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Bateria e casal de mestre-sala e porta-bandeira se destacam no segundo ensaio técnico da Mancha Verde

Realizado na noite de sexta-feira, o segundo ensaio técnico da Mancha Verde no Anhembi teve muitas similaridades com o primeiro. Ainda antes do início da apresentação, Paulo Serdan, presidente da escola, pediu para que os componentes brincassem e “tirassem onda”. O peso tirado das costas dos foliões rendeu frutos, mas acendeu alertas na agremiação, que cantará o enredo “Oxente – Sou Nordeste, Sou Xaxado, Sou Brasil” no carnaval 2023.

Mestre-Sala e Porta-Bandeira

Até a Arquibancada Monumental (ou seja, nos dois primeiros setores do Anhembi), Marcelo Silva e Adriana Gomes fizeram questão de mostrar entrosamento com o samba-enredo, marcando alguns versos. Em outros momentos, ambos faziam passos que remetiam a ritmos nordestinos – como o xaxado, citado no enredo e no samba.

A partir do Setor C do Sambódromo, entretanto, eles passaram a girar diversas vezes, bastante soltos e em grande sincronia – a apresentação para a segunda cabine de jurados, por sinal, não teve um erro técnico sequer, com o desfraldamento do pavilhão executado de maneira sublime, sem problemas com ventos ou com os giros.

Uma curiosidade: Marcelo possui um raio de dança bastante raro. Ele começa cortejando a porta-bandeira de maneira bem próxima, se afasta e, depois, volta a ficar perto da dupla. A apresentação rendeu efusivos aplausos em todos os setores do Anhembi.

“Para mim nesse ensaio conseguimos cumprir tudo aquilo que viemos ensaiando desde agosto, mesmo com o problema do vento que para mim não atrapalha, mas atrapalha a minha parceira. Eu preciso tentar conduzir da melhor forma para ela dar uma segurada, conseguir dar uma relaxada no braço. Não que ela vá deixar de exibir o pavilhão, mas dar uma maneirada. Acho que a gente conseguiu, dentro da dança, dar aquela aliviada para na hora de chegar perto dos jurados fazermos a apresentação com tudo aquilo que ensaiamos desde agosto. Acho que foi com perfeição os quatro jurados e o decorrer da Avenida”, pontuou Marcelo.

Adriana relembrou o primeiro ensaio, apenas cinco dias distante do segundo: “Um erro a gente conserta, o que não deu certo a gente tenta de novo, o que rolou a gente muda. Foi exatamente o que aconteceu. Foi um ensaio muito mais tranquilo. Conseguimos nessa semana, entre domingo e hoje, ajustar aquilo que entendemos que não deu certo no primeiro ensaio. Porque é aquilo que a gente fala, criamos, trazemos para cá, mas com o andamento da escola e de outras coisas, vamos percebendo aquilo que dá certo. Hoje eu saio tranquila. Aquilo que construiu, reconstruímos, realizamos, e vamos indo até chegar o dia do desfile”, afirmou.

Aproveitando para falar sobre perfeição, Adriana mostrou-se bastante perfeccionista: “A gente nunca chega no 100%, mas sempre vamos em busca de. O mais interessante é irmos buscar, porque é claro que achamos que é perfeito, mas não somos perfeitos. Somos passíveis de erros. A pista é muito louca, na pista tudo acontece. Eu acredito que, claro, o tempo de pista que temos ajuda, mas a gente tem que sempre ir atrás da perfeição, e vamos sempre atrás da perfeição”, comentou.

Comissão de Frente

Logo de cara, uma novidade na comissão-de-frente coreografada por Wender Lustosa e Marcos dos Santos: os integrantes tinham roupas mais a caráter, com chapéus de cangaceiros. Também foi possível identificar personagens bastante identificados com o Nordeste – casos de Lampião, Maria Bonita e Luis Gonzaga.

A comissão de frente optou por uma coreografia longa, sem marcar muito o samba – para realizar todos os passos, quase um setor foi necessário. Os integrantes não tiveram erros nas cabines de jurados e ainda executaram um delírio: Lampião se casando em plena avenida com Maria Bonita sob as bênçãos de Padre Cícero e com Luis Gonzaga na sanfona.

Também vale destacar algo raríssimo em comissões de frente: em dado momento da coreografia, sempre próximo do refrão principal, todos os integrantes se reúnem e ficam parados, como se estivessem posando para uma foto. O momento estático, entretanto, não prejudica a Evolução da escola, já que dura apenas alguns segundos e, para tal ação, ambos se deslocam para frente.

Chamou atenção um espaço considerável entre a comissão de frente e a primeira ala da escola – coreografada. Ficou a dúvida se ele é intencional ou se tal espaçamento foi ensaiado pensando em um tripé.

Samba-Enredo

Com um samba elogiado, a Mancha Verde começou o desfile com a energia de uma bicampeã que venceu duas das três últimas edições do carnaval paulistano – e foi vice na que não conquistou o título. Se não teve problema algum na ala musical (com grandes noites do carro de som; de Freddy Viana, intérprete da escola; e da Puro Balanço), a canção foi perdendo rendimento entre os componentes conforme a apresentação acontecia. O andamento, entretanto, seguiu firme e linear.

Na visão de Guma Sena, mestre de bateria da Mancha Verde, o ensaio teve como principal característica a linearidade: “Do meu ponto de vista, em frente da bateria, o andamento da escola, veio muito tranquilo e cadenciado. A escola com volume, não percebi nenhuma ocorrência em questão de Evolução. Temos uma noção que às vezes acelera um pouco o passo, aperta um pouco mais, às vezes diminui, mas hoje veio muito tranquilo. Viemos marcando mesmo o time da escola, sem acelerar, sem diminuir passos. A bateria também, pelo que a gente ouviu, passou direitinho. Agora, com o material, vamos dar uma ouvida. Sempre tem algo. Vamos corrigir para, no grande dia, cumprir com excelência no desfile”, afirmou.

Guma também destacou os ajustes feitos em tão pouco tempo entre o primeiro ensaio técnico, no último domingo, e o da sexta-feira: “Menos de uma semana, analisamos todos os materiais (principalmente a bateria) e sempre tem ajuste. Ajustamos algumas coisas. Hoje, antes de descer à pista, nosso time se reuniu com os diretores e ajustamos o que precisava. O que no primeiro achamos que não estava bom. E acredito que tenha funcionado. Vamos ver agora”, destacou.

O carro de som, por sinal, foi destacado até pelo casal de mestre-sala e porta-bandeira. Os novos instrumentos foram notados por eles: “Acho que cada coisa que vamos entendendo e conhecemos do desfile, porque a gente não sabe de tudo, às vezes também é surpresa, mas vai nos deixando empolgados. Acho que o componente também, fazendo com que ele se empolgue mais a cada ensaio, a cada momento da escola para chegar no desfile no ápice”, pontuou Adriana.

Marcelo aproveitou para remeter à temática do desfile: “Acho que esse enredo dá para a gente criar muita coisa. A escola, o casal, a bateria, os componentes em si. Esses instrumentos vieram complementar, inclusive algumas partes da dança do casal, que vai nos ajudar. Temos algumas cenas na dança da nossa coreografia que remete ao xaxado. Isso nos ajudou em muito. Não sabíamos, mas ajudou e acabou influenciando naquilo que a gente criou dentro do enredo também”, arrematou.

Harmonia

O canto da escola foi sofrendo alterações conforme a apresentação acontecia. Com público razoável no Anhembi, a escola começou empolgada e com sustentação vocal, empolgando quem estava nas arquibancadas. Até mesmo as duas primeiras alas da escola, coreografadas, cantavam bem o samba. Conforme o ensaio técnico rolava, entretanto, o canto tornou-se irregular: alguns grupos cantavam mais forte, outros tinham menos força.

Sobretudo, a partir do segundo carro alegórico, mesmo quase sem alas coreografadas, o componente não correspondeu como no primeiro ensaio. Aqui, é importante relembrar que apenas cinco dias separaram o primeiro do segundo ensaio técnico da agremiação – o que tende a deixar todos menos empolgados por natureza.

Já ciente de que tal situação poderia acontecer, Guma fez questão de exaltar o papel dos ritmistas em ajudar a escola. “São várias situações positivas dentro da pista, mas a principal é a sustentação e a cadência para o componente cantar, evoluir, não oscilar. Sabemos que é difícil manter o ‘time’ da bateria para dar essa sustentação. Conseguimos manter, desde a largada até o final. Deve ter alguma alteraçãozinha que normalmente ocorreu, é muito orgânica. O ponto alto é a sustentação do ritmo junto com o carro de som para nosso povo evoluir”, pontuou.

É claro que Freddy Vianna, intérprete da escola, também comentou sobre os instrumentos inseridos: “Cada ano é um ano. Esse ano, como é um enredo regional, o Guma decidiu colocar instrumentos novos, regionais. Acho que dará muito certo. Ainda não fizemos, mas na largada do samba mesmo nós vamos fazer uma surpresa bem legal, bem regional, que vocês vão gostar. Dependendo do enredo, agrega muito. Nós temos um enredo super rico, nordestino, arretado, por que não, né? Ele está certíssimo”, respondeu.

Evolução

Paulo Rogério de Aquino, o Paulo Serdan, presidente da Mancha Verde, foi bastante sincero ao comentar o que viu da agremiação: “Hoje eu não gostei, sinceramente. Eu não achei legal. A pancada que a gente deu no domingo passado, hoje, não foi a mesma coisa. Algumas situações de alinhamento de ala, que não está combinando, eu não sei o que aconteceu. Tem algumas questõezinhas que vamos conversar para corrigir. Não é isso que estamos fazendo todos os anos, não é dessa forma que estamos desfilando. Hoje, mesmo descontraído, deu para enxergar que não é o que queremos para nós”, desabafou.

Além dos já citados alinhamentos, a reportagem também notou certa paralisação, de cerca de três ou quatro minutos, da escola enquanto a Puro Balanço entrava no recuo. Mesmo com a ala subsequente (das baianas, muito bem trajadas em tons de verde, por sinal) já ocupando todo o espaço, a instituição levou alguns instantes para voltar a evoluir. Serdan, entretanto, não viu dessa maneira – mas apontou algo que não foi observado: “Na verdade, eles abriram um pouquinho na hora de fazer o movimento, a curva foi um pouco a mais, só. Mas ali foi tranquilo”, destacou.

Novamente: é necessário lembrar que, de acordo com o próprio Serdan, em discurso na concentração, o segundo ensaio técnico também seria utilizado para uma certa descompressão dos componentes, por assim dizer. E, nas palavras do próprio presidente, a última apresentação será “Dia 04 vai ser de verdade, até a Viviane [Araújo, rainha da bateria] está indo para a quadra. Largada, tudo dentro do tempo… é lógico que não temos as alegorias, temos o espaçamento, mudamos até mesmo o andamento por causa disso, mas dia 04 vamos sair com a referência perfeita”, garantiu.

Outros destaques

– Serdan passou por alto sobre a largada. Pois bem: quando a sirene que anuncia o começo do desfile tocou, a escola ainda executava o hino da agremiação – o que não é permitido pelo regulamento. E, enquanto o samba-enredo de 2023 não começava a ser executado, a comissão de frente não saiu do lugar.

– Ao todo, a Puro Balanço fez dois apagões ao longo do ensaio técnico.

– Depois da saída da bateria do recuo, ainda vinham o último carro alegórico e uma ala.

– Na dispersão, a bateria foi para o lado direito – e não para o esquerdo, onde tradicionalmente os ritmistas costumam ficar. Por sinal, ao final do ensaio técnico, não houve execução do hino do Palmeiras – algo que aconteceu no primeiro ensaio.

– Se Serdan mostrou-se cético em relação ao ensaio técnico, Freddy gostou bastante: “Eu gostei de tudo. Eu gosto da minha comunidade, gosto do samba, gosto da bateria, desse clima de Anhembi. Esse clima é maravilhoso, dos ensaios. Eu estou muito feliz. Acho que a Mancha Verde vem muito forte para brigar, e no último ensaio podem esperar grandes surpresas que viremos comendo o chão por aí”, finalizou.

– Ao ser perguntado sobre o ensaio como um todo, o intérprete citou o conhecido delay ocasionado pelo sistema de som do Anhembi: “O time de canto é um time muito doutrinado. Tenho muito orgulho deles. São cantores de alto nível, graças a Deus. O presidente Paulo Serdan me dá essa liberdade de escolher quem eu quero para colocar no carro de som. A gente tem ensaiado desde setembro. Estamos acostumados a fazer aberturas, contracantos, e isso está dando muito certo esse ano, ainda mais com um samba tão regional como esse. Tenho que agradecer a Deus e a eles, que se empenham bastante. Acho que foi muito positivo. Acho que o som deixou um pouquinho a desejar, porque nós estamos servindo de cobaias. É o primeiro dia que estão ligando o som, então houve um atraso do som do carro de som para a bateria, com as caixas de som da Avenida, mas não é culpa deles. Eles estão fazendo o máximo para fazer o melhor para a gente. Só que atrasou um pouquinho, realmente tinha um ‘delayzinho’ aí, mas acho que de forma geral foi muito positivo, graças a Deus”, finalizou o cantor.

Colaboraram Fábio Martins, Gustavo Lima e Lucas Sampaio

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