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Freddy Ferreira analisa a bateria da Vila Isabel no ensaio técnico

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A bateria da Unidos de Vila Isabel fez um ensaio técnico muito bom, sob o comando de mestre Macaco Branco. Uma musicalidade pautada pela simplicidade. O ritmo tradicional da Vila exibiu uma conjunção sonora praticamente impecável da “Swingueira de Noel”, muito por conta da equalização privilegiada da bateria da escola do morro dos Macacos. Como forma de demonstrar versatilidade, por vezes a bateria da Vila realizou a subida de três simples, permitindo dinamismo sonoro quando apresentada. Vale ressaltar que a referida subida auxiliou na plena fluência entre os mais diversos naipes, principalmente na parte de trás do ritmo.

A cozinha da bateria ficou marcada pelo peso das marcações, graças a afinação particularmente grave dos surdos, característica musical praticamente identitária da bateria da Unidos de Vila Isabel. Marcadores de primeira e segunda foram consistentes durante toda a pista. Os surdos de terceira, efetuando o papel de centrador, deram balanço ao ritmo também nas convenções. As caixas de guerra retas e tocadas de modo uníssono deram base de sustentação musical aos demais naipes. Repiques coesos e ressonantes auxiliaram no preenchimento da sonoridade. Já os taróis propagaram um swing envolvente, graças a batida genuína com levada de partido alto, complementando com notória qualidade musical a bateria “Swingueira de Noel”.

A parte da frente do ritmo contou com um naipe de cuícas com qualidade sonora acima da média. O naipe de tamborins exibiu um desenho rítmico que realçou a melodia do samba, sendo executado de forma firme, limpa e chapada. O destaque rítmico da cabeça da bateria ficou com uma ala de chocalhos que agregou ao ritmo da Vila com inegável técnica musical, além de apresentar um toque perfeitamente integrado, como se fosse um só durante todo o cortejo.

A bossa do refrão do meio se aproveitou da pressão provocada pela afinação de surdos, aliada a batida de outros naipes, como tarol, caixa, repique, tamborim e chocalho. O detalhe musical fica a cargo da musicalidade propiciada pelo balanço dos surdos, se fazendo valer das diferenças de timbres entre primeira, segunda e terceira para consolidar a frase rítmica dentro da métrica do samba-enredo.

A paradinha de maior destaque musical é a da segunda no samba, a partir do trecho “Pulei fogueira”. Uma construção musical soberba, exibindo um ritmo conhecido como Galope, numa elaboração privilegiada. Acompanhando o que pede a melodia, a musicalidade ganhou uma pegada junina que empolgou tanto a comunidade da escola, como o público presente na Sapucaí. Mais uma vez o balanço e pressão dos surdos foi um diferencial, além do molho das demais peças produzindo ritmo no arranjo musical de forma consistente e sólida. A conclusão com os surdos explorando a nuance melódica do verso inicial do refrão principal “O Rei Momo convidou” apresentou refino em uma constituição que se mostrou pra lá de sofisticada.

Uma apresentação digna das tradições musicais da bateria da Vila Isabel. Mestre Macaco Branco, assim como todos os diretores e ritmistas da “Swingueira de Noel” tem motivos para ficarem contentes, além de confiantes num grande desfile na próxima semana. Uma sonoridade que se destacou pelos caminhos simples buscados, bem como pelo impacto sonoro de bossas eficientes e funcionais.

Do ‘Evoé’ ao ‘Anarriê’, Vila Isabel faz um ensaio perfeito com destaque para comissão de frente e casal

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Depois da forte chuva que caiu no Rio de Janeiro no começo da noite de sábado, a Vila Isabel abriu o dia de ensaios técnicos com uma garoa e assim conseguiu fazer o desfile sem muitas dificuldades. A comissão de frente diferenciada e a inovação criativa do casal Marcinho Siqueira e Cristiane Caldas foram destaques pela curiosidade que causaram no público e pela beleza dos movimentos. A Vila vai ser a terceira escola a desfilar na segunda-feira de carnaval. O enredo para 2023 é “Nessa festa, eu levo fé!” desenvolvido pelo carnavalesco Paulo Barros e tem como temática as festas ligadas às religiões pelo Brasil e pelo mundo. * VEJA AQUI FOTOS DO ENSAIO

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Fotos de Nelson Malfacini/Site CARNAVALESCO

“Um balanço super positivo, apesar da chuva, que na hora do desfile, graças a Deus, deu uma trégua. A comunidade compareceu e a Vila Isabel fez o dever de casa – uma prévia do que iremos apresentar no desfile oficial. Parabéns para a comunidade, que vem evoluindo muito. Estamos fazendo ótimos ensaios de rua e a prova foi o que fizemos hoje na Sapucaí – comissão de frente, casal, Macaco Branco, carro de som, Tinga, Douglas, Dona Sheila da velha guarda – só tenho a agradecer a toda comunidade. Claro que ainda temos algo para melhorar. A gente tem uma semana e iremos conversar e pontuar o que nós erramos para que na segunda de carnaval a gente chegue 100%. Venho com 2700 componentes”, explicou Moisés Carvalho, diretor de carnaval.

Comissão de frente

Os integrantes coreografados por Alex Neoral e Márcio Jahú vieram em uma proposta diferente. Em cena, vampiros, múmias, noivas cadáveres, quatro “Wandinhas Addams” e uma bruxa performaram a sua própria festa com direito a balinhas arremessadas para o público. Os dançarinos tinham movimentos bem sincronizados e divertidos. Essa comissão provocou a curiosidade sobre o que será visto no dia do desfile oficial.

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Mestre-sala e Porta-bandeira

Marcinho Siqueira e Cristiane Caldas fizeram uma apresentação com uma inovação: os guardiões interagiram mais do que o habitual com o casal. O começo era marcado por um bailado que lembrava valsa e evoluía para os passos mais clássicos do cortejo de mestre-sala e porta-bandeira. Ao longo da performance, o casal fazia passos que eram associados às festas mencionadas na letra, como passos de festa junina e saudações a orixás.

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Harmonia

A comunidade da Vila Isabel deixou claro que eles estão com o samba-enredo na ponta da língua. A escola cantou forte não só nos momentos que a letra pedia, mas por toda sua extensão. A empolgação veio também pelo carro de som comandado por Tinga. O cantor abrilhantou o ensaio técnico incentivando e elogiando a força da agremiação sem deixar de cantar o samba em sua completude.

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Evolução

A azul e branco desfilou sem defeitos nesse quesito. As alas estavam coesas e a escola não precisou correr nem desacelerar ao passar ocupar por 63 minutos a Marquês de Sapucaí. A comunidade estava muito confortável para brincar carnaval, dançando muito, cantando alto e sambando. Um exemplo disso é a velha-guarda, que passou mais para o final do desfile. Os veteranos estavam muito alegres mesmo embaixo da chuva que insistia em cair. Um ponto interessante é o fato de a ala de passistas estar em volta de um tripé representando uma festa junina. O elemento cenográfico não dificultou a evolução do samba no pé dos integrantes.

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Samba-Enredo

A composição de Dinny da Vila, Kleber Cassino, Mano 10, Doc Santana e Marcos cantada na Avenida comprovou que a Vila Isabel está em ótimas mãos. Além dos pontos altos como “Evoé” e o segurando refrão, o trecho “Pulei fogueira/Anarriê no arraiá brinquei” ganhou o coração do público. A letra do samba não apresenta nenhum empecilho para o aprendizado, o que facilitou os componentes a aprenderem e cantarem com tamanha excelência.

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“Vocês puderam ver um samba alegre, um samba leve, a comunidade inteira cantando com muita alegria. Chovendo e assim mesmo a comunidade representou da melhor forma possível. Fiquei muito feliz. Com certeza vai ser um sucesso. A Vila Isabel vai chegar com força e com garra para buscar o nosso objetivo que é ser campeã do carnaval. Dá para melhorar sempre. Até o dia do desfile, nós procuramos fazer o nosso melhor e vamos continuar trabalhando para chegar no dia podermos cantar e levar alegria e a nossa voz para a comunidade. Eu e o mestre Macaco Branco conversamos demais. A sintonia é muito grande. Nós estamos sempre juntos conversando, buscando sempre o melhor da nossa escola. Eu adoro a parte da festa junina. É muito maneiro, a escola canta com diversão, a gente lembra da nossa época de criança”, lembrou o intérprete Tinga.

Outros destaques

A bateria “Swingueira de Noel” liderada pelo mestre Macaco Branco provocou surpresa com uma bossa baseada no contexto das festas juninas na parte final do samba-enredo. Todos os componentes criaram seus próprios passos para fazer nesse momento que a Vila Isabel vira uma quadrilha. Um show de carisma também foi dado pela rainha de bateria Sabrina Sato que distribuiu rosas no Setor 1.

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“O ensaio foi maravilhoso, graças a Deus conseguimos fazer um ensaio perfeito a escola cantou para caramba. A Swingueira de Noel perfeita nas execuções, andamento perfeito. É só não chover no dia, mas a chuva só vem quando tem que molhar. Por isso, foi perfeito, mesmo com a chuva nos fizemos um grande ensaio. Vamos fazer no desfile duas paradinhas e uma subida de três, vamos pra cima”, garantiu mestre Macaco Branco, que desfilará com 276 ritmistas.

Colaboraram Augusto Werneck, Cristiano Martins, Nelson Malfacini e Raphael Lacerda 

Enredo sobre inclusão da Camisa 12 se destaca em desfile irregular

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Com um dos enredos mais celebrados pelo carnaval paulistano em 2023, a Camisa 12 começou o desfile de maneira irregular e teve dificuldades para sair da inconstância ao longo de toda a apresentação. Com destaques positivos para a temática, a boa noite da ala musical e de um casal de mestre-sala e porta-bandeira afiado, a agremiação teve deslizes consideráveis em diversos quesitos ao apresentar o enredo “Da inclusão à superação. Todos somos iguais. Sou um Campeão”, sendo a 11ª (e penúltima) instituição a se apresentar, já na manhã do domingo. Um dos tantos desafios da escola pode ser observado na cronometragem final do tempo: cinquenta minutos e trinta segundos cravados – sem ultrapassar o limite regulamentar por meros trinta e um segundos.

Enredo

O carnaval, tão acostumado a exaltar minorias, deu espaço a um tema semelhante: a inclusão. Já descrita no enredo (intitulado “Da inclusão à superação. Todos somos iguais. Sou um Campeão”), a temática não teve uma linha cronológica, tão comum em desfiles carnavalescos, presentes em todo o tempo. Coube ao experiente carnavalesco Delmo de Moraes referenciar quais inclusões seriam abraçadas na exibição.

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Foram possíveis observar várias: deficientes físicos e visuais, transgêneros e afrodescendentes foram alguns deles. Todos bem descritos no enredo, a temática abordada foi bem conduzida ao longo do desfile e, também, no samba da escola.

Mestre-sala e Porta-bandeira

Tal qual casais tradicionais, Luã Camargo e Mari Santos focaram a apresentação na execução de diversos giros, sem interagir tanto com o samba – atitude que foi feita, mas em menor proporção.

Vale destacar que os giros e o bailado de ambos foram mais cadenciados, sem grande velocidade. Aqui, cabe relembrar que a porta-bandeira está grávida, o que pode ter alterado o ritmo do bailado. A característica se fez presente até mesmo ao desfraldar o pavilhão – o que não fez com que surgissem erros técnicos ao executar o movimento em nem uma das cabines.

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O que não foi mudado em nada foi a sincronia de ambos e os largos sorrisos de Luã e Mari, tanto entre si quanto ao interagir com o público.

Samba-Enredo

Sem uma linha cronológica, a canção buscou elencar as minorias citadas no enredo. Com uma importante mensagem final, de superação de toda e qualquer adversidade surgida, a música, bem interpretada por Tim Cardoso e pelo experiente Benson, entretanto, teve pouca aceitação por parte dos componentes a partir do segundo setor – não por conta da atuação da dupla de cantores, afinados e que a toda hora emendavam cacos para chamar o canto da escola.

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Também vale pontuar a atuação segura da Ritmo 12, bateria comandada por Mestre Lipe. Com bossas que tentavam chamar atenção de quem estava acompanhando a apresentação, os ritmistas buscaram, à priori, colocar mais ânimo na escola – mas, de toda forma, sustentaram bem a canção.

Alegorias

Se as fantasias tiveram desempenho irregular (leia mais na descrição do quesito), os dois carros alegóricos foram alguns dos destaques estéticos do desfile. O abre-alas, bastante alto e com índios e animais silvestres, tinha belas esculturas. Já o segundo, com representações de afrodescendentes e com visual remetendo à África, também era grandioso e tinha destaques estéticos bastante agradáveis.

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Ao verificar os detalhes de cada um deles, entretanto, é possível identificar alguns erros. O pede-passagem do abre-alas, por exemplo, tinha rodas visíveis. Também na primeira alegoria, logo após a passagem pela segunda cabine de jurados, a Pantera, mascote da agremiação, ficou sem se movimentar por um período bem considerável de tempo.

Comissão de frente

Experientíssima e coreógrafa de diversas comissões de frente marcante, Yaskara Manzini apostou em uma coreografia que não se contenta apenas em marcar o samba, mas, também tem interações que independem do andamento da canção.

Também vale pontuar as fantasias dos componentes. Ao todo, eram três: uma delas predominantemente branca, com detalhes em azul e vermelho; outra com cores mais escuras, como vermelho e amarelo, e com costas das máscaras representando animais (uma cobra, um macaco, uma onça e um peixe); e uma única fantasia representando Mogli, o Menino Lobo. A dança do destaque, interagindo com a fauna representada pelas demais fantasias, teve destaque.

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Houve, entretanto, um grave problema pouco antes do primeiro setor. O esplendor do destaque, enquanto ele fazia a coreografia, caiu. O staff se apressou para pegar o adorno a pedidos de Yaskara, voltando a completar a fantasia antes do segundo setor e depois de boa parte dos staff do segmento se entreolhar.

Não foram notados erros na coreografia dos componentes ao longo das cabines de jurados.

Harmonia

Assim como diversos segmentos da escola, houve uma clara distinção. No primeiro setor, todos os integrantes cantavam bem a canção, empolgando o público e os próprios componentes, que se retroalimentavam ao executar a música.

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A partir do segundo setor, entretanto, houve uma queda bastante destacada do canto dos componentes. Os harmonias presentes no corredor pediam por mais força na garganta, mas, tão logo eles faziam o pedido, a execução caía novamente.

Também era nítida, embora menos preocupante, o desafio do alinhamento de cada ala. Por vezes, um componente avançava ou atrasava muito o passo e logo era chamado atenção. Como tal situação aconteceu com frequência ao longo do desfile, é até certo ponto natural que jurados tenham notado tal desalinhamento.

Fantasias

Mais um quesito que teve atuação bastante irregular no desfile. O começo da escola teve fantasias de ótimo gosto – inclusive com boa dose de tecidos mais caros.

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A partir do segundo, entretanto, a queda nos materiais e, até certo ponto, na qualidade estética do quesito foi bastante destacada. Do momento citado até o final do desfile, diversas alas tinham tecidos para vestir os componentes e algum adorno para cobrir o corpo – que, é bem verdade, tinham fácil assimilação para quem estava na arquibancada.

Evolução

Logo no começo da escola foi notada uma situação que não é necessariamente um erro, mas chamou atenção. Em determinados momentos, o espaço entre a comissão de frente e o casal de mestre-sala e porta-bandeira se tornava grande, beirando as duas caixas de som do Anhembi. Em outros períodos, ele era bruscamente diminuído – e assim foi durante todo o desfile.

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O recuo da bateria foi um primeiro ponto de atenção importante. Adentrando o espaço quando metade do local estava disponível, o movimento não teve grandes percalços. A ala anterior, entretanto, teve evolução morosa para preencher o espaço, apenas com a rainha da bateria sambando para preencher todo o espaço. Na sequência, a agremiação ficou cerca de três minutos parada já com a ala posicionada, sem nenhum motivo aparente.

Se a Evolução da escola não tinha grandes sobressaltos até cerca de 35 minutos, tudo mudou no final da apresentação. O motivo fica evidente ao verificar o tempo em que a Camisa 12 encerrou o desfile: cinquenta minutos e trinta segundos. Sim: por trinta e um segundos a escola não foi penalizada no cronômetro. Para conseguir fechar a exibição dentro do tempo regulamentar, foi necessário apertar o passo nos últimos setores.

Outros destaques

Antes mesmo do desfile começar, a Concentração estava bem animada. Demis Roberto, diretor de carnaval da escola, deu um discurso bastante forte, chamando as minorias presentes no desfile a cantar forte e avisando que todos eram importantes e seriam inclusos na agremiação. Também antes da exibição, uma das músicas executadas no esquenta foi “Minha Fé”, de Zeca Pagodinho.

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Composta, fundamentalmente, por torcedores do Corinthians, a Camisa 12 teve participação de baluartes da Gaviões da Fiel. Ernesto Teixeira, intérprete da escola, ajudou os merendeiros a empurrar o carro abre-alas. Buiu, diretor de harmonia do Vai-Vai (outra escola alvinegra), também estava no corredor da agremiação.

Criatividade nas alegorias dão o tom do desfile da Torcida Jovem

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Décima escola a desfilar, a Torcida Jovem levou para o Anhembi um enredo em homenagem à orixá Iemanjá. O destaque fica para as criativas alegorias que a agremiação produziu. Começaram com a África e terminaram com o mar de Iemanjá, levando painel de led no segundo carro com imagens da santa. A bateria ‘Firmeza Total’, do estreante mestre Caverna, fez uma apresentação de destaque com suas bossas localizadas nos últimos versos do samba-enredo. Vale ressaltar a fácil leitura do enredo que a Torcida Jovem proporcionou, levando também fantasias de um reconhecimento válido.

Comissão de frente

A ala executou uma coreografia totalmente simples. A comissão de frente se apresentou com mães e pais de santo vestidos todos em branco dançando de um lado para o outro na letra do samba. Esses componentes saudavam o público. Porém havia um personagem que estava todo de vermelho representando Exú. Tal componente não tinha uma coreografia padrão. Ele ficava ‘rindo’ o tempo todo e dançando para o público. Interpreta-se que o contexto é de abrir os caminhos para Iemanjá, que é o enredo da escola alvinegra.

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Mestre-sala e Porta-bandeira

Alex Santos e Dani Motta fizeram uma apresentação satisfatória. Destaque para a fantasia, que era branca em azul, mesclando as tonalidades da cor. Vale ressaltar o adereço de cabeça da Dani, que deu um contraste muito belo para a apresentação. A porta-bandeira também não tirou o sorriso do rosto. Mostrou leveza em análise no setor B em diante. O bailado da dupla se destacou pelo minueto, que combinado com a parte de baixo da fantasia de Dani Motta, foi um grande passo para a apresentação válida.

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Harmonia

A agremiação alvinegra desfilou pequena, mas cantaram o samba. Não foi com tanto fervor, mas deu para ver que todos estavam com o hino na ponta da língua. O último verso do samba, “E vai… Quando o dia amanhecer… Minha prece mais sincera… É oferenda pra você… Mulher guerreira da pele preta… Reflete o teu poder. Essa parte se destaca bastante, principalmente quando a bateria de mestre Caverna realiza a bossa localizada. Além disso, o refrão também é um ponto-chave para o canto da comunidade.

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Enredo

“Torcida Jovem está presente e canta nas águas da Mãe Iemanjá”, como já diz o enredo, é uma homenagem à orixá Iemanjá ligada às religiões afro. O tema foi muito bem contado no desfile. Apesar da comissão de frente ser um tanto simples, o contexto é aparentemente fácil. As fantasias têm palavras que permitem uma leitura tranquila do significado. Portanto, deu para entender o propósito do que a Jovem quis levar para o Anhembi – Africanidade, mães e pais de santo, outros orixás ligados, outros jeitos que Iemanjá é chamada, música referida a ela e o mar.

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Evolução

A escola evoluiu de maneira correta. O alinhamento entre as alas foi cobrado pelo departamento de harmonia e os componentes acataram tranquilamente. De uma ponta a outra não houve problemas para a agremiação. Houve bastante compactação. Os integrantes da comunidade não têm uma coreografia fixa e todos têm a liberdade para evoluir espontaneamente, mas sempre respeitando o alinhamento cobrado pelos harmonias.

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Samba-Enredo

Guiados pelo experiente intérprete Adeilton Almeida, a ala musical da Torcida Jovem fez um trabalho satisfatório em seu desfile. A escola fez uma grande aposta em usar palavras afros, como na primeira parte do samba e o refrão principal. Assim como em toda questão musical, os últimos versos se destacam pela versatilidade de usá-los para bossas da bateria e o uso da melodia da ala musical com o objetivo de fazer os componentes cantarem forte.

Fantasias

As fantasias eram ‘simples’, porém, como dito no tópico do enredo, tinha um fácil entendimento. Por exemplo, a última ala trazia a palavra ‘Awoyó’, que é uma forma de se referir à Iemanjá.

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Outra ala tinha escrito na fantasia ‘Bailarina do Mar’, que é uma canção para Iemanjá. Ou seja, apesar da simplicidade na estética, a criatividade foi aproveitada.

Vale destacar a bela fantasia das baianas, que foi toda feita em palha, mesclando o bege, marrom e detalhes laranja na parte do pescoço. Essa vestimenta sim foi investida no luxo.

Alegorias

O abre-alas foi levado como uma cor monocromática, predominando o marrom. Nele, estava escrito ‘Jovem’ na frente, além de esculturas de gorilas na esquerda e direita da alegoria. Na parte de cima, foram colocados mais animais, como búfalos e elefantes. Isso remete à África. Mais precisamente sobre a savana africana.

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O segundo carro representou o mar. Na frente, esculturas de tubarões e, no alto do carro, a imagem de Iemanjá negra. Atrás da escultura, um painel de led com diversas imagens da santa passando.

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Alegorias de belo acabamento e fácil entendimento. Vale destacar a ousadia da segunda. Foi a única agremiação que usou um painel na noite.

Outros destaques

A bateria ‘Firmeza Total’, comandada por mestre Caverna, realizou um grande trabalho. As bossas foram bem executadas, principalmente a que fica localizada nos últimos versos. Destaque também para o forte uso dos atabaques dentro do samba.

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Após a comissão de frente, a escola levou um grande tripé de um negro com roupa branca e azul como se fosse no mar. Não dá para saber muito bem o contexto, mas com certeza tem algo a ver com Iemanjá.

Vale destacar a festa da torcida nas arquibancadas, com bandeirões e sinalizadores. A escola também foi recebida com fogos de artifício.

Comissão de Frente emocionante é destaque do desfile da Unidos de Santa Bárbara sobre as folhas

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A Unidos de Santa Bárbara foi a nona escola a desfilar no Sambódromo do Anhembi na madrugada deste domingo, dia 12 de fevereiro, pelo Grupo de Acesso II. Com destaque para a comissão de frente bela e impactante, a escola teve muitos problemas de evolução que comprometeram o andamento do desfile, que finalizou o desfile com 48 minutos. A escola do Itaim Paulista trouxe como enredo “Kosi Ewe — Salve as Folhas. Sem Folhas, Não Tem Orixás”.

Comissão de Frente

Uma encenação impactante marcou o início do desfile da Santa Bárbara. A comissão de frente, comandada pelo coreógrafo Luiz Romero, representou a chegada dos escravos ao Brasil, que são conduzidos por Exu para que Ossanhe realize seu ritual de cura. Dançarinos transmitiram em gestos e verbalizações a dor dos escravizados, aos olhos de um outro que representou Exu. Outro grupo representou Ossanhe em fantasias coloridas de verde com folhas aderençando, muito bem-acabadas. Um ótimo início de desfile da escola.

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Mestre-Sala e Porta-Bandeira

Dyego Santos e Waleska Alves decaíram de desempenho enquanto passavam pela Avenida. No primeiro módulo, o casal conseguiu executar bem os elementos obrigatórios com graça, beleza e sintonia. Nos últimos módulos, porém, a dupla perdeu o ritmo e começaram a cometer erros, em especial da parte de Dyego, que por mais de um momento deu as costas para Waleska durante os giros, chegando a parar à frente da porta-bandeira em certa finalização. Sincronismo nos giros também falhou diante dos últimos jurados.

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Harmonia

O canto da Santa Bárbara foi irregular. A ala que mais cantou foi a ala das baianas, que representou as águas da purificação, com senhoras de idade dando aula para jovens em outros segmentos da escola. A falta de disposição dos componentes no geral refletiu no público, que passou o desfile demonstrando poucas reações.

Enredo

O enredo da Santa Bárbara teve como objetivo exaltar as folhas, mas foi difícil identificar a linha de narrativa escolhida pela escola. O abre-alas e as primeiras alas faziam clara referência a orixás e elementos do candomblé, mas a partir do segundo casal de mestre-sala e porta-bandeira, a temática virou bruscamente e se torna uma mistura generalizada de indígenas com figuras que faziam de alguma forma referência a folhas, como o trevo de quatro folhas, chás orientais, pizzaiolos e perfumes.

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Evolução

A evolução da Santa Bárbara foi muito errática. Havia clara dificuldade de manter os componentes da linha de frente das alas alinhados. Não houve invasão de alas graças a grande presença de destaques entre elementos e a própria falta de compactação, com muitas alas demonstrando faltar componentes para dar mais volume. O ritmo de desfile também não foi bom, com a escola correndo e parando em diferentes momentos. A agremiação fechou os portões aos 48 minutos levando o quesito como mais um elemento a se preocupar na apuração.

Samba-Enredo

O samba segue a mesma linha do enredo, que tem dificuldades de contar a proposta e apela para muitas expressões clichês. O desempenho na pista, porém, foi um destaque positivo graças a grande atuação da intérprete Elci Souza, uma das grandes revelações do carnaval paulistano nos últimos anos. O andamento da obra foi corrigido em relação ao ensaio técnico, e funcionou melhor na Avenida dentro do quesito em si.

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Fantasias

As fantasias conseguiram se encaixar dentro dos versos do samba com facilidade, e apesar do acabamento simples no geral, permitiu aos componentes evoluírem sem dificuldades. A grande presença de destaques na pista com belas fantasias deu a sensação de que suas roupas receberam mais atenção do que a dos demais componentes. A ala dos perfumes, por exemplo, continha elementos nos ombros posicionados de forma diferente em algumas peças se comparado a maior parte da ala, sendo que essa não parecia ser a proposta do segmento.

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Alegorias

A Santa Bárbara apelou para o volume das alegorias para impactar na Avenida, mas o que se viu foram carros com acabamento muito simples. O abre-alas possuía arcos com folhas que invadiam o espaço de circulação dos corredores laterais. A parte frontal da alegoria apresentou falhas na iluminação, que se apagou durante a passagem da escola, mas voltou a acender ao se aproximar do quarto módulo. O segundo carro, também muito simples apesar do volume, foi de difícil leitura e teve pouca identificação com o próprio enredo em si.

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Outros destaques

Os destaques de chão que a Santa Bárbara trouxe chamaram atenção, interagindo com o público e demonstrando simpatia. Cleyton Sorrilha, que é rei da bateria, um elemento raro de se ver nas escolas de samba, deu show de irreverência e embalou a apresentação da bateria “Ritmo Tempestade”.

Canto forte e estética impecável: Unidos do Peruche traz doce aroma para o Anhembi

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Tida como uma das favoritas para o Grupo de Acesso II em 2023, a Unidos do Peruche fez questão de deixar claro que o status não veio à toa. Com um desfile que impressionou pelo bom gosto estético e pela grande exibição do casal de mestre-sala e porta-bandeira, a Filial do Samba deixou apenas uma dúvida na prática: a função do tripé que veio logo após a comissão de frente. Há, porém, uma certeza: a apresentação do enredo “A Essência Que Me Seduz”, que durou 47 minutos (logo, três minutos abaixo do limite máximo regulamentar) brigará pelo título do agrupamento no ano.

Comissão de frente

Com uma fantasia inteira branca e prateada (dando a impressão de que eram seres celestiais), com forte maquiagem também no rosto, os componentes executaram uma coreografia que apostou no bailado puro, sem recurso algum extra e sob a batuta do coreógrafo Matheus Cardoso. O grande trunfo dos bailarinos foi a sincronia, já que cada movimento era executado com ritmo perfeito em cada passagem – o que incluiu também a apresentação na frente de cada uma das torres de jurados.

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Um detalhe curioso veio logo após os integrantes do setor. Havia um tripé com figuras remetendo a santos (o que combina com os seres celestiais que vinham à frente), mas ele não interagiu com os componentes em momento algum – e vice-versa. Por sinal, o tripé era empurrado por pessoas que estavam fantasiadas como os seres celestiais.

Mestre-sala e Porta-bandeira

Dos casais mais eficientes e graciosos de todo o carnaval paulistano, Kawê Lacorde e Nathalia Bete tiveram mais uma noite de gala. Extremamente sorridentes e expressivos, ambos tiveram muita sincronia em cada movimento e envergaram com muita altivez o tradicionalíssimo pavilhão perucheano.

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Kawê e Nathalia mesclaram de maneira bastante satisfatória as interações com o samba e entre eles mesmos, o bailado e os giros. Cada desfraldamento do pavilhão foi executado de maneira precisa, sem contratempos e com largos sorrisos de dois componentes que sabem como poucos a nobre arte que exercem.

Harmonia

O início da escola foi plenamente satisfatório no quesito. As primeiras alas perucheanas cantaram com força o samba-enredo, surpreendendo até mesmo quem estava nas arquibancadas – que, moralmente coagidas, passaram a reagir ao canto.

A partir do segundo setor, é bem verdade, para exprimir o máximo canto de cada componente, foram necessárias algumas chamadas de atenção de staffs posicionados no corredor. Após cada uma delas, entretanto, os foliões voltaram a cantar forte a canção.

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O alinhamento de cada ala era foco de atenção dos staffs, mas não foram necessários grandes chamadas de atenção em tal aspecto.

No fim das contas, o que fica é uma imagem rara e que se repetiu diversas vezes ao longo do desfile: pessoas com a camisa da escola cantando o samba e de olhos franzidos para ficar atento a qualquer deslize – que raramente ocorriam.

Enredo

A história do perfume foi o mote para o enredo “A Essência Que Me Seduz”, idealizado pelo carnavalesco Mauro Xuxa. Mais que trazer o desenvolvimento histórico de tão conhecido fluido, o desfile permitiu associações imediatas para quem estava atento ao samba-enredo – que buscou explicar, de forma melódica, o que era visto.

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O primeiro setor trazia uma linha cronológica do perfume, com referências a nações e eventos históricos – como as Cruzadas, os franceses e a chegada dos portugueses ao Brasil. Depois, veio a interação das essências com o carnaval e, por fim, a importância das florestas brasileiras para o desenvolvimento de novos aromas.

É bem verdade que o primeiro setor busca alcançar um período histórico muito maior que os dois seguintes (que, por vezes, até mesmo se confundia), mas tal situação é permitida pelo próprio enredo desenvolvido – logo, não é considerado como falha.

Evolução

Bastante regular ao longo de todo o desfile, o componente perucheano aproveitou o samba-enredo que caiu no gosto da escola e se movimentou bastante. Brincando e com bastante leveza, cada componente aproveitou para interagir com companheiros de ala e com as arquibancadas.

Vale destacar, também, o andamento sem sobressalto algum ao longo de todo o desfile. Sem acelerar ou frear o passo, a Filial do Samba passou de maneira linear pelo Anhembi – o ideal para todos os envolvidos.

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O recuo da bateria, momento sempre de tensão em cada desfile, foi executado sem deixar buraco algum na passarela. A bateria esperou metade do espaço destinado a ela aparecer e curvou-se à direita, logo atrás de uma das mais tradicionais Velha Guardas da cidade de São Paulo. Com uma recheadíssima corte de bateria, coube às destaques ir à frente da passarela e sambar bastante até que a ala anterior assumisse o posto – e, também, impedindo o aparecimento de buracos. Foram cerca de oitenta segundos de agremiação aguardando o final da movimentação para voltar a evoluir.

Samba-Enredo

Como dito anteriormente, a canção caiu no gosto da comunidade perucheana – o que, é claro, facilitou a execução da obra na avenida. Além dos componentes, vale destacar, também, a ótima condução da música na avenida por Alex Soares, que empolgou desde os alusivos cantados na Concentração. Sem muitos cacos, ele também foi ajudado pela grande noite da Rolo Compressor, sob o comando de Acerola de Angola – os ritmistas, entretanto, apostaram mais em bossas e em um andamento pouco mais acelerado para empolgar os desfilantes.

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Fantasias

De acordo com cada setor (explicado no quesito “Enredo”), a cromia da escola evoluiu de maneira condizente com o que era pedido: no primeiro, cores com tom mais pastel, para dar a aparência de envelhecimento; no segundo, cores bem mais vibrantes (com destaque para uma ala em um forte tom de azul, com componentes cantando muito forte o samba); por fim, no terceiro, o verde interagia com cores em tons de lavanda e rosa – para remeter a algumas das flores utilizadas em essências. Neste último setor, destaque para a ala das baianas, majoritariamente de branco e com detalhes verdes e lilás – fazendo uma mescla perfeita com o que viria pela frente.

Mais do que isso, chamou atenção o extremo bom gosto das fantasias desenvolvidas pela escola. Enquanto coirmãs buscaram colocar algum adereço e/ou costeiro por cima de tecidos brutos, a Peruche, claramente, investiu para dar ao folião a certeza de que vestia uma fantasia completa, produzida e pensada para ele. Com acabamento impecável e peças de extremo bom gosto, cada roupa parecia, também, leve – deixando o folião bastante à vontade para cantar e se movimentar.

Alegorias

O abre-alas da escola chamou atenção não apenas pela beleza que trouxe, majoritariamente nas cores azul e amarela e com esculturas magistralmente bem desenvolvidas e acabadas. O carro, bastante imponente e alto, trouxe um gigantismo e bom gosto para o desfile que se confirmou conforme ele se desenrolava – e que ficou ainda mais bonito com a fumaça que saía do mesmo.

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A segunda alegoria, pouco menor, manteve o ótimo nível estético e fechou o desfile dentro do seguimento do enredo, unindo a história da escola com as essências proporcionadas pela Floresta Amazônica.

Outros destaques

Das escolas mais tradicionais do carnaval paulistano, a Unidos do Peruche tem diversos sambas de quadra reconhecidos no carnaval de São Paulo. A execução de alguns deles fez com que a escola entrasse na avenida já com três minutos no cronômetro.

Ala musical e bateria se destacam em desfile irregular da Leandro de Itaquera

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Sétima escola a desfilar na noite, a Leandro de Itaquera fez uma apresentação que deixou a desejar. Pelo que se viu na pista, dá para concluir que a agremiação irá brigar pelas posições de baixo da tabela. Um dos únicos destaques positivos foi a bateria ‘Batucada de Leão’, comandada pelo mestre Pelé, que deu um belo andamento ao samba-enredo. A dupla de cantores Rodrigo Jacopetti e Tays Calhado, o casal José Luis e Juliana também tiveram um desempenho satisfatório. Nos demais quesitos a escola enfrentou problemas. “Batuque, a Força da Raíz”, é um enredo reeditado de 1992. A escola terminou o desfile com 48 minutos.

Comissão de frente

A ala, que é comandada pelo coreógrafo Marcelo Gomes, tinha como termômetro a coreografia de tribos. Nessa apresentação, o movimento parecia de afros ou indígenas, mas o fato é que era uma invocação a algo. A comissão contava com um pequeno tripé, cujo nele subia um personagem principal. Após, os outros componentes faziam uma espécie de saudação a ele. Outro fato que aconteceu foram os vários momentos em que a ala saudava o público. Os integrantes se alinhavam e apontavam para cima.

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Um fato negativo que aconteceu é que no decorrer do desfile, mais precisamente depois do recuo de bateria, um costeiro de uma integrante soltou e ficou pendurado nas costas dela. Os próprios companheiros tentaram arrumar rapidamente, mas não conseguiram. Ainda nas fantasias, caiu um pedaço de pelúcia de outro componente, que ficou na pista e foi retirada pelo apoio do segundo casal, que vinha logo atrás.

Mestre-sala e Porta-bandeira

José Luis e Juliana, executaram um bailado seguro. Desfilaram sorridentes o tempo todo. Há de se ressaltar que diferente da maioria das agremiações, o casal da Leandro de Itaquera não vai na frente da escola. Eles desfilam no segundo setor. Com um pavilhão bordado em lantejoulas, à moda antiga, a dupla conseguiu realizar movimentos sincronizados frente às torres após o setor B, que estava em análise.

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Dentre as fantasias da Leandro, a do casal é a única que se destaca pela criatividade. Vieram de vermelho e o mestre-sala segurava o martelo de xangô. Porém o acabamento estava a desejar.

Harmonia

Por ser uma reedição, se esperava um canto forte da comunidade. É um samba famoso dentro da escola, porém, por algum motivo, não fluiu. Os componentes não faziam esforço nenhum para cantar e o departamento de harmonia não estava conseguindo influir os desfilantes. A única parte cantada fortemente foi quando a bateria realizou um apagão no minuto 27 do desfile. De resto, o desempenho do quesito foi preocupante.

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Enredo

“Batuque, a Força da Raíz”, é uma reedição do carnaval de 1992. Tem um belo samba que foi bem adaptado para 2023. Porém, apesar das fantasias simples, não dá para ter uma clara leitura ao público. Ficou difícil saber qual setor significa qual história. A primeira alegoria, que foi apresentada no estilo afro e a comissão de frente, deu para ter uma certa noção do que viria pela frente. Entretanto, no decorrer do desfile, nada ficou claro.

Evolução

A escola teve uma evolução protocolar. Foi um tanto satisfatório. Não houve buracos e nem tanta empolgação entre as alas. Provavelmente não haverá tanta penalização em cima disso. Há de se ressaltar o grande trabalho que a escola fez na entrada do recuo de bateria. Enquanto a batucada entrava, as passistas preencheram rapidamente o espaço técnico. Ao todo, foi um quesito em que a Leandro teve certa segurança.

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Samba-Enredo

É um samba diferente do habitual. Por ser dos anos 90, se imaginava um andamento diferente, mas desde o pré-carnaval se viu a ala musical fazendo um grande trabalho e colocando a trilha-sonora no estilo da escola. Vale destacar o grande trabalho da dupla Rodrigo Jacopetti e Tays Calhado. Essa última pode ser uma grande revelação do carnaval paulistano. Com o tempo pode amadurecer a voz e comandar melhor um carro de som.

Fantasias

Um quesito que deixou extremamente a desejar. Além de falhas de acabamento, se via uma simplicidade muito grande. Com isso, como dito anteriormente, a leitura ficou prejudicada. Não há nada para se destacar em relação ao quesito.

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Alegorias

A primeira, aparentemente representava a África. Na frente do carro estava o nome da escola e a escultura de um leão, que é o símbolo da escola. Tudo iluminado. Na parte de trás, apareciam elementos e esculturas africanas, remetendo ao continente.

A segunda alegoria não deu para ter uma leitura concreta do que significa, mas o fato é que na frente vinha duas esculturas de elefante e uma imagem do boi-bumbá. Na parte de trás, esculturas de baianas.

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Outros destaques

A bateria ‘Batucada de Leão’, regida por mestre Pelé, foi o destaque da escola nesta noite. A batucada tem um andamento grande, surdos potentes e executou bossas que embalaram a comunidade e arquibancada, especialmente o apagão que fizeram ao carro de som no minuto 27.

Ala das baianas desfilaram com uma fantasia toda amarela segurando uma boneca de brinquedo.

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Galeria de fotos: ensaio técnico da Vila Isabel no Sambódromo

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Uirapuru da Mooca apresenta os seres e lendas da Amazônia em desfile embalado por samba valente

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A Uirapuru da Mooca foi a sexta escola a desfilar no Sambódromo do Anhembi neste sábado, dia 11 de fevereiro, pelo Grupo de Acesso II do Carnaval de 2023. Com destaque para a comissão de frente bem ensaiada e o samba de fácil leitura nas alas, a escola finalizou sua apresentação com 49 minutos após início sob garoa e pista ainda molhada, mas que não comprometeu o desfile. A Uirapuru este ano apresentou o enredo “Amazônia: Terra do Uirapuru – Salve os donos da terra e suas lendas”, assinado pelo carnavalesco Antônio Carlos Ghiraldini.

Comissão de Frente

A comissão de frente da Uirapuru da Mooca, liderada pela coreógrafa Giovanna Lacerda, fez uma coreografia no ritmo dos versos do samba, os acompanhando durante toda a passagem da música. Os dançarinos vieram representando guerreiros indígenas, com costeiros amplos de penas artificiais. Uma boa coreografia, com movimentos bem sincronizados e os atores participativos ao longo da pista, não apresentando irregularidades enquanto foram observados.

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Mestre-Sala e Porta-Bandeira

Anderson Guedes e Pâmela Yuri fizeram uma boa apresentação no primeiro módulo. O casal apresentou o pavilhão com elegância e leveza e realizou giros bem sincronizados. O Mestre-Sala bailou diante do girar da Porta-Bandeira com disposição, e a dupla concluiu sua apresentação no módulo de maneira satisfatória. No quarto módulo, porém, Anderson realizou giros lentos durante o minueto, dando as costas para a Pâmela de forma acintosa e que pode render dedução de pontos do jurado.

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Harmonia

Um quesito positivo no ensaio técnico que acabou não tendo o mesmo desempenho neste desfile. O ponto chave do refrão do samba, com um grito entre os versos três e quatro não teve a mesma reação energética da parte dos componentes de outrora. As alas cinco e seis, que vieram representando pescadores e corujas, respectivamente, se destacaram positivamente, com direito a própria coreografia mesmo não sendo caracterizável como ala coreografada, cantando de maneira animada. No geral, desempenho morno do quesito, com muita irregularidade e componentes evoluindo calados ou enganando, fingindo mascar chiclete ou balbuciando, indícios de que não sabiam cantar o samba.

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Enredo

Um enredo de fácil leitura ao longo de todo o desfile. Os dois carros alegóricos representavam os elementos que as alas de trás trouxeram de maneira fiel. O primeiro setor representou os animais, plantas e pessoas que vivem na Amazônia, enquanto o segundo setor representou as lendas da região. As alas se encaixavam sequencialmente com os versos do samba, o que tornou a leitura do enredo ainda mais simples. Quesito de atuação positiva da escola.

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Evolução

A evolução da Uirapuru foi irregular em diferentes momentos do desfile. Alas com linhas muito espaçadas dentro de si mesmas, e uma acelerada no ritmo na parte final do desfile para fechar no tempo podem ser motivo de penalização da parte dos jurados. A escola terminou seu desfile com 49 minutos, o que explica a redução do ritmo nos momentos finais.

Samba-Enredo

A Uirapuru apresentou um bom samba, que se encaixou muito bem dentro de todo o contexto do desfile. O carro de som liderado pelo intérprete André Ricardo teve bom desempenho, dando um ritmo adequado para a escola realizar uma boa evolução. A obra permitiu o encaixe de boas bossas por parte da bateria “Moocadência”, e contribuiu positivamente para a apresentação da escola.

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Fantasias

Um conjunto de fantasias de fácil leitura no geral, que cumpre seu papel de contar o enredo. Algumas soluções em certas fantasias, porém como o enorme costeiro junto à cabeça em forma de arara utilizado pela ala das baianas, que visivelmente deixou as mães do samba desconfortáveis. Nem todos eram mulheres nessa ala, inclusive, mas um dos rapazes que preencheu espaço não parecia nada feliz de estar ali, andando a pista toda com expressão bastante fechada. A ala que representa os animais da floresta amazônica apresentou erros de acabamento, com alguns dos animais fixados aos costeiros caindo ao longo da passagem da escola.

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Alegorias

Um curioso caso em que o segundo carro é mais bonito que o primeiro. O abre-alas da Uirapuru apostou em tecidos de plotter na base, igual ao utilizado na saia das baianas. Ventos da concentração parecem ter levado tiras de tecido para cima de esculturas. A palha de um acabamento na parte de trás se esparramou pelas folhas do lado esquerdo da alegoria, demonstrando que o carro não foi bem cuidado pela escola após chegar ao Anhembi. A segunda alegoria, porém, teve impacto muito positivo e ilustrou bem as lendas da Amazônia, com direito a uma serpente na frente em referência ao boitatá que movia até mesmo os olhos.

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Outros destaques

A rainha de bateria, Acassia Nascimento, veio representando uma guerreira amazônica em uma fantasia que foi capaz de não apenas enaltecer sua beleza, como também se encaixar bem ao enredo. A monarca representou muito bem a bateria “Moocadência”, liderada pelo mestre Murilo Borges, que fez bom proveito das oportunidades que o samba deu, realizando várias bossas seguidas e de bom gosto.