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Baianas da Viradouro celebram fantasia em homenagem à Sant’Ana, a avó de Jesus

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Por Diogo Sampaio

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As baianas da Unidos do Viradouro tiveram a missão de representar na Avenida a Sant’Ana, mãe de Nossa Senhora e avó de Jesus Cristo. Em tons suaves de rosa, azul e ouro, o figurino possuía uma estética barroca. No costeiro, as senhoras traziam uma bebê Maria de pele negra, assim como a tradição de muitas sociedades africanas, em que as mães levam seus filhos por onde forem, como forma de proteção e afeto.

Repleto de adornos e com camadas de tecido, era de se imaginar que este figurino fosse pesado. No entanto, a aposentada Benedita Ferreira, de 73 anos, garantiu que a fantasia é uma das mais leves que já desfilou.

“A fantasia é levíssima! Além disso é muito bonita e confortável. Muito boa, de verdade. É o primeiro ano que faço esse tipo de elogio para uma fantasia”, declarou Benedita, que está há 15 anos na Viradouro, sendo sete deles desfilando na ala das baianas.

Assim como a colega de ala, a também aposentada Ângela Lúcia, de 70 anos, foi só elogios a indumentária. “Essa roupa leve dá para gente fazer todo o movimento que uma baiana faz, todo giratório, para esquerda, para direita… É uma bailarina, né?! Somos chiquérrimas!”, declarou a baiana, que está há cinco anos na escola.

Viradouro03 2De família descendente do sacerdote Aarão, Sant’Ana era esposa de um santo: São Joaquim. Ele, por sua vez, era descendente da família real de Davi. Nesse casamento estava composta a nobreza da qual Maria seria descendente e, posteriormente, Jesus.

Retratada no enredo da Viradouro por ser uma figura de devoção da homenageada Rosa Maria Egipcíaca por ela, a história de Sant’Ana é desconhecida por muitos. Exceção a isso, a professora de artes visuais Juciara Muniz, de 62 anos, que é baiana há seis anos na vermelha e branca de Niterói, assegurou ter ficado feliz pela escolha da avó de Jesus ser o tema do figurino da ala.

“Maravilhoso esta escolha de tema, é uma benção. Estou me sentindo agraciada. Eu já conhecia a história dela até porque a gente na arte tem que estudar muito sobre religião. Então, vamos pegando alguma coisa, adquirindo certos conhecimentos. Agora, ainda mais pessoas vão ficar conhecendo. Isso é muito bom!”, comemorou Juciara.

Tecnicamente perfeita, Viradouro apresenta grande conjunto estético e se aproxima do título do Grupo Especial

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Tecnicamente perfeito, assim pode ser definido o desfile da Unidos do Viradouro no carnaval de 2023. Sexta e última a desfilar na segunda noite de desfiles do Grupo Especial, a Viradouro apresentou na Avenida Marquês de Sapucaí, o enredo “Rosa Maria Egipicíaca”, do carnavalesco Tarcísio Zanon. Em uma hora e sete minutos, a Vermelha e Branca se destacou pelo bom conjunto estético apresentado, emocionante comissão de frente e alto nível nos quesitos de chão. Primeiro casal realizou fortes apresentações diante dos julgadores e o enredo se desenvolveu bem na avenida. * VEJA FOTOS DO DESFILE

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LEIA MATÉRIAS ESPECIAIS DO DESFILE
Gestão de Marcelinho Calil na Viradouro é elogiada por componentes da escola
Abre-alas da Viradouro narrou o Turbilhão de Memórias na vida de Rosa Maria Egipcíaca
Bateria da Viradouro representa o Padre “Xota Diabos”, responsável pela proteção e compra da alforria de Rosa Maria
Baianas da Viradouro celebram fantasia em homenagem à Sant’Ana, a avó de Jesus
Casal de mestre-sala e porta-bandeira é abençoado na última alegoria da Viradouro

Comissão de Frente

Em seu primeiro trabalho na Unidos do Viradouro, o casal de coreógrafos Priscilla Motta e Rodrigo Negri apresentou a Comissão de Frente “Eis a flor no seu altar”, com a representação das diversas vidas da homenageada no enredo da escola, representada por uma bailarina. A apresentação dos bailarinos na avenida foi impactante, bem sincronizada e cumpriu o papel de passar a mensagem do enredo da escola. A dança foi realizada em cima de um elemento cenográfico, “Rosa Mística”, formado por troncos de árvores.

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Na coreografia, em um primeiro momento, bailarinos com uma roupa azul e uma capa que conferia muito movimento entravam em cena juntamente com uma mulher representando Rosa Maria. A primeira cena da dança marcava a saída de Rosa da África para o Brasil. Em um segundo momento, os bailarinos saiam de cena pelo chão e deram lugares a um grupo de mulheres, que realizavam uma dança muito forte e posteriormente, subiam ventiladores e folhas de árvore e era formada a “ventania”. Logo depois, Rosa surge com um livro na mão, em representação ao livro que a homenageada escreveu. O ponto alto da dança, no entanto, se dava na aclamação de Rosa como santa, quando se trocava a bailarina que a representava e era elevada na cena uma mulher vestia roupas religiosas, de santa e surgiam rosas na lateral do tripé. A apresentação provocou aplausos do público nos três módulos de julgadores.

Mestre-Sala e Porta-Bandeira

Em seu quinto carnaval na Unidos do Viradouro, o experiente casal de mestre-sala e porta-bandeira da escola, Julinho Nascimento e Rute Alves, representaram “O Reino Místico das Lagoas de Uidá”, em um belo figurino em tons de azul e bege, inspirados na arte do Benim. Integrantes da primeira ala da escola, “A Menina Courá”, se deslocavam e tornavam-se os guardiões do casal na frente dos módulos de julgadores.

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Na avenida, a dança do casal de mestre-sala e porta-bandeira da Viradouro foi glamourosa, forte e sincronizada. O casal contribuiu com maestria para a forte abertura da escola de Niterói. Na coreografia, o casal alternou momentos de muita garra e força, como nos fortes giros dados pela porta-bandeira na entrada nos módulos, com outros de maior delicadeza. O casal também trouxe referências da letra do samba-enredo da escola, como no “meu samba é manifesto”, onde ergueram os punhos e o no “Senti a alma daqueles, os mais oprimidos”.

Harmonia

O desempenho da Unidos do Viradouro no desfile de 2023 repetiu a excelência apresentada pela escola durante os ensaios de pré-carnaval. Do início ao fim do desfile da Vermelha e Branca, as alas da escola apresentaram um canto firme, linear e sem grandes variações de intensidade. O carro de som da escola, comandado pelo intérprete Zé Paulo Sierra, teve contribuição fundamental para o desempenho da escola no quesito. O intérprete principal interagia muito bem com a comunidade da escola e a bateria para sustentar a alta performance, apesar das características mais melodiosas do samba-enredo da Viradouro. O momento de canto mais intenso das alas se deu no final da obra, no trecho “Eu sou a santa que o povo aclamou”, que era cantado a plenos pulmões pela comunidade.

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Evolução

Fluído, linear e compacto, assim pode ser definido o desempenho da evolução da Unidos do Viradouro na avenida Marquês de Sapucaí. Ao longo de 1 hora e 7 minutos, a comunidade da escola pôde desfilar em ótimo ritmo, sem momentos de grande aceleração ou abertura de clarões. O forte desempenho no quesito também foi possível pela animação e leveza dos componentes da escola na Marquês de Sapucaí. A ala de passistas da escolas, fantasiadas de “Possessões e feitiçarias”, a ala 15, “A chama do sagrado coração” e ala dos compositores, de “A guarda do marujo”, podem ser destacadas no quesito pela empolgação e boa desenvoltura. As alas coreografadas da escola também se destacaram por belas coreografias.

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Enredo

Em seu desfile, a Unidos do Viradouro contou e cantou a história de Rosa Maria Egipcíaca, inspirado no livro de mesmo nome do autor Luiz Mott, divida em seis setores, 24 alas, seis alegorias e três tripés. Ao longo de seus setores, o desfile da escola perpassa pelas diversas fases da vida de Rosa. No primeiro deles, “A profecia das águas”, era representada a menina da nação Courá que vem ao Rio de Janeiro aos seis anos de idade. O segundo, “A Febre do Ouro”, a ida de Rosa às Minas Gerais, comprada como uma escravizada meretriz no auge do ciclo do ouro. “Ventania, Visões e Possessões”, o terceiro setor da escola partiu para a fase católica da homenageada, quando parte ao catolicismo, se encanta nas sessões de exorcismo e passa a ser olhada como feiticeira. Já no quarto setor, “A Flor do Rio”, Rosa chega às terras cariocas, passa a ser vista como santa e escreve um livro.

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No desfecho do desfile, a Unidos do Viradouro optou por dar um novo final a história de Rosa Maria Egipcíaca, a fim de carnavalizar a história e dar um desfecho mais digno à homenageada. No quinto setor, “A Derradeira Profecia”, a Vermelha e Branca aborda a profecia não cumprida de Rosa, em Portugal, de que o Rio de Janeiro se inundaria e ela se casaria com Dom Sebastião I, fundando um novo império. Por isso, no sexto setor, “Uma santa negra no céu”, a Viradouro retrata o legado de Rosa para o Brasil e a aclama como a santa do povo, recebendo a coroa da escola.

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Na avenida, o enredo da Unidos do Viradouro se mostrou de maneira coesa, clara e linear. As alegorias da escola, somadas ao conjunto de fantasia cumpriram com maestria o papel de desenvolver com clareza a homenageada do enredo da Vermelha e Branca. Até mesmo os dois últimos setores da escola, quando Tarcísio Zanon e o enredista João Gustavo Melo partiram para o caminho da profecia de Rosa com sua aclamação ao fim, foi entendida com clareza na avenida.

Alegorias e Adereços

Para contar a história de Rosa Maria Egipcíaca, a Unidos do Viradouro levou para avenida seis alegorias e três tripés. O conjunto alegórico da escola impressionou pelo apuro estético, a boa escolha de cores e o apreço com o acabamento e detalhes. Os principais destaques da escola no quesito foram o primeiro tripé, “Uma gota se faz oceano”, no qual veio um grande tanque de água, os dois primeiros carros da escola, “Turbilhão de Memórias” e “O desaguar no Rio” e a quarta alegoria, “A batalha espiritual”, com tons fortes de vermelho, dourado e cinza. O último quarto da Vermelha e Branca, “A santa que o povo aclamou”, impactou o público pela presença do primeiro casal da escola, Julinho Nascimento e Rute Alves, e uma atriz interpretando a homenageando. Além disso, a sexta alegoria também tinha um letreiro com o nome da escola formado por flores.

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Fantasias

O conjunto de fantasias apresentado pela Unidos do Viradouro no carnaval de 2023 se destacou pela beleza estética, boa leitura da mensagem a ser transmitida e assertividade na variação de cores no decorrer do desfile. No primeiro setor da escola, se notou um predomínio das cores laranja, marrom e azul, ao tratar da saída de Rosa da África para o Brasil. Para tratar da ida da homenageada às Minas Gerais, as fantasias ganharam mais tons de dourado e vermelho, cor que também apareceu bastante no terceiro setor. Nos últimos setores, as fantasias da escola foram ganhados tons mais leves e claros, como rosa e azul no setor 5. A se destacar também no quesito o belo trabalho de maquiagem realizado pela escola em seus componentes. De maneira geral, as fantasias da Viradouro apresentaram muita regularidade. Mesmo assim, a ala de baianas da escola, representando “A devoção a Santana” e a primeira ala, “A menina Courá”, merecem grande destaque pelo primor estético e delicadeza nos detalhes.

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Samba-Enredo

Composto por Claudio Mattos, Dan Passos, Marco Moreno, Victor Rangel, Lucas Neves, Deco, Thiago Meiners, Valtinho Botafogo, Luis Anderson, Jefferson Oliveira e Bertolo, o samba-enredo da Unidos do Viradouro se provou e fez uma apresentação impecável na Marquês de Sapucaí. Superando algumas desconfianças por sua característica melodiosa, a obra sustentou perfeitamente o canto da comunidade viradourense. O trecho final do samba, “Eu sou a santa que o povo aclamou”, no qual a bateria realizava um “apagão”, juntamente com o refrão principal, foram os mais cantados pelas alas da Vermelha e Branca.

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Outros Destaques

A “Furacão Vermelho e Branco”, comandada pelo experiente Mestre Ciça, representou o Padre Francisco Gonçalves Lopes, “Xota Diabos”. O Mestre veio vestido de “Tutor Espiritual”. A rainha de bateria da escola, Érika Januza, vestiu uma bela fantasia prateada e vermelha intitulada “Afecto”. Ao longo da avenida, a “Furacão” apostou em bossas que levantaram o público, principalmente a realizada no refrão do meio do samba, em que ritmistas se abaixavam e permaneciam em pé somente os agogôs, atabaques e chocalhos. Outro ponto alto foi o apagão realizado no final do samba, no qual a comunidade cantava “Eu sou a santa que o povo aclamou”.

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No final do desfile da escola, a Viradouro trouxe de destaque diversas personalidades negras referências em suas funções, em um grupo chamado “O Brasil de muitas Rosas”. No grupo de convidadas, vieram personalidades como Luana Xavier, Luiza Brasil, Mariana Sena, Patrícia Costa e Salete Lisboa.

Gestão de Marcelinho Calil na Viradouro é elogiada por componentes da escola

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Viradouro05 1A comunidade do Barreto tem orgulho da trajetória da Unidos do Viradouro após a chegada ao Grupo Especial em 2019. A escola saiu da Série Ouro diretamente para o vice-campeonato na elite do samba. Foi campeã em 2020 ao levar para a Avenida a vida das ganhadeiras de Itapuã. Além disso, terminou em terceiro lugar no Carnaval 2022. Os louros desse caminho vitorioso são da gestão do presidente Marcelinho Calil, no posto desde 2017.

“É uma gestão maravilhosa! Ele e o pai [presidente de honra Marcelo Calil Petrus Filho] são super-unidos e estão sempre presentes na escola. Eles acompanham tudo de perto. A presidência não tem divisão com a escola. Eles estão próximos, estão juntos com a comunidade. Esse afeto entre a comunidade e a diretoria é importantíssimo! Atrai mais, une mais”, opinou a componente Adriane Andrade, de 47 anos.

Viradouro02Uma característica que foi exaltada pelos integrantes da vermelha e branca ao falar sobre a gestão é a organização. Cris Goulart, de 55 anos, desfila há 2 anos na Viradouro e ressalta que isso é reflexo do respeito.

“É uma das melhores escolas para se desfilar. É organizada e as fantasias são maravilhosas. Eu estou encantada! Eu acho que isso é respeito com os componentes. As fantasias sempre saem antecipadas, eles fazem reuniões. É respeito com os componentes. Espero poder desfilar nos próximos anos”, disse ela.

Outros desfilantes corroboram com essa visão de Cris. A amapaense Simara Mendes, de 45 anos, há cinco desfilando pela Viradouro, tece comentários emocionados sobre sua experiência com a agremiação.

Viradouro03 1“É uma escola muito bem organizada. É uma escola que se dedica, que pensa toda uma logística para que a gente possa se deslocar. Ela dá assistência de alimentação, se preocupa com nossa segurança. Até na maquiagem, se nós somos alérgicos ou não. É satisfatório. Primeiramente, é encantador! Eu não sou do Rio de Janeiro, eu sou amapaense e é um sonho se envolver com uma comunidade como essa. Eu não me sinto diferente por estar só há 5 anos aqui, parece que eu nasci na Viradouro, que minha família é inteira da Viradouro”, comentou a componente que vai desfilar com os desvalidos acolhidos por Rosa Maria Egipcíaca.

Rosimere de Souza, de 58 anos, acrescentou a outras características já citadas a questão da exigência pela excelência. Ela já foi segunda princesa na escola e hoje faz parte de ala coreografada da escola.

“As pessoas que nos acompanham da Viradouro são muito exigentes, mas para o nosso bem, para fazermos o melhor, para fazermos o desfile perfeito. Ela é assim desse jeito porque tem bons profissionais e bons sambistas”, complementou a desfilante.
Há 31 anos na escola vermelha e branca do Barreto, Jorge Luís, de 57 anos, diz que se sente um artista na sua agremiação do coração.

“Para mim, essa é a melhor gestão possível! Eu me sinto um artista de verdade [vendo a Viradouro no topo]. Um artista em uma escola de verdade”, exclamou o desfilante.

Freddy Ferreira analisa a bateria da Viradouro no desfile

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A bateria da Unidos do Viradouro fez um bom desfile, sob o comando de mestre Ciça. Um ritmo da “Furacão Vermelho e Branco” repleto de virtudes musicais, além de atrelado ao que o enredo da escola de Niterói estava propondo. Integrar o ritmo com os toques dos timbales se revelou um acerto sonoro e musical, dando dinamismo e versatilidade rítmica.

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A cozinha da bateria contou com um afinação grave de surdos tradicional da Viradouro, deixando o ritmo com seu peculiar aspecto pesado. Surdos de terceira deram um balanço consistente, no ritmo e em bossas. Repiques coesos tocaram de modo conectado às caixas da Viradouro, com sua batida característica. Ritmistas com timbal e agogôs de duas campanas (bocas) preencheram a sonoridade adicionando molho à parte de trás do ritmo da bateria da Viradouro.

A cabeça da bateria apresentou um trabalho sólido envolvendo as peças leves. Um naipe de cuícas precioso e técnico foi notado. Uma ala de chocalhos segura e ressonante ajudou no preenchimento musical da parte da frente do ritmo. Uma ala de tamborins que executou uma convenção rítmica simples e funcional, pautada pelo melodioso samba da vermelha e branca do Barreto.

A paradinha do refrão principal começou ainda no fim da segunda do samba. Durante a palavra “cortejo”, todas as peças deram dois tapas em conjunto e sequência (Tum-Tum!), o que permitiu uma explosão sonora, além do último verso da segunda ser cantado em coro. A retomada, já no refrão principal uniu pressão e ritmo. Os surdos de terceiras soltos ficaram dando balanço, mas sem retomar as marcações, que só voltam na segunda passada do refrão de baixo. Um arranjo musical com nítido impacto sonoro.

A bossa da cabeça do samba mais uma vez utilizou pressão para consolidar o ritmo. As marcações pesadas se aproveitaram do balanço da “Furacão Vermelho e Branco”, sendo percebido uma espécie de releitura do Afoxé, que propiciou um swing envolvente junto dos ritmistas com timbal.

A bossa do refrão do meio era iniciada no primeiro verso, com dois tapas consecutivos no trecho “É vento”, o que deu impacto musical ao referido arranjo. Logo após, um solo com timbales e agogôs de duas bocas (campanas) foi executado. Uma integração com a música considerável foi apresentada no arranjo. Surdos também auxiliaram de torms luxuosa a convenção a ser realizada, sendo ovacionada todas as vezes que foi executada.

Todas as apresentações em módulos foram realizadas de forma segura e consistente. A melhor exibição foi na última cabine, onde a “Furacão Vermelho e Branco” teve boa receptividade visual por parte do júri, além de nítida empolgação popular, evidenciando o bom desfile de mestre Ciça, comandando a bateria da Unidos do Viradouro.

Freddy Ferreira analisa a bateria da Beija-Flor no desfile

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A bateria da Beija-Flor de Nilópolis, sob o comando dos mestres Rodney e Plínio, fez um desfile muito bom. Uma conjunção sonora de destaque foi evidenciada, proporcionada pelo equilíbrio sonoro e pela exemplar equalização envolvendo os timbres. Foi possível escutar todos os naipes da bateria “Soberana” em qualquer lugar escolhido para acompanhar seu cortejo.

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A parte da frente do ritmo apresentou um trabalho baseado em equilíbrio sonoro e educação musical. Uma afinação de surdos extremamente privilegiada ajudou marcadores de primeira e segunda a ditarem o andamento, além de exibir incontestável precisão. Surdos de terceira deram balanço a bateria “Soberana”. Repiques coesos e ressonantes casaram seu toque com um naipe de caixas sólido que contribuiu no molho da bateria da Beija-Flor. As caixas da Beija intercalam polegadas e toques distintos. Algumas são tocadas de forma reta embaixo, servindo de base musical. Já outras são tocadas em cima, sem uso de talabarte, consolidando um toque com levada de partido alto. A cereja do bolo da cozinha da bateria foram as frigideiras, que complementaram a musicalidade com seu tom metálico peculiar.

A cabeça da bateria exibiu um trabalho impecável envolvendo as peças leves. Cuícas de qualidade técnica ajudavam inclusive em bossas. Uma ala de chocalhos de elevado valor sonoro tocou de forma integrada a um naipe de tamborins altamente sincronizado, que pautou seu desenho rítmico através das nuances melódicas da obra nilopolitana. Tamborins e chocalhos foram juntos o ponto da parte da frente do ritmo da azul e branca da Baixada.

O acerto musical da paradinha iniciada no refrão que precede o principal foi seguir a risca o que manda o verso “Deixa Nilópolis cantar”. A retomada foi conduzida por repiques mor fazendo solo, tendo impacto sonoro pela batida em conjunto de todas as peças antes de voltar pro ritmo. O balanço envolvente dos surdos marca a segunda parte bem musical da bossa que mesclou ritmo e busca pela interação popular, tendo êxito visível ao longo da pista.

Uma bossa iniciada com uma subida de três um pouco mais elaborada dos surdos na cabeça do samba se mostrou eficaz, ao já ser emendada num breque funcional. Inclusive, os breques tiveram papel fundamental no ritmo. A busca sempre foi por integrar a melodia do samba à musicalidade proposta pela bateria da Beija-Flor. O trabalho envolvendo convenções deixou evidenciado um leque amplo de arranjos, que deu dinamismo sonoro e versatilidade rítmica à agremiação de Nilópolis. Vale ressaltar que os breques, por estarem plenamente conectados à música, impulsionou componentes tanto no canto, quanto na dança.

Na bossa do refrão do meio há uma integração profunda com o samba-enredo da Beija-Flor. Os timbres distintos da afinação foram usados com um inegável requinte. As marcações são vitais na construção musical desse arranjo, que ainda finaliza de forma arrojada. O primeiro verso da segunda do samba, “Desfila o chumbo” recebe uma frase rítmica envolvendo os surdos de modo sublime, num gosto fascinante que consolidou o ritmo levado pela melodia.

As apresentações nos módulos foram seguras e corretas, sem problemas evidenciados da pista de desfile. A melhor exibição aconteceu no último módulo, que terminou com boa receptividade geral dos julgadores, além de ovação popular. Uma bateria da Beija-Flor que não só fez seu ritmo peculiar, como buscou soluções que permitissem interação popular. Mestres Rodney e Plínio, assim como diretores e ritmistas certamente ficaram orgulhosos após um desfile muito bom da bateria “Soberana”.

Lorena Raissa faz sua emocionante estreia como rainha de bateria e recebe carinho da comunidade

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Beija Flor04 1Após 20 anos com Raíssa de Oliveira à frente da bateria, a Beija-Flor de Nilópolis fez seu desfile na Sapucaí com uma estreia emocionante. A jovem Lorena Raissa, de apenas 16 anos, transmitiu toda sua energia na Avenida e encantou não apenas a comunidade Azul e Branca, como também o público.

É uma tradição da agremiação optar por meninas da comunidade para a posição de destaque. A escolha se deu através de um concurso, dividido em diversas etapas e com a participação de personalidades importantes do carnaval.

Beija Flor02 3“A escola tem esse legado de priorizar a comunidade, valorizando os jovens, e todas as outras também deviam fazer isso. A Lorena é sensacional”, afirmou David Sanchez, ritmista da Bateria Soberana.

Outro membro da bateria, William Marques, de 58 anos, também comentou sobre a decisão da escola: “Mais uma vez, a Beija-Flor se destaca em inovação. A menina transmite completamente a essência do pavilhão, além de ter história. A mãe já foi passista”.

Beija Flor01 3Danielle Oliveira, de 22 anos, aproveitou a oportunidade para citar a importância do concurso: “As crianças da comunidade crescem admirando passistas e sonham em ser rainhas de bateria. É essencial que se crie oportunidade”.

Desde o concurso, em outubro de 2022, a adolescente vem sendo elogiada em todos os ensaios da agremiação. É fato que os nilopolitanos já a abraçaram como a realeza da Beija-Flor.

Minutos antes de pisar na Avenida, Lorena Raissa deu uma declaração emocionada ao site CARNAVALESCO.

“Estou muito emocionada mesmo, e tentando não demonstrar para dar o meu melhor representando a escola e trazendo esse carinho de todos. É um momento incrível na minha vida, e eu não consigo acreditar. Estou me segurando para não chorar”.

Nilópolis cantou! Comunidade dá show no samba, mas problemas em conjunto visual atrapalham desfile da Beija-Flor

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A Beija-Flor de Nilópolis convocou a brava gente da baixada e realizou um desfile de forte apelo popular na noite desta segunda-feira pelo Grupo Especial do carnaval carioca. O famoso rolo compressor nilopolitano foi o grande destaque da apresentação, o samba, composto em forma de convocação serviu para impulsionar o desfile da azul e branca e passou de forma avassaladora. Porém, a escola pecou na realização de seus carros alegóricos, quase todos passaram pela avenida com falhas em acabamento, antes do desfile começar, um grande susto tomou conta da concentração, houve um princípio de incêndio na segunda alegoria, os bombeiros agiram rapidamente, mas alguns ferros ficaram à mostra. * VEJA AQUI FOTOS DO DESFILE

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Vale destacar a bela passagem do primeiro casal de mestre-sala e porta-bandeira, Claudinho e Selminha Sorriso, juntos a mais de 30 anos, a dupla encantou o público presente, com movimentos clássicos, a dança impressionou bela leveza e graciosidade, a linda fantasia engrandeceu ainda mais a apresentação. Assim como a Unidos da Tijuca, a escola também fez uso da nova iluminação do sambódromo na apresentação da comissão de frente, o jogo de luzes também foi utilizado em outros momentos do desfile.

Apresentando o enredo “Brava Gente! O Grito dos Excluídos no Bicentenário da Independência”, assinado pelos carnavalescos Alexandre Louzada e André Rodrigues, a Beija-Flor fez, como o próprio título do enredo sugere, um mergulho no bicentenário da independência do Brasil, mas com um olhar crítico, voltado para contar a história que não foi contada nos livros. A proposta era colocar nos debates a ideia de uma nova data a ser lembrada para formação de uma ideia de independência, o dia 2 de julho de 1823.

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LEIA ABAIXO AS MATÉRIAS ESPECIAIS
* Ala 13 da Beija-Flor denunciou medida racista de embranquecimento da população
* Nilopolitanos abraçam enredo político e mostram a força da independência
* Com altas expectativas e a confiança da comunidade, André Rodrigues faz sua estreia como carnavalesco da Beija-Flor

A deusa da passarela foi a quinta escola a cruzar a passarela do samba na segunda noite de desfiles do Grupo Especial. A escola terminou sua apresentação com 67 minutos e sob muitos aplausos.

Comissão de Frente

Coreografada por Jorge Teixeira e Saulo Finelon, a comissão de frente da Beija-Flor encenou a história do povo, que, ao cobrar igualdade, reclama seu protagonismo na história, haja vista ter sido esquecido e silenciado na versão oficial. A apresentação utilizou a iluminação cênica da Sapucaí e contou com um tripé, em um primeiro momento, homens representando o exército reproduzem a cena clássica da Independência brasileira, porém, no decorrer da apresentação, a verdadeira história era contada, nesse momento a iluminação da pista mudava e no tripé aconteciam algumas projeções visuais e frases de apelo popular, neste momento, personagens representando o povo sobem no tripé e reivindicam seu protagonismo, o momento contou ainda com uma transformação do exército em beija-flores. O efeito da luz foi o ponto alto da comissão e arrancou aplausos do público.

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Mestre-sala e Porta-bandeira

O primeiro casal de mestre-sala e porta-bandeira, Claudinho e Selminha Sorriso dispensam apresentações, eles são uma dupla imbatível dentro da Beija-Flor e de extrema importância para o carnaval carioca. Neste carnaval, a dupla completa 31 anos de uma parceria vitoriosa e premiada, mesmo com todos esses anos, o casal continua encantando a Sapucaí. De volta à abertura do desfile, o casal representou o “Encantamento Caboclo”, no último desfile a escola optou pelo uso de penas ecológicas, porém, a fantasia deste ano utilizou penas naturais, nas cores da escola, o figurino primou pela beleza e engrandeceu ainda mais a apresentação do casal.

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O bailado da dupla se destacou pela utilização da dança clássica, com muita graça, leveza e passos com características próprias, a elegância e companheirismo foram um dos destaques do desfile da azul e branca de Nilópolis. O nível de apresentação nos módulos de julgamento foi alto e a dupla, que mais uma vez encantou o público, saiu da avenida com a sensação de dever cumprido.

Harmonia

O desfile desta noite foi um reencontro da Beija-Flor com o que tem de melhor, a comunidade de Nilópolis, conhecida como ‘rolo compressor’, a comunidade passou alguns carnavais adormecida, no ano passado já havia dado sinais que voltaria e agora, muito impulsionada por um samba extremamente forte, rasgou o chão da avenida. O que se viu foi uma escola aguerrida e uma comunidade apaixonada com a obra na ponta da língua. Naturalmente, não é preciso muito para que os componentes da Beija-Flor cantem com muita garra, tendo em seu samba a frase “Deixa Nilópolis cantar”, a explosão foi ainda maior.

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A cantora Ludmilla fez sua estreia no carro de som ao lado de Neguinho da Beija-flor, a dupla mostrou muita sintonia, ela realizou alguns cacos durante o desfile e se mostrou muito à vontade, ele, mostrou mais uma vez o porquê de ser um dos maiores intérpretes da história do carnaval.

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Enredo

Desenvolvido pelos carnavalescos Alexandre Louzada e André Louzada, o enredo “Brava Gente! O Grito dos Excluídos no Bicentenário da Independência”, a Beija-flor deu voz aos excluídos, como representante do povo, a Deusa da Passarela fez um mergulho no bicentenário da independência do Brasil, mas com um olhar crítico, voltado para contar a história que não foi contada nos livros. O enredo valorizou a brava gente brasileira, num grande ato político carnavalesco. Característica marcante da escola, a crítica social pautou todo o desfile, a mensagem foi passada com clareza e a resposta do público foi positiva.

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O desfile foi dividido em cinco setores, o primeiro, denominado “Naquele dois de julho, o sol do triunfar”, fez um contraponto entre o que a escola mostrou sobre a Independência do Brasil e a verdadeira, a do povo, representada pelo dia 02 de julho. O segundo setor, “Atos de revolta: a heróica desobediência civil”, retratou as principais revoltas depois de 1823 até a abolição da escravidão e consequentemente a virada para a república. Na sequência, o setor “Manutenção da ordem e o progresso da exclusão”, mostrou os mecanismos de exclusão e controle operados no período republicano, neste setor, a parada militar do Sete de Setembro é criticada, segundo o enredo, o desfile reforça o mito fundador de uma nação forjada na violência para manutenção da ordem.

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Logo após esta denúncia, no setor seguinte, o desfile faz o reconhecimento do papel civilizatório e exemplar dos movimentos sociais em diferentes lutas por autonomia, dignidade e justiça, tarefas inadiáveis para que sejamos, de fato, uma nação independente.O último setor destacou a importância da cultura popular brasileira, que emerge como um grande manancial de aspirações e fabulações de futuros possíveis para esta nação.

Evolução

A evolução da escola se mostrou extremamente acertada, o desfile durou 67 minutos e durante todo o tempo os componentes evoluíram com bastante desenvoltura e animação. O famoso rolo compressor se fez presente e a Beija-Flor fez todo o percurso sem sustos e de forma uniforme, não foram observados descompassos e todos os integrantes das alas estavam se divertindo e extravasando a emoção. Vale destacar que a escola levou um grande número de alas coreografadas e todas desempenharam um ótimo papel, com destaque para a ala de abertura, “Exército Libertador”, a expressão facial e corporal dos componentes chamou atenção.

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Samba-Enredo

Mesmo antes de ser escolhido como o samba oficial da escola, a obra de Léo do Piso, Beto Nega, Manolo, Diego Oliveira, Julio Assis e Diogo Rosa já havia caído nas graças da comunidade nilopolitana. A obra, feita em forma de convocação, foi um dos pontos altos do desfile da agremiação, a comunidade abraçou e o samba foi gritado na Sapucaí. Desde os primeiros acordes o público presente nas arquibancadas cantou junto com a escola, foi um dos momentos de maior comunicação entre público e agremiação neste carnaval.

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Alegorias e Adereços

A escola levou para a avenida seis carros alegóricos e três tripés. O conjunto visual da escola, apesar de gigantesco, apresentou falhas graves de acabamento, no geral, quase todas alegorias apresentaram problemas.

A abertura do desfile contou um pede passagem e abriu caminho para o ato cívico que a escola iria realizar. Invertendo o que estamos acostumados a ver, o abre-alas “Desconstruindo a fantasia histórica”, foi pequeno, na concepção do enredo, a proposta foi desconstruir a memória nacional em torno da independência, já o segundo carro, “O dia em que o povo ganhou – alegoria ao dois de julho”, teve um princípio de incêndio faltando poucos minutos para entrar na avenida, o susto fez com que a área destina a um destaque passasse com os ferros à mostra, o monumenta carro representou a vitória das tropas brasileiras na guerra pela independência instalada na Bahia, retratado em três chassis, o beija-flor, símbolo da escola, veio no alto da alegoria, a asa tinha problemas de acabamento e segundo chassi passou apagado pela avenida. Mesmo assim, o carro impactou. O azul, cor da escola, apareceu no terceiro carro, “Pela vida e liberdade do irmão”, bem acabado, foi um dos melhores do desfile, com esculturas muito expressivas, o carro valorizou o protagonismo de homens e mulheres negras no processo de abolição, processo que seu através da premissa de que a liberdade não foi uma concessão, mas uma conquista.

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O quarto carro, “Chumbo da autocracia”, Fez críticas à contraditória experiência republicana brasileira, sua estrutura social desigual e hierárquica, ao afirmar que a ditadura civil-militar (1964-1985) é a face mais genuína deste estado de poder e supressão dos direitos, com falhas de acabamento nos dragões e com ferragem aparente, o carro deixou a desejar.

Na sequência, a alegoria “Por um novo nascimento”, levou a escultura de uma grande uma mulher negra tecendo uma nova bandeira nacional. A alegoria emana da voz do povo o desejo de uma “mátria Brasilis”, que garanta a promoção de direitos aos cidadãos.

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No último setor, a escola apresentou o tripé “O amanhã não está à venda”, na cor verde, o elemento teve duas esculturas de indígenas erguendo suas próprias bandeiras de Brasil, a iluminação e o uso das bandeiras na lateral foram um bom momento. O último carro, “Futuro ancestral”, promoveu o futuro pela disseminação dos saberes através da presença da Velha-Guarda, guardiã da memória coletiva da agremiação, a alegoria também teve falhas em acabamento, assim como algumas composições desfilaram com roupas comuns. A Beija-flor se colocou em defesa da voz da brava gente, o tripé com um enorme beija-flor, encerrou o desfile.

Fantasias

Diferente dos carros alegóricos, o conjunto de fantasias da azul e branca da baixada foi um dos pontos altos do desfile, o volume das primeiras alas impressionou, os figurinos tomavam conta de toda a avenida, os costeiros eram enormes, como nas alas 3, “Ode aos Botocudos”, 4, “Sonho de Liberdade Malê”, e 6, “Um Grito de Liberdade Quilombola”, porém, apesar de gigantes, a sensação de leveza se manteve presente. A paleta de cores da escola também se mostrou um acerto, nas alas iniciais os carnavalescos derramaram o azul, cor da escola, com o dourado.

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Alguns elementos cênicos interagiram com as alas, o que causou um bom efeito visual. A ala de baianas passou pela avenida com um figurino muito apurado e com detalhes, a fantasia das matriarcas reproduziu os balaios, que foram carregados em suas cabeças, a arte da trama de palha esteve presente em seu pano da costa e na saia. Nos setores finais, a escola fez uso de bandeiras e faixas com mensagens sobre o enredo, as fantasias das alas não tinham a opulência das primeiras, mas a fácil leitura e leveza foram um ponto positivo.

Outros Destaques

A estreia de Lorena Raíssa à frente da bateria soberana foi um dos momentos mais festejados pelo público, a jovem, que ganhou o concurso de rainha promovido pela escola, jovem nilopolitana, representa justamente a liberdade para todas as expressões que justificam a marginalização de grupos sociais e raciais.

Com clima de favoritismo, componentes da Imperatriz Leopoldinense falam sobre a nova fase da Rainha de Ramos

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Imperatriz03 4Uma nova Imperatriz. Com a volta do carnavalesco Leandro Vieira e as mudanças internas da escola, a Imperatriz Leopoldinense resgatou o apoio da comunidade da região da Leopoldina, do Complexo do Alemão e voltou ao protagonismo do carnaval carioca. Em entrevista ao site CARNAVALESCO, componentes da agremiação, desde nomes históricos como Chiquinho a novos integrantes, mostraram confiança na atual fase da Rainha de Ramos. O clima na comunidade é de favoritismo.

O grandioso Chiquinho, ex-mestre-sala da Rainha de Ramos e filho de Maria Helena, falou sobre a volta do carnavalesco Leandro Vieira e o sonho do título para a Imperatriz Leopoldinense.

Imperatriz02 5“O Leandro é um retorno. Ele era nosso, saiu para fazer a vida dele e agora retornou para a Imperatriz. A gente, humildemente e respeitando todas as outras agremiações, voltamos a lutar pelo grande título, que é o sonho da Leopoldinense”, disse Chiquinho.

Para Chiquinho, o clima da comunidade da Leopoldina é o melhor desde o último título da escola de samba, há 22 anos atrás. Segundo ele, graças à presidente da agremiação, o ex-mestre-sala também falou como foi a expectativa de entrar na Avenida e lembrou da mãe, Maria Helena, que foi um dos grandes nomes da escola e do carnaval carioca.

“O clima é sim o melhor aqui na comunidade. Nos últimos anos, a Imperatriz, principalmente com a nova direção – a nossa presidente Cátia Drummond – está fazendo um grande trabalho não só dentro da escola, mas dentro da comunidade. Isso elevou o espírito de campeã da Imperatriz Leopoldinense. A expectativa para quarta-feira está muito grande. Foi maior para entrar na Avenida, porque eu sempre entrava com a minha mãe, Maria Helena, mas ela está aqui em nosso coração. Vamos partir para dentro. Imperatriz Leopoldinense, Complexo do Alemão e região da Leopoldina na garra”, contou.

Imperatriz01 5Atuando em comissões de frente há 29 anos, o militar Jamerson Oliveira desfilou na Imperatriz entre 1996 e 2007. Para ele, a comunidade abraçou a escola, tornando a Imperatriz protagonista deste Carnaval – relembrando os antigos tempos da Certinha de Ramos.

“O gostinho é maravilhoso. Para mim é um gosto muito especial, porque eu conheço a Imperatriz desde jovem. A Imperatriz sempre foi uma potência. Hoje a Imperatriz está voltando do jeito que está, sendo protagonista do carnaval. Para mim, particularmente, essa minha volta está sendo maravilhosa. A comunidade está muito maravilhosa, muito vibrante e daquela forma antiga. É daí para melhor. A comunidade está feliz, veio para brincar carnaval e a gente agradece muito a diretoria por resgatar esse clima e essa comunidade forte que a Imperatriz tem no carnaval”, comentou Janderson.

Ele também acredita que a agremiação vive o seu melhor momento desde o título de 2001. Janderson, confiante, acredita que a abertura de envelopes na quarta-feira de cinzas mostrará um bom resultado para a Imperatriz Leopoldinense.

“O clima está o mesmo desde o último título, até mais forte. A comunidade voltou a ficar confiante – confia na diretoria e nela mesma. Ocorreram alguns reforços e algumas mudanças, mas a comunidade está muito confiante e veio para mostrar um bom carnaval. A expectativa é muito grande para a abertura de envelopes. Como eu falei, a Imperatriz veio para mostrar um belo carnaval, com alegria, um carnaval bem folião. Creio que esses envelopes mostraram um bom resultado, porque a Imperatriz merece isso”, contou o integrante da comissão de frente da escola de samba.

Até mesmo para quem esteve presente no tricampeonato da escola, o clima é de favoritismo. Luciano de Souza Cruz, professor de 44 anos, componente da ala “cordelistas” e desfilante da Imperatriz Leopoldinense há 25 anos, crê que o clima é de vitória.

“É o gostinho de ter participado do tricampeonato. Eu estive lá em 1999, 2000 e 2001. Ter essa sensação de que a escola é favorita ao título, ainda mais completando 25 anos desfilando, que para mim é mais do que um presente. O clima na comunidade é o mais forte. A comunidade está mais inserida na escola e mais participativa. Também acho que o fator renovação, com Cátia Drummond no comando, traz uma vitalidade que a escola estava precisando. Eu só aceito notas dez no envelope (risos). Sem desmerecer as coirmãs”, revelou Luciano.

Vanderson Oliveira da Silva, de 27 anos, é outro veterano da escola de samba. Ele desfila na Rainha de Ramos há 23 anos e contou que a mudança geral na escola, segundo ele, trouxe a comunidade de volta para a agremiação.

“É muito bom. Vou dizer para você que essa mudança geral da nossa presidência e do nosso carnavalesco contribuiu muito. A comunidade voltou – o Complexo do Alemão voltou – e a escola está abraçada. A escola está se abraçando e pulsando. A Imperatriz conseguiu mostrar a força da comunidade de Ramos e da zona da Leopoldina. Se Deus quiser, vamos buscar essa próxima estrela para o nosso pavilhão. É o melhor clima desde o último título. É impressionante quando o Pitty grita, porque arrepia. Quando a bateria começa, a sensação é de como se fosse a minha primeira vez. Esse ano é muito especial”, destacou o componente da Imperatriz Leopoldinense.

Ritmistas da Imperatriz viveram Lampião na avenida

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Imperatriz02 3Com a fantasia representando “Lampião: Um diabinho nordestino” a bateria da Imperatriz Leopoldinense desfilou na Marquês de Sapucaí com a responsabilidade de dar um show na parte rítmica, além de representar o principal personagem do enredo.

Em entrevista ao site CARNAVALESCO, os componentes da Swing da Leopoldina elogiaram a fantasia e comentaram sobre a importância de representar Lampião.

Alexandre Araujo, restauranteur de 50 anos, é ritmista da Imperatriz há sete anos. Para ele, a fantasia era um pouco quente, mas uma das melhores nos últimos anos e tranquila para tocar ao longo da Passarela do Samba.

Imperatriz03 3“A fantasia veio super rica. Não tem como não ser algo quente, mas é uma coisa rica. Tem muitos adereços e muita cor. Está super tranquila e conseguimos ter muito movimento. Aliás, é uma das melhores fantasias dos últimos anos”, disse o ritmista da Rainha de Ramos.

Para ele, os bateristas apenas colocaram em prática o que fizeram ao longo do ano. “A gente vai fazer o que a gente aprendeu e ensaiou. Sofremos e suamos para fazer um bom carnaval e representar a nossa escola que está precisando”, falou.

Filipe Lázaro, estudante de educação física de 27 anos, a fantasia estava ótima e os adereços completam a beleza dela. Ele também falou sobre a bateria vir representando o principal nome do enredo da Imperatriz Leopoldinense.

Imperatriz01 3“A fantasia está muito bonita. Óculos para completar. Está perfeita. Ela está tranquila, não está me apertando e tem um espaço para entrar vento, que é o mais importante. É muito interessante estar representando o homenageado, porque eu gosto muito das histórias do Lampião. O pessoal do nordeste tem umas histórias bem interessantes, e traremos essa aqui. Vai ser divertido e bem legal de fazer. Estamos ensaiando desde o meio do ano – com carro de som, ensaio de rua e etc”, disse o ritmista da escola.

Neste ano, o samba da Imperatriz Leopoldinense conquistou até mesmo os estrangeiros. Estadunidense, Courtney Danley, de 47 anos, desfilou na bateria da escola de samba tocando repique. Ela contou que a energia e o carinho da comunidade da escola encantou ela.

“Esse é o meu primeiro ano desfilando aqui na Imperatriz. Quando eu cheguei eles me abraçaram, é uma comunidade muito forte, muito linda e eles cantam muito. É um grande privilégio para mim poder desfilar aqui com eles”, disse a ritmista Courtney.

A estadunidense disse conhecer a história de Lampião. Ela destacou que o personagem do enredo é visto por algumas pessoas como alguém bom e por outras, mau. Entretanto, é um grande personagem da história popular brasileira.

“Lampião é uma figura muito complicada. Algumas pessoas pensam que ele é bom, outras pensam que ele é mau. Mas todo mundo é um pouco disso, não tem nenhuma pessoa completamente boa. É muito interessante para nós poder representar Lampião, que tem muito significado aqui no Brasil. É uma coisa muito interessante”, disse Courtney Danley.

Estreando na Swing da Leopoldina, Weverson Veríssimo, psicólogo de 34 anos, disse que é um máximo desfilar vestido de Lampião. Segundo ele, a fantasia estava legal para impactar o público.

“Eu acho que é o máximo. É estar realmente dentro da história do enredo e podendo compartilhar isso com a Avenida. A fantasia está tranquila, são muitas camadas, mas é bem bacana e tem um visual bem bonito para a gente conseguir tocar e fazer a nossa arte na Sapucaí. Aliás, a escola inteira está com um visual bem legal para impactar a Avenida”, contou.

Ala 13 da Beija-Flor denunciou medida racista de embranquecimento da população

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Beija Flor02 1A azul e branca da baixada fez uma crítica, nesta segunda-feira feira, à imigração europeia na história do país. A medida foi uma medida racista da época como uma tentativa de embranquecimento da população. Na 13° ala, a Beija-Flor levou o tema “Cota Para Branco”, a escola mostrou que enquanto os negros sofriam com medidas proibitivas, europeus recebiam privilégios do governo brasileiro.

“O Brasil é um país historicamente castigado. […] É importante a Beija-Flor levantar essa bandeira e mostrar para a sociedade brasileira que a gente precisa falar de cotas e de tudo que a população negra sofreu. Brancos tem privilégios e os negros sofrem todos os dias,” disse Andrielly Santos, advogada, desfila há 5 anos pela escola.

A ala veio fantasiada com uma blusa branca e uma calça preta. Os componentes usavam malas brancas e sacos dourados escrito branco. Na cabeça, um chapéu preto com detalhes dourados e o rosto com uma tinta branca. Nas costas, uma capa em forma de circulo com pontas espetadas brancas e verdes.

Beija Flor03 1“A crítica é muito importante, é necessária. O grito dos excluídos vem como uma forma de fazer a sociedade mudar. Acho que deveriam existir mais políticas públicas pra gente, porque o país ainda é muito desigual”, disse Diogo de Castro, designer, desfila na Beija-Flor há 3 anos.

Luciana Castro, responsável pela harmonia na escola, explicou que o rosto pintado de branco e a mala branca representa os privilégios dos brancos. “Representa o poder que brancos tem e os negros nunca tiveram. É a diferença e a desigualdade.

A Beija-Flor foi a penúltima escola a apresentar nesse segundo dia de desfile. A azul e branca deu voz aos excluídos em seu desfile nesta segunda.