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Independente Tricolor apresenta enredo afro que homenageará ‘Agojies’, único exército feminino

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A Independente Tricolor apresentou na noite do último sábado seu enredo para o carnaval de 2024: ‘Agojie, A Lâmina da liberdade!’, ou seja, homenageará o único exército feminino, que surgiu na África, defendendo o reino de Daomé.

IndependenteTricolor et Agojis
Fotos: Fábio Martins/CARNAVALESCO

Com uma apresentação envolvendo membros da comissão de frente, a Independente apresentou um vídeo no telão com cenas do filme ‘A Mulher Rei’, com atuação da Viola Davis, e ao mesmo tempo no chão ocorreu uma coreografia dos integrantes do quesito. Mulheres entraram e ficaram em uma posição ao centro da quadra durante boa parte da apresentação de 15 minutos. Enquanto outros membros em duas fileiras com velas, caminhavam e cercavam as mulheres fazendo uma espécie de um ritual, por fim dançaram juntos com as mulheres sempre sendo o centro de atenção. Cena marcante no final, uma criança levantando uma espada coreográfica e arrancando aplausos da comunidade.

Carnavalesco explica o enredo

A Independente Tricolor não tem o hábito de cantar um enredo afro, segundo a própria agremiação, será apenas o segundo em sua história, o outro foi em 2015 com “Bravos à Luta”. O carnavalesco Amauri Santos, que vai para o terceiro carnaval seguido na escola da Zona Norte de São Paulo, contou para o CARNAVALESCO sobre a ideia do enredo e como ele surgiu.

IndependenteTricolor et CarnavalescoAmauriSantos

“O presidente (Batata) me fez um pedido de um enredo africano para minha surpresa, se é que existe perfil para escola de samba não seria muito o perfil da Independente. Mas para minha surpresa, ele pediu, caí na pesquisa, apresentei alguns enredos para ele e curtiu esse. Na verdade, encontrei as guerreiras africanas as Agojies, e fui buscar um pouco mais, na ancestralidade, passando pelas mães feiticeiras, passei pelas candaces que foram as rainhas guerreiras, essas mulheres que lutaram também pelo seu povo e as Agojies não foram diferentes. Essas Amazonas de Daomé, chamadas, chego até um pouco as mulheres de hoje, fazendo uma homenagem para essas mulheres também guerreiras, mulheres pretas que estão se empoderando e mostrando sua força, buscando sua liberdade. E tentar deixar uma mensagem de futuro que a gente precisa desse olhar para o passado para chegar ao futuro, então nosso enredo é falando de mulheres aguerridas, mulheres pretas, mulheres que lutam pela sua liberdade”.

Aposta ‘diferente’, mas aprovada pela agremiação

Danilo Zamboni é um dos fundadores da Independente Tricolor, e presidente do Conselho, é quem costuma falar representando a diretoria no palco. Após a divulgação do enredo para a comunidade, conversou com o site CARNAVALESCO e mostrou satisfação com tudo que foi realizado.

IndependenteTricolor et DaniloZamboniEntrevistado

“Estamos muito felizes. Foi uma escolha do nosso presidente junto com diretoria, carnavalesco e diretora de carnaval. É importante, a Independente mostrar a força da mulher, a mulher preta, guerreira, ‘Agojie, A Lâmina da liberdade!’, a Independente vem muito forte, é um enredo forte. Vem com um samba forte, e nossa comunidade aceitou, vai defender muito esse samba no carnaval 2024”.

Assim como mostrou confiança, o carnavalesco Amauri Santos: “Na verdade é mais um desafio, mas também um momento da Independente mostrar que é grande, gigante, e pode ser versátil, não ficar preso a um perfil de enredo. Mostrar sua versatilidade, e para mim será mais um desafio, topei e vamos embora”.

Momento da Independente e valorização das mulheres

Buscando um enredo diferente do que vem apresentando, a Independente encontrou uma história que valoriza as mulheres, e a ideia é justamente trazer isso, juntar as mulheres guerreiras dos tempos das Amazonas de Daomé e trazer para o atual. Assim, Zamboni analisou como um bom momento para o enredo.

IndependenteTricolor et Apresentacao2

“Esse momento é especial para nossa escola. Pois já passamos por tudo que possamos imaginar em relação a problemas e também a vitórias. É uma escola relativamente jovem perante as demais e já superou tudo. Então nada melhor que neste momento vir com um enredo de guerreiras, de mulheres guerreiras, uma homenagem a mulher, acima de tudo de tudo a mulher. E também a mãe África, e temos todo um trabalho pela frente, a responsabilidade quando começarem a divulgação do samba, dos ensaios, de levar o projeto de 2024 que já é uma realidade. E o importante é que nossa escola está feliz, e motivada. Aqui as pessoas são apaixonadas, é uma escola diferenciada, não é melhor ou pior, mas ela é diferente. As pessoas aqui vestem a camisa mesmo, elas se emocionam, defendem a escola mesmo, respeitamos todos os pavilhões, não só do Especial, mas do Acesso, da UESP, que é importante ressaltar, que todas começaram na UESP”.

Enquanto o carnavalesco Amauri revelou que tem projeto bem encaminhado: “Já tenho um enredo todo montado. Toda montagem de enredo, samba alinhado, já já saindo do forno, como um grande samba, para mim um dos melhores sambas que já trabalhei, espero que seja, se der tudo certo. É encomendado, a escola tem tradição de fazer samba encomendando, já estamos fazendo piloto de fantasia, com a intenção de antes de terminar os pilotos, o presidente já quer começar a reprodução. Quer mostrar um belíssimo carnaval, aguerrido também, forte”.

Samba-enredo já encaminhado

A Independente segue o estilo de sambas já prontos e a promessa é que está bem encaminhado para ser apresentado em breve para a comunidade. Vale ressaltar que houve uma mudança na ala musical, Pê Santana deixou o carro de som, e Chitão estreou oficialmente neste sábado, em sua chegada já conversou com o site CARNAVALESCO.

IndependenteTricolor et Chitao

“Samba muito bom, está praticamente pronto. Vai ser encomendado mais uma vez, a gente está marcando a gravação, o pouco que escutei, parece que o compositor fez para mim sabe? É um samba que tem minha cara, samba alegre, para frente, e tem tudo para dar um espetáculo, vem para brigar pelo título e podem esperar isso”.

IndependenteTricolor et MestreSalaPrincipal

Explicando a escolha da comunidade nos últimos tempos, Danilo Zamboni contou: “Normalmente, isso é uma coisa acordada com o presidente, é uma escolha dele junto com a diretoria, tem dado certo. E o que está dando certo, a gente não mexe, procura manter e melhorar. Estamos em um aprendizado constante como da vida, do carnaval, e isso tem dado certo, assim damos sequência. Agradecemos muito ao carnavalesco que está presente e cobrindo mais um evento nosso, fazendo esse trabalho importante a cultura e ao carnaval de São Paulo”.

Tucuruvi faz explanação de enredo e apresenta reforços para o Carnaval 2024

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O Acadêmicos do Tucuruvi apresentou na noite da última sexta-feira o seu elenco e fez a explanação do enredo para a imprensa, diretores e convidados presentes no barracão da agremiação dentro da Fábrica do Samba. Sobre o tema “Ifá”, a escola irá fazer algo diferente do que é de costume em seus carnavais, pois não é de característica do Tucuruvi adentrar no mundo das religiões. É uma proposta que sai do eixo, mas que está sendo abraçada pela comunidade. Os artistas Dione Leite e Yago Duarte conversaram com o CARNAVALESCO e explicaram um pouco sobre o tema e as situações que levaram a agremiação chegar nesse consenso para 2024.

Perspectiva de enredo com os carnavalescos

“Ifá fala de caráter, do interior e de evolução espiritual. É uma ciência que está relacionada à matemática, tecnologia, arte. São muitos saberes, preceitos e tradições que vem da nossa mãe África para o início de tudo que a gente conhece de matriz africana. Ifá é o começo de tudo”, disse Yago.

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Dione e Yago, os artistas responsáveis pelo desfile do Tucuruvi em 2024

“Quando se fala de Ifá e Exú quando não se tem o conhecimento para buscar informação, a gente descobre que não há um sem o outro, porque é primordial. Exú é quem comunica. Ele é a base para que a gente possa ter essa história contada. Como Exú é a comunicação, se torna o prólogo do nosso enredo. É aquele que vem contar para nós sobre Ifá. Ele pede licença para contar sobre o seu melhor amigo. Por isso ele é tão presente aqui, nas nossas casas e nossas vidas. Tucuruvi têm os caminhos abertos e, agora, com Ifá junto de Exú, vem um ano incrível”, completou Dione.

Como dito anteriormente, a escola da Cantareira não é acostumada a entrar no mérito religioso. Ciente disso, os carnavalescos comentaram sobre a proposta para 2024. “O Tucuruvi está em uma mudança de mentalidade e isso não vem só de dentro da própria comunidade, mas sim dentro da escola. O que ela quer falar para o Anhembi e para o público. Afinal, as escolas de samba são veículos de informação muito importantes através das artes. A gente fala de um enredo tão profundo de matriz africana e que não é a identidade da escola, isso na verdade é um caminho que estava se tomando. No desfile de Bezerra da Silva nós abordamos religiosidade no segundo setor”, declarou Yago

“É realmente a primeira vez. O Tucuruvi já falou de uma África geográfica. Tem outra curiosidade também: Eu esperei muitos anos para fazer um enredo africano religioso. Esse carnaval é a primeira oportunidade para isso. Graças a Exú estamos crescendo juntos. Tem sido incrível e é renovador”, finalizou Dione.

Novo reforço na comissão de frente

Tucuruvi também tem um estreante na comissão de frente. Trata-se do coreógrafo Renan Banov, que fez um longo trabalho na Unidos de Vila Maria. Após 10 anos na verde, azul e branco da Zona Norte, o dançarino chega à Cantareira para fazer parte do novo projeto que a escola está desenvolvendo. “Foram 10 anos de Vila Maria e agora estou aqui no Acadêmicos do Tucuruvi. Eu fui recebido de peito aberto pela comunidade e pretendo fazer o melhor trabalho. Temos muitas surpresas, vamos trabalhar com muita humildade que nada supera isso”, declarou Renan Banov.

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Coreógrafo Renan Banov, responsável pela comissão de frente

Uma nova identidade no desfile

O vice-presidente e diretor de carnaval da escola, Rodrigo Delduque, enalteceu o enredo e, segundo ele, era uma vontade da comunidade. “Nós temos um enredo diferente mesmo, porque não será só afro. Será um tema de cunho social, cultural e religioso. Quando nós jogamos para a escola o entendimento, era uma devolutiva positiva que a gente esperava. Foi quase unânime a comunidade pedindo um enredo afro, porque o Tucuruvi não é de entrar em religião e política, mas a gente entendeu que seria uma oportunidade maravilhosa para mostrar uma África que ela tem que ser. A escola entendeu e vai aprender com todo mundo. É um processo de aprendizagem e maturação. Eles vão sair felizes no dia do desfile e quando passar a linha amarela, vão sair mais realizados ainda”, comentou.

tucuruvi festa

No início do discurso, Delduque deu uma provocada nos diretores e falou de acomodação. A agremiação ocupou a parte de baixo da tabela, tendo como resultado a décima primeira colocação. O vice-presidente disse que procura instigar a comunidade para mostrar a insatisfação, mas prevê melhorias. “Eu procuro sempre provocar a escola. Acho que como todas as coirmãs, ninguém trabalha para ficar nessa colocação. A gente não vê isso como algo de errado, até porque as outras escolas também tiveram muito empenho e trabalho, mas nós que estamos aqui dentro, devemos provocar nossa comunidade a todo momento mostrando que o décimo primeiro lugar para um campeonato que tem 14 escolas não é o nosso lugar. A gente não aceita, queremos melhorias e queremos sim o título como todo sambista e dirigente de carnaval trabalha para isso. Precisamos seguir e lutar para conquistar”, disse.

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Vice-presidente e diretor de carnaval da escola, Rodrigo Delduque

Nos próximos dias o Tucuruvi irá apresentar a sinopse para os compositores, mas já tem uma data de final de samba-enredo marcada, que será no dia 06 de agosto. Rodrigo explicou os próximos passos. “Esse ano nós mudamos a forma por questões técnicas, também pela Liga que mudou a forma e então a gente muda o nosso sistema. Um enredo com um apelo desse, seria muito egoísmo da nossa parte fazer um samba fechado. Tenho certeza que nós temos irmãos de Ifá, compositores e sambistas que podem nos trazer essa essência. Vamos fazer essa disputa no CD com a semifinal e final já com data marcada”, completou.

Intérprete Hudson Luiz é apresentado no Tucuruvi

Na apresentação do elenco para 2024, havia uma grande expectativa para ver quem iria assumir o posto de intérprete oficial da escola, deixado por Carlos Júnior no último carnaval. Em grande suspense, o cantor Hudson Luiz surgiu cantando um dos sambas-exaltação da agremiação. O intérprete desfilou no último carnaval pela Rosas de Ouro, fazendo dupla com Royce do Cavaco.

Hudson conversou com o CARNAVALESCO e comentou como é estar na sua nova casa. “É um sentimento muito gostoso. O Tucuruvi é uma escola que eu admiro há muito tempo. Como eu falei aqui, cantar o hino “vou peito aberto e sem medo, Zona Norte é o aconchego” para mim foi muito gratificante, emocionante e me trouxe uma felicidade muito grande. Hoje me sinto muito feliz e realizado em estar no Tucuruvi, agradecendo o Rodrigo Delduque e toda diretoria que me deu essa oportunidade de fazer parte dessa família que é muito unida e que vai em busca do nosso sonho, que é ser campeã do carnaval”, disse.

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Intérprete Hudson Luiz

Em sua apresentação, o intérprete cantou diversos sambas da história da escola. Perguntado sobre qual seria o sonho dele para entrar na avenida, o cantor disse que 2011 é o preferido. “Certamente seria o ano do Nordeste (2011). Eu gosto muito e é um samba que marcou a escola. Seria um samba que gostaria de ter desfilado na época, mas tenho certeza que 2024 prepara um desfile muito grande”, declarou.

Confira a sinopse da Unidos da Ponte para o Carnaval 2024

A Unidos da Ponte levará para a Marquês de Sapucaí, na Série Ouro, o enredo “Tendendém – O axé do epô pupá”, que contará a saga do dendê desde a sua origem mítica em terras africanas, chegando no Brasil através da diáspora. O tema será desenvolvido pelo carnavalesco Renato Esteves. A agremiação será a oitava escola à desfilar no dia 9 de fevereiro, sexta-feira de carnaval.

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CONFIRA A SINOPSE DO ENREDO

Tendendém- O axé do Epô Pupá

(Tendendém é um neologisto onomatopaico a partir da contração de“tem dendém”, dendê em Bantu e o som emitido pelo berimbau)

Prelúdio:

Entre atabaques e berimbaus, o som, a vibração, corpos em movimentos, o vento. Nas cantigas de terreiro, nos gestos… tudo sublima, tudo evolui. Ele está sempre por perto sob as formas mais distintas: na faísca do encontro dos facões, na saliva do preto que dança e luta, no vulto que passa pela bruma.

Laroyê Exu! Sua divindade é o rei do epô, o rei do dendê! Peço seu agô e que leve essa mensagem de axé do orum para o ayê.

Sinopse

Vento que dança, que carrega e envolve. Vento que venta, ventania que bagunça, movimenta, organiza na desordem da transposição dos elementos. Vento do espectro-mulher-búfalo, dona do seu tempo, deusa das tempestades rainha do dendê que entre bambuzais em sinergia balança seu eruexim e seu mariwó conduzindo ao orum aqueles que já se foram. É ela que sopra o vento que espalha a minha semente: nasci, floresci e dei frutos.

Eu sou o dendê, cria de igi ôpê, árvore sagrada, símbolo de um povo, raiz de um legado. Sou a fagulha do ajerê, sou a vida que fortalece. Eu aqueço, energizo, estimulo. Eu esfrio, apaziguo. Sou o equilíbrio e o destino de ifá. O que para um vitaliza, para o outro dispersa.

Dispersa, leva, transborda. Na diáspora fui alimento para os meus irmãos de alma, me liquefiz em saliva e suor dessa gente preta que de mim fez seu receptáculo. Atravessei o Atlântico guiado pelos ventos, fazendo da mistura até então impossível em que omi oyó e epô pupá não se separariam mais.

Cheguei em novos torrões e renasci, refloresci dei frutos novamente, me tornando fonte de riquezas para os de pele branca e fundamento para o meu povo. Fiz girar moendas, socar pilões, arar solos, sustentar economias que pelas mãos besuntadas com meu óleo conquistaram a alforria. De fé inabalável fui oferecido aos orixás, santos, inkisses, voduns. Cantaram, fizeram música, dançaram, lundu, jogaram capoeira.

Vento que sopra no ouvido do preto, que estimula a fé, leva cultura, dança e axé.

O tempo passa, eu enraízo. Represento o povo daquela Bahia em que cheguei, o povo do dendê!

Estou por todos os lados desde o Pelourinho à feira de São Joaquim, onde sou produzido e vendido pelos herdeiros daqueles que me levaram em sua saliva e suor. Estou no tabuleiro da baiana, nas mãos dos mascates, no fuá da feira, no som do berimbau, nas cantigas do baiano, “no feitiço dela, na cor de canela, tem dendê”!

Tem axé em São João de Meriti! Trazido pelos ventos cheguei na Unidos da Ponte que há quarenta anos vem trazendo oferendas em louvor aos orixás! Tem baiana servindo acarajé na Praça da Matriz. Sem dendê não tem candomblé: sou o mariwó da porteira, estico o couro dos atabaques, tempero as comidas de santo. A Ponte esquece o banzo pois é hora de oferecer! Tem amalá pra Xangô lá na pedreira, tem caruru pros erês, tem brincadeira! Tem comida, tem mandinga, tem resistência, tem axé!

Você pode não me conhecer por estes nomes: eu sou a palmeira-de- óleo-africana, aabora, aavora, palma-de-guiné, dendém, palmeira-de-dendê, mas o meu sabor você não esquece, o que importa é que eu esquento e que meu gosto vai te seduzir porque eu sou do azeite, eu sou o Dendê!

Axé! O Samba pisa forte no terreiro. É mistério, é magia. É mandingueiro!

Carnavalesco: Renato Esteves
Autor do Enredo e da Sinopse: Renato Esteves
Colaboradores do Enredo e da Pesquisa: Alexander Brivio e Marcelo Machado
Edição e revisão textual: Jefferson Brunner
Contribuição de arte na logo: Guilherme Kid

Sinopse do enredo da Porto da Pedra para o Carnaval 2024

Apresentação do enredo “LUNÁRIO PERPÉTUO: A profética do saber popular”

enredo portodapedra2024 logo

Saber! Filosoficamente é o verbo que reúne diversos conhecimentos para pensar, discutir, refletir e ensinar sobre algo. Existem saberes que emergem do povo e este “saber popular” se manifesta em práticas que marcam a identidade de uma comunidade, de parte ou do todo de uma sociedade.

Alguns desses saberes populares foram transcritos para um pequeno livro, e em 1594, formaram o “Lunário Perpétuo” do astrônomo e naturalista espanhol Jerónimo Cortés. Este artefato único ganhou notoriedade no velho mundo servindo como conselheiro e orientador de homens e mulheres de forma esotérica, cultural e social.

Com os anos o lunário compilou outros saberes, viajou o mundo, foi proibido e se refez. Aqui no Brasil desembarcou no século XVIII com tradução de Antônio da Silva de Brito, e tempos depois, lá pelas bandas do sertão, se tornou objeto precioso. Câmara Cascudo (2001.p.534) bem disse que ele “foi durante dois séculos o livro mais lido nos sertões do nordeste, informador de ciências complicadas […]. Não existia autoridade maior […]”.

O “prognóstico geral e particular para todos os reinos e províncias” do lunário se fundiu aos saberes populares nordestinos fazendo surgir uma profética singular no século XIX. Também foi base para o almanaque de um matuto que admirava as estrelas, ensinou a cuidar do corpo, inspirou um movimento artístico e foi recriado por um eterno brincante. É o poder do saber!

Por entender a Avenida Marquês de Sapucaí como um grande palco onde o povo é soberano, o Grêmio Recreativo Escola de Samba Unidos do Porto da Pedra, com distinta sapiência, celebra o saber popular utilizando o “Lunário Perpétuo”, seus ensinamentos e desdobramentos, como guia precioso do enredo do Carnaval 2024.

Encontramos uma história guardada feito tesouro nas faces, nas vozes e na singularidade de nosso país. É a nossa profética para o “esperançar” de um Brasil mais brasileiro. É alquimia, sertão, sol e luz, viola e rabeca. É o nosso…

“Lunário Perpétuo: A Profética do Saber Popular”

Pois nos varais de cordel, nas praças e nas mãos do povo,
A sabedoria é a chave da libertação!

Sinopse

Alquimia dos Saberes

Ao reconhecer o valor da sabedoria popular, Se fará cumprir esta profecia…

Nascida da primazia da mística humana, elevação do espírito na plena harmonia do ser. Feito toque de conhecimento: Alquimia! Pedra que incendeia! Encadeia! Aura sagrada e mistério de luz.

Para abrir as portas do futuro: Sabedoria. Elo da razão e do misticismo. Segredo dos segredos. Do obscuro à claridade, um santo e alquimistas reunidos. Coisas dos homens, seus laboratórios, invenções e rituais abençoados pelo divino.

Que em tantas-folhas transmuta: Lunário! Aos reinos e províncias um perpétuo guia. Forjado nas trevas da consciência humana, perseguido e proibido. Renascido! À luz da ciência, com um toque de ocultismo e feitiçaria. Conhecimento ou bruxaria?

Na mítica popular, um pouco de tudo, do tangível e do sobrenatural. Mistério do sopro da vida. “Quintessência” celestial supralunar. Que atravessa o tempo, imortal…

A Gênese do Saber Popular Brasileiro

Ao navegar por um mar de mistérios, espelho cristalino que serpenteia o mundo, infinito como o próprio saber. E nesse vai e vem o lunário é testemunha da história, clandestino, entre lusitanos esfarrapados ou nobres de fino trato.

Páginas que se misturaram à memória dos saberes originários e dos pretos acorrentados por esta pátria-mãe, nem sempre gentil. Bugiganga. Quinquilharia. Tesouro achado, trocado, herdado ou vendido.

Artefato da gênese do “ser-Brasil” que viu a secura castigar o sertão e o sol arder feito chama de candeeiro. Viu gente que não acaba mais batendo perna e levantando poeira. Fugindo da fome, da sede e da miséria. Retirante, severina, sina.

Amenizador do castigo! Predizendo: A sua natureza é de luta! Na fala dos místicos, o milagre bendito dos profetas anunciadores da chuva. Contemplação dos sinais! O doce beijo da abelha, fazendo seu ninho. A formiga e o cupim mover os pedaços dessa terra. São José aliviar a aflição! E assim…

Presságio dos Astros

Vendo o homem simples olhar para o céu foi possível entender que nele existem outros ensinamentos. Tá na boca do povo: Procure por Manoel! É o “Caboclo” afortunado que decifrou as estrelas. Sabedoria matuta aprimorada com a velha literatura formando um novo arcabouço do conhecimento.

Foi aí que o céu de Juazeiro do Norte traçou destinos e o “juízo do ano” foi apregoado em folhetos. Devaneios astrológicos fundindo oralidade e escrita. Sortilégio na raiz da palavra, previsão geral:

“No litoral, no agreste ou no sertão
O inverno mediano já nos traz
Relâmpagos e chuvas desiguais,
Dando lucros a uns, a outros não
É feliz quem cuidar da plantação
Sol e Júpiter governando traz enredo:
Todo rico sofrendo muito medo
E o pobre passando precisão”

Presciência ou alucinação renovando o prognóstico feito almanaque zodiacal. Quem diria! Numerologia e onimancia. Na palma da mão calejada da lida: Quiromancia! Saberes da roda dos signos e adivinhações na “Casa dos Horóscopos”.

Marcado em tinta, a matriz do saber. Nos tacos riscados com buril estão os personagens destas e de outras bandas do interior. Tá nas praças, feiras e enfeitam o varal de cordel: Magias da boa sorte, bons auspícios, amores e o bem viver. Tudo isso abençoado pelo Padim Ciço e os arcanos astrais. Imagine só…

A cura do corpo e da alma

Que ao se enraizar com outro tanto de gente vai ensinar a cuidar do corpo e da alma! Misturando as coisas do tempo dos antigos e a sabedoria do fundo do quintal. Tome nota, não perca a receita!

Combatendo a pestilência trazida pelas pragas quem sufocam, onde demora a chegar a academia, quem acode é o saber popular. Coisa boa para fazer o bem, bálsamo contra malefícios. Descarrega tudo o que há de ruim! Auxílio para quem precisa! Caridade dos pobres de dinheiro, mas, ricos em candura! Tem benzedor, erveira, parteira. Tem jeito para tudo!

Crença de cada um, acalanto compartilhado com todos. Tem erva de muitos nomes, santo de casa e altar da oração. Semente que germina para virar banho, garrafada e defumação. Raiz forte e folha verde para curar onde dói. É ensinança do velho livreto, é a simplicidade do viver. É infalível. Abraço generoso, basta ter um bocado de fé. É bonito de se ver…

Armorial dos Folguedos Populares

Quando o lunário de saberes seculares se torna inspiração Suassuna! É chegada a hora, Ariano! Do movimento se fazer armorial!

Recriar a arte de um país vivo para o povo se manifestar com ares da fidalguia. Onde batiam os folguedos, porta-estandarte da cultura, vossas majestades são artistas da mais alta nobreza. Reis e rainhas guardados pelos bons vaqueiros. Chapéu de couro, gibão, e o alazão de companhia.

Rabecas e violinos irão anunciar! O encantamento da cavalhada, cavalo-marinho, bumba-meu-boi, maracatu e o pastoril. Misturar o marimbau e as notas musicais regendo orquestra e quinteto. Apaixonante romançal brasileiro da viola portuguesa enluarada pela viola sertaneja.

Flâmulas e brasões. A pintura, a música e a literatura. Reinará nos corações o “rei degolado nas caatingas do sertão” e na “Pedra do Reino” estará o trono da sua volta e ascensão. Domínios de caetana, o próprio sol inclemente. Onde se escreve com ferro quente, Caetana é onça brava, visão alada do porvir. Contações de inesquecível menestrel que vão…

O Lunário Perpétuo de um Um Brincante

Misturando outras histórias para se contar, cantar e dançar com um brincante que cria o seu próprio lunário a partir das vivências e saberes nordestinos. É o saber transpassando o tempo!

Ao palco do velho Marquês, onde desfilam sonhos do povo, virão os versadores, cordelistas e repentistas herdeiros de Louro de Pajéu. Junta toda essa gente, de São Gonçalo e do nordeste, no coração festivo do Rio de Janeiro para celebrar os devaneios de Antônio Nóbrega!

Com as bênçãos da mãe de Deus! Ave-maria, estrela brilhante, guia do peregrino e honesta flor. É Pernambuco falando para o mundo: A nossa voz é sabedoria que ninguém cala!

Que viaja em delírio e aventurança! A bordo da nau “catarineta” com a sua marujada navegante ou voando com Tonheta e seu “foguete brasileiro”. Tem romance desse Brasil de misturas e questionamentos, tem lanceiros do maracatu rural com suas lantejoulas coloridas, lanças e cocares de pena a duelar. Fascínio, odisseia e sentimento nas grandes veredas do sertão.

É meu povo artista, é da rua, é do mundo. De tudo um pouco a rodar nesse “Carrossel do Destino” onde estão os versos que o poeta escreveu, as cantigas que cantou, cinco ou seis coisas que sabe e outras tantas que ele esqueceu.

Ciranda da vida que vai girando em gerações sem ter fim. Vai tangendo a boiada das suas ideias que se eternizam nas lágrimas de um folião” e nos sorrisos da meninada que vai escrever o futuro desse país ainda mais genial e plural!

No esperançar de um novo tempo é assim que o lunário perpetua sua missão. Feito livreto ou almanaque transformando pessoas. Curando e se manifestando em forma de arte. Ultrapassando séculos e agora predestinado ao povo mais saber em forma de Carnaval! E então..

“Na magia das cores, no rufar dos tambores”,
“Outra vez o tigre mostra as garras na avenida”,
E faz cumprir esta profecia,
Ao reconhecer o valor da sabedoria popular!

Carnavalesco: Mauro Quintaes
Enredista: Diego Araújo

Aplicativos de Apostas Esportivas Mr.Bet Para Android e iOS

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Apostas Móveis com o Aplicativo Mr.Bet

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Vizinha Faladeira e Ação da Cidadania abrem vagas para estágio remunerado na websérie que conta a história da agremiação

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A Ação da Cidadania, através do seu Cineclube em Ação, em parceria com a escola de samba Vizinha Faladeira, entram em fase de execução da segunda temporada da série online “Conversas com a Vizinha Faladeira”, abrindo 16 vagas para jovens a partir dos 18 anos, com ou sem experiência no cinema, e que tenham a vontade de aprender mais sobre o setor, onde, integrarão a equipe técnica de gravações com estágio remunerado. Com direção de Bia Marques, a série tem como ideal preservar e cultivar a cultura do samba na cidade do Rio de Janeiro, levando para todos os cantos do país a afirmação deste segmento.

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Foto: Acervo Cineclube em Ação

“A história da Pequena África carioca sempre me fascinou. Em novembro de 2015 comecei a dar um curso de audiovisual na Ação da Cidadania que previa a realização de um documentário. O carnaval foi um dos temas propostos aos alunos. Foi uma escolha natural, uma vez que o carnaval é um tema que mobiliza toda a região. Chegamos na Vizinha Faladeira através do curta “O Porto ainda samba” e aí nasceu o Conversas com a Vizinha Faladeira, tendo por objetivo a preservação da memória viva dos protagonistas de nossas tradições e cultura: compositores, instrumentistas, baianas, costureiras, contrarregras e todos os integrantes da escola”, comentou a diretora.

Já David dos Santos, presidente administrativo da escola, vê como um presente não só para a memória da agremiação, mas, também, do samba em geral: “Em 2020, quando chegou a proposta da gravação para mim, eu não pensei duas vezes em aceitar e assinar os termos. Vizinha é a primeira escola de samba do país, ela nasce com a primeira favela do Brasil (Providência) e toda a história do samba tá aqui região portuária. Com a Vizinha vem a tia Ciata, Dodô da Portela, a própria Portela e Estácio e muitas heranças, então essa série é uma manutenção para não deixar o samba em todos os sentidos morrer”, afirmou.

Os interessados em concorrer gratuitamente a uma das dezesseis vagas no projeto que tem recursos do fomento cultural e municipal “FOCA 2022”, executivo da cidade, deverão submeterem a inscrição online (https://forms.gle/PPo5p8QghCBPxfnK8) até às 22h do próximo domingo (21).

Nesta fase, os temas relacionados e abordados no roteiro da Vizinha Faladeira serão as histórias dos compositores Neném e Pintado, autores dos três primeiros sambas-enredo na retomada da tricolor do Santo Cristo nos anos 90, após mais de 40 anos sem desfilar. As aulas acontecerão entre os meses de junho e julho na sede do programa Ação da Cidadania, bairro da Gamboa, região central carioca. O projeto espera receber alunos curiosos em aprender: “Infelizmente por enquanto nosso projeto não possui estrutura para abarcar menores de idade, por isso as vagas são para os maiores. O importante é que sejam pessoas curiosas e interessadas no aprendizado, não sendo necessário residir nas proximidades do Centro. Será um prazer receber os vizinhos e a comunidade da escola”, finalizou, Bia Marques.

A primeira temporada da série já se encontra disponível na plataforma de streaming YouTube. Basta acessar o link disponível para assistir o “Conversas” e “O Porto ainda samba” (https://www.youtube.com/@cineclubeemacao).

Sinopse do enredo da Estácio de Sá para o Carnaval 2024

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Enredo: ‘Chão de Devoção: Orgulho Ancestral’

Apresentação

Ao passar pela Passarela do Samba, a Estácio de Sá, consciente do seu papel sociocultural, procura evidenciar a cultura do povo preto em um espaço de resistência, que buscou, no período sombrio da escravatura, o livre-arbítrio ao se manifestar por direitos, primordiais, a favor do mínimo de dignidade humana e da legitimação de origens e traços culturais. Na África, meninas, mulheres, guerreiras, princesas e rainhas, orgulhosas de seus corpos, sua pele, e seus cabelos. Donas das próprias vidas. Rainhas da liberdade. Rainhas da natureza seriam muitas delas no outro lado do oceano, em um futuro distante, seres iluminados. A cultura ancestral, seus mitos e seus rituais passam a se revelar no canto e na dança ao som dos tambores.

logo estacio2024

É importante afirmar que a cultura do povo preto é extremamente rica e diversa, e as religiões de matrizes africanas desempenham um papel fundamental na sua expressão. Infelizmente, essa cultura muitas vezes é marginalizada e subestimada pela sociedade em geral. Para demonstrar e valorizar a cultura do povo preto e suas religiões, a Estácio de Sá entende que é importante reconhecer e respeitar suas tradições, histórias e práticas, enfim, sua própria ancestralidade. Isso inclui aprender sobre a história das nossas irmãs e dos nossos irmãos vindos de regiões da África, cuja, cultura culminou em solo brasileiro em diáspora africana.

Salientar a história de duas mulheres pretas escravizadas, arrancadas de suas terras natais e de seus seios familiares. Ainda em suas infâncias em uma brutal travessia pelo atlântico, elas obtiveram aprendizagem mesmo com todas as mazelas do ambiente em um meio de convivência doloroso. Mas, que ainda assim, contava com o doce matriarcado, sendo mães biológicas ou não, as mulheres desse espaço manifestavam afeto em meio uma situação de clausura. Tais narrativas são de extrema importância para entendermos a história do Brasil e do povo preto que em nosso solo chegaram. E foi com a chegada desse povo em terras brasileiras que a magia africana se infiltrou nesse solo, criando raízes profundas carregadas de fé, cultura e arte mostrando o poder do renascimento e da transformação. Essa força e magia vieram guardadas no coração dessas mulheres, pretas mães, nossas mães, tias, avós, nossas sementes, nossas raízes.

A escravidão foi uma das maiores violações de direitos humanos da história, e as mulheres pretas foram algumas das maiores vítimas desse sistema opressivo. Ao trazer à luz a história dessas mulheres, podemos entender as dificuldades que elas enfrentaram e como a escravidão as afetou de forma específica. Além disso, podemos aprender sobre as estratégias de resistência que elas utilizaram para enfrentar aquela realidade, mesmo diante de tantas adversidades, e, com isso, objetivamos combater o apagamento das histórias de vida e suas identidades.

O apagamento das histórias e identidades dos pretos e pretas escravizados no Brasil é um fenômeno que ocorreu ao longo de séculos e que tem consequências até os dias atuais. Durante o período da escravidão, as pessoas pretas eram tratadas como propriedade e tinham seus direitos negados, inclusive o direito à identidade e à sua própria história.

Desde então, a história oficial do Brasil não tem tentado notabilizar a contribuição dos povos pretos na construção do país, o que mais se faz é invisibilizar suas histórias e lutas, como também maximizar aspectos do racismo estrutural na vida dessas pessoas. Esses fatos têm gerado uma série de desigualdades e injustiças que ainda persistem em nossa sociedade. Contar tais histórias é o primeiro antídoto para combater os males do apagamento histórico e cultural dos nossos heróis e heroínas pretas. E, é nesse contexto que a Estácio de Sá vem dar visibilidade aos aspectos sociais, culturais e identitários do nosso povo que em solo brasileiro chegou, nasceu, morreu e espírito de luz se tornou.

De forma poética numa livre adaptação artística, e, também, baseado em lendas e em ricas oralidades, nossas duas mulheres pretas guerreiras serão “chamadas” com seus possíveis nomes de suas terras natais, ainda livres dos horrores que mais tarde as assolariam. As meninas “Kianda e Mwana ya sanza”, Cambinda e Maria Conga. Vale salientar que a escolha dos nomes para as mulheres das regiões do Congo-Angola, com origens por volta do século XVI, não devem ser vistas como algo genérico ou padronizado, mas sim, como algo que faz parte de uma cultura rica e diversa, que deve ser valorizada e respeitada, para os povos de suas regiões, com base na língua Lingala que foi derivada da Bangi, uma língua Banto, que também é uma das Línguas maternas do Congo-Angola, o que justifica a intenção da agremiação.

Assim, tentamos trazer dignidade e visibilidade as histórias do nosso povo através das mulheres aguerridas “Cambinda e Maria Conga”, ainda em suas liberdades, as violações, a trajetória, as lutas, os saberes e suas espiritualidades. Tudo isso, em tempos que ainda existem racismo e intolerância, a agremiação traz, para Avenida Marquês de Sapucaí, e acende na história escrita, cantada e festejada, os ideais de duas mulheres lutadoras e solidarias, que idealizavam igualdade e liberdade para o seu povo em corpo e espirito.

A Estácio de Sá que tem em seu chão de fundação a devoção e o respeito da sabedoria ancestral desde a “Deixa falar”, vem chegando com o seu balancear e afirma que ainda que memoráveis por trajetórias de lutas, do sonho de liberdade e igualdade, a biografia dos afro-brasileiros em muitos aspectos se faz inviabilizada nos registros dos anais brasileiros. Nessa ambiência, “Kianda e Mwana ya sanza”, que tiveram as suas vidas norteadas por tais ideais apesar de todas as adversidades e sofrimentos, terão suas histórias contadas, em verso e prosa, baseada em fatos livremente adaptados. Nesse sentido, as personagens serão alçadas à luz com suas histórias de vidas e espiritualidade com vistas no reconhecimento heroico nesse enredo.

Testemunhas da passagem do tempo, as vovós são a memória viva da raça. O corpo curvado carrega o peso de tanta sabedoria, tanta bondade, tanto sofrimento, tudo misturado. Cada palavra traz um saber imemorial. Que vem lá da África e liga o passado e o presente. Cada palavra traz uma verdade tão profunda que só o coração pode entender. Suas bênçãos e rezas tem o poder de toda a ancestralidade.

Sinopse

Livres como a brisa costeira que acaricia a pele e os ventos das savanas No continente africano, nas regiões de Cabinda e do Congo, os festejos com canto e dança, característicos das aldeias e tribos dessas localidades, acontecem para receberem os nascimentos de duas meninas, “Kianda e Mwana ya sanza”, uma na tribo dos Cabindas, um distrito angolano e outra na tribo congolesa, as duas em área costeira, o que mais tarde selaria seus destinos. Para as mulheres a apreensão para uma boa hora no parto, para os homens é noite de festa.

Povo Cabinda de Angola – O nascimento e a homenagem
Os sábios e sábias da tribo Cabindas preparam o local do parto para chegada da sua menina em uma cabana toda enfeitada com cauris (búzios) para representar a riqueza da época, conchas do mar, contas azuis claras e transparentes para representar os seres místicos marinhos e trazer boa sorte, fartura e fortuna para a recém chegada, que ao nascer recebeu o nome da maior divindade desse místico, “Kianda” um belo ser encantado das águas dos rios e oceanos para que em troca a menina, entregue para homenagem, estivesse sempre protegida conforme as crenças dos costumes local.

Povo da Costa do Congo – O nascimento e a apresentação
É o nascimento da primeira! Na tribo congolesa a primeira filha e princesa da aldeia e cercania, também está de chegada. Festa, canto e dança, com muita fartura, para receber a princesa que nascia sob a luz do luar para o batismo nominal da pequena alteza. Apresentada sob a luz da grande lua cheia que, em um sopro do vento, teve seu nome revelado como reza a lenda dos costumes local. Erguida para ser banhada com a luz da grandiosa lua cheia, teve seu nome falado três vezes em voz alta por seu pai para que não restasse dúvidas: “Mwana ya sanza”, que significa filha da lua, homenagem em referência ao belo luar da sua noite de nascimento. Livres como a brisa costeira e os ventos que cortam os campos e acariciam os rostos felizes dos locais. As Tribos próximas festejam as boas chegadas das suas belas meninas de acordo com seus traços culturais particulares

Festejos nas aldeias: No povo de lá e de cá, cabindas e congoleses
As tribos próximas de região costeira do continente africano, Cabinda de Angola e da Costa do Congo possuem tradições culturais ricas e distintas, e seus festejos são marcados por muita alegria, música, danças e fartura. Entre os Cabindas, o nascimento é um dos eventos mais importantes. Toda a tribo celebra a hora do nascimento ritmado ao som de cantigas ancestrais, decorados com motivos que revele algumas características do nome escolhido com as homenagens ancestrais e espirituais, as riquezas das águas e das florestas sempre estão representadas. Durante a festa, os habitantes se vestem com roupas tradicionais e participam de números de danças marcadas, acompanhadas por músicas tocadas com instrumentos como o tambor. Já entre as tribos da Costa do Congo, a festa é mais importante, que marca a iniciação de um novo ciclo familiar e a continuação da dinastia tribal. Durante a celebração, que pode durar vários dias, dependendo do tempo em que se dará a hora da chegada da recém-nascida, onde é submetida a rituais de chegada que são com base em cantos e danças sobre a história e a cultura de seu povo. Há muita música e dança, com destaque para o som dos tambores que são acompanhadas por instrumentos artesanais. Em ambas as culturas, a comida também é uma parte importante dos festejos. Pratos como as carnes de caças regionais, de peixe da região costeira das aldeias das tribos e os vegetais, são servidos em grandes banquetes, regados a bebidas.

Escravizados em noites sombrias
Durante as noites, para surpreendê-los, sem chances de defesa, em um ataque planejado e brutal, uma nova forma de comércio, coibir a liberdade em diversas regiões do continente africano, a escravização de pessoas de pele preta. Toda alegria de dias e noites fartas e felizes, por volta dos sete anos depois dos nascimentos, termina com a brutalidade dos mercadores de escravos. As aldeias das tribos felizes dos Cabindas e dos Congoleses foram agressivamente aprisionadas em correntes para serem escravizados. A menina “Kianda” de Cabinda junto com seus familiares e pares foram empilhados em condições desumanas, piores que as de outras mercadorias para serem transportados, sem ao menos saberem seus destinos. “Mwana ya sanza” sofreu o mesmo evento que se espalhou por todas as regiões vizinhas. A escravidão foi uma das maiores atrocidades já cometidas na história da humanidade, pessoas foram capturadas e forçadas a trabalhar em condições desumanas, sem direitos ou liberdade. A travessia pelo Atlântico foi um dos momentos mais terríveis e traumáticos da experiência dos escravizados.

A dor e o destino cortam o mar
A maioria dos escravizados das referidas aldeias tribais foram transportados em navios apinhados e insalubres, onde foram obrigados a permanecer acorrentados por meses a fio. As condições eram extremamente precárias, com pouca ventilação e nenhuma higiene, o que levava a doenças e mortes em massa. “Kianda e Mwana ya sanza” vivenciaram todo o horror nos porões com outras crianças que tinham na doçura do matriarcado, sendo mães biológicas ou não, a única representação de afeto enclausuradas em meio aos horrores causados pelas doenças, a fome e as mortes na travessia do atlântico. As crianças ganhavam as abayomis, um tipo de boneca feita com retalhos das barras das saias com nós, sem costuras, para distração e porque as mulheres e mães acreditavam que trariam proteção, sorte e alegria para suas meninas, com a chegada ao destino final, os escravizados eram vendidos em leilões como mercadorias e forçados a trabalhar em plantações e outros locais com exploração e violência.

O Destino, o apagamento cultural e o novo batismo
Em terras brasileiras, em navios distintos, por volta de 1804, no Porto de Salvador – Bahia, o destino das pequenas meninas, a primeira filha agora órfã, pois, seus pais morreram na travessia por fome e doença, e a princesa da aldeia congolesa separada de seus pais ao chegar no Brasil, mudariam novamente. Vendida para seus senhores que as rebatizou, “Kianda” agora se chamaria Cambinda, por ser da região de Cabinda e é levada para uma fazenda de cana de açúcar no nordeste brasileiro. A menina “Mwana ya sanza” foi renomeada como Maria da Conceição, e foi levada inicialmente para uma fazenda de cana e café e depois vendida a um fazendeiro alemão, dono de uma fazenda de farinha. Seus nomes, culturas e histórias são completamente negadas e, agressivamente, apagados por seus novos proprietários.

Plantaram suas sementes e tem até hoje suas histórias mantidas pela oralidade
Rebatizadas e rebatizados, submetidas e submetidos aos opressores que as fariam esquecer seus nomes para sempre, até mesmo oprimirem suas representações de cultura e fé, em meio as fortes vigilâncias ao trabalho exaustivo e mortal e aos castigos, os escravizados e as escravizadas criavam suas estratégias contra a proibição do cultivo de suas culturas e religiosidades. Plantaram suas sementes e, mesmo num solo adverso, puderam florir entre dores e lágrimas. E tem até hoje suas histórias mantidas pela oralidade.

Os griôs relatam que ao chegarem por aqui, a magia africana se infiltrou na terra brasileira, criando raízes profundas carregadas de fé, cultura e arte mostrando o poder do renascimento e da transformação. Usavam as representações culturais e religiosas dos seus violentadores e perseguidores (senhores brancos) para infiltrarem as suas próprias manifestações culturais, religiosas e, também, sua culinária natal. Doutores em suas oralidades, contam os griôs, que os escravizados geralmente viviam em senzalas, que eram grandes construções de madeira que abrigavam muitos escravizados em condições precárias. Era a partir dali que as estratégias eram traçadas e surgiram manifestações culturais hibridizadas com as dos brancos para que pudessem ser manifestadas ou praticadas sem os castigos habituais. Os velhos sábios contam em detalhes minuciosos, típicos de suas falas carregadas de saberes das vivencias e dos fazeres, que o Caxambu e o Jongo foram manifestações culturais dos pretos e pretas iniciadas nas senzalas. As duas representações podem se confundirem em algumas regiões do país, porém distintas em algumas regiões. De modo que no Caxambu um cantador fazia um canto de louvação aos antepassados enquanto uma roda de escravizados se move em passos leves e ritmados, em sentido anti-horário. Diz o afro-brasileiro que era ambiente sério e ritualístico, mas se modificava quando alguém lançava um canto desafiante e todos o repetiam. A cantoria seguia noite adentro, com diferentes vozes que se alternava em novos cantos decifrados.

A coreografia começava em roda, mas, partia para desafios de bailado no centro da senzala, entre um homem e uma mulher, mostrando-se um ao outro por meio de requebros corporais ágeis e leves. Com a mesma destreza oral, descreve as articulações para manterem suas origens culturais vivas. O Jongo também foi uma estratégica dança trazida pelos escravizados africanos bantos do Congo-Angola para o Brasil, conta o velho, que se manteve presente entre aqueles que trabalhavam nas lavouras de café e cana-de-açúcar. Os escravizados dançavam Jongo nos dias dos santos católicos, em uma linguagem cifrada, onde protestavam contra a escravidão, zombavam dos patrões, combinavam festas de tambor e fugas. A dança é uma homenagem aos ancestrais, aos pretos-velhos escravos, que remete ao povo do cativeiro.

Dentre as danças e as manifestações veladas, da Capoeira dos escravos que fugiam, correndo pela mata rasteira, surgiu a arte da resistência dos primeiros capoeiristas que com destreza e astúcia enfrentavam a repressão. No período colonial, pretos espertos e sagazes disfarçavam sua arte, com mímicas, danças e cantos, lutando pela sua liberdade, contra os seus algozes. Relata que foi proibida por tanto tempo, mas a Capoeira resistiu até se tornar um dos símbolos da identidade brasileira, a roda de capoeira ecoa o som e a dança em contato direto com as nossas terras.

O Batuque de Umbigada, seguindo em relatos dos sábios oradores, foi uma dança originária, também, da África, trazida ao Brasil por nossos ancestrais. Essa manifestação cultural foi preservada e transmitida por gerações de escravizados. A dança foi uma forma de celebrar a fertilidade, e, consistia em duas filas de dançadores, homens e mulheres, que se encostavam pelos umbigos como parte da coreografia. Os instrumentos que eram utilizados incluíam bambus, quinjengues, matracas e guaiás, sendo que todos os instrumentos que levavam couro eram afinados em uma fogueira para tornar o ritual mais característico em um horário avançado na madrugada para não serem impedidos.

Ainda em relatos, o movimento da Umbigada tinha como origem as danças e cerimoniais de fertilidade da região Congo-Angolana, para celebrar o momento em que dois corpos se tocam, agradecendo ao dom da concepção em uma ação rápida e mágica materializada através da dança. Dentro das relações ricas e floreadas pelo velho orador, a culinária afro-brasileira originada pelos escravizados na busca dos sabores próximos das lembranças de suas terras natais, que tiveram que recriar seus pratos com ingredientes locais. E, também incorporaram receitas dos índios e dos portugueses, criando pratos típicos variados, como a feijoada entre tantos mais. Além da necessidade diária, a cozinha africana está ligada à religião e é reproduzida nas casas de candomblé e umbanda. O acarajé, como tantos outros, é um exemplo de quitute que saiu dos terreiros e se tornou uma das identidades culinárias da Bahia e do Brasil conforme os ricos relatos dos nossos griôs afro-brasileiros.

Os dons das curas naturais também compõem fortes relatos, a exemplos de Cambinda e Maria que tinham os dons da cura pelas plantas e ervas para cuidar dos males de seu povo, causados pelos castigos dos seus senhores, do esforço excessivo do trabalho, da fome, do corpo e da alma. Além do trabalho pesado, os escravizados também eram submetidos a punições severas, como açoitamentos, tortura e até mesmo a morte. Eles não tinham direitos ou liberdade, sendo considerados propriedade dos donos das fazendas.

Além dos cuidados com as ervas e rezas, nas histórias relatadas, Cambinda se valia de sua posição, por estar dentro da fazenda, para levar mais um pouco de comida para seus pares na senzala e também algumas informações importantes para os melhores momentos de fugas. Castigada quando descoberta, mas, mesmo assim, não parava de ajudar a todos como podia. Cambinda morreu escravizada após seus 90 anos. Maria, sempre se rebelando, com discursos para todos durante as noites, nas senzalas, ganhou sua liberdade após anos de trabalho escravo e tentativas de fugas. Acabou por convencer seu senhor que a libertou. Livre, então, ela exigia ser chamada de Maria Conga, fundou o Quilombo. A guerreira, líder, passou a maior parte da vida com suas atuações no leste metropolitano que inclui, possivelmente, Tanguá e entorno, e, nas matas de Magé́/Guapimirim, onde morreu no final do século XIX, já idosa.

Orum, o reino das almas
A finitude é um recomeço, é nessa passagem, divisão entre corpo e espírito, que os espíritos bondosos e evoluídos são guiados por outros espíritos de luz ao seu plano astral evolutivo. Recebidas e consagradas por Oxalá, coroadas por Zambi, as missões com seu povo continuam no mundo espiritual, agora, como entidades anciãs que carregam a sabedoria para os cuidados do corpo e da alma e, principalmente, a sabedoria passada pela oralidade para seus seguidores.

A Estácio de Sá que tem em seu chão de fundação a devoção o respeito a oralidade da sabedoria ancestral desde a “Deixa falar”, nesse sentido, exalta a cultura afro-brasileira e as personagens serão alçadas à luz com suas histórias de vidas e espiritualidades com vistas no reconhecimento heroico nesse enredo. Sendo elas, testemunhas da passagem do tempo, as vovós deixam a memória da raça viva. O corpo curvado carrega o peso de tanta sabedoria, tanta bondade, tanto sofrimento, tudo misturado. Cada palavra traz um saber imemorial. Que vem lá da África e liga o passado e o presente. Cada palavra traz uma verdade tão profunda que só o coração pode entender. Seus cuidados, bênçãos e rezas tem o poder de toda a ancestralidade.

Venha! Vamos ouvir a história que Cambinda tem pra contar.
Vem ouvir o que Maria Conga vai dizer.
Vem! As pretas velhas não mentem!
Salve as almas! Adorei as almas!
Autores e autora:
Doutorando Marcus Paulo, Mauro Leite e Doutora Cristina da Conceição Silva

Amor ao samba-enredo! Festival em São Paulo uniu Neguinho, Quinho e Pitty no coração da cidade paulistana

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A noite da última quinta-feira foi mágica em São Paulo. Os paulistanos receberam três intérpretes especiais do carnaval do Rio de Janeiro. Dois que carregam uma bagagem gigantesca de desfiles históricos e um que vem do título da Imperatriz no Carnaval 2023. O resultado deste encontro, promovido pelo grupo Doentes da Sapucaí, no Pratafaria Bar, foi inesquecível, tanto para Neguinho da Beija-Flor, Quinho e Pitty de Menezes, quanto para os organizadores e o público que particpou ativamente. O site CARNAVALESCO esteve presente e conversou com os cantores.

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Fotos: Fábio Martins/Site CARNAVALESCO

“Essa homenagem não tem preço. O Quinho está superando um problema de saúde e merecia essa homenagem. É uma felicidade enorme. Valeu a pena esses 50 anos de sammba. Momentos como esse são a recompensa que precisamos. Agradeço todo o carinho comigo”, afirmou Neguinho.

quinho

“É uma honra ser homenageado pelos Doentes da Sapucaí. Eles são uma família. Hoje, nós tivemos a lenda que é o Neguinho e esse jovem talentoso que é o o Pitty. Estou muito feliz de ser lembrado”, comentou Quinho.

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Campeão pela Imperatriz em 2023, Pitty de Menezes celebro o encontro. “É um momento maravilhoso. Já conhecia os Doentes da Sapucaí. Estou com Neguinho e Quinho. É uma grande honra. Como sempre falo, a cada dia venho realizando sonhos”.

Um dos fundadores do Grupo Doentes da Sapucaí, Rogério Portos, falou do projeto de Festival de Samba-Enredo. “Ele visa trazer a cultura do samba-enredo. Resgatar essa cultura. Tudo que a gente promove é trazer novos apaixonados e resgatar. A ideia é acontecer todo mês aqui em São Paulo”, explicou.

“Sou um amante do samba. Tem um grupo de samba há mais de 15 anos. Tive hoje a honra de ver Neguinho, Quinho e Pitty fazerem uma noite maravilhosa. Alegria imensurável. O samba-enredo vive o ano inteiro. Ele está na nossa alma. É lindo esse evento dos Doentes da Sapucaí”, completou Rodrigo Soares, do Pratafaria Bar.

Deputada propõe que Paulo da Portela entre no Livro dos Heróis da Pátria

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A Deputada Federal Talíria Petrone (PSOL) protocolou o projeto de lei 2533/2023, para que Paulo da Portela, um dos fundadores da Majestade do Samba, seja inserido no Livro dos Heróis da Pátria, que se encontra no Panteão da Pátria e da Liberdade Tancredo Neves, em Brasília, Distrito Federal.

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Foto: Divulgação

A justificativa pelo pedido de inclusão se deve a tamanha importância de Paulo da Portela para a cultura do Rio de Janeiro. Ele lutou para dar destaque ao samba e à cultura negra periférica.

“Paulo Benjamin de Oliveira foi um grande compositor e um líder da maior importância para sua comunidade e para as comunidades afrodescendentes do Rio de Janeiro. Um dos maiores defensores e divulgadores de uma manifestação cultural que é reconhecida mundo afora como a arte essencialmente brasileira, proporcionando cultura, lazer, emprego, renda, vivência comunitária e reconhecimento para milhões de pessoas até hoje. Paulo da Portela foi um lutador do samba, da cultura e do povo pobre e preto deste país. Um herói da pátria”, traz um trecho do documento protocolado na Câmara dos Deputados, no último dia 09.

Unidos de Padre Miguel define calendário de disputa de samba

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A Unidos de Padre Miguel divulgou nesta quinta-feira, 18 de maio, o cronograma de ações para o seu projeto de Carnaval 2024, quando levará para a Marquês de Sapucaí o enredo “O Redentor do Sertão”. Apoiado na figura de Padre Cícero, o enredo que está sendo desenvolvido pelos Carnavalescos Edson Pereira e Lucas Milato é um convite a viajar no imaginário místico popular do povo sertanejo. Causos fantásticos, visões e milagres fazem parte da história do Padim, que configura, para seus devotos, uma representação divina.

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Foto: Nelson Malfacini/site CARNAVALESCO

Seguindo o calendário montado pela agremiação, a leitura da sinopse, acontecerá no sábado, dia 27 de maio. A direção do Boi Vermelho convida compositores, representantes dos segmentos, coordenadores e toda imprensa para o encontro às 14h, na quadra do Boi Vermelho, localizada na Rua Mesquita, 08, em Padre Miguel. Vale lembrar que a disputa de samba da UPM é aberta.

Ainda de acordo com o calendário da escola, a entrega dos sambas acontecerá no dia 29 de julho e a apresentação dos sambas concorrentes será realizada durante feijoada da escola, no dia 06 de agosto. A grande final de samba da Unidos está prevista para o dia 08 de setembro.

Confira o calendário:

MAIO
27/05 – Sábado – Leitura da Sinopse 2024 – às 14h, na quadra

JUNHO
03/06 – Sábado – 1º tira-dúvidas – das 15h às 17h, na quadra
10/06 – Sábado – 2º tira-dúvidas – das 15h às 17h, na quadra
17/06 – Sábado – 3º tira-dúvidas – das 15h às 17h, na quadra
24/06 – Sábado – 4º tira-dúvidas – das 15h às 17h, na quadra

JULHO
29/07 – Sábado – Entrega dos sambas, das 16h às 19h, na quadra

AGOSTO
06/08 – Domingo – Feijoada de apresentação sambas, às 13h, na quadra
11/08 – Sexta-feira – 1ª eliminatória sambas, a partir das 22h, na quadra

SETEMBRO
01/09 – Sexta-feira – Semifinal de samba, a partir das 22h, na quadra
08/09 – Sexta-feira – FINAL de samba, a partir das 22h, na quadra