Início Site Página 986

Galeria de fotos: União de Jacarepaguá no ensaio técnico no Sambódromo

Freddy Ferreira analisa as baterias da União de Jacarepaguá, Vigário, UPM e Porto da Pedra

0

Análise dos ensaios da União de Jacarepaguá, Vigário Geral, UPM e Porto da Pedra

0

Liberado! Bombeiros autorizam ensaios técnicos no Sambódromo

0

Após vistoria realizada na tarde deste sábado o Corpo de Bombeiros liberou a realização dos ensaios técnicos no Sambódromo da Marquês de Sapucaí. Na noite de sexta-feira, a juíza Mirela Erbisti, da 3ª Vara de Fazenda Pública do Rio de Janeiro, determinou que fosse apresentada em 24 horas a documentação do Corpo de Bombeiros para evitar que o Sambódromo da Marquês de Sapucaí fosse interditado.

sambodromo riotur
Foto: Divulgação/Riotur

Estão programados para o fim de semana os ensaios técnicos da Série Ouro e do Grupo Especial. No sábado ensaiam: União de Jacarepaguá, Acadêmicos de Vigário Geral, Unidos de Padre Miguel e Unidos Porto da Pedra. No domingo a Mocidade e a Mangueira. Mais cedo, o presidente da Liesa, Jorge Perlingeiro, em entrevista para TV Globo, já tinha garantido a realização dos ensaios técnicos.

Em fevereiro de 2022, a Prefeitura do Rio entregou as obras de melhorias no Sambódromo. Além da troca do asfalto da pista dos desfiles, foi feita toda readequação pedida pelo Corpo de Bombeiros, além de impermeabilização de setores das arquibancadas. Após dez anos, a pista dos desfiles das escolas de samba foi totalmente recapeada. Foram aplicadas mais de 1.850 toneladas de massa asfáltica. Além disso, o número de caixas de ralo mais do que dobrou: dos 33 existentes, passou para 70.

“O Sambódromo, pela primeira vez, terá o certificado dos Bombeiros. Só de imaginar que passou tantos anos sem isso é um absurdo. A Sapucaí passou por uma reforma importante, com a recuperação da estrutura. Toda recuperação e fresagem da pista. Estamos trocando a iluminação, terá uma iluminação cênica. O Sambódromo está pronto. A partir de março começam os ensaios técnicos”, afirmou o prefeito na época.

Corpo de Bombeiros proíbe a realização de quatro blocos de carnaval

0

Durante essa semana, o Corpo de Bombeiros Militar do Estado do Rio de Janeiro não concedeu o deferimento a quatro blocos de Carnaval da capital fluminense. São eles: Carnavalesco 20 de Ouro, na Ilha do Governador; Nem Muda Nem Sai de Cima, na Tijuca; Soul da Gema e Carnaval do Museu do Pontal, na Barra. Por conta de pendências de documentos, as atividades nas ruas desses blocos não vão acontecer no Carnaval 2023.

bloco 1
Foto Riotur/Hudson Pontes

“O Corpo de Bombeiros trabalha na preservação de vidas e bens. Estamos sempre à disposição para legalizar qualquer tipo de evento no Estado, desde que esteja de acordo com a legislação. Sabemos que eventos geram empregos e renda, mas a lei tem que ser respeitada. Não podemos ter acidentes e perder vidas, como já aconteceu no passado”, afirmou o coronel Leandro Monteiro, secretário de Estado de Defesa Civil e Comandante Geral do Corpo de Bombeiros Militar do Estado do Rio de Janeiro.

O bloco Nem Muda Nem Sai de Cima informou que não foi indeferido, mas que após as exigências dos Bombeiros optou por sair somente no dia 4 de fevereiro.

Salgueiro faz homenagem a artistas do passado em ateliê reformado no barracão

0

Em comemoração ao aniversário de 70 anos da Academia do Samba, a diretoria do Salgueiro reformulou o quarto andar do barracão da Vermelha e Branca na Cidade do Samba para atender de uma forma melhor a produção do desfile e aproveitou para realizar uma grande homenagem aos artistas que passaram pela agremiação e produziram seus carnavais. Cada baia de produção do ateliê do Salgueiro agora tem o nome de um carnavalesco que passou pela história da agremiação, de nomes mais antigos como Rosa Magalhães e Maria Augusta até nomes mais recentes como Alex de Souza, que produziu o carnaval da escola em 2022.

homenagem salgueiro capa2
Fotos de Lucas Santos/Site CARNAVALESCO

Nada mais justo que a área onde os sonhos são produzidos, se tornam realidade, faça menção aos artistas que os sonharam pela primeira vez .Na frente da sala de pintura, outra grande homenagem, foi desenhada a figura de Joãosinho Trinta, e a escola prepara um canto especial para também lembrar Fernando Pamplona.

O site CARNAVALESCO teve acesso ao quarto andar reformado e o que se pode ver, além de um ateliê bastante organizado, foi as baias nas cores da escola e uma placa dando nome de um artista que passou pela escola em cada uma dessas divisões, responsáveis pela realização de algumas fantasias, além da maravilhosa imagem de João Trinta. Um dos idealizadores da homenagem, o carnavalesco, recém chegado à Academia do Samba, Edson Pereira, explicou o motivo da homenagem.

homenagem salgueiro capa

“Criamos baias onde são construídas as fantasias, cada setorização está em um lugar e a gente batizou essas baias com pessoas que foram muito importantes para o Salgueiro, inclusive cada baia tem o nome de um ex-carnavalesco do Salgueiro. Nós temos representação da Maria Augusta, da Rosa, do Pamplona, do próprio João e outros que foram esquecidos até pelo tempo. Mas o Salgueiro faz questão de lembrar dessas pessoas. Eles estão sendo representados e lembrados nessa homenagem que a gente está fazendo para eles”, esclarece o carnavalesco.

homenagem salgueiro 4

Também idealizador da reforma realizada no setor antes do início da produção para o carnaval 2023, o diretor de carnaval Julinho Fonseca revela que a escola pretende fazer mais homenagens e uma inauguração oficial do espaço quando passar a folia deste ano.

homenagem salgueiro 2

“Foi uma ideia que partiu do Edson e minha também, quando nós chegamos aqui e vimos a estrutura que era o quarto andar e hoje a maioria dos barracões, a maioria das escolas tem essa infraestrutura aproveitando o quarto andar, que é uma economia maravilhosa, com o Salgueiro tendo 95 a 98 por cento de suas alas sendo confeccionadas no Barracão. Isso nos ajudou a ter um controle de estoque muito melhor. E a ideia do Edson de realizar as homenagens foi bem bacana, de cada ateliê ter um nome de um carnavalesco que já tenha passado pela escola, com seu nome no carnaval, uma homenagem imensa para o Joãosinho Trinta, nós queremos fazer também uma desse tipo para o Pamplona, mas ainda não deu tempo. Assim que passar o carnaval nós vamos fazer a nossa festa que nós queremos fazer para inaugurar o quarto andar de verdade, porque foi tudo corrido, o carnaval foi em abril e maio já tivemos que emendar com o outro”, revela o diretor.

homenagem salgueiro 1

Com a reorganização do espaço o Salgueiro pretende além de concentrar e controlar melhor a produção de fantasias para o desfile, evitar o desperdício a partir de uma política de bom uso de todos os materiais disponíveis para a realização dos próximos carnavais.

Amor, carinho e garra: casal da UPM e coreógrafo completam 10 anos na escola com ambição de chegar ao Grupo Especial

0

A Unidos de Padre Miguel comemora, em 2023, o décimo ano de Vinícius Antunes e Jéssica Ferreira, o primeiro casal de mestre-sala e porta-bandeira, e do coreógrafo da comissão de frente, David Lima, na escola. Esses anos foram um período de muita troca de afeto, carinho, dedicação, superação e trabalho em equipe que os levaram até esse momento de festejar uma década.

upm materia 1
Foto: Diego Mendes/Divulgação

Apesar do marco de 10 anos, Vinícius Antunes, de 30 anos, já tem 23 anos de escola. Ele foi criado na quadra da vermelha e branca da Vila-Vintém, com a família muito próxima das atividades da agremiação. “Eu sempre fui da escola. Falar da Unidos de Padre Miguel é falar da minha vida. Cresci ali dentro. Meus avós eram da escola, assim como meus tios e tias. Viver aquela atmosfera para mim era muito importante. Eu posso dizer que minha formação enquanto homem a Unidos ajudou. Cada senhorzinho da velha-guarda, cada baiana com um conselho”, relata o mestre-sala.

Já Jéssica Ferreira, com 32 anos hoje, chegou na UPM em 2013 para o Carnaval de 2014 para ser porta-bandeira e foi recebida com muito carinho e amor. Anteriormente na Renascer de Jacarepaguá, foi para Zona Oeste empunhar o pavilhão da agremiação que conta com uma comunidade forte e participativa.

“É uma responsabilidade muito grande porque a escola tem uma comunidade sempre presente e a gente não representa só a escola, nós representamos a comunidade toda. A responsabilidade é grande, mas a gente faz com muito amor e muito carinho, porque é assim que eu fui recebida na comunidade e na escola. Eu tento o máximo retribuir”, disse a porta-bandeira.

O trabalho de ser o primeiro casal de uma escola de samba por tanto tempo faz com que haja, de fato, laços afetivos fortes com a comunidade. Não é diferente com Vinícius e Jéssica. A quadra da Unidos se tornou a segunda casa e família de ambos.

“As pessoas não veem, mas a gente trabalha o ano inteiro. É como se fosse minha segunda família. Estamos sempre na comunidade e na escola com as mesmas pessoas. Eles já me conhecem muito bem. Por isso a responsabilidade é muito grande e o prazer também, eu faço a minha arte com muito amor. Como existe esse laço, o amor dobra. Nós fazemos com amor porque conhecemos todo mundo que está ali. Não tem como ser de outra forma”, comentou Jéssica.

Vinícius reflete também reflete sobre com essa passagem de 10 anos: “Eu nunca imaginava ficar tanto tempo assim à frente de uma agremiação, dançando com a minha porta-bandeira. Quando eu olho para trás, tudo que a gente já passou de bom e não muito bom, na alegria e na tristeza, no dia a dia, foi muito intenso. Eu sou um felizardo por ter sido escolhido para viver esses 10 anos de parceria com a Jéssica defendendo o pavilhão da escola. Quero viver mais, quero aprender mais”.

upm minidesfile 14
Foto: Nelson Malfacini/Site CARNAVALESCO

Desde que Vinícius e Jéssica se tornaram primeiro casal de mestre-sala e porta-bandeira, a Unidos de Padre Miguel chegou ao vice-campeonato da Série Ouro, antigo Grupo de Acesso A, três vezes (2015, 2016 e 2020). Como sempre estão ameaçando subir para o Grupo Especial e o público já criou essa expectativa, não teria como haver outra visão de futuro para a dupla.

“A expectativa para esse Carnaval e para os próximos é a melhor possível. A gente tem trabalhado firme, pesado, com muita garra, para a nossa comunidade, para que esse grito de campeão saia! Estamos no foco total para conseguir esse título que está engasgado”, reforça Jéssica Ferreira. “Estamos sempre lutando pelo melhor. O pessoal do barracão, o David [Lima] na coreografia. A gente cobra mesmo. Eu falo para ele: ‘Vinícius, vamos embora, tem que ensaiar agora’. Todos unidos com um só um propósito”.

E desistir de alcançar esse título da Série Ouro não está nos planos de Vinícius Antunes. “Algumas pessoas podem até falar que depois de 10 anos vai bater um sentimento ruim, mas a gente não desiste, a gente não tem essa. A expectativa é sempre altíssima, sempre a melhor! Nós temos companheiros muito bons: David [Lima], nosso coreógrafo da comissão de frente, os carnavalescos, o diretor de Carnaval, a comunidade. Estão todos na mesma energia e com o mesmo propósito de botar a UPM onde ela merece. Ela já está pedindo passagem há um tempo. É muito bom trabalhar em uma empresa assim que tem ambição no melhor sentido da palavra e acaba nos contagiando também”, projetou Vinícius.

A Unidos de Padre Miguel será a quinta escola a desfilar na noite de sexta-feira, 17 de fevereiro. O enredo “O Baião do Mouros” sobre a influência árabe na cultura nordestina é de autoria da dupla de carnavalescos Edson Pereira e Wagner Gonçalves. Para bailar com fluidez, a conexão mestre-sala e porta-bandeira e carnavalescos precisa ser bem afinada.

“É muito bom ter carnavalescos que escutem o casal e aceitem a nossa opinião. Eles são muito flexíveis. Sem contar que eles são muito competentes. Eles são perfeitos”, disse Jéssica sobre Edson e Wagner.

“Não conhecia o Wagner, mas já tinha ouvido falar muito sobre ele. Agora veio trabalhar conosco na nossa agremiação, sempre quando dá ele está acompanhando. Carismático!” elogiou Vinícius. “Na hora de reproduzir nossas fantasias, eles observam muito nossas características para propor uma fantasia com a característica do casal Vinicius e Jéssica”.

Desfiles inesquecíveis

Em 10 anos de história, não teria como esquecer de carnavais memoráveis que esse primeiro casal. Em 2020, por exemplo, os dois desfilaram carecas para defender o pavilhão e o enredo “Ginga” sobre capoeira. Passaram também por momentos tristes, como a torção do tornozelo de Jéssica durante o desfile de 2017. Desde 2014, viveram alegrias, tristezas e superaram tudo junto e com o apoio da comunidade de Vila Vintém.

Estar como mestre-sala era seu sonho de menino e Vinicius Antunes realizou em 2014. Naquele ano, Edson Pereira levou para a Avenida o “Decifra-me ou te devoro: Enigmas – chaves da vida” e ficou marcou a memória afetiva do mestre-sala. Mas o Carnaval de 2017 entra como um tema delicado e por isso inesquecível.

upm minidesfile 13
Foto: Nelson Malfacini/Site CARNAVALESCO

“O acidente de 2017 ficou, mesmo que negativamente, fotografado. A gente fala poucas vezes sobre esse assunto porque ainda é um pouco sensível. Apesar de ter tanto tempo, mexeu bastante”, comenta Vinícius.

Depois do acidente, Jéssica Ferreira teve que passar por fisioterapia e reforço muscular para poder voltar no Carnaval de 2018. O incentivo da comunidade foi um gás necessário para ela estar firme e forte para desfilar no ano seguinte. Além disso, a chegada de profissionais, como o preparador físico e a psicóloga, auxiliaram na volta do casal para a Marquês de Sapucaí.

“Foi muito difícil porque temos pouco tempo para o próximo Carnaval. Eu corri atrás de tudo que eu podia para me recuperar. Com muito amor e carinho, todo mundo estava me apoiando, a escola, a diretoria, a comunidade. Eu consegui pegar forças para fazer tudo que eu precisava para no próximo desfile eu estar lá de novo. A força veio da comunidade, do meu mestre-sala, da minha família e do amor que eu tenho pela dança. Fiz fisioterapia, fortalecimento e consegui um preparador físico para me acompanhar e vir 100% para o próximo ano”, explicou a porta-bandeira.

upm minidesfile 10
Foto: Nelson Malfacini/Site CARNAVALESCO

Não tem como negar que a volta para a Passarela do Samba seria um momento memorável para Jéssica. Depois de todo o processo de recuperação, ver a faixa escrita “Final” foi uma recompensa inestimável para a porta-bandeira. Em 2018, a Unidos de Padre Miguel desfilou o enredo “O eldorado submerso: Delírio Tupi-Parintintin” e conquistou o 2º lugar na Série Ouro.

“Eu lutei muito para estar naquele ano. Eu falei: ‘Eu preciso ver a faixa do final’. E eu vim super bem, estava super leve, me recuperei totalmente. Quando eu vi a faixa do fim, eu desabei. Foi um desfile muito marcante”, lembrou Jéssica.

Em quesito fantasia, a porta-bandeira lembra que a roupa de estreia em 2014 foi algo que ela nunca tinha visto. “Foi uma fantasia bem diferente do que eu tinha visto. A saia era diferente. Eu nunca tinha visto aquela estrutura de fantasia. Eles botaram coisas novas para ficar mais leve. Por isso, ela ficou mais marcada para mim”, disse Jéssica Ferreira.

Vinícius Antunes acredita que a fantasia de 2020 entrou para a história por conta do cuidado artesanal envolvido na sua construção. “Modéstia à parte, nossa escola sempre vestiu seus casais muito bem. Eu gostei bastante da fantasia de 2020, da capoeira, em que viemos carecas. A fantasia era cheia de miçangas, bordado à mão. Eu amo todas, mas essa é um destaque”, relembrou o mestre-sala

Uma década de David Lima

No mesmo ano que Jéssica Ferreira e Vinícius Antunes chegaram à Unidos de Padre Miguel, o coreógrafo David Lima também estreou na agremiação no comando da Comissão de Frente. Com uma veia inovadora e vontade de surpreender desde os ensaios de rua e técnicos até o desfile oficial, o coreógrafo tem uma sensação de dever cumprido depois desses dez anos.

“O que passa na minha cabeça é que a cada ano precisa melhorar, mas uma sensação de dever cumprido. Quando eu fui convidado em 2013 para vir para a escola, os diretores e o presidente me pediram uma proposta diferente. Eles falaram: ‘Precisamos mudar a frente da escola, precisamos trazer uma cara nova para a Comissão de Frente; vai ser um desafio’. Desafio é comigo mesmo! Meu nome é Desafio. Eu trouxe, na primeira apresentação que eu fiz na quadra, quando me apresentaram, eu levei 22 bailarinos dançando uma coreografia para o samba passada e a comunidade foi abaixo. Eles ficaram surpreendidos com o que viram. Eu consegui cumprir o que pediram”, contou Lima.

upm minidesfile 27
Foto: Nelson Malfacini/Site CARNAVALESCO

David imprimiu uma característica irreverente e de surpresa para as comissões de frente da UPM. Por exemplo, para um ensaio técnico, o coreógrafo levou um grupo de mulheres nordestinas que durante a evolução faziam o parto suas crianças. Essa marca registrada, já deixa o público ansioso para saber as novidades que ele trará para Avenida a cada ano. Outro aspecto importante do seu trabalho é levar a comissão de frente para os ensaios de rua. É um registro do seu trabalho na escola, agora se vê de forma mais frequente nos ensaios das coirmãs.

“Hoje, a Unidos representa a realização de um trabalho. Tudo que eu idealizei na minha vida profissional no Carnaval ela conseguiu me atender, ela conseguiu viajar nas minha ideias. A confiança que a escola me deixa e a liberdade que ela me dá fazem toda diferença. A Unidos é uma escola que vem grandiosa desde a comissão, tirando pelo elementos cenográficos, pelas fantasias. Às vezes, o artista tem uma ideia muito boa, mas a escola não compra aquela proposta. Graças a Deus, aqui, esse casamento com a escola e com os carnavalescos funciona muito bem”, disse David Lima.

upm minidesfile 9
Foto: Nelson Malfacini/Site CARNAVALESCO

A sua estreia foi marcada por uma renovação de energia da Unidos de Padre Miguel. Segundo David Lima, a partir de 2014, a escola se mostrou cada vez mais aguerrida. “Ela sempre se mostrou aguerrida, mas foi um desfile que ela mostrou a potência que ela tinha. Eu costumo dizer que a escola tem uma capacidade gigante de estar no Grupo Especial por mérito dos profissionais. Em 2014, a escola ligou uma chave”, recordou o coreógrafo.

Apesar do objetivo de se superar todos os anos, uma coreografia de comissão de frente que ficará para sempre em sua memória é a de 2017. O enredo daquele ano era uma homenagem ao orixá Ossain. Além disso, o trabalho de 2015 interpretando Ariano Suassuna foi uma missão que o deixou orgulhoso.

upm materia 2
Foto: Diego Mendes/Divulgação

Em 2023, ele tem o ineditismo de trabalhar com o carnavalesco Wagner Gonçalves, dupla de Edson Pereira, que já um veterano na escola. David Lima acredita que precisa haver um bom casamento entre os carnavalescos e a comissão de frente em prol da fluidez da entrega de um bom Carnaval. Os carnavalescos têm mostrado um cuidado especial com essa abertura da escola. David apresentou três propostas que foram avaliadas e uma foi aprovada pela dupla. É essa proposta aprovada que será lapidada e constantemente avaliada por esse trabalho em equipe.

A Unidos de Padre Miguel inteira vibra nessa vontade de levar a escola para o Grupo Especial, e não seria diferente com o coreógrafo David Lima.

“A minha expectativa é levar a escola para o Grupo Especial. Estamos trabalhando bastante há três meses de ensaio. Finalizando agora essa questão do elemento cenográfico. Eu quero atender tudo aquilo que foi pedido pela escola, alcançar as quatro notas 10 e chegar no Grupo Especial”, finalizou o coreógrafo.

Unida, Porto da Pedra caminha em busca do título da Série Ouro e a volta ao Especial

0

Mesmo com toda a pressão da concorrida Série Ouro deste carnaval, a Porto da Pedra está unida em busca do título e acesso. Na reta final dos preparativos para o grande dia, a rainha de bateria Tati Minerato, o primeiro casal de mestre-sala e porta-bandeira Rodrigo França e Laryssa Victória, além do intérprete Nêgo, estão com o mesmo pensamento: a importância da entrega de cada um em busca do sonhado título em meio a responsabilidade de representar a Porto da Pedra.

pp unida 23 1
Fotos: Raphael Lacerda/Site CARNAVALESCO

Dos detalhes da roupa e da dança ao samba contestado pela crítica. Em entrevista ao CARNAVALESCO, os quatro revelaram os bastidores e desafios em seus quesitos para o desfile. Todos juntos, na mesma energia, em busca do triunfo.

A rainha Tati Minerato sabe bem a responsabilidade que tem este ano. Além de estar à frente da bateria do mestre Pablo, entregar um excelente desfile em busca do título é fundamental. A sincronia é tanta, que Tati revela que os ritmistas já arriscam alguns ‘passinhos’.

“Eu sou bem tranquila e costumo ficar de boa, mas senti que este ano o negócio está tenso e a ansiedade está batendo na porta. A cada ensaio tenho ficado mais ansiosa e com o coração batendo forte. Estar à frente da bateria do mestre Pablo, a bateria Ritmo Feroz, é uma grande responsabilidade. Eu fico até emocionada, porque sempre vi a Porto da Pedra, uma escola muito linda, tradicional e que possui uma comunidade muito forte. Tem uma pequena parte do enredo em que eles fazem uma pequena coreografia e estou ensaiando para ficar bem alinhada e sincronizada com a bateria. Não é muita coisa, é uma pequena ‘evoluçãozinha’”, disse a rainha de bateria.

A fantasia foi batizada de ‘A riqueza da Amazônia’ pela própria rainha e ela explicou o porquê. Tati promete algo luxuoso, imponente e que jamais usou. Tati também falou sobre a sua relação com a comunidade.

“Ela vem toda banhada a ouro e com cristais, que na verdade são zircônias coloridas. Ela é muito linda e muito rica, parece uma jóia. Essa fantasia é algo bem diferente de tudo que eu já usei. Ela é muito luxuosa, muito linda. Estou muito feliz de ter a comunidade próxima. Eu sou uma rainha que sempre procura estar presente e eles me abraçaram como uma grande família”, completou Tati.

Até quem tem anos de carreira no carnaval vem com todo o gás para defender a Porto da Pedra. Nêgo, intérprete estreante na agremiação, diz vir com força máxima para ser campeão do carnaval e assim pode se consagrar logo em sua estreia pela escola. Morador de São Gonçalo há mais de 20 anos, o cantor e compositor está em casa e acredita que a Porto da Pedra tem a equipe ideal para chegar ao pódio. Nêgo também revelou que não esperava tamanha recepção na escola e planeja encerrar na agremiação sua carreira de cantor.

“Fico feliz de estar trabalhando na escola do município que eu moro e amo. Eu sou morador de São Gonçalo há 24 anos. Para ser campeão, tem que acreditar no trabalho, ter bons ensaios, assim como estamos tendo, além de criar uma boa equipe – Porto da Pedra criou uma boa equipe. Eu não esperava que o pessoal me recebesse com tanto carinho e amor, porque é a primeira vez que estou no Porto da Pedra. Eu venho com toda força e vontade para ser campeão do carnaval e espero, na fé de Deus, que eu termine minha carreira como cantor na Porto da Pedra”, declarou o cantor.

pp unida 23 2

De samba criticado a entoado pela comunidade. Para Nêgo, o mini desfile mostrou que o ‘diferente’ pode ser interessante e calou os críticos do samba-enredo da Porto da Pedra. O intérprete também revelou qual a sua parte favorita na canção.

“Muitos diziam que o samba era difícil, que o refrão era difícil. Eu, anteriormente, também peguei um samba que era muito criticado, o do Império. Esse samba da Porto da Pedra é muito criticado pelo refrão, mas tudo que é diferente é bonito. Na Avenida colocamos um andamento certo, uma tonalidade certa e o samba hoje é cantado em vários lugares do Rio de Janeiro. A minha parte favorita é a ‘cabeça’ do samba”, revelou o intérprete.

O primeiro casal de mestre-sala e porta-bandeira virá com novidades para a Marquês de Sapucaí. Há 18 anos na agremiação e após 16 com Cintya Santos, Rodrigo França terá Laryssa Victória como seu par na Avenida e com isso espera muitos anos de união e cumplicidade. Os dois já entendem bem o desafio deste ano: garantir nota máxima e levar o título para São Gonçalo.

“Quando a Porto da Pedra me deu a responsabilidade de escolher uma porta-bandeira, o principal quesito seria a humildade em querer aprender. Não me arrependi de escolher a Laryssa e já pensamos em ficar muitos anos juntos. Estamos dando super certo. É uma responsabilidade imensa. É um trabalho árduo, mas a comunidade está gostando do nosso trabalho. Eu creio que a nota máxima vai vir, porque a dedicação, responsabilidade e o amor por esse pavilhão é muito grande. Creio que essa junção vá ajudar a chegar nesse tão sonhado título”, comentou o mestre-sala.

pp unida 23 3

“Estrear em uma escola de tanto peso como a Porto da Pedra e estar seguindo um legado deixado pela Cintya é responsabilidade. Estamos trabalhando muito. Graças a Deus eu tenho um mestre-sala que tem muita paciência e que me ensina muito. A gente tem muita troca. Com certeza, na quarta-feira de cinzas, estaremos pulando de felicidade com o campeonato e com a nota máxima. A Porto da Pedra tem um legado muito grande de portas-bandeiras e a Cintya deixou um muito lindo que eu planejo seguir ”, completou a porta-bandeira.

Além da pontuação máxima, prêmios profissionais sempre são bem-vindos. Bastante premiado, o mestre-sala Rodrigo agora torce para que Laryssa conquiste os seus. A porta-bandeira, por sua vez, já pensou no que fazer se a conquista vier.

“Com toda humildade do mundo, graças a Deus sou bem premiado (risos). Eu vou ficar muito orgulhoso se a Laryssa ganhar bastante prêmios e vou sentir como se fossem meus também”, revelou Rodrigo.

“Não vou mentir, já estou muito a fim de fazer uma prateleira lá em casa (risos). Com certeza sim; a gente está trabalhando muito para isso. Entramos na Avenida não só pensando nas notas, mas nos prêmios, porque o jurado vê ali no desfile, enquanto os sites e quem faz a premiação acompanham os nossos ensaios e dia-a-dia. Isso é muito bacana, já que eles acompanham tudo isso”, enfatizou Laryssa.

O casal aproveitou para falar sobre suas referências e o que mais gostam no quesito, além do que mais chama a atenção na dança um do outro. Para a porta-bandeira, a dança romântica de Rodrigo é o ponto forte, enquanto para ele, a entrega de Laryssa é um grande fator.

“Gosto quando um casal consegue te prender logo de primeira. Tenho uma listinha de referências: Rafaela da Imperatriz – que é a minha madrinha – Marcella e amo muito a Lucinha Nobre. Sobre as qualidades, o Rodrigo tem uma dança muito mais clássica e romântica do que eu já estava acostumada e isso me agregou muito. É uma calma, um olhando para o outro, apreciando meu mestre-sala e dançando para ele. Isso é uma das coisas que eu mais gostei de estar dançando com ele”, revelou Laryssa.

“Eu não olho muito mestre-sala e porta-bandeira não. Eu acho que cada um tem sua técnica e maneira de dançar. O que me encanta mais no casal é quando eu consigo sentir a energia deles. Quando tem muita parceria, muito sentimento me admira. Quando a gente se encontrou, era só dança. Não tinha aquele namoro, aquele romantismo e acho que consegui trazer isso para ela. Hoje, o que ela mais me encanta é o olhar, o sorriso e a entrega dela. Isso é o que mais me deixa orgulhoso e emocionado”, revelou Rodrigo.

Ansiosos e prometendo um belo carnaval, os componentes da Unidos do Porto da Pedra poderão fazer os últimos ajustes no ensaio técnico que ocorrerá neste sábado, na Marquês de Sapucaí.

Bateria e casal de mestre-sala e porta-bandeira se destacam no segundo ensaio técnico da Mancha Verde

0

Realizado na noite de sexta-feira, o segundo ensaio técnico da Mancha Verde no Anhembi teve muitas similaridades com o primeiro. Ainda antes do início da apresentação, Paulo Serdan, presidente da escola, pediu para que os componentes brincassem e “tirassem onda”. O peso tirado das costas dos foliões rendeu frutos, mas acendeu alertas na agremiação, que cantará o enredo “Oxente – Sou Nordeste, Sou Xaxado, Sou Brasil” no carnaval 2023.

Mestre-Sala e Porta-Bandeira

Até a Arquibancada Monumental (ou seja, nos dois primeiros setores do Anhembi), Marcelo Silva e Adriana Gomes fizeram questão de mostrar entrosamento com o samba-enredo, marcando alguns versos. Em outros momentos, ambos faziam passos que remetiam a ritmos nordestinos – como o xaxado, citado no enredo e no samba.

A partir do Setor C do Sambódromo, entretanto, eles passaram a girar diversas vezes, bastante soltos e em grande sincronia – a apresentação para a segunda cabine de jurados, por sinal, não teve um erro técnico sequer, com o desfraldamento do pavilhão executado de maneira sublime, sem problemas com ventos ou com os giros.

ManchaVerde et Casal 1

Uma curiosidade: Marcelo possui um raio de dança bastante raro. Ele começa cortejando a porta-bandeira de maneira bem próxima, se afasta e, depois, volta a ficar perto da dupla. A apresentação rendeu efusivos aplausos em todos os setores do Anhembi.

“Para mim nesse ensaio conseguimos cumprir tudo aquilo que viemos ensaiando desde agosto, mesmo com o problema do vento que para mim não atrapalha, mas atrapalha a minha parceira. Eu preciso tentar conduzir da melhor forma para ela dar uma segurada, conseguir dar uma relaxada no braço. Não que ela vá deixar de exibir o pavilhão, mas dar uma maneirada. Acho que a gente conseguiu, dentro da dança, dar aquela aliviada para na hora de chegar perto dos jurados fazermos a apresentação com tudo aquilo que ensaiamos desde agosto. Acho que foi com perfeição os quatro jurados e o decorrer da Avenida”, pontuou Marcelo.

ManchaVerde et PrimeiroCasal

Adriana relembrou o primeiro ensaio, apenas cinco dias distante do segundo: “Um erro a gente conserta, o que não deu certo a gente tenta de novo, o que rolou a gente muda. Foi exatamente o que aconteceu. Foi um ensaio muito mais tranquilo. Conseguimos nessa semana, entre domingo e hoje, ajustar aquilo que entendemos que não deu certo no primeiro ensaio. Porque é aquilo que a gente fala, criamos, trazemos para cá, mas com o andamento da escola e de outras coisas, vamos percebendo aquilo que dá certo. Hoje eu saio tranquila. Aquilo que construiu, reconstruímos, realizamos, e vamos indo até chegar o dia do desfile”, afirmou.

Aproveitando para falar sobre perfeição, Adriana mostrou-se bastante perfeccionista: “A gente nunca chega no 100%, mas sempre vamos em busca de. O mais interessante é irmos buscar, porque é claro que achamos que é perfeito, mas não somos perfeitos. Somos passíveis de erros. A pista é muito louca, na pista tudo acontece. Eu acredito que, claro, o tempo de pista que temos ajuda, mas a gente tem que sempre ir atrás da perfeição, e vamos sempre atrás da perfeição”, comentou.

Comissão de Frente

Logo de cara, uma novidade na comissão-de-frente coreografada por Wender Lustosa e Marcos dos Santos: os integrantes tinham roupas mais a caráter, com chapéus de cangaceiros. Também foi possível identificar personagens bastante identificados com o Nordeste – casos de Lampião, Maria Bonita e Luis Gonzaga.

A comissão de frente optou por uma coreografia longa, sem marcar muito o samba – para realizar todos os passos, quase um setor foi necessário. Os integrantes não tiveram erros nas cabines de jurados e ainda executaram um delírio: Lampião se casando em plena avenida com Maria Bonita sob as bênçãos de Padre Cícero e com Luis Gonzaga na sanfona.

ManchaVerde et Comissao 1

Também vale destacar algo raríssimo em comissões de frente: em dado momento da coreografia, sempre próximo do refrão principal, todos os integrantes se reúnem e ficam parados, como se estivessem posando para uma foto. O momento estático, entretanto, não prejudica a Evolução da escola, já que dura apenas alguns segundos e, para tal ação, ambos se deslocam para frente.

Chamou atenção um espaço considerável entre a comissão de frente e a primeira ala da escola – coreografada. Ficou a dúvida se ele é intencional ou se tal espaçamento foi ensaiado pensando em um tripé.

Samba-Enredo

Com um samba elogiado, a Mancha Verde começou o desfile com a energia de uma bicampeã que venceu duas das três últimas edições do carnaval paulistano – e foi vice na que não conquistou o título. Se não teve problema algum na ala musical (com grandes noites do carro de som; de Freddy Viana, intérprete da escola; e da Puro Balanço), a canção foi perdendo rendimento entre os componentes conforme a apresentação acontecia. O andamento, entretanto, seguiu firme e linear.

Na visão de Guma Sena, mestre de bateria da Mancha Verde, o ensaio teve como principal característica a linearidade: “Do meu ponto de vista, em frente da bateria, o andamento da escola, veio muito tranquilo e cadenciado. A escola com volume, não percebi nenhuma ocorrência em questão de Evolução. Temos uma noção que às vezes acelera um pouco o passo, aperta um pouco mais, às vezes diminui, mas hoje veio muito tranquilo. Viemos marcando mesmo o time da escola, sem acelerar, sem diminuir passos. A bateria também, pelo que a gente ouviu, passou direitinho. Agora, com o material, vamos dar uma ouvida. Sempre tem algo. Vamos corrigir para, no grande dia, cumprir com excelência no desfile”, afirmou.

Guma também destacou os ajustes feitos em tão pouco tempo entre o primeiro ensaio técnico, no último domingo, e o da sexta-feira: “Menos de uma semana, analisamos todos os materiais (principalmente a bateria) e sempre tem ajuste. Ajustamos algumas coisas. Hoje, antes de descer à pista, nosso time se reuniu com os diretores e ajustamos o que precisava. O que no primeiro achamos que não estava bom. E acredito que tenha funcionado. Vamos ver agora”, destacou.

ManchaVerde et MestreBateria

O carro de som, por sinal, foi destacado até pelo casal de mestre-sala e porta-bandeira. Os novos instrumentos foram notados por eles: “Acho que cada coisa que vamos entendendo e conhecemos do desfile, porque a gente não sabe de tudo, às vezes também é surpresa, mas vai nos deixando empolgados. Acho que o componente também, fazendo com que ele se empolgue mais a cada ensaio, a cada momento da escola para chegar no desfile no ápice”, pontuou Adriana.

Marcelo aproveitou para remeter à temática do desfile: “Acho que esse enredo dá para a gente criar muita coisa. A escola, o casal, a bateria, os componentes em si. Esses instrumentos vieram complementar, inclusive algumas partes da dança do casal, que vai nos ajudar. Temos algumas cenas na dança da nossa coreografia que remete ao xaxado. Isso nos ajudou em muito. Não sabíamos, mas ajudou e acabou influenciando naquilo que a gente criou dentro do enredo também”, arrematou.

Harmonia

O canto da escola foi sofrendo alterações conforme a apresentação acontecia. Com público razoável no Anhembi, a escola começou empolgada e com sustentação vocal, empolgando quem estava nas arquibancadas. Até mesmo as duas primeiras alas da escola, coreografadas, cantavam bem o samba. Conforme o ensaio técnico rolava, entretanto, o canto tornou-se irregular: alguns grupos cantavam mais forte, outros tinham menos força.

Sobretudo, a partir do segundo carro alegórico, mesmo quase sem alas coreografadas, o componente não correspondeu como no primeiro ensaio. Aqui, é importante relembrar que apenas cinco dias separaram o primeiro do segundo ensaio técnico da agremiação – o que tende a deixar todos menos empolgados por natureza.

ManchaVerde et Coreografada

Já ciente de que tal situação poderia acontecer, Guma fez questão de exaltar o papel dos ritmistas em ajudar a escola. “São várias situações positivas dentro da pista, mas a principal é a sustentação e a cadência para o componente cantar, evoluir, não oscilar. Sabemos que é difícil manter o ‘time’ da bateria para dar essa sustentação. Conseguimos manter, desde a largada até o final. Deve ter alguma alteraçãozinha que normalmente ocorreu, é muito orgânica. O ponto alto é a sustentação do ritmo junto com o carro de som para nosso povo evoluir”, pontuou.

É claro que Freddy Vianna, intérprete da escola, também comentou sobre os instrumentos inseridos: “Cada ano é um ano. Esse ano, como é um enredo regional, o Guma decidiu colocar instrumentos novos, regionais. Acho que dará muito certo. Ainda não fizemos, mas na largada do samba mesmo nós vamos fazer uma surpresa bem legal, bem regional, que vocês vão gostar. Dependendo do enredo, agrega muito. Nós temos um enredo super rico, nordestino, arretado, por que não, né? Ele está certíssimo”, respondeu.

Evolução

Paulo Rogério de Aquino, o Paulo Serdan, presidente da Mancha Verde, foi bastante sincero ao comentar o que viu da agremiação: “Hoje eu não gostei, sinceramente. Eu não achei legal. A pancada que a gente deu no domingo passado, hoje, não foi a mesma coisa. Algumas situações de alinhamento de ala, que não está combinando, eu não sei o que aconteceu. Tem algumas questõezinhas que vamos conversar para corrigir. Não é isso que estamos fazendo todos os anos, não é dessa forma que estamos desfilando. Hoje, mesmo descontraído, deu para enxergar que não é o que queremos para nós”, desabafou.

ManchaVerde et Componente

Além dos já citados alinhamentos, a reportagem também notou certa paralisação, de cerca de três ou quatro minutos, da escola enquanto a Puro Balanço entrava no recuo. Mesmo com a ala subsequente (das baianas, muito bem trajadas em tons de verde, por sinal) já ocupando todo o espaço, a instituição levou alguns instantes para voltar a evoluir. Serdan, entretanto, não viu dessa maneira – mas apontou algo que não foi observado: “Na verdade, eles abriram um pouquinho na hora de fazer o movimento, a curva foi um pouco a mais, só. Mas ali foi tranquilo”, destacou.

Novamente: é necessário lembrar que, de acordo com o próprio Serdan, em discurso na concentração, o segundo ensaio técnico também seria utilizado para uma certa descompressão dos componentes, por assim dizer. E, nas palavras do próprio presidente, a última apresentação será “Dia 04 vai ser de verdade, até a Viviane [Araújo, rainha da bateria] está indo para a quadra. Largada, tudo dentro do tempo… é lógico que não temos as alegorias, temos o espaçamento, mudamos até mesmo o andamento por causa disso, mas dia 04 vamos sair com a referência perfeita”, garantiu.

Outros destaques

– Serdan passou por alto sobre a largada. Pois bem: quando a sirene que anuncia o começo do desfile tocou, a escola ainda executava o hino da agremiação – o que não é permitido pelo regulamento. E, enquanto o samba-enredo de 2023 não começava a ser executado, a comissão de frente não saiu do lugar.

– Ao todo, a Puro Balanço fez dois apagões ao longo do ensaio técnico.

– Depois da saída da bateria do recuo, ainda vinham o último carro alegórico e uma ala.

– Na dispersão, a bateria foi para o lado direito – e não para o esquerdo, onde tradicionalmente os ritmistas costumam ficar. Por sinal, ao final do ensaio técnico, não houve execução do hino do Palmeiras – algo que aconteceu no primeiro ensaio.

– Se Serdan mostrou-se cético em relação ao ensaio técnico, Freddy gostou bastante: “Eu gostei de tudo. Eu gosto da minha comunidade, gosto do samba, gosto da bateria, desse clima de Anhembi. Esse clima é maravilhoso, dos ensaios. Eu estou muito feliz. Acho que a Mancha Verde vem muito forte para brigar, e no último ensaio podem esperar grandes surpresas que viremos comendo o chão por aí”, finalizou.

ManchaVerde et InterpreteFredViana

– Ao ser perguntado sobre o ensaio como um todo, o intérprete citou o conhecido delay ocasionado pelo sistema de som do Anhembi: “O time de canto é um time muito doutrinado. Tenho muito orgulho deles. São cantores de alto nível, graças a Deus. O presidente Paulo Serdan me dá essa liberdade de escolher quem eu quero para colocar no carro de som. A gente tem ensaiado desde setembro. Estamos acostumados a fazer aberturas, contracantos, e isso está dando muito certo esse ano, ainda mais com um samba tão regional como esse. Tenho que agradecer a Deus e a eles, que se empenham bastante. Acho que foi muito positivo. Acho que o som deixou um pouquinho a desejar, porque nós estamos servindo de cobaias. É o primeiro dia que estão ligando o som, então houve um atraso do som do carro de som para a bateria, com as caixas de som da Avenida, mas não é culpa deles. Eles estão fazendo o máximo para fazer o melhor para a gente. Só que atrasou um pouquinho, realmente tinha um ‘delayzinho’ aí, mas acho que de forma geral foi muito positivo, graças a Deus”, finalizou o cantor.

Colaboraram Fábio Martins, Gustavo Lima e Lucas Sampaio

Comissão de frente, ala musical e casal se destacam no ensaio técnico da Tucuruvi

0

O Acadêmicos do Tucuruvi realizou o seu primeiro ensaio técnico, na noite de sexta-feira, visando o carnaval de 2023. A comissão de frente com o seu repertório de danças e grande elemento alegórico foi o que mais chamou atenção no ensaio. Destaque também para o bailado do casal de mestre-sala e porta-bandeira, Luan Caliel e Waleska Gomes. O treino também marcou a estreia do intérprete Carlos Júnior no Anhembi com a comunidade do ‘Zaca’. Toda a ala musical e o carro de som tiveram grande desempenho, especialmente com o time de cordas, que realizou as notas de acordo com o enredo.

“Como todo ensaio, sempre tem coisas a se acertar, mas o que me fascina e que me motiva cada vez mais, é a alegria e espontaneidade das pessoas que largaram os seus afazeres, seus compromissos e vieram aqui cumprir o objetivo que a Tucuruvi tinha essa noite. Tecnicamente, nós vamos para casa ver alguns vídeos e até rever algumas coisas na pista também, mas eu saio daqui muito feliz. Sobre o canto, ao meu ver, é nessa parte que na minha visão eu acho que ainda temos que melhorar um pouquinho no ensaio geral e na pista. Ainda tem um delay, ainda é aquém do que a gente deseja, mas eu tenho certeza que no próximo vamos voltar aqui bem afinados e com o canto bem mais forte do que já é”, avaliou Rodrigo Delduque, vice-presidente e diretor de carnaval da agremiação.

Comissão de frente

A ala teve uma grande apresentação nesta noite. Uma encenação bem criativa com os integrantes interpretando sambistas dançando pela pista. Havia também um grande tripé, que aparentemente simbolizava a favela de Bezerra da Silva. Porém o momento-chave foi em cima do elemento alegórico, onde por lá eles saudavam o público e faziam uma coreografia carregando diversos tipos de instrumentos de roda de samba, como tamborim, reco-reco, pandeiro e outros. Todos estavam combinados com uma roupa inteiramente branca.

Tucuruvi et 16

Harmonia

A comunidade do ‘Zaca’ é famosa por desempenhar grandes performances no canto. Porém deu para notar que, desta vez, os componentes não pegaram o samba-enredo de forma empolgante. É uma novidade para a escola, pois está acostumada com versos fáceis e que coincidem entre si rapidamente. O hino para 2023 é complexo. É irreverente e tem uma grande letra, mas possui um estilo melódico que oscila bastante entre ser rápido e devagar. É mais “complicado” de pegar o jeito, tanto é que o refrão principal e os últimos versos são as partes fortes dentro do canto. Porém, dentro deste contexto, há de se destacar a ala ‘Entrelaçados no Samba’, que além de cantar bastante, o grupo se trata de uma ala coreografada.

“Por ser o primeiro foi um belíssimo ensaio. A comunidade veio firme, feliz e o importante é que veio gostoso e para fazer a alegria do povo. O nosso canto veio bom, mas no próximo vamos melhorar, assim como a evolução. Vamos vir em um grande dia”, disse a diretora de harmonia, Fabiana Lopes.

Mestre-sala e Porta-bandeira

Luan Caliel e Waleska Gomes tiveram uma grande performance na noite. A dupla está se consolidando cada vez mais como uma dupla totalmente entrosada no carnaval paulistano. A porta-bandeira, principalmente, esbanjou simpatia. Desfilou muito leve e fez questão de interagir com o público durante toda a apresentação da escola. Sobre as questões técnicas, em análise frente ao setor B, o casal realizou os movimentos dentro do samba com sincronia. Também fizeram os giros horário e anti-horário de forma protocolar e, após, estenderam o pavilhão corretamente.

Tucuruvi et PrimeiroCasal

“Olha, eu vou falar. Para eu falar isso, é porque foi muito bom, porque eu sou muito rígida, o Luan sofre. Mas eu acho que todo o nosso empenho, que viemos ensaiando sete dias na semana, quem acompanha a gente sabe, valeu a pena, porque hoje o nosso ensaio foi incrível. Eu gostei muito, filho, muito mesmo. Você está de parabéns porque você arrasa, meu filho, de verdade. Eu estou muito feliz com o nosso desempenho hoje. É impressionante, eu também não estou acreditando que estou te falando isso”, disse a porta-bandeira

“Primeiramente agradecer a minha Porta-Bandeira, não tenho palavras para ela. Eu sou bem rígido também, bem criterioso também. Acho que só no comecinho temos que acertar alguns pontos de cabeça. Eu tenho esse lance de cabeça, eu e ela temos que ser tipo um espelho. Então é só no comecinho que tem uma coisinha aqui que depois daremos uma acertada. Em questão a jurados, foi praticamente perfeito. Acho que cumprimos o que o critério pede. Finalizações eu e ela sincronizadas, nenhuma sem sincronismo. E questão de andamento da escola, que nos influencia bastante, sentimos que estava perfeito para dançar. Então, avaliado esse ensaio praticamente perfeito, é só acertar mais um pouquinho as coisas, afinal a dança nunca é perfeita, sempre é uma questão de evolução. Acho que é isso, ajustar uns detalhezinhos de leve e preparar para o próximo ensaio técnico no dia quatro”, completou o mestre-sala.

Evolução

A comunidade da Cantareira evoluiu de forma satisfatória. O alinhamento das alas foi executado de maneira correta e, assim, permaneceram intactas. A escola adotou uma linha de não fazer coreografias dentro do samba. Aparentemente estão deixando os componentes mais soltos para desfilar. As alas coreografadas sempre tiveram papel importante na Tucuruvi, levando contextos e coreografias criativas. No entanto, apenas uma ala é identificada totalmente como tal, que fica localizada no último setor.

Samba-Enredo

É um samba muito interessante. Não conta a história de Bezerra da Silva em si. O fato é que utiliza da figura dele, da malandragem e dos feitos para se transformar em uma obra crítica. O samba foi cantado pelo intérprete Carlos Júnior, que pisou no Anhembi pela primeira vez vestindo as cores da Tucuruvi. Foi um ensaio grandioso, como sempre no estilo de colocar a comunidade para cima o tempo todo. Um grande reforço e uma voz referência paulistana agregando totalmente na escola.

Tucuruvi et InterpreteCarlosJr

O intérprete Carlos Júnior comentou sobre o ensaio. “Eu sou estreante, primeira vez no Tucuruvi. Foi melhor do que eu esperava, porque a quadra da escola é pequena, não comporta a escola inteira. Quando eu cheguei, fiquei meio ansioso com a possibilidade de ter uma escola pequena, não vir os componentes ou algo assim. Mas me surpreendeu muito. Tem algumas escolas que já estão prontas há anos, e nós estamos com uma diretoria de carnaval e vice-presidente novos. Acho que a gente vai ter que fazer um trabalho a curto prazo e não sei como foi par o público, mas, internamente, acho que a gente fez mais do que esperávamos. Não é agora que a gente vai conseguir ganhar das grandes escolas de São Paulo, mas, talvez, como treino é treino e jogo é jogo, talvez caia no nosso colo. Vamos fazer de tudo para isso acontecer”, declarou.

Carlos Júnior ainda falou do hino cantado. “Tem uma mensagem muito grande, até pelo momento que a gente vive no Brasil, polarização, que é ‘Um monte de dedos de seta/Canalhas que a pátria pariu’… esses canalhas não são de Direita ou Esquerda: em todo lugar existe um canalha querendo passar a perna no trabalhador, no operário, na pessoa de baixo. Se a gente tem uma população tão rica, por que tem gente na rua, passando fome e pedindo cesta básica? Porque está cheio de canalha no Planalto. Não acho que tem que ter destruição, mas acho que tem que ter reivindicação, revolução. O Brasil não pode passar fome. Não é de hoje, é de séculos atrás, nos acostumamos com uma cultura de canalhas. Tomara Deus que, um dia, quem sabe uma nova geração, consiga limpar essa imagem que a gente tem de que a gente tem que chegar num Congresso, ou na política, ou em toda e qualquer instituição. A mensagem que tem na Tucuruvi que eu mais gosto, que eu vou bater no dia do desfile, é essa. Canalhocratas não são democratas. Canalhocratas!”, completou.

Outros destaques

A ‘Bateria do Zaca’, comandada pelo mestre Serginho, tem uma característica estratégica. Na maioria das vezes, apenas marcam o samba com o andamento e, depois, realizam as bossas em momentos estratégicos. Foram três breques, com destaque para o que fica localizado no refrão do meio.

Tucuruvi et Rainha

“Melhorou comparado ao ensaio específico. O som ajuda muito. Tem uma galera que não consegue ensaiar direito, chega com o samba mais ou menos na ponta da língua, mas nós melhoramos, temos algumas coisas para acertar. Teve uma bossa que a gente correu um pouco ali e aqui. Vamos acertar e ver bastantes vídeos. Sobre as bossas, para nós não muda nada. É só ensaiar os caras direto. Temos uma bossa no refrão do meio, uma lá em cima do ‘pagodinho’ e outra que faz parte da introdução”, avaliou o mestre Serginho.

O intérprete Carlos Júnior tomou as rédeas e deu o discurso antes da entrada da escola na avenida e incentivou os componentes. No primeiro verso, após o refrão principal, o cavaco fez o som da música “Aquarela do Brasil”, de Ary Barroso.

Colaboraram Fábio Martins, Lucas Sampaio e Will Ferreira