O Sistema Fecomércio RJ (Sesc RJ e Senac RJ) e a Liesa apresentaram na tarde desta segunda-feira o programa completo do projeto “Recicla Sapucaí”. A parceria inédita tem como objetivo evitar o descarte incorreto dos resíduos sólidos produzidos na Marquês de Sapucaí durante os desfiles de carnaval. Além da reciclagem, a meta é fazer o espetáculo ser reconhecido pelo livro dos recordes como um dos maiores eventos Lixo Zero do planeta.
Fotos: Luisa Alves/Site CARNAVALESCO
A presença do Sesc será através de ações educativas em saúde e bem-estar, tal como atendimento odontológico e uma campanha de enfrentamento à violência contra mulheres. Uma das prioridades mencionadas foi a possibilidade de proporcionar a experiência do carnaval para pessoas em situação de vulnerabilidade. Por isso, o Sesc irá promover uma tour pelo Sambódromo e ingressos para os desfiles. Alunos do Sesc+ Infância também serão beneficiados, com acesso ao desfile mirim e atividades educativas relacionadas. O IFec será responsável por uma pesquisa sobre o impacto dessas ações.
O Senac já iniciou suas atividades durante os ensaios técnicos, em que os alunos de fotografia puderam trabalhar na documentação do evento. Seguindo o modelo, os alunos de turismo vão atuar nos bastidores da Apoteose e os alunos de moda na customização de camisas nas frisas. Os alunos de massoterapia e maquiagem também irão receber espaços para exercitar suas habilidades.
Com o foco em sustentabilidade, o IFeS vai disponibilizar 15 máquinas de reciclagem. Ademais, 120 catadores de longo prazo terão suas atividades dignificadas, recebendo kits completos para auxiliar no trabalho, e toda a renda arrecadada será dividida igualmente entre eles. Vejam detalhes na imagem abaixo:
Durante a apresentação, cinco catadores subiram ao palco para representar os 120 beneficiados. Cibélia Antônia dos Santos, de 61 anos, comentou estar repleta de gratidão por finalmente ter visibilidade. Já Custódio da Silva, de 65 anos, se mostrou muito emocionado ao afirmar a importância da valorização desses serviços. Ele aproveitou para dizer que os 120 catadores beneficiados entendem que estão representando os mais de oito milhões cadastrados e reconhecidos pela lei de ocupação brasileira.
Após o carnaval, as comunidades das escolas de samba também vão receber ações sociais, culturais e de capacitação profissional, em resposta aos seus esforços.
Quando a apresentação chegou ao fim, o auditório ecoou aplausos, mas logo se pôs em silêncio para escutar os discursos de Jorge Perlingeiro, presidente da Liesa, e o presidente do Sistema Fecomércio RJ, Antonio Florencio de Queiroz Junior.
“Muitos falam que o carnaval é uma festa profana, mas de profana não tem nada. Só traz grandeza, cultura, lazer e dinheiro para o Rio de Janeiro”, iniciou Jorge Perlingeiro. No discurso de quase dez minutos, agradeceu ao prefeito Eduardo Paes pelo apoio constante e comemorou o reconhecimento vindo do novo governo federal. Perlingeiro reiterou que todos os ingressos já foram vendidos, sendo um prenúncio do grande sucesso que virá. Ele também citou os ensaios técnicos como espetáculos singulares, que são pensados como presentes para os cariocas.
Em seu discurso, Antonio Queiroz destacou os desafios da pandemia de Covid-19. “Isso trouxe à tona a diferença social do nosso país. Vimos pessoas com fome e dormindo nas ruas de forma normalizada, mas não é e nunca será normal”. A partir disso, Queiroz ressaltou a importância de projetos filantrópicos. “Somos formiguinhas no universo, mas faremos nossa parte”, continuou.
Para oficializar a parceria, ambos assinaram um contrato e apertaram as mãos. O evento foi concluído em grande estilo, com a bateria da Grande Rio, atual campeã do carnaval, animando o auditório.
O site CARNAVALESCO visitou o barracão da Unidos de Vila Maria e conheceu o projeto de desfile da escola para o próximo carnaval. O enredo da agremiação se trata de uma homenagem a si própria e ao bairro. O tema é intitulado como “Vila Maria, Minha Origem, Minha Essência, Minha História! Muito Além do Carnaval”, assinado por Cristiano Bara. A equipe conversou com o carnavalesco da agremiação, que detalhou o enredo.
Fotos: Gustavo Lima/Site CARNAVALESCO
“A gente tem o nome do próprio enredo os quatros pilares que sustentam o nosso tema. A gente começa falando dos fundadores. A partir daí, contamos os momentos do bairro da Vila Maria, onde cita onde começou tudo na Rua Kaneda, depois no Sacolão e nesse caminho mostra a força do povo e da religiosidade com a igreja da Candelária. Depois a gente vai começar a contar nossa história a partir dos nossos enredos até chegar à obra social que a Vila Maria faz, contribuindo com o bairro e moradores”, explicou o carnavalesco.
Como surgiu
Segundo o artista, o presidente Adilson José foi o precursor da ideia do enredo. Dá para dizer que foi um acerto, pois a escola escolheu um grande samba e que está fazendo a comunidade cantar. A Vila Maria está levando uma identidade diferente para o próximo desfile. “O enredo para contar a nossa história surgiu do presidente. Ele falou comigo e disse que estava na hora, que a Vila já tinha uma história consistente e olhando para o Grupo Especial nós somos a escola mais antiga a desfilar e está na hora de mostrar para o mundo quem é a Vila Maria, de onde a gente saiu, de que forma cresceu e se desenvolveu. Se você pegar os anos 90 da escola, não tinha quadra. Tem um vídeo no YouTube que podemos ver o presidente em cima de um carro alegórico decorando para gente desfilar. A gente sabe que foi uma escola construída através da luta e do vislumbrar dos nossos fundadores do fato de entender em se juntar e fundar uma escola que no futuro colheria frutos e está até hoje sabendo que a comunidade veste a fantasia até hoje. Esse ano vai abraçar mais do que nunca porque temos um carnaval que conta a nossa própria história. Sendo assim nós cantamos o ‘meu eu’. Os componentes vão relembrar os enredos em que desfilaram lá atrás e isso vai fazer com que cantem com mais amor”, declarou.
Pesquisa de enredo
Por ser um bairro antigo e uma escola já com 69 anos de idade, se imagina uma pesquisa bastante complexa e difícil, visto que nos anos 60 e 70 não se faziam tantos registros como assim acontece nos dias de hoje. Porém, de acordo com Cristiano Bara, os relatos de pessoas e a assessoria de imprensa foram fundamentais para o sucesso. “Difícil não foi porque a gente conversou com o pessoal antigo da escola. Nós sentamos um dia e cada um contou uma história. Também tivemos ajuda da assessoria de imprensa, internet e alguns documentos que temos na escola. O principal é que nós pegamos o primeiro pavilhão da agremiação em que a escola se chamava “Unidos do Morro de Vila Maria”, que era verde e branco, até se transformar em verde, azul e branco que é o nosso atual”, disse.
Responsabilidade do carnavalesco
Por ser um enredo tão importante para a Vila Maria, contar a sua própria história exige bastante. É uma grande missão e talvez certa pressão em cima do carnavalesco que desenha todo o desfile. Entretanto, segundo o artista, o amor que ele tem pela agremiação supera tudo e, talvez, outro profissional não iria obter êxito. “A gente andou conversando porque qualquer carnavalesco que fosse contratado para desenvolver esse enredo, talvez não fizesse com tanto amor e carinho não com o que eu e nossa equipe estamos fazendo. É uma responsabilidade sim, mas é gostosa, porque eu vivi a Vila Maria. Eu já falei outras vezes que fui tratado pela fisioterapia da escola. Tive 15 sessões e provei do social. Eu já estou há dois meses aqui na Fábrica do Samba e a gente não consegue desgrudar. Todo mundo está grudado nesse projeto e preocupado com cada detalhe, porque queremos contar a nossa história com a maior maestria do mundo”, comentou.
Melhor momento
Todos os desfiles precisam impressionar de alguma forma para o título chegar, mas sempre há um ponto alto. De acordo com o artista, há vários, porém o abre-alas se destaca. Irá levar o céu para a avenida com os antigos fundadores da escola. “Tem momentos bem peculiares. A gente conseguiu alguns momentos que vai emocionar. Citar o Xangô da Vila Maria em um abre-alas, ter um anjo e um céu que traz de volta esses personagens que esteja provando desse sabor gostoso de um grande espetáculo disputado pelo mundo inteiro. A gente está vislumbrando porque teve eles lá atrás. São vários pontos que pegamos e as pessoas vão se emocionar à medida em que irão se reencontrar com a própria história”, avaliou.
Quinto desfile de Cristiano Bara
O carnavalesco chegou no ano de 2018 acompanhado de Fran Sérgio. Após, trabalhou com Alexandre Louzada e agora está desenvolvendo o carnaval solo pela terceira vez na agremiação. Bara falou sobre o sentimento. “É uma felicidade muito grande. Sempre sou muito bem recebido. O componente chega aqui na porta do barracão e eu deixo ver sem problema nenhum da mesma forma que eu mostro para a imprensa. Ele precisa conhecer a sua própria história para desfilar de outra forma. A gente vai para o samba, futebol, festa de natal e participamos de tudo”, disse.
Conheça o desfile
A abertura vai ser com o nosso primeiro pavilhão onde a gente vai ter o abre-alas logo depois.
Setor 2: Logo atrás do abre-alas vamos falar da essência, que são as personalidades da Vila Maria e os momentos que a Vila Maria vive. A gente tem a igreja da Candelária, o jogador Dener e momentos bem importantes”.
Setor 3: “Depois a gente passa para os enredos, vamos falar de Aparecida, China, Japão, circo, momentos de fé com os romeiros e vamos ter fantasias que tem costeiro e outras não. Vamos para o lúdico e a realidade. A gente vai ter uma celebração da história da Vila Maria”.
Setor 4: “Vamos para a parte social, que é o próximo setor. A gente fala que a Vila Maria é muito além do carnaval. A gente vai falar da fisioterapia, equoterapia e tudo que a gente faz para as pessoas viverem melhor”.
Ficha técnica
Quatro alegorias
2200 componentes
Diretor de barracão: Claudia Ribeiro
Chefe de ateliê: Vânia
Diretor de carnaval: Queijo
Carnavalesco: Cristiano Bara
O Camarote Rio Praia está prestes a completar cinco anos na Marquês de Sapucaí em grande estilo. Com um investimento de quase oito milhões, os sócios Bruno Português e Luiz Philippe Carvalho acreditam que a estrutura e organização são fatores determinantes no sucesso do ambiente.
Fotos: Luisa Alves/Site CARNAVALESCO
O projeto impressiona por apresentar espaços muito diferentes, com áreas personalizadas que certamente atenderão aos desejos do público. Como atrações, podem aguardar pela energia nordestina predominante. Wesley Safadão e Saulo Fernandes são destaques. Belo, Mumuzinho, Pixote e Diogo Nogueira também estarão presentes.
Sócios Bruno Português e Luiz Philippe Carvalho
A posição do palco faz parte das mudanças previstas para 2023. A fim de não prejudicar os sons da Avenida, todas as atrações serão voltadas para o interior do camarote. Outro ponto positivo é a altura do teto, que deixará os artistas e o público mais confortáveis, além de colaborar na ventilação do espaço.
O buffet é liberado e será assinado pela chef Kátia Barbosa, criadora dos famosos bolinhos de feijoada e referência na culinária brasileira. Mantendo o nível, as bebidas do Open Bar também serão todas fornecidas por marcas líderes do mercado.
Para qualquer pessoa que conheça o Rio Praia, não há dúvidas de qual seja o diferencial do camarote. Localizado entre o setor 8 e o setor 10, ele se encontra exatamente na frente do segundo recuo das baterias, permitindo uma visão espetacular e única dos desfiles.
Gracyanne Barbosa segue como a rainha e representante do Rio Praia pelo quarto ano consecutivo. Ao lado dela, as musas Erika Schneider e Mayara Lima, rainha de bateria do Paraíso da Tuiuti, estão prontas para aproveitar o melhor do carnaval. Giovanna Alparone, musa da versão mirim, Rio Prainha, completa o time.
“O Rio Praia é uma família que nos acolheu há 04 anos de uma forma carinhosa. Sou apaixonada pelo carnaval, pelas escolas de samba e pisar na Sapucaí, seja para desfilar ou para estar no camarote é sempre um prazer. Faço questão de estar aqui não só porque sou a rainha, mas porque é muito gostoso estar com pessoas que estão com a energia lá no alto, que vem curtir e aplaudir esse trabalho lindo que as escolas de samba fazem”, disse Gracyanne Barbosa, rainha do camarote.
A customização básica de camisas, incluindo cortes e a adição de adereços, faz parte da experiência, assim como o transfer de ida e volta, salão de beleza e outras surpresas.
O mundo do samba começou a luta para entrar na agenda oficial do Poder Legislativo. A criação de uma Frente Parlamentar em Defesa do Samba e Valorização do Carnaval Brasileiro é a primeira proposta do deputado federal Quaquá (RJ), vice-presidente nacional do PT, à Mesa Diretora da Câmara dos Deputados. Quaquá é o idealizador do camarote Favela, no Sambódromo, que este ano deve receber o presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
A profissionalização do setor, segundo o deputado, é um dos objetivos da iniciativa de levar o debate ao parlamento. “Todo grande país investe para ganhar a hegemonia cultural do mundo. O samba, como tudo que vem da cultura popular, tem sido relegado ao segundo plano. Chegou a hora de valorizar esse diamante negro da cultura brasileira”, diz Quaquá. “O samba é uma das marcas do Brasil no exterior e é fruto de uma cultura genuinamente brasileira, vinda das classes populares e da favela, herdeira dos tambores africanos de nossas favelas”.
Rio espera R$ 4,5 bilhões
A Prefeitura do Rio espera uma movimentação econômica de R$ 4,5 bilhões no Carnaval deste ano, 12,5% a mais do que em 2020, a última festa completa antes da pandemia. Desse montante, só o Carnaval de rua deve ser responsável por R$ 1,2 bilhão, um crescimento de 20% em relação a 2020, último ano em que os blocos desfilaram na cidade. Os números são da segunda edição do estudo Carnaval de Dados, uma publicação da Secretaria Municipal de Desenvolvimento Econômico, Inovação e Simplificação (SMDEIS) em parceria com o Instituto Fundação João Goulart e com a Riotur.
Foto: Divulgação
A instalação da frente precisa de 198 assinaturas de deputados. Não parece ser difícil. O camarote Favela, criado por Quaquá e organizado por Gabriela Lopes, sua esposa, está preparado para receber o presidente Luiz Inácio Lula da Silva este ano e já tem mais de 100 confirmações de deputados e senadores.
Altas autoridades do Executivo também estarão lá, como os ministros Alexandre Padilha (Relações Institucionais), Márcio Macedo (secretário-geral da Presidência) e Ruy Costa (Casa Civil) e o governador da Bahia, Jerônimo Rodrigues, entre outros.
A ministra da Cultura, Margareth Menezes, vai dar um show na festa, com previsão de receber cerca de 1.200 convidados por dia. O bloco dos artistas será numeroso no camarote. Além da ministra, estão confirmados nomes como Jorge Aragão, Sandra de Sá, Júlio Sereno, Arlindinho, Jô Borges, a equipe Furacão 2000 e centenas de sambistas.
Após um ensaio técnico na Marquês de Sapucaí de Sapucaí marcado pela força da comunidade, o intérprete da Viradouro, Zé Paulo, em entrevista ao CARNAVALESCO, falou sobre a experiência vivenciada neste teste na Passarela do Samba, refletiu sobre as melhorias que ocorreram do último carnaval para cá, além da força do samba para o desfile deste ano. Mesmo com a forte chuva que atingiu a Marquês de Sapucaí no último sábado, o intérprete acredita que a Viradouro realizou um ensaio técnico positivo nos principais quesitos da escola de samba.
“Foi um ensaio muito positivo. Mesmo com toda dificuldade das pessoas chegarem por conta das chuvas a gente teve um ótimo ensaio e mantivemos um nível de excelência muito alto, assim como fazemos na Amaral Peixoto. Entrosamento, canto, carro de som, bateria, comunidade. É o ensaio que nós fazemos na Amaral e levamos para a Sapucaí. E tudo isso depois da chuva que caiu. Para ter uma ideia, eu levei duas horas para chegar na Sapucaí. Apesar das arquibancadas um pouco vazias, a comunicação com o público foi acima da expectativa. Acredito que desde ‘O Alabê de Jerusalém’ eu não fazia um ensaio técnico tão forte, emocionante e tão bonito”, comentou.
Zé Paulo também falou da importância do entrosamento entre o carro de som e o mestre de bateria para a harmonia da escola, um dos quesitos que dificultaram a briga pelo bicampeonato da Viradouro em 2022.
“É muito importante eu e o mestre termos esse entrosamento. É um ano também de amadurecimento meu e do Ciça por tudo que vivemos de pré-carnaval e ter uma pandemia no meio – depois do título. Em 2022 a escola fez algumas opções que não foram muito bem vistas pelos jurados e acabamos perdendo ponto, principalmente em harmonia. A partir daí, a gente começa a fazer o trabalho de casa, tentando entender o que o jurado quis dizer e depois corrigir isso. Eu e Ciça, em conjunto com a escola, trabalhamos o andamento do samba deste ano para que fique confortável para o canto, para que os jurados possam entender o que está sendo cantado pelo carro de som e a bateria ter um desenvolvimento e desempenho melhor”, contou Zé Paulo.
Foto: Nelson Malfacini/Site CARNAVALESCO
Para o intérprete, sempre há algum detalhe para melhorar. Ele destacou que o ensaio no Sambódromo não possui caráter avaliativo. A ideia, segundo ele, é pôr em prática todo o trabalho que a escola vem realizando ao longo do ano nos ensaios de rua, em Niterói.
“Sempre tem algo para melhorar. Não é legal que a gente pare em uma zona de conforto. Não houve muitos erros nossos, principalmente falando da minha parte com o Ciça. A gente foi ali sabendo que era ensaio, e ensaio não ganha nada – é para mostrar o que estamos fazendo na nossa casa e o quanto estamos preparados para o desfile. O dia do desfile é cem por cento, porque tem uma carga emocional muito grande”, destacou Zé Paulo.
Neste ano, com o samba “Sou Rosa Maria, imagem de Deus”, que pegou na comunidade e no primeiro teste na Sapucaí, Zé Paulo considerou difícil ter somente um trecho favorito do samba. O intérprete pontuou que o samba-enredo é uma canção muito forte em termos emocionais e espirituais.
“É até difícil falar, porque é um samba de muitas partes bonitas. Acho que a segunda parte tem um ápice muito grande no ‘A voz que cobre o cruzeiro’ e ali para baixo é o grande momento do samba. Mas tem coisas na primeira que me tocam muito, como o ‘Deságua no imenso Brasil sua luz incorporou’. Para mim, é muito forte. Acredito que é um samba que tem grandes pontos de cargas emocionais e históricos que deixam o desfile mais completo. Acredito que Rosa está com a gente o tempo todo. A força que a escola ganha não é por acaso, tem um espiritual muito forte”, revelou o intérprete da Viradouro.
Após um ensaio técnico já na reta final, a Viradouro poderá mostrar a força de seu samba-enredo na segunda-feira de carnaval, quando será a última escola a entrar na Passarela do Samba.
A Prefeitura do Rio espera uma movimentação econômica de R$4,5 bilhões no Carnaval deste ano, 12,5% a mais do que em 2020, a última festa completa antes da pandemia. Desse montante, só o Carnaval de rua deve ser responsável por R$ 1,2 bilhão, um crescimento de 20% em relação a 2020, último ano em que os blocos desfilaram na cidade. Os números são da segunda edição do estudo Carnaval de Dados, uma publicação da Secretaria Municipal de Desenvolvimento Econômico, Inovação e Simplificação (SMDEIS) em parceria com o Instituto Fundação João Goulart e com a Riotur.
Fotos de Nelson Malfacini/Site CARNAVALESCO
Para se ter uma ideia da importância econômica do Carnaval carioca, a festa no Rio é responsável por um terço (1/3) de toda a movimentação econômica no país durante o período. A expectativa da Prefeitura é que a arrecadação do Imposto Sobre Serviços (ISS) de turismo seja 20% maior do que em fevereiro de 2020, passando de R$ 19,4 milhões para R$ 23,3 milhões.
“Após o difícil momento que o Rio e o Carnaval carioca passaram, com os impactos de sucessivas crises administrativas e políticas nos últimos anos, agravadas com a pandemia, é a hora de fazermos o maior Carnaval da história em 2023″, celebra o prefeito Eduardo Paes.
Os quatro dias de folia têm impacto direto sobre o turismo da cidade. Entre 2011 e 2022, (excluindo 2020 e 2021, em função da pandemia), fevereiro tem o maior peso (10,2%) entre os 12 meses do ano na arrecadação do Imposto Sobre Serviços (ISS) de serviços ligados ao turismo, dois pontos percentuais (p.p.) acima da média dos meses do ano, excluindo fevereiro, mostrando a força do Carnaval carioca.
“O Carnaval é fundamental para a cidade, pois está no DNA do carioca e é um evento que atrai muitos turistas para o Rio. Por isso, além de ser importante para a cultura do Rio, é também motor para o desenvolvimento econômico, por ser fonte de renda para milhares de famílias cariocas e gerar emprego não só durante os dias de folia, mas também durante todo o ano. Os números mostram o volume que o Carnaval movimenta e a quantidade de trabalhadores envolvidos no processo. Então olhamos com carinho para o Carnaval”, comenta Chicão Bulhões, secretário Municipal de Desenvolvimento Econômico, Inovação e Simplificação do Rio.
Para fazer um evento inesquecível, a Prefeitura do Rio deu um incentivo recorde para as Escolas de Samba do Grupo Especial, de R$ 2,150 milhões, o maior da série histórica. As Escolas da Série Ouro, bem como as que desfilam na Intendente Magalhães, também receberam ajudas financeiras mais altas para os desfiles. Um único dia de desfile no Sambódromo movimenta cerca de 20 mil pessoas. No total, 45 mil pessoas trabalham oficialmente no evento de Carnaval.
“O Carnaval é uma matriz de conhecimentos sobre a cidade do Rio de Janeiro e só por isso já é de suma importância. Se em termos culturais e simbólicos é sabida a sua relevância, este estudo vem colaborar com análises sobre aspectos econômicos, ambientais, infraestrutura, emprego e renda, os quais também são impulsionados por esta manifestação cultural, quando são realizados os eventos que trazem impacto positivo para a cidade o ano todo. Carnaval é Rio de Janeiro porque, além de tudo, desenvolve a cidade”, explica Rafaela Bastos, Presidente do Instituto Fundação João Goulart.
O Carnaval de Dados 2023 é um projeto transversal desenvolvido por servidores públicos de carreira do Programa Líderes Cariocas, que analisaram dados de planejamento, investimento e execução da Prefeitura em uma perspectiva de gestão sistêmica. Dessa forma, é possível dar transparência aos atos da Prefeitura do Rio, e servir de base para as ações dos diferentes órgãos para os carnavais futuros e subsidiar com transversalidade experiências de grandes eventos para a cidade. São cerca de 15 secretarias e órgãos municipais envolvidos no estudo.
Uma das políticas públicas, resultado do estudo Carnaval de Dados 2022, foi o Samba Pass, lançado pela Secretaria Municipal de Esporte e Lazer que oferece preparação física e artística de alto rendimento, para os artistas sambistas das escolas de samba do Rio de Janeiro nas Vilas Olímpicas. Até o momento, já foram mais de 480 horas de preparação física e 384 horas de artística para 134 alunos. Esses profissionais do carnaval que passaram pelos treinamentos são de 54 escolas de samba existentes no Rio de Janeiro (duas mirins) que desfilam na Marquês de Sapucaí, Especial e Série Ouro e Intendente Magalhães.
“Este ano a Riotur celebra o Carnaval da Democracia. Com a retomada do carnaval de rua, a estrutura moderna da Nova Intendente, palcos espalhados pela cidade e o tradicional desfile na Marquês de Sapucaí, as expectativas são as melhores. Geração de empregos, movimentação da economia e captação de turistas”, declara Ronnie Costa, presidente da Riotur.
Nos desfiles das Escolas de Samba de 2022, no Sambódromo, no Grupo Especial, as Escolas levaram 37,3 mil componentes. Na Série Ouro, foram 28,9 mil. No total, foram 66,2 mil componentes em todos os desfiles das Escolas de Samba de 2022 no Sambódromo, das 12 Escolas do Grupo Especial e 15 da Série Ouro. Em média, cada Escola do Grupo Especial levou para o Sambódromo 3,1 mil componentes, e cada Escola da Série Ouro levou 1,9 mil componentes no Carnaval de 2022.
A Band Rio exibe de segunda-feira, dia 13 de fevereiro, a sexta-feira, das 13h às 13h30, o programa especial Band Folia na Série Ouro. Com apresentação de Amanda Martins e participações dos jornalistas Bruno Chateaubriand e Leonardo Bruno e da geógrafa, gestora pública e ex-passista da Mangueira Rafaela Bastos, a atração vai desvendar a história das 15 agremiações que buscam uma vaga na elite do samba.
Os desfiles da Série Ouro do Carnaval do Rio de Janeiro serão apresentados pela emissora com exclusividade na sexta-feira, às 21h, e no sábado, às 20h30. Posicionados em um ponto privilegiado dentro do Camarote Nº1, Glenda Kozlowski e Sergio Mauricio vão descrever toda a emoção vivenciada já no início da Sapucaí.
A transmissão terá comentários de Bruno Chateaubriand, Leonardo Bruno e Rafaela Bastos, com participações especiais das apresentadoras do programa Samba Coração, da Band Rio, Evelyn Bastos, rainha de bateria da Mangueira, e Selminha Sorriso, primeira porta-bandeira da Beija Flor de Nilópolis. Na programação nacional, a exibição começa a 1h da manhã nos dois dias.
Seis equipes estarão dedicadas para mostrar todos os detalhes do evento até as 6h da manhã em 26 câmeras. Ao longo do espetáculo, o público ainda poderá votar em enquetes interativas no Band.com.br/carnaval para avaliar os quesitos comissão de frente, mestre-sala e porta-bandeira, além da escola como um todo. Tanto no domingo quanto na segunda-feira, o repórter Rafael Pessina dará plantão no Camarote Nº1 trazendo a movimentação das celebridades.
Transmissão online e redes sociais
No digital, o público contará com uma cobertura robusta, com câmeras instaladas em pontos específicos para registrar a folia em tempo integral em todas as praças. De onde estiver, o folião poderá acompanhar as transmissões ao vivo de vários Carnavais da Band pelo Brasil no site Band.com.br/carnaval, no Bandplay e no YouTube do Band Folia. Conteúdos exclusivos direto da Sapucaí serão disponibilizados nas redes sociais do Band Entretê e Band Folia e no site oficial da emissora. A Série Ouro será exibida na íntegra na sexta-feira, a partir das 21h, e sábado, às 20h30 nos canais Band Jornalismo e Band Entretê no YouTube.
Sobre os comentaristas
Bruno Chateaubriand: É jornalista, colunista de Veja Rio e há nove anos integra o júri do Estandarte de Ouro do jornal O Globo. Também foi jurado oficial da Liga Independente das Escolas de Samba do Rio de Janeiro (Liesa), no quesito alegorias e adereços, entre os anos de 2007 e 2014. Em janeiro de 2023, realizou o primeiro simpósio de casais de mestre-sala e porta-bandeira do Carnaval do Rio de Janeiro e finalizou a obra “Mestre-Sala e Porta-Bandeira, uma Arte Essencialmente Nossa”, que será lançada no próximo ano pela editora ACE. Como jornalista, apresentador e ator teve passagens pelo SBT, RedeTV, TV Globo e Record. Em rádio, trabalhou na Tupi FM, Nativa FM e Mix. É autor do livro “Como Usar o WhatsApp a Seu Favor” em 2017. É conhecido pela produção de eventos sociais e culturais. Na área esportiva, é presidente da Federação de Ginástica do Estado do Rio de Janeiro desde 2017.
Leonardo Bruno: É jornalista, escritor e roteirista, com trabalhos no cinema, no teatro, na TV e na literatura. Autor de sete livros sobre música e cultura popular, entre eles, “Canto de Rainhas”, “Zeca Pagodinho – Deixa o Samba me Levar”, “Beth Carvalho – De Pé no Chão”, “Explode, Coração – Histórias do Salgueiro”, “Cartas para Noel -Histórias da Vila Isabel” e “Três Poetas do Samba-Enredo”. No cinema, escreveu o roteiro do filme “Andança – As Memórias e os Encontros de Beth Carvalho”. Já no teatro, é autor do musical “Leci Brandão – Na Palma da Mão”. Na TV, assinou direção e roteiro da série “O Samba me Criou”. Atua como pesquisador do Observatório do Carnaval, no Museu Nacional (UFRJ) e em 2023 completa dez anos como jurado do prêmio Estandarte de Ouro do jornal O Globo. É comentarista de carnaval nas transmissões de TV desde 2020.
Rafaela Bastos: Tem 25 carnavais pela Estação Primeira de Mangueira, sendo 23 deles como passista e musa da comunidade. Filha de dois integrantes da Velha Guarda da agremiação, é uma entusiasta do Carnaval e uma das organizadoras do estudo “Carnaval de Dados”, da Prefeitura do Rio. É responsável pela nova marca da Mangueira e sempre está ativa nos projetos que geram valor para a história da escola, ocupando atualmente o cargo de vice-presidente de Projetos Especiais da escola. É geógrafa e especialista em gerenciamento de projetos, branding e economia comportamental. Atua como gestora pública há mais de 17 anos e é presidente do Instituto Fundação João Goulart. Em 2016, foi condecorada com a medalha Rui Barbosa pelo seu estudo autodidata sobre a objetificação sexual das passistas.
A série “Barracões” do site CARNAVALESCO embarca hoje em uma viagem rumo à cidade de Paraty, tema da Acadêmicos do Tatuapé para Carnaval de 2023. O histórico município do litoral sul do estado do Rio de Janeiro será retratado no enredo “Tatuapé Canta Paraty! Do Caminho do Ouro à Economia Azul. Patrimônio Mundial, Cultura e Biodiversidade. Paraty Cidade Criativa da Gastronomia”, em desfile assinado pelo carnavalesco Wagner Santos. O artista recebeu a nossa equipe e explicou como se dará essa jornada.
Fotos: Lucas Sampaio/Site CARNAVALESCO
“A ideia partiu de um dos componentes da escola, amigo dos diretores da nossa agremiação. Foi ele que partiu com a ideia, que fez o contato com a cidade de Paraty com a nossa diretoria, e foi através dessa pessoa que conseguimos o apoio cultural para desenvolver o nosso enredo. Estamos desenvolvendo um enredo em homenagem à cidade de Paraty que eu fiquei muito feliz. Tem pessoas que tem a mania de criticar os enredos “CEP”, mas eu gosto muito de desenvolver enredos que homenageiam cidades, certo lugar ou certas pessoas, porque eu acredito que não é fácil de desenvolver”, disse.
Viagem turística à cidade de Paraty
Homenagens a lugares nem sempre são vistas com bons olhos, mas muitos Carnavais históricos e campeões vieram de enredos com esta temática, e Paraty é um bom exemplo disso. Em 2004, a Unidos de Vila Isabel homenageou a cidade em uma apresentação apoteótica coroada com o título do Grupo A do Rio de Janeiro, e é um desfile lembrado até os dias de hoje com muito carinho pelo Povo do Samba.
“Eu acho que para você desenvolver um enredo que irá homenagear uma cidade, um estado ou alguma região do nosso país, você tem que transmitir a alma e o sentimento do povo daquele local. Eu acredito que isso não é fácil, e você tem que trazer tudo isso de uma forma carnavalizada, onde as pessoas consigam ver aquela cidade que está sendo homenageada, que as pessoas consigam sentir as festividades daquela cidade, os passeios turísticos do local. Tudo isso estamos retratando de uma maneira bem legal. A ideia é fazer uma viagem turística à cidade de Paraty”.
Pesquisa do enredo: a emoção de Wagner Santos
Wagner Santos é uma verdadeira autoridade quando se trata de enredos “CEP”. Possui em seu currículo desfiles marcantes como as homenagem a Cubatão, em 2007 pela Vila Maria e o título na estreia pela própria Tatuapé em 2018, quando a escola homenageou seu estado natal, o Maranhão. Pesquisar para conceber o tema foi motivo de grande emoção por parte de Wagner pelas semelhanças que Paraty possui com sua cidade natal.
“É um roteiro turístico pela cidade. Pelas suas festividades, pelos seus eventos, pelas feiras e congressos que lá tem. Diversas atividades culturais, artísticas e turísticas. A cidade também é conhecida como a cidade da diversidade gastronômica. A cidade de Paraty tem um cenário maravilhoso, do período colonial. A cidade tem uma coisa muito bacana, que me emociona e que eu gosto muito. O centro histórico de Paraty lembra muito da minha cidade no Maranhão. Aqueles casarões antigos, feitos pelos primeiros moradores da cidade. Nós vamos mostrar o centro histórico de Paraty, os locais mais procurados pelos turistas na cidade. Vamos falar da rica gastronomia da cidade. Vamos falar das festividades da cidade, mas também vamos falar dos eventos culturais que acontecem na cidade. E também vamos falar das belezas aquáticas da cidade de Paraty, que são diversas. Tem lugares encantadores na cidade para quem tem a oportunidade de conhecer, pegar um jet ski, passear pelas águas de Paraty. Pegar uma embarcação e conhecer algumas daquelas ilhas que compõem todo aquele cenário paradisíaco que rodeia toda cidade. Retrataremos no nosso enredo toda essa beleza e sutileza da cidade de Paraty. Os principais atrativos, o artesanato da cidade, o estilo de pessoas que moram na cidade. Mostraremos os hippies, que são muitos frequentes na cidade de Paraty. Retrataremos isso de uma forma bem carnavalizada, é claro, porque Carnaval é festa e alegria, e a gente tem que carnavalizar para termos um espetáculo de acordo com o que o Carnaval sempre merece”, explicou.
Paraty projetada no Sambódromo do Anhembi
O carnavalesco demonstrou otimismo em relação ao trabalho que a Tatuapé vem desenvolvendo para o Carnaval de 2023. Mesmo em um cenário de readequação da realidade por conta da pandemia da Covid-19, o carnavalesco aposta na inovação das propostas de se conceber um Carnaval nesse período retorno à certa normalidade.
“Nunca podemos subestimar as nossas coirmãs, porque todo mundo que faz Carnaval, faz para ganhar. Todo mundo quer ser campeão. Mas eu acredito muito na proposta que levaremos para a Avenida. Levaremos um enredo bem diferente. As pessoas que tiveram a oportunidade de conhecer a cidade de Paraty irão conseguir enxergar a cidade. Tenho certeza de que será um belo trabalho. Traremos propostas diferentes nas nossas alegorias, nas nossas fantasias. Uma proposta visual diferente, mas de acordo com o bolso da escola. A situação do país ainda não está normalizada, ainda está difícil. Estamos vivendo ainda uma situação pós-Covid onde o país está começando a se arrumar agora. Acredito que todas as escolas farão um Carnaval de acordo com o que cabe no bolso”.
Conheça o desfile da Acadêmicos do Tatuapé
Wagner Santos resumiu o enredo de maneira geral e detalhou como se dará a distribuição dos setores ao longo da apresentação da Acadêmicos do Tatuapé.
“A Tatuapé irá apresentar um enredo em homenagem a Paraty. O resumo da história é um roteiro turístico que faremos pela cidade de Paraty. Faremos com que as pessoas conheçam as maravilhas e belezas que a cidade de Paraty tem a oferece a todos aqueles que tem vontade de conhecer. Claro que faremos dentro desse enredo a nossa viagem, porque a gente trabalha com Carnaval, trabalhamos com sonhos. Vamos partir para personagens mitológicos, para trazer essa Paraty para pessoas conhecerem. Através desses personagens da mitologia, personagens aquáticos, é que apresentaremos a Paraty que hoje nós conhecemos. A gente precisa ter um personagem, uma figura para retratar a história de Paraty. Não é só chegar e falar da cidade. Fomos lá na mitologia grega, fomos buscar personagens da mitologia grega, criamos personagens aquáticos, criamos um mundo aquático para apresentar a nossa Paraty de hoje”.
Setor 1: “Passaremos no começo pela história de Paraty. Passaremos por piratas, portugueses, plantações de cana, momentos da colheita de açúcar, para chegar nos momentos atuais. Para chegar nos hippies, nas festas, na cidade gastronômica, são essas alas. Como, por exemplo, a nossa bateria. Ela representará Paraty. A cidade tem esse nome justamente pela grande quantidade de um peixe que existia na região, pelos indígenas que moravam na região, e esses peixes se chamavam “peixe-paraty”. A bateria retratará esses personagens aquáticos, que são os peixes da região da cidade de Paraty”.
Setor 2: “Após esse primeiro setor, o número dois a gente já vem com o patrimônio histórico, lendas, gastronomia e Paraty, a Veneza brasileira. Porque ela tem um momento, uma fase do ano, que a cidade da maré enche a um certo ponto que invade a cidade. Aí, quando chega nesse momento, a cidade, no passado, acabou recebendo o apelido de Veneza Brasileira. O nosso segundo carro falará dos primeiros habitantes da cidade, os índios Paraty. Por que a cidade de Paraty tem essa raiz tão forte com o artesanato? Porque os nativos da região foram os primeiros que começaram com a venda de artesanatos. Cestos, balaios. A cidade é muito rica em traçados indígenas, como cerâmicas e diversos materiais de herança indígena.
Setor 3: “A partir desse momento, chegamos no terceiro setor. Já entram hippies, já entram os pescadores, uma série de situações. Séries, festividades que tem na cidade, como a Festa da Cachaça. Você tem a Festa da Literatura de Paraty. Tem um evento famoso de fotografia internacional. Tem uma série de atividades que envolvem todo aquele centro histórico da cidade. O carro que fala do patrimônio histórico da cidade, os casarões, traz outras informações, que são as lendas populares da cidade, a cidade gastronômica, mas também traz a Veneza Brasileira”.
Setor 4: “Já o nosso quarto carro é o carro que falará das belezas da cidade de Paraty, a fauna e a flora. Vamos mostrar os espécimes curiosos de pássaros e animais que habitam a região. Mostraremos as cachoeiras. Mostraremos os passeios turísticos de jet-ski pela região da fauna e da flora da cidade. Também mostraremos as embarcações, os marinheiros, toda a beleza aquática que envolve a cidade de Paraty. Nós estamos retratando nesse carro como se fosse uma grande ilha. A volta dele é todo de água”.
Ficha técnica:
Enredo: “Tatuapé Canta Paraty! Do Caminho do Ouro à Economia Azul. Patrimônio Mundial, Cultura e Biodiversidade. Paraty Cidade Criativa da Gastronomia”
Carnavalesco: Wagner Santos
Alegorias: 4
Alas: 19
Componentes: 2.500
No segundo ano à frente do carnaval da Unidos da Tijuca, Jack Vasconcelos resolveu retratar a Baía de Todos os Santos, de um jeito peculiar e próprio que já vem fazendo com os enredos que escolhe. Jack vai tratar uma região de muita cultura e espiritualidade, de uma forma lúdica, concatenando as histórias e os aspectos presentes na narrativa através do olhar das próprias águas da baía. Depois da complexa e criativa construção narrativa do enredo sobre o guaraná no carnaval passado, o carnavalesco agora se deslumbra com um enredo que tenta fugir da concepção óbvia chamada de C.E.P e dar vida a toda a multiplicidade cultural da Baía de Todos os Santos, região de muitos encantos naturais do estado da Bahia, mas também da pesca e da população ribeirinha, das lendas e da religiosidade, da música, e das festas. Depois de enredos sobre o guaraná, a arquitetura, Miguel Falabella e a música norte americana, a Baía de Todos os Santos era um tema que já se comentava muito dentro da escola e logo após o último desfile ganhou força.
Fotos: Mauro Samagaio/Divulgação Tijuca
“Desde o final do carnaval passado, já se ventilava por aqui uma ideia de se fazer algo sobre a Baía de Todos os Santos, porque isso é natural de às vezes nas escolas a gente ter alguma ideia de enredo que a gente acaba discutindo em comum no corredor, ou alguém da diretoria que conhece alguém que foi em algum lugar e aí acabam vindo algumas ideias. E da Baía de Todos os Santos era um que estava bem forte, e o presidente Fernando Horta me perguntou se eu tinha alguma preferência de tema para o próximo ano e eu acabei externando a minha vontade de fazer o da Baía. E foi o escolhido e a gente desenvolveu”, revela o carnavalesco Jack Vasconcellos.
E para esta produção, Jack conta que durante o processo de pesquisa conheceu muito de um pedaço de Brasil que até então para ele era desconhecido, mesmo que fosse falado em outras esferas e outros ambientes externos ao carnaval. O artista define também que conhece um pouco mais do Brasil a cada trabalho que desenvolve.
“A gente no eixo Rio e São Paulo às vezes acha que conhece tudo de todos os lugares, aí toda vez que eu viajo para outro lugar fora daqui eu me surpreendo e vejo que a gente não sabe nada de Brasil. Eu já tinha levado um ‘tapa’ de Brasil quando eu viajei para Fortaleza para pesquisar sobre o Bode Ioiô no Tuiuti, e levei outro quando fui para a Baía de Todos os Santos. Porque são lugares que te trazem uma carga, um peso histórico e até energético muito grande. A experiência que eu tive na Baía de Todos os Santos foi quase espiritual. Eu viajando pelas Ilhas, em algumas cidades que a gente teve oportunidade de conhecer também para enriquecer a pesquisa, a carga de informação e de peso histórico mesmo, coisas antigas, coisas que você nem imaginava que poderiam acontecer e que aconteceram e as provas estão lá é impressionante. Uma coisa é você ler em um livro, ler em um artigo em site, mas quando você vê a parte da história do seu país ali na sua frente, materializada em um objeto, numa ruína, ou em um instrumento musical que foi trazido de um outro lugar do mundo alguns séculos atrás, isso muda a pessoa, muda a visão que a gente tem do nosso país, do país que eu vivo. A visão do país que eu nasci muda a cada ano em que eu faço um carnaval. Nela vão sendo anexadas mais coisas. É maravilhoso. E aconteceu muito isso o tempo inteiro”, entende o carnavalesco.
Jack Vasconcelos explica como aconteceu a viagem a Baía de Todos os Santos que foi fundamental para que o artista pudesse reproduzir de forma mais certeira e precisa as maravilhas da região baiana.
“Passei quatro dias intensos lá. Eu acordava de manhã super cedo e a gente chegava no hotel muito tarde e no dia seguinte tinha outra viagem, outro lugar. Eu, por exemplo, passei um almoço no restaurante escola do SENAC e eles me deram uma aula de história da Bahia através da comida, das coisas que eu ia comendo, eles iam explicando o prato, como, quem trouxe e o que misturou com o que. O tempero era indígena que misturou com o africano que veio daquela região. Só isso já daria um enredo. Foi maravilhoso. Sou muito grato ao universo, a vida, por ter me proporcionado essa oportunidade de fazer essa viagem com essa atenção que eu tive lá. A gente foi muito bem tratado. Foi uma atenção absurda que eles deram pra gente e o apoio que deram depois em termos de material, de pesquisa, que é impressionante”.
Enredo pode ter pontos comuns com outros carnavais, mas com a visão única
A Unidos da Tijuca não será a única agremiação a falar de uma temática que está ligada territorialmente ao estado da Bahia. A Mangueira, em 2023, levará para a Sapucaí os cortejos afros do estado, enfatizando um toque feminino. A Bahia, aliás, sempre esteve muito presente no carnaval carioca, na produção dos enredos, pela proximidade cultural e até religiosa que a cultura baiana tem com a cultura do carnaval em si, e do carnaval carioca propriamente dito. Mas, a Azul e Amarela da Zona Norte, vai trazer para este desfile uma visão diferente da região, em primeiro lugar com um recorte territorial bastante específico, e também com um olhar para o enredo e para a narrativa bastante peculiar do carnavalesco Jack Vasconcelos.
“Nós não estamos falando do estado da Bahia, falamos sobre a Baía de Todos os Santos, isso já dá um recorte bem específico, porque a gente está falando de uma região. Acho que é possível que os enredos se beijem em alguns momentos, natural. Eu não costumo pensar no que o outro está falando para fazer diferente. Eu faço do jeito que eu acho que deve ser feito para o meu enredo ser entendido. E eu acho que o que diferencia nosso enredo de outros que falaram de Bahia no geral é muito a questão da abordagem. A gente está falando sobre a região da Baía de Todos os Santos, e quem conta essa história é a própria água da Baía de Todos os Santos. Isso já dá um visual diferenciado porque sempre tem alguma coisa que liga como se a água estivesse te falando sobre aquilo. Não é tão compromissado com o real. A gente conseguiu uma narrativa lúdica para o visual da escola, para poder abordar as passagens do enredo”, esclarece o artista.
Parte estética não deve seguir desfile do carnaval passado
Sobre a parte estética, Jack, que foi muito elogiado pelo o que apresentou na Tijuca em 2022, afirma que o público não deve esperar uma continuação plástica porque a temática é completamente diferente, inclusive a visão dos narradores é completamente distinta.
“Eu costumo ser empregado do enredo. Eu boto a minha percepção artística a serviço do enredo. Acho que a gente sempre fica com um pouco da experiência do que a gente fez antes, isso acaba permanecendo nos trabalhos, porque a gente aprende com as experiências, mas é uma outra história. Então não faria sentido eu continuar com a mesma pegada porque não é o Curumim Kauê que está contando essa história. Aquela era a visão do Kauê contando o enredo. Através do filtro artístico do Jack, mas era o curumim, o olhar dele contando aquela história. Como agora é o olhar das águas da Baía de Todos os Santos contando a história dela”, define Jack.
Muitas vezes retratado com um carnavalesco tropicalista pelos temas e o uso de cores, Jack confessa que gosta mesmo de um trabalho colorido desde que conectado com a temática do enredo.
“Eu gosto de ter a fantasia que eu vá mudar de enredo para enredo. Eu sei que isso não é possível cem por cento. A gente sempre vem de alguma coisa, é natural. Mas, eu tive o Kauê no ano passado, contando a história do guaraná, que foi um visual de carnaval que deu muito certo aqui. Só que eu não posso repetir essa linguagem porque o meu narrador então é outro. Eu tenho outro personagem contando outra história. Aquela linguagem já não serve para cá. Então eu vou estudar e vou experimentar outras coisas para que a Baía de Todos os Santos seja entendida como Baía de Todos os Santos e não como o Kauê contando essa região. Acho que falam de tropicalismo por causa da cor. Eu gosto muito de colorir tudo. Mas eu acho que a cor é uma ferramenta de comunicação muito potente. O Carnaval por si só a gente já espera muito colorido. Acho que cor é fundamental no diálogo com o público e no visual”, explana o carnavalesco.
O artista acrescenta, ainda falando da parte plástica do desfile, que não procura desenvolver estereótipos para a sua forma de fazer carnaval. Segundo o carnavalesco há espaço para o moderno e para o tradicional.
“Acho que podemos ter uma Tijuca de tudo um pouco. Tradicional, mas com inovação. Não tenho essa neurose, não fico perseguindo ‘Ai! eu preciso ser inovador’, não. Acho que as ideias quando são boas vão acontecer. Pode ser uma ideia antiga, e está sendo revisitada. Porque nada é novo. A gente sempre vai partir daquilo que a gente já viu antes. Tudo é inspirado em alguma coisa que você já viu na vida em algum momento. É um processo evolutivo”, acredita o artista da Unidos da Tijuca.
Enredo é trunfo, mas escola tem outras grandes apostas para este carnaval
Sempre muito elogiado, a construção e o desenvolvimentos dos enredos por parte do Jack de forma criativa mas também clara é sem dúvida um grande trunfo da Unidos da Tijuca. O fato de ter escolhido um tema tão rico em cultura e diversidade também pode render um grande desfile. Mas Jack Vasconcelos acredita que a agremiação também vai ter outras armas, principalmente a vontade que a comunidade tem demonstrado nos ensaios para cantar o samba e evoluir com alegria.
“A gente tem um enredo muito bom, a gente tem quesitos muito bem ensaiados e preparados para o desfile. O desfile da Tijuca como um todo acho que será muito bom. A gente tem componentes apaixonadíssimos pela escola, eles nem cantam, gritam o samba-enredo. Isso é uma coisa tocante, dá alma para o que a gente faz aqui. A gente trabalha em objetos inanimados, e aí eles vão ganhar vida lá na Sapucaí. Saber que eles vão ganhar essa vida toda, é incrível. Até a gente do barracão está ansioso com o desfile, porque a gente sabe que vai ser incrível”, aposta o artista.
E o casamento entre Tijuca e Jack vai se desenrolando bem em seu segundo ano. O artista conta que já está bastante adotado à agremiação e que tem desenvolvido uma relação muito boa com os segmentos, diretoria e comunidade
“Trabalhar na Tijuca é muito bom porque tem uma vibe muito sossegada, um negócio bacana. Eu tenho liberdade para trabalhar mas também sei que tenho os meus limites porque existe um diretor de carnaval que também tem a área de atuação dele, eu respeito o espaço do Casagrande, da presidente da ala das baianas, que tem tal necessidade com a roupa, passistas a mesma coisa. Eu me sinto respeitado e também respeito. E a gente dialoga bem e faz um bom projeto”, conclui o carnavalesco.
Conheça o desfile da Unidos da Tijuca
Para 2023, a escola do Morro do Borel vai levar para a Sapucaí cinco alegorias, sendo o abre-alas acoplado, dois tripés, mais o elemento cenográfico da comissão de frente. O contingente é de cerca de 3200 componentes e 28 alas. O carnavalesco Jack Vasconcelos esclareceu mais sobre os setores do enredo “É onda que vai… É onda que vem… Serei a Baía de Todos os Santos a se mirar no samba da minha terra”.
Abertura: “Kirimurê, no primeiro capítulo a gente fala da prisão dos tupinambás. Contamos a origem da Baía de Todos os Santos”.
Segundo Setor: “É o capítulo que fala sobre o povo que existe desde o descobrimento pelos europeus até a construção do sentimento de pertencimento da população que vai acabar nascendo, vai se encontrar ali”.
Terceiro Setor: “A gente fala da religiosidade que já são os frutos desses diálogos e a gente tem a relação com a religião de forma muito particular, essa troca da africanidade com o católico, com o indígena”.
Quarto Setor: “A gente fala da relação da população ribeirinha com a Baía de Todos os Santos. A tradição da pescaria, das marisqueiras, da produção destes lugares e como se transita nessa baía, como vão parar nos mercados e nas feiras”.
Quinto Setor: “A gente fala sobre a natureza, citamos as ilhas e a relação do meio ambiente com as lendas”.
Sexto Setor: “O processo de carnavalização das festas e essa relação deles com as festividades, com a alegria”.