Iniciando a Série Barracões São Paulo, a equipe do site CARNAVALESCO visitou o barracão do Barroca Zona Sul e conheceu o projeto da escola para o carnaval de 2023. O enredo da agremiação tem como título “Guaicurus”, nome de um povo indígena que a verde e rosa irá homenagear. O carnavalesco da Barroca Zona Sul, Rodrigo Meiners, contou todo o desenvolvimento do tema e a projeção do desfile.
Fotos: Gustavo Lima/Site CARNAVALESCO
“O enredo da Barroca Zona Sul é ‘Guaicurus’, que é uma homenagem aos povos originários do Brasil. Esse povo indígena foi escolhido porque muita gente conhece a história da guerra do Paraguai, da questão da divisão territorial da região centro-oeste, mas pouca gente dá importância para esse povo. Guaicurus era um povo indígena que vivia naquela região e que foi usado como exército do Brasil na Guerra do Paraguai, justamente por conhecer, dominar e conhecer os animais daquela região, principalmente os cavalos. Pelo fato de os Guaicurus serem os índios cavaleiros, o tempo de locomoção deles na guerra, ajudou muito a vitória do Brasil. A gente traz a história desse povo que ficou esquecida nessa divisão territorial e na parte histórica e, no final, a gente faz uma comparação e associação com os tempos atuais de que se os povos indígenas ainda não resistissem na região pantaneira, o Pantanal hoje não existiria mais. Se lá atrás os Guaicurus foram fundamentais para o Pantanal pertencer ao Brasil, hoje os Cadiuéus e outros povos indígenas são importantes para o Pantanal ter diversidade de fauna, flora, biodiversidade e ainda ser um ambiente verde, de mata e de floresta”, contou.
O trabalho de pesquisa
Um dos maiores desafios de um carnavalesco é criar uma sinopse que atenda todos os requisitos para a escola e uma pesquisa satisfatória para o desenvolvimento de alegorias e fantasias. Além disso, é importante que toda a comunidade entenda o que a sua agremiação está levando para a avenida. Desde que Rodrigo chegou no carnaval paulistano, em 2019, ele só teve que trabalhar com enredos afro. De acordo com o artista, a dificuldade com uma temática diferente foi natural.
“Eu nunca havia feito um enredo indígena. Todos os meus enredos foram de matriz africana, desde a Mocidade Unida da Mooca até os que eu fiz na Barroca. Desenvolvendo pela primeira vez um enredo indígena, a dificuldade se mistura muito. O que foi real e o que foi lenda. Existem vários relatos sobre os Guaicurus e como eles surgiram, mas a gente sempre fica em dúvida do que é uma lenda, mito e do que realmente é verdade. A gente escolheu uma linha completamente histórica para contar o que aconteceu exatamente na formação territorial do Brasil e não a origem do povo em si. Aí sim é um fato registrado e não uma possível lenda. A gente segue do começo ao fim do nosso enredo, o livro do Darcy Ribeiro, que foi um dos grandes pesquisadores e historiador do Brasil que deu muita voz. Ele chegou a viver a cultura indígena, foi ao Pantanal e conversou com os povos”, disse.
Um enredo próprio
O tema é de autoria própria do artista. Será a primeira vez que o carnavalesco irá colocar em prática um enredo de sua cabeça. A diretoria acreditou no trabalho e deu carta branca para o desenvolvimento. Rodrigo contou como surgiu a ideia.
“Eu consumo carnaval 24 horas por dia nos meus tempos livres. Eu assisto desfiles de escolas de samba, treino ilustração, escrevo algumas coisas e vou guardando. Assistindo o desfile do Salgueiro de 1998 do carnavalesco Mauro Quintaes, o enredo era Pantanal. Os Guaicurus foram citados. Isso me despertou uma curiosidade. O porque os Guaicurus foram citados e não qualquer outro povo indígena. Pesquisando quem era, montei esse enredo. Quando eu monto um enredo sem direcionamento, faço de maneira muito aberta. Por exemplo, eu faço um texto, tive a ajuda do meu irmão, Thiago Meiners, que é compositor e do Marcão, diretor de carnaval da escola. Ele sempre trouxe os enredos e esse ano gentilmente ele acreditou que a minha ideia fosse a melhor e assumiu essa responsabilidade de levar o tema para a avenida. Juntamente com eles, eu comecei a fechar o enredo. Quando eu faço lá atrás sem uma escola definida e sem um projeto, é muito aberto. Quando a Barroca aceitou, as mudanças foram essas. Encaixar toda essa história sem perder os pontos de desfile do carnaval de São Paulo, que são quatro alegorias e mínimo de 1600 componentes”, afirmou.
Escola com uma proposta diferente
Antes mesmo de Rodrigo Meiners assumir o posto de carnavalesco da agremiação, a Barroca Zona Sul já havia subido com um tema afro, levando um tema de Oxóssi. Após a subida para o Grupo Especial, a verde e rosa de Jabaquara levou para o Anhembi a homenagem à Tereza de Benguela e, no carnaval de 2022, a agremiação homenageou a entidade Zé Pilintra. Agora, a escola irá virar a chave completamente, levando para a avenida um tema indígena. O carnavalesco contou sobre esse desafio da Barroca para o próximo desfile e o significado de encerrar um novo ciclo para a comunidade.
“Eu cheguei em 2020 fazendo Tereza de Benguela e 2021 e 2022 com Zé Pilintra, mas a escola já vinha com essa questão do afro antes. O mais difícil para a escola nem é sair do afro, e sim sair da questão religiosa. Se você parar para pensar, em 2022 foi uma entidade religiosa da Umbanda e querendo ou não, tem matriz africana. Tereza de Benguela é um tema afro e até mais para trás a escola tem o enredo do pescador trazendo Nossa Senhora. O enredo não é religioso. Ele é histórico, indígena e não vai entrar nessa questão religiosa e muito menos afro. Foi uma surpresa para a comunidade. Foi uma surpresa até mesmo para os amantes do carnaval. Todo mundo esperava que a Barroca viesse novamente nessa linha e a escola decidiu mudar. A gente fez um grande desfile, ficou em uma colocação respeitável, não corremos risco de cair para o Acesso, ficamos mais perto do desfile das campeãs novamente, igual em 2020. Como a escola já vinha com essa questão de enredos semelhantes, a gente decidiu mudar. Essa questão do Zé Pilintra encerrou esse ciclo, porque é uma entidade muito importante. A Barroca acredita muito. Fez parte da retomada da escola do carnaval de bairro até o Especial de novo. Fizemos isso até em forma de agradecimento para mudar completamente o que a escola vai cantar e mostrar esteticamente”, declarou.
Estética para o próximo carnaval é o ponto alto
A Barroca Zona Sul, foi uma das escolas que mais investiram em alegorias no último carnaval. Foi a agremiação com a maior escultura em um abre-alas. Nos demais carros, houve uma grande abrangência do colorido e cuidado com a estética. Segundo Meiners, a imponência promete ser maior ainda, pois o enredo pede tal investimento.
“Quando a gente traz um enredo mais histórico e tem coroa portuguesa, espanhola, Dom Pedro e tudo isso dentro de um tema indígena, o visual precisa enriquecer. A gente não pode falar disso usando palha e tecido estampado, que são coisas usadas mais em enredos afro. Precisa trazer um luxo maior nas alegorias e fazer um investimento nessas questões de peças. Não que o enredo afro seja mais barato. Depende muito do material que você vai usar. Mas esteticamente falando, um enredo histórico traz mais possibilidades de fazer um requinte mais trabalhado. A gente aposta muito nisso. É claro que nossas alegorias não são todas para esse lado histórico, mas o fato de ter quase que dois setores que contam essa parte de essa parte de países e coroas, dão um grande visual no setor da escola, tanto em alegoria quanto em fantasia. A Barroca Zona Sul vai vir vestida de uma maneira que não vem há muito tempo em termos de modelagem, forma e tamanho de costeiro. É um carnaval imponente visualmente falando. Bem mais do que foi em 2022. Em 2023 vamos levar para o Anhembi um carnaval com os mesmos tamanhos, até pela questão do reaproveitamento do chassi que vamos fazer de um carnaval para o outro, mas com um acabamento ainda mais apurado”, contou.
Conheça o desfile
Setor 1: “O primeiro setor da escola é o aparecimento dos Guaicurus na escola. É quando Aleixo Garcia, colonizador, foi fazer uma expedição em busca de explorar os índios do Canadá, americanos, região do Peru e, na volta, ele passa pelo Rio Paraguai. Quando ele tenta aportar, é atacado pelos Guaicurus. Aí que o povo começa a aparecer na história do Brasil e da América como um todo. Essa é a nossa abertura. O surgimento dos Guaicurus na América”.
Setor 2: “O nosso segundo setor é do início dessas batalhas e confrontos entre coroas e países para a determinação geográfica da América. Influência da coroa portuguesa e da família real”.
Setor 3: “O terceiro setor é são as batalhas em que os Guaicurus foram fundamentais para o Brasil vencer essas guerras e se tornar o maior país territorial da américa, com mais biodiversidade, fauna e flora. Os Guaicurus foram fundamentais para o Brasil na Guerra de São Salvador e do Paraguai.
Setor 4: “O nosso quarto setor é o Pantanal, que é a morada dos indígenas e Guaicurus. É a região em que os Guaicurus se colocaram em risco e grande parte exterminados pelo Pantanal. Grande parte do amor que o povo tem pelo Pantanal, que eles se sujeitaram a participar dessas guerras, a fazer acordo com Dom Pedro e coroa portuguesa justamente para não largarem a região nas mãos dos colonizadores e exploradores e, nos tempos de hoje, políticos.
O tradicional ensaio de rua da Unidos de Vila Isabel no Boulevard 28 de Setembro contou com mais um atrativo na noite dessa quarta-feira. A rainha de bateria, Sabrina Sato, deu um show de animação e samba no pé ao reinar à frente da bateria Swingueira de Noel, liderada pelo mestre Macaco Branco.
Foto: Diego Mendes/Divulgação Vila Isabel
Com muita simpatia, a apresentadora retribuiu o carinho do público com entrega total ao samba-enredo da agremiação. Os espectadores lotaram as calçadas e mostraram já conhecer a obra musical, assinada pelos compositores Dinny da Vila, Kleber Cassino, Mano 10, Doc Santana e Marcos, oriundos do Morro dos Macacos. A escola vai levar para a Sapucaí neste ano o enredo “Nessa festa, eu levo fé!”, do carnavalesco Paulo Barros.
Quem também arrancou muitos aplausos foi o segundo casal de mestre-sala e porta-bandeira, Jackson Senhorinho e Bárbara Dionísio, assim como passistas, membros da velha-guarda e componentes de ala, além do carro de som liderado pelo intérprete Tinga.
A Vila Isabel volta a ensaiar na próxima quarta-feira (25), com concentração a partir das 20h em frente à Basílica Nossa Senhora de Lourdes, que fica no Boulevard 28 de Setembro, 200, em Vila Isabel.
A Prefeitura do Rio de Janeiro, através da Riotur, anunciou em coletiva de imprensa, na tarde desta quinta-feira, o esquema operacional para o carnaval de rua na cidade em 2023. A promessa é de uma estutura recorde para atender os cinco milhões de foliões esperados para esse ano. Movimentando R$ 1 bilhão de reais no município. Foram autorizados mais de 456 desfiles de blocos. Além da Zona Sul, que teve uma diminuição de 15% de desfiles, haverá apresentações nas zonas Norte e Oeste e no Centro.
Foto: Augusto Werneck/Site CARNAVALESCO
“É o carnaval da democracia. Depois de dois anos sem carnaval, a motivação é enorme. Nossa preocupação é com a infraestrutura. Vamos receber mais de cinco milhões de pessoas que vão curtir o carnaval de rua do Rio. Tivemos preocupação em diminuir os blocos na Zona Sul e ampliar para zonas Norte, Oeste e o Centro. São 456 desfiles de blocos. Vamos bater recorde de estrutura, como, os banheiros químicos, aumentamos o número de postos médicos, ambulâncias e 2450 mil garis disponíveis. A CET-Rio dobrou o número de operadores de trânsito. A Prefeitura se preparou bastante para o carnaval. A operação está pronta”, explicou Ronnie Aguiar, presidente da Riotur.
O presidente da Comlurb, Flávio Lopes, prometeu uma limpeza muito rápida da cidade, após cada desfile de bloco. “Estamos bastante preparados. São 2450 garis para os blocos. A maior estrutura da história. Estamos com muitos equipamentos de limpeza. Vamos ter postos de reciclagem. Todos resíduos vão ser encaminhados para cooperativas cadastradas. Teremos containers espalhados pelos blocos. Teremos carro-pipa para lavar o espaço”.
A Polícia Militar colocará 10 torres de observação do público em locais espalhados pela cidade. O diretor de operações da Riotur, Luiz Gustavo Mostof, frisou a parceria com os diversos órgãos para o carnaval de rua.
A Dream Factory iniciou a proteção de monumentos e canteiros de vegetação instalados em praças e locais que estejam no trajeto dos blocos autorizados pela Prefeitura. O cronograma estabelecido em conjunto com a Riotur, assim como a definição de quais áreas devem ser protegidas. Ao todo, serão utilizados 20 mil metros lineares e a expectativa é que até o dia 7 de fevereiro todos os pontos determinados estejam prontos.
Entre os canteiros protegidos estão os das orlas da Barra, Recreio, Ipanema e Leblon. Além disso, outros pontos de maior concentração de público, como a Av. Presidente Antônio Carlos, no Centro da Cidade; a Praça Santos Dumont, no Jardim Botânico, e o Aterro do Flamengo, também receberão proteções. Já entre os monumentos, 26 terão cercamento, dentre eles, o monumento de Tiradentes, Obelisco, Paço Imperial, Palácio Tiradentes, Chafariz Marechal Âncora, Centro Cultural da Justiça Eleitoral, Chafariz da Praça São Salvador, Monumento a Noel Rosa, Praça Barão de Drummond, entre outros.
Números operacionais do carnaval de rua para 2023
Operadores de trânsito: 3250
Oito hospitais: O objetivo é desafogar os hospitais públicos. A empresa vencedora do caderno de encargos é responsável pela montagem e a gestão de pessoal fica a cargo da Secretaria Municipal de Saúde.
220 ambulâncias para reforçar a estrutura
Comlurb: Mil contentores de 240 litros
Banheiros químicos: 34 mil posições – 10% de cabines PCDs, seguindo a legislação
Ambulantes: 10 mil ambulantes sorteados, a maioria mulheres. Sendo: 56,5% mulheres e 44,5¨% homens.
Segurança Pública: 10 torres de observação – Período de 30 dias. Localização fixa; Cercamento para controle de acesso – Fornecimento de grades suficientes para operação de controle de acesso do público no circuito de megablocos, região do centro da cidade, Avenida Presidente Antonio Carlos.
APOIO SEOP
02 caminhões baú – período 18/02 a 06/03
216 frascos de protetor solar
276 garrafas de água 500ml, por dia de operação
6 alicates tesoura corta vergalhão
6 sacos de gelo por dia
10 caixas térmicas
500 adesivos publicidade irregular – tamanho 30cm x 50cm
500 adesivos publicidade irregular – tamanho 50cm x 100cm
SINALIZAÇÃO DE TRÂNSITO
24.000 garrafas de água de 510ml
500 sacos de gelo
20 tendas
20 garrafões térmicos
02 caminhões baú – apresentar o cronograma de diárias
Dono de uma das mais potentes e conhecidas vozes do carnaval carioca, Wander Pires estreia no Paraíso do Tuiuti para o carnaval de 2023. No ensaio técnico do último domingo, comandou o carro de som da escola na Marquês de Sapucaí com um dos sambas mais bem avaliados e uma das melhores gravações deste ano.
Fotos de Allan Duffes/Site CARNAVALESCO
Participando do “Entrevistão”, do site CARNAVALESCO, sobre as expectativas para o próximo carnaval, Wander Pires revela suas referências, expõe o que acha das críticas e revela suas expectativas para o próximo desfile.
Aquele menino que começou na Mocidade pensava que poderia chegar no topo e ter o nome na história dos maiores cantores?
Wander Pires: “Eu sempre sonhei, sempre pedi a Deus, mas não imaginava que iria acontecer as coisas maravilhosas que aconteceram em minha vida”.
Quais cantores são suas referências?
Wander Pires: “Sempre ouvi muito Neguinho da Beija-Flor, me inspira na garra, na elegância e na beleza negra; Dominguinhos no canto lírico e mais um que tenho que citar, claro, é o Rixxa”.
Wandinho, seu filho, será intérprete um dia?
Wander Pires: “Ele está naquela fase que quer tudo. Hoje também joga futebol, mas o que ele é mais apaixonado é o samba, é a música. Ele está na escola mirim da Grande Rio e torço para que seja, porque ele tem todo o conforto para ser, estou sofrendo e tomando as pancadas por ele. Mas se seguir pelo futebol também vou apoiar”.
Como cantor qual é seu desfile inesquecível e por qual motivo?
Wander Pires: “Primeiro é ‘Criador e Criatura’. Mas não posso falar só um, tem Villa Lobos, Mandela, samba meu e do André, e o desfile do Peru na Vila Maria, que só não foi campeã porque foi penalizado em alegorias e adereços”.
Fica chateado quando falam que você estava rouco na Mocidade em 2022?
Wander Pires: “Eu canto há 29 anos e falaram pouco do meu desempenho, da minha voz, das minhas passagens maravilhosas pela avenida. Há mais ou menos seis anos eu venho sendo criticado. Fomos criticados mesmo ganhando com Marrocos, depois falando da Índia com um samba dificílimo de cantar, fui criticado, Tempo e Elza. Agora em 2022 de novo. Não dou ouvidos, porque quem fala não canta como eu e só quem pode tirar meu dom é quem deu que foi Deus. Não sou melhor que nunguém, mas sou estudado. Café da manhã, almoço, café da tarde e janta é sempre com música. Sem contar os cantores que são meus afilhados e sou referência para esses grandes nomes, até em Belém, no Rio. Meu Deus, até criança”.
Sua chegada no Tuiuti foi uma das maiores contratações do ano. Sentiu esse carinho todo da escola?
Wander Pires: “Acho que em 2023 o Tuiuti, pelo enredo, pelo que estou vendo no barracão, a Rosa e o João Vitor juntos com o presidente estão fazendo um trabalho maravilhoso e a Tuiuti vai surpreender mais que em 2018 e vai envolver, emocionar. A comunidade inteira está sendo contemplada com um lindo desfile que está sendo preparado. Me sinto tratado da melhor maneira possível”.
Como foi essa chegada no Tuiuti?
Wander Pires: “Prometi ao presidente que viria para a Tuiuti desde 2016, já estamos conversando há um tempo e precisava vir pra cá”.
O que representa quando você ouve que fez a melhor gravação dos sambas do Especial de 2022?
“É fruto de muito trabalho. Só tenho a agradecer o carinho de todos vocês que são referência no mundo do samba por me indicarem tão bem assim”.
Completando 15 anos de carnaval, Letícia Guimarães será coroada nesta sexta-feira, como rainha de bateria dos Acadêmicos de Santa Cruz, escola da Zona Oeste do Rio de Janeiro que integra a Série Prata do crnaval carioca. Apesar da experiência na folia, a personal trainer e estudante de biomedicina que foi rainha do carnaval em 2014, revela que está ansiosa pois vai desfilar pela primeira vez representando aquele que é considerado o verdadeiro carnaval do povão, na Intendente de Magalhães.
Foto: Leo Cordeiro/Divulgação
“Nunca tive a oportunidade de estar na Intendente e quis o destino que este ano e que completo 15 Carnavais, o convite tenha acontecido pela Santa Cruz, uma escola pela qual eu sempre tive simpatia. Foi algo tão inusitado que, quando fui consultada sobre estar no desfile, fiquei sem reação tamanha a minha surpresa”, diz a futura majestade da bateria Tabajara do Samba, comandada por Mestre Riquinho.
Para receber a nova rainha de bateria, a verde e branca que falará sobre a Amazônia em 2023, realizará uma feijoada com início às 13h. A presença de personalidades da folia como a Corte do Carnaval, Jaqueline Maia, ex-rainha de bateria da Santa Cruz e da Estácio de Sá e Malu Torres, atual rainha de bateria da Inocentes de Belford Roxo, está confirmada
“Vai ser uma oportunidade para encontrar pessoas que sempre estiveram ao meu lado ao longo destes 15 anos de Carnaval, amigos e gente que eu admiro muito. Estou feliz demais por todo esse carinho que venho recebendo de todos da escola”, diz Letícia que este ano terá jornada tripla, desfilando também no Grupo Especial como musa da Mocidade Independente de Padre Miguel e na Série Ouro como rainha da escola Inocentes de Belford Roxo.
Na noite da última quarta-feira, no Auditório Celso Furtado, Distrito do Anhembi, aconteceu o concurso da Corte do Carnaval de São Paulo de 2023. Foram seis concorrentes para Rainha do Carnaval e Princesas, e sete disputando para Rei Momo. A corte foi montada com Rhawane Izidoro (Imperador do Ipiranga), tornou-se a Rainha, Madu Fraga (Vai-Vai) como Segunda Princesa, Nathany Piemonte (Rosas de Ouro) de Primeira Princesa. Por fim, o Rei Momo ficou com Robério Theodoro, representando Mocidade Alegre e Pérola Negra.
Fotos: Fábio Martins/Site CARNAVALESCO
A disputa foi muito acirrada principalmente para rainha, segundo os apresentadores Guto Melo e Patricia Liberato, a diferença para a vencedora da segunda colocada foi de um ponto e do terceiro lugar, de dois pontos. Ou seja, no detalhe. Além das três vencedoras, Paula Moraes (Dom Bosco), Domenica Anastácio (Águia de Ouro) e Aretha Raíssa (Camisa Verde e Branco) disputaram.
A disputa foi separada por traje de piscina, depois traje de gala, além do discurso e o momento de samba no pé com a Bateria Pegada da Coruja, da Terceiro Milênio, que representou no evento. Foram diversas personalidades do carnaval e da mídia entre os jurados. Todos os participantes foram coreografados por Ismael Toledo.
A Segunda Princesa: Madu Fraga
Conhecida como Madu Fraga, mas com nome de Maria Eduarda, a modelo representou o Vai-Vai e chamou muita atenção com seu samba no pé, carisma no sorriso, e a intensidade da torcida. A comunidade do Bixiga foi em peso apoiar a candidata, com faixa, canto, foi bonito, e a representante da Saracura que teve um look trabalhado no fogo, comentou para o site CARNAVALESCO sobre essa força.
“Tenho uma torcida imensa, o Vai-Vai é uma torcida imensa, e sei que a comunidade estava comigo. Subimos a #MaduNaCorte, e eu consegui entrar, é muito gratificante representar cada menina da comunidade. É um sonho realizado, estou aqui, quero curtir muito essa corte, viver esse momento, como segunda princesa. Tenho certeza que essa corte vai estar incrível e vai representar muito bem o carnaval”.
Sem ter tido uma grande preparação, foram três semanas de foco na competição, Madu Fraga, Segunda Princesa do Carnaval de São Paulo, comentou sobre o que esperar dela na Passarela do Anhembi.
“Pode esperar muita união, amor, vou fazer tudo com muito amor, gratidão, felicidade, alegria. Que o carnaval de São Paulo é isso e me divertir, estou aqui para me divertir. Foi o que fiz aqui na noite de hoje. E fazer o que eu sei, e é isso, quero que as pessoas se sintam representadas e viva o Carnaval de 2023”.
A Primeira Princesa: Nathany Piemonte
Do luto pessoal para a glória em poucos dias, a modelo Nathany revelou que teve uma perda familiar que lhe abalou na preparação. Mas teve um dos discursos mais marcantes e a roupa também dando força a mulher agradeceu toda a torcida que esteve presente e fez barulho em seu favor no concurso.
“Sempre importante (a torcida). Na verdade, tenho que agradecer muito a todos, pois essa semana não tem sido muito fácil para mim. Perdi meu padrinho, e eu tive que buscar forças onde não imaginei que eu tinha para estar aqui. E todas as pessoas me mandaram força, carinho, mensagem de apoio. Acho que esse foi o diferencial”.
Diferente das outras candidatas, Nathany revelou que teve uma preparação longa para o concurso, queria disputar antes da pandemia, mas como não ocorreu em 2021 e 2022, o sonho foi adiado em dois anos. A preparação também foi atrapalhada, mas como já havia vencido o prêmio ‘Rainha do Samba’, queria também levar o Rainha do Carnaval, não veio, mas como Princesa disse o que esperar dela.
“Pode esperar muita alegria, samba, humildade, quero representar o carnaval de São Paulo da melhor maneira possível. Mostrar para o Brasil que não é só no Rio que se faz samba, São Paulo também”.
Rainha do Carnaval: Rhawane Izidoro
Uma das grandes favoritas por tudo que tem construído no carnaval, a promotora de eventos, Rhawane Izidoro mostrou muita personalidade, fala convicta e que mexeu com os jurados, público, ao ser perguntada sobre a sua fala que levantou o público. A nova Rainha do Carnaval paulistano contou para o site CARNAVALESCO a sua motivação.
“Usei minha história de 2022, estava com início de depressão, foi um dos motivos de raspar careca. Ia vir para o concurso com cabelo, mas me senti tão viva, nova, quando raspei. Não tem motivo de colocar uma coisa que não me pertence mais. E também achei arriscado, não sei aos olhos do jurado como eles veriam vendo todas as meninas com cabelões e uma careca. Mas deu certo, eu vim do jeito que me senti bem, passei confiança, e é isso, agora sou rainha do carnaval de São Paulo”.
A torcida da Rhawane, da Imperador do Ipiranga, era barulhenta, mas não era maioria, apesar de duas faixas chamarem atenção. Entretanto era visível ver que no final, as torcidas estavam unidas em prol da candidata.
“Humildade é tudo. É sobre sorrir, falar, ter carisma. Quando fazemos o que a gente gosta, sorrimos. E quem recebe esse sorriso de uma forma boa, automaticamente você contagia todo mundo. No meu anterior concurso, vim com uma torcida com 10 pessoas e no final estava o auditório todo gritando meu nome. É sorrir, fazer o que gosta”.
Inscrita somente no dia 25 de novembro, revelou que foram 15 dias corridos, intensos, mas que as coisas aconteceram no momento certo. Pois para seu reinado, a nova rainha também falou sobre o que esperar dela.
“Muito samba no pé, muita bolha, vou sambar daquele Anhembi de ponta a ponto. Com cabelo, sem cabelo, com coroa, sem coroa. Vou curtir esse carnaval como o melhor da minha vida”.
Rei Momo: Robério Theodoro
Representando duas escolas, o coreógrafo Robério Theodoro tinha uma enorme torcida, em geral da sua escola de coração, a Mocidade Alegre. Inclusive presença da Solange, presidente da sua agremiação. Com uma torcida bem barulhenta, e um discurso comovente, junto com sua roupa que homenageou todas as escolas, gerando o apoio de todos os presentes, e explicou o motivo.
“Todas as escolas merecem essa homenagem. A disputa é da linha amarela para dentro da pista, fora a gente tem que se unir, somos amigos. Nada mais justo do que prestar essa linda homenagem a todas as escolas de samba”.
Assim como Nathany, Robério revelou que estava trabalhando para voltar a ser Rei Momo, que conquistou da outra vez em 2009 e foi da Corte junto com Camila Silva, do Vai-Vai. Portanto teve uma preparação de quase dois anos, esperando o novo concurso.
“Minha primeira experiência foi em 2009, fui Rei Momo juntamente com a Camila Silva do Vai-Vai e depois de treze anos, eu voltei a pisar neste palco, e deu tudo certo. Me entreguei de corpo e alma, mostrei o quanto o carnaval é importante em cima desse palco. Mostrei minha felicidade, paixão, amor, enfim, estou muito feliz. E pode esperar muita alegria, felicidade, muito samba no pé”.
Foi a primeira vez que o Rei Momo teve mais concorrentes que o de Rainha. Disputaram com Robério Theodoro, o Babu (Nenê de Vila Matilde), David Silva (Mocidade Unida da Mooca), Robson Sambista (Primeira Líder), Fabiano Boaventura (Peruche), Kadu Nunes (Camisa Verde) e Rei Sorriso (Terceiro Milênio).
A corte do carnaval está formada
Quem passou o bastão da Corte foram Rei Momo Ricardo Lima e a Rainha Mariana Pedro, ambos representantes da Independente Tricolor, a Primeira Princesa Mariana Vasconcellos, do Vai-Vai, e a Segunda Princesa, Daniela Orcisse, que representou a Mocidade Unida da Mooca.
Com isso, a Corte do Carnaval de 2023 foi formada com quatro representantes: Robério Theodoro (Rei Momo), Madu Fraga (2ª Princesa), Nathany Piemonte (1ª Princesa) e Rhawane Izidoro (Rainha), estarão nos ensaios técnicos a partir de agora, e claro, nos dias dos desfiles.
O Corpo de Bombeiros do Rio de Janeiro interditou na quarta-feira o Terreirão do Samba Nelson Sargento, voltado para a preservação do Samba e que recebe diversos eventos de cultura popular. O espaço cultural fica na Praça Onze, a poucos metros da Passarela do Samba, na Marquês de Sapucaí.
De acordo com a corporação, o local apresenta irregularidades relacionadas à segurança contra incêndio e pânico e não cumpriu as exigências de um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC), firmado em 31 de dezembro de 2022, com os Bombeiros.
O comandante-geral da corporação, coronel Leandro Monteiro disse que está à disposição para auxiliar no que for necessário para a regularização do espaço, “a fim de garantir a segurança do público, preservar vidas e bens”.
O Terreirão do Samba é administrado pela Empresa de Turismo do Município do Rio de Janeiro – Riotur. Procurada pela Agência Brasil, a empresa informou que não recebeu de forma oficial nenhum documento com parecer sobre a interdição.
A Liga-RJ, que reúne 15 escolas de samba da Série Ouro, considerou um sucesso o número de reservas das frisas do Sambódromo para os desfiles nos dias 17 e 18 de fevereiro, diante da quantidade de procura pelos ingressos. A estimativa inicial da entidade é que as reservas tenham alcançado 85%, mas como ainda não foi feito o balanço total, o percentual pode ser superado.
O presidente da Liga RJ, Wallace Palhares, disse que o resultado das reservas vai ser conhecido na próxima terça-feira e publicado nos sites da Liga Independente das Escolas de Samba (Liesa) e da Liga-RJ.
“A procura foi muito boa. No ano passado a gente não teve essa procura devido ao carnaval ter sido em uma data fora do período de fevereiro, mas este ano voltamos à procura que tivemos em 2020. O panorama que eu tenho é muito bom. Lógico que depois do balanço fechado a gente vai ter a certeza, mas o que tem até agora foi muito satisfatório”, disse em entrevista à Agência Brasil.
Ele disse que não acredita em sobras na abertura de hoje para serem colocadas à disposição do público em uma outra rodada de reservas. “Acho que não vai ter dessa vez e vai esgotar tudo, provavelmente não vai sobrar”.
Para a fila A, que fica junto à pista dos desfiles, o ingresso custa R$ 1,4 mil. Já para as filas B, C e D, o preço é R$ 900. As frisas são boxes descobertos com seis lugares cada.
Pagamento
Quem conseguiu comprar os ingressos terá que fazer o pagamento nos dias 30 e 31 de janeiro. Caso isso não ocorra, vai perder o direito à reserva e os ingressos voltarão ao balcão de vendas. O pagamento deverá ser efetuado exclusivamente na Central de Vendas da Liesa, na Rua da Alfândega, 25, lojas B e C, no Centro, das 10h às 16h.
Arquibancadas
Segundo Palhares, as arquibancadas e cadeiras numeradas só estarão disponíveis à venda faltando de 15 a 20 dias para o carnaval, “mas por meio de ligações telefônicas e mensagens para a Liga-RJ, já se pode notar que há uma demanda grande pelos ingressos para esses setores do Sambódromo”.
“Nossos e-mails estão lotados, nossos telefones não param, todo mundo já procurando arquibancada”, disse.
Para o presidente da Liesa, o interesse crescente do público pelos desfiles da Série Ouro é resultado da melhor qualidade das apresentações das escolas. Ele reconhece que a antecipação na liberação das subvenções às agremiações pela Prefeitura do Rio de Janeiro também tem contribuído para a qualidade dos desfiles.
“O quanto antes sair [a subvenção] é melhor porque a gente vai atrás de preço menores. A gente tem mais opções de produtos no mercado. Quanto mais em cima [do carnaval], o mercado fica mais escasso. Cada vez que sair mais antecipado fica melhor para as escolas”, disse.
A média estimada de público nos desfiles da Série Ouro grupo é de 120 mil pessoas, entre espectadores das arquibancadas e camarotes, desfilantes, profissionais do carnaval e de diversas áreas.
A escola de samba campeã no grupo poderá ascender ao Grupo Especial em 2024 e desfilar entre as agremiações consideradas a elite do carnaval carioca.
Na noite do dia 18 de fevereiro, os Acadêmicos do Tucuruvi entrarão na Avenida para a apresentação do enredo “Da Silva, Bezerra. A Voz do Povo!”. A homenagem ao sambista conhecido como A Voz do Morro será conduzida com o samba cantado pelo intérprete Carlos Junior, que fará sua estreia na agremiação da Zona Norte. Considerado um dos mais importantes cantores do Carnaval de São Paulo na atualidade, o anúncio de Carlos Junior pela Tucuruvi, em junho de 2022, causou grande repercussão. A conversa do cantor com a equipe do site CARNAVALESCO, durante as gravações do programa Seleção do Samba, da Rede Globo, mostrou um lado muitas vezes ignorado pelas pessoas. O lado do homem por trás do artista, que é tão humano quanto cada um de nós.
Fotos de Magaiver Fernandes/Site CARNAVALESCO
Relação com o bairro
Carlos Eduardo dos Santos tem 46 anos e sempre morou no bairro do Tucuruvi. O amor pelo samba é de família, que desfilavam pelo Zaca nos tempos da Avenida Tiradentes.
“Eu sempre morei aqui minha vida inteira. Eu nasci nesse bairro. Eu tenho minhas primas, grande parte da minha família, que era do samba, isso quando eu tinha cinco, seis anos, eles desfilavam na época que o Tio Horácio era o presidente, não era nem o Seu Jamil, lá pelos Anos 80. Eles falavam muito da Tucuruvi”.
Coração do Trevo, sambista forjado pelo Gafanhoto
Carlos Junior tem como escola do coração o Camisa Verde e Branco, algo que ele não esconde de ninguém. Mas em sua opinião, a escola de samba que é a principal responsável pela sua formação geral como um sambista foi a Tucuruvi.
“A primeira escola de samba de Grupo Especial que eu conheci foi o Tucuruvi. Depois dela eu conheci a X-9, que era aqui perto, e aí eu fui pro Camisa, que era o meu amor mesmo. Tinha uma vontade enorme de desfilar no Camisa, mas para eu chegar lá eu tive que me preparar aqui, porque os meus amigos estavam aqui e eles sabiam tocar, mas eu não. Eu tive que vir para cá fazer uma escolinha. O Seu Jamil gostou muito de me ver tocando, e a gente foi fazendo a nossa escolinha aqui na Tucuruvi. Eu não tinha noção, naquela época, que eu seria puxador e compositor. Aqui foi um berço de aprendizado. Quando eu comecei a cantar foi no Camisa que abriu as portas, mas o aprendizado como sambista, não como cantor, como ritmista, ou até como passista, foi na Tucuruvi. Eu tinha um grupo de pagode, o Samba Jovem, que era aqui nessa rua, na Mazzei (onde fica a quadra da Tucuruvi), então a gente tocava de sábado aqui dentro, fazia uns pagodes. Eu convivi muito aqui”.
Estreia no Anhembi foi pela Tucuruvi
Durante seu aprendizado como ritmista, Carlos Junior entrou para a bateria de uma pequena escola que havia na região chamada Paraíso do Samba. Graças a essa experiência, o sambista pôde fazer sua estreia no principal palco do carnaval paulistano.
“A gente foi pra essa escola, a Paraíso do Samba, e descobrimos que ela também fazia parte daqui. Então começamos a sair aqui, eu saí dois anos. Na inauguração do Anhembi eu desfilei pelo Tucuruvi. Meu sonho era ser ritmista”.
A revelação do intérprete
O grupo de amigos com o qual Carlos Junior tocava seguem juntos até hoje por outros caminhos. Foi em 1997, após compor e cantar a pedido deles um samba concorrente para X-9 Paulistana, que o caminho em direção ao sucesso como intérprete começou, um ano depois, pela sua escola do coração.
“Os caras vieram e falaram “Pow, Carlão, você que faz uns sambas lá pro Paraíso, não dá pra você fazer um samba lá no X-9 pra gente concorrer?”, aí eu fui lá e falei “Faço!”. Eu fui, fiz o samba, entreguei pra eles, e eles falaram que não tinha ninguém pra cantar. Então eu falei “Vou lá e canto”. Quando eu fui cantar, tinha uma galera do Camisa lá e perguntaram “Pow, você é Camisa ou X-9?”, daí eu falei “Eu sou Camisa”. “Então ano que vem você vai fazer samba no Camisa”. Aí em 1999 eu fiz samba pro Camisa e ganhei pro Carnaval de 2000”.
A depressão quase encerrou sua carreira
Para quem acompanha a brilhante carreira de Carlos Junior é difícil imaginar que o intérprete poderia simplesmente, de um dia para o outro, pendurar o microfone. Mas isso quase aconteceu após os desfiles de 2022, e um dos principais motivos foi a depressão, doença com a qual passou a lutar nos últimos anos.
“Quando eu saí do Império eu não tinha proposta nenhuma. A gente não pode ter vergonha de falar certas coisas. Eu tava numa depressão profunda, e diante dessa depressão eu não tinha mais condição de trabalhar no Império dentro da proposta que eles têm. O Império é uma escola muito competitiva, muito exigente, e eu não estava mais me sentindo, por conta da depressão, em condição de acompanhar o grupo”.
Alguns dos fatores que, na visão do cantor, contribuíram para o agravamento da depressão, foram a pandemia da Covid-19 e a inviabilização de sua estreia na Sapucaí pela Paraíso do Tuiuti, em função do pareamento das datas do Grupo Especial do Rio de Janeiro com os desfiles em São Paulo.
“Eu te confesso que um dos gatilhos da minha depressão foi esse. Eu fiquei muito triste porque eu trabalhei muito, me empenhei muito para fazer aquele trabalho na Tuiuti. Porque ele começou na verdade em 2020. A pandemia chegou em fevereiro de 2020, logo depois que a gente desfilou. Eles me contrataram em março de 2020, aí cancelou-se o Carnaval diversas vezes, e aquilo foi me deprimindo, me deprimindo, afinal é o sonho de todo cantor desfilar na Sapucaí. Por mais que não dê certo, se você estreou já era. Fazia as viagens, viajei toda semana para o Rio de Janeiro. Não foi fácil viajar pra lá, deixar a família aqui, pegar estrada toda semana, para no final eu não desfilar. Eu fiquei muito mal”.
Em meio a carreira artística, Carlos Junior se dedicou também aos estudos em uma área diferente. No final de 2022, o cantor se formou em Psicologia pela Universidade de Guarulhos. Acontecimentos que antecederam o carnaval do ano passado fizeram com que Carlão repensasse sua carreira como intérprete de escola de samba.
“Eu nunca imaginei que eu seria puxador do Tucuruvi porque na pandemia me veio essa ideia. Eu já estava há alguns anos querendo parar de cantar, já tinha essa vontade. Aí veio a pandemia e eu falei: “Acho que pra mim já deu esse lance de competição, de cuidado com a voz, de disciplina e tal”. Antes do convite que recebi da Tuiuti, eu nunca tive o desejo enorme de desfilar como cantor de alguma escola no Rio. Não é marra não, é até um certo respeito. Eu acho que os cantores do Rio são fenomenais. Mas depois que não deu certo eu pensei que era o Homem lá de cima dizendo que não era para eu ir porque muita coisa aconteceu. Além de eu não desfilar eu quebrei a perna, e vários acidentes aconteceram quando eu fui pra lá. Eu tenho muito essa coisa da fé. Quando Deus não quer, não pode brigar. Sou muito grato a eles pela oportunidade, que infelizmente não deu certo. Mas eu acho que eu fico muito feliz aqui, mais tranquilo, porque meu filho é muito pequeno, tem cinco anos, então eu quero estar aqui perto com a minha família. Eu quero um ambiente muito familiar. Não quero aquilo de muita pressão, mas eu não deixei de ser competitivo”.
A saída do Tigre
Carlos Junior temeu que as consequências de seu quadro depressivo pudessem comprometer o Império de Casa Verde. Como uma das lideranças mais notáveis dentro da escola, as falas do intérprete tinham grande peso para a instituição, e a dificuldade em controlá-las fez com que tomasse uma decisão após um desabafo nas redes sociais.
“Eu cheguei no presidente do Império e falei: “Eu estou muito doente. Eu estou falando coisas”. Eu esqueci que eu tinha que respeitar uma hierarquia, mas eu estava tão deprimido, porque eu tava querendo fazer o desfile lá Tuiuti que desabafei e isso me trouxe problemas. Então eu fui para ele e falei: “Essa é a primeira de muitas. Se eu continuar, vai ficar pior e vai chegar uma hora que você vai me demitir, então eu prefiro ir embora”. Eu sempre estive em escolas que tinham uma cultura de cuidado. Cuidado com o que você vai falar, cuidado com o que você vai fazer. Você conhece, Vai-Vai, Camisa Verde é uma cobrança, então eu sempre tive isso. Só que depois da pandemia eu me perdi. Eu já não tava mais tendo filtro, já não tava tendo mais cuidado. Eu achei que ia atrapalhar o Império. Só que eu só dei conta disso muito tempo depois. Aí as pessoas vão me falando que me apoiariam, outras vinham e falavam: ‘Carlão, cuidado. Você tá bem?’, e falei: ‘Acho que não. Não dá pra falar pra todo mundo como eu estou. Eu não estou bem. Me desculpe, eu não consigo mais fazer o trabalho'”.
O convite de um velho amigo
Uma vez fora do Império, Carlos Junior passou a refletir sobre os próximos passos da carreira. O quadro depressivo no qual se encontrava fez o intérprete estabelecer critérios importantes para qualquer convite que viesse de outras escolas. Foi quando Rodrigo Delduque, diretor de carnaval da Tucuruvi e um amigo de longa data da sua família, decidiu fazer a proposta.
“Quando eu saí (do Império), na minha cabeça eu falei: ‘Quem me convidar eu vou falar a verdade, que está convidando uma pessoa que não está bem, mas que estou trabalhando na minha recuperação. Eu preciso de alguém que tenha paciência com o que eu estou vivendo’. Eu precisava de uma escola que me pegasse e cuidasse de mim. E aí o Rodrigo, que é meu amigo de 15, 16 anos, falou comigo:’Qual a possibilidade de você ir pro Tucuruvi?’. Eu falei que seria legal, porque agora a vida da gente muda, eu tive filho recentemente. Aí ele falou que aqui termina cedo, e eu tava precisando disso, uma escola que comece cedo, que termine cedo, que eu tenha uma liberdade de poder fazer meus shows, porque você termina dez horas e vai fazer um showzinho fora. A proposta dele foi muito boa. Ele falou: ‘Quero que você me ajude com sua experiência. Você passou por Camisa, por Vai-Vai e Império, então você tem muito a ajudar’. Daí eu vim pra esse projeto aqui”.
O acolhimento oferecido por Delduque, a família e a proximidade de suas raízes foram fundamentais para a decisão de Carlão.
“Daí o Rodrigo virou e falou ‘O que você precisa?’. Eu preciso de um amigo que compreenda se eu falar alguma coisa a mais, se eu perder a paciência com alguma coisa, porque eu fiquei muito mal. Eu tava impaciente, tava reclamão, tava sem filtro, sem limite. Daí ele aceitou e falou: ‘Mano, aqui é uma escola de família. Se você tiver algum problema, pode falar comigo'”.
A recepção da comunidade do Zaca
O primeiro contato com a comunidade da Tucuruvi surpreendeu Carlos Junior, que o recebeu com pompas de uma grande estrela. Acostumado com a discrição de ser mais um entre grandes nomes em outras escolas, o intérprete passou a entender melhor a importância que tem para o Carnaval.
“Foi uma coisa fora do comum. Eu nunca quis ser tratado como um artista. Eu sempre me coloquei numa situação de cantor de samba-enredo. Eu acho que cantor de samba-enredo é operário. O cara fica duas horas lá que nem um doido, usando o cérebro, usando a garganta, usando o corpo inteiro. Não é um artista, porque você aparece em fevereiro e depois você some. Você não tem mídia, televisão. O que a gente tem é vocês do CARNAVALESCO, três ou quatro sites que ralam muito para ter uma abertura, seja no Rio ou aqui. Eu sei como é que é, o que a gente tem. Aqui eles me trataram como um artista, cara. Eu fiquei muito emocionado. Não querendo desfazer com as outras escolas, mas quando eu entrei no meio, tinha toda uma preparação assim que eu travei, fiquei travado, nunca tinha visto aquilo. Parece que a escola ela se mostrou assim, muito feliz, como se tivesse chegado o salvador da pátria. Eu fiquei até assustado. Falei: ‘Gente, eu sou só mais um. Não vou salvar nada aqui’. Daí falaram: ‘não, não. Você não sabe o que vai ser’. Então eu espero só responder a expectativa da escola.”
Apesar de sempre ter morado próximo à quadra da Tucuruvi, a carreira como intérprete se desenvolveu em lugares distantes de onde a família de Carlão se estabeleceu. Conhecer a força do velho vizinho está fazendo a diferença na motivação do cantor.
“Isso me surpreendeu muito, porque eu tava aqui do lado e não via. Eu tava sempre indo pra lá, fui pra Bela Vista, no Centro. Fui pra Casa Verde, para o outro lado. Quando eu cheguei aqui eu falei: ‘Pow, olha isso aqui cara’. Os caras estão aí, toda hora é show. É a Tucuruvi, cara. É uma coisa grande. Se a gente se empenhar a gente chega igual a todo mundo”.
A importância de Carlos Junior para o Carnaval
Uma carreira marcada por prêmios individuais e glórias pelas escolas que passou. Tricampeão pelo Império de Casa Verde, campeão e vice pelo Vai-Vai e cantou no último grande resultado do Camisa Verde e Branco, o vice-campeonato de 2002. E mesmo quando levantou taças, foi responsável por atuações marcantes que contribuíram para fazer de Carlos Junior um dos grandes nomes da história do Carnaval de São Paulo. Mas o peso desses pavilhões impedia o intérprete de compreender sua real magnitude.
Graças ao reconhecimento da comunidade da nova casa, que tem a mesma idade que ele, o artista começou a entender a sua importância para samba paulistano. Como forma de retribuir o carinho recebido, Carlão quer ajudar a fazer os componentes de sua nova escola entenderem que sim, a Tucuruvi é uma escola grande.
“Hoje em dia a minha ficha está caindo. Quando você participa de escola grande, você é só mais um. Tucuruvi, apesar de ser uma escola tradicional no nome, ela não tem títulos, então você acaba dando uma de ‘ah, não é escola grande’, e a comunidade ela acaba se tratando como pequena. Foi uma coisa que eu senti aqui. Mas através deles eu senti o tamanho que eu construí nesses 22 anos. Mas eu quis também, logo depois, passar para eles nos ensaios que o que falta é o título, porque eles são tão grandes quanto eu, apesar de eu ser de 1976 como eles. Mas eu vejo a Tucuruvi, até pelo momento que o Carnaval vive, eu conto muito essa história. Águia de Ouro é uma grande escola, ganhou o seu primeiro título faz pouco tempo. Tatuapé é uma tradicionalíssima que ganhou seus dois primeiros títulos faz pouco tempo. A próxima pode ser nós, tudo depende do trabalho. Acho que a gente tem que aproveitar esse momento, e jamais ter o que chamam de espírito de vira-lata. Lógico que eu fiquei muito feliz que eles me acham tão grande, mas eu acho que aqui é muito maior do que eu, e é isso que eles têm que pôr na cabeça e no coração. A gente é grande também, mas a gente precisa trabalhar porque tem muita escola grande que não trabalha. Hoje você vai olhar pro Acesso e você tem quatro, cinco, seis escolas grandes que estão lá no Acesso por falta de trabalho. Se a gente não trabalhar, vai pra lá também. A gente tem que ter essa realidade. Não é que a gente é pequeno, é falta de trabalho e empenho. Se você se empenhar, se dedicar, dá o sangue, vai florescer alguma coisa, porque no nome é grande. Tucuruvi, Tatuapé, Mancha Verde, Império. Vai-Vai é muito grande, e tá no Acesso. É a Mangueira de São Paulo. Essa é a coisa que o componente do Tucuruvi precisa pôr na veia, no coração. Nós somos grandes. O que falta é a gente se preparar para ganhar o título. Depois disso o respeito vai ser igual”.
‘O nosso maior patrimônio tem que ser as pessoas’
Quanto ao andamento dos preparativos para o Carnaval de 2023, Carlos Junior explicou que o trabalho na Acadêmicos do Tucuruvi envolve um projeto sustentável em direção à glória do título do Grupo Especial. O intérprete acredita que o mais importante no momento é valorizar os componentes e trazê-los mais para o dia-a-dia da escola.
“Eu vejo no Tucuruvi muita vontade de fazer o certo, de chegar no topo do Carnaval, mas é lógico. O Seu Jamil declarou, está deixando tudo nas mãos do Rodrigo. Vai demorar para o Rodrigo pegar toda a experiência necessária. Falamos aqui do Águia de Ouro e do Tatuapé, são presidentes que já estão há muitos anos. Você pega a Mancha Verde, que ela caiu, voltou, se fortaleceu e buscou o campeonato. Águia de Ouro a mesma coisa, ela teve que cair para se refazer. É uma coisa que eu falo muito com o Rodrigo: ‘Rodrigo, a gente não pode cair irmão. A gente tem que apontar primeiro pra ver o que dá aqui’. Eu falo diretamente com o Rodrigo, com o Dione, que a gente tem que ter um objetivo mínimo agora, para que no próximo ano a gente possa galgar uma coisa maior. Acho que a única coisa que falta é isso. Objetivo. Aonde a gente quer chegar. É lógico que todo mundo quer ser campeão, mas vamos fazer a realidade, o real. Até onde a gente pode ir? Porque a gente pode até conseguir coisa maior, mas temos que ter o mínimo. E ainda eu vejo que é uma coisa que a escola não se importa muito com qual lugar ela quer chegar, e ela tem condições de chegar no primeiro lugar. Mas para isso, ela tem que ter um projeto, um objetivo e preparação. Eu fiz dois ensaios aqui em que eu peguei o microfone e já saí largando. Eu falei: ‘Óh, se a gente não se preparar nós vamos ser qualquer um. Pode ser sexto, décimo, último ou até terceiro. Se a gente não se preparar, bater na porta de cada um, e falar que lugar de sambista é na quadra, se a gente não estiver na quadra a gente não vai conseguir’. Não adianta aquela beleza do barracão. Não adianta ter dinheiro, porque se você vê quantas escolas tem o poder aquisitivo, mas não consegue título. Porque o maior patrimônio da escola são as pessoas. Eu acho que é isso que a escola tem que ficar atenta. O nosso maior patrimônio tem que ser as pessoas”.
Sobre tentar novamente cantar na Sapucaí
Questionado se aceitaria um novo convite para cantar por alguma escola do Rio de Janeiro no futuro, Carlos Junior não descartou a possibilidade. Mesmo assim, acredita que os últimos anos ensinaram uma importante lição de vida, está feliz na Tucuruvi e quer aproveitar esse momento de reconstrução pessoal.
“Se vier, e a gente estiver com saúde. Porque não sabemos o dia de amanhã. Acho que na cabeça de ninguém, no mundo inteiro, pensávamos que iríamos passar por uma pandemia, e para nós sambistas a gente nunca pensou que a gente ficaria um ano sem carnaval. A gente nunca passou pela nossa cabeça que ficaríamos sem desfilar, e ficamos. Muita coisa pode acontecer. Espero um dia poder ter a oportunidade de estar lá. Se pintar um convite, que eu faça um bom trabalho. Mas se não vier, não é uma coisa que irá me abalar, porque eu confio muito nas causas de Deus. Se não é para acontecer, não é para acontecer. Se você analisar, por exemplo, hoje o Tuiuti hoje tá com um novo cantor. Eu poderia estar lá e ser mandado embora junto com o que estava lá. Minha depressão poderia ficar pior, porque ninguém gosta de ser demitido. Por mais que você não queria estar no lugar, mas se vem a cartinha de depressão, machuca. Acho que Deus já estava me avisando. E hoje estou muito feliz aqui, muito mesmo. Ainda estou conhecendo todo mundo, mas é uma tranquilidade. Eu estou com uma paz muito grande, e era isso que eu precisava”.
Buscando a 23ª estrela no ano em que completa 100 anos, a Portela irá contar toda a trajetória de sua história com o enredo “O azul que vem do infinito”, desenvolvido pelos carnavalescos Márcia e Renato Lage. A dupla terá o desafio de fazer o desfile do centenário da azul e branco de Oswaldo Cruz e Madureira.
A temática se passa em cinco personalidades marcantes da Portela. Desde Paulo da Portela até o saudoso Mestre Monarco. Salve! A parceria do samba campeão e escolhido para representar a escola na avenida, é dos compositores Wanderley Monteiro, Rafael Gigante, Vinícius Ferreira, Bira, Marcelão e Edmar Júnior.
Emocionado, o compositor Wanderley Monteiro declara em entrevista para o site CARNAVALESCO o seu sentimento pela Águia Altaneira e o que tentou colocar no samba do centenário. “Portela, te amo muito além do infinito, onde estão todos esses baluartes, todo esse azul lindo que foi desenhado pelos nossos carnavalescos e tentamos retratar em nosso samba”.
O site CARNAVALESCO dá continuidade à série de reportagens “Samba Didático” entrevistando o compositor Wanderley Monteiro para que possa detalhar os significados e representações por trás do versos e expressões presentes no samba da Portela para o carnaval de 2023:
Prazer novamente encontrar vocês Ali pelas bandas de Oswaldo Cruz Nosso mundo azul ganha vez E aquela missão nos conduz Eu, Rufino e Caetano
“O samba procurou falar das 5 personalidades que marcaram época na Portela. Paulo, Natal, Dodô, David Correa e Monarco. Ele começa com a narrativa do Paulo. É Paulo da Portela reencontrando os amigos que com ele fundaram a escola. Eu, Rufino e Caetano, esse encontro não poderia ser diferente, ali em Oswaldo Cruz”.
No linho, no pano, pescoço ocupado… Vencemos mesmo marginalizados
“Trio dos fundadores Paulo, Rufino e Caetano. O Paulo tinha uma máxima que o sambista precisava andar bem vestido com terno de linho e gravata. E tinha esse jargão, como Monarco falava muito: “o sambista colocava uma gravata, falavam que era o pescoço ocupado”. Colocamos isso no samba, porque acreditamos ser uma referência. Era como Paulo gostava que os sambistas andassem. O samba sempre foi muito marginalizado naquela época, ele foi perseguido. Tem até uma música que é do Campolino e do Tio Hélio da Serrinha, gravada pelo Zeca Pagodinho”.
No bailar, uma porta bandeira A nobreza desfila humildade… Natal nos guiou, deu Águia! A Majestade…
“Aqui a gente fala da Dodô, nossa grande porta bandeira e a primeira da Portela. Lançada pelo nosso professor, Paulo da Portela. Natal é um dos presidentes mais emblemáticos da história da Portela e ele fazia tudo pela nossa escola. ‘Deu águia’, fazemos um trocadilho porque Natal também tinha uma banca de jogo do bicho. E a águia é um dos bichos desse jogo e o símbolo da Portela. As vitórias que Natal conseguia para a Portela, também é uma alusão ao jogo do bicho que ele tinha”.
“Abre a roda”, “malandro, que o samba chegou” Andei na “Lapa”, também já “subi o Pelô” “Macunaíma” falou: nas “maravilhas do mar” ‘A brisa me levou”
“Nessa fase do samba falamos sobre os grandes carnavais da Portela, alguns desses 100 anos. A gente cita a importância de David Corrêa falando dos sambas dele. “Abre a roda malandro que o samba chegou”, é Madureira samba de 2013. “Andei na Lapa, também já subi o Pelô”, é do ‘Lapa em Três Tempos’ e o ‘Pelô’ é o samba de 2012. Nos versos seguintes, citamos os sambas compostos por David Corrêa”.
Eis um “Brasil de glórias” que incandeia A “vaidade” é um “conto de areia” Eu vim me apresentar: “Deixa a Portela passar!”
“Eis um Brasil de glórias que incandeia”, é um grande samba do Candeia. “A vaidade é um conto de areia”, Tributo a vaidade, que é um grande carnaval de 1991 e “Conto de areia”, é outro samba clássico da Portela, composto por Dedé da Portela. “Deixa a Portela passar”.
“Lendas e mistérios” de um amor Casa onde mora a profecia Clara como a luz de um esplendor Cem anos da mais bela poesia
“Lendas e mistérios de um amor”, a gente fala sobre o enredo de 2009. “Casa onde mora a profecia”, é o samba dominando o mundo. “Clara como a luz do esplendor, cem anos da mais bela poesia”, é sobre Clara Nunes que é outra grande personagem da Portela. E óbvio que tinha que estar no nosso samba também. “100 anos da mais bela poesia”, é falar da Portela, de como ela é. Sempre valorizando, exaltando os seus compositores, seus poetas. Essa é a Portela”.
Vivam esse sonho genuíno De fazer valer nosso legado Vejo um futuro mais lindo Nas mãos de quem sabe o valor do passado
“Vivam esse sonho genuíno de fazer valer nosso legado”. Aproveite esse sonho autêntico, legítimo dos nossos fundadores e vamos aproveitar esse legado que eles nos deixaram. “Vejo um futuro mais lindo nas mãos de quem sabe o valor do passado”, é acreditar que os dirigentes de hoje da Portela seguiram todos os ensinamentos dos nossos professores e vão dar um caminho a escola de continuar brilhando nesse cenário do carnaval e do samba. Acreditamos que eles valorizando, reconhecendo e seguindo todos aqueles ensinamentos vão levar a Portela cada vez mais longe, e continuando com a profecia de Paulo”.
Ser Portela é tanto mais Que nem cabe explicação Basta ouvir os Baluartes Pra chorar de emoção
“Ser Portela é tanto mais que nem cabe explicação, basta ouvir os baluartes para chorar de emoção”. Vem a explosão do coração, da paixão pela Portela pelos seus integrantes, reverenciando os grandes baluartes da Portela. Os personagens que nos fazem ser um apaixonado pela escola. ‘Ouvir os baluartes’, estamos falando de todos”.
Cavaco e viola… A velha linhagem A benção Monarco pra essa homenagem
“Cavaco e viola na velha linhagem, a benção Monarco a essa homenagem”, aí estamos homenageando Paulinho da Viola, Ary do Cavaco, Seu Jorge do Violão, Manaceia e todos os outros. A benção Monarco é todos os narradores do nosso enredo e nosso último baluarte que nos deixou em dezembro de 2021. Prestamos essa homenagem nominalmente a um dos grandes nomes da Portela que é o Monarco”.
O céu de Madureira é mais bonito Te amo, Portela, além do infinito!
“O céu de Madureira é mais bonito, te amo Portela além do infinito”, é aquela coisa do portelense. O céu de Madureira realmente é mais bonito para a comunidade”.