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Fotos: desfile da Beija-Flor no Carnaval 2023

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Freddy Ferreira analisa a bateria da Imperatriz no desfile

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A bateria da Imperatriz Leopoldinense de mestre Lolo fez um desfile exemplar. Uma musicalidade pautada pela nordestinidade, que vinculou o ritmo da “Swing da Leopoldina” ao enredo e a obra da Imperatriz. Uma conjunção sonora impecável foi exibida, com a plena fluência entre todos os naipes.

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A parte de trás do ritmo apresentou um trabalho de raro valor sonoro. Surdos de primeira e segunda foram eficazes, educados e precisos. Já as terceiras deram um balanço consistente ao ritmo da Imperatriz. Repiques coesos integraram o toque com caixas de guerra extremamente ressonante, com uma batida pautada por um misto de segurança e limpeza.

A cabeça da bateria exibiu naipes tecnicamente diferenciados. Uma ala de cuícas deu virtude musical ao ritmo, inclusive participando de paradinhas. Um naipe de chocalhos de qualidade inegável tocou de forma entrelaçada com uma ala de tamborins que executou um desenho rítmico simples e funcional, de forma chapada, adicionando valor sonoro à “Swing da Leopoldina”.

Uma nuance rítmica evidenciada nos surdos, na primeira do samba, proporcionou um balanço único para o ritmo. Após o verso “Deus nos ajuda, todo povo aperreado”, o ritmo se consolida com primeira e segunda intercalando as batidas, demonstrando dinamismo sonoro e versatilidade musical.

Já no refrão do meio, os surdos de terceira fazem um desenho rítmico simplesmente fabuloso e cativante, propiciando um molho envolvente que faz jus ao apelido da bateria, “Swing da Leopoldina”. Foi possível presenciar ritmistas mexendo o corpo embalados pelo toque genuíno e intimamente integrado à música da Rainha de Ramos.

A bossa do refrão do meio exibiu complexidade, com misto de ritmo e pressão provocada pelos surdos. O impacto musical foi considerável. Aproveitou contratempos para a conclusão sublime, que fazia alusão musical ao “estouro do pipocou”, totalmente conectada ao que o samba da Imperatriz solicitava.

No refrão que antecedeu o principal, era realizada a paradinha mais musical da bateria. Primeiro foi exibido ritmo de Xote, seguido de Xaxado. Um arranjo dançante e perfeito para o componente cantar e dançar, unindo molho do ritmo com zabumbas e triângulos fazendo solo, dando ao samba-enredo exatamente o que ele pedia. Desafiadora e com nível impressionante de detalhes, foi possível notar a participação inclusive de cuícas. As subidas dos repiques retomando o ritmo e dando molho após esse movimento, como se repetisse o toque utilizado na chamada. Uma bossa que se aproveitou da nordestinidade do enredo, para consolidar o ritmo da bateria da Imperatriz atrelando à canção da escola.

Todas as apresentações em módulos foram fabulosas, deixando julgadores com sorriso de encantamento na face, sem contar o delírio do público com uma exibições seguras e potentes. Uma merecida nota máxima em bateria parece estar a caminho de Ramos, mais uma vez. Mestre Lolo, diretores e ritmistas estão de parabéns pelo desfile grandioso e impressionante da bateria da Imperatriz Leopoldinense.

Nilopolitanos abraçam enredo político e mostram a força da independência

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Beija Flor05Quinta escola de samba a pisar na Sapucaí nesta segunda-feira, 19 de fevereiro, a Beija-Flor deu voz aos excluídos e oprimidos na Avenida. Determinada a contar uma história diferente da explicada em livros, a agremiação redefiniu o conceito de independência do Brasil.

Representando minorias como as verdadeiras responsáveis pela luta e liberdade do país, o enredo “Brava Gente! O Grito dos Excluídos no Bicentenário da Independência” foi assinado pelos carnavalescos Alexandre Louzada e André Rodrigues.

Beija Flor06Desde a decisão do enredo e, posteriormente, do samba, tornou-se evidente que a Azul e Branca apresentou o tema mais político do carnaval 2023. Apesar da possibilidade de um receio ser sentido por alguns sambistas, a comunidade nilopolitana se mostrou mais do que pronta para defender o pavilhão.

“Sei que é um enredo polêmico, até porque a escola vai contar aquilo que as mais tradicionais não contam. É a retomada que o povo tem da terra. Indígenas e negros construíram essa nação, e contar a narrativa a partir da nossa ótica é maravilhoso”, comentou Ana Paula Arruda, de 35 anos.

Para Kaio Phelippe, de 28 anos, a Beija-Flor nunca esteve tão alinhada com a atualidade como agora: “É evidente que a era do racismo no Brasil não acabou, então buscamos levar isso para as pessoas entenderem que não toleramos mais”.

Beija Flor02Lohayne de Camillo, também de 28 anos, aproveitou a oportunidade para enaltecer a escolha do enredo. “As escolas de samba nasceram em periferias, e quando estamos diante de uma sociedade completamente elitizada, ainda mais no maior evento cultural do país, é importante trazer visibilidade para histórias renegadas”, afirmou.

Com altas expectativas e a confiança da comunidade, André Rodrigues faz sua estreia como carnavalesco da Beija-Flor

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Beija Flor01A Beija-Flor de Nilópolis, quinta escola do Grupo Especial a desfilar na Sapucaí nesta segunda-feira, 19 de fevereiro, apresentou o enredo “Brava Gente! O Grito dos Excluídos no Bicentenário da Independência”.

Num grande ato político-carnavalesco, o intuito da agremiação era enaltecer a verdadeira independência do Brasil, feita por minorias e distante dos colonizadores.

Após conquistarem o vice-campeonato em 2022, com o carnavalesco Alexandre Louzada, a Azul e Branca contratou André Rodrigues, que já fazia parte da direção artística da escola, para assinar o desfile em dupla com Louzada.

A estreia do jovem carnavalesco no Grupo Especial está sendo muito aguardada e rodeada de expectativas, principalmente pela própria comunidade nilopolitana. Camila Diniz, de 25 anos, comentou sobre o impacto sentido quando visualizou o conjunto de alegorias e fantasias pela primeira vez: “Fiquei emocionada quando vi, por ter certeza da vontade da Beija-Flor de brigar pelo título. Achei a escola muito bonita e rica”.

Beija Flor03Alyson Trindade, de 29 anos, é um dos integrantes da comissão de frente e também mencionou sua primeira impressão: “Tanto eu, quanto as outras pessoas da comissão, ficamos encantados com as alegorias, pela forma como projetaram as esculturas”. O rapaz as definiu como verdadeiras obras de arte. “Retrataram temas delicados com muita graciosidade”, complementou.

Um apaixonado desfilante da agremiação, Ruan Montes, de 30 anos, enalteceu o trabalho de André: “Desde o ano passado, ele vem entregando coisas maravilhosas”. Após o primeiro contato com o conjunto de adereços, teve certeza de que a Beija-Flor está em boas mãos. “Está melhor do que imaginávamos e estamos prontos para arrasar”, finalizou.

Perto da glória! Imperatriz faz desfile exuberante e entra na briga pelo título do Grupo Especial

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No retorno de Leandro Vieira à Imperatriz, a Rainha de Ramos levou para Sapucaí um desfile primoroso na questão estética, com fácil e divertida leitura do enredo e com o samba funcionando muito bem em um excelente estreia também do intérprete Pitty de Menezes. No mais foi bonito ver o resgate que vem acontecendo por esta diretoria com a comunidade que respondeu na Avenida cantando com muita garra e se divertindo no trajeto até a Praça da Apoteose. A comissão de frente retratou o enredo de forma divertida e delirante e o samba também teve uma boa resposta do público. Quarta escola a desfilar na segunda noite do Grupo Especial com o enredo “O aperreio do cabra que o excomungado tratou com má-querença e o santíssimo não deu guarida”, a Imperatriz Leopoldinense encerrou seu desfile com 68 minutos. * VEJA FOTOS DO DESFILE

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Comissão de Frente

A comissão “Pelos cantos do sertão ” coreografada por Marcelo Misailidis sintetizou o enredo com humor e picardia através de uma espécie de teatro mambembe que dançava ambientado em uma paisagem que remeteu a um pedaço de terra localizado no sertão nordestino. A comissão fez bom uso do elemento cênico, apresentando surpresas que eram pertinentes a apresentação.Era uma casa em meio a um varal de lençóis.Nela, Lampião e seu bando fugiam em uma perseguição.

LEIA MATÉRIAS ESPECIAIS DO DESFILE
Segundo carro da Imperatriz, “Rebuliço no olho do mamulengo”, representou a morte do bando de Lampião
‘Espero poder fazer história’, diz Pitty de Menezes após estreia arrebatadora na Imperatriz
Cangaceiras e leopoldinenses, as baianas da Imperatriz vieram com a força de Maria Bonita na busca pelo título
“Virgulino no comando!”: Abre-alas da Imperatriz representou a invasão de Lampião ao sertão nordestino

Coordenado por um típico morador do sertão, a comissão trazia no teatro hora a ideia de o cangaceiro ir ao inferno buscar guarida, quando um grande rosto demoníaco surgia por debaixo do lençóis engolindo o apresentador da comissão e depois surgia no alto da casa, uma espécie de campanário em que Parte Ciço não permitia a entrada do cangaceiro, jogando o chapéu dele inclusive para a plateia.E no final todos dançavam xaxado, o Lampião com o apresentado inclusive.a comissão misturou muita dança com toque certos de humor, acima de tudo divertiu o público. Um apêndice da apresentação era um integrante fantasiado daqueles cachorros caramelos, magro, que ia sumindo e aparecendo pela casinha.

Mestre-Sala e Porta-Bandeira

O primeiro casal de mestre-sala e porta-bandeira Phelipe Lemos e Rafaela Theodoro, vestiam o figurino “Lampião e Maria Bonita” representando o rei do cangaço e sua rainha, eterna companheira e parceira enamorada do líder dos bandoleiros. O traje em tons alaranjados apresentou os contornos estilísticos da roupa de um cangaceiro principalmente no chapéu e na parte de cima.

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Na saia da roupa de Rafaela uma bonita e rica plumagem completou o modelito. Fantasia primorosa. Rafaela se adequou bem ao ritmo mais explosivo de Phelipe que procura passos mais intensos. A porta-bandeira foi intensa nos rodopios. O vento forte atrapalhou um pouco em todos os módulos, mas a Rafaela manteve o pavilhão desfraldado, ainda que em alguns poucos momentos ele não ficasse tão aberto. Uma apresentação com dificuldades por conta do vento, mas sem apresentar falhas aparentes.

Harmonia

A comunidade leopoldinense teve um alto rendimento no canto do samba, mantendo a regularidade e intensidade de canto em todos os módulos, de forma homogênea entre as alas, com alegria e em alguns momentos transbordando garra. Importante destacar o trabalho dos diretores de harmonia da escola que a todo momento incentivavam seus componentes, assim como os diretores de ala. Nem o fato de algumas fantasias serem um pouco mais pesadas atrapalhou o canto da escola.

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É possível citar diversas alas que tiveram destaque no canto. No segundo setor, ala “cordelistas”, “carpideiras”. No terceiro setor “O cordel de José Pacheco” e “tropa de expulsão” , e no final “ala vagueia na poesia”. Fazendo sua estreia pela Verde e Branca de Ramos, Pitty de Menezes também teve um excelente desempenho no comando do carro de som. O intérprete não deixou cair o canto em nenhum momento, fazendo o bom samba da Imperatriz crescer ainda mais e incentivando os componentes sem exagerar nos cacos, todos dentro da música.

Enredo

O enredo se baseou na literatura de cordel para mesclar fatos históricos com uma pesquisa iconográfica baseada na estética regional sertaneja. A partir do conteúdo lúdico presente nos cordéis que vislumbravam o destino pós-morte de Lampião, o desfile mergulhou nas múltiplas possibilidades narrativas e visuais características da cultura nordestina e brasilidade. O carnaval da Imperatriz se debruçou sobre a poesia épica para contar esta história mesclando fatos históricos com eventos imaginários e fantásticos. Durante o desfile, a aparição de Lampião acontece o tempo todo.

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O místico cangaceiro foi visto em todos os setores em uma trajetória que percorreu a história de sua morte, a tentativa de entrar no inferno e no céu, assim como seu renascimento no imaginário popular brasileiro. A ideia de um enredo que trouxesse picardia e delírio para o desfile foi realizada de forma satisfatória. As alegorias e fantasias tinham leitura, e a sequência narrativa estava bastante clara no visual, além do samba ser bastante eficiente neste papel de contar a história.

Evolução

A Imperatriz passou pela Sapucaí de uma forma quase perfeita, a não ser por um pequena dificuldade de deslocamento do abre-alas já na saída da pista, que gerou um pequeno buraco até a ala, rapidamente consertado. A evolução dos componentes no geral se deu de forma espontânea, com alegria, mesmo com algumas fantasias pesadas, demonstrado no cansaço de alguns desfilantes já no final da Marquês de Sapucaí.

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A garra dos componentes e o apuro para não prejudicar a escola de forma alguma, presente também nos diretores, foi louvável. Algumas alas eram coreografadas de forma pertinente ao enredo como “tropa de expulsão” que brincava com a fantasia que dava a ideia de chamas. A evolução foi cadenciada, mas de maneira nenhuma lenta, com fluência, apresentando o desfile com a atenção que o público merece. A bateria entrou no recuo com 47 minutos e saiu com uma hora de desfile de forma tranquila e com fluência, sem gerar problemas.

Samba-Enredo

A obra de Me Leva e companhia tem uma letra que expressou com bastante eficiência o enredo desenvolvido pela Imperatriz. Se você fechar os olhos e ouvir o samba, a letra te traz as imagens de todos os setores da história narrada sobre Lampião, na forma pensada pelo carnavalesco Leandro Vieira. Em termos de melodia o samba apresentou uma musicalidade muito voltada para a região nordeste seguindo uma linha de canções típicas do xote e do forró, sem perder suas características de samba-enredo.

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A presença da sanfona no carro de som ajudou bastante essa musicalidade nordestina que ajuda a caracterizar o enredo. Um dos pontos altos, o refrão principal é um exemplo desta musicalidade sem perder a força de ataque do samba que impulsiona o componente explodindo no “Leopoldinense, cangaceira minha escola”. A solução utilizada de colocar um bis logo no início funcionou e o bis antes do refrão principal” pelos cantos do sertão”, em termos de melodia, foi um dos ponto altos da obra, assim como “o jagunço implorou um lugar no céu/ toda santaria se fez de Bedel”.

Fantasias

Inicialmente a escola apostou em figurinos que vieram trazendo um pouco do sertão para a Sapucaí. Baianas em tom pastel e coloração de palha já caracterizavam o enredo até a chegada do abre-alas. Primeiros setores fizeram uso de uma estética mais rústica, do sertão , porém bem trabalhada e de bom acabamento. Cores de palha em contraste de detalhes em cores mais fortes e muitos acessórios de mão até entrar no segundo setor. A paleta de cores encontra tons mais quentes e rubros a partir do terceiro setor que fala do submundo.Destaque para as maquiagens de rosto mais desenvolvidas em todo o desfile, mas principalmente neste setor.

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A partir do quarto setor nova mudança nas cores e figurinos, tons mais claros e prateados em contraste com azul ajudam a contar o momento que retrata a chegada do cangaceiro ao céu. Dourado também compõe o quarto setor. No último setor que vai valorizar o sertão, o homem sertanejo, os tons voltam para cores quentes. Outro fato a se destacar, foi que Leandro apostou em óculos estilizados com lentes coloridas para compor algumas fantasias como a da bateria, um efeito excelente. No geral, as fantasias foram de um apuro espetacular, volumosas, criativas e a paleta de cores esteve bem casada tanto esteticamente quanto com cada setorização do enredo.

Alegorias e Adereços

Pode-se dizer que este foi o maior conjunto alegórico de Leandro Vieira em tamanho. Carros grandes, mas com o já conhecido traço do artista, esculturas bem detalhadas, ótimo trabalho de cores, e excelente acabamento. Hora o trabalho mais rústico que a temática pedia, hora a criatividade, mas sempre com beleza e excelência de materiais.O conjunto alegórico da Imperatriz para este desfile se constituiu de cinco alegorias e dois elementos cenográficos, sem contar o elemento da comissão de frente.

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O carro abre-alas “Virgulino no Comando” que materializou em seu visual uma invasão praticada pelo bando de Lampião em meio a uma paisagem sertaneja. Dividido em dois chassis e ambientado no semiárido, a alegoria apresentou o verde da caatinga nos adereços que representam a vegetação do mandacaru, enquanto o tom alaranjado do sertão se contratava com esculturas em artigos dourados. Já a segunda alegoria “Dia 28: rebuliço no olhar do mamulengo” retratou a morte do rei do cangaço e como essa notícia se espalhou pelo nordeste.

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O terceiro carro “nos confins do submundo” , uma das melhores que passou nas duas noites e desse conjunto específico, com soluções criativas e bem fidedignas visualmente, apresentou a epopeia de Lampião ao reino das trevas. A quarta alegoria deste carnaval “Um lugar do céu “, apresentando muita da assinatura do carnavalesco Leandro Vieira, com balões coloridos presos ao elemento, e um monomotor retratando o céu, morada dos santos, e a tentativa de impedir o cangaceiro de entrar na morada do santíssimo. Por fim, a última alegoria “o destino do valente” em tons dourados trouxe a coroa da Imperatriz e o rosto do cangaceiro, também enraizado na aparência e vestimenta de Luiz Gonzaga , finalizando o desfile através de signos que celebram Lampião como entidade que habita no imaginário de brasilidades. Nesta alegoria há referências a arte de mestre Vitalino, a musicalidade de Luiz Gonzaga e a literatura de cordel.

Outros destaques

As baianas pisaram na Sapucaí vestidas como típicas cangaceiras. Já a ala de passistas “malícia fogosa” representou a visão do capitão aos confins do submundo, simbolizando o inferno com paródia, algazarra e festividade. A Swing da Leopoldina de mestre Lolo “um diabinho nordestino” apresentou em sua fantasia toda a fama de temido por seus feitos sanguinários que Lampião carregava, em uma fantasia vermelha e espalhafatosa como se caracteriza a moda do cangaço.

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A bateria trouxe uma ala de zabumba e triângulo. Essa ala, junto com a sanfona do carro de som, mestre Lolo e o intérprete Pitty ficaram à frente da bateria junto na bossa de xote e xaxado, nos módulos de julgamento, se destacando na apresentação . A rainha Maria Mariá , em sua estreia à frente dos ritmistas, vestiu o figurino “a diaba quem me dera”. Antes do desfile, João Drumond falou aos componentes que é o melhor carnaval da escola dos últimos 20 anos. Já a presidente Cátia Drummond se esbaldou na frente da escola dançando e cantando muito o samba da escola. O carnavalesco Leandro Vieira, após coordenar a operação de entrada da agremiação na concentração, veio à frente do quarto carro.

Fotos: desfile da Imperatriz no Carnaval 2023

Segundo carro da Imperatriz, “Rebuliço no olho do mamulengo”, representou a morte do bando de Lampião

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Imperatriz02 2Logo em seguida do abre-alas, o segundo carro alegórico da Imperatriz, “Rebuliço no olho do mamulengo”, trouxe a morte de Lampião de forma lúdica ao lado de seu bando na estética do teatro de mamulengos. A alegoria trouxe um olhar carnavalizado ao fim do cangaceiro e é bem colorida. Como destaques, estava a “Mamulengueira explendorosa” e as “Mamulengueiras”.

O carro trouxe esculturas das cabeças de Lampião e seu bando na forma da cultura do teatro de mamulengos. Além disso, a alegoria contava com violões esculpidos, detalhes em verde e xadrez.

Imperatriz03 2Samile Drumond, destaque central de 35 anos, saiu como a “Mamulengueira explendorosa”. Com o enredo de Leandro Vieira, Samile pôde conhecer mais a literatura de cordel.

“Não só o mamulengo, mas representar a Imperatriz, essa história, está sendo uma honra. A gente vai brilhar muito, tenho certeza (…) Não tanto quanto agora, eu já tinha ouvido falar (da literatura de cordel), mas agora a gente mergulhou nesse universo lindo, está todo mundo encantado”, disse Samile.

Karen Ramayane, estudante de enfermagem de 30 anos, desfila na Imperatriz desde os nove. Apesar de ter passado por várias alas da Rainha de Ramos, Karen estreou em um carro alegórico hoje. Nordestina, a componente acha que o carnaval pode ajudar a região ser mais falada.

Imperatriz01 2“Eu acho que é importante a gente falar sobre essas figuras do nosso Nordeste, que não são tão faladas. O carnaval é uma oportunidade de falar da nossa história (…) Eu sou nordestina, moro no Rio há muitos anos. Eu tenho uma base maior, mas hoje através do enredo que a Imperatriz está contando”, falou Karen.

Stephanie Silva Hansen, professora de dança de 25 anos, afirmou que o enredo de Leandro Vieira a ajudou a conhecer mais a cultura do cordel. “É muito importante, porque é algo muito cultural do sertão. É muito importante representar a cultura do sertão na Marquês de Sapucaí (…) Eu conhecia a literatura de cordel por alto, nunca me aprofundei muito não. O enredo me ajudou muito a conhecer, é maravilhoso, muito explicativo”.

Freddy Ferreira analisa a bateria da Vila Isabel no desfile

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A bateria da Unidos de Vila Isabel, sob o comando de mestre Macaco Branco, fez um desfile excelente. Uma conjunção sonora de raro valor foi muito bem produzida. Um ritmo baseado em simplicidade e eficácia, com construção musical privilegiada e plenamente alinhada à melodia do samba-enredo da Vila Isabel.

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A cozinha da bateria exibiu uma musicalidade acima da média. Pautada por uma afinação grave característica da Vila, também foi possível notar a sublime afinação da segunda. Essa definição de timbres muito bem realizada auxiliou marcadores de primeira e segunda a fazerem um desfile marcado por precisão, leveza e equilíbrio. Surdos de terceira, efetuando papel de centrador (marcando) ajudou no ritmo e também em bossas com técnica musical bem apurada. As caixas retas peculiares da Vila Isabel ecoaram de forma maciça, dando plataforma de sustentação sólida para as demais peças da parte de trás do ritmo. Um naipe de tarol suntuoso com expressividade sonora apresentou o toque genuíno, com levada de partido alto, com uma boa definição da batida, contando com uma limpeza digna de exaltação.

Na cabeça da bateria, um trabalho simplesmente precioso foi percebido. Cuícas de qualidade técnica inegável preencheram a sonoridade com coesão. Uma ala de chocalhos ressonante, pelo alto nível musical, ajudou a dar leveza na parte da frente do ritmo da Vila. Um naipe de tamborins pautados por uma educação musical exemplar tocou o desenho rítmico com precisão cirúrgica. Tamborins que, ao invés de “meterem a mão”, optaram por consolidar o ritmo com segurança e equilíbrio sem “largar o braço”.

A bossa do refrão do meio foi pautada pela mescla de pressão e balanço. Graças a poderosa afinação grave, uma constituição refinada foi concebida de forma inspirada. Diversos naipes tocam em conjunto, deixando a musicalidade do referido arranjo poderoso e com uma conversa sonora diferenciada. O detalhe musical mais impressionante são os surdos executando o arranjo, se aproveitando da diferença entre timbres para valorizar ainda mais a sonoridade.

A paradinha que mais teve destaque foi a da segunda do samba, em forma de um ritmo junino chamado de Galope. Uma concepção musical primorosa, que certamente figura entre as mais belas convenções do Carnaval. A construção soberba do arranjo teve também uma execução impecável. A melodia e suas nuances foram acompanhadas de modo magistral pela “Swingueira” nessa bossa. O molho de diversas peças preenchendo a sonoridade ficou destacado, mas o balanço dos surdos foi o diferencial rítmico da convenção. A finalização da paradinha ainda contou com surdos realizando a frase rítmica conforme pede a melodia no trecho “O Rei Momo convidou”. A sensação é que os surdos da Vila Isabel praticamente conversam com quem teve o privilégio de escutar o ritmo de imensa virtude produzido pela bateria da Vila. Uma paradinha refinada e simplesmente sofisticada.

Todas as apresentações em módulos foram soberbas. O segundo módulo contou com certa vibração popular, além de boa receptividade dos julgadores. Um ritmo da Vila Isabel com notável pulsação rítmica, que acompanhou de forma magistral a escola tanto no canto, quanto na dança, dando pressão com balanço. A “Swingueira de Noel” de mestre Macaco Branco, assim como todos os diretores e ritmistas merecem parabéns pelo grande desfile realizado.

‘Espero poder fazer história’, diz Pitty de Menezes após estreia arrebatadora na Imperatriz

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Imperatriz01 1Ocupando o cargo que já foi de grandes nomes Dominguinhos do Estácio e Preto Jóia, Pitty de Menezes fez nesta segunda-feira sua estreia como intérprete da Imperatriz Leopoldinense. Elogiado pela crítica, pelos componentes e comunidade, Pitty diz esperar fazer história na Rainha de Ramos.

Em entrevista ao site CARNAVALESCO, Pitty falou sobre a responsabilidade de estrear em um cargo ocupado por grandes nomes do mundo do samba e em meio ao favoritismo da escola de samba.

Pitty revelou que Dominguinhos do Estácio é sua inspiração e seu maior ídolo como intérprete. Para ele, estrear na Imperatriz ocupando um lugar que foi de dois grandes sambistas torna a responsabilidade ainda mais forte.

“É uma responsabilidade muito grande e uma alegria muito imensa poder fazer parte da família Imperatriz. Dominguinhos do Estácio é o meu grande ídolo. Poder pisar nesse palco sagrado em que ele pisou e foi campeão, assim como o Preto Jóia é uma imensa alegria. Espero poder ajudar a trazer o campeonato para Ramos, porque a nossa Imperatriz Leopoldinense precisa e merece muito”, contou o intérprete.

Ensaios com apoio da comunidade e muita preparação

O intérprete contou como foi o pré-carnaval para essa estreia no carro de som da Certinha de Ramos. Ele destacou que o trabalho hoje foi colocar em prática tudo que foi feito ao longo do ano.

“A preparação foi muito grande. Fonoaudiólogo, aulas de canto e muita preparação com os ensaios – que foram maravilhosos e de grande resposta. Hoje é o dia de brincar e colocar em prática tudo que viemos ensaiando e se preparando”, disse Pitty.

Assim como seu ídolo Dominguinhos e o grande Preto Jóia, Pitty de Menezes revelou esperar poder ter a oportunidade de fazer história na Imperatriz Leopoldinense. Descontraído, ele mandou um recado para a presidente da escola, Cátia Drummond.

“Eu quero ficar na Imperatriz por muitos anos, se assim a presidente Catia permitir. Presidente Cátia, vamos renovar, pelo amor de Deus (risos). Eu espero ficar na Imperatriz uns 30 anos e poder fazer história assim como Preto Jóia e Dominguinhos fizeram pela Imperatriz”, falou o intérprete Pitty de Menezes.

Imperatriz02 1Querido na comunidade, componentes elogiaram o trabalho do intérprete

Para Matheus Souza, gerente de 27 anos e componente da primeira ala da escola de samba, o trabalho que o intérprete veio apresentando não possui erros. Ele acredita que a Imperatriz estava precisando de um nome que tivesse uma conexão com a Rainha de Ramos.

“Sensacional. Acho que a Imperatriz estava precisando há muito tempo de um nome para dar ‘cara’ a escola, para quando você escutar a voz, já saber que quem está cantando é a Imperatriz. É sucesso total, não tem nenhum erro”, comentou Matheus.

Maria das Graças Carvalho, de 54 anos, é baiana da Imperatriz Leopoldinense e desfila na escola desde 2017. Ela falou sobre o grito do intérprete que, segundo ela, levanta a comunidade.

“Maravilhoso. Quando ele solta o grito, a gente canta. Nem precisa ele pedir para cantar, porque cantamos juntos com ele. É realmente maravilhoso, a voz dele nos contagia e tem muita emoção. É uma energia muito boa”, falou a baiana.

“Um dos melhores intérpretes do samba”. Para dona Maria das Graças, Pitty de Menezes tem tudo para ser um dos grandes nomes no cargo.

“É um grande nome para a escola, não só aqui no presente como no futuro também. Acredito que ele vá se colocar como um dos melhores intérpretes do samba e do nosso carnaval carioca. Está tudo maravilhoso. A nossa presidente Cátia também está trabalhando bem e presente na quadra”, falou.

Com a excelência musical de Pitty de Menezes, a Imperatriz Leopoldinense foi a quarta escola a desfilar na Marquês de Sapucaí nesta segunda-feira de carnaval.

Deu nome e entrou na briga pelo título! Vila Isabel faz desfile espetacular recheado do talento e criatividade de Paulo Barros

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A Unidos de Vila realizou um desfile espetacular na noite desta segunda pelo Grupo Especial do carnaval carioca. Contando com toda a criatividade do carnavalesco Paulo Barros, a azul e branca do bairro de Noel entrou na avenida extremamente feliz e se colocou na briga pelo título, muitos foram os destaques positivos, a começar pela apresentação da comissão de frente coreografada por Alex Neoral e Marcio Jahú, que fez os bailarinos flutuarem em plena avenida, a apresentação do casal de mestre-sala e porta-bandeira, Marcinho Siqueira e Cris Caldas arriscou ao promover uma troca de roupas em frente às cabines de julgamento, porém, em todos os módulos a ideia funcionou e serviu para que o público se entregasse. A comunicação com as arquibancadas foi incrível, a cada alegoria que entrava na Sapucaí, as pessoas paravam para admirar e observar a beleza e os truques, marca registrada de Paulo Barros. Aliás, o conjunto visual foi um dos melhores já desenvolvidos por Paulo em toda a sua carreira, ele derramou sobre a Vila todo o seu talento e bom gosto, a escola saiu da avenida com gritos de ‘é campeã’, e o carnavalesco, que teve sua contração contestada no pré-carnaval, foi aclamado. * VEJA AQUI FOTOS DO DESFILE

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Apresentando o enredo “Nessa Festa, Eu Levo Fé!”, assinado pelo carnavalesco Paulo Barros, a azul e branca do bairro de Noel levou para a avenida as festas religiosas espalhadas pelo Brasil, foi um passeio pela cultura festiva da Grécia antiga representada pelo Deus Baco, passando por festas no mundo todo, festas típicas do Brasil, as celebrações do dia dos mortos, até finalmente aportar no carnaval. A escola foi a terceira a cruzar a passarela do samba na segunda noite de desfiles do Grupo Especial. A escola terminou sua apresentação com 70 minutos.

LEIA ABAIXO MATÉRIAS ESPECIAIS DO DESFILE
* Paulo Barros volta para Vila e encanta componentes com a beleza de fantasias e alegorias
* Passistas da Vila Isabel foram noivos e noivas em celebração a Santo Antônio
* Carro da Vila celebra o Dia dos Mortos mexicano com muita cor e empolgação dos componentes
* Salve São Jorge! Festa do santo guerreiro é o tema do terceiro carro da Vila Isabel
* Última alegoria da Vila Isabel exalta o carnaval e traz o Rei Momo em veículo que descia até a pista
* Baianas de Vila Isabel simbolizaram a lavagem das escadarias da Igreja do Bonfim

Comissão de Frente

A comissão de frente coreografada Alex Neoral e Marcio Jahú abordou a origem mitológica do carnaval através da lenda do Deus Baco, os componentes estavam fantasiados de ninfas e sátiros, em fantasias extremamente bem confeccionadas. A coreografia representou o êxtase provocado pelo vinho, um estado da alma em que os sentidos se desprendem das coisas materiais, um prazer capaz de conduzir os seres à inspiração absoluta, de tirá-los do chão e aproximá-los da divindade a quem cultuam.

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Os coreógrafos optaram pelo uso de um elemento cênico, de dentro dele, saiu um palco que utilizado para apresentação aos jurado, ele se abriu em cinco partes e as ninfas flutuaram pela avenida, o truque foi observado com empolgação e curiosidade pelo público, ao final da apresentação, Baco se transforma e em Rei momo, outro momento de muita empolgação. No geral, a comissão se apresentou de forma clara, leve e irônica, o enredo foi contado com maestria e a surpresa funcionou muito bem, a apresentação impulsionou o início do desfile da azul e branca.

Mestre-sala e Porta-bandeira

A dupla Marcinho Siqueira e Cris Caldas vai para o segundo carnaval defendendo o pavilhão da Vila e possivelmente realizaram um dos desfiles mais desafiantes de suas carreiras, eles trocaram de roupa na frente da cabine de jurados, a transformação causou um efeito poucas vezes vistos na avenida, com vestes simples no início representando o povo humilde, em poucos segundos eles colocaram o figurino e deram lugar a realeza, nesse momento, o público vibrou com muita intensidade.

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O que poderia ser um risco para a apresentação deles, parece ter servido de combustível para uma das maiores apresentações que já realizaram, o entrosamento entre os dois é nítido, visto que apenas com o olhar se entendem. A intensidade da dança impressionou, assim como os giros de Cris que foram muito rápidos e precisos, a bandeira em todo o mundo se manteve desfraldada, o desempenho de Marcinho também merece elogios, ele riscou o chão da Sapucaí sempre com um sorriso no rosto.

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Harmonia

Um show da escola de ponta a ponta, o desempenho do intérprete e de carro de som foi excepcional, a união entre o canto dos componentes, a forma que se entrosou com o ritmo da bateria e a entonação do intérprete foi um dos pontos altos do desfile, a comunicação com o público também foi assertiva, o que parece ter impulsionado ainda mais os componentes. A bateria Swingueira de Noel fez mais uma exibição de alto nível, a escola de Noel brincou o carnaval e saiu da avenida da mesma forma que entrou, cantando com muita garra.

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Enredo

De volta à Vila Isabel, o carnavalesco Paulo Barros foi o responsável por desenvolver o enredo “Nessa Festa, eu levo fé”, inspirada pelas comemorações divinas e populares espalhadas ao redor do mundo, a Vila Isabel convidou a todos para esse passeio. O desfile foi dividido em cinco setores e passou com clareza o tema.

O primeiro setor, denominado “Quem nos ensinou a festejar… Foram os deuses milenares!” Começou o desfile mostrando o Deus Grego Baco, o setor também mostrou festivais em homenagem a outros deuses. O segundo setor, “Tem protetor e padroeiro no mundo inteiro”, mostrou as festas da fé, com destaque para São Jorge.

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No terceiro setor as festas brasileiras foram as grandes protagonistas, festas juninas, Caprichoso e Garantido, Iemanjá, todas as festas relacionadas ao Brasil estiveram presentes. O quarto setor, denominado “A morte é uma festa”, levou para a avenida celebração dos povos em torno da morte. A escola encerrou seu passeio com o setor “Carnaval: nessa festa, eu levo fé!”, a viagem pelos carnavais de Veneza, blocos de rua e uma homenagem às escolas de samba encerrou o desfile.

Evolução

Os 2600 componentes que desfilaram pela escola deram um show de evolução. Foi um desfile desfile quase perfeito nesse quesito, tirando um pequeno espaço deixado pelo último carro em frente a primeira cabine de jurados, a Vila passou pela avenida com muita desenvoltura e organização, as alas, em sua totalidade estavam muito compactas, os ensaios realizados no Boulevard 28 de setembro pôde ser visto no desfile. O enredo da Vila promovia uma grande festa, e foi justamente o que a Vila fez na avenida, a escola se divertiu na avenida e encantou do início ao fim.

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Samba-Enredo

O samba-enredo composto por Dinny da Vila, Kleber Cassino, Mano 10, Doc Santana e Marcos foi a obra que a comunidade queria desde o início da disputa, a prova disso foi a forma que eles cantaram. De melodia e letra simples, o samba tem características que fizeram com que ele fosse cantado com muita força, porém, a segunda parte gerava uma explosão maior, com destaque para a parte “Pulei fogueira, anarriê no arraiá brinquei”, a explosão vista nesta parte continuou com o refrão principal e o “Evoé Evoé” logo caiu nas graças do público.

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Alegorias e Adereços

A Unidos de Vila Isabel levou para a avenida um conjunto alegórico com todas as características marcantes do carnavalesco Paulo Barros, muito inspirado, Paulo presenteou o público com um conjunto de alegorias de muita criatividade, apuro estético e claro, trajes e surpresas, primando pelo acabamento e com efeitos especiais, as alegorias contaram o enredo com maestria. No total, foram 6 alegorias, uma delas acoplada, além de 2 tripés, e um elemento cenográfico da comissão de frente.

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À frente da Escola, Martinho da Vila desfilou em um Pede-Passagem, ornamentado por uma composição de coroas, símbolo da Unidos de Vila Isabel e com elementos de algumas das mais importantes festividades religiosas que iriam ser retratadas na Sapucaí. O abre-alas, “Culto ao Baco na Roma Antiga”, encenou as homenagens para o deus do vinho, que representava uma transgressão às separações sociais, pois as pessoas gozavam de maiores liberdades, unidas pelo êxtase e pelo entusiasmo de festejar. Predominante branco, o carro jorrou vinho pela Sapucaí, o efeito funcionou por toda a avenida, um detalhe na traseira da alegoria, que passou com um pano cobrindo o que parecia ser o moto do carro pode tirar pontos.

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O carro dois, “Festival das lanternas”, mostrou o festival criado no período da Dinastia Han, que encerra as comemorações do Ano Novo Chinês, a riqueza de detalhes e o acabamento promoção foram marcas desse carro, em alguns momentos, o grupo de dragões descia e interagia com a ala da frente. O terceiro carro, “Festas de São Jorge”, levou as festas e a imagem de São Jorge reluzindo em metal, para evidenciar a proteção rogada em sua oração, essa talvez seja a alegoria mais bonita que passou pela avenida neste carnaval, as esculturas vazadas causaram um efeito incrível.

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Logo depois, a alegoria “Festival de Parintins”, apresentou a manifestação cultural do Norte do Brasil, que gira em torno da competição entre os bois: Garantido, o vermelho e o branco, e Caprichoso, o preto e o azul. O tripé “A caminho de Valhala”, reproduziu uma embarcação viking que faz parte do Festival do Fogo, a sensação causada era de que o elemento realmente estava sendo incendiado. O quinto carro, “Dia dos Mortos”, embarcou para o México e mostrou os cultos praticados pelos astecas, que, em homenagem aos mortos, conservavam seus crânios e os exibiam para celebrar o ciclo da vida e o renascimento. A Vila encerrou seu desfile com o carnaval, a morada do Rei Momo. O carro apostou em elementos típicos da folia, como a presença do Rei Momo que em alguns momentos descia a rampa em um carro e passeava pela ala da frente. Sem dúvidas, foi um dos melhores trabalhos plásticos de Paulo Barros, criticado em anos anteriores, ele mostrou todo seu talento neste desfile.

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Fantasias

O conjunto de fantasias apresentado pela azul e branca seguiu o conjunto visual das alegorias, as fantasias impressionaram pela facilidade de leitura e pelo uso de materiais requintados, em sua totalidade, os figurinos estavam muito bem acabados. Paulo tem por característica a inventividade, esse ano, porém, ele aliou sua criatividade com o tradicional, o resultado foram fantasias volumosas, com costeiros bem trabalhados e muitos adereços de mão, o uso das cores também foi um dos pontos altos do conjunto, o azul, marca registrada da agremiação, esteve presente, mas o desfile foi extremamente colorido. A ala das baianas representou uma das maiores manifestações religiosas populares da Bahia, a lavagem das escadarias da Igreja do Senhor do Bonfim, o figurino foi um dos melhores que passaram pela avenida neste ano.

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Outros Destaques

A presença de Sabrina Sato é sempre um acontecimento, esse ano, a rainha de bateria da Swingueira de Noel representou as festas juninas, ela levantou a Sapucaí sua alegria contagiante. O carnavalesco Paulo desfilou no final da escola, muito feliz, ele recebeu muitos aplausos do público.