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Ala 27 do Salgueiro finaliza o desfile transformando o lixo em luxo

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Salgueiro04 1A vigésima sétima ala do Acadêmicos do Salgueiro trouxe para avenida neste domingo, no primeiro dia de desfile do Grupo Especial, a história daqueles que tiveram a vida desprezada e, após encontrar o paraíso, transformam o lixo em luxo.

A ala coreografada veio com uma fantasia que tem duas versões ao virar. Uma parte da fantasia é amarela para representar o luxo e a outra parte preta para representar o lixo. Na cabeça, um capacete com um chifre vermelho.

A ala da escola representa Joaozinho Trinta, o João do Povo, uma grande referência para a cultura nacional. “Representar Joaozinho Trinta é uma coisa incrível, ainda mais, sendo do luxo ao lixo, é um dos enredos mais icônicos dele”, explica Carol Peixoto, ela desfilou pela primeira vez no Salgueiro e estava ansiosa pra representar a escola na Sapucaí.

Salgueiro01 2A ala fecha o setor da escola e tem a responsabilidade de finalizar o desfile. “Na minha opinião, a ala é muito responsável por fechar o setor da escola e representar o Joaozinho Trinta, disse Matheus Silva, também desfilando pela primeira vez na escola.

Para Carol, falar sobre sustentabilidade é uma pauta super importante da ala. “A fantasia fala também sobre sustentabilidade. Trazer essa visão sobre pensar no futuro é com certeza algo muito importante”, disse Carol.

A escola foi a penúltima escola a desfilar no primeiro dia de desfiles do Grupo Especial. A escola reflete sobre o certo e o errado, apresentando os “Delírios de um Paraíso Vermelho”.

Salgueirenses demonstram apoio e carinho por casal de mestre-sala e porta-bandeira

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Salgueiro03 4Prestes a completar dez anos no Acadêmicos do Salgueiro, Sidclei Santos e Marcella Alves seguem na construção de um legado que encanta não apenas a comunidade, como também o público que os assiste dançar. O casal de mestre-sala e porta-bandeira evidencia a sua conexão cada vez mais.

Apaixonados pelos dois, os salgueirenses não escondem o carinho e a apreciação que sentem pelo casal. Neste domingo, 19 de fevereiro, a agremiação foi a quinta do Grupo Especial a desfilar na Sapucaí, e a comunidade estava mais do que pronta para apoiá-los.

Desfilando no Salgueiro há treze anos, Peterson Shermnan, de 48 anos, acompanha alegremente a evolução e as transformações que a escola já passou. “Sou suspeito para falar do Sidclei e da Marcella, pois admiro o trabalho deles há muito tempo. Acho que eles arrebentam e são um exemplo de dedicação”, comentou.

Salgueiro01 4Ruthenberg Achilles, de 32 anos, representou a agremiação pela primeira vez na Avenida, mas sempre esteve presente para apoiar a namorada, que faz questão de participar anualmente. “Essa paixão que eles têm pelo Salgueiro faz toda diferença. Dá mais gás e emoção no desfile, além de nos contagiar”, abordou.

“Para mim, eles são o melhor casal de mestre-sala e porta-bandeira da atualidade. Com certeza vão trazer bons frutos para a escola nesse carnaval”, afirmou Marcio Geippe, de 49 anos. Ele também contou que nunca é tarde para se sentir realizado, uma vez que fez sua estreia na Sapucaí. “Estou realizando um sonho aqui. Moro perto da quadra e acompanho a escola desde a adolescência”, completou.

‘Marechal do Exército Vermelho’ da Furiosa é destaque no desfile do Salgueiro

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Salgueiro02 3O Acadêmicos do Salgueiro trouxe para avenida, no primeiro dia de desfile do Grupo Especial nesta sexta-feira, uma reflexão sobre o certo e o errado, apresentando os “Delírios de um Paraíso Vermelho”. A fantasia, Marechal do Exército Vermelho, dita o ritmo das batalhas. Os tenentes tem o papel de julgar e ditar as condenações.

A furiosa veio fantasiada com uma roupa longa vermelha com detalhes dourados e pratas, uma imagem de caveira estampa o colete da bateria. Na cabeça, os componentes usam um chapéu com uma caveira com olhos acesos em luz vermelha.

“Toda vez que a gente está aqui no Salgueiro, é uma emoção diferente. É uma emoção que nos faz querer vibrar e estar aqui todo ano”, disse Fabio Aquino, professor. Para Fabio, a fantasia parece exagerada mas é tranquila de se usar. “Ela tem bastante peças, mas ao mesmo tempo, ela é muito fresca. Vai dar um visual muito legal na avenida por conta da coloração e por causa do chapéu que tem detalhe em led”, completou o componente da caixa da bateria.

Salgueiro01 3De acordo com Leandro Dale, todas as fantasias da vermelha e branca são confortáveis. “Sempre são pensadas, porque temos que fazer movimentação. Todas são 100% leves”, explicou o componente da marcação.

A escola foi a penúltima escola a desfilar no primeiro dia de desfiles do Grupo Especial. A escola reflete sobre o certo e o errado, apresentando os “Delírios de um Paraíso Vermelho”.

Ala LGBTQIA+ traz representatividade para o Salgueiro

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Salgueiro01 5O Salgueiro foi a quinta escola de samba do Grupo Especial a desfilar pela Sapucaí neste domingo, 19 de fevereiro. O enredo buscava despertar olhares críticos sobre a concepção social de certo e errado, com uma grande mensagem de repúdio a qualquer tipo de preconceito.

A 21ª ala da agremiação, intitulada “Todes a bordo”, reuniu pessoas da comunidade LGBTQIA+ para convidar o público para navegar no barco da diversidade. As fantasias, de diversas cores, formavam as cores do arco-íris no conjunto.

Salgueiro03 5“Estou desfilando no Salgueiro pela primeira vez. No ano passado, estive na arquibancada. Olhe como o mundo dá voltas”, comentou o bem-humorado Kayque Barcellos, de 17 anos. “Ainda que pareça um tema cansativo, é a realidade. Precisamos trazer relevância para o combate à intolerância e esse momento é ideal. O Brasil inteiro está nos assistindo”, afirmou.

Laert Rodrigues, de 47 anos, voltou a desfilar após alguns anos e se mostrou extremamente satisfeito com o seu papel na apresentação. “Achei a fantasia linda, e realmente maravilhosa”, abordou.

“Essa ala é nova e necessária. Traz representatividade para todos nós no carnaval, e fico feliz de fazer parte desse momento”, citou Paola Nunes, de 33 anos, que desfila no Salgueiro pelo segundo ano.

Baianas do Salgueiro mostraram o despertar da natureza em sua fantasia

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Salgueiro01 1As baianas do Salgueiro trouxeram, no primeiro dia de desfile do Grupo Especial, o despertar da natureza em sua fantasia. “A fantasia é a mãe natureza. As baianas vão representar onde tudo começou”, explicou Tia Glorinha, presidente da ala de baianas.

A fantasia usada era vermelha e laranja, com detalhes brilhosos. Em baixo das saias das baianas tinha um led com luzes. As baianas desfilaram com uma asa rosa e roxa nas costas, na parte de cima, as baianas também usaram um chapéu vermelho e laranja com penas pretas.

De acordo com as baianas, as luzes na saia foi uma surpresa para avenida. “Temos um detalhe escondido na fantasia que vai ser uma surpresa”, explicou Marli Cipriano, enfermeira, baiana há quinze anos no Salgueiro.

Salgueiro03 1Para a presidente, a fantasia foi uma aposta no carnavalesco Edson. “Quando o Edson disse que iria fazer a roupa, ele disse que seria uma roupa muito bonita. Que seria impactante. Apostamos nele e o resultado está ai” disse a presidente. O carnavalesco Edson é o maior detentor de Estrelas de Carnaval, prêmio do CARNAVALESCO, na categoria de baianas.

Isabela Lopes desfila no Salgueiro como baiana, sobrinha da Tia Glorinha, ela estava presente e ansiosa para desfilar pela vigésima sexta vez na escola. “Vestir essa fantasia é mais do que uma honra. Eu estou vestindo por causa da minha Tia Glorinha, que é presidente da ala. Eu comecei carregando fantasias dela, me apaixonei e aos 17 anos entrei na ala”, disse a baiana.

As baianas entraram em um consenso sobre a fantasia: é leve e tranquila de se usar. “estar aqui é uma emoção, da até vontade de chorar. Salgueiro é raiz e força da terra. A fantasia é uma maravilha, é toda em vime e acaba sendo um material mais leve para desfilar. É muito confortável”, disse Rosilene Ferreira, dona de casa, baiana há 3 anos pelo Salgueiro.

A vermelha e branca foi a penúltima escola a desfilar no primeiro dia de desfiles do Grupo Especial. A escola reflete sobre o certo e o errado, apresentando os “Delírios de um Paraíso Vermelho”.

Salgueiro apresenta os pecados de Adão e Eva na Avenida

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Salgueiro01A quinta escola de samba do Grupo Especial a desfilar pela Sapucaí neste domingo, 19 de fevereiro, foi a Acadêmicos do Salgueiro. Com o enredo “Delírios de um Paraíso Vermelho”, desenvolvido pelo carnavalesco Edson Pereira, o Salgueiro levou reflexões sobre o certo e o errado, percorrendo debates sobre preconceitos e exclusões, para a Avenida.

Em seu abre-alas, dividido em três partes acopladas, a história de Adão e Eva foi introduzida na narrativa. Do primeiro ao terceiro chassi, conhecemos Éden, os seres vivos da natureza e o casal. Também o vimos ser expulso do paraíso por ter pecado.

Tons de laranja, vermelho e roxo predominaram na alegoria. De forma luxuosa, diversas esculturas chamavam a atenção do público. Duas fontes que jorravam água também impressionaram.

Salgueiro04Marcelle Ribeiro, de 23 anos, foi um dos destaques do carro. “A minha fantasia simboliza o balé das borboletas, que representa a criatividade e a transformação recorrente do paraíso”, informou. Ela desfilou pelo quarto ano consecutivo na agremiação.

Raquel Silva, de 29 anos, se mostrou emocionada pela oportunidade de desfilar na escola de seu coração. “Estou muito ansiosa e sei que vai dar tudo certo”, comentou. Seu figurino representava a sensualidade da tentação.

Fotos: desfile da Mangueira no Carnaval 2023

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Nomes ilustres da cultura da Bahia encerraram desfile da Unidos da Tijuca

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Com o carro “Minhas águas são de festa onde a fantasia é eterna”, a Unidos da Tijuca trouxe um resumo da carnavalização das festas da Baía de Todos os Santos. A alegoria era composta por esculturas que representavam os principais nomes e personagens da cultura baiana. Em entrevista ao site CARNAVALESCO, os componentes do quinto carro alegórico da Azul e Dourado deram detalhes do significado do da alegoria, de suas fantasias e seus personagens favoritos no folclore da Baía de Todos os Santos.

Fabio Costa, diretor de alegorias da Unidos da Tijuca e também coreógrafo do primeiro casal de mestre-sala e porta-bandeira, explicou o que o carro representa no enredo e os detalhes das esculturas. Ele também falou sobre a importância de trazer essa temática para a Avenida.

“O último carro da Unidos da Tijuca traz toda a parte da cultura e da dança. A coisa da Folia de Reis, do Maracatu, dos blocos afros, dos trios elétricos – que é uma marca muito famosa do carnaval de Salvador. Isso apesar do nosso enredo ser a Baía de Todos os Santos e não a Bahia de fato. O carro traz toda essa magia dessa cultura de dança da baía de todos os santos. Nas esculturas a gente tem lendas das sereias e toda essa parte que envolve o fundo do mar, como os peixes. Carnaval é história. A gente procura mostrar a história do nosso povo – que é bastante rico – para público, de uma forma mais de interação para o público”, detalhou o diretor de alegorias.

Tijuca03 4Cátia Leal, secretária de 47 anos, desfilou pela primeira vez na Azul e Dourado. Com sangue baiano, ela contou o que a fantasia representou e seus personagens favoritos dentro do enredo da Tijuca.

“A minha fantasia representa o samba de roda, que é uma das danças da Baía de Todos os Santos. Um samba que me apaixonei. Esse carro para mim representa os nossos Orixás, mãe Oxum, a minha madrinha Iemanjá e Xangô. Eu sou filha de baiano e convivi com o povo da Bahia. O meu pai era do Afoxé Filhos de Gandhy. Eu tenho um pouco da história da Baía de Todos os Santos na minha vida e na minha família. O sentimento que eu tenho hoje é de gratidão por ter proteção dos Orixás e por fazer parte da história da Baía de Todos os Santos. No enredo, o que mais gosto é a minha mãe Oxum e a minha madrinha Iemanjá. A escultura que mais gostei no carro foi o burrinho, porque é um animal alegre para mim”, disse Cátia Leal.

Pedagogo, Aleandro Martins, 51 anos e componente da Unidos da Tijuca há vinte, entrou como um dos componentes do carro alegórico representando o rei do maracatu. Ele falou sobre a importância da alegoria e de trazer esta mensagem para o carnaval carioca a fim de mostrar para a sociedade a importância destes movimentos.

Tijuca14“A Tijuca é a minha escola de coração e eu faço tudo para ela vir bem. A minha fantasia é o rei do maracatu. Esse carro traz as festas populares do nosso país e nós estamos representando isso. Como pedagogo, acredito que a importância de resgatar esses ritmos é muito importante. Estar aqui como rei do maracatu é resgatar a importância desse movimento para a nossa cultura. Eu achei o carro todo bonito, porque ele representa toda a festividade da Bahia”, falou o componente.

Bisneta de Regina Vasconcellos – fundadora da Unidos da Tijuca – Vitória Vasconcellos representava o samba de roda. Ela destacou a importância do carro. Com sangue tijucano, Vitória também tentou definir o que a Tijuca representa em sua vida.

“É uma sensação indescritível. Eu sou Tijuca e a Tijuca sou eu também. A minha fantasia representa o samba e para mim é muito legal, porque mistura o nosso samba com o da Bahia. Juntámos tudo para tentar mostrar o que há de melhor nisso que é a nossa Tijuca. Eu gosto muito do Maracatu, que é uma dança maravilhosa. Gosto também do Carimbó. São danças muito expressivas e muito típicas e, por isso, me encantam demais. Nesse carro eu gosto muito do sorvete e dos burrinhos, acho eles muito fofinhos. O carro está lindo”, falou a componente da última alegoria.

Com o enredo “É onda que vai… É onda que vem… Serei a Baía de Todos os Santos a se mirar no samba da minha terra”, a Unidos da Tijuca foi a quarta escola a desfilar na Marquês de Sapucaí neste domingo de carnaval.

Freddy Ferreira analisa a bateria da Mangueira no desfile

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A bateria da Estação Primeira de Mangueira fez um desfile espetacular, na estreia de Mestre Taranta Neto, em dupla com o já experiente Rodrigo Explosão. Um ritmo que apresentou uma conjunção sonora extremamente valiosa e com o mérito de atrelar a cultura baiana à musicalidade da bateria. Uma exibição que evidenciou uma disciplina musical acima da média, junto a uma cadência que permitiu a fluência plena de todos os naipes.

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A cozinha da bateria contou com uma afinação particularmente grave, inserida no DNA musical da Mangueira. Os surdos de primeira foram precisos, firmes e seguros durante toda a pista. Já os surdos mor foram responsáveis pelo balanço único e genuíno que possui a bateria mangueirense. Repiques de altíssima qualidade técnica foram notados. Um naipe de caixas de guerra com boa educação musical deu amparo e serviu de base a todos os naipes do ritmo da Mangueira, num trabalho destacado pela limpeza do toque, que inclui a tradicional rufada. Os “timbaques” deram um molho envolvente à parte de trás do ritmo. Utilizar o “Timbaque” foi uma solução encontrada diante de atabaques com alto valor de mercado. Com uma constituição de timbal, adaptado para utilizar pele de atabaque, sua sonoridade impressionante integrou a musicalidade mangueirense de forma bem genuína. Fora as participações privilegiadas em bossas.

A cabeça da bateria apresentou um trabalho rítmico primoroso. Uma ala de cuícas poderosa e coesa foi notada. Xequerês dando um molho peculiar a parte da frente do ritmo auxiliou no preenchimento musical. Os ganzás (como são conhecidos os chocalhos da Mangueira) se exibiram de modo privilegiado, com um toque uníssono. Complementando a sonoridade também haviam agogôs de duas campanas (bocas), adicionando um tom metálico a um ritmo culturalmente mais pesado. Uma ala em questão merece uma exaltação pra lá de especial. O naipe de tamborins mangueirense se apresentou de forma soberba, pontuando a melodia do samba através do desenho rítmico de tamborim mais inspirado desse Carnaval. O toque integrado dos ritmistas da ala, que pela Avenida pareciam um só, dignifica mais do que nunca o apelido da bateria da Estação Primeira de Mangueira: “Tem que Respeitar Meus Tamborins”.

A bossa do refrão do meio foi uma construção musical de intenso valor sonoro e religioso. Nela todos os ritmistas se abaixavam, com exceção dos “timbaques”, que faziam um solo envolvente. Os demais naipes se levantaram enquanto a sonoridade foi sendo produzida por diversas peças. Na primeira parte da bossa, os “timbaques” fazem um toque para Exu, como pede a música. Mais uma vez seguindo o que a belíssima canção mangueirense pedia, aconteceu uma troca para o toque de Ijexá, num movimento rítmico não só bem elaborado, como profundamente integrado à bateria da Mangueira. Um arranjo musical que uniu ritmo virtuoso e movimentos sincronizados, que receberam ovação do público.

Uma paradinha intimamente ligada ao samba-enredo da Estação Primeira foi a da segunda do samba. A partir do verso “Quando a alegria invade o Pelô”, se aproveitando da melodia da obra, foi produzida uma sonoridade com levada baiana. Surdos mor e “timbaques” deram um balanço único, consolidando as frases rítmicas junto com amparo das caixas. Para concluir, surdos mor e “timbaques” chamaram as caixas para um novo diálogo musical. No refrão que antecedeu o principal, o arranjo é complementado por uma batida profundamente valiosa do naipe de caixas de guerra que remete ao belo desenho rítmico dos tamborins, evidenciando o bom trabalho das caixas mangueirenses. Um arranjo musical de alta complexidade, mas nítido e inegável impacto sonoro. Representou um acerto cultural e musical, ao fornecer o que o samba da verde e rosa solicitava.

Algumas vezes na pista, a escolha foi parar o ritmo fazendo um “apagão” no refrão que antecede o principal, sendo cantado maciçamente em coro. A retomada no refrão principal se aproveitou da pressão dos surdos para provocar impacto sonoro. Foi percebida certa ovação popular, transformando a escolha em acerto musical e harmônico.

Todas as apresentações em cabines de julgadores foram soberbas e seguras. A apresentação no último módulo ganhou contornos simplesmente apoteóticos. Nenhum problema foi evidenciado em nenhuma das três cabines da pista de desfile. A exibição da bateria da Mangueira, comandada por Rodrigo Explosão, em dupla com o estreante Taranta Neto, foi fabulosa. Um ritmo que tem tudo para pleitear a nota máxima, quiçá sonhar com premiações, depois de um desfile magistral.

Plástica do Salgueiro se destaca por beleza, mas gigantismo das alegorias gera problemas de evolução

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Na estreia do carnavalesco Edson Pereira, a Academia do Samba trouxe carros enormes, com ótimo apuro visual, fantasias com a mesma excelência estética e com grande acabamento e volume, mas o gigantismo das alegorias causando problemas de evolução como a constituição de clarões na pista e uma escola por muito tempo parada. A comissão de frente coreografada por Patrick Carvalho foi um ponto alto da noite, assim como o casal de mestre-sala e porta-bandeira Sidclei Santos e Marcella Alves. A leitura do enredo nas fantasias e alegorias e seu desenvolvimento lógico gerou dificuldades para o público. Quinta escola da primeira noite do Grupo Especial, o Salgueiro apresentou o enredo” Delírios de um paraíso vermelho”, encerrando seus desfile com 1 hora e 10 minutos. * VEJA AQUI FOTOS DO DESFILE

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Comissão de frente

O coreógrafo Patrick Carvalho trouxe para a Sapucaí a comissão de frente intitulada “o julgamento” . Na apresentação, uma cidade de sombras se levanta e vivos enterrados em seus próprios corpos, soterrados pela censura e culpa, vagueiam inertes , manipulados por uma figura assombrosa, um grande juiz a sentenciar aos túmulos, representada por uma figura encapuzada a frente do enorme elemento cênico que representava um cemitério. Arlequins, pierrots, colombinas sem as cores, apareceram solitários no meio de uma multidão apática. Um ator representando João Trinta foi quem enfrentava as ameaças da morte. No elemento cênico, as tumbas se abriam e os corpos levitavam em um grande truque que levantou a Sapucaí.

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No final, no embate entre a morte e João Trinta, o carnavalesco parece ser engolido pela figura nefasta, mas se libera e em outro truque, o personagem saí de dentro da capa vazia do monstro encerrando a comissão que fez uso da iluminação cênica da Sapucaí, valorizando bastante a iluminação do próprio elemento alegórico. A comissão apresentou uma concepção próxima com a forma que Edson retratou em todo o desfile, esse embate com a intolerância, com os pré-julgamentos. De uma forma que trazia bastante o sobrenatural e as referências do terror como a própria morte. O efeito foi um ponto alto da comissão e o apuro visual das fantasias e do elenco cenográfico foram destaques também.

Mestre-sala e Porta-bandeira

Juntos na Academia desde 2014, Sidclei Santos e Marcella Alves vieram representando ” O Jardim das delícias celestes”. O figurino indicou a profusão tropical que floresceu no paraíso, um jardim de delícias, de flora extravagante. A fantasia de ambos possuía um vermelho vibrante, contrastado ainda em cores cítricas no amarelo e laranja. A apresentação foi marcada pela sincronia e entrosamento de sempre, entendimento no olhar. Rodopios muito intensos de Marcella e passos bastante eficientes e também intensos de Sidclei. Em alguns momentos a dupla pontuava alguns trechos do samba como o “basta”, “chega” e “aviso”. No momento da apresentação do segundo modulo havia muito vento, mas a porta-bandeira usou a experiência e dominou a bandeira de forma eficiente, mantendo a excelência da apresentação. Uma apresentação irretocável.

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Harmonia

A comunidade do Salgueiro mais uma vez mostrou que comprou a briga pelo samba, muitas vezes criticado no carnaval. Se o canto não foi tão arrebatador como no ensaio técnico, muito menos foi problemático. No geral as alas cantaram o samba o tempo todo, com mais de intensidade nos refrões principais. Uma ou outra pessoa nas ala passava sem cantar, o que não se configura em problema.

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Destaque para a alas do segundo setor como as alas “te devoro” e “noites de magia e luxúria”. No quarto setor o destaque foi para ” todes a bordo” e no encerramento a ala de compositores. Comissão e casal também cantaram. Sobre o carro de som, o time de vozes de apoio da Academia garante a tranquilidade para que o Emerson possa se soltar e ser o intérprete que motiva bastante a escola, sem perder a correção musical.

Enredo

O Salgueiro investiu em uma fábula sobre um novo paraíso para discutir igualdade. A escolha do enredo teve como proposta a retomada de um lirismo artístico narrativo estético. O conceito do projeto foi transportar o espectador ao campo dos sonhos, onde será orientado para encontrar o seu desejo particular de paraíso, a partir de suas vivências. Através da divisão de setores, inicialmente a escola trouxe o paraíso original, o jardim do Éden. Em seguida, foi representado a luta do bem contra o mal se intensificando a partir das provações que é submetido o ser humano, daí os sete pecados originais.

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Seguindo, o enredo apresentou as escolhas dos homens tendo por consequência o início do juízo final. A partir do quatro setor, a escola propôs o fim dos tempos como um recomeço, louvando aqueles que foram os excluídos. O quinto ato deste desfile levou a chegada a um delirante paraíso vermelho em ritmo de festa. A proposta é interessante, e a mensagem contra intolerância e pré -julgamentos é importante. Mas em alguns momentos faltou um pouco de leitura das fantasias. Algumas propostas de fazer a comparação entre os problemas reais e o lúdico, acabaram de limitando ao lúdico. Como por exemplo o carro número quatro que era barca do renascimento, que visava trazer a luta por direitos e inclusão, mas a alegoria apresentava muito mais a fábula do Caronte, e pouco esta mensagem.

Evolução

A evolução da escola foi bastante conturbado devido ao gigantismo dos carros que tiveram dificuldades de entrar na Sapucaí. Logo no início, a ala a frente do abre-alas se deslocou próximo ao segundo módulo de julgamento e o carro continuou parado, gerando buraco. No terceiro módulo aconteceu o mesmo. Outro problema, mas no primeiro módulo, na entrada do segundo carro na Sapucaí, a ala logo a frente também andou e gerou buraco porque a alegoria teve dificuldade para evoluir em seu início de desfile.

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Por conta dos problemas de carro e por uma apresentação mais demorada da comissão de frente, a agremiação ficou muito tempo parada. Problemas com a saída nos carros na dispersão também contribuíram para a lentidão. Já no final, a evolução chegou a ficar um pouco mais corrida, normalizada no momento que a bateria saiu do segundo recuo com uma 1h03 de desfile.

Samba-Enredo

A obra de Moisés Santiago e companhia possui uma melodia que foi de fácil assimilação pelos componentes e por quem estava ouvindo no geral, por possuir uma linha melódica bem evidente. O samba claramente trabalha muito para concentrar o ápice, ou a “explosão” em seus refrões, tanto o principal “Vermelha Paixão Salgueirense” que concentra mais sua temática na valorização da própria escola, quanto o “No meu sonho de rei” , que introduz um tom mais dramático e de súplica, desejo.

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A música teve um bom rendimento pelos componentes no geral, mas não interagiu muito com o público e o canto não chegou a a se expandir para fora da pista. Destaque também para o trecho do “basta! De violência e opressão/ chega de intolerância” , cantado com bastante vitalidade pelos desfilantes. Mas para uma obra que foi muito criticada no pré -carnaval, seu desempenho foi satisfatório com a força da comunidade.

Fantasias

O conjunto estético do Salgueiro teve muito apuro visual por parte do carnavalesco Edson Pereira, com a utilização de matérias de qualidade, criatividade, bom uso de cores e produzindo na pista bastante volume. A paleta de cores variou em alguns momentos mais dramáticos do enredo quando a temática falava dos sete pecados capitais e do quarto setor “louvados sejam os excluídos” que trabalhavam com tons mais escuros.

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No quinto Setor que valorizava a escola, o colorido voltou. Um dos destaques no uso de cor foi a ala “todes a bordo”, ainda no quarto setor que valorizava a comunidade LGBTQIA+. O problema das fantasias no desfile foi a leitura, algumas alas não era tão fácil a identificação do que elas representavam.

Alegorias

O conjunto alegórico do Salgueiro foi composto de 5 carros. O carro abre-alas da Academia chamava bastante atenção pelo tamanho, quase 100 metros, três chassis, o maior que deve passar por este carnaval. A alegoria apresentou a representação do Jardim do Éden, inicialmente destacando sua exuberância tropical colossal, mas também narrando a partir do primeiro homem e da primeira mulher a jornada da humanidade. A alegoria também apresentou uma intensa guerra entre o Reino dos céus e os anjos caídos e trouxe uma enorme serpente, tendo três maçãs enormes a sua frente. Apesar de muito bonito o carro teve problemas de deslocamento e tinha algumas questões de acabamento, nada que prejudicasse seu bom aspecto visual.

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A segunda alegoria “a batalha épica do bem contra o mal” apresentou a eterna disputa entre os anjos fiéis aos preceitos divinos e a horda de anjos caídos. A alegoria foi representada em forma de catedral. O quarto carro trouxe “a barca do renascimento” com um enorme Caronte, apresentando uma grande festa das almas onde os descartados pela sociedade irão desfrutar da plena igualdade de direitos.

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A última alegoria da Academia “Vermelha paixão em uma paraíso delirante” fecha o desfile recebendo as almas do firmamento ao toque de marchinhas. Está alegoria teve problemas de iluminação já no último módulo de julgamento. No geral um desfile com alegorias bem trabalhadas, enormes, no conceito do carnavalesco Edson Pereira, mas que geraram dificuldades em sua entrada, passagem e saída da pista.

Outros destaques

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As baianas, primeira ala da escola, representaram as raízes que cortam o solo como veias profundas que sustentam a força, a resistência, e a beleza da flora que se espalha pelos campos. Os passistas “linha de frente da infantaria” era a linha de combate que abre o campo de batalhas com a responsabilidade de conduzir as tropas ao confronto direto. A furiosa dos mestres Guilherme e Gustavo vieram de “marechal do exército vermelho”, representando a mais alta patente das forças armadas. E a rainha Viviane Araújo “a gladiadora” reinou absoluta na linha de frente dos ritmistas. O intérprete Quinho, que esse ano não pode estar a frente do carro de som oficialmente por conta de problemas de saúde, deu o grito de Guerra e foi ovacionado pela Sapucaí. O mascote Sabiá veio a frente da escola, antes do desfile.