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Teve ciranda! Samba-enredo da Império de Casa Verde se destaca no desfile do Tigre

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Dos sambas-enredo mais elogiados por público e crítica no carnaval de São Paulo em 2023, os tambores da Império de Casa Verde ecoaram alto no Anhembi na segunda noite de desfiles no Sambódromo da cidade. Cantando o enredo “Império dos Tambores – Um Brasil Afromusical”, a agremiação mudou a identidade que trouxe nos ensaios técnicos de maneira acentuada: se, nos “treinos”, teve alguns momentos apoteóticos e outros de observação, a agremiação buscou a segurança e a linearidade nos 62 minutos de desfile (por três dentro do limite regulamentar). * VEJA AQUI FOTOS DO DESFILE

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Enredo

A musicalidade da África que chegou ao Brasil em diversos momentos da história do planeta foi cantada no enredo “Império dos Tambores – Um Brasil Afromusical”. Mais que melodias e letras, as canções também são uma marca de vida e de resistência. Vale pontuar que o enredo teve um norte bastante definido, com storytelling que precisa ser explicado. Quem conduziu todo o desfile foi Bah, uma baiana da escola que passa a ter contato com todos os ritmos advindos da África até desembarcar no próprio bairro da Casa Verde, sede da escola.

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Na avenida, a condução do desfile por Bah foi parcialmente compatível com o proposto. A maioria das fantasias tinham fácil assimilação, com os carros pormenorizando cada setor. A exceção foram as primeiras alas, com figurinos que não tinham identificação tão simples. Após a segunda alegoria, entretanto, com o desfile já no Brasil, todos conseguiram acompanhar o desenvolvimento do desfile.

Samba-Enredo

Das mais elogiadas canções do carnaval paulistano em uma safra de ótima qualidade, o samba-enredo traz toda a viagem citada pelo enredo. Mais do que isso, a composição é quase que inteiramente marcada por bossas da Barcelona do Samba, capitaneada por Mestre Zoinho. Se, nos ensaios técnicos, a bateria executada um sem fim de bossas, os ritmistas foram mais comedidos no desfile oficial. Ainda sim, não faltaram execuções para diferenciar as passagens do samba – como destaque para o instantâneo clássico apagão quando o verso “Acompanha um novo ser” é executado.

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Por fim, o carro de som, com a estreia do experientíssimo intérprete Tinga, impôs extrema qualidade à canção, combinando perfeitamente com a melodia e com o espírito imperiano. O momento em que o carro de som deixava apenas as vozes femininas enquanto a bateria faz uma imensa convenção, entretanto, não foi executado.

Harmonia

Nos ensaios técnicos observados pelo CARNAVALESCO, o Império de Casa Verde teve atuação irregular em determinados quesitos técnicos. No desfile oficial, entretanto, o Tigre Guerreiro teve canto bastante forte dos componentes – que, é bem verdade, não desfilavam com um tema afro há exatos vinte anos. Ao longo de toda a exibição, o canto foi constante e tinha volume considerável para a arquibancada, trazendo boa impressão.

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Nos dois primeiros setores da escola, é bem verdade, os staff mostravam preocupação com o alinhamento de determinadas alas, sempre apontando para os componentes do segmento e cobrando atenção. Com tal ajuda, os apontamentos feitos pelos harmonia eram resolvidos em segundos. Já nos setores finais, nem mesmo tal desafio era encontrado, com a escola executando a contento tudo que precisava.

Evolução

O quesito talvez tenha sido o mais destoante em um desfile sem grandes sobressaltos do Tigre – e por motivos pouco comuns. Antes, é importante destacar a ligação da Evolução com as fantasias: em 2023, a escola da Zona Norte optou por vir com figurinos bastante leves e simples. O resultado veio na movimentação do componente, que veio curtindo a bela canção escolhida pela escola e interagindo com o público, bastante sorridente e feliz.

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Não faltaram, entretanto, pelo menos dois rápidos momentos de hesitação imperiana na avenida no quesito – ambos vencidos com celeridade, por sinal. O primeiro deles veio quando o gigantesco abre-alas da escola adentrava o setor C da avenida. O andamento dos componentes pareceu mais moroso, e notou-se certa aflição dos responsáveis naquele momento no entorno do carro alegórico. O carro ficou parado por alguns instantes e, logo depois, harmonias pediram para que ele voltasse a andar. O motivo foi, justamente, o segundo instante com um pouco mais de dramaticidade em uma exibição bastante correta e segura: o recuo da bateria.

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A Barcelona do Samba entrou no espaço com uma fresta bastante exígua, com parte do abre-alas ainda sem entrar no Setor C e com mais uma ala ainda à frente. Enquanto alguns staff, na parte de trás do carro, pediam para que a escola parasse, ela evoluiu por mais alguns metros. Os ritmistas, em um movimento bastante destacado, optaram por uma entrada em dois tempos no espaço, deixando alguns componentes para fora do espaço para depois adentrar o recinto por completo. A ala seguinte não demorou muito tempo para ocupar o espaço deixado pelos ritmistas, com todo o movimento durando cerca de 95 segundos – marca bastante interessante.

Fantasias

Ao contrário de alguns outros anos e do que sempre acontece com os carros alegóricos da azul-e-branco da Zona Norte, a instituição optou pela simplicidade em detrimento do luxo. Não haviam problemas de acabamento, é bem verdade, mas os materiais utilizados eram mais simples e leves, e até mesmo os adornos de cada componente não eram muito luxuosos. Um dos efeitos positivos de tais escolhas veio no quesito Evolução, com muito movimento e dinamismo.

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O outro efeito positivo foi a excelente sacada do carnavalesco Leandro Barboza quanto ao imediatismo para a identificação das fantasias por todos. Quando um componente e um espectador sabem o que está sendo tratado, a motivação fica maior – e a energia era perceptível na exibição.

Alegorias

O carro abre-alas, com três chassis acoplados chamado de “Afrorealeza: Tempo dos Rituais”, relembrou o fato de que boa parte dos afrodescendentes chegados ao Brasil eram importantes pessoas em reinos africanos – que apresenta, é claro, o nacionalmente conhecido tigre, mascote da escola. O segundo carro alegórico já mostrava o início da viagem nos navios negreiros, com o nome “Navio Nos Ritmos da África”, claramente estilizado no formato de uma embarcação marítima, com todos os afrodescendentes fazendo música para buscar uma vida melhor e tentar afastar os males.

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Já em solo brasileiro e trazendo uma contextualização com os tempos atuais, a terceira alegoria tem nome autoexplicativo: “Sons da Periferia”. Do break ao funk, passando por diversos outros gêneros que têm matriz africana, todos eles são representados com riqueza de detalhes – com destaque para a escultura de uma mulher afrodescendente com um rádio, ouvindo as canções que ela tanto gosta. O destaque principal da alegoria também deixa clara uma imagem bastante comum em músicas de comunidades: ele representada o DJ do baile. Por fim, na última alegoria. E, se estamos no Brasil, nada mais justo que o último carro alegórico ter como palco a Casa Verde, bairro da Zona Norte de São Paulo onde está sediada a escola. Com o nome “Quilombo Casa Verde: Império dos Tambores”, com direito a coroação de rainhas do carnaval paulistano – como Bah, a baiana que conduziu todo o desfile e outras baluartes do carnaval paulistano, tratadas como griôs: Eliana de Lima, Leci Brandão e Bernardete.

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Na avenida, um detalhe que não costuma ser muito observado também ficou perceptível: alguns pontos de cada um dos quatro carros pareciam estar com pouca iluminação – o que nem de longe quer dizer que eles estavam apagados, muito pelo contrário. No abre-alas, por exemplo, a parte traseira e, ao menos, o lado direito tinham bem menos iluminação que a parte de cima, por exemplo. No terceiro carro alegórico, enquanto painéis de LED eram destaques, o local onde ele estava instalado remetia a uma balada – este, de maneira intencional.

Mestre-Sala e Porta-Bandeira

Com a fantasia intitulada “Divindades da Savana”, a fantasia de Rodrigo Antonio e Jessica Gioz, que veio logo no começo do desfile, ambos trouxeram a temática africana mais pura, ainda sem pisar no solo brasileiro.

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Se, nos ensaios técnicos, era possível identificar alguns descompassos na dupla, Rodrigo e Jessica trataram de fazer uma exibição correta, sem grandes ousadias. E, mais do que isso: reconhecendo o que cada um deles e o conjunto formado por eles têm de melhor. A porta-bandeira é extremamente sorridente e fez questão de torná-lo ainda mais visível; o mestre-sala é bastante expressivo e deixa claro qual sentimento está a cada instante – e, durante toda a exibição da Império, ele pareceu satisfeito e tranquilo. Juntos, eles têm em comum o bailado, sendo capazes de marcar com extrema elegância determinadas partes do samba-enredo – o que foi feito com primor. Por conta da garoa que caiu em determinados momentos do desfile, das famigeradas rajadas de vento no Anhembi e pela pista molhada, ambos buscaram a segurança, sem grandes ousadias – e com pelo menos uma bela atuação, na terceira cabine de jurados.

Comissão de Frente

Foram, ao todo, quatro fantasias diferentes dos bailarinos. Homens de barro, pássaros e mulheres da tribo tem participação importante na coreografia e andamento do segmento, mas o grande destaque é a mãe africana, que representa não apenas o ventre que concebe uma criança, mas, também, a matriz de diversos gêneros musicais. Também vale destacar o imenso baobá utilizado como elemento cenográfico.

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Na passarela, chamou atenção a sincronia entre os componentes, com movimentos bastante ágeis e temporizados. Se a coreografia não era das mais longas, o tripé chamou atenção e causou excelente primeira impressão ante o que viria pela frente.

Outros destaques

Chamou atenção a grande quantidade de alas e componentes que passaram entre os segundo e terceiro carros da Império de Casa Verde. Ao todo, oito das vinte alas da escola estavam no espaço, que ainda tinha o terceiro casal de mestre-sala e porta-bandeira e um quadripé instalado em uma das alas.

Luta pela Amazônia faz o último carro emocionar seus componentes

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PP08Para encerrar o desfile, o terceiro carro da Porto da Pedra trouxe para a Sapucaí o manifesto do escritor Júlio Verne em defesa dos rios e da floresta. O nome da alegoria é “Amazônia viva – arte, luta e resistência”. É uma celebração das pessoas que lutam pela preservação da Amazônia e de seus habitantes. Foto de quatro personalidades ambientalistas estavam em posição de destaque: Bruno Pereira, Dom Phillips, irmã Dorothy e Chico Mendes. Além disso, ilustração de povos originários com tarja preta nos olhos ocupavam as laterais.

Para compor o colorido da alegoria, parte dos desfilantes vieram nas cores dos bois-bumbás Garantido e Caprichoso, tremulando bandeiras. Entre eles, estava Tyron Rangel, de 32 anos, que estava animado para desfilar novamente pela Porto da Pedra.
“O carro ficou ótimo e eu acho que está bem representativo. Ele faz alusão não só aos povos originários, mas também ao movimento de emancipação pela luta indígena e também uma realidade política que a gente tem sofrido e passado nos últimos anos. Ao mesmo tempo, ele está trazendo muita alegria”, comentou o componente.
Enquanto um carro com teor político, “galhos queimados” ladeavam a estrutura em tons de marrom, vermelho e branco representando as queimadas. Pessoas ligadas à causa ambiental desfilaram na posição mais alta, como a filha de Chico Mendes, Ângela Mendes.

PP03 3A estreante na Avenida Érica Pinheiro, de 42 anos, se emocionou com a homenagem que a composição está fazendo aos indígenas, ao povo da Amazônia e aos ambientalistas. Érica ressalta a importância de reconhecer o bioma pelo seu potencial econômico conectado à preservação.

“É essencial defender a Amazônia por tudo e por todos que estão lá e por tudo que ela representa para nós daqui. Tem as questões industrial e farmacêutica. Então, nós precisamos cuidar mais da Amazônia sim”, argumentou Érica.

Nas plataformas laterais, em fantasias coloridas de penas, mulheres representavam a força indígena. Uma delas era Maria Eliza, de 19 anos, que cresceu na quadra da Porto da Pedra e desfila desde os 15 anos. Ela disse estar feliz por desfilar representando essa defesa ao bioma.

PP02 3“Como diz o enredo, a gente luta pela Amazônia. É extremamente importante porque tem acontecido tanta coisa por lá como desmatamento e garimpo ilegal. Só de estar representando isso eu estou feliz. Significa muito para mim defender a Amazônia. Eu pego as dores para mim. Trazer esse tema para o Carnaval dá mais visibilidade para os habitantes da Amazônia, dá uma atenção maior”, refletiu a integrante.

A última alegoria finaliza com a escultura de uma criança indígena em movimento lendo o livro “A jangada”, do francês Júlio Verne. O livro deu origem à narrativa do desfile e o finaliza.

Fotos: desfile do Porto da Pedra no Carnaval 2023

Império de Casa Verde 2023: galeria de fotos

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Mocidade Alegre 2023: galeria de fotos

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‘Estamos mostrando a cultura da mulher indígena e amazonense’. Baianas da Porto da Pedra são as Donas da Terra

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PP02 2De vermelho e preto, as baianas da Unidos do Porto da Pedra entraram na Sapucaí representando as donas da floresta, com um vestido com padronagem indígena. Dentro do enredo, são os cânticos sagrados delas que vão abrir os caminhos para o escritor Júlio Verne navegar pela Amazônia. Com o objetivo de se divertir e educar, as componentes querem mostrar a potência cultural da mulher amazônica.

“Essa fantasia é ver se bate no coração de cada um a importância da nossa Amazônia e dos indígenas. Todo mundo olha para os indígenas como se fossem pessoas pequenas, pobres e com nenhuma cultura. Nós estamos mostrando a cultura da mulher indígena e amazonense”, disse a presidente da ala Lindalva Mendonça, há 8 anos no cargo.

Para a líder do segmento, as baianas ficaram apaixonadas pela fantasia por conta da beleza, porém uma queixa foi recorrente. A estrutura da saia faz os babados se arrastarem no chão. Isso vai exigir atenção durante a evolução. Integrante do segmento há 23 anos, Vera Lúcia, de 68 anos, comentou sobre essa questão:

PP03 2“A fantasia está muito bonita. A gente só está com um problema. Estamos tropeçando nos babados, isso dificulta a gente rodar e fazer uma apresentação bonita”

Já Rosária Xavier, de 61 anos, contou que a fantasia está leve e acredita que ela simboliza um alerta. A baiana está no seu 26º carnaval pela vermelho e branco de São Gonçalo.

“O significado da fantasia é muito forte! É a preservação da Amazônia. Nós viemos representando as mães da terra tentando dar este alerta para as pessoas. É o nosso futuro que está em jogo. Nós temos que preservar agora para as gerações futuras, para mais tarde. Se não tiver esse cuidado, a gente não vai ter nada”, reforçou Rosária.

PP04 1O clima de confiança está presente entre as desfilantes. Um exemplo é a baiana Maria Auxiliadora de Souza, de 61 anos. Ela se considera uma baiana profissional e acredita que o enredo nesse momento é essencial.

“Nós vamos conseguir dar o nosso recado porque somos profissionais. É um enredo maravilhoso e, com ele e com o desempenho do carnavalesco [Mauro Quintaes], a gente tem tudo para chegar lá”, disse a componente que estreia esse ano na Porto da Pedra, mas faz uma maratona ao desfilar em escolas como Acadêmicos de Niterói, Cubango e União de Maricá.

As baianas desfilaram no primeiro setor do desfile chamado “Delírio Aventureiro”. O tom de vermelho compôs com o abre-alas e a ala que vinha à sua frente.

Freddy Ferreira analisa a bateria da Em Cima da Hora no desfile

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A bateria da Em Cima da Hora fez um bom desfile, na estreia de mestre Léo Capoeira. Um ritmo profundamente atrelado à questão africana que o enredo da escola propôs. O maior mérito musical e cultural da “Sintonia de Cavalcante” foi conectar sua musicalidade a toques de Candomblé, tais como o belo arranjo do refrão do meio, onde é feito um Alujá que é finalizado com o “Machado de Xangô”.

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A cozinha da bateria produziu um ritmo marcado pelo timbre relativamente grave, inserido nas tradições musicais da bateria da Em Cima da Hora. Marcadores de primeira e segunda tocaram com firmeza e segurança. Surdos de terceira foram o destaque musical da parte de trás do ritmo, adicionando bastante molho ao ritmo e também em bossas. Caixas de guerra ajudavam a preencher a sonoridade com bom volume, junto de repiques seguros.

Já a cabeça da bateria exibiu um naipe de tamborins que tocou com firmeza e de modo seguro, aliado a chocalhos também com boa técnica musical. O naipe de agogôs ajudou a complementar a musicalidade das peças leves, seguidos por uma ala de cuícas de qualidade.

A paradinha do refrão do meio, iniciada no verso “Minha fé ninguém calou”, foi a de maior destaque. Um Alujá potente e frenético é realizado de forma intensa pelos surdos de terceira. Um refinado toque de caixas também engloba a convenção sofisticada, numa construção musical detalhada e de invariável impacto sonoro.

Um breque na primeira deu dinamismo sonoro a “Sintonia de Cavalcante”. Depois da chamada dos repiques, tamborins fazem um toque envolvente enquanto surdos de terceiras dão balanço ao arranjo musical. Foi possível perceber ainda um outro breque, no final da segunda, contribuindo com o ritmo graças ao swing das terceiras.

Na sequência do breque da segunda, por vezes, foi exibida uma outra bossa durante o refrão principal. Uma construção integrada à musicalidade da Em Cima da Hora, aproveitando cuícas, surdos e repiques para consolidar o ritmo. Um arranjo bem concebido e que deu impacto ao ritmo.

As apresentações nos módulos de julgadores ocorreram de forma correta, sem problemas evidenciados dentro da pista. A melhor exibição para julgador foi a da segunda cabine. Um bom desfile da “Sintonia de Cavalcante”, ao consolidar seu ritmo integrado à sonoridade atrelada ao tema de vertente africana da Em Cima da Hora.

‘Amazonas, um rio de história e mistérios’: Segunda alegoria da Porto da Pedra destaca o maior rio em volume de água do mundo

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PP02 1No carnaval de 2023, a Vermelha e Branca apresentou o enredo “A invenção da Amazônia”, do experiente carnavalesco Mauro Quintaes. A segundo alegoria da escola, intitulada “Amazonas, um rio de história e mistérios”, destacou o Rio Amazonas, o maior do mundo em volume de água.

Dentro do enredo, a segunda alegoria do Tigre de São Gonçalo teve a missão de apresentar a história mística que envolve o Rio Amazonas, unindo civilizações, nações e seres espirituais. O carro colaborou para a mensagem de preservação à natureza do enredo da escola, como comenta a componente Eliane Farias, de São Gonçalo. “O enredo passa essa mensagem importante, devemos ter consciência, passar essa consciência para todas as pessoas e é isso que a Porto da Pedra vai passar na avenida. O Tigre será campeão”.

Visualmente, a alegoria não deixou nada a desejar. O carro apresentou um grande e esculturas bem feitas, como um índio grande na frente e alguns menores nas laterais. A saia da alegoria foi revestida de palha e com cores quentes constituindo os detalhes.

PP03 1Único destaque da escola residente do município de São Gonçalo, o educador Ton Bricio reforçou a importância da mensagem passada pelo enredo da escola. Desde 1994 frequentando a quadra da escola, o gonçalense defende a preservação da Amazônia para as gerações futuras.

“Atualmente, nós temos que pensar em todo tipo de preservação, a Amazônia é nossa, nossa riqueza, nosso poder e temos que preservar para o mundo, não só agora, mas para os próximos que virão”, ressaltou.

Porto da Pedra desde criança, a jovem Francine Montibelo também destacou a importância do enredo. Para ela, tratar de um tema importante no carnaval é fundamental para alertar a população sobre sua relevância. “Essa mensagem que a escola está passando é importante para todo mundo, uma consciência que todos devem ter e muitos não tem. Transmitir isso no carnaval é muito forte e a Porto da Pedra está sendo bem falada”.

Em Cima da Hora exalta a potência de ‘Esperança Garcia’, mas peca na parte plástica

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Quarta escola do sábado de carnaval da Série Ouro, a Em Cima da Hora trouxe para a avenida o enredo “Esperança, Presente!”, em homenagem àquela que hoje é considerada a primeira advogada do Brasil: Esperança Garcia. Uma mulher negra, escravizada, que escreveu uma carta denunciando a violência e os horrores das estruturas racistas de um Brasil colonial e provinciano. O ponto alto foi a bateria de mestre Capoeira e a exibição do primeiro casal de mestre-sala e porta-bandeira. Porém, as falhas na parte plástica e na sequência das alas podem tirar décimos da agremiação, que fechou o seu desfile com 54 minutos. * VEJA AQUI FOTOS DO DESFILE

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Comissão de frente

A comissão de frente, coreografada Leandro Azevedo, desfilou representando “A Desonra desperta a justiça por grandes negros e negras”. Eram 14 pessoas ao todo, sendo dois feitores, 11 escravizados e a Esperança Garcia, personagem principal do enredo da escola. Alguns componentes estavam com os pulsos acorrentados e/ou com uma espécie de “tronco” amarrado nas costas, sendo açoitados pelo chicote dos feitores. O segmento realizou uma apresentação bem marcante, com movimentos bem sincronizados e expressivos.

MATÉRIAS ESPECIAIS DO DESFILE
* Componentes da Em Cima da Hora ressaltam a importância de representar a história de Esperança Garcia
* Passistas da Em Cima da Hora mostraram a importância da leitura na luta pela liberdade
* Baianas da Em Cima da Hora fazem homenagem para mulheres pretas

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As vestimentas dos integrantes eram “de época”, em tons pasteis e terrosos, sendo Esperança a única a vestir branco. Quando o samba-enredo dizia “Sou a palavra que arde”, a protagonista do enredo exibiu um cartaz escrito: “Carnaval também é voz pra calar a escravidão”, que é um trecho do refrão. Ao final, Esperança Garcia foi coroada pelo grupo, que colocou nela uma roupa de advogada e um cabelo ‘black power’. A ideia inicial, segundo constava no livro abre-alas, era trazer um elemento alegórico chamado de “Dos maus tratos ao empoderamento negro”, que acabou não passando pela avenida.

Mestre-sala e Porta-bandeira

O primeiro casal, Jhony Matos e Jack Gomes, veio com a fantasia “Trovões da Esperança!”, em referência aos trovões do orixá Xangô, que anunciam justiça. Foi uma espécie de clamor de Esperança à sua ancestralidade religiosa. A roupa dos dois possuía as cores da Em Cima da Hora, azul e branco, além de muito brilho e pedrarias prateadas. O casal realizou uma bela apresentação, demonstrando boa sintonia ao longo dos giros e rodopios. A troca de olhares entre eles foi precisa para que a dança fosse bem executada. A exibição de Jhony e Jack em frente às cabines de jurados durou cerca de 1’50”.

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Samba-Enredo

O carro de som foi liderado por Igor Pitta, ao lado de 3 cantores de apoio, 2 cavacos e 2 violões. Os intérpretes conduziram bem o samba-enredo da escola na pista, procurando manter a empolgação da comunidade de Cavalcanti. A obra da Em Cima da Hora foi composta em parceria por Gilmar L Silva, Julio Cesar, Marcio de Deus, Moisés Santiago, Orlando Ambrosio, Richard Valença, Rogério de Cavalcante e Serginho Rocco.

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Harmonia

A Em Cima da Hora apresentou oscilações no canto ao longo da avenida. Em geral, a escola entoava com mais vigor o refrão principal “Ainda que seja o lugar do folião…”, mas diminuía a intensidade no decorrer do samba-enredo. Destaque para o bom canto da ala 3, intitulada “Ojuobá”. Por outro lado, a ala 5 “Fazenda de Algodões” deixou a desejar em harmonia, passando com vários integrantes sem cantar boa parte do samba.

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Evolução

A escola de Cavalcanti realizou sua evolução de forma dinâmica, com a comissão de frente se apresentando na frente do primeiro módulo de julgamento já na segunda passada do samba. A ala que veio atrás da bateria desfilou com certos espaços em seu miolo, abrindo pequenos buracos na pista. A penúltima ala da Em Cima da Hora, dos Ciganos, também apresentou o mesmo problema de evolução. A bateria saiu do recuo com 42 minutos. A partir de então, a escola passou a desfilar em ritmo mais cadenciado até concluir a sua apresentação.

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Enredo

O enredo “Esperança, Presente!” conta a história de uma mulher que, após ter sido separada do marido e sofrer diversas agressões, escreveu uma carta relatando os abusos e pedindo ajuda ao governo da capitania do Piauí, em 1770. Em ato de extrema coragem e resistência, Esperança clamou por justiça diante da série de violências que ela, suas companheiras e filhos vinham sofrendo. O texto é considerado o primeiro habeas corpus do Brasil, cuja autora, Esperança Garcia, foi reconhecida em 2022 pela Ordem dos Advogados do Brasil como a primeira advogada brasileira.

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De acordo com o carnavalesco Marco Antônio Falleiros, no primeiro setor do desfile da Em Cima da Hora foi traçado um paralelo entre a primeira advogada do Brasil e Xangô, orixá da justiça. Esperança é representada como braço firme e verbo vivo em defesa das negras e negros escravizados. A trajetória de vida de Esperança foi relatada no segundo setor, que vai do afastamento de sua família, passando pelas terríveis violências sofridas até a redação de sua carta.

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Por fim, o setor final abordou a relação de Esperança Garcia com a Literatura Afro-Brasileira, realizando uma diplomação simbólica como advogada que lutou e resistiu contra o racismo, machismo e as desigualdades sociais. Entretanto, além do elemento alegórico da comissão de frente que não desfilou conforme previsto no roteiro de desfiles, algumas alas da escola vieram fora da ordem proposta pelo carnavalesco. Um exemplo foi a ala dos passistas, “O poder da leitura e da escrita”, que não estava logo atrás da bateria, conforme o roteiro.

Alegorias

O carro abre-alas da azul e branco de Cavalcanti foi chamado de “O meu canto é por Justiça! Eu me chamo Esperança!” e mostrou a relação entre Esperança e Xangô, representado pelo destaque central Edimilsom Araújo. Mais acima, a destaque Janaína Guerra vestida de “Fogo da Justiça”. As composições da escada simbolizavam as “Obás de Xangô” e as composições das laterais eram as “Filhas de Xangô”. Búzios e chifres de marfim decoravam o carro que tinha as cores vermelho, dourado e branco.

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A segunda alegoria da Em Cima da Hora ganhou o nome de “Onde o verbo me invade, sou palavra que arde! A Resistência da Esperança!”. O cotidiano de trabalho e as violências sofridas por Esperança foram retratados no carro, que trazia como destaque o “Capitão do mato” e como composições os “Escravos da fazenda”. E por fim, o terceiro carro alegórico levava o mesmo nome do enredo: “Esperança, Presente!”. A alegoria exaltou a figura da grande homenageada Esperança Garcia, deixando a mensagem de que ainda é tempo de evocar a justiça com sabedoria. Um grande buraco na parte superior da alegoria deixava as ferragens e a madeira de revestimento aparente. A velha guarda da escola desfilou na parte frontal do carro.

Fantasias

Segunda ala a desfilar, as baianas da Em Cima da Hora vieram vestidas de “Labaredas do Fogo da Justiça!”, trazendo o oxé (machado duplo) de Xangô. Três componentes da ala vieram sem o chapéu, comprometendo a uniformidade das baianas. A ala “Resistência Negra” passou pela avenida sem nenhum chapéu, sem três costeiros e com algumas camisetas aparentes embaixo da fantasia. Já na ala “Piauí, Bandas Esquecidas – Trabalho no chão duro e na terra batida” eram as bermudas dos integrantes que estavam aparecendo por debaixo do tecido amarelo.

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Outros destaques

A rainha Anny Santos e o rei Jorge Amarelloh sambaram à frente da bateria Sintonia de Cavalcanti. Jorge, vestia a fantasia “A Santa Fé que Engana”, em tons de branco e prata com um grande costeiro que imitava asas. Anny, desfilou trajada de “Laços Africanos”. Raissa Oliveira veio como rainha da escola à frente do carro-abre alas, fantasiada de “Justiça”, em dourado e marrom. A Em Cima da Hora esquentou com o antológico samba de 1976, “Os Sertões”, escrito por Odeor de Paula.

É nossa hora de vencer’: Componentes da Porto da Pedra destacam preparo do Tigre na busca pelo título da Série Ouro

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PP04‘Porto da Pedra, é nossa hora de vencer’, o trecho do refrão do samba-enredo do Tigre de São Gonçalo demonstrou na avenida a expectativa da comunidade gonçalense na disputa pelo tão sonhado retorno ao Grupo Especial. No carnaval de 2023, a Vermelha e Branca apresentou o enredo “A invenção da Amazônia”, do experiente carnavalesco Mauro Quintaes.

Em entrevista ao site CARNAVALESCO, componentes da Unidos do Porto da Pedra comentaram sobre a expectativa pelo título da escola. O gonçalense Waldeir Mota, desde 2010 no Tigre, acredita que, além da escola estar preparada, o título seria histórico para São Gonçalo após as recentes enchentes que atingiram a cidade da Região Metropolitana do Rio de Janeiro.

PP03“Chegou o nosso momento, foi um ano de superação para todas, mas particularmente para nossa escola, a gente sabe da situação das enchentes em São Gonçalo, tivemos perda de pessoas, de amigos, mas estamos aqui com tudo mesmo assim. Com todo respeito que temos às co-irmãs que passaram ontem, algumas com alguns problemas, mas estamos na torcida para que tudo dê certo para a Porta da Pedra e que todas sejam julgadas com pé de igualdade.”, afirmou.

O sentimento de Waldeir é compartilhado por seu colega de ala, Felipe Rodrigues. Há 2 anos desfilando na Vermelha e Branca, o gonçalense acredita que a força do samba-enredo somada a parte plástica conduzirão o Tigre ao Grupo Especial.

PP02“A expectativa é a melhor de todas, estamos todas felizes, com a expectativa lá em cima que a gente vai subir hoje, com certeza. Esse ano vai, a escola tá muito linda, o samba é muito bom e temos um prefeito maravilhoso que ajudou muito a escola esse ano”, ressaltou o gonçalense.

Confiante no título, a gonçalense Paula, além de ser torcedora do Tigre, mora na rua da quadra da escola, no bairro Porto da Pedra, em São Gonçalo. Para ela, o entusiasmo da comunidade da Vermelha e Branca nos ensaios foi determinante para o desempenho apresentado na Marquês de Sapucaí.

PP01“A Porto da Pedra tá linda é esse ano vamos subir se Deus quiser. Estamos com muita garra e com o samba na ponta da língua. Os ensaios foram muito entusiasmantes”, enfatizou Paula, que desfila desde 2016 na escola.

Pela primeira vez como passista da Porto da Pedra, Francisca Fernandes apontou um trunfo na busca pelo acesso da Porto da Pedra: o fato de ser pé quente. Há anos frequentando a quadra da escola, Francisca confia que “chegou a hora de vencer”.
“É a minha primeira vez na ala de passistas, antes saía na comunidade, e acredito que sou pé quente e a Porto da Pedra já chegou campeã. É a hora de vencer, a hora da comunidade do Porto da Pedra vencer”, destacou.