barro Marajoara’, por conta da linha melódica. Cantor gosta de melodia. Todo samba é lindo, mas essa melodia foi a que mais me fascinou, entrou em mim. A bateria está um espetáculo! Nós (intérprete e cantores de apoio) com a bateria estamos simplesmente maravilhosos”, disse Wander Pires.
Outros destaques
A rainha Mayara Lima, eleita recentemente como personalidade do ano de 2022 pelo site CARNAVALESCO, mais uma vez provou porque tem tantos seguidores nas redes e gera tanto engajamento. É muito pelo o que ela faz também no “ao vivo”. Vestida com uma fantasia indígena, Mayara reinou à frente da SuperSom esbanjando simpatia com o público, interagindo com ritmistas e com a ala de passistas que a antecedia.
“O andamento acho que foi tudo perfeito, na nossa concepção do que tocamos e da rapaziada ficou tudo como esperávamos. Vamos ver se algum diretor tem alguma coisa pra falar e então vamos acertando, ensaio técnico é para isso. Eu pego a informação que vem de dentro, do meio para trás é onde tenho a informação do andamento, o que está acontecendo lá no meio. Porque aqui eu só tenho o agudo, então quem está lá, tem o grave e o médio grave, eu olho pra eles dizem que está tudo certo. Se tudo deu certo pra eles, para mim deu certo também. Vamos com cinco paradinhas e 250 ritmistas. Sem muita surpresa, só a do meio que é um carimbó mesmo, estamos fazendo uma ali e é isso, acho que o menos é mais”, comentou mestre Marcão.
A bateria comandada por mestre Marcão, um dos destaques no carnaval passado, trouxe uma bossa no ritmo do carimbó que preenchia todo o refrão do meio do samba. O segundo casal chamou bastante a atenção do público com a singular maquiagem do mestre-sala Leonardo Thomé de boi da cara preta.
No esquenta, Wander Pires cantou os sambas de 2018 “Meu Deus, Meu Deus” e do último carnaval “Ka Ríba Ti Yê”. Antes do desfile, o presidente Renato Thor dedicou a apresentação do Tuiuti a duas baluartes da escola falecidas recentemente, Dona Zilá e Tia Sandra, presidente da ala das baianas. Os carnavalescos Rosa Magalhães e João Vitor vieram no final do desfile.
Colaboraram Allan Duffes, Augusto Werneck, Cristiano Martins e Matheus Vinícius