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Império Serrano almeja a volta de sua imponência com estrutura e organização

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O Império Serrano, uma das mais tradicionais escolas de samba do Rio de Janeiro, está de volta ao Grupo Especial em grande estilo. Sua comentada vitória na Série Ouro no carnaval de 2022 embalou a comunidade numa fácil mistura de emoções, dando ênfase à superação e à satisfação. Além de muita história, a escola acumula nove títulos na primeira divisão, sendo a quarta agremiação mais premiada do carnaval, em empate com o Salgueiro. Entretanto, nos últimos anos, o Reizinho de Madureira encarou uma realidade difícil. Problemas financeiros e administrativos marcaram suas passagens pela Marquês de Sapucaí. O rodízio de cargos altos como presidentes, intérpretes e coreógrafos, mostrou a fragilidade que pairava sobre a escola, que chegou a desfilar com fantasias inacabadas e alegorias problemáticas.

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Foto: Allan Duffes/Site CARNAVALESCO

Quando Sandro Avelar assumiu a presidência do Império, em 2020, levou a missão de reestruturar a agremiação como sua principal meta. Sem mais reciclagens, decidiu que tudo devia ser feito do zero. Contratou uma nova equipe e deixou os imperianos esperançosos com seus discursos. Devido à pandemia de Covid-19, os desfiles de carnaval em 2021 foram cancelados. Apesar da tristeza sentida por todos, talvez o Império do Samba tenha recebido mais tempo para redescobrir sua verdadeira essência, porque, no ano seguinte, confirmou as expectativas e, sendo a última escola a desfilar, encantou o público presente na Sapucaí.

A vitória e a oportunidade de retornar ao Grupo Especial não poderiam ter chegado num momento mais oportuno. No último domingo, a escola fez seu primeiro e único ensaio técnico no Sambódromo antes do dia oficial do desfile. Com um enredo que homenageia Arlindo Cruz, os componentes passaram pela Avenida radiantes, em perfeita harmonia e com muito samba no pé. O site CARNAVALESCO quis apurar detalhadamente o sentimento de confiança que une os desfilantes nesse resgate da agremiação, sabendo que eles agora enxergam um Império Serrano organizado e disposto a mostrar o seu melhor.

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Isabel Cristina, de 57 anos, é nascida e criada no Morro da Serrinha. Foto: Luisa Alves

Isabel Cristina, de 57 anos, é nascida e criada no Morro da Serrinha, e não protelou em dizer: “O que eu mais quero é que ela se firme nesse patamar de onde nunca deveria ter saído. Império é raiz! Não temos medo e vamos com tudo em 2023. Sou técnica de enfermagem e vi o mundo se acabar, mas isso que está acontecendo é a vida em sua mais pura forma”.

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Mauro Ramos faz parte da ala dos compositores. Foto: Luisa Alves

Mauro Ramos faz parte da ala dos compositores, e aos 70 anos ainda se empolga em comentar: “Estou muito feliz. Temos que rasgar a sola do sapato para homenagear Arlindo e mostrar para o mundo o que somos. Esquecemos muitas coisas, mas estamos com uma nova gestão e vamos conquistar todas de volta”.

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Vilma Almeida, de 64 anos, traz os laços familiares com ela. Foto: Luisa Alves

Vilma Almeida, de 64 anos, traz os laços familiares com ela. “Sou imperiana desde sempre, mas estou desfilando pela primeira vez. Escolhi esse ano porque meu irmão faleceu e tínhamos combinado de desfilar juntos. Ele se foi muito antes, mas a partir de agora o Império vai relembrar suas raízes”, afirmou. “Vamos abrir o carnaval de um jeito que ninguém vai esquecer o primeiro, depois da pandemia, em que o público não teve mais restrições”, continuou.

Essa é a força que o Império Serrano levará ao desfile. Não apenas a superação de maus momentos da escola, mas também as histórias individuais de quem a tornou exatamente o que simboliza: a realeza.

Alex Neoral e Marcio Jahú prometem comissão de frente unindo dança, movimento e surpresa na Vila Isabel

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Após três anos à frente da comissão de frente da Viradouro, a dupla Alex Neoral e Marcio Jahú aguardam os minutos para estrelarem na escola de Noel. Marcio comentou a felicidade em estar de volta e agradeceu pela segunda chance que recebeu da agremiação.

“A Vila é uma casa onde eu já estive em outros momentos, está sendo um prazer estar de volta, na escola de Noel, na escola de Martinho. A responsabilidade de estar à frente da comissão é sempre muito grande, e quando a gente retorna, acredito que é mais um voto de confiança que a escola está dando, por isso me encontro muito feliz”.

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Foto: Nelson Malfacini/Site CARNAVALESCO

Alex, que já havia passado pela escola em 2018, afirmou estar muito contente em retornar não só para a Vila, como também a trabalhar com Paulo Barros, um profissional pelo qual ele tem total admiração e considera único.

“Já é a minha décima quarta comissão de frente, já passei por grandes escolas, estar agora na Vila não é um cenário tão diferente dos outros que já trabalhei, mas é uma escola de muita comunidade e tradição. É sempre uma responsabilidade enorme, mas eu fico muito feliz de estar voltando a trabalhar com o Paulo Barros, por ser um profissional que eu tanto admiro. A Vila é uma escola muito séria, que defende muito bem o quesito comissão de frente, tenho me sentido muito abraçado por todos”.

Em entrevista ao CARNAVALESCO, quando questionados quanto a troca de ideias com o Paulo Barros, só elogios. Ambos garantiram máxima afinidade com o carnavalesco e total abertura para sugestões e ideias. “Nós temos muita afinidade com o Paulo, realmente nos damos muito bem. A comissão é construída em conjunto, estamos sempre ouvindo do Paulo o que ele gostaria, e nós também damos sugestões, então o espaço de troca é sempre muito confortável”, garantiu Marcio.

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“Entre a gente não rola aquilo de quem é a ideia, é tudo construído com a mão dos três e com o apoio da direção da escola, que sempre nos escutam e depositam confiança na parceria”, concluiu.

Já Alex, fã declarado de Paulo, completou declarando que além da harmoniosa parceria, se sente sempre em aprendizado ao lado do artista. “Nossa troca é harmônica demais. Não é meu primeiro carnaval com ele, nós sempre funcionamos muito bem. Acredito que ele pense isso da gente também, mas é o que eu acho dele. Admiro muito a seriedade dele, é um modo Paulo Barros que só ele tem, é de dar aula, me sinto em aprendizado o tempo inteiro”.

Tendo um enredo talvez de início mal pré-julgado, cada vez mais o “evoé” vem caindo na graça dos sambistas, principalmente, depois do lançamento do samba. Durante a pesquisa do enredo para o processo coreográfico, os coreógrafos reforçaram a presença de uma temática alegre. Alex também revelou que o principal objetivo do enredo é retratar felicidade e diversão.

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“O assunto em questão, que são as festas religiosas pelo mundo, é um tema bem popular, de fácil compreensão, temos de aproveitar dessa vantagem para conseguir se comunicar bem com a plateia. Saber que o enredo tem tudo para funcionar, me toca de uma maneira esperançosa, de agora trabalhar para pontuar o quesito” comentou Marcio.

Quanto ao que podemos esperar da comissão de frente, a dupla prometeu surpreender. “O que vocês esperam de um trio como esse? ”, brincou Marcio. “Eu e o Alex temos uma característica em comum, que é o excesso de dança e movimento, trabalharemos sempre com isso, porém com o toque adicional do Paulo, que gosta de bastante surpresa”, completou.

“Existe um fator chamado energia, que é único do momento lá da Marquês de Sapucaí, e esse fator não se ensaia. Estamos fazendo o possível, que é se preparar e blindar para que não haja erros e entrar sabendo que vai dar certo, mesmo que seja com frio na barriga”, confessou Alex.

A Unidos de Vila Isabel será a terceira escola a desfilar na segunda-feira de carnaval, no dia 20 de fevereiro, com o enredo “Nessa festa, eu levo fé”.

Riotur conta com drones e mais de 100 câmeras para monitorar os desfiles de 2023

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Para entrar na área da Marquês de Sapucaí em dias de ensaio técnico é necessário passar por uma revista no Setor 2, se for assistir no lado par, ou no Setor 3, se for acompanhar pelo lado ímpar. Ambulâncias e maqueiros estão dispostos em lugares estratégicos da Avenida para melhor atender o público e os desfilantes. Câmeras no entorno e dentro da passarela, além de drones, fazem o monitoramento das atividades das milhares de pessoas que passam por lá. Todo esse sistema operacional é gerido pela Riotur, comandado pelo diretor de operações Luiz Gustavo Mostof, e pela Liesa, liderado pelo Coronel Celso.

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Fotos: Matheus Vinícius/Site CARNAVALESCO

Durante os ensaios, que ocorrem aos finais de semana até o dia 12 de fevereiro, o sistema de monitoramento controla 30 câmeras. Porém, nos dias dos desfiles, entre 17 e 20 de fevereiro, haverá mais de 100. Todo esse trabalho é cruzado com cerca de 5000 câmeras do Centro de Operações da prefeitura do Rio de Janeiro e com o apoio dos órgãos públicos operacionais da cidade e do governo do estado – Guarda Municipal, Polícia Militar, Polícia Civil e Corpo de Bombeiros.

“A gente distribui câmeras por toda Sapucaí. É um Big Brother. De modo que possamos, com as equipes no campo, tomar decisões operacionais que possam minimizar qualquer tipo de risco ou confusão que aconteça. Fora isso, o aspecto técnico de monitoramento de público ou de multidão passa a ser prioritário até por conta do entrelace que temos com órgãos públicos, Polícia Militar e Guarda Municipal, e com o trânsito também. Rapidamente, a gente consegue alinhar com esses órgãos e tomar decisões estratégicas”, explica Mostof.

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Equipe no comando do monitoramento do Sambódromo

Enquanto o público esperado para os ensaios técnicos é de 40 mil pessoas, os testes de luz e som dos dias 11 e 12 de fevereiro têm uma estimativa de 70 mil presentes. Este número representa quase o limite de foliões que a Sapucaí recebe no Carnaval: 72 mil somando os camarotes com as arquibancadas. Além disso, cada escola do Grupo Especial, por exemplo, leva para a Avenida entre 3 mil e 4 mil componentes. Todas essas pessoas serão atendidas por uma equipe de 20 mil trabalhadores, divididos entre funcionários da Riotur, da Liesa, do próprio Sambódromo, dos camarotes e dos fornecedores. Em resumo, cerca de 100 mil pessoas circularão pelo maior espetáculo a céu aberto da Terra.

Em um megaevento da proporção do carnaval é esperado pela equipe de operações que incidentes aconteçam embora se torça pelo contrário. Quando questionado sobre os procedimentos a serem feitos pela equipe da Riotur caso algo ocorra, o diretor Luiz Gustavo respondeu: “O procedimento sempre é isolar qualquer tipo de área em que esteja acontecendo. Fazer com que as equipes de pronto atendimento cheguem ao local imediatamente. Nós temos diversos postos médicos espalhados. No caso de alguma questão, rapidamente maqueiros chegam até onde a pessoa está passando mal ou outro tipo de confusão que aconteça e encaminham diretamente ao posto médico. E se tiver algum tipo de problema relacionado à saída de ambulância, a gente dá prioridade ao percurso. Todas as rotas de ambulância já estão pré-definidas. Caso haja algum tipo de questão maior que a normalidade, no aspecto operacional, faz parte a anormalidade. Quando se trabalha com um evento dessa magnitude, megaeventos, a gente tem que estar sempre preparado para situações adversas de uma maneira geral. A gente acaba, pelas câmeras, dando toda infraestrutura e todas as informações para a equipe de campo ficar mais segura na ponta”.

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Luiz Gustao Mostof reassumiu o cargo de diretor de operações da Riotur

Para esse suporte, as câmeras são posicionadas estrategicamente. No período de ensaios, as câmeras cobrem os corredores por onde o público chega, a pista do desfile, a praça de alimentação, mas principalmente os acessos. “Nós temos dois grandes acessos, pela Benedito Hipólito, acesso ímpar e acesso par, onde as pessoas são revistadas porque, obviamente, não pode entrar com nenhum tipo de armamento ou objeto cortante. Outras áreas cobertas são a dispersão e a concentração para tomar conta dos integrantes das agremiações. Em ambas as extremidades, além dessa cobertura de imagem, precisa ser feita uma estrutura de iluminação, banheiro e atendimento para dar algum conforto para os artistas do espetáculo”, contou Mostof.

De volta ao cargo neste ano de diretor de operações da Riotur, Luiz Gustavo Mostof diz que, para 2023, foram feitos ajustes na estrutura ao longo do Sambódromo, de acordo com as autorizações do Corpo de Bombeiros, principalmente, na questão de circulação interna. Isso facilitou, por exemplo, a movimentação das pessoas nos camarotes.

“Uma questão prioritária, até o presidente da Liesa e o próprio presidente da Riotur já falaram, é a atenção na pista, principalmente, na questão dos credenciados. Ano passado, parece que teve um probleminha relacionado a pessoas não credenciadas dentro da pista. Nós estamos com um olhar clínico e nós vamos ter algumas pessoas-chave para a gente manter, efetivamente, a pista de desfile para os artistas”, afirmou o diretor.

Abraçando ainda mais a tecnologia, uma novidade para o Carnaval 2023 é o uso de drones. O equipamento será usado para observar lugares que as câmeras podem ter dificuldade de cobrir. Afora isso, o sistema de iluminações cênicas testadas em 2022 será instalado de forma definitiva a partir deste ano. A proposta foi trazida pelo prefeito Eduardo Paes para tornar os desfiles das escolas de samba mais vibrantes e, de agora em diante, a ideia é aperfeiçoar. Luiz Gustavo aposta que em alguns anos os carnavalescos poderão “brincar” com as luzes nos seus carnavais.

“Tem, no Setor 10, uma sala de monitoramento com visão de toda passarela que a gente chama tecnicamente de house mix. Quem sabe, no futuro, tenha um profissional de cada escola brincando [com as luzes] durante o desfile”, instigou o diretor.

Toda essa operação é comandada diretamente da base da Riotur atrás do setor 11 da Marquês de Sapucaí. A complexidade do carnaval exige que a equipe esteja atenta a qualquer tipo de situação e com o mapeamento das providências a serem tomadas para estabelecer a ordem. A folia de 2023 está sendo planejada para ser um evento seguro e zeloso da pista às arquibancadas, da plateia aos componentes das escolas de samba do Rio de Janeiro.

Entrevistão com Selminha Sorriso e Claudinho para celebrar 30 anos de parceria: ‘o samba tem que reverenciar as pessoas’

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Amor, respeito, união e aprendizado. A relação do casal que é a cara do carnaval do Rio continua forte, mesmo após três décadas dedicadas ao samba. Desde o começo, na Estácio de Sá, o que move a união e química de Claudinho e Selminha Sorriso é o amadurecimento em cada etapa que atingiram. E que sem o amor, um pelo outro, e pela avenida, o objetivo de trazer a nota 10 para a Beija-Flor fica impossível.

Após uma série de treinos, o casal recebeu a equipe do site CARNAVALESCO em uma tarde agitadíssima no barracão da escola, na Cidade do Samba. Mesmo cansados, Selminha e Claudinho se produziram e bateram um papo, dentro de um agradável estúdio decorado pelas cores da bandeira, sobre a cumplicidade e o profissionalismo que se confundem com a história da ‘Azul de Branco de Nilópolis’.

Após 30 anos de parceria, qual o sentimento mais presente na relação entre vocês?

Selminha: “Respeito, porque tudo começa pelo respeito. Somos pessoas diferentes, pensamos diferente, agimos diferente, nos encontramos na arte da dança, na amizade e nossas diferenças são superadas pelo respeito que temos um pelo outro. Aí, além do respeito, tem o amor, né? Quase 31 anos juntos e o que nos move realmente é o amor. E para fazer essa manutenção é um respeitando o outro, o jeito um do outro, o pensamento, e se admirando. A gente se admira muito”.

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Claudinho: “A base do respeito mesmo, porque só assim a gente tem o caminho para chegar no nosso objetivo, que é trazer a nota 10 pra escola. Através do respeito, através do querer, da garra, da energia. E trabalhar para que a gente consiga nosso objetivo. Então o respeito é acima de tudo, para que a gente consiga encaixar essa nota 10 dentro do desfile para podermos ajudar a escola a ser campeã”.

Selminha: “Esse tempo todo a gente vem amadurecendo muito, entendendo quando um precisava que o outro puxasse um pouco mais. É essa coisa do remar, você tem o remo, mas quando você precisar que o outro reme um pouco mais. É um exemplo pra falar que um precisa um fortalecer o outro nessa trajetória de mais de 30 anos de parceria, da vida pessoal. Ninguém solta a mão de ninguém. Vamos juntos na fraqueza, na vitória, no aprendizado, no querer aprender. Uma das coisas que move a Selminha e o Claudinho é não se sentar na história. A gente não se acomoda, a gente sempre entende que precisa melhorar. E uma cobrança tão grande um do outro. Eu me cobro pessoalmente, minha licença poética é que eu me cobro muito. Mas tem uma cobrança de nós dois juntos. Claudinho tem a cobrança dele e também tem a cobrança do par. O tempo todo a gente entende que precisa melhorar, que é preciso crescer, que a história só se mantém quando você entende que você precisa aprender”.

Lá, no início, na Estácio, qual foi a maior dificuldade e quando veio o título em 1992, ele foi o responsável por todo o sucesso futuro de vocês?

Claudinho: Eu acho que sim, porque ali foi o pontapé de uma parceria. A gente veio de 1991 para 1992. Foi o grande boom da parceria, onde teve o encontro, onde a gente teve que ensaiar, porque a gente nunca tinha dançado juntos, Ela tinha outros parceiros, outros mestre-salas, eu tive outras parceiras. Era uma coisa onde a gente tinha que encaixar a conexão ali pra poder fazer um bom trabalho. E graças a Deus, a gente conseguiu ali em 1992 fazer bom trabalho, e conseguimos sair campeões juntos com escola”.

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Selminha: É, foi um ano diferente para todo mundo, o casal no seu primeiro ano formando par, a escola vindo de boas colocações, mas ainda não era aquela escola onde as pessoas apostaram que vinha um título, geralmente estavam ficando na mão de algumas escolas que não era a Estácio. A Estácio vinha no quarto, quinto e sexto. E a Mocidade era a grande estrela, era o grande bicho papão da história. E a Estácio veio com um casal iniciando, com um enredo maravilhoso, porque o enredo foi tudo. Ele deu à escola um samba que pegou muito na avenida, porque era uma história muito nossa. Aquele desfile foi inesquecível, imensurável o que eu senti, o que o Claudinho sentiu. Porque você olhar uma arquibancada, eu nunca vi isso em lugar nenhum, nunca tinha presenciado isso esses anos todos como porta-bandeira, em ver de ponta à ponta, o canto e a coreografia, de pessoas que não eram nem torcedores da escola. É isso, é a magia, o samba quando é bom e chega na avenida ele contagia. Quem é sambista, gosta de um bom samba, quer vibrar com aquilo ali”.

Claudinho: “Era um samba que poucos acreditavam, era normal, e na avenida, pra você ver como as coisas que acontecem na avenida são mágicas. Na avenida tudo se transformou. Um dia desses eu tava até passando na avenida, passei pelo Renato Lage, ele tocou nessa tese aí. Ele não esquece até hoje”.

Claudinho, quem é sua referência como mestre-sala? E por qual motivo?

Claudinho: “Cara, eu cresci vendo vários. Eu vim de uma escola de samba que na época se chamava Deixa Falar. Depois se transformou em Estácio de Sá. Cresci vendo Bicho Novo, Nadinho, Cheirosa, rapaziada que era ali do bairro do Estácio mesmo. Depois Chiquinho, Delegado, Lilico, essa rapaziada toda foi referência”.

Selminha, quem é sua referência como porta-bandeira? E por qual motivo?

Selminha: “É muito difícil citar nomes, porque acaba sempre deixando alguém. A minha primeira imagem de porta-bandeira foi da falecida Boneca, foi uma porta-bandeira da Unidos de Lucas, ela foi minha primeira imagem de uma fada, porque porta-bandeira é uma fada. Aquela imagem é muito forte até hoje dentro de mim. Na sequência houve grandes porta-bandeiras que eu admirei. Mas pra não ser injusta e dizer que todas porta-bandeiras estão representadas nela. Porque ela foi uma mulher que venceu todas as barreiras da sua época. Ela conseguiu transcender o preconceito da época, da mulher preta, sambista, da mulher que saía de manhã, de noite, chegava de madrugada. Todo o preconceito que existia, essa deusa, essa rainha, que não está mais entre nós, ela conseguiu vencer e abrir espaço para todas que vieram. Sei quem tem a tia Maria Helena, que eu amo, que me ajudou muito no nosso primeiro ano. Vou deixar assim, minha homenagem à tia Dodo Portela, e deixar um beijo no coração para o casal Maria Helena e Chiquinho, porque alguns dessa geração conseguiram ver eles dançarem. Alguns não viram Dodo, mas nós tivemos esse privilégio. Nesse casal, nessa rainha, homenageamos todos”.

Vocês trabalham como um dos maiores sambistas da história que é o Laíla. Ele mudou vocês de posição e levou o casal para frente do desfile e virou referência. Qual foi o maior aprendizado que vocês tiveram com o Laíla e como era enfrentar os puxões de orelha dele?

Selminha: O maior aprendizado dele era não esmorecer, buscar força mesmo quando você acha que não tinha. Seja na parte física, emocional ou na criativa. Foi um privilégio trabalhar com ele”.

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Claudinho: “Dele, muita coisa, porque ele, praticamente, no nosso início, quando a gente fez essa transição do Estácio para a Beija-Flor, foi um pai para gente. Nos ensinou todo o conhecimento que ele tinha, deu oportunidades de a gente fazer várias coisas, ensinou várias coisas pra gente dentro do carnaval. Ele era a referência do que era pra fazer dentro do carnaval. A gente só elaborava e ele dava o caminho de ‘vai embora, vai nessa aí’. Ele só olhava. Só no olhar sabia quando ele tava bravo e sabia quando ele estava tranquilo”.

Selminha: “O não puxão de orelha era um elogio, porque ele pouco elogiava e muito ensinava. Então, sabe aquele pai que não fala nada, está tudo bem? Era ele. Mas quando vinha falar, era alguma coisa que precisava melhorar. E algumas vezes, quando eu achava que ele tinha se excedido, ele ouvia. Muita gente achava que ele era uma pessoa que não ouvia, mas ele ouvia”.

Claudinho: “Ele tinha um ouvido e um olhar de águia. Ele era um cara que enxergava as coisas lá na frente. E ele gostava das coisas muito perfeitas. Era um cara visionário. Hoje, se você for ver lá o ranking dele, as histórias, você vai comparar… ele foi um cara pioneiro. Um cara que fez pelo samba muita coisa bonita”.

O mestre-sala vem sempre muito cobrado em cortejar mais a porta-bandeira do que dançar sozinho. Acha que falta mais esse “olhar” do mestre-sala para porta-bandeira?

Claudinho: “A dança mudou um pouco. Como a gente é um casal tradicional, a gente acompanha a tradicionalidade dos antigos, porque a gente não pode deixar morrer o que os antigos fizeram, os antepassados. O que a rapaziada fez, o que o Delegado fez… Tantas pessoas fizeram pelo samba, pela dança, defendendo o pavilhão, protegendo a porta-bandeira, fazendo o seu riscado na hora certa, no momento certo. Tudo tem começo, meio e fim. Ela tem cada momento de glamour, é a dança dos nobres. É a dança do cortejo, a proteção à sua porta-bandeira, proteção ao pavilhão, que é o símbolo maior da agremiação. A gente que é um casal tradicional, a gente acompanha esse legado que as ancestralidades deixaram para gente”.

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Ser uma das maiores mulheres do carnaval é muita responsabilidade, mas é muita pressão também. Como você encara essa missão de ter que entregar nota, ser cobrada e também ser adorada?

Selminha: “O mais legal dessa história é ser adorada. Bom, eu não me sinto assim. Eu acho que ver o carinho das pessoas, o respeito, é o que você entrega e você recebe o que você entregou. Quando eu recebo um elogio, um gesto de carinho, um abraço, eu fico muito agradecida. E tenho pra mim que aumenta a minha responsabilidade de entregar tudo que esperam de mim. A arte da dança com o Claudinho, porque sem ele eu não sou ninguém, não existe a porta-bandeira sem o mestre-sala e vice-versa, ser uma pessoa que as crianças gostam, e eu quero estar perto das crianças, porque é o público alvo, e sempre usar de empatia. A gente teve que entender na pandemia o quanto que precisamos um dos outros, o quanto somos frágeis aqui no plano terrestre, ninguém é forte sozinho, o barco precisa de várias mãos, de vários braços, pra chegar em algum lugar, então foi um grande ensinamento a pandemia pra mim. Eu tentei melhorar, eu já estava em um processo para melhorar como ser humano. Vou errar, vou continuar errando, mas a pandemia me deu essa noção de que eu preciso ser mais simpática, mais cortês, mais solidária, mais humana, mais amiga, mais mãe, mais parceira, e eu tenho gostado da Selminha desse jeito, me dá uma paz interior. Hoje eu quero menos do que antes. Hoje eu quero o suficiente. Esá tudo bem, se hoje não foi tão bem, há dias e dias, amanhã vai ser melhor. Eu também aprendi a agradecer mais do que eu peço”.

Em algum momento nesses 30 anos surgiu o convite para vocês saírem da Beija-Flor ou dançarem separados? Como foi e o que falaram?

Selminha: “Nunca fizeram isso com a gente, nunca ninguém convidou. Só em outras escolas, de outros estados, mas nunca sozinha, sempre juntos. Eu acho que as pessoas entendem essa relação muito forte com a Beija-Flor. Como se fosse sagrado. É uma relação de ancestralidade, de uma escolha dos deuses do samba, costumo brincar assim com as pessoas. Nós não somos estrela. A gente ocupa um papel de dois personagens que estão sempre aprendendo. Estamos construindo uma história, e uma história bem bonita”.

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Claudinho: “Não tem como mudar porque a gente veio da comunidade, a gente veio da favela. Chegar hoje, praticamente, mantendo essa história dentro da agremiação, junto da família, é uma coisa maravilhosa”.

Qual é o desfile inesquecível de cada um nessa parceria de 30 anos? E por qual motivo?

Selminha: “Pra mim, 2001, Agotimé. Porque foi meu primeiro ano como mãe. Eu exerci a função que meu coração escolheu e depois do meu sonho, veio o Igor, ele tinha 4 meses. Fora que era o enredo. Era o enredo e o samba, falar da rainha Agotimé. A rainha africana, que chegou no Brasil, foi vendida por um filho, o filho ficou com inveja do outro filho, enfim… É uma história que é nossa, porque ela veio pra cá e morou lá em São Luís do Maranhão, nós fomos até a casa dela, cheguei a visitar a casa. Pra mim foi esse desfile. Inesquecível”.

Claudinho: “Guiné, 2015. Aquela história toda do ‘Canta, Guiné Equatorial. Criança levanta a cabeça, e vai embora’. Esse ano pra mim, de todos eles, foi o que eu mais vi em mim”.

Acreditam que o julgamento do quesito nos próximos anos voltará a ser mais focado na dança ou a coreografia chegou para ficar e ganhar mais protagonismo?

Selminha: “Esse encontro com os julgadores recomeçou ano passado, foi justamente visando isso. Que a dança seja muito mais livre, muito mais evidenciada como a dança do povo preto, do que a dança clássica. Os julgadores se encantam, eles querem ver e julgar a dança preta, a dança da ancestralidade, da superação, a dança do reconhecimento que deu ao povo preto dignidade. Dois dançarinos de uma cultura preta popular de resistência. É legal que essa parte do ballet, do jazz, seja implementada ao casal pra lapidar. Houve uma evolução, muita coisa mudou. Para hoje, o que estamos vivendo, ter um coaching, ter um acabamento na mão, no pescoço, na finalização, é perfeito. Não pode mexer, tirar a originalidade. A criação tem que vir do casal, e a lapidação do casal”.

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Claudinho: “Se você mexe muito, você mata a tradição daqueles que deixaram a tradição pra gente”.

Selminha: “As agremiações estão muito equiparadas hoje em dia, elas vêm brigando pra ficar entre as seis, salvo uma outra, por dificuldade financeira ou administrativa mesmo. Nas grandes maiorias ficam em condição de ganhar. Você pega um desfile e fica ‘caramba, meu Deus, tudo lindo’. Carros lindos, roupas lindas. Já foi tempo que as escolas ganhavam de muitos décimos. A Beija-Flor já ganhou de um ponto e três décimos, era muita coisa, sobrou. Hoje é muito difícil, é de um décimo, dois, três. Por conta da grandiosidade do espetáculo, as escolas estão pegando muito dinheiro, investindo mesmo no carnaval, isso é muito importante”.

O que não pode faltar em um mestre-sala perfeito?

Claudinho: “Acho que a proteção do pavilhão, e a proteção da sua dama, eu acho que isso aí é o essencial e coisas que não podem faltar. Duas coisas valiosas, uma é o pavilhão, que representa toda a escola de samba, toda uma nação; e sua porta-bandeira que é a sua dama, sua namorada, sua ‘partner’”.

Você vem falando que vem aprendendo demais com os enredos da Beija-Flor. Qual é a diferença da Selminha de antes e depois desses enredos?

Selminha: “Eu sou hoje uma mulher que me encontrei quando eu conheci ‘Empretecer o pensamento é ouvir a voz da Beija-Flor’ e que orgulho de ter me reconhecido e me encontrado mulher preta, moradora de comunidade, sambista, mãe solo… Esse orgulho que tenho hoje, por conhecer um pouco mais da minha história, da história da minha gente, eu devo ao samba, porque as escolas de samba sempre foram protagonistas da voz da nossa gente, que encontrou neste espaço pra contar, pra reivindicar, e para se homenagear também. Quantos enredos africanizados nós tivemos em homenagem a grandes personagens da nossa história, que a sociedade não vai fazer. Talvez hoje, mas antes não. Ocupar esse espaço da Selminha… dentro de mim, da Selminha que foi moradora da comunidade quando criança, dessa mulher que lutou, conseguiu estudar e se formar em direito, dessa mulher que hoje é primeiro-sargento do corpo de bombeiros. Eu tenho um trabalho com as crianças, que quer ser mais… Hoje apresentadora de programa de televisão, em tv aberta, e cheio de coisas acontecendo aí, que depois eu conto… Imagina que orgulho da minha mãe, que lá do plano espiritual sente de mim, que orgulho do meu filho deve sentir de mim, que orgulho de ver a mestra Ione Carmo, ouvindo um pouquinho da nossa história deve se sentir. Porque se eu soubesse o quão bom era estudar, o quão bom era saber, eu tinha estudado mais. Olha que eu aproveitei bastante as minhas oportunidades, mas poderia ter aproveitado muito mais, porque o saber não ocupa
espaço. Quanto mais conhecimento você tem, você pode ajudar a transformar uma história. E o que eu tenho aprendido, eu tenho compartilhado com os alunos do Instituto Beija-Flor modalidade carnaval, porque são várias modalidades neste instituto. Sou uma mulher que estou me encontrando quanto brasileira no enredo ‘Brava gente, o grito dos excluídos do bicentenário da Independência’ quanto brasileira, eu me encontrei. Descobri que as mulheres pretas não tinham protagonismo, elas eram invisibilizadas, que as lutas travadas pelo povo preto, pelos indígenas, para que tivessem realmente liberdade, a história não conta. Houve um apagamento dessa história”.

Passa na cabeça de vocês que um dia vai chegar o momento de parar? E quando acontecer como vocês querem que seja esse momento?

Selminha: “A gente nem se prepara para isso. A gente tem tanto gás, tanto amor, tanta credibilidade para estar onde estamos, que a gente nem pensa nisso. A escola ama a gente, acredita na gente. A cada ensaio, a gente percebe que dá pra continuar. E esse desejo de que dá pra continuar é tão forte que parece que os deuses do samba falam assim:’Deixa os caras, que foram eles que nós escolhemos para mostrar que não tem tempo, que não tem hora’. Que esse paradigma que umas pessoas constroem a vida dos outros tem que ser quebrado, imagina quantas pessoas podem fazer tantas coisas, aí vem o outro e fala ‘ah, mas você não acha isso?’ Eu pratico crossfit, futevôlei. A gente tem uma pegada tão boa de energia, de força física, e fazendo história. Serve para esses jovens que estão começando, porque Claudinho e Selminha fizeram, ‘a gente pode também’. Isso não é lindo? Ouvir o Neguinho cantar, com setenta e poucos anos. O samba tem que entender que o samba tem que reverenciar as pessoas e fazer história, porque elas servem como inspiração. Se eu estivesse começando falaria assim: ‘Cara, eu estou na era, dançando no mesmo patamar, no mesmo espaço que Claudinho e Selminha, eles têm 30 anos juntos, eu não era nem nascido’ Eu ia me orgulhar muito”.

Claudinho: “Eu te dou uma referência no samba, ‘Deixa Nilópolis cantar’.

Qual é a declaração que a Selminha fala olhando para o Claudinho? E qual é a declaração que o Claudinho fala para Selminha?

Selminha: “Eu agradeço por você existir na minha vida. Nós agradecemos muito o tempo todo. Porque ninguém solta a mão de ninguém, estamos juntos”.

Claudinho: “Agradeço também. É um casamento, na alegria, na tristeza, na saúde e na doença. Tem seus percalços? tem. Mas é importante. A gente foi amadurecendo e continuamos amadurecendo juntos”.

Beija-Flor realiza leião e jantar beneficente em prol dos seus projetos sociais

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A Beija-Flor realizou na noite desta terça-feira um evento solidário no Belmond Copacabana Palace, o primeiro leilão e jantar beneficentes do Instituto Beija-Flor, o braço social da escola de samba, que ajuda centenas de crianças, jovens e adultos de Nilópolis e da Baixada Fluminense dia a dia. Os atores Giovana Lancellotti e o Anderson Muller foram os apresentando.

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Todo o lucro do evento será revertido aos projetos do instituto. Eles incluem doações de alimentos, brinquedos e itens de higiene pessoal, entre outros, aos moradores de comunidades conectadas à agremiação; oferta de aulas e workshops de samba no pé, bailado de mestre-sala e porta-bandeira e percussão, entre outras modalidades e iniciativas semelhantes, amplamente divulgadas em nossos canais de comunicação oficiais.

Na lista de itens a serem arrematados, estavam incluídas camisas dos craques Neymar Jr. e Gabigol; uma chuteira autografada por Vini Jr.; uma prancha de surfe de Gabriel Medina e um figurino da cantora Anitta. Tinha também itens como o pavilhão da Beija-Flor e ingressos para o “Nosso Camarote”. E ainda fantasia para o desfile da azul e branca deste ano e camisas para sair no desfile das campeãs.

Arquibancadas para os desfiles do Grupo Especial: procura cresce e já tem setores se esgotando

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Mais de 70% dos ingressos de Arquibancadas Especiais dos desfiles das Escolas de Samba do Grupo Especial no Domingo, 19 de fevereiro, já foram vendidos. O Setor 6 já está esgotado e restam pouquíssimas entradas dos Setores 3 e 7. A procura é muito grande também para os desfiles de Segunda-Feira, 20: quase 60% dos ingressos já foram vendidos. Há pouco mais de um mês do Rio Carnaval 2023, a procura de ingressos para o Sábado das Campeãs também é intensa. Pagamento pode ser feito por cartão de crédito ou pix. Não perca tempo: reserve já o seu ingresso.

DÚVIDAS/INFORMAÇÕES

TOTAL ACESSO, no menu Perguntas Frequentes, o interessado pode obter informações sobre menores de idade, meia-entrada para estudantes e idosos, e ingressos para pessoas com deficiência.

Prefeitura do Rio apresenta como será a nova Intendente Magalhães para o Carnaval 2023

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A Prefeitura do Rio, através da Riotur e da subprefeitura da Zona Norte, apresentou na manhã desta terça-feira, o novo projeto da Intendente Magalhães para o Carnaval 2023. Em um tratamento inédito para o Grupo de Acesso, o pode público criou um novo espaço para os desfiles. A criação muda o local. O desfile começará na Avenida Ernani Cardoso, na divisa com a Rua Padre Manso. A largura da pista será alterada, também o modelo de ida e volta dos carros alegóricos até o local, iluminação melhor, esquema de trânsito especial da CET-Rio. Outros novidades são o sistema de som completo ao longo da Avenida, cabine dupla de jurados e a pista pintada de branco, como é no Sambódromo da Marquês de Sapucaí.

Na abertura da apresentação do projeto, o presidente da Riotur, Ronnie Aguiar, lembrou o pedido do prefeito do Rio, Eduardo Paes, quando fez o convite para que assumisse a gestão do órgão. “Quando o prefeito me convidou para assumir a Riotur, ele me deu a tarefa de tratar o carnaval com igualdade. Dar a mesma estrutura. Em conjunto com a Superliga e todos os órgaos municipais, a gente chegou ao projeto do novo desfile da Intendente. Todo estruturado. O lugar mudou, mas a distância da pista é a mesma. Agora, todas escolas vão ter o conforto e mostrar suas apresentações com mais dignidade. Não haverá cobrança de ingressos. Além da arquibancada popular, as pessoas poderão usar suas cadeiras de praia em uma área especial, como sempre fizeram. É o carnaval da democracia. Essa é a nova Intendente. Feita com todo carinho para dar conforto para todas escolas de samba e para população”.

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Fotos: Cristiano Martins/Site CARNAVALESCO

Presidente da Superliga, Clayton Ferreira, citou o impacto que o novo projeto vai gerar nos desfiles das séries Prata e Bronze. Ele ressaltou que a novidade traz um marco para Intendente.

“O impacto é muito grande. Agora, nós temos uam estrutura que pode fazer o carnaval da Intendente crescer ainda mais. O que impedia era o espaço físico. A cada ano crescia nossa demanda para crescer e era reprimida pela estrutura. O prefeito Eduardo Paes entendeu isso e o subprefeito da Zona Norte, Didi Vaz, abraçou e culminou com a entrada do presidente Ronnie na Riotur para fecharmos o projeto. O Carnaval 2023 será um marco na história do carnaval da Intendente Magalhães”.

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Clayton Ferreira também comentou as mudanças. “A pista ficará mais larga. Será pintada, um desejo imenso das escolas de samba. O comprimento é basicamente o mesmo. Teremos cabines duplas, as escolas vão parar apenas três vezes e isso trará mais dinamismo para os desfiles. Conseguimos, finalmente, ter verba para contratar um som digno do carnaval da Intendente Magalhães. Temos escolas de bandeiras pesadas. Todas merecem respeito. Cada escola vem com média de 700 componentes na Série Prata. A mudança do som foi a mudança principal. Teremos som digno e uma iluminação muito boa”.

O novo projeto da Intendente gera mais responsabilidades para Superliga e todas escolas. O presidente Clayton Ferreira disse estar ciente e agradeceu a missão dada pela Prefeitura do Rio.

“A Prefeitura passou uma grande missão para gente. A Superliga é a grande organizadora do carnaval. Hoje, tudo passa pela gente. Grandes poderes trazem grandes responsabilidades. Sabemos o que as escolas de samba necessitam e temos que fazer os desfiles darem certo. É fazer valer isso”.

Subprefeito da Zona Norte, Didi Vaz, garantiu que os moradores da região e todas escolas de samba do Acesso vão ter mais comodidade com a nova Intendente Magalhães. “A suprefeitura faz muito esse trabalho regional. Estamos sempre em contato, explicando a dinâmica, fechamento de rua e não será difernte. Vamos melhorar o acesso da Intendente. Prejudicava escolas e moradores. É uma melhor infraestrutura para todos. O desfile terá uma infraestrutura nunca antes vista. Foi pensado para quem desfila e os moradores. É revolucionária. Pensamos fora caixa. É uma estrutura que não vai dever nada para quem está na Sapucaí. As escolas vão ganhar mais corpo. Queremos cada vez mais crescer desfiles robustos, criando mais profissionais e gerando recursos para todas escolas”.

CARNAVALESCO firma parceria com o ibis Styles São Paulo Anhembi para cobertura do Carnaval 2023

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A cobertura do Carnaval 2023 de São Paulo promete ser ainda mais especial no site CARNAVALESCO. Foi firmada uma parceria com o ibis Styles São Paulo Anhembi para os desfiles deste ano. Assim, vamos apresentar aos nossos leitores, os apaixonados por carnaval, o melhor da folia paulistana, inclusive, com o melhor serviço de hospedagem para os sambistas.

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“Para gente é super importante a parceria, justamente para aproveitar o momento de carnaval e a nossa localização. A gente tem o costume de receber essa galera que vem para o carnaval e estamos preparados. Todo ano a gente se prepara no nosso calendário com o objetivo de atender essa demanda que vem do Carnaval. A nossa localização é estratégica, estamos muito próximos do Sambódromo e sabemos do nosso potencial. Essa parceira é ótima porque nos aproxima do cliente final e do dia importante” disse Juliana Diniz, Gerente de Contas do ibis Styles São Paulo Anhembi.

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ibis Styles São Paulo Anhembi é o melhor local para se hospedar para quem for ver os desfiles em São Paulo

O ibis Styles São Paulo Anhembi possui diversos pontos espetaculares e fundamentais para quem vai assistir aos desfiles das escolas de samba de São Paulo. O principal, sem dúvida, é a proximidade com o Sambódromo paulistano e a Rodoviária do Tietê. Além da estação de metrô Portuguesa-Tietê, o que facilita a movimentação para qualquer ponto da cidade.

“Neste ano nós estamos com parceria só com o site CARNAVALESCO. A gente quis dar uma atenção especial. É um parceiro específico para conseguir atender todo mundo de uma forma legal. Estamos super felizes em ver o nosso nome no site e ver que a galera está conseguindo chegar para gente”, comentou Juliana Diniz.

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Juliana Diniz, Gerente de Contas do ibis Styles São Paulo Anhembi

Com um design criativo, baseado no tema “aviação”, o ibis Styles São Paulo Anhembi une a praticidade para o trabalho com um espaço receptivo para família por uma ótima relação custo-benefício. Os quartos são super confortáveis e adaptados para pessoas com mobilidade reduzida, com wi-fi grátis e ar condicionado. O restaurante 14 bis serve café da manhã com 40 opções de refeição, e o bar está disponível por 24 horas. Deixe as crianças se divertirem no Espaço Kids. Cães também são bem-vindos. O restaurante 14 bis também serve café da manhã, almoço de jantar para o público que não está hospedado (valores a consultar).

“É um orgulho muito grande fecharmos essa parceria com o ibis Styles São Paulo Anhembi. Indicamos aos nossos leitores o melhor local de hospedagem para quem vai assistir aos desfiles no Anhembi. Como a gente está preparado para fazer a melhor cobertura jornalística dos desfiles, o hotel está totalmente pronto para dar conforto aos sambistas que vão desfrutar do Carnaval 2023”, comemorou o jornalista Alberto João, Editor Executivo do site CARNAVALESCO.

Desafio das alas comerciais: reprodução das fantasias e como fazer o componente cantar o samba?

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Mestre Chuvisco promete levantar a Sapucaí com um show de ritmos e instrumentos vindos direto do Maranhão

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A Estácio homenageia no Carnaval 2023 as festas e ritmos do Maranhão. Assim, a escola levará para avenida instrumentos característicos desta rica diversidade da tradição nordestina. Juntando elementos do tambor de crioula, bumba meu boi, cacuriá, quadrilhas juninas e forró, a bateria “Medalha de Ouro”, do mestre Chuvisco, promete embalar os foliões passando por todas essas vertentes dentro do seu samba.

Ele destacou o trabalho de encaixar todos esses sons durante a bossa. Os instrumentos que serão usados são: a matraca, o pandeirão, caixa do divino e os tambores, mas o mestre salienta que a junção rítmica estará pronta para o dia do desfile.

“Estamos tentando adaptar tudo isso dentro do samba, está ficando muito bacana. Requer trabalho, estamos suando muito. Estou pegando no pé do pessoal no dia a dia para que possam ensaiar o máximo possível, para chegar no dia do desfile, poder executar bem e fazer um espetáculo como nossa bateria está acostumada a fazer”, disse Chuvisco.

Durante o desfile a entrada dos instrumentos promete ser um show a parte, sempre começando um a um no final a volta da bateria será comandada pelas matracas. Mestre Chuvisco não escondeu o jogo e falou como vai ser esta apresentação.

“A gente vai usar esses instrumentos todos juntos com a bateria, no momento que o samba falar de todos estes ritmos vamos começar com um, depois outro e assim sucessivamente, depois a gente sai e a volta será com a chamada das matracas feita pelos diretores de bateria. Isso tudo vai acontecer na segunda do samba, tem um momento ali em que começa a falar desses ritmos a gente vem executando isso tudo”.

Chuvisco é o mestre mais longínquo a frente da Leão do Estácio. É seu 13º desfile comandando a “Medalha de Ouro”. Mais tempo, inclusive, que o icônico mestre Ciça, que ficou na agremiação por nove anos. A expectativa está muito alta para uma grande exibição. A alegria dele e de seus comandos, traduz o vai ser está apresentação cheia de ritmos da Estácio de Sá.

“Se Deus permitir e a escola também, eu pretendo ficar muito mais que estes 13 anos. Estou esperando um desfile muito bom o melhor possível o enredo é muito alegre, divertido, colorido, leve. Acho que vai ser um desfilem muito contagiante em que o publico vai gostar bastante, vai ter quadrilha, forró vai ter tudo, preparem-se para dançar muito”.

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Foto: Allan Duffes/Site CARNAVALESCO

A Estácio de Sá será a quarta escola a desfilar no dia 17 de fevereiro, sexta-feira de carnaval, com o enredo “São João, São Luís, Maranhão! Acende a Fogueira do Meu Coração”. Com a benção dos dois santos o Leão promete vim forte para voltar ao Grupo Especial em 2024.