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Por iniciativa da Subprefeitura da Zona Norte e do Shopping Madureira, bateria da Portela é homenageada

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O fim de semana foi de festa e de alegria coma realização do Madu Festival, mais um evento que levou entretenimento e cultura para a população de Madureira e região. A Subprefeitura da Zona Norte apoiou o evento realizado no Madureira Shopping.

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Foto: Divulgação

“O Madu Festival se encaixa no nosso planejamento de promover a economia local através da cultura e da arte. Isso é bom pra auto-estima da nossa região e gera renda para a nossa gente”, afirmou o subprefeito Diego Vaz.

No domingo, o subprefeito foi homenageado pelos serviços prestados à região. Ele novamente ressaltou uma das diretrizes de seu trabalho: a de promover a região através da cultura.

“Já fazemos isso com as rodas de samba, com as festas juninas e seguiremos fazendo com todas as manifestações culturais que nascem e crescem na Zona Norte. A cultura é o que determina a identidade de um povo”, afirmou.

A escola de samba Portela também foi homenageada. O troféu foi entregue ao diretor de bateria, Mestre Nilo Sérgio, pelas mãos do subprefeito. A agremiação de Oswaldo Cruz, que completou recentemente 100 anos, foi reverenciada por iniciativa da subprefeitura e do Shopping Madureira.

O subprefeito também é ritmista da agremiação e se mostrou feliz em ser o escolhido a prestar essa reverência à azul e branco de Oswaldo Cruz.

“A Portela é uma das maiores representações culturais do país. Todas as homenagens a ela ainda serão poucas. Só tenho a agradecer à organização do Madu Festival por ter me dado a chance de entregar esse merecido prêmio à bateria da escola”, finalizou.

Louzada sobre início na Tijuca: ‘Nunca tive uma recepção tão carinhosa’

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A Unidos da Tijuca quer resgatar seu protagonismo no Grupo Especial do Rio de Janeiro, afinal, desde 2016 não consegue voltar no desfile das campeãs. Para o ano que vem, a escola do Borel levará para Marquês de Sapucaí o enredo ‘O Conto de Fados’, que será desenvolvido pelo carnavalesco Alexandre Louzada. Ele foi o tema escolhido pela agremiação tijucana, sendo esse um enredo que retrata uma viagem a uma Portugal mítica e mística, valorizando as lendas populares do país.

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Foto: Isabelly Luz/CARNAVALESCO

“Em 39 anos de carreira, eu nunca tive uma recepção tão carinhosa, e eu nem falo só por hoje, mas sim por todo o carinho que venho recebendo desde que fui anunciado pela escola. Os tijucanos são muito apaixonados pela Tijuca, isso tem me emocionado bastante, sinto que posso contar com a comunidade no que eu precisar daqui para frente”, disse.

Quando perguntado sobre o surgimento do enredo, revelou que sempre sonhou em realizá-lo justamente na Unidos da Tijuca, levando em consideração a aliança da escola com Portugal, concebida pela herança do presidente Fernando Horta.

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“Eu sou descendente de europeus também, sempre me interessei por histórias diferentes. Esse carnaval vai ser para mim um retorno do meu caminhar como carnavalesco, podendo mais uma vez ser um verdadeiro contador de histórias. A diferença é que dessa vez eu tenho me colocado bastante por trás dos bastidores, pois quem vai contar essa história será a comunidade do Borel”.

Carnavalesco do Vai-Vai afirma identificação da escola com o enredo do Carnaval 2024: ‘É de rua e do povo’

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De volta ao Grupo Especial em 2024, o Vai-Vai levará para o Anhembi o enredo “Capítulo 4, Versículo 3 – Da Rua e do Povo, o Hip Hop: Um Manifesto Paulistano”, com assinatura do carnavalesco Sidney França. De fato, é um tema que tem a cara da comunidade. O Vai-Vai é uma escola formada historicamente nas ruas e tem todo o potencial e direito de viajar por esse meio.

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Almejando resultados maiores

Após o acesso em 2020, a volta para o Grupo Especial em 2022 foi marcada pelo fato de o Vai-Vai ter feito um carnaval ‘barato’ com o intuito de se manter. A estratégia era declarada. Porém, desta vez, o presidente Clarício Gonçalves prometeu um desfile maior nessa volta à elite do carnaval paulistano.

“Sobre esse enredo, a gente realmente tem que fazer algo que tem a ver com a cara da escola. Após uma pesquisa legal, a única cultura que não foi dita acabou sendo a do hip-hop. Tinha opções de outros enredos, sendo dois patrocinados e esse. Graças a Deus eu contratei um profissional que às vezes o dinheiro não é tudo. Eu joguei na mão dele e ele acertou a ideia que a gente queria. Estamos prontos, querendo trabalhar e esse é o nosso caminho. Respeitando as coirmãs, com os pés no chão para tentar chegar ficar entre as três no próximo carnaval e quem sabe o título”, declarou.

presidente vaivai

Segundo o presidente, o hino para o próximo desfile será escolhido em formato de eliminatórias. “Vamos fazer eliminatórias em um processo normal. Vai ser tudo aberto. Com esse enredo nós temos que ter um samba pancada e por isso que nós vamos abrir e começar as eliminatórias o mais rápido que se possa imaginar”, completou.

Elaboração do enredo e a crítica social

O carnavalesco Sidney França esteve presente no desfile do Vai-Vai de 2023. Porém, esta situação será diferente, pois agora ele assinará como carnavalesco oficial da entidade.

“Em 2023 eu estive na escola de outra maneira, mas é diferente conduzir o Vai-Vai no Grupo Especial, ver que sua escola se reencontra com sua vocação e vanguarda. O pessoal está gostando da ideia do enredo, até porque o Vai-Vai é uma escola de rua e do povo. Falar do hip-hop é falar disso e também de uma expressão cultural colocada à elite social da sociedade de São Paulo”, disse.

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O artista se encontrou totalmente com o enredo. De acordo com França, o tema era pensado pelo próprio, além de uma vontade da escola também. As ideias casaram e nasceu essa homenagem ao hip-hop. “É interessante falar desse enredo, porque eu sempre tive a intenção de falar da rua e do hip-hop. Eu cheguei no Vai-Vai e eles também queriam. E aí cruzou, se encontrou as coisas e tem sido um encontro muito feliz. Estou até emocionado. É a minha história e essa escola forjada na rua que é o Vai-Vai e que vêm buscando se reencontrar. A gente vai conseguir pôr onde ela merece”, comentou.

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Segundo Sidney, além das homenagens e representatividade, o enredo também tem um teor crítico. “O que eu reparei nos rostos das pessoas é que algumas pessoas ficaram assustadas, porque o carnaval de São Paulo desaprendeu a criticar o sistema. E aí o Vai-Vai volta com essa vocação da escola de samba como uma embaixada popular do povo preto para colocar o dedo na ferida”, finalizou.

Reconhecimento da área

Um dos maiores nomes do movimento rap e hip-hop, Thaíde, comentou sobre a tal união entre os dois estilos musicais, sobretudo dentro do carnaval. “A primeira vez que eu ouvi sobre a possibilidade de ter rap com o Vai-Vai, escola de samba ou carnaval, eu me perguntei se iria dar certo. E deu muito certo. Dessa vez, não fiquei tão surpreso. Mas é a primeira vez que o Vai-Vai ou uma escola de samba falarão exclusivamente sobre a cultura hip hop. Isso sim é algo surpreendente. Eu esperava que iria acontecer, mas não tão cedo. Quanto a isso, de fato, estou surpreso até agora. Eu fico muito feliz em ver esse sincretismo, já que toda a mistura que vemos nos desfiles e nas escolas de sambas em geral (que, inclusive, é uma das coisas que eu mais gosto, porque mostra a resistência da religião e da cultura), a gente também tem no hip hop. A minha primeira música, inclusive, diz ‘me atira uma pedra que eu te atiro uma granada, sou filho de Ogum e Iemanjá’, nós nunca deixamos o nosso sincretismo de lado. Juntar um com o outro é perfeito, é unir o útil ao agradável”.

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Por ser músico, o cantor também falou do provável sucesso que a comunidade do Bixiga terá como samba-enredo. “Quem faz e desenvolve o samba-enredo e quem desenvolve o carnaval do Vai-Vai tem toda a competência pra fazer as pessoas cantarem o refrão e desenvolver um ótimo desfile. Eu não sou a pessoa mais indicada para falar como vai ser, porque são os carnavalescos que têm a manha de fazer a coisa, os compositores é que sabem cantar aquela história detalhadamente. Acredito muito na competência deles. Se depender disso, vamos ter todo mundo cantando o refrão do Vai-Vai. É o hip hop na veia de todo mundo, pode ter certeza”, completou.

Unidos de Padre Miguel convoca compositores para entrega de sinopse

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A Unidos de Padre Miguel convida os compositores que queiram participar de sua disputa de samba para uma reunião na quadra da escola na próxima quinta-feira, 25 de maio, às 20h.

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Na ocasião, os carnavalescos Edson Pereira e Lucas Milato farão a entrega e a leitura da sinopse do enredo “O Redentor do Sertão”, tema que o Boi Vermelho levará para a Sapucaí em 2024.

Vale lembrar que a disputa de samba-enredo na UPM é totalmente aberta a qualquer compositor, mesmo sem vínculo com a ala.

Império Serrano celebra os 82 anos de Beto Sem Braço com roda de samba e inauguração na quarta-feira

A próxima quarta-feira será extremamente especial para a família imperiana. Além de aniversário do bairro de Madureira, a data marca os 82 anos do nascimento de Beto Sem Braço, autor de clássicos como “Bum Bum Paticumbum Prugurundum” e “Mãe baiana mãe”. E para festejar, a quadra do Império do Serrano vai receber uma super roda de samba, a partir das 19h, com a inauguração do busto do compositor, falecido em 1993. Tudo com entrada franca.

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O presidente Flávio França destaca a importância de exaltar os grandes bambas da escola. Segundo ele, a inauguração do busto de Beto Sem Braço eterniza o legado do compositor para o Império Serrano, servindo como inspiração ainda maior para os mais novos.

“O Beto Sem Braço é um grande compositor da música brasileira e, sobretudo, do Império Serrano. É fundamental homenagearmos esses personagens que construíram a rica história da nossa escola. Nada melhor do que fazermos isso para um dos grandes poetas imperianos, com samba, no dia do seu aniversário e no do bairro de Madureira. Estão todos mais do que convidados para uma quarta-feira que será marcante”, afirma o presidente.

A roda de samba em homenagem a Beto Sem Braço será comandada por Arifan Junior. A quadra do Reizinho de Madureira, localizada na Edgard Romero – nº 114, vai estar aberta a partir das 17h.

Cahe Rodrigues festeja Estrela do Carnaval para conjunto de alegorias e fantasias da União da Ilha e projeta enredo de 2024: ‘comunidade se identifica’

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Artista responsável pelo desfile da União da Ilha em 2023, Cahe Rodrigues festejou a premiação do Estrela do Carnaval da Série Ouro, oferecido pelo site CARNAVALESCO, na categoria “Melhor Conjunto de Alegorias e Fantasias”.

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Foto: Nelson Malfacini/Site CARNAVALESCO

“Me sinto honrado. Respeito muito o trabalho do site CARNAVALESCO e, para mim, é uma alegria enorme receber esse prêmio. Só quem viveu sabe o quanto foi difícil esse último Carnaval. A Ilha se preparou muito, mas é claro que não só a Ilha. Todas as escolas da Série Ouro enfrentaram muitas dificuldades. Então, poder ser agraciado com o prêmio de melhor conjunto alegórico e de fantasia, é um orgulho muito grande para mim como artista e para toda uma comunidade que lutou pra fazer o desfile da Ilha com muita dignidade. Foi um desfile muito especial, uma homenagem à madrinha centenária. Passamos por diversas dificuldades ao longo do processo, mas a comunidade acreditou, se jogou, fez tudo para que o desfile acontecesse”, disse.

Para o desfile do ano que vem, a União da Ilha levará para Avenida o enredo “Doum e Amora: crianças para transformar o mundo”. Em entrevista ao CARNAVALESCO, Cahe Rodrigues disse que já tinha esboço do enredo, mas a ficha caiu quando encontrou o livro “Amoras”, do cantor e escritor Emicida. * LEIA AQUI A SINOPSE DO ENREDO

“Eu já tinha um projeto esboçado de um enredo sobre crianças que transformam o mundo. Só que quando deparei com a obra do Emicida, o livro ‘Amoras’, vi que era o que faltava. Foi a oportunidade de juntar o tema infantil, que a Ilha tanto gosta, com uma pegada afro. É um enredo antirracista, que vai tocar em pautas importantes, mas com olhar infantil. É a criança que educa, é a criança que transforma. A gente pega Doum, que é a criança que não veio, é um ser espiritualizado, ele se materializa na Terra e encontra Amora, que é uma personagem inspirada no livro do Emicida e representa milhares de meninas de comunidade. Juntos, eles saem pra transformar a mente ignorante dos racistas espalhados no mundo. É um enredo educacional, que a gente vai ensinar. É um enredo necessário. E ele tem esse abraço dessa obra do Emicida, que é muito importante. Eu queria tocar na ferida com um olhar transformador. Nada melhor do que uma criança para transformar”.

Cahe afirmou que era um pedido da comunidade insulana a temática infantil no desfile do ano que vem.

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“A comunidade se identifica. Eles pediam muito por isso. Mas este enredo será totalmente diferente de outros já feitos pela escola, como o ‘Brinquedo e Brincadeira’. A Ilha está na Série Ouro, a verba é menor, o conceito e a mensagem são diferentes. Nós temos uma responsabilidade muito grande com esse enredo. A questão infantil está muito presente, afinal, é um conto, a mensagem que queremos passar é levada através dos olhos de uma criança. Eu e minha equipe criativa temos a missão de transformar esse conteúdo antirracista, educacional, em plástica, em fantasia, em alegoria. É fazer com que todo esse entendimento, que ficou muito claro na sinopse, a gente consiga levar isso pra Avenida”.

O artista prometou que a parte plástica da União da Ilha terá algo inédito.

“Vou fugir de tudo aquilo que já fiz. A Ilha precisa desse desafio e eu preciso também apresentar uma coisa nova. Este enredo possibilita uma prática diferenciada. Por mais que eu já tenha feito uma África pop na Imperatriz, com o ‘Axé Nkenda’, acho que o Doum e a Amora vão me permitir fazer algo singular, totalmente fora do lugar comum. Além de uma África infantil, será uma África educacional. O enredo tem uma mensagem muito forte, portanto não posso me preocupar só com a estética. Eu tenho que me preocupar com a mensagem que esse tema leva para as pessoas. É claro que tem uma africanidade, uma religiosidade presente. A plenitude estará muito presente e o infantil também. O desafio vai ser encontrar dentro de todos esses segmentos a mensagem que a gente precisa levar”.

‘Casal Segredo’ celebra Comissão de Frente de 2010 da Unidos da Tijuca ter sido eleita a melhor dos 15 anos do Estrela do Carnaval

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O prêmio Estrela do Carnaval, oferecido pelo site CARNAVALESCO, completou 15 edições em 2023. Para celebrar a data foi aberta votação popular e o público escolheu os melhores. Na Comissão de Frente, a Unidos da Tijuca de 2010 foi eleita a vencedora. Os coreógrafos Priscilla Mota e Rodrigo Negri, conhecidos como o “casal segredo”, festejaram a premiação.

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Foto: Nelson Malfacini/Site CARNAVALESCO

“Olha, é tudo uma loucura. Fazem 13 anos que o segredo aconteceu e realmente marcou a nossa vida e trajetória. Foi uma virada em nossa carreira, e é gratificante saber que ainda hoje se fala disso e ainda é uma comissão comemorada. Ela marcou não só a nossa vida, mas a vida de muita gente. Muitas pessoas se lembram onde estavam, onde assistiram. Até hoje ouvimos esses relatos. É gratificante demais e é a certeza de que tudo deu certo. Nem sabíamos se a gente sabia fazer carnaval naquela época e, de lá para cá, a gente aprendeu bastante e também evoluímos como profissionais. Essa lembrancinha do segredo sempre vai ser muito especial para a gente”, disse Priscilla.

“Isso significa muito. Eu acabei de ouvir um relato de um menino que chegou e falou sobre a importância do ‘segredo’ na vida dele, e como isso despertou essa paixão pelo carnaval. Isso, para nós, é o mais importante – mais até que o trabalho, é o legado. A gente está muito feliz por até hoje a comissão do segredo ser falada e comemorada. Como a Pri falou, foi um divisor de águas nas nossas vidas, abriu muitas portas. Estou feliz, porque até hoje colhemos esses frutos”, completou Rodrigo.

Independente Tricolor apresenta enredo afro que homenageará ‘Agojies’, único exército feminino

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A Independente Tricolor apresentou na noite do último sábado seu enredo para o carnaval de 2024: ‘Agojie, A Lâmina da liberdade!’, ou seja, homenageará o único exército feminino, que surgiu na África, defendendo o reino de Daomé.

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Fotos: Fábio Martins/CARNAVALESCO

Com uma apresentação envolvendo membros da comissão de frente, a Independente apresentou um vídeo no telão com cenas do filme ‘A Mulher Rei’, com atuação da Viola Davis, e ao mesmo tempo no chão ocorreu uma coreografia dos integrantes do quesito. Mulheres entraram e ficaram em uma posição ao centro da quadra durante boa parte da apresentação de 15 minutos. Enquanto outros membros em duas fileiras com velas, caminhavam e cercavam as mulheres fazendo uma espécie de um ritual, por fim dançaram juntos com as mulheres sempre sendo o centro de atenção. Cena marcante no final, uma criança levantando uma espada coreográfica e arrancando aplausos da comunidade.

Carnavalesco explica o enredo

A Independente Tricolor não tem o hábito de cantar um enredo afro, segundo a própria agremiação, será apenas o segundo em sua história, o outro foi em 2015 com “Bravos à Luta”. O carnavalesco Amauri Santos, que vai para o terceiro carnaval seguido na escola da Zona Norte de São Paulo, contou para o CARNAVALESCO sobre a ideia do enredo e como ele surgiu.

IndependenteTricolor et CarnavalescoAmauriSantos

“O presidente (Batata) me fez um pedido de um enredo africano para minha surpresa, se é que existe perfil para escola de samba não seria muito o perfil da Independente. Mas para minha surpresa, ele pediu, caí na pesquisa, apresentei alguns enredos para ele e curtiu esse. Na verdade, encontrei as guerreiras africanas as Agojies, e fui buscar um pouco mais, na ancestralidade, passando pelas mães feiticeiras, passei pelas candaces que foram as rainhas guerreiras, essas mulheres que lutaram também pelo seu povo e as Agojies não foram diferentes. Essas Amazonas de Daomé, chamadas, chego até um pouco as mulheres de hoje, fazendo uma homenagem para essas mulheres também guerreiras, mulheres pretas que estão se empoderando e mostrando sua força, buscando sua liberdade. E tentar deixar uma mensagem de futuro que a gente precisa desse olhar para o passado para chegar ao futuro, então nosso enredo é falando de mulheres aguerridas, mulheres pretas, mulheres que lutam pela sua liberdade”.

Aposta ‘diferente’, mas aprovada pela agremiação

Danilo Zamboni é um dos fundadores da Independente Tricolor, e presidente do Conselho, é quem costuma falar representando a diretoria no palco. Após a divulgação do enredo para a comunidade, conversou com o site CARNAVALESCO e mostrou satisfação com tudo que foi realizado.

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“Estamos muito felizes. Foi uma escolha do nosso presidente junto com diretoria, carnavalesco e diretora de carnaval. É importante, a Independente mostrar a força da mulher, a mulher preta, guerreira, ‘Agojie, A Lâmina da liberdade!’, a Independente vem muito forte, é um enredo forte. Vem com um samba forte, e nossa comunidade aceitou, vai defender muito esse samba no carnaval 2024”.

Assim como mostrou confiança, o carnavalesco Amauri Santos: “Na verdade é mais um desafio, mas também um momento da Independente mostrar que é grande, gigante, e pode ser versátil, não ficar preso a um perfil de enredo. Mostrar sua versatilidade, e para mim será mais um desafio, topei e vamos embora”.

Momento da Independente e valorização das mulheres

Buscando um enredo diferente do que vem apresentando, a Independente encontrou uma história que valoriza as mulheres, e a ideia é justamente trazer isso, juntar as mulheres guerreiras dos tempos das Amazonas de Daomé e trazer para o atual. Assim, Zamboni analisou como um bom momento para o enredo.

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“Esse momento é especial para nossa escola. Pois já passamos por tudo que possamos imaginar em relação a problemas e também a vitórias. É uma escola relativamente jovem perante as demais e já superou tudo. Então nada melhor que neste momento vir com um enredo de guerreiras, de mulheres guerreiras, uma homenagem a mulher, acima de tudo de tudo a mulher. E também a mãe África, e temos todo um trabalho pela frente, a responsabilidade quando começarem a divulgação do samba, dos ensaios, de levar o projeto de 2024 que já é uma realidade. E o importante é que nossa escola está feliz, e motivada. Aqui as pessoas são apaixonadas, é uma escola diferenciada, não é melhor ou pior, mas ela é diferente. As pessoas aqui vestem a camisa mesmo, elas se emocionam, defendem a escola mesmo, respeitamos todos os pavilhões, não só do Especial, mas do Acesso, da UESP, que é importante ressaltar, que todas começaram na UESP”.

Enquanto o carnavalesco Amauri revelou que tem projeto bem encaminhado: “Já tenho um enredo todo montado. Toda montagem de enredo, samba alinhado, já já saindo do forno, como um grande samba, para mim um dos melhores sambas que já trabalhei, espero que seja, se der tudo certo. É encomendado, a escola tem tradição de fazer samba encomendando, já estamos fazendo piloto de fantasia, com a intenção de antes de terminar os pilotos, o presidente já quer começar a reprodução. Quer mostrar um belíssimo carnaval, aguerrido também, forte”.

Samba-enredo já encaminhado

A Independente segue o estilo de sambas já prontos e a promessa é que está bem encaminhado para ser apresentado em breve para a comunidade. Vale ressaltar que houve uma mudança na ala musical, Pê Santana deixou o carro de som, e Chitão estreou oficialmente neste sábado, em sua chegada já conversou com o site CARNAVALESCO.

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“Samba muito bom, está praticamente pronto. Vai ser encomendado mais uma vez, a gente está marcando a gravação, o pouco que escutei, parece que o compositor fez para mim sabe? É um samba que tem minha cara, samba alegre, para frente, e tem tudo para dar um espetáculo, vem para brigar pelo título e podem esperar isso”.

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Explicando a escolha da comunidade nos últimos tempos, Danilo Zamboni contou: “Normalmente, isso é uma coisa acordada com o presidente, é uma escolha dele junto com a diretoria, tem dado certo. E o que está dando certo, a gente não mexe, procura manter e melhorar. Estamos em um aprendizado constante como da vida, do carnaval, e isso tem dado certo, assim damos sequência. Agradecemos muito ao carnavalesco que está presente e cobrindo mais um evento nosso, fazendo esse trabalho importante a cultura e ao carnaval de São Paulo”.

Tucuruvi faz explanação de enredo e apresenta reforços para o Carnaval 2024

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O Acadêmicos do Tucuruvi apresentou na noite da última sexta-feira o seu elenco e fez a explanação do enredo para a imprensa, diretores e convidados presentes no barracão da agremiação dentro da Fábrica do Samba. Sobre o tema “Ifá”, a escola irá fazer algo diferente do que é de costume em seus carnavais, pois não é de característica do Tucuruvi adentrar no mundo das religiões. É uma proposta que sai do eixo, mas que está sendo abraçada pela comunidade. Os artistas Dione Leite e Yago Duarte conversaram com o CARNAVALESCO e explicaram um pouco sobre o tema e as situações que levaram a agremiação chegar nesse consenso para 2024.

Perspectiva de enredo com os carnavalescos

“Ifá fala de caráter, do interior e de evolução espiritual. É uma ciência que está relacionada à matemática, tecnologia, arte. São muitos saberes, preceitos e tradições que vem da nossa mãe África para o início de tudo que a gente conhece de matriz africana. Ifá é o começo de tudo”, disse Yago.

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Dione e Yago, os artistas responsáveis pelo desfile do Tucuruvi em 2024

“Quando se fala de Ifá e Exú quando não se tem o conhecimento para buscar informação, a gente descobre que não há um sem o outro, porque é primordial. Exú é quem comunica. Ele é a base para que a gente possa ter essa história contada. Como Exú é a comunicação, se torna o prólogo do nosso enredo. É aquele que vem contar para nós sobre Ifá. Ele pede licença para contar sobre o seu melhor amigo. Por isso ele é tão presente aqui, nas nossas casas e nossas vidas. Tucuruvi têm os caminhos abertos e, agora, com Ifá junto de Exú, vem um ano incrível”, completou Dione.

Como dito anteriormente, a escola da Cantareira não é acostumada a entrar no mérito religioso. Ciente disso, os carnavalescos comentaram sobre a proposta para 2024. “O Tucuruvi está em uma mudança de mentalidade e isso não vem só de dentro da própria comunidade, mas sim dentro da escola. O que ela quer falar para o Anhembi e para o público. Afinal, as escolas de samba são veículos de informação muito importantes através das artes. A gente fala de um enredo tão profundo de matriz africana e que não é a identidade da escola, isso na verdade é um caminho que estava se tomando. No desfile de Bezerra da Silva nós abordamos religiosidade no segundo setor”, declarou Yago

“É realmente a primeira vez. O Tucuruvi já falou de uma África geográfica. Tem outra curiosidade também: Eu esperei muitos anos para fazer um enredo africano religioso. Esse carnaval é a primeira oportunidade para isso. Graças a Exú estamos crescendo juntos. Tem sido incrível e é renovador”, finalizou Dione.

Novo reforço na comissão de frente

Tucuruvi também tem um estreante na comissão de frente. Trata-se do coreógrafo Renan Banov, que fez um longo trabalho na Unidos de Vila Maria. Após 10 anos na verde, azul e branco da Zona Norte, o dançarino chega à Cantareira para fazer parte do novo projeto que a escola está desenvolvendo. “Foram 10 anos de Vila Maria e agora estou aqui no Acadêmicos do Tucuruvi. Eu fui recebido de peito aberto pela comunidade e pretendo fazer o melhor trabalho. Temos muitas surpresas, vamos trabalhar com muita humildade que nada supera isso”, declarou Renan Banov.

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Coreógrafo Renan Banov, responsável pela comissão de frente

Uma nova identidade no desfile

O vice-presidente e diretor de carnaval da escola, Rodrigo Delduque, enalteceu o enredo e, segundo ele, era uma vontade da comunidade. “Nós temos um enredo diferente mesmo, porque não será só afro. Será um tema de cunho social, cultural e religioso. Quando nós jogamos para a escola o entendimento, era uma devolutiva positiva que a gente esperava. Foi quase unânime a comunidade pedindo um enredo afro, porque o Tucuruvi não é de entrar em religião e política, mas a gente entendeu que seria uma oportunidade maravilhosa para mostrar uma África que ela tem que ser. A escola entendeu e vai aprender com todo mundo. É um processo de aprendizagem e maturação. Eles vão sair felizes no dia do desfile e quando passar a linha amarela, vão sair mais realizados ainda”, comentou.

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No início do discurso, Delduque deu uma provocada nos diretores e falou de acomodação. A agremiação ocupou a parte de baixo da tabela, tendo como resultado a décima primeira colocação. O vice-presidente disse que procura instigar a comunidade para mostrar a insatisfação, mas prevê melhorias. “Eu procuro sempre provocar a escola. Acho que como todas as coirmãs, ninguém trabalha para ficar nessa colocação. A gente não vê isso como algo de errado, até porque as outras escolas também tiveram muito empenho e trabalho, mas nós que estamos aqui dentro, devemos provocar nossa comunidade a todo momento mostrando que o décimo primeiro lugar para um campeonato que tem 14 escolas não é o nosso lugar. A gente não aceita, queremos melhorias e queremos sim o título como todo sambista e dirigente de carnaval trabalha para isso. Precisamos seguir e lutar para conquistar”, disse.

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Vice-presidente e diretor de carnaval da escola, Rodrigo Delduque

Nos próximos dias o Tucuruvi irá apresentar a sinopse para os compositores, mas já tem uma data de final de samba-enredo marcada, que será no dia 06 de agosto. Rodrigo explicou os próximos passos. “Esse ano nós mudamos a forma por questões técnicas, também pela Liga que mudou a forma e então a gente muda o nosso sistema. Um enredo com um apelo desse, seria muito egoísmo da nossa parte fazer um samba fechado. Tenho certeza que nós temos irmãos de Ifá, compositores e sambistas que podem nos trazer essa essência. Vamos fazer essa disputa no CD com a semifinal e final já com data marcada”, completou.

Intérprete Hudson Luiz é apresentado no Tucuruvi

Na apresentação do elenco para 2024, havia uma grande expectativa para ver quem iria assumir o posto de intérprete oficial da escola, deixado por Carlos Júnior no último carnaval. Em grande suspense, o cantor Hudson Luiz surgiu cantando um dos sambas-exaltação da agremiação. O intérprete desfilou no último carnaval pela Rosas de Ouro, fazendo dupla com Royce do Cavaco.

Hudson conversou com o CARNAVALESCO e comentou como é estar na sua nova casa. “É um sentimento muito gostoso. O Tucuruvi é uma escola que eu admiro há muito tempo. Como eu falei aqui, cantar o hino “vou peito aberto e sem medo, Zona Norte é o aconchego” para mim foi muito gratificante, emocionante e me trouxe uma felicidade muito grande. Hoje me sinto muito feliz e realizado em estar no Tucuruvi, agradecendo o Rodrigo Delduque e toda diretoria que me deu essa oportunidade de fazer parte dessa família que é muito unida e que vai em busca do nosso sonho, que é ser campeã do carnaval”, disse.

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Intérprete Hudson Luiz

Em sua apresentação, o intérprete cantou diversos sambas da história da escola. Perguntado sobre qual seria o sonho dele para entrar na avenida, o cantor disse que 2011 é o preferido. “Certamente seria o ano do Nordeste (2011). Eu gosto muito e é um samba que marcou a escola. Seria um samba que gostaria de ter desfilado na época, mas tenho certeza que 2024 prepara um desfile muito grande”, declarou.

Confira a sinopse da Unidos da Ponte para o Carnaval 2024

A Unidos da Ponte levará para a Marquês de Sapucaí, na Série Ouro, o enredo “Tendendém – O axé do epô pupá”, que contará a saga do dendê desde a sua origem mítica em terras africanas, chegando no Brasil através da diáspora. O tema será desenvolvido pelo carnavalesco Renato Esteves. A agremiação será a oitava escola à desfilar no dia 9 de fevereiro, sexta-feira de carnaval.

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CONFIRA A SINOPSE DO ENREDO

Tendendém- O axé do Epô Pupá

(Tendendém é um neologisto onomatopaico a partir da contração de“tem dendém”, dendê em Bantu e o som emitido pelo berimbau)

Prelúdio:

Entre atabaques e berimbaus, o som, a vibração, corpos em movimentos, o vento. Nas cantigas de terreiro, nos gestos… tudo sublima, tudo evolui. Ele está sempre por perto sob as formas mais distintas: na faísca do encontro dos facões, na saliva do preto que dança e luta, no vulto que passa pela bruma.

Laroyê Exu! Sua divindade é o rei do epô, o rei do dendê! Peço seu agô e que leve essa mensagem de axé do orum para o ayê.

Sinopse

Vento que dança, que carrega e envolve. Vento que venta, ventania que bagunça, movimenta, organiza na desordem da transposição dos elementos. Vento do espectro-mulher-búfalo, dona do seu tempo, deusa das tempestades rainha do dendê que entre bambuzais em sinergia balança seu eruexim e seu mariwó conduzindo ao orum aqueles que já se foram. É ela que sopra o vento que espalha a minha semente: nasci, floresci e dei frutos.

Eu sou o dendê, cria de igi ôpê, árvore sagrada, símbolo de um povo, raiz de um legado. Sou a fagulha do ajerê, sou a vida que fortalece. Eu aqueço, energizo, estimulo. Eu esfrio, apaziguo. Sou o equilíbrio e o destino de ifá. O que para um vitaliza, para o outro dispersa.

Dispersa, leva, transborda. Na diáspora fui alimento para os meus irmãos de alma, me liquefiz em saliva e suor dessa gente preta que de mim fez seu receptáculo. Atravessei o Atlântico guiado pelos ventos, fazendo da mistura até então impossível em que omi oyó e epô pupá não se separariam mais.

Cheguei em novos torrões e renasci, refloresci dei frutos novamente, me tornando fonte de riquezas para os de pele branca e fundamento para o meu povo. Fiz girar moendas, socar pilões, arar solos, sustentar economias que pelas mãos besuntadas com meu óleo conquistaram a alforria. De fé inabalável fui oferecido aos orixás, santos, inkisses, voduns. Cantaram, fizeram música, dançaram, lundu, jogaram capoeira.

Vento que sopra no ouvido do preto, que estimula a fé, leva cultura, dança e axé.

O tempo passa, eu enraízo. Represento o povo daquela Bahia em que cheguei, o povo do dendê!

Estou por todos os lados desde o Pelourinho à feira de São Joaquim, onde sou produzido e vendido pelos herdeiros daqueles que me levaram em sua saliva e suor. Estou no tabuleiro da baiana, nas mãos dos mascates, no fuá da feira, no som do berimbau, nas cantigas do baiano, “no feitiço dela, na cor de canela, tem dendê”!

Tem axé em São João de Meriti! Trazido pelos ventos cheguei na Unidos da Ponte que há quarenta anos vem trazendo oferendas em louvor aos orixás! Tem baiana servindo acarajé na Praça da Matriz. Sem dendê não tem candomblé: sou o mariwó da porteira, estico o couro dos atabaques, tempero as comidas de santo. A Ponte esquece o banzo pois é hora de oferecer! Tem amalá pra Xangô lá na pedreira, tem caruru pros erês, tem brincadeira! Tem comida, tem mandinga, tem resistência, tem axé!

Você pode não me conhecer por estes nomes: eu sou a palmeira-de- óleo-africana, aabora, aavora, palma-de-guiné, dendém, palmeira-de-dendê, mas o meu sabor você não esquece, o que importa é que eu esquento e que meu gosto vai te seduzir porque eu sou do azeite, eu sou o Dendê!

Axé! O Samba pisa forte no terreiro. É mistério, é magia. É mandingueiro!

Carnavalesco: Renato Esteves
Autor do Enredo e da Sinopse: Renato Esteves
Colaboradores do Enredo e da Pesquisa: Alexander Brivio e Marcelo Machado
Edição e revisão textual: Jefferson Brunner
Contribuição de arte na logo: Guilherme Kid