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Comissão de frente, ala musical e casal se destacam no ensaio técnico da Tucuruvi

O Acadêmicos do Tucuruvi realizou o seu primeiro ensaio técnico, na noite de sexta-feira, visando o carnaval de 2023. A comissão de frente com o seu repertório de danças e grande elemento alegórico foi o que mais chamou atenção no ensaio. Destaque também para o bailado do casal de mestre-sala e porta-bandeira, Luan Caliel e Waleska Gomes. O treino também marcou a estreia do intérprete Carlos Júnior no Anhembi com a comunidade do ‘Zaca’. Toda a ala musical e o carro de som tiveram grande desempenho, especialmente com o time de cordas, que realizou as notas de acordo com o enredo.

“Como todo ensaio, sempre tem coisas a se acertar, mas o que me fascina e que me motiva cada vez mais, é a alegria e espontaneidade das pessoas que largaram os seus afazeres, seus compromissos e vieram aqui cumprir o objetivo que a Tucuruvi tinha essa noite. Tecnicamente, nós vamos para casa ver alguns vídeos e até rever algumas coisas na pista também, mas eu saio daqui muito feliz. Sobre o canto, ao meu ver, é nessa parte que na minha visão eu acho que ainda temos que melhorar um pouquinho no ensaio geral e na pista. Ainda tem um delay, ainda é aquém do que a gente deseja, mas eu tenho certeza que no próximo vamos voltar aqui bem afinados e com o canto bem mais forte do que já é”, avaliou Rodrigo Delduque, vice-presidente e diretor de carnaval da agremiação.

Comissão de frente

A ala teve uma grande apresentação nesta noite. Uma encenação bem criativa com os integrantes interpretando sambistas dançando pela pista. Havia também um grande tripé, que aparentemente simbolizava a favela de Bezerra da Silva. Porém o momento-chave foi em cima do elemento alegórico, onde por lá eles saudavam o público e faziam uma coreografia carregando diversos tipos de instrumentos de roda de samba, como tamborim, reco-reco, pandeiro e outros. Todos estavam combinados com uma roupa inteiramente branca.

Harmonia

A comunidade do ‘Zaca’ é famosa por desempenhar grandes performances no canto. Porém deu para notar que, desta vez, os componentes não pegaram o samba-enredo de forma empolgante. É uma novidade para a escola, pois está acostumada com versos fáceis e que coincidem entre si rapidamente. O hino para 2023 é complexo. É irreverente e tem uma grande letra, mas possui um estilo melódico que oscila bastante entre ser rápido e devagar. É mais “complicado” de pegar o jeito, tanto é que o refrão principal e os últimos versos são as partes fortes dentro do canto. Porém, dentro deste contexto, há de se destacar a ala ‘Entrelaçados no Samba’, que além de cantar bastante, o grupo se trata de uma ala coreografada.

“Por ser o primeiro foi um belíssimo ensaio. A comunidade veio firme, feliz e o importante é que veio gostoso e para fazer a alegria do povo. O nosso canto veio bom, mas no próximo vamos melhorar, assim como a evolução. Vamos vir em um grande dia”, disse a diretora de harmonia, Fabiana Lopes.

Mestre-sala e Porta-bandeira

Luan Caliel e Waleska Gomes tiveram uma grande performance na noite. A dupla está se consolidando cada vez mais como uma dupla totalmente entrosada no carnaval paulistano. A porta-bandeira, principalmente, esbanjou simpatia. Desfilou muito leve e fez questão de interagir com o público durante toda a apresentação da escola. Sobre as questões técnicas, em análise frente ao setor B, o casal realizou os movimentos dentro do samba com sincronia. Também fizeram os giros horário e anti-horário de forma protocolar e, após, estenderam o pavilhão corretamente.

“Olha, eu vou falar. Para eu falar isso, é porque foi muito bom, porque eu sou muito rígida, o Luan sofre. Mas eu acho que todo o nosso empenho, que viemos ensaiando sete dias na semana, quem acompanha a gente sabe, valeu a pena, porque hoje o nosso ensaio foi incrível. Eu gostei muito, filho, muito mesmo. Você está de parabéns porque você arrasa, meu filho, de verdade. Eu estou muito feliz com o nosso desempenho hoje. É impressionante, eu também não estou acreditando que estou te falando isso”, disse a porta-bandeira

“Primeiramente agradecer a minha Porta-Bandeira, não tenho palavras para ela. Eu sou bem rígido também, bem criterioso também. Acho que só no comecinho temos que acertar alguns pontos de cabeça. Eu tenho esse lance de cabeça, eu e ela temos que ser tipo um espelho. Então é só no comecinho que tem uma coisinha aqui que depois daremos uma acertada. Em questão a jurados, foi praticamente perfeito. Acho que cumprimos o que o critério pede. Finalizações eu e ela sincronizadas, nenhuma sem sincronismo. E questão de andamento da escola, que nos influencia bastante, sentimos que estava perfeito para dançar. Então, avaliado esse ensaio praticamente perfeito, é só acertar mais um pouquinho as coisas, afinal a dança nunca é perfeita, sempre é uma questão de evolução. Acho que é isso, ajustar uns detalhezinhos de leve e preparar para o próximo ensaio técnico no dia quatro”, completou o mestre-sala.

Evolução

A comunidade da Cantareira evoluiu de forma satisfatória. O alinhamento das alas foi executado de maneira correta e, assim, permaneceram intactas. A escola adotou uma linha de não fazer coreografias dentro do samba. Aparentemente estão deixando os componentes mais soltos para desfilar. As alas coreografadas sempre tiveram papel importante na Tucuruvi, levando contextos e coreografias criativas. No entanto, apenas uma ala é identificada totalmente como tal, que fica localizada no último setor.

Samba-Enredo

É um samba muito interessante. Não conta a história de Bezerra da Silva em si. O fato é que utiliza da figura dele, da malandragem e dos feitos para se transformar em uma obra crítica. O samba foi cantado pelo intérprete Carlos Júnior, que pisou no Anhembi pela primeira vez vestindo as cores da Tucuruvi. Foi um ensaio grandioso, como sempre no estilo de colocar a comunidade para cima o tempo todo. Um grande reforço e uma voz referência paulistana agregando totalmente na escola.

O intérprete Carlos Júnior comentou sobre o ensaio. “Eu sou estreante, primeira vez no Tucuruvi. Foi melhor do que eu esperava, porque a quadra da escola é pequena, não comporta a escola inteira. Quando eu cheguei, fiquei meio ansioso com a possibilidade de ter uma escola pequena, não vir os componentes ou algo assim. Mas me surpreendeu muito. Tem algumas escolas que já estão prontas há anos, e nós estamos com uma diretoria de carnaval e vice-presidente novos. Acho que a gente vai ter que fazer um trabalho a curto prazo e não sei como foi par o público, mas, internamente, acho que a gente fez mais do que esperávamos. Não é agora que a gente vai conseguir ganhar das grandes escolas de São Paulo, mas, talvez, como treino é treino e jogo é jogo, talvez caia no nosso colo. Vamos fazer de tudo para isso acontecer”, declarou.

Carlos Júnior ainda falou do hino cantado. “Tem uma mensagem muito grande, até pelo momento que a gente vive no Brasil, polarização, que é ‘Um monte de dedos de seta/Canalhas que a pátria pariu’… esses canalhas não são de Direita ou Esquerda: em todo lugar existe um canalha querendo passar a perna no trabalhador, no operário, na pessoa de baixo. Se a gente tem uma população tão rica, por que tem gente na rua, passando fome e pedindo cesta básica? Porque está cheio de canalha no Planalto. Não acho que tem que ter destruição, mas acho que tem que ter reivindicação, revolução. O Brasil não pode passar fome. Não é de hoje, é de séculos atrás, nos acostumamos com uma cultura de canalhas. Tomara Deus que, um dia, quem sabe uma nova geração, consiga limpar essa imagem que a gente tem de que a gente tem que chegar num Congresso, ou na política, ou em toda e qualquer instituição. A mensagem que tem na Tucuruvi que eu mais gosto, que eu vou bater no dia do desfile, é essa. Canalhocratas não são democratas. Canalhocratas!”, completou.

Outros destaques

A ‘Bateria do Zaca’, comandada pelo mestre Serginho, tem uma característica estratégica. Na maioria das vezes, apenas marcam o samba com o andamento e, depois, realizam as bossas em momentos estratégicos. Foram três breques, com destaque para o que fica localizado no refrão do meio.

“Melhorou comparado ao ensaio específico. O som ajuda muito. Tem uma galera que não consegue ensaiar direito, chega com o samba mais ou menos na ponta da língua, mas nós melhoramos, temos algumas coisas para acertar. Teve uma bossa que a gente correu um pouco ali e aqui. Vamos acertar e ver bastantes vídeos. Sobre as bossas, para nós não muda nada. É só ensaiar os caras direto. Temos uma bossa no refrão do meio, uma lá em cima do ‘pagodinho’ e outra que faz parte da introdução”, avaliou o mestre Serginho.

O intérprete Carlos Júnior tomou as rédeas e deu o discurso antes da entrada da escola na avenida e incentivou os componentes. No primeiro verso, após o refrão principal, o cavaco fez o som da música “Aquarela do Brasil”, de Ary Barroso.

Colaboraram Fábio Martins, Lucas Sampaio e Will Ferreira

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