Início Site Página 931

Alegoria da Unidos da Tijuca trouxe a procissão de Bom Jesus dos Navegantes para a Marquês de Sapucaí

0

Tijuca02 3O segundo carro alegórico da Unidos da Tijuca, “Beira de baía que deságua minha fé” representa a procissão de Senhor Bom Jesus dos Navegantes. O carro tem detalhes da relação entre os terreiros e a Igreja Católica na Bahia. Os componentes do carro são pessoas de fé e ficaram empolgados em sair na alegoria.

O carro apresenta esculturas representando os terreiros, fitinhas do Senhor do Bonfim, detalhes amadeirados e dourados, além do azul da Unidos da Tijuca. Os desfilantes vieram com três fantasias: altar baiano, senhor dos navegantes e fogueira de Xangô. Em entrevista ao site CARNAVALESCO, os componentes ressaltaram a importância de sair na alegoria e o lugar da fé em suas vidas.

Tijuca06Destaque do carro, Luciana Lemos é bailarina e professora. Luciana mora na Europa há mais de 30 anos e desfilou como destaque pela primeira vez hoje. A fé tem um lugar especial na vida da bailarina.

“Tem tudo a ver comigo esse carro. Fiquei muito emocionada ao entrar no barracão e ver o que esse carro representa. É o nosso senhor que cada um chama de um nome. É a diversidade, é a cultura”, disse Luciana.

Alexandre Alberto, professor de 47 anos, desfila na Unidos da Tijuca há 15 anos. Para ele, a alegoria entrou na Avenida com uma mensagem de esperança para o público.

Tijuca04 3“Que o carro possa representar saúde, esperança, prosperidade para todos nós. Que as fitinhas do Senhor do Bonfim tragam esperança para o Brasil (…) Sem fé nós não sobrevivemos, é ela que faz com que a nossa esperança se renove”, afirmou Alexandre.

Ângela Alves, confeiteira de 58 anos, desfilou pela primeira vez hoje. Ângela é espírita e se considera uma pessoa de muita fé.

“Esse carro representa toda a extensão de fé que a gente possa ter e crer que as coisas vão mudar, que as coisas vão melhorar (…) Eu rezo muito, agradeço muito pelas coisas que Deus me dá no dia a dia”, expressou Ângela.

Com o objetivo de mostrar um enredo alegre, Pérola Negra cantou Jair Rodrigues em desfile regular

0

Penúltima escola a desfilar, a Pérola Negra desfilou cantando uma homenagem ao artista Jair Rodrigues. A ‘Joia Rara’ do samba teve como destaque a bateria ‘Swing da Mada’, que executou bossas remetendo a sucessos e vida do homenageado. A segunda alegoria causou um impacto imenso na pista com suas cores e esculturas realistas. O casal de mestre-sala e porta-bandeira, Kadu e Camila, mostraram agilidade na dança e foram os únicos a pegarem um tempo mais ameno. Porém, ao todo, a apresentação da Pérola se marcou por ser regular.

Comissão de frente

Cada componente da ala vestia uma fantasia de cada cor, deixando a comissão de frente bem colorida. A coreografia era um misto de tudo, como o samba, a saudação ao público e, principalmente, a dança dos integrantes conforme a letra do samba. A ala quis mostrar alegria, devido à história de Jair Rodrigues. Por isso optaram por algo irreverente e colorido.

Mestre-sala e Porta-bandeira

O casal Kadu Andrade e Camila Moreira, realizou uma apresentação segura. Em análise na cabine de frente ao recuo, deu para notar movimentos intensos e rápidos no bailado e, na hora de estender o pavilhão para a cabine de jurados, fizeram de forma correta.

Vale destacar que entre todos os casais do Grupo Especial, Kadu e Camila foram os que menos sofreram pela questão do tempo. A pista estava seca, não estava sequer garoando e o vento já tinha diminuído sua potência. Vale ressaltar que isso não é parâmetro, mas o clima é determinante para uma performance satisfatória.

Harmonia

Em termos de volume, o canto da escola foi forte em apenas alguns momentos do samba, como o refrão principal e os últimos versos. Porém, se tratando de uniformidade com a ala musical e bateria, a comunidade da Pérola Negra respondeu muito bem.

Enredo

Como dito anteriormente, a Pérola Negra quis levar um enredo alegre para o Anhembi neste ano e encontrou isso na figura de Jair Rodrigues. Tudo isso deu certo e começou pela comissão de frente, esbanjando um colorido e um impacto de simpatia logo de cara. Após, mostrou suas origens musicais através de uma alegoria com grandes notas musicais e, dentro do setor, alas coreografadas continuavam passando a mensagem para o enredo. Depois mostrou sua fé, religiosidade e, no final, Jair foi coroado com honra pelo carnaval nas cores de Salgueiro e Mangueira, que são as escolas que o artista tinha ligação.

Evolução

A ‘Jóia Rara’ do samba evoluiu de forma correta. Analisando a escola perto do recuo da bateria, deu para ver uma grande organização. Tanto em compactação dos componentes por inteiro, como das alas em si. O alinhamento das fileiras foi feito de maneira correta. Vale destacar que o samba não pedia uma coreografia padrão, então os desfilantes tiveram a estratégia de evoluir de um lado para o outro. Porém vale destacar apenas o refrão do meio: “Vou me banhar na cachoeira… Lavar a alma na fé… Salve o rei da mata meu santo protetor… Oxóssi caçador”. Neste momento os componentes faziam o arco e flecha característico do orixá Oxóssi.

Samba-Enredo

É uma obra que em sua maior parte tem uma melodia lenta. Porém a letra é rica e conta a história de Jair Rodrigues de forma correta. A parte que mais se destaca é quando se fala dos sucessos de Jair e as escolas de samba que ele teve ligação, que foram Salgueiro e Mangueira. O intérprete Daniel Collete fez a sua parte e colocou a comunidade para cima. Foi o tempero do hino e deu um gás gigante.

Fantasias

As vestimentas da Pérola Negra foram padrão da noite. Algumas alas se destacam mais que as outras por ter costeiros maiores e de um requinte maior. Um exemplo é a ala 1, onde a fantasia foi mostrada de extrema simplicidade, mas tinha uma leitura simples e permitia o componente desfilar melhor. Além disso, deu para notar bastante colorido nas fantasias entre os setores. Essa era a proposta Pérola Negra.

Alegorias

A primeira alegoria veio em uma espécie de boiadeiros e onça na frente. Atrás, com notas musicais, remetendo à vida musical do artista. O segundo carro alegórico foi o principal esteticamente. Todo verde com um pássaro amarelo na frente. Logo atrás uma monumental escultura de uma espécie de índio. Por fim, o terceiro era Jair, coroado no carnaval com as cores de Salgueiro e Mangueira. As alegorias mostraram uma bela estética e ideia de história real.

Outros destaques

A bateria ‘Swing da Mada’, regida pelo mestre Neninho, teve um desempenho satisfatório e remeteu a vida do artista. Isso se mostra nas bossas. Nos últimos versos onde se canta Salgueiro e Mangueira, a batucada faz a bossa para ficar somente no surdo de primeira, que é característica da verde e rosa. Outro breque foi feito no ritmo do sucesso “Deixa isso pra lá”. Neninho mostrou criatividade nesses aspectos.

Fotos: desfile do Salgueiro no Carnaval 2023

0

Casagrande, o ‘capitão da marujada’, celebra uma década de notas 10 pela Tijuca

0

Tijuca01 2Uma bateria que praticamente gabaritou, desde 2010, o julgamento do segmento. Com a fantasia “Capitão patrão da marujada”, o mestre Casagrande entrou na Marquês de Sapucaí comandando os ritmistas da Unidos da Tijuca. O segmento representou a marujada e suas cantorias, que retratavam as travessias marítimas da luta contra os invasores.

Em entrevista ao site CARNAVALESCO, Casagrande, um dos mestres de bateria mais renomados do carnaval carioca, falou sobre a mensagem que a bateria representou, opinou sobre o enredo, além de contar qual o segredo para manter o alto nível e desempenho apresentados nos carnavais da Azul e Dourado.

Para o mestre de bateria, a fantasia estava leve e era bem tranquila, facilitando o trabalho dos ritmistas na Marquês de Sapucaí. Ele destacou que esse é um pedido que sempre faz aos carnavalescos.

“Está tudo dentro do enredo. A fantasia está realmente muito prática e muito boa. Ela também é muito funcional para a gente – é um pedido que eu sempre faço para os carnavalescos. Fomos atendidos e nós estamos muito satisfeitos. A marujada estava pronta para tocar para a escola e fazer um bom desempenho – o que é o mais importante”, disse Casagrande.

Tijuca04 2O mestre destacou que fazia tempo que a Unidos da Tijuca não trazia para a Passarela do Samba um enredo afro. Para Casagrande, um enredo desse tipo, além de falar da Bahia, é sempre muito bom.

“Esse é um enredo realmente muito bom. Falar de Bahia e um enredo afro é sempre bom. A gente tinha uma expectativa muito grande, até porque fazia muito tempo que a Tijuca não colocava um enredo afro na Avenida. O importante é fazer valer a escolha do enredo. A escola canta muito, a bateria sempre muito bem ensaiada”, comentou o mestre de bateria da Unidos da Tijuca.

De acordo com as notas ao longo da última década, uma das melhores baterias do carnaval carioca. O mestre Casagrande revelou que o segredo é ter foco e fazer o simples, atuando de acordo com o regulamento.

“O segredo é muito ensaio, foco e bastante disciplina em questão de ritmo – muito bem ensaiada e focada. Nós acreditamos que sempre o menos é mais, então nós procuramos sempre não ficar inventando muito. A gente já parte da nota dez, então só basta manter. Tentamos manter hoje. A gente não tem o costume de fazer muita coisa especial não. A gente joga pelo regulamento e colocamos ele debaixo do braço. Eu não faço bossa, eu faço convenção musical. São três convenções musicais dentro da melodia do samba e muito bem encaixadas. Uma fácil leitura para o julgador entender bem. A ideia é facilitar o julgamento do jurado.”, explicou o mestre.

Ala ‘Orixantos’ celebrou a ligação entre os orixás e os santos católicos no desfile da Tijuca

0

Tijuca03 1A ala coreografada “Orixantos” da Unidos da Tijuca celebrou a relação entre os terreiros baianos e a igreja católica. As fantasias dos desfilantes homenagearam quatro orixás (Oxóssi, Ogum, Oxum e Xangô) e os santos que os representam na Igreja Católica (São Jorge, Santo Antônio, Nossa Senhora das Candeias e São Jerônimo). Os componentes se sentiram muito felizes e importantes com a participação na ala.

A fantasia era diferente para cada orixá: Oxóssi era verde com detalhes e seu característico arco e flecha, Ogum era Azul brilhante com sua imponente espada, Oxum era toda dourada com seu belo espelho, Xangô era vermelho com seu tradicional machado. Nas costas, os componentes carregavam a imagem do santo católico que representa cada orixá. Em entrevista ao site CARNAVALESCO, os desfilantes falaram da importância e da responsabilidade de representar as entidades.

Jaqueline Silva, ambulante de 33 anos, estreou na Marquês de Sapucaí hoje. Como seu orixá é Ogum, Jaqueline se sentiu realizada ao representá-lo na Marquês de Sapucaí.

Tijuca01 1“Para mim a importância é total. É a primeira vez que eu desfilo, e estou representando o meu orixá que é Ogum. Está sendo maravilhoso, muita emoção. É muito grande a responsabilidade, mas eu sei que vou dar conta. Tudo vai dar certo”, disse Jaqueline.

Luzia Rocha, professora de 41 anos, desfila na Unidos da Tijuca há dez anos. A fartura e a prosperidade de Oxum encanta Luzia.

“Eu venho representando Oxum que é uma orixá da fartura, da prosperidade, da beleza (…) Ter uma ala dessa em uma escola é importante, que é minha escola do coração. É importante também por causa da intolerância religiosa (…) É muito importante falar a respeito dos orixás”, falou Luzia

Tijuca04 1Victor da Silva, designer de interiores de 34 anos, desfilava na Azul e Amarela do Borel há alguns anos e retornou em 2023 por causa do enredo. Victor se identifica muito com Xangô por se considerar justo em seu dia a dia.

“Hoje eu estou representando Xangô que é o Orixá da justiça. Eu estou aqui para representar a justiça e a Tijuca ganhar o campeonato esse ano (…) A representatividade de Xangô é muita coisa na minha vida. Eu sou muito justo, é sobre isso”, explicou Victor.

Elizabeth Maceió, comerciária de 57 anos, saiu em seu segundo desfile na Unidos da Tijuca. Aniversariante do dia, Elizabeth espera que Oxóssi abra caminhos em sua vida.

“É o santo que eu gosto. Eu acho que veio em uma hora boa para abrir caminhos. É muita responsabilidade, mas estou pronta para representar Oxóssi na Avenida. Todo orixá tem seu peso, mas acho que Oxóssi tem um peso maior”, expressou Elizabeth.

Matheus André estreia na avenida como primeiro mestre-sala da Unidos da Tijuca

0

tijuca desfile 2023 47Estreante como primeiro mestre-sala da Unidos da Tijuca, o jovem Matheus André é uma das promessas da nova geração da Unidos da Tijuca. Matheus usou uma fantasia branca e azul, repleta de detalhes brilhantes. Antes de entrar na Passarela do Samba para o desfile da Azul e Dourado, o primeiro casal da agremiação, em entrevista ao site CARNAVALESCO, contou um pouco do que foram os preparativos para esta estreia, além da expectativa para a apresentação na Marquês de Sapucaí.

Denadir Garcia, um dos nomes mais técnicos e experientes no pavilhão, contou como se deu esse trabalho de preparação para o primeiro desfile do casal. Ela ressaltou que apesar de nunca ter sido primeiro mestre-sala, Matheus tem bagagem e competência.

“Foi um trabalho muito interessante. Apesar do Matheus nunca ter sido primeiro mestre-sala nem no acesso, ele é um moleque com muita experiência na Avenida. Eu pude passar para ele muita coisa, assim como ele também me passou bastante coisa. O trabalho está bem bonito e muito legal”, contou a primeira porta-bandeira da Unidos da Tijuca.

tijuca desfile 2023 09Ela também exaltou o que considera as principais qualidades de Matheus André. Segundo Denadir, o jovem é ouvinte, sempre dando atenção aos conselhos da porta-bandeira e buscando se aprimorar cada vez mais.

“O Matheus é muito ouvinte. Ele ouve muito e isso foi bem legal, porque por ele ouvir muito, começou a estudar tudo que eu falava e mostrava para ele. Isso foi bem legal e muito ‘adiantador’(sic)” , revelou Denadir.

Já sobre a estreia do casal na Marquês de Sapucaí, a experiente porta-bandeira disse que o casal daria o seu melhor para ajudar a escola de samba.

“Está tudo certo para o desfile, Graças a Deus. A expectativa é muito grande para entrar na Avenida e dar o nosso melhor para que na quarta-feira de cinzas a Tijuca consiga se consagrar”, comentou.

tijuca desfile 2023 46Segundo mestre-sala da Azul e Dourado por sete anos, o mestre-sala disse já ter noção da responsabilidade que é representar um dos principais pavilhões no carnaval. Rapidamente, antes de entrar na Passarela do Samba, ele comentou sobre a experiência que estava prestes a viver.

“Eu já sentia um pouco desse peso de ser mestre-sala. Eu fui, por sete anos, segundo mestre-sala da escola. Hoje estou tendo a oportunidade de estar estreando como o primeiro. Este ano quero fazer arrasar, fazer o melhor desfile para a Tijuca e dar um banho de axé”, disse Matheus André.

Com o enredo “É onda que vai… É onda que vem… Serei a baía de todos os santos a se mirar no samba da minha terra”, a Unidos da Tijuca foi a quinta escola a desfilar na Passarela do Samba neste domingo de carnaval.

Comissão e bateria se destacam, mas erros de evolução e falha nas alegorias prejudicam o desfile da Unidos da Tijuca

0

Quarta escola a entrar na avenida na primeira noite de desfiles do Grupo Especial do Rio de Janeiro, a Unidos da Tijuca apresentou o enredo “É onda que vai, é onda que vem… Serei a Baía de Todos os Santos a se mirar no samba da minha terra”, desenvolvido pelo carnavalesco Jack Vasconcelos. Em 1 hora e 10 minutos, o desfile da escola do Borel foi prejudicado pelos erros apresentados em evolução e os problemas de acabamento nas alegorias. A exuberante Comissão de Frente de Sérgio Lobato e a bateria “Pura Cadência” de Mestre Casagrande foram os destaques da escola. O valente desempenho do carro de som da escola, apesar dos problemas no som da pista, foi notório e o enredo da Amarela e Azul teve fácil leitura. * VEJA AQUI FOTOS DO DESFILE

Comissão de Frente

A Comissão de Frente da Unidos da Tijuca no carnaval de 2023 pode ser definida como histórica, ao ser a primeira da história do carnaval a apagar as luzes da pista e utilizar a iluminação cênica da pista para destacar sua apresentação. Comandada pelo experiente coreógrafo Sérgio Lobato e intitulada “Um Banho de Axé”, como na letra do samba-enredo da escola, se propunha mostrar as águas do Atlântico e as influências culturais africanas na Baía de Todos os Santos. Toda dança era regida por Iemanjá, orixá das águas salgadas nas religiões afro-brasileiras, que foi representada na avenida pela atriz Juliana Alves, ex-rainha de bateria da escola.

LEIA ABAIXO MATÉRIAS ESPECIAIS DO DESFILE
* Comissão e bateria se destacam, mas erros de evolução e falha nas alegorias prejudicam o desfile da Unidos da Tijuca
* Ala “Holandeses” da Unidos da Tijuca representou a conquista de Salvador

tijuca desfile 2023 41

Além da utilização da iluminação cênica, a dança elaborada por Sérgio Lobato foi bem fundamentada e sincronizada. A coreografia, em seu primeiro momento realizado no chão da pista, utilizava muito do movimento conferido pelas saias dos bailarinos e na excelente interpretação de Juliana Alves. Quando subiam para o tripé, os bailarinos de azul e saia formavam as ondas e mexiam um pano azul e branco dando movimento às mesmas ondas, enquanto a Iemanjá ficava como figura central do tripé. Logo após, surgiam gradativamente novos personagens na cena, com referências a cultura baiana, como um sambista e adeptos de religiões de matriz africana. O ponto alto da coreografia se dava quando a Iemanjá ganhava seus elementos tradicionais e era levantada a metros do chão do tripé, com uma longa saia azul. A Comissão arrancou aplausos em todos os módulos.

Mestre-Sala e Porta-Bandeira

No carnaval de 2023, a Unidos da Tijuca promoveu a estreia de uma nova parceira no quesito Mestre-Sala e Porta-Bandeira, ao mesclar a experiência de Denadir Garcia com o estreante Matheus André. Representando a “Visão Aquática de Kirimurê”, Denadir e Matheus vestiam uma roupa em tons de azul e branco, que remete a elementos marinhos. A ausência do chapéu da porta-bandeira foi o único problema no quesito e pode resultar em descontos. Em volta do casal, a escola trouxe guardiões vestidos de “Ancestrais Tupinambás”.

tijuca desfile 2023 47

Na execução da coreografia ao longo dos módulos de julgadores, o casal se apresentou com maestria e sincronia, sem o mestre-sala sequer parecer estreante. A dança apresentada foi excelente e se destacou no desfile da escola. A coreografia do casal foi bem forte, com bastante referências a elementos da letra do samba, como nas referências aos orixás Oxum e Xangô e no trecho do “cadinho de pimenta”. O movimento dado pelo costeiro azul do mestre-sala contribuiu demais para seus movimentos e conferiu beleza à dança da dupla.

Harmonia

tijuca desfile 2023 34

A Harmonia da Unidos da Tijuca apresentou bom desempenho na avenida e foi um dos pontos fortes da escola no desfile de 2023. Apesar dos diversos problemas apresentados no som da Marquês da Sapucaí que prejudicou diretamente o carro de som da escola comandado por Wantuir e Wic, o canto da comunidade da escola se manteve firme e coesa durante o desfile. A aceleração feita no samba-enredo da escola contribuiu para a valentia no canto do povo do Borel. Além do refrão principal da Amarela e Azul, com o famoso e chiclete “Banho de Axé”, o trecho final do samba da escola, do “Ó pai ó” até “viver será só festejar” foram cantados a plenos pulmões pelos componentes da Tijuca. As alas 2, “Português com um padrão”, 16, “Rendas de Bilro” e 28, “Baianas do samba de roda”, foram destaques no quesito.

tijuca desfile 2023 33

Evolução

O quesito evolução foi, sem sombra de dúvidas, um dos mais problemáticos da escola no desfile. O mais grave deles ocorreu na apresentação da bateria nos dois primeiros módulos, dos setores três e seis, quando a ala de passistas avançava e se abriu clarões na avenida. Outra dificuldade foi apresentada quando o primeiro tripé, “Navegando sobre as águas de todos os santos”, travou e a ala 4, “Pelo mar do porto da barra”, que a acompanhava avançou, na frente do segundo módulo. No último módulo, as alas 15, “Cana-Brava” e 16, “Renda de Birlo”, deram uma embolada na frente dos julgadores. Por fim, para fechar os portões dentro do tempo permitido, as alas da escola precisaram acelerar.

tijuca desfile 2023 10

Enredo

Com o enredo “É onda que vai, é onda que vem… Serei a Baía de Todos os Santos a se mirar no samba da minha terra”, o carnavalesco Jack Vasconcelos e a Unidos da Tijuca renderam homenagem a Baía de Todos os Santos, através das histórias, culturas e a relação do povo baiano com a segunda maior baía do mundo, desde que era chamada de “Kirimurê” até os dias de hoje. A narrativa da escola foi dividida em seis setores, ou “capitulos, sendo esses: “Do Mar”; “Da Terra”; “Dos Santos”; “Do povo”; “Do Reino” e “Da Festa”.

tijuca desfile 2023 36

Ao longo de 28 alas, 5 alegorias e 2 tripés, o enredo da Unidos da Tijuca foi apresentado com coerência pela facilidade da leitura da história da Baía de Todos os Santos, em todas as suas vertentes, sobretudo no conjunto de fantasias. O carnavalesco Jack Vasconcelos se provou mais uma vez como um grande contador de histórias e maestral enredista. As fantasias das alas 16, “Rendas de Bilro”, 18, “Náufragos” e 24, “Blocos Afros”, podem ser citadas como exemplo de facilidade na leitura do significado.

tijuca desfile 2023 39

Alegorias e Adereços

Para homenagear a Baía de Todos os Santos e contar sua história, a Unidos da Tijuca apresentou 5 alegorias e 2 tripés em seu desfile. O quesito alegorias da Unidos da Tijuca foi um dos seus principais problemas no desfile de 2023. Além de algumas questões na concepção, a execução dos carros alegóricos da escola apresentou diversos erros no acabamento, com a última passando com a traseira tombada. A primeira alegoria, representando “Kirimurê”, foi uma das melhores da escola no quesito, com predomínio das cores azul e laranja cítrico, com uma grande escultura de uma sereia e peixes à frente. O segundo carro, “Beira de Bahia que deságua minha fé”, apresentou aparentes problemas de acabamento desde sua entrada na avenida. As colunas da Igreja apresentaram falhas e estavam com partes descoladas. Na terceira alegoria, “No mercado e na feira, meus cheiros, meus sabores e meu povo”, a escola apresentou a Feira de São Joaquim e o Mercado Modelo. Com o piso de madeira e revestido por caixotes, componentes da escola no entorno da alegoria jogavam frutas para o público. As colunas que formavam o mercado modelo também apresentaram falhas evidentes.

tijuca desfile 2023 57

A quarta alegoria da Tijuca, “No encontro dessas águas, reluzem meus tesouros”, representou a união das águas do Atlântico com a dos rios Paraguaçu, Jaguaripe e Subaé, que dentro do enredo escondiam tesouros ao fundo das águas. A alegoria passou bem na avenida. O quinto e último carro, “Minhas águas são de festa onde a fantasia é eterna”, foi o mais problemático da agremiação. Apesar da bonita e colorida frente, o fundo da alegoria, que tinha uma escultura de um farol, tombou completamente para trás desde o início e passou assim por todos os módulos de julgadores. O primeiro tripé da escola, “Navegando sobre as águas da Baía de Todos os Santos”, juntamente com o segundo tripé, “Terra que banho é de luta”, cumpriram bem seu papel e ajudaram na leitura do enredo.

tijuca desfile 2023 75

Fantasias

O conjunto de fantasias da Unidos da Tijuca se apresentaram de maneira regular na avenida, com alguns figurinos com maior destaque e detalhamento que outros. No entanto, as fantasias idealizadas por Jack Vasconcelos foram bem no papel de contar a história do enredo apresentando, sendo a leitura fácil aos olhares de quem as via. Ao longo da avenida, as cores escolhidas pelo carnavalesco foram bem variadas, o que era uma necessidade do enredo. A alas 1, “Lenda do pássaro encantado”, 2, “Português com um padrão”, 9, “Orixantos” e 21, “ Fonte da Bica”, além da 16, “Rendas de Bilro”, apresentaram bons figurinos com primor estético e fácil leitura. Algumas alas da escola não conseguiram igualar o primor estético dessas, contribuíram para uma certa irregularidade no quesito.

Samba-Enredo

Composto por Cláudio Russo, Julio Alves e Tinga, o Samba-Enredo da Unidos da Tijuca cumpriu seu papel na avenida, contribuindo para o desempenho do canto da comunidade da escola. Na avenida, a obra ganhou um andamento mais acelerado do que o notado nos ensaios da Amarela e Azul. O refrão principal da escola do Borel, sobretudo o trecho do “Banho de Axé”, foi sucesso entres os componentes da escola e nas arquibancadas, que o cantaram bem.

tijuca desfile 2023 72

Outros destaques

Um dos grandes pontos fortes da Unidos da Tijuca há muitos anos, a “Pura Cadência” se provou mais uma vez na avenida. Vestidos de “Marujada”, os ritmistas seguem sendo um dos quesitos de segurança da escola do Borel. Ao longo do desfile, a bateria contribuiu imensamente para o desempenho musical da escola, tanto ao sustentar o ritmo durante todos os momentos, quanto com bossas que levantaram o público. A rainha Lexa, com um figurino dourado representando uma “Sereia”, foi aplaudida por todos os setores da Sapucaí.

Freddy Ferreira analisa a bateria do Salgueiro no desfile

0

A bateria do Acadêmicos do Salgueiro fez um bom desfile, sob o comando dos mestres Guilherme e Gustavo. Uma musicalidade baseada no que solicitava a melodia do samba-enredo foi produzida. Todas as execuções de bossas pela pista foram efetuadas de forma satisfatória, exibindo consistência durante as exibições nos módulos.

salgueiro desfile 2023 35

A cozinha da bateria contou com uma afinação de surdos bem grave, plenamente inserida nas características musicais da escola . Os marcadores de primeira e segunda foram firmes e precisos durante todo o cortejo. Surdos de terceira deram um balanço irrepreensível a bateria “Furiosa”, no ritmo e principalmente em paradinhas, onde praticamente funcionou como espinha dorsal musical. Repiques coesos também foram notados, assim como repiques mor auxiliaram tanto na sonoridade como em paradinhas. Caixas de guerra com bom volume se uniram aos taróis salgueirenses, com seu toque genuíno, para preencher a musicalidade da bateria da Academia.

A cabeça da bateria ficou marcada pela qualidade musical elevada das peças leves. Um belo naipe de chocalhos tocou de modo ressonante, adicionando valor sonoro à cabeça da bateria. Uma ala de cuícas de alta técnica foi percebida. Um naipe de tamborins que tocou com firmeza uma convenção rítmica simples, mas extremamente funcional, preenchendo a musicalidade da bateria do Salgueiro de forma substancial.

Um breque na primeira do samba se aproveitou do próprio desenho rítmico do naipe de tamborins, para consolidar o ritmo. O arranjo musical exibiu impacto sonoro, aliado a uma integração considerável com a música.

Já outro breque na segunda do samba se aproveitou da pressão dos surdos de primeira e segunda, que param de tocar por um momento, voltando em seguida após uma nuance rítmica das terceiras, provocando impacto sonoro, devido ao peso das marcações devido a afinação de timbre grave.

A bossa mais complexa e de grau de dificuldade elevado foi a do refrão principal. Uma conversa rítmica intimamente conectada à música, dando ao samba o que a melodia pede. Com surdos de primeira e segunda parando de tocar, numa levada clássica que permite apreciar o aspecto furioso do ritmo salgueirense, com as terceiras fazendo papel de centrador na primeira passada do estribilho. Depois disso, solistas do repique mor chamam os demais naipes para um diálogo musical, repetido pelas peças. A paradinha é concluída com a pressão provocada pelos surdos, além de toques ritmados de diversas peças. Um arranjo eficiente e musicalmente corrente.

A elaborada bossa na segunda do samba também se aproveitou da pressão sonora proporcionada pelo aspecto grave da “Furiosa”. Essa paradinha deixou evidente o trabalho musical profundamente acima da média das terceiras salgueirenses. As frases rítmicas dos surdos de terceira estavam plenamente encaixadas e conectadas ao que a musicalidade pedia. O detalhe musical fica por conta da ousadia envolvendo a finalização. Uma conclusão fabulosa no início do refrão de baixo, quando as terceiras executam desenho rítmico semelhante ao dos tamborins no final do estribilho, colocando a concepção musical num nível que merece exaltação. Uma construção moderna, com sonoridade sofisticada, sendo bem executada ao longo de todo o cortejo.

As apresentações da bateria do Salgueiro nas cabines de julgadores foram corretas e seguras. Já que o enredo do Salgueiro era abstrato, não houve necessidade de atrelar a sonoridade da “Furiosa” à qualquer cultura musical que não fosse fornecer à própria variação melódica da obra salgueirense as frases rítmicas consolidadas através de suas nuances. Isso resultou numa concepção bastante alinhada à música, impactando positivamente no bom desfile da bateria “Furiosa” do Salgueiro, comandada pelos mestres Guilherme e Gustavo.

Ala “Holandeses” da Unidos da Tijuca representou a conquista de Salvador

0

Tijuca04A oitava ala da Unidos da Tijuca, “Holandeses”, representa a conquista de Salvador pela Holanda no século XVII, como atributo ao mercado mundial da época. Os desfilantes estão caracterizados como marujos dentro de um barco. A fantasia agradou a maior parte dos componentes da ala, porém não foi unanimidade.

A fantasia tinha ferragens, brilhantes e lamê, também era bem colorida: vermelha, branca, laranja e dourada. Os desfilantes usam um chapéu brilhante com penas laranjas e azuis, uma roupa característica dos marujos da época, além de um barco na cintura. Em entrevista ao site CARNAVALESCO, os componentes falaram como estão se sentindo já caracterizados.

Tijuca03Antônio Barroso, cabeleireiro de 65 anos, desfila na Unidos da Tijuca há dois anos. A princípio, Antônio achava que a fantasia poderia incomodar, mas se sentiu confortável ao vesti-la.

“Sim, está confortável. Não está incomodando. A princípio até achava que poderia incomodar por causa das ferragens, mas está tranquilo”, afirmou Antônio.

Rui de Mar, pai de santo de 60 anos, sai na Azul e Amarela do Borel há 20 anos. A caracterização também não atrapalhou na opinião de Rui.

“Está bom, está tranquilo. Vai dar para desfilar em paz (…) A expectativa para o desfile da Tijuca está boa como sempre. A escola vem animada”, disse Rui.

Isabel Tenório, advogada de 50 anos, está estreando como componente da Unidos da Tijuca. Isabel está na linha de Antônio e Rui: sem problemas com a fantasia.

Tijuca01“Vai dar para desfilar bastante. Gostei (dos detalhes), está tudo maravilhoso. A minha expectativa é bem grande. Vamos ganhar, se Deus quiser”, falou Isabel.

Na contramão dos outros componentes da ala, Lúcia de 57 anos, que preferiu não revelar seu sobrenome, revelou problemas com a fantasia. Ela teve problemas na logística para trazer todas as partes da caracterização e não se sentiu confortável quando a vestiu.

“A fantasia não é nada confortável. Os carnavalescos não pensam no pessoal que vai desfilar. É tanta coisa que a gente acaba passando mal na Avenida. Para levar no metrô foi difícil”, desabafou Lúcia.

Freddy Ferreira analisa a bateria da Tijuca no desfile

0

A bateria da Unidos da Tijuca fez um ótimo desfile, sob o comando de mestre Casagrande. Uma conjunção sonora valiosa foi exibida. Um ritmo da “Pura Cadência” pautado pelo equilíbrio sonoro e por uma boa equalização. Indo na contramão das padronizadas introduções, o ritmo tijucano manteve sua tradição subindo à moda antiga, com quatro tapas seguidos antes da virada.

tijuca desfile 2023 68

A parte de trás do ritmo da escola do morro do Borel exibiu uma musicalidade de nítida qualidade técnica. Surdos de primeira e segunda ditaram o andamento com precisão e leveza, contando com uma afinação sublime, com timbres bem definidos. Uma ala de repiques coesa integrou a sonoridade dando valor musical. O naipe de caixas de guerra da “Pura Cadência” se apresentou de forma fabulosa, dando base de sustentação rítmica as demais peças. Na cozinha da bateria também vieram ritmistas com timbal, dando um molho peculiar ao ritmo da Tijuca, além da participação privilegiada em paradinhas.

Um trabalho de destaque musical foi notado nas peças leves. Uma ala de cuícas de altíssimo nível técnico se exibiu de forma notável. Um naipe de chocalhos acima da média contribuiu imensamente com a sonoridade da cabeça da bateria. Ritmistas tocando timbal deram um molho peculiar ao ritmo da Tijuca, além da participação privilegiada em paradinhas. Assim como a ala de tamborins apresentou um desenho rítmico simples, mas altamente funcional e encaixado no samba-enredo da agremiação. Vale ressaltar que os tamborins da Tijuca mesclam os toques de 2X1 e 3X1, o que ajuda a impactar positivamente no uníssono toque ressonante das caixas tijucanas.

Uma convenção apresentada na cabeça do samba preencheu a musicalidade com a pressão de tapas em conjunto, iniciando depois de um corte seco no final do primeiro verso da obra. Possui concepção mais simplificada que as demais, mas deu um notório impacto sonoro, ajudando na plena fluência entre as peças depois da retomada.

Uma bossa no início da segunda deu pressão, além de balanço ao ritmo da Unidos da Tijuca. Tapas ritmados de diversos naipes se aproveitaram da síncope do samba para produzir a destacada sonoridade. Um arranjo dançante e envolvente, que ajudou o componente a evoluir, graças à uma bateria que toca para a escola, moldando sua construção musical nas necessidades da agremiação.

A convenção que mais se destacou musicalmente é a do final da segunda do samba-enredo. Envolveu alta complexidade e elevado grau de dificuldade. Ritmistas com timbal posicionados na frente do ritmo entravam corredor da bateria adentro para fazer um solo, que era seguido de um “ataque” de todas as peças, muito bem conduzido. É possível perceber, após a retomada, que uma levada baiana é produzida graças às marcações tijucanas. Uma convenção bem desafiadora e profundamente genuína. O arranjo original propiciou uma sonoridade de qualidade invariável. Uma bossa de nítido impacto sonoro, que se aproveitou das diferenças entre os timbres dos surdos.

As apresentações em módulos foram fluidas, seguras e equilibradas. As melhores exibições em cabine de jurados foram no segundo e último módulo, onde inclusive, a “Pura Cadência” foi ovacionada pelo público. Um grande desfile da bateria da Unidos da Tijuca, comandada por mestre Casagrande.