A Comlurb continua nesta quinta-feira a pré-limpeza geral do Sambódromo para o Carnaval 2023. O serviço prepara a Marquês de Sapucaí para os desfiles das Escolas da Série Ouro e Especial, a partir de sexta-feira. Os serviços estão sendo realizados por 78 garis e 11 encarregados, com apoio de três caminhões basculantes, um minibasculante e um compactador.
A pré-limpeza da Marquês de Sapucaí será feita em dois dias – Prefeitura do Rio
Os profissionais estão fazendo a limpeza de toda a área, incluindo remoção de entulhos, varrição, capina, roçada e desobstrução de caixas de ralo. Está sendo utilizada ainda uma motobomba para fazer a lavagem das pistas e setores com água de reuso.
Está nas mãos de cada escola de samba a decisão sobre a iluminação do Sambódromo durante os desfiles. Segundo Césio Lima, desenhista de luz, disse ao G1, antes do desfile haverá o show de luzes, nas cores da escola. Com o início do desfile, a decisão ficará a cargo da agremiação sobre o melhor uso da iluminação na pista.
O Governo do Estado vai repassar para as escolas de samba do Grupo Especial e para a Série Ouro R$ 13 milhões para a subvenção dos desfiles. O valor será somado ao investimento do Poder Executivo feito por meio da Lei de Incentivo à Cultura e ao pacote de fomento Folia RJ 2023, garantindo ao Maior Espetáculo da Terra o investimento de R$ 38 milhões.
Segundo a Liesa, o subsídio vai possibilitar, pela primeira vez na história, as contas no azul após o desfile (Foto: Rafael Campos)
“Esse aporte vai fazer com que as escolas possam entregar um Carnaval mais bonito, que leva positivamente a imagem do Rio, assim como o Réveillon, para todo o mundo. Este ano não tenho dúvidas que será o maior Carnaval da história, e o Rio de Janeiro retoma seu protagonismo como vitrine do Brasil”, comemora o governador Cláudio Castro.
De acordo com o presidente da Liga Independente das Escolas de Samba (Liesa), Jorge Perlingeiro, o subsídio do Governo do Estado para o Carnaval vai possibilitar, pela primeira vez na história, as contas no azul após o desfile.
“Esse recurso permite que terminemos o Carnaval zerado pela primeira vez, para que a gente possa em abril começar a preparação dos 40 anos da Liga. Vamos corresponder este gesto importante com muito trabalho. E a nossa entrega é na Avenida, com um belo espetáculo para o público”, disse Perlingeiro.
Assédio e violência contra a mulher na mira do Estado
Além do aporte financeiro, o Governo do Estado planejou um Carnaval seguro para todos, em especial para as mulheres. Por isso, no mesmo dia do anúncio do aumento da verba para as agremiações, em ação conjunta, as secretarias de Estado da Mulher, de Cultura e Economia Criativa e das polícias Civil e Militar do Estado do Rio de Janeiro lançaram, no auditório da Biblioteca Parque Estadual, no Centro do Rio, a campanha institucional “Ouviu um não? Respeite a decisão”.
O encontro foi realizado em parceria com projetos premiados no edital “Bloco nas Ruas RJ”, que premiou 65 blocos do estado com aporte de R$ 3,1 milhões.
A secretária da Mulher, Heloisa Aguiar, ressaltou que a parceria entre os órgãos foi fundamental para o sucesso das ações.
“Trabalhamos para que a mulher seja orientada e protegida. Estamos todas de mãos dadas numa grande corrente para que o assédio seja reduzido e a mulher possa ter liberdade para se divertir no Carnaval”, destacou.
Para Danielle Barros, secretária de Estado de Cultura e Economia Criativa do Rio de Janeiro, o Carnaval é o palco para todas as ações de conscientização.
“Mais importante do que garantir o aporte financeiro, que vai movimentar a economia criativa com mais de R$ 38 milhões, gerando emprego, renda e oportunidade para as pessoas, temos que trabalhar em conjunto para que tenhamos um Carnaval com conscientização e respeito ao próximo, além da valorização da nossa arte, da nossa cultura e do nosso povo”, disse Danielle.
Sobre a campanha
“Ouviu um não? Respeite a decisão” é o slogan da campanha que o Governo do Rio está lançando neste Carnaval. Nela, são pontuadas atitudes de assédio contra a mulher – como puxar o cabelo, braço e a fantasia – e destacado o aplicativo Rede Mulher. Baixada gratuitamente no celular, a ferramenta tem um botão de emergência que aciona eletronicamente o 190, da Polícia Militar. “Seja um folião de respeito”, convoca uma das peças, divulgadas em redes sociais, rádios, jornais impressos, outdoors e pontos de ônibus, entre outros locais.
A série “Barracões” do site CARNAVALESCO viajará pela história da humanidade guiada pela Morro da Casa Verde e sob a proteção dos guardiões da palavra dinastia. Com o enredo “Dynasteia. História, Poder e Nobreza”, assinado pelo carnavalesco Danilo Dantas, a Verde e Rosa da Zona Norte ensinará ao público que comparecer ao Sambódromo do Anhembi o que significa essa palavra e as ligações que ela tem com o próprio mundo do samba.
Fotos: Divulgação
Enredo a muito guardado esperando a oportunidade certa
O desejo de Danilo Dantas de levar este enredo não é recente. O carnavalesco demonstrou que sempre teve um interesse especial de contribuir com a Morro da Casa Verde, e para 2023 surgiu essa oportunidade quando a escola o convidou para assinar o projeto.
“Meu namoro com o Morro já faz alguns anos. Desde quando eu fui pela primeira vez conversar, já tinha a ideia desse enredo por ser uma escola de família, que mantém essa tradição familiar. A estrutura dela ainda é muito familiar em todos os setores da escola. Eu percebi que ali era uma dinastia mesmo, que passa de pai para filho, de filho para neto. Quando eu tive a ideia desse enredo, cerca de três a quatro atrás, falei que agora é hora de mostrar isso para a escola. Meu interesse de vir para o Morro da Casa Verde principalmente foi para mudar a estética da escola. Quando eu apresentei a proposta, junto de outros quatro enredos, esse foi o primeiro aceito, nem precisei mostrar os demais. Eles entenderam a proposta, e sabiam que é uma estrutura de desfile totalmente diferente do que a escola tem apresentado nos últimos 20, 30 anos. É um choque de estética e de leitura, mas é o que eles queriam. Graças a Deus foi bem aceito pela direção da escola e também pela escola”, declarou.
Enredo diferente, mas capaz de homenagear a própria escola
Para uma comunidade que está acostumada com uma mesma linha de desfiles por tanto tempo, receber uma nova roupagem pode soar estranho de início. Mas Danilo garante que os componentes da Morro com o tempo abraçaram a proposta ao entenderem seu teor histórico, sempre ouvindo as diferentes opiniões de cada um.
“Toda mudança gera coisas positivas e negativas. Lógico que tem aqueles que falaram que não é a cara da escola, mas outros acharam que era isso que precisávamos para brigar de vez pelo título. A recepção de início foi de estranheza, mas depois as pessoas entenderam que o enredo fala basicamente de impérios e reinos que formaram a humanidade, passou a ser aceito de uma forma boa. No final fizemos uma mudança no planejamento para poder entrar e encaixar na proposta da escola. Inicialmente não tinha nenhuma dinastia ou ligação africana no enredo. No final, coloquei uma ligação da escola com a sua raiz africana e também uma das dinastias africanas, que é a do Império Mali, que inclusive é a nossa bateria, dando aquele toque de africanidade que faltava no enredo. Fora o samba, que ficou com a cara que o Morro tem”, afirmou.
A parte final do samba, que fala da Rainha com samba no pé, é uma clara homenagem a Dona Guga, filha de Zezinho do Banjo, que por 26 anos defendeu o legado do pai tal como uma dinastia. O desfecho do desfile da Morro lembrará não apenas da própria escola, mas de coirmãs que mantém esse elo familiar dentro de suas comunidades.
“Deixamos o enredo, numa parte final, para que não falassem que não falamos de samba. Fiz uma pesquisa, e devem ter outras escolas pelo Brasil ou na UESP com essa ligação familiar. Mas como o Carnaval é amplo e estamos na Liga, fizemos uma pesquisa entre as escolas dos primeiros grupos da Liga e da UESP. Identificamos que somente o Morro, o Rosas de Ouro e a Mocidade Alegre são escolas que tem, alguém na sua presidência, alguém que tem ligação com o fundador da escola. Foi o gancho que encontrei para fazer essa ligação com o samba. Fazemos no final do enredo uma homenagem ao Rosas de Ouro e a família Basílio com a Angelina, à Mocidade Alegre e a família Bichara com a Solange e ao Morro da Casa Verde, com elas duas abraçando as três dinastias mais antigas junto ao Morro da Casa Verde, que continua com a família até hoje. Uma forma de homenagear a Dona Guga, que mantém com pulso forte a escola até hoje”, exaltou Danilo.
Tomada do poder pelos ‘guiados por Deus’
Ao longo dos séculos, diferentes dinastias surgiram e se perpetuaram. Algumas seguem a mesma tradição até os dias de hoje, como é o caso da Família Real Britânica. Danilo Dantas considera este um elemento de destaque ao longo das pesquisas realizadas para concepção do enredo.
“O quanto a humanidade se pautou pela ganância e sede de poder, e sempre com uma desculpa: a religião. Fui pesquisando todas as dinastias, todos os impérios e reinos, e todos eles tinham como premissa e desculpa que eles eram “guiados por Deus”. Era Deus que dava a direção para eles se perpetuarem no poder. Era Deus que também, na maioria deles, independente do Deus que nós cremos ou que eles criam, ou que os Deuses que eles inventavam, sempre eram com a base do discurso de que eles precisavam tomar o poder porque foi Deus que destinou a eles. Todas as dinastias têm essa ligação, uma ligação muito forte da religião com os impérios. É por isso que eu começo o enredo com a expressão “Óh, Pai, derrame sobre nós a divina inspiração”, para que nós não usemos a divina inspiração de forma errada. Foi essa a deixa que tivemos para colocar essa inspiração que, segundo eles, era divina”, revelou.
Guardiões de Dynasteia
A comissão de frente da Morro da Casa Verde será o único momento totalmente lúdico do desfile, ao trazer os chamados “Guardiões de Dynasteia”. O objetivo é ensinar ao público desde o começo o significado da palavra dinastia de forma teatralizada, agindo como fio condutor da história a ser contada pela escola.
“Todo o enredo tem uma leitura histórica. A única que eu me permiti fazer uma leitura lúdica, com liberdade poética e artística foi na comissão de frente. A palavra dinastia deriva do grego “dynasteia”, que significa poder de dominação, dominar. A nossa comissão de frente, de forma lúdica, brinca que eles são os guardiões dessa palavra. Faremos ela com um figurino ligado à era medieval, mas é uma liberdade artística que fizemos para dar o pontapé inicial do enredo. Todo mundo fala de dinastia, mas não sabe o que é a palavra de fato. Pensam que é a perpetuação do poder apenas, mas é se perpetuar no poder tendo laços familiares. Os “Guardiões de Dynasteia” são como os guardiões do mistério que permeia essa palavra. São a licença poética que usamos para destrinchar o restante do enredo”, concluiu Danilo.
Conheça o desfile da Morro da Casa Verde
Setor 1: “A comissão de frente traz os Guardiões de Dynasteia, onde pouco se verá o rosto dos atores, porque ela é misteriosa e brincará com o mistério que tem a palavra e as dinastias da humanidade. Neste setor falamos dos impérios, tanto os medievais quanto os pós-medievais. O primeiro casal vem representando o Império Romano”.
Setor 2: “Falamos de reinos, desde o período neobabilônico até a dinastia argéada, que é a grega e macedônica. O segundo casal vem representando a Casa de Windsor, de onde vem a família real britânica”.
Setor 3: “Falamos das dinastias do samba, que nos demos a liberdade de colocar a parte lúdica do enredo sem deixar de ser histórico. Uma homenagem às escolas de samba que tem a sua ligação familiar”.
Ficha técnica
Enredo: “Dynasteia. História, Poder e Nobreza”
Alas: 17
Alegorias: 3 + 1 elemento cênico
Componentes: 1200
Ordem de desfile: 5ª escola a desfilar no dia 19 de fevereiro de 2023 pelo Grupo de Acesso
A Prefeitura do Rio, por meio da Secretaria Municipal de Desenvolvimento Econômico, Inovação e Simplificação (SMDEIS), que tem à frente o secretário Chicão Bulhões, em parceria com a Fundação João Goulart (FJG) e a Riotur, divulga a segunda edição do Carnaval de Dados. O estudo traz dados econômicos, números da operação do Carnaval, curiosidades da festa e também o quantitativo de trabalhadores envolvidos no evento, incluindo a imprensa especializada no Carnaval.
Segundo a pesquisa, em 2022 no Youtube houve aproximadamente 10 milhões de visualizações de conteúdos ligados ao Carnaval, considerando diversos eventos ocorridos ao longo do ano: mini desfiles (em fevereiro, visando os desfiles de 2022; e em dezembro, com os enredos para o Carnaval 2023) do Grupo Especial; mini desfiles da Série Ouro; ensaios técnicos de 2022 na Marquês de Sapucaí; desfiles oficiais de 2022 no Sambódromo (Liesa e Liga-RJ) e na Intendente Magalhães (Superliga Carnavalesca); a apuração das diferentes ligas em 2022; e sambas-enredos para o Carnaval 2023. Os números mostram a força do Carnaval Carioca.
Ao se considerar os principais veículos de comunicação da imprensa especializada, além dos canais oficiais da Liesa e Liga-RJ, há mais de 430 mil pessoas inscritas nesses canais no Youtube. Se somadas todas as redes sociais desses veículos, o número total de seguidores fica na casa dos milhões.
Mais um dado relevante sobre a força das Escolas de Samba, é a quantidade de seguidores ou inscritos nas redes sociais. Somando canais e perfis de Youtube, Instagram e Twitter, das 12 Escolas de Samba do Grupo Especial e das 15 Escolas de Samba da Série Ouro, além das redes sociais da Liesa, Liga-RJ e Superliga Carnavalesca (responsável pelos desfiles das Escolas de Samba da Intendente Magalhães), chega-se num número total de 3,5 milhões de seguidores / inscritos.
A série “Barracões” do site CARNAVALESCO testemunhou o andamento do processo de renascimento do Vai-Vai através do enredo “Eu também sou imortal”, assinado pela Comissão de Carnaval da Escola do Povo. O tema é a reedição do desfile que disputou o Grupo Especial em 2005, que retorna para o Carnaval de 2023 com a missão de inspirar a comunidade da Bela Vista na missão de retornar aos tempos áureos.
Fotos: Lucas Sampaio/Site CARNAVALESCO
Escolha por trás da reedição de um carnaval passado
Em 2022, o Vai-Vai voltou a sofrer o duro golpe causado por um rebaixamento. O cenário contrastante com a história de glórias da mais tradicional e maior vencedora das escolas de samba de São Paulo fez com que a diretoria pensasse na melhor forma de construir um projeto à altura, mas ao mesmo tempo dentro da realidade atual da agremiação. Luiz Robles, diretor de marketing e um dos membros da Comissão de Carnaval do Vai-Vai, contou para a equipe do site CARNAVALESCO o que levou a decisão por reeditar um tema já abordado no passado.
“Quando temos o revés do descenso, já na sequência, semanas depois, estávamos no barracão trabalhando, desmontando alegorias. Começamos a conversar sobre o que poderíamos trazer para o carnaval que fosse algo que mexesse com o orgulho da escola. Quando começamos essa conversa, a primeira ideia que surgiu foi o enredo de 2005 porque além de ser bacana, ele marcou aquela época pelo fato de termos sido aclamados pelo público. Pegamos um quinto lugar, e o presidente da época, o Sólon, resolve não desfilar. Fizemos um protesto e não voltamos para o desfile das campeãs. Aquilo marcou o carnaval, e o samba por si só já tinha marcado. Quando resolvemos trazer esse enredo de volta foi para eliminar algumas etapas também, porque sabemos que uma disputa de samba-enredo é um pouco difícil por conta de negativas que acontecem entre os derrotados. Queríamos evitar esse tipo de racha na escola porque acontece. O primeiro passo foi eliminar o concurso de samba, então fomos por uma reedição”, revelou.
Reedição contada de forma diferente
Reedições não são comuns no Carnaval de São Paulo, e trazer para os tempos atuais um carnaval construído em outra época é um desafio que conta com um repertório pequeno de processos criativos para se ter como base. O objetivo do projeto para 2023 é se aproveitar de um samba aclamado pela comunidade para trazer de volta as pessoas que se afastaram do Vai-Vai ao longo do tempo.
“O presidente de início era contrário, porque ele acredita que temos potencial de fazer um enredo novo, mas fomos conversando com ele e mostrando que nesse enredo traríamos uma roupagem nova, apenas reaproveitando o samba, que descartaríamos a eliminatória colocando um samba que já está na boca do povo, e traríamos histórias de pessoas que viveram aquele carnaval para a atualidade, trazer até componentes que não desfilam mais a voltarem a desfilar conosco. Foi um tiro muito certo quando batemos o martelo e fomos para o “Imortal”, até porque não era a única opção. O povo queria bastante 2009 por conta de tudo que ocorreu, a questão das vacinas, mas optamos pelo 2005 porque estamos em uma nova fase. O Vai-Vai está em uma nova roupagem, um novo momento, e o enredo da imortalidade também traz o renascimento disso tudo, casou com o momento da escola. Deu super certo por isso, para renascermos, nos reinventar, mas não só pelo fato de ter caído. Quando subimos em 2020, eu achava que ainda não estávamos preparados, e hoje eu acho que a escola está muito mais preparada para quando voltar ela ficar no Grupo Especial, e o enredo nos ajuda nisso aí”, explicou Robles.
De acordo com o diretor, o enredo se baseia no samba de 2005 para construir uma nova história que se encaixa também ao contexto atual do Vai-Vai, contada de forma clara e objetiva.
“Já tínhamos a sinopse e todo o trabalho de 2005, mas resolvemos mudar tudo. Não descartando tudo totalmente, mas queríamos realmente o zero. Fomos com a cabeça fresca, do zero, sem olhar o que foi feito lá para fazer o novo. Até a sinopse é diferente. Quando você vir o que colocaremos na pista e comparar com o que fizemos em 2005, não tem nada parecido. Não foi nem uma adaptação, colocamos na sinopse o que o samba acaba nos trazendo, ou seja, o que formos cantar você verá na pista, ficará simples de identificar”, disse.
Consciência do que é preciso ser feito
Na primeira passagem do Vai-Vai pelo Grupo de Acesso, a escola encarou antes um turbulento processo político de troca na presidência, que se estendeu por muito mais tempo do que o esperado. A Saracura precisou apostar em um desfile bastante protocolar, com o mínimo necessário para garantir as notas para retornar à elite. Luiz Robles garante que desta vez será diferente.
“Acho que estamos muito mais conscientes do que precisamos fazer e para onde temos que ir. Quando pego a escola em 2019, com a nova gestão, a escola ainda estava muito conturbada. Fizemos um carnaval muito às pressas, o carnaval do “Álamo” foi produzido em três meses, a partir do final de novembro. Queríamos resgatar a escola, mas por dentro ainda não estávamos 100%. Em 2022, começamos a nos reestruturar um pouco, mas o descenso fez com que parássemos, reavaliássemos e planejássemos corretamente todos os projetos de trabalho, tanto em concepção quanto em compras, tudo que envolve esse processo de fazer o carnaval nos adequamos melhor”, revelou.
Para Robles, o que mais chamou sua atenção durante o processo de construção do desfile para 2023 foi a maneira como a comunidade se envolveu com o projeto.
“O envolvimento das pessoas. Essa parte de brilhar os olhos dos profissionais com esse enredo foi o que mais pegou em nós. Eles se emocionarem vendo as coisas prontas, a forma como as coisas estão se tomando, o tamanho que a escola está criando, o corpo que a escola está voltando a ter de uma escola vencedora. A concepção e a criação todo mundo acaba participando um pouco antes, mas esse envolvimento faz com que as pessoas começassem a comprar a ideia, tomar o emocional das pessoas, e acho que isso foi o que mais chamou atenção”, declarou.
Conheça o desfile do Vai-Vai
“Faremos um passeio pela criação do universo, pela imortalidade e o espiritualismo. O primeiro setor da escola é uma situação que impactará bastante pelo que nós apresentaremos. Acho que o primeiro setor é muito impactante, porque foi uma aposta da comissão de carnaval para podermos mostrar essa nova roupagem da escola. Desde a comissão de frente, que não tem nada a ver com a de 2005. Em 2005 era um meteoro que se abria para revelar a fênix que havia dentro, e a nossa agora é completamente diferente. Tem uma citação na passagem do enredo que faz uma menção bacana que o pessoal que conhece o carnaval de 2005 irá se lembrar, porque não deixaremos de usar o tema para imortalizar algumas passagens. O enredo irá nos ajudar a imortalizar algumas situações, e no meio dos setores quem conhece o carnaval vai perceber”.
Ficha técnica
Enredo: “Eu também sou imortal”
Alas: 21
Alegorias: 3 + 2 tripés
Componentes: 1600
Setor 1: A criação do universo
Setor 2: Os povos imortalizados
Setor 3: A espiritualidade
Setor 4: O corpo humano
Setor 5: O renascimento do Vai-Vai