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Tarcisio Zanon usa arte cinética nas fantasias da Viradouro para o Carnaval 2024

Em um evento restrito a convidados e lideranças dos segmentos da escola, a Unidos do Viradouro apresentou no barracão, na Cidade do Samba, os protótipos das fantasias para o Carnaval 2024. A apresentação do evento ficou por conta de Marcio Moura, diretor coreográfico da Viradouro, e da atriz Laiza Bastos. Foram mostradas as fantasias das 22 alas que serão divididas nos cinco setores do desfile que vai contar o enredo “Arroboboi, Dangbé”.

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Foto: Rafael Arantes/Divulgação

A confecção dos protótipos foi feita pelos profissionais do ateliê da escola, coordenados por Alessandra Reis. Além dos figurinos que serão reproduzidos para ilustrarem o desfile do ano que vem, foram criados outros cinco exclusivamente para a festa, que foram vestidos por pessoas bem conhecidas e queridas pela comunidade. Tia Clea, responsável pela ala das baianas, representou a Sacerdotisa Ancestral. As musas Carolina Macharette e Bellinha Delfim encarnaram, respectivamente, a Guerreira Minô e Gu Rainha. A Senhora da Irmandade foi representada pela porta-bandeira Rute Alves, enquanto o jovem ritmista Caio deu vida a um Ogã.

O carnavalesco Tarcisio Zanon resolveu utilizar em algumas fantasias do próximo desfile uma bem-sucedida experiência que adotou em algumas alegorias do último carnaval.

“A mesma arte cinética que usei em algumas alegorias se integra, agora, a algumas fantasias. Minha preocupação também foi aliar plasticidade e leveza. Posso garantir que, de todas as fantasias que criei em anos anteriores, foram os protótipos que mais se transformaram quando saíram dos manequins pra vestir quem se apresentou com eles na festa”, observa o artista, que assina o quarto trabalho consecutivo na escola de Niterói.

A Viradouro será a última a desfilar na Marquês de Sapucaí, no segundo dia de espetáculo do Grupo Especial.

Artigo: ‘Está faltando carreteiro em baterias?’

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Sabe aquele ritmo irresistível, quase afrodisíaco, feito pelos tamborins e acompanhado de forma luxuosa pelo tilintar agudo dos chocalhos? O nome dele é carreteiro. Seu poder de encantamento musical é simplesmente incalculável, principalmente para quem nunca pisou em uma escola de samba.

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Foto: Alexandre Macieira/Riotur

O modo de tocar o carreteiro de forma contínua no tamborim pode variar entre duas formas: 3 x 1 (três por um) ou 2 x 1 (dois por um), graças à flexibilidade das baquetas. Historicamente, por exemplo, as alas de tamborim da Estácio de Sá, Viradouro, Tijuca e Mocidade sempre apresentaram ritmistas de tamborim com execução diferenciada do carreteiro 2 x 1. Cabe ressaltar, que essa forma de tocar tamborim é genuinamente carioca, sendo inclusive repelida culturalmente e vítima de certa desconfiança musical em outras cidades com universo rítmico de baterias, como no carnaval paulista.

Hoje em dia, os desenhos de tamborim têm evoluído a um nível de pontuar musicalmente praticamente cada trecho melódico do samba-enredo. Isso com um acompanhamento cada vez mais presente do próprio chocalho, que quando não segue o que faz o tamborim, busca as brechas e espaços deixados por ele para executar suas convenções rítmicas.

Tal fato permitiu consistência musical notável, tanto no entrosamento entre os dois naipes, como em evolução rítmica individual e/ou coletiva. Quanto mais os desenhos rítmicos se aprofundam tecnicamente, mais a qualidade musical de quem os executa tende a subir. Como consequência imediata, isso proporcionou um rejuvenescimento das alas na última década. O volume de ensaios, aliada a cobrança de modo contínuo por excelência rítmica também contribuiu, mas isso está longe de ser o cerne principal desse texto.

A questão aqui é puramente musical. Pontuando todo trecho melódico não há praticamente um momento de respiro. O excesso de floreios, muitas vezes desnecessários, também pode se tornar prejudicial à sonoridade, de forma geral. Os naipes agudos precisam sempre ter a consciência musical que nasceram para acompanhar as alas da bateria e não tentar brilhar além das demais. Nada deve ferir o intuito principal que é fazer prevalecer o conjunto em perfeito equilíbrio, além da plena execução dos naipes, com fluidez. Com floreios demasiados se afeta diretamente exatamente a fluência.

A lacuna auditiva atual provocada pela sensação de pouco carreteiro acaba coincidindo com desenhos rítmicos com excesso de informação musical. Reside aí, portanto, a explicação de sua origem. O carreteiro, seja tocado com 3 x 1 ou 2 x 1, é um importante meio de sustentação musical. Alas de tamborins e chocalhos com carreteiros firmes são capazes de proporcionar um encantamento rítmico que se torna, sobretudo, uma experiência sensorial. Por razões meramente técnicas estamos deixando espectadores, foliões e desfilantes menos hipnotizados e inebriados pela inexplicável ausência do Pacaticapá ou Tagaragadá sem fim. O que seria das baterias, sem a união do carreteiro entre o chocalho e o tamborim?

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Freddy Ferreira é colunista de bateria do CARNAVALESCO

Embalada e com vontade, União de Maricá constrói barracão para fazer história na Sapucaí no Carnaval 2024

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Estreante na Marquês de Sapucaí, a União de Maricá realizará disputa de samba com uma premiação de R$ 75 mil para a parceria vencedora. O concurso está previsto para ser realizado no início de setembro, em quatro fases, com final marcada para o dia 29 de setembro.

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Fotos: Raphael Lacerda/CARNAVALESCO

Em entrevista ao site CARNAVALESCO, o diretor de carnaval Wilsinho Alves deu detalhes da disputa. “Será em quatro semanas, começando no início de setembro e – final no dia 22 de setembro”.

Para o intérprete Matheus Gaúcho, que fará parceria com Nino do Milênio no carnaval de 2024, o samba estreante precisa mexer com o emocional tanto de quem desfila quanto de quem assiste nas arquibancadas da Passarela do Samba.

“Muita garra, emoção e mexer com o componente e a arquibancada. Acho que o samba que emociona e faz o componente cantar e vibrar é o combustível para a gente ter um grande samba na Sapucaí”, disse Gaúcho.

O intérprete também comentou sobre a chegada de Nino do Milênio. Gaúcho e Nino dividirão o comando do microfone da União de Maricá. Para o cantor, a expectativa é de uma parceria que resulte em um grande trabalho de estreia no Sambódromo.

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“O Nino foi muito bem recebido aqui na escola e teremos a festa de apresentação. Assim como trabalhamos com o Ito em 2022 e 2023, qualquer componente que vier será muito bem-vindo na nossa escola. Com o Nino do Milênio não será diferente. A expectativa é a melhor possível, porque estamos cantando com um grande cantor. Para mim o Nino é um dos grandes cantores da atualidade. Se Deus quiser, iremos fazer um grande trabalho”, comentou.

Para Tadeuzinho, a chegada da escola na Marquês de Sapucaí representa um sonho e o resultado de um trabalho que começou a ser construído ainda em 2015. Ele garante que Maricá se prepara para levar um grande carnaval à Avenida.

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“Representa não só para mim, mas para toda a comunidade de Maricá um dever cumprido. Nós viemos da Intendente Magalhães buscando o nosso sonho, que era a Sapucaí. Representa que o trabalho foi bem feito e que a comunidade abraçou a escola. A União de Maricá está compacta e com um excelente enredo, assim como um excelente samba que tivemos em 2023. O nosso objetivo é chegar na Sapucaí com muito entusiasmo, orgulho e raça”, afirmou o gestor.

O presidente também ressaltou que a ideia da agremiação não só mostrar força, mas fazer um belo desfile. “Para as duas coisas: mostrar força e fazer bonito. Por isso nós reforçamos o nosso time com vários segmentos renomados. Não tenho dúvida que com esse enredo apresentado iremos fazer bonito na Marquês de Sapucaí”.

Estreia acompanhada de reforços

A agremiação de Maricá reforçou o time que comandará os principais segmentos da escola. Além da chegada do diretor de carnaval Wilsinho Alves, do intérprete Nino do Milênio e do carnavalesco André Rodrigues, chegam na União de Maricá o coreógrafo Patrick Carvalho, Junior Cabeça no comando da harmonia  e o casal de mestre-sala e porta-bandeira Fabrício Pires e Giovanna Justo.

Apesar de toda experiência no carnaval, o casal de mestre-sala e porta-bandeira disse que o papel deles se somarão a todo trabalho e organização da escola de samba. A dupla elogiou a estruturação da agremiação.

“Acredito que não é eu ou o Fabrício trazer (experiência). A escola tem um projeto muito bonito, onde nós vamos apenas nos juntar para realizar esse belíssimo carnaval que a Maricá pretende fazer. Eu vim ver o projeto, antes de tudo, e vi que eles são muito experientes. Estamos aqui apenas para agarrar mais uma oportunidade de Fabrício e Giovanna com a gente fazendo sucesso junto com a escola. Acredito que a Maricá vai fazer um belíssimo carnaval. É uma coletividade”, contou a porta-bandeira.

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“Primeira coisa que devo pontuar é que a organização da escola me impressionou muito. A gente já tem uma estrada longa, mas chegamos na Maricá com vontade. Uma escola organizada, que está se preparando aos poucos, mas que vocês puderam ver que ela tem tudo para fazer um trabalho maravilhoso. Estão dando todo o suporte que o casal precisa. Estamos começando a produzir um trabalho bem bacana para coroar mais uma vez os 40 pontos”, enfatizou o mestre-sala.

Para atender a demanda de um desfile do tamanho da Série Ouro, Maricá reformou um barracão localizado em frente ao Instituto Nacional de Traumatologia e Ortopedia (Into), na Zona Portuária da cidade do Rio. Segundo Wilsinho, o espaço agora contará com vestiários e ambiente para os trabalhadores.

“Construímos um barracão do zero. A gente pegou um barracão sem nenhuma condição de uso, telhado que chovia mais dentro do que fora. Fizemos uma obra magnífica e com espaços para o trabalhador, com banheiros adequados, vestiário, administração. É um espaço que não é o maior do mundo, mas é adequado para a União de Maricá fazer o seu carnaval”, contou o diretor de carnaval.

Velhos amigos

Wilsinho contou que trabalhou pela primeira vez com André Rodrigues em 2010, na Vila Isabel, quando o carnavalesco ainda era assistente de Alex de Souza. De lá para cá, foi construída uma relação profissional e pessoal de muito respeito. O diretor revelou que destacou ao carnavalesco dois pontos para o carnaval da Maricá: o olhar social e o fundamento de escola de samba.

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“Já fizemos muito carnaval juntos, mas nunca com o André como carnavalesco. Eu vi o crescimento do André como pessoa, como artista. É meu amigo particular. Fico feliz de poder estar trocando essa ideia com ele e dele poder estar desenvolvendo na Maricá suas ideias na plenitude. O que eu tinha pedido para ele é que o enredo conversasse com dois caminhos diferentes: o caminho social, que ele já persegue e não abre mão; o outro é que tivesse fundamento de escola de samba. Que a gente homenageie, de alguma maneira, o sambista”, revelou.

Para ele, a proposta do enredo é ideal para que a escola de samba possa competir na Série Ouro com grandes agremiações. “Estamos chegando agora e disputando com o Império Serrano, que tem nove títulos, Estácio de Sá e outras diversas escolas que estiveram no Especial há pouquíssimo tempo. Para a gente chegar e competir com eles, precisamos mostrar que também temos fundamento de escola de samba. Acredito que essa homenagem aos compositores é perfeita, porque casou a parte social e a homenagem aos compositores que nos brindam com grandes obras”.

Um dos nomes mais antigos na Maricá, mestre Paulinho Steves comentou sobre a emoção de estrear com a agremiação na Marquês de Sapucaí após uma longa jornada na Intendente Magalhães.

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“Eu venho praticamente desde o início da escola. Não consigo nem imaginar a gente brigando com o Império Serrano, Estácio, escolas que já foram campeãs do Grupo Especial. Ver a União de Maricá nesse mesmo patamar na Sapucaí é uma honra que não consigo nem descrever”, comentou o mestre da “Maricadência”.

Filho do mestre Esteves, que comandou a bateria da Estácio de Sá, Paulinho vê o pai como inspiração para comandar a bateria de Maricá na Passarela do Samba. “Acho que praticamente tento ser ele a todo momento, porque eu tenho meu pai como meu herói. Eu ver o meu pai na época que era mestre do Estácio chegava a brilhar meus olhos. Agora eu ter ele ao meu lado, me apresentando, é fora do comum. É um prazer enorme ter um mestre como ele ao meu lado”.

Caprichosos de Pilares apresenta seu novo casal de mestre-sala e porta-bandeira

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A Caprichosos de Pilares anunciou seu novo casal de mestre-sala e porta-bandeira para o Carnaval 2024: Feliciano Júnior e Graci Araujo.

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Foto: Divulgação

A porta-bandeira tem passagens por Mocidade Unida da Mooca, X-9 Paulistana, Imperatriz da Paulicéia, Tradição Albertinense, Amizade ZL e Nenê de Vila Matilde. Atualmente é primeira orta-bandeira no Grupo Especial de São Paulo, desfilando pela Independente Tricolor.

“Estou muito feliz, honrada e ciente da responsabilidade que é defender um pavilhão tão pesado e relevante no carnaval carioca. O trabalho com Feliciano já está a pleno vapor. A comunidade de Pilares e os apaixonados pela Caprichosos podem ter certeza que dedicação e profissionalismo em prol deste pavilhão, não irão faltar”, disse.

Já o mestre-sala Feliciano Júnior tem passagens por Mocidade, Império Serrano, São Clemente, Alegria da Zona Sul, Tuiuti e Beija-Flor, além da Camisa Verde e Branco (São Paulo). Atualmente, eleocupa o posto de primeiro da Estácio de Sá.

Unidos de Padre Miguel recebe sambas concorrentes no sábado

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A Unidos de Padre Miguel receberá neste sábado as inscrições das obras para o concurso, que definirá o hino do Boi Vermelho para 2024. Aberto a todos que se interessarem em participar, a escola receberá as inscrições das 16h às 19h, em sua quadra de ensaios, em Padre Miguel. Na ocasião, além da inscrição, os compositores irão receber todas as informações e regras sobre a disputa.

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Foto: Divulgação/UPM

“Estamos em um momento muito especial aqui na Unidos. Temos um enredo lindo e que a comunidade abraçou demais. Tenho certeza de que teremos grandes sambas e uma disputa bem acirrada, como nossa escola merece”, disse Cícero Costa, diretor de carnaval.

“Estaremos na quadra recebendo as inscrições e explicaremos as regras da disputa. Todos os sambas inscritos irão se apresentar em nossa feijoada no dia 06 de agosto e já na semana seguinte daremos início ao concurso”, explicou Lara Mara, a mais nova diretora de carnaval da escola.

A Unidos de Padre Miguel levará para a Marquês de Sapucaí em 2024 o enredo “O Redentor do Sertão”, de autoria dos carnavalescos Edson Pereira e Lucas Milato. Vice-campeã de 2023, a vermelha e branca da Vila Vintém será a quinta agremiação a desfilar no sábado de carnaval, pela Série Ouro.

Concurso Rainha do Carnaval 2024: conheça mais oito candidatas

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Por Augusto Werneck, Raphael Lacerda e fotos de Nelson Malfacini

Dayana Vieira (@dayvieiraoficiall) – Acadêmicos da Diversidade

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O que significa ser sambista? “Berço”,

Quais atributos uma rainha precisa ter? “Carisma, ser carinhosa, simpática, humilde, ter sonhos e ser da comunidade”.

Patricia Miranda (@patriciamiranda.oficial) – Salgueiro

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O que significa ser sambista? “O samba trouxe diversas coisas para mim. Quebrei diversas barreiras e desconstruí diversas coisas que aconteceram na minha infância e que não foram fáceis. No samba me descobri como mulher. Uma mulher empoderada e respeitada. A figura feminina dentro do samba é muito importante e eu tento carregar isso sempre”.

Quais atributos uma rainha precisa ter? “Realmente viver a arte do samba, ter respeito pela nossa história de força, garra e superação. Diversas coisas aconteceram para que a gente pudesse, hoje, curtir o carnaval e o samba. Mostrar a arte, o amor e respeito pelo povo sambista”.

Tatiana de Souza (Tati Rosa – @Soutatirosa) – Imperatriz Leopoldinense

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O que significa ser sambista? “Sou sambista, a minha vida é ser sambista e a minha filosofia de vida também é. É o que me alimenta, me veste e nutre diariamente. Ser sambista é compartilhar conhecimento”.

Quais atributos uma rainha precisa ter? “Certeza do que ela tem para oferecer. Muito samba, conteúdo, passar o samba com técnica e essência. Tenho muito a oferecer em uma corte”.

Ana Caroline (@Anna_martynss) – Império Ricardense

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O que significa ser sambista? “Meu amor e minha paixão desde criança”.

Quais atributos uma rainha precisa ter? “Simpatia e samba no pé”.

Jessica Almeida (@jessi.almeida) – União Cruzmaltina

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O que significa ser sambista? “Significa liberdade de expressar a nossa essência de uma forma natural”.

Quais atributos uma rainha precisa ter? “Confiança, simplicidade, simpatia e entrega”.

Sara Luna (@Saralunnah) – Bloco Nova América

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O que significa ser sambista? “Representa muita coisa na minha vida. É uma alegria, distração. A importância que o samba tem para mim é inexplicável”.

Quais atributos uma rainha precisa ter? “Simpatia, educação, caráter, carisma e samba no pé”.

Lyvea Korina (@lyveakorina) – Santa Cruz

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O que significa ser sambista? “Um sonho, uma realização e um orgulho ao mesmo tempo”.

Quais atributos uma rainha precisa ter? “Elegância, carisma, simpatia e samba no pé”.

Dara Oliveira (@eudaraoliveira) – Rosa de Ouro

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O que significa ser sambista? “O samba é a expressão da arte, cultura, do movimento de um povo marginalizado que só queria expressar quem realmente eram”.

Quais atributos uma rainha precisa ter? “Elegância, representatividade, honra, respeito ao pavilhão de cada agremiação, reconhecimento de cada história que atravessa a Avenida. Além de tudo isso, ter amor pelo que faz. Tudo que é feito com amor leva ao caminho da perfeição”.

Cubango lança sinopse e define regras para disputa de samba-enredo

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A Acadêmicos do Cubango já definiu as regras do seu concurso de samba-enredo para o Carnaval 2024. Com o enredo desenvolvido pelos carnavalescos Gabriel Haddad, Leonardo Bora, Thayssa Menezes, Theo Neves, Sophia Chueker, Jovanna Souza, Joanna D’arc Prosperi e Rafael Gonçalves, a Verde e Branca de Niterói levará para a Intendente Magalhães o enredo “Os pássaros da noite e os segredos das criações”. O concurso é aberto para todos os compositores e a parceria vencedora da disputa levará o prêmio de R$ 20 mil. A entrega oficial da sinopse foi no último dia 25 de Julho, na quadra da Acadêmicos do Cubango, na Rua Noronha Torrezão, número 560.

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Foto: Divulgação

A Acadêmicos do Cubango já definiu as regras do seu concurso de samba-enredo para o Carnaval 2024. Com o enredo desenvolvido pelos carnavalescos Gabriel Haddad, Leonardo Bora, Thayssa Menezes, Theo Neves, Sophia Chueker, Jovanna Souza, Joanna D’arc Prosperi e Rafael Gonçalves, a Verde e Branca de Niterói levará para a Intendente Magalhães o enredo “Os pássaros da noite e os segredos das criações”. O concurso é aberto para todos os compositores e a parceria vencedora da disputa levará o prêmio de R$ 20 mil. A entrega oficial da sinopse foi no último dia 25 de Julho, na quadra da Acadêmicos do Cubango, na Rua Noronha Torrezão, número 560.

Conheça a regra das disputas:

1. Só será permitido o número máximo de 10 compositores por samba (já incluso participação especial);

2. A entrega dos sambas será no dia 28 de Agosto de 2023 das 19h às 23h, na quadra do Acadêmicos do Cubango, Rua Noronha Torrezão – 560;

3. Apresentação dos sambas – 01 de Setembro de 2023 às 22:00h, na quadra do Acadêmicos do Cubango;

4. No dia da inscrição do samba, serão exigidas: 10 letras impressas, um arquivo (MP3) com a gravação do samba, e uma taxa de R$ 50 reais por compositor;

5. Ficam expressamente proibidos fogos de artifícios no interior e na parte de fora da quadra;

6. Em caso de brigas ou atitudes que venham “manchar” a imagem da agremiação, o(s) compositor(es) responsável(eis) poderá(ão) ser afastado(s) e ter o(s) seu(s) samba(s) eliminado(s);

7. Serão distribuídos, para cada obra, 50 ingressos, em toda a semana que antecede as disputas. Esses só terão validade até as 23h;

8. Haverá uma limitação em relação a quantidade de músicos e cantores: 4 Cantores, 3 cordas e um atabaque – necessário solicitar com antecedência. É proibido qualquer outro tipo de percussão. Sendo assim, haverá, somente, o pedal da agremiação;

9. Todas as obras inscritas deverão adquirir 10 baldes de cerveja, no bar da agremiação, a cada semana da disputa;

10. O samba campeão do concurso poderá sofrer alterações, em letra e/ou melodia, de acordo com a necessidades da diretoria da agremiação;

11. No dia da entrega no samba, 28 de agosto de 2023, cada parceria gravará conteúdos com a equipe de comunicação da Agremiação, que serão postados nas redes sociais;

Leia abaixo a sinospe do enredo “Os pássaros da noite e os segredos das criações”

Elas não são boas nem más.
Elas são o que são.
Elas são o poder.
Elas são o poder, a energia e a força.
Elas são o segredo.
(Iyá Ajé)

Ìyámi, minha Mãe, o mistério será preservado!
Sob as suas asas sagradas repousa o segredo das criações.
És a faísca geradora de tudo e a existência essencial para a manutenção da vida.
Somos todos seus filhos e filhas.
O princípio feminino é, genuinamente, a gênese da preservação do mundo, o ventre-mãe.
Nos primórdios de tudo, Oduduwá: a grande divindade materna e o útero ancestral da Terra.
O segredo criacional do Aiyê se dá pela mística e pela força feminina do (re)criar, fertilizar e transformar.
Entre máscaras e danças, o secreto ritualizar de uma sociedade tradicionalmente mulherista, Gèlèdé.
Sem o poder gerador das mulheres, a humanidade não tem continuidade.
Carnavalizamos o fazer vital das manifestações femininas, do coletivo gerador de energia que, rodando, dançando e cultuando, nos ensinam sobre as suas próprias dinâmicas de existência: Candomblés.
Salvador, o primeiro barco cruza a calunga e nascem os primeiros filhos da dinastia de três mães e a linhagem-matriz de uma afrosofia matriarcal e coletiva.
Nossa Senhora da Boa Morte, rogai por nós!
É nas irmandades femininas oriundas da Bahia que encontramos as estratégias de sobrevivências incrustadas nas tecnologias de reverenciar e preservar o sagrado que existe por trás de tudo o que foi criado.
O recomeço se faz na iniciação – nascer pro Orixá é se reconectar com o continente mãe, volte e pegue.
Mães Baianas, o baobá da criação, saberes e sabores no tabuleiro
daquelas que tudo nos ensinaram.
Tia Ciata gestou em seu quintal um solo fértil de memórias e fundamentos.
Semba que o samba é reza, rito, festa e Carnaval.
Cubango, um terreiro assentado por mãos e mães.
A primeira bandeira foi tecida por fios de contas e batizada por aquelas que jogam pipocas pra São Lázaro.
O Morro do Abacaxi, o chão vermelho de terra batida e a procissão inicial do padroeiro, Atotô!
Tudo isso nos permite reconstruir o imaginário de mães fundadoras.
Viver é partir, voltar e repartir!
Cubango é cabaça ancestral e também a nossa filha!
Aqui será (re)construída a história!

Pesquisa: Gabriel Haddad, Joana D’Arc Prósperi, Jovanna Souza, Leonardo Bora, Rafael Gonçalves, Sophia Chueke, Thayssa Menezes, Theo Neves
Texto: Thayssa Menezes
Enredo tecido a partir do diálogo com fundadores, baluartes e sambistas do GRES Acadêmicos do Cubango, a quem pedimos a bênção.

Referências Bibliográficas
ALMEIDA, Acácio; REGINALDO, Lucilene. Irmãs da Boa Morte: Senhoras do Segredo. In: Anais do 4.º Congresso Afro-Brasileiro (1994), Recife, PE: FUNDAI, Editora Massangana, 1996, p. 98-110.
ALMEIDA, Angélica Ferrarez de. A tradição das tias pretas na Zona Portuária: por uma questão de memória, espaço e patrimônio. Dissertação de Mestrado defendida no Programa de Pós-Graduação em História Social da Cultura da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-Rio), 2013.
AZEVEDO, Vanda Alves Torres. Íyàmi: símbolo ancestral feminino no Brasil. Dissertação de Mestrado defendida no Programa de Pós-Graduação em Ciências da Religião da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, 2006.
CORREIA, Sandro dos Santos. A importância das mulheres do candomblé no desenvolvimento de Cachoeira, BA. In: Odeere: revista do Programa de Pós-Graduação em Relações Étnicas e Contemporaneidade – UESB. Ano 2, n. 3, v. 3, 2017.
NOVAES, Luciana de Castro Nunes. As panelas das Feiticeiras: uma etnografia do segredo e ritual de Iyami no Candomblé. Dissertação de Mestrado defendida no Programa Multidisciplinar de Pós-Graduação em Estudos Étnicos e Africanos da Universidade Federal da Bahia, 2012.
OYĚWÙMÍ, Oyèrónkẹ́. A invenção das mulheres: construindo um sentido africano para os discursos ocidentais de gênero. Tradução de Wanderson Flor do Nascimento. Rio de Janeiro: Bazar do Tempo, 2021.
SILVEIRA, Renato da. O Candomblé da Barroquinha. Processo de constituição do primeiro terreiro baiano de Keto. Salvador: Maianga, 2006.
THEODORO, Helena. Mito e espiritualidade: mulheres negras. Rio de Janeiro: Pallas, 1996.
WERNECK, Jurema. Samba segundo as Ialodês: mulheres negras e cultura midiática. Tese de Doutorado defendida no Programa de Pós-Graduação em Comunicação e Cultura da Universidade Federal do Rio de Janeiro, 2007.

Com valores mais viáveis para compositores, Grande Rio privilegia disputa de samba e não de parcerias

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A Grande Rio recebeu onze sambas que vão concorrer ao posto de hino oficial da Tricolor de Caxias para o Carnaval 2024. Pelo segundo ano consecutivo, o intérprete Evandro Malandro teve a responsabilidade de gravar todas as faixas em disputa. Com a presença das parcerias na quadra, a escola deu início a disputa na presença do presidente Milton Perácio, do presidente de honra Leandro Soares, do próprio intérprete Evandro Malandro, do primeiro casal de mestre-sala e porta-bandeira, Daniel Werneck e Taciana Couto, além do diretor de carnaval Thiago Monteiro e de segmentos da agremiação. * OUÇA AQUI OS SAMBAS CONCORRENTES

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Fotos: Lucas Santos/CARNAVALESCO

O presidente Milton Perácio falou aos compositores sobre a importância do trabalho destes para a escola. “Hoje é o pontapé inicial, hoje é o ponto de partida, e se Deus quiser de um futuro muito promissor, do bicampeonato que estamos atrás. Cumprimento a todos vocês compositores que são a alma de toda a escola de samba. A Grande Rio parte solenemente, grandiosamente em busco do título. Vocês são os poetas, são as pessoas que transcrevem tudo aquilo que nossos carnavalescos botam muita fé. Quero parabenizar os carnavalesco por este enredo. Para escrever um enredo como esse tem que ter talento, e para fazer um samba sobre esse enredo também tem que ter talento”, sentenciou o presidente.

Em mais um ano de inovações na disputa de samba, o diretor de carnaval Thiago Monteiro explicou de forma resumida o que a escola desenvolveu para o concurso que terá a final em 07 de outubro e apresentou os motivos para algumas medidas tomadas pela agremiação.

“O nosso foco é fazer uma disputa de samba e não de parcerias. Para isso a gente quer deixar que até aquele parceiro mais humilde, consiga colocar o samba na Grande Rio sem muitos ônus. A gente destaca alguns pontos. O primeiro é o Evandro Malandro gravando todos os sambas em um preço abaixo de custo de mercado, combinado com a escola. Ele faz igual para todo mundo. Outro ponto, é a proibição dos cantores do Grupo Especial gravarem e se apresentarem na quadra. Isso nivela todos o sambas”, analisa o dirigente.

Thiago Monteiro também destacou questões como distribuição de ingressos, torcida na quadra e valores mais acessíveis das inscrições, além de descontos para compositores da casa.

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“As nossas gravações começam no segundo 20, para a gente evitar muitas introduções, muitas firulas no samba. A gente não proíbe, mas também não incentiva, e está em regulamento escrito que não precisa de clipe, não precisa de torcida na quadra. A parceria que precisar, de quantos ela precisar, a gente vai dar todos os ingressos, todas as parcerias ganham um camarote na quadra para cuidar dessa pessoas. Essas composições, esses formatos, e o número pequeno de apresentações, são quatro apresentações apenas até a final. É uma das disputas mais acessíveis e a taxa de inscrição é de R$ 250 por parceria. E quem colocou samba, e você tiver os cincos parceiros no ano passado assinando em alguma parceria na disputa do ano passado, essa taxa cai para R$ 150. A grande maioria pagou R$ 150 porque são parceiros que vem recorrentemente colocando samba”, revela Thiago.

O diretor Thiago Monteiro finaliza elogiando a safra de sambas e relacionando o bom rendimento dos compositores com o formato de disputa.

“A gente preza muito por não julgar através de comentários da internet. A gente tem todo o respeito, mas luta muito para se abster disso. É importante porque movimenta a bolha, mas a gente está aqui focado no samba. Estamos focados em julgar a qualidade da obra, não na parceria. Acho que esse é um dos fatores que tem feito a gent ter grandes sambas e a safra que chegou aqui, eu saio muito satisfeito, muito feliz com o que foi apresentado, porque acho que esse enredo vai ser representado por um grande samba”, concluiu Thiago Monteiro.

Inscrições para Rei Momo do Carnaval 2024 vão até dia 4 de agosto

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Estão abertas as inscrições para a escolha do Rei Momo e único do Carnaval 2024. O prazo se encerra no próximo dia 4 de agosto e a inscrição é gratuita. Como requisitos, os candidatos precisam ser residentes e domiciliados no Estado do Rio de Janeiro; ter no mínimo 18 (dezoito) anos completos na data da inscrição e ter concluído o ensino fundamental (antigo 1º Grau).

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Foto: Alexandre Macieira/Riotur

O prêmio total dado ao Rei Momo 1º e único será de R$ 45.000 (quarenta e cinco mil reais), além da coroa e a faixa. Para o segundo colocado, o título de Vice-Rei Momo do Carnaval 2024, ganhará um troféu e a quantia de R$ 8.000,00 (oito mil reais).

No ato da inscrição, deverão apresentar cópias acompanhadas dos originais, dos seguintes documentos:

a) Identidade;
b) CPF;
c) Comprovante de residência no Estado do Rio de Janeiro. (do próprio, dos pais ou cônjuge).
d) Certificado ou declaração de escolaridade;
e) Número de inscrição no INSS, PIS, Pasep ou NIT.
f) 01(uma) fotografia nítida e recente de corpo inteiro;
g) Atestado de aptidão física com data recente ao concurso com condições de saúde, que permitam o cumprimento do contrato, caso seja eleito para o mandato;
h) Declaração de próprio punho que reside no Estado do Rio de Janeiro.
i) Declaração de que não é servidor público, Federal, Estadual ou Municipal,

As inscrições serão gratuitas e realizadas no período de 14/07/2023 à 04/08/2023, na Sede da Riotur: Rua Dom Marcos Barbosa nº 02 – 2º andar, Bairro: Cidade Nova – Diretoria de Operações, no horário das 10:00h às 17:00h. O regulamento poderá ser obtido por meio do e-mail: [email protected] ou na Sede da Riotur.

Africanidade e papel da escola de samba na sociedade é destaque em aulas do 1º Simpósio de Enredos – São Paulo

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Carnavalescos de duas das principais escolas de samba do carnaval paulistano deram aulas no 1º Simpósio de Enredos – São Paulo, organizado pela Faculdade Centro Sul-Brasileiro de Pesquisa, Extensão e Pós-Graduação (CENSUPEG) e realizado no Centro Cultural Olido, no último sábado (22). Renan Ribeiro, do Camisa Verde e Branco, e Fábio Gouveia, da Nenê de Vila Matilde, abordaram focos distintos sobre a concepção de uma temática a ser abordada em um desfile. Em comum, além de temas relacionados ao enredo carnavalesco, duas concepções que, além de importantíssimas para escolas de samba, também versam sobre comunidades no geral.

Mais que desfiles

A primeira aula, ministrada por Renan Ribeiro, teve como tema “A relação entre o enredo e a função social da escola de samba”. Abordando, entre outros pontos, o quanto a comunidade é fundamental para uma agremiação obter bons resultados e ter aderência em uma região em um círculo vicioso benéfico, ele começou a abordagem contando a própria história, iniciada na Zona Leste de São Paulo.

Colocando-se como parte de tal relação entre comunidade e instituição, o carnavalesco recorda a própria infância. “Minha escola-mãe é a Nenê de Vila Matilde, e foi lá que eu aprendi como uma escola de samba se relaciona com o seu povo. Tive a sorte de nascer a um quarteirão da escola, e isso me deu essa vivência desde o início, indo escondido, na ala das crianças, em 1997. Desde então eu via como a escola se relacionava com o seu entorno. Fui ritmista, mestre-sala e percorria a escola me metendo em qualquer assunto porque não tinha o que fazer em casa e vivia na quadra”, comentou. Há espaço, também, para certo lamento em verificar que tal situação, hoje, mudou consideravelmente – tal qual a própria sociedade. “Hoje, poucas escolas ainda mantêm com muita firmeza isso. Até existe, mas de forma muito mais superficial – e as comunidades se modificaram muito nesses últimos períodos”, destacou.

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Exemplificando o que dizia, o professor deu detalhes sobre como a Nenê estava inserida na infância. “Todo mundo que desfilava na escola era matildense não ser por ser torcedor da Nenê, mas por morar na Vila Matilde. Isso tinha uma relação afetiva não só para defender a águia e as cores, mas para defender o seu povo. Era para defender o primo que estava na ala da frente, a sua mãe que era da ala das baianas, a prima que era passista, outra pessoa que estava em cima de um carro. Tinha essa conotação muito familiar”, pontuou.

A família, por sinal, rendeu uma situação bastante curiosa na vida de Renan – que, inclusive, o une à atual escola defendida por ele. “Meu pai era Camisa Verde e Branco, ritmista da Furiosa na década de 1980, com o mestre Divino. Ele falava que eu era Nenê porque eu tinha preguiça de pegar o metrô até o final da linha. Isso é muito o espelho da boa rivalidade que existia entre Nenê, Camisa, Vai-Vai e Unidos do Peruche, por exemplo. Foi nesse momento que eu comecei a me interessar pelo quanto o carnaval tinha relações orgânicas”, relatou. Explica-se: a Vila Matilde, bairro da Nenê, fica na Zona Leste de São Paulo, sede de uma das estações da Linha Vermelha do metrô – que, no lado oposto, tem Palmeiras-Barra Funda como estação final, no distrito onde está o Trevo.

Escola de samba em São Paulo e no Brasil

Extrapolando os limites da maior cidade da América do Sul, o professor buscou conceituar o que é uma agremiação carnavalesca, na visão dele. “A escola de samba passou a ser objeto de entendimento como se fosse a célula de um brasileiro, que reúne o poeta que floreia algumas coisas absurdas e a diretora que xinga com a mesma facilidade. Lá é uma zona de paz que convivem prostitutas, evangélicos, macumbeiros, advogados e ladrões de forma muito comum. Todo mundo lá convive com ideias que são muito diferentes porta afora”, detalhou.

Para complementar o pensamento, ele buscou comentar o motivo pelo qual uma agremiação existe. “A escola de samba nasce para dar voz a vozes que falavam e ninguém escutava, para jogar luz em assuntos que ninguém debatia, para mostrar um formato narrativo e de comunicação que pertenciam a pessoas que não tinham acesso à comunicação em larga escala”, comentou.

Para ilustrar de maneira ainda mais completa, uma metáfora foi feita para os alunos. “Um perfume só existe para ser cheirado: se você tira a essência de um perfume, ele não é nada. A essência de uma escola é exatamente a mesma coisa, e a essência de uma escola de samba é a mesma coisa. Essa essência é se comunicar com aqueles que vão participar disso, que produzem e vão degustar isso. Se você tira essa essência, ela deixa de ter motivo para existir e se torna aleatório. O discurso se torna vazio e o desfile se torna desconectado com quem assiste, com quem consome e com quem desfila”, comparou.

Os limites da cidade, entretanto, voltaram a aparecer em outros momentos da apresentação. No primeiro deles, aproveitando um dos tantos ganchos deixados por Sidnei França em aula anterior, ele voltou a relembrar a infância. “Cresci vendo debates de enredo na TV Manchete, e esse universo era distante do carnaval paulistano. A relação das duas cidades com as escolas de samba é muito diferente”, pontuou, ao comparar agremiações carnavalescas nas duas maiores cidades do país.

Invisíveis

Ainda falando da Terra da Garoa, o professor entrou no desfile carnavalizado por ele, com o nome que abre o intertítulo. O vice-campeonato garantiu ao Camisa Verde e Branco, quarto maior campeão do carnaval paulistano, com nove títulos, o retorno ao Grupo Especial – onde, em 2024, não desfilava há doze anos. A constituição do Grupo de Acesso I em 2023 foi o norte para a fala. “O Acesso I em 2023 tinha Vai-Vai, Nenê, X-9 Paulistana… todos estavam de olho, era, até certo ponto, nostálgico. Quando eu, irrequieto, propus esse enredo para a presidente (Erica Ferro), ela me perguntou se não mexeríamos com pessoas que não gostariam tanto assim desse enredo. Foi pensando nessa confusão que eu pensei. Isso, para mim, é a escola de samba funcionando como deveria funcionar: para provocar, para falar sobre coisas que ninguém queria falar”, resumiu.

Aproveitando para criticar a quase obrigatoriedade de visuais luxuosos no atual momento da folia paulistana, Renan relembra a reação de quem viu as alegorias do Trevo na concentração do Anhembi. “Quando o Camisa chega no terreno, com uma estética que não era bonita aos olhos do carnaval de São Paulo, viciado em placas e espelhos, eu sou queimado em praça público. Isso, para mim, é um orgasmo. Não gosto de carro alegórico grande, mas somos condenados a utilizar aqueles trambolhos. Se não fazemos isso, é como se a gente não soubesse fazer. E eu começo o desfile com uma favela com uma porta do tamanho de uma porta e uma janela com tamanho de janela. Eu acho ruim quando o carro é grotesco, gigantesco, paredes imensas e as pessoas se tornam uns pingentinhos”, ironizou.

Por fim, ele próprio deu deixas do processo criativo para cada desfile idealizado por ele. “Eu sou muito angustiado, minha cabeça é caótica. Eu começo a entender qual o papel de um carnavalesco e começo a mirar nisso: um dia, quero criar algo e fazer com quem as pessoas entendam como eu entendo o que chega na minha cabeça”, finalizou.

Viagem pela história

A aula seguinte foi ministrada por Fábio Gouveia, carnavalesco da Nenê de Vila Matilde desde 2022. Intitulada “Ancestralidade e oralidade dos enredos afros paulistanos. A construção de uma identidade pautada na herança cultural”, além de falar sobre questões ligadas também aos sambas-enredo, ele aproveitou para cutucar quem acompanha a folia de longe e critica temáticas africanas. “Compro brigas porque sempre tem o cara da internet que vai falar que tem mais um enredo afro. Graças a Exu! Mesmo com tudo que o povo preto passou, não perdemos o nosso intelecto, que é como temos que ser vistos”, riu, provocando palmas dos alunos.

Defendendo as canções de temas afro, o professor explicou os motivos pelos quais melodias e ritmos significam tanto. “O samba tem a força e o poder de acolher e trazer, mas as pessoas não pensam muito assim. Mas isso é do povo preto e da nossa história. A oralidade está muito inserida no povo africano, nas raízes e na forma de se expressar em comunidade. Está muito além das escritas”, destacou.

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A dinâmica da aula, entretanto, foi distinta. O professor escolheu cinco desfiles (e, consequentemente, sambas-enredo) marcantes com temáticas afro para abordar como cada um deles pontuou a negritude – e, em outro plano, aproveitar para traçar um paralelo de acordo com a cronologia. “Escolhi enredos para que entendam como o enredo afro em São Paulo se comporta, como ele se apresenta. Vejo muitas diferenças entre São Paulo e Rio de Janeiro em como eles tratam enredos afros, a forma como as histórias são conduzidas”, explicou.

O primeiro deles foi Casa Grande e Senzala, que concedeu o primeiro título à Nenê de Vila Matilde e concebido por Antônio Protestato. “A aruanda chegou! Enquanto negros sofrem na senzala, eles dividem o conhecimento de forma ancestral – algo que é muito da escola, a ancestralidade da Nenê, sem perder a esperança. É o primeiro samba-enredo do carnaval paulistano”, relembrou.

Em 1982, o Camisa Verde e Branco apresentou “Negros Maravilhosos – Mutuo Mundo Kitoko”. Vice-campeão, o Trevo da Barra Funda “queria lutar contra o fato de que não devemos ser vistos como escravizados, sofridos e como gente que perdeu tudo no caminho”, afirmou Fábio, em apresentação idealizada por Augusto Henrique Alves e o histórico ex-presidente Carlos Alberto Tobias. “O tempo todo, esses dois desfiles deixam claro que os pretos não são o que a história conta: somos algo muito antes disso”, disse.

A viagem cronológica seguiu até 1989, em um clássico desfile do carnaval paulistano. Com Joãosinho Trinta como carnavalesco e Jamelão como intérprete, a Unidos do Peruche cantou “Os Sete Tronos dos Divinos Orixás”, abocanhando o vice-campeonato. “Nós nos encontramos com a religiosidade como enfrentamento naquele tempo. Como aquela plateia e aquelas pessoas escondem, não querem falar e não querem entender. É um samba que pede licença e respeito àquela religiosidade e respeito”, pontuou Fábio, destacando a letra de um dos sambas tidos como dos melhores de todos os tempos no carnaval da cidade de São Paulo.

O penúltimo ponto da viagem foi 2012, quando a Mocidade Alegre apresentou “Ojuobá – No Céu, os Olhos do Rei… Na Terra, a Morada dos Milagres… No Coração, Um Obá Muito Amado!”, que garantiu o título para a Morada do Samba em desfile concebido por Márcio Gonçalves e Sidnei França. “O desfile de 2012 da Mocidade Alegre é, para mim, o carnaval mais completo na apresentação ao contar uma história, uma homenagem, uma profecia sobre a cabeça de um homem que contaria a nossa própria história de maneira clara e coerente: Jorge Amado”, revelou o professor.

Nenê e representação de negritude

O último desfile escolhido pelo professor foi, novamente, outro da Nenê de Vila Matilde. Em 2022, no Acesso II, a escola da Zona Leste reeditou Narciso Negro, concebido em 1997 por Tito Arantes e revisitado pelo próprio Fábio Gouveia. Antes de falar sobre a exibição em si, ele aproveitou para falar sobre como se vê na agremiação em um contexto histórico tão delicado, com a Águia Guerreira no terceiro pelotão do carnaval paulistano. “A Nenê é a escola que me permite ser quem eu sou, fazer os enredos que eu quero e desejo fazer. A Nenê sempre esteve à frente do seu tempo, errando ou fazendo, a escola sempre quis ousar e fazer um carnaval diferente. A Nenê sempre foi a vanguarda de muita coisa no carnaval. Tanto que você olha e vê que não há dor, sofrimento ou escravização do povo preto. Existe a exaltação de um povo, de uma luta, de uma tradição que precisa ser respeitada. O negro sempre está coroado diante de todo o povo: nós estamos aqui. E o encontro com o Narciso Negro faz parte desse reencontro da escola com a comunidade – e, quando ela foge disso, ela começa a se perder”, pontuou.

Revelando uma trilogia iniciada em 2022, ele aproveitou para falar do desfile de 2023, que ficou na terceira colocação do Acesso – deixando de conquistar o segundo acesso consecutivo por um único décimo. “Faraó Bahia nada mais é que a continuação de tudo isso, das histórias do nosso povo, mas de uma outra maneira. Por trás da música, existe muito mais e além que um hit de carnaval. Fala do empoderamento desse povo, da construção e identidade deles. A música fala de como esse povo tomou o seu lugar de direito”, afirmou, relembrando a música que serviu de inspiração para o desfile.

Por fim, em 2024, quando a escola apresentará o enredo “Cirandando a vida pra lá e pra cá. Sou Lia, Sou Nenê, Sou de Itamaracá” e encerrará a trilogia particular, Fábio aproveitou para revelar em qual contexto a temática é importante para a agremiação da Zona Leste. “Nessa trilogia, vamos à coroação de tudo isso, que é Lia de Itamaracá. É a história da minha mãe, da mãe de muitos aqui, das mães da Nenê de Vila Matilde. É a história de luta da mulher social preta para construir a própria história”, finalizou.